Número de exames de Covid-19 realizados por laboratório privados cresce 39,26%, segundo Abramed

Já a positividade pode ser considerada estável, comparando as duas últimas semanas

Na semana de 25 de fevereiro a 3 de março, houve um aumento significativo no número de exames de Covid-19 realizados pelas empresas representadas pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). Foram 31.894 exames contra 22.902 realizados na semana de 18 a 24 de fevereiro, um aumento de 39,26%. Já a positividade pode ser considerada estável: foi de 21,3% para 22,1% em uma semana, um aumento de apenas 0,8 ponto percentual. 

Esse padrão já se repetiu outras vezes. Desde o final de janeiro até março, o número de exames de covid-19 realizados vem aumentando gradativamente, juntamente com a taxa de positividade, mesmo que levemente. Nas últimas seis semanas (21 de janeiro a 3 de março), o total de exames chegou a 126.885, com média de positividade no período de 18,3%.

A Abramed reitera a importância de seguir as medidas preventivas recomendadas pelas autoridades de saúde e se compromete a fornecer dados que ajudem a entender o desenvolvimento da doença. Suas associadas representam 60% do volume de exames realizados na Saúde Suplementar. 

Positividade de Covid-19 cresce 4,9 pontos percentuais na semana do Carnaval

O número de exames realizados cresceu 7,76% em relação à semana anterior, de 11 a 17 de fevereiro

De 18 a 24 de fevereiro, semana de Carnaval, o número de exames de Covid-19 realizados pelos associados à Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) chegou a 22.902, um aumento de 7.76% em relação à semana anterior, de 11 a 17 de fevereiro, quando foram realizados 21.251 exames. Já a positividade foi de 17,2% para 22,1%, no período em comparação, o que significa um crescimento de 4,9 pontos percentuais.

“Os dados demonstram que o coronavírus continua circulando, como já era esperado. Os eventos que geram aglomeração de pessoas, como o carnaval, contribuem para haver tanto  aumento na testagem, devido a diferentes sintomas, quanto crescimento da positividade, por aqueles que já têm a infecção”, declara Alex Galoro, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed, cujos associados realizam cerca de 60% de todos os testes da saúde suplementar no país. 

Desde a semana de 21 a 27 de janeiro, tanto o número de exames realizados quanto de positividade foi ligeiramente crescendo. Nas últimas seis semanas, o maior volume tanto de exames quanto de positividade foi registrado justamente na semana do carnaval. De 14 de janeiro a 24 de fevereiro (seis semanas), o total de exames de Covid-19 realizados foi de 110.981, enquanto a média de positividade foi de 16,6%. 

“Reforçamos que a pandemia ainda não acabou e que todos devem continuar a tomar as precauções necessárias, como manter o distanciamento físico e usar máscaras, além de seguir as recomendações da ANVISA, para podermos manter a circulação do coronavírus sob controle”, finaliza Galoro.

Painel Abramed 2022 – O DNA do Diagnóstico trará comparativos entre sistemas de saúde de diferentes países e boas práticas de ESG

O documento passou a ser lançado no início do ano, para que as informações do ano anterior sejam fechadas e comparáveis

O Painel Abramed 2022 – O DNA do Diagnóstico, uma publicação da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), será lançado ainda no primeiro trimestre de 2023 e traz diversas novidades, reforçando sua relevância no mercado de saúde ao apresentar o panorama do setor de medicina diagnóstica no Brasil com responsabilidade, transparência e abrangência.

Lançado em 2018, o Painel tem um processo de concepção estruturado e, nesta edição, traz mudanças no formato de elaboração e lançamento, sendo o material divulgado para o mercado no início do ano, para que as informações de um ano inteiro sejam fechadas e comparáveis. Além disso, serão inseridas atualizações de dados de outros anos. “Essa primeira mudança permite contrastar dois anos cheios, 2021 e 2022, ficando mais fácil e atraente para os leitores”, explica Bruno Santos, coordenador de Inteligência de Mercado da Abramed.

Outra novidade é a construção de uma seção que compara o sistema de saúde do Brasil com o de outros países. Foram escolhidos cerca de 10 ou 12 nações para se fazer uma descrição detalhada de como funciona o sistema de saúde de cada um. Muitos pensam que nos Estados Unidos, por exemplo, não há sistema de proteção pública, mas, na verdade, cerca de 60% dos americanos dependem do sistema financiado pelo governo.

“A ideia é trazer essas informações para as pessoas entenderem como a situação no Brasil se compara à de outros países, especialmente no que diz respeito à produção assistencial e aos exames de imagem. A quantidade de exames de imagem feitos no Brasil é muito diferente da quantidade dos Estados Unidos, da Alemanha e da China? Qual é o resultado disso? Queremos mostrar como esses sistemas diferem e quais são os resultados disso”, explica Santos.

Para Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed, o material é uma rica fonte de pesquisa, conhecimento e informação. Ele destaca, justamente, a revisão dos sistemas de saúde, comparando o Brasil e o mundo.

“Isso é extremamente importante para entendermos que existe uma grande complexidade, não só no Brasil, mas também em outros países em relação ao funcionamento dos sistemas de saúde, para equilibrar os orçamentos públicos e privados”, explica. Assim como no Brasil, há na Inglaterra um sistema universal, mas na maioria existem sistemas complementares, com graus variados de participação da iniciativa privada e do governo, assim como diferentes modelos de orçamento e financiamento.

Em relação a essas comparações, Santos acrescenta que o modelo em si não embute grandes diferenças assistenciais, são outras condicionantes que impactam a saúde. “Os americanos têm um estilo de vida totalmente diferente do inglês, mostrando, então, que o comportamento importa muito mais do que o modelo de saúde”, expõe.

O Painel fornecerá um panorama para que as empresas do setor de medicina diagnóstica possam conhecer esses sistemas e se inspirar para desenvolver novos modelos usando a criatividade. “A inovação e a criatividade serão fundamentais para superar o momento de dificuldade que o sistema de saúde vive atualmente no Brasil, tanto em termos de financiamento, quanto de relacionamento de confiança entre as partes envolvidas”, complementa Paes Junior. Segundo ele, as negociações ficam direcionadas, basicamente, a reajustes, sendo que é necessário propor novos modelos: o grande desafio para o setor.

Panorama geral

O mais importante referente à edição 2022 do Painel são os dados setoriais, pois as associadas realizam aproximadamente 70% dos exames de medicina diagnóstica do setor privado brasileiro. Vale lembrar que a Abramed inclui empresas de todos os portes, as quais atuam com laboratórios clínicos, serviços de patologia, serviços de análise de líquor, radiologia e diagnóstico por imagem.

O panorama de dados setoriais permite definir parâmetros de comparação entre medicina diagnóstica privada e pública. “Inclusive, há uma grande oportunidade nesse ponto para o setor privado contribuir para a melhoria do Sistema Único de Saúde (SUS), eventualmente até pensando em parcerias público-privadas, levando o que é feito na medicina diagnóstica privada para o SUS”, acrescenta Paes Junior.

De acordo com ele, é crucial trabalhar para que as empresas brasileiras tenham um setor de medicina diagnóstica saudável, a fim de prosperar e oferecer aos usuários brasileiros o que há de melhor no mundo. Mas, isso só será possível, se houver um ambiente adequado e equilibrado, que é justamente uma das missões da Abramed.

“O nosso papel é criar um espaço saudável para que essas companhias possam se desenvolver e garantir que os pacientes em todo o país, estejam eles em São Paulo, Florianópolis, Recife, Belém ou Brasília, tenham a segurança de que estão recebendo atendimento semelhante ao que encontrariam nas melhores clínicas e hospitais do mundo, como Berlim, Nova York, Paris ou Tóquio”, expõe Paes Junior.

Para facilitar a coleta e manter os dados atualizados constantemente, a Abramed vem construindo sistemas de pesquisa e coleta de dados automatizados, organizados em dashboards, utilizando inteligência artificial do tipo NLP (Natural Language Processing), além de dashboards inteligentes.

Sustentabilidade

Outra novidade nesta edição é o capítulo dedicado ao tema ESG – Governança ambiental, social e corporativa (do inglês Environmental, social, and corporate Governance), com ações adotadas pelas associadas e indicadores que possam guiar todo o setor a seguir essas práticas fundamentais com foco em meio ambiente, social e governança. “Assim, continuamos a melhorar cada vez mais nosso setor, a exemplo de outros que já têm avançado no tema”, acrescenta Paes Junior.

A inclusão desse capítulo no Painel mostra que o setor está preocupado com essas questões e demonstra para as empresas associadas e para o mercado como um todo que é importante medir e implementar essas medidas. Além disso, a inclusão também serve como uma forma de divulgar o que já está sendo feito no setor e mostrar o que ainda precisa ser feito.

“O Painel Abramed é uma ferramenta essencial para o setor de saúde como um todo, pois permite que as empresas se inspirem em líderes do setor, identifiquem seu posicionamento atual no mercado, verifiquem se suas estratégias de produtos e serviços estão alinhadas às tendências do segmento e planejem seu futuro com base em tendências emergentes”, finaliza Paes Junior.

Retrospectiva 2022: Empenho e dedicação da Abramed em um ano de transformações no setor da saúde

Entidade acredita em seu papel de influenciar o mercado na defesa de comportamentos éticos e transparentes, vitais para a evolução e a sustentabilidade do sistema de saúde

Nas palavras da diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, o ano de 2022 foi “de transformações e impactos para o setor da saúde”. Muitas foram as contribuições e conquistas pelo empenho e atuação da entidade nos últimos 12 meses, nas quais destacam-se o envolvimento em temas como RDC 302; Piso de Enfermagem e telemedicina, entre outros.

“A Abramed participou ativamente da revisão da RDC 302, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dispõe sobre o regulamento técnico e visa definir os requisitos necessários para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos e privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia. Reconhecemos o empenho e cuidado da Anvisa na atualização da norma e nosso objetivo foi de contribuir, trazendo clareza sobre os impactos na segurança do paciente com as modificações propostas”, frisou Milva.

Em maio, quando aprovado o PL 2.564/2020, que fixava o piso salarial da enfermagem, a Abramed se manifestou favorável à valorização dos recursos humanos desta profissão, mas entendendo que esse caminho deveria ser percorrido com sustentabilidade.

Outras ações enfatizadas por Milva foram a atuação da entidade na construção da Agenda Regulatória da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e a criação do Fórum de Proteção de Dados; e o desenvolvimento de um planejamento estratégico para atuação e expansão da entidade nos próximos cinco anos.

O Fórum Permanente do Setor de Saúde em Proteção de Dados e Privacidade, lançado em agosto, em Brasília, trata-se de uma coalizão em caráter permanente composta de associações, federações e confederações representativas do setor de saúde, cuja missão é debater e fomentar os temas envolvendo Privacidade e Proteção de Dados, inovação e tecnologia para o segmento, além de preparar a proposta de autorregulação do setor.

Com a Abramed, integram o Fórum a Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para a Saúde (Abraidi), Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Associação de Planos Odontológicos (Sinog), Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Federação Brasileira de Hospitais (FBH) e Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

“Esse Fórum nasceu da necessidade do setor de saúde de trabalhar, eventualmente, em uma autorregulação regulada, já que é um segmento muito sensível, que lida com dados sensíveis, e, simultaneamente, traz vários stakeholders, desde o hospital, que presta assistência beira-leito, até as entidades de medicina diagnóstica, como a Abramed; as operadoras, que trabalham com os dados; e as Santas Casas, que lidam muito com dados públicos. Em determinado momento, entendemos ser necessário tentarmos, em alguns temas críticos, buscar convergir entendimentos”, explicou Milva.

Como resultado de um trabalho que vem sendo desenvolvido desde 2021, a Abramed no início deste ano apresentou o seu novo posicionamento estratégico. O projeto, que conduzirá as ações da entidade nos próximos cinco anos, teve como foco a dinâmica setorial, que tem mudado bastante nos últimos anos, a visão dos associados com relação à entidade, bem como os desafios e oportunidades para a medicina diagnóstica. Entre os objetivos estão o fortalecimento, aumento da representatividade, pluralidade e oferta de valor da entidade para seus associados.

“A Abramed tem um olhar para o futuro, influenciando os caminhos da saúde no Brasil. Somos um agente influenciador e pretendemos manter a nossa contribuição constante para uma mudança setorial que envolva maior compartilhamento e maior integração dos elos da cadeia,” salienta Milva.

Em 2022, a entidade finalizou a implantação da reestruturação de seus dez comitês, com representantes dos associados, para deliberar sobre as agendas propositivas, com atuação em três eixos: benchmarking de boas práticas; desenvolvimento de conteúdos de valor; e desenvolvimento de projetos aplicados.

“Acreditamos no nosso papel de influenciar o mercado na defesa de comportamentos éticos e transparentes, vitais para a evolução e a sustentabilidade do sistema de saúde e em benefício da população que busca os serviços essenciais que o setor fornece e queremos gerar cada vez mais valor para nossos associados e para a sociedade”, afirma Milva.

Em um ano de retomada dos eventos presenciais, a diretora-executiva relembra a sexta edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, organizado pela Abramed, e realizado pela primeira vez em formato híbrido, com transmissão ao vivo, discutindo assuntos relevantes sob a temática central “A Medicina Diagnóstica na Disrupção da Saúde”. “Foi um reencontro marcante, com debates necessários para o melhoramento e desenvolvimento do setor da Saúde e da Medicina Diagnóstica nos próximos anos. Um verdadeiro sucesso”, destaca.

A Abramed participou ainda de importantes eventos do setor, entre eles: Hospitalar; JPR – Jornada Paulista de Radiologia; FIS Week; Congresso Brasileiro de Análises Clínicas; Diálogos Digitais Abramed; FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde; CBR – Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem; Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial; Global Summit Telemedicine & Digital Health; Debates Fenasaúde, e Saúde Business Fórum.

Durante a Hospitalar 2022, a Abramed participou da cerimônia de criação de área dedicada à medicina diagnóstica na feira. O espaço, que concentra as soluções e as inovações para laboratórios, diagnóstico e análises clínicas, surgiu para atender a crescente demanda dos visitantes por produtos relacionados à área. Nesta primeira edição, já foi um sucesso absoluto, reunindo 30 empresas.

Confraternização

A Abramed promoveu um jantar que reuniu membros do Conselho de Administração, Conselho Fiscal, líderes dos comitês, associados e parceiros para brindar o encerramento de 2022, ressaltar as conquistas e realizações e reafirmar o empenho da entidade em prol do setor de medicina diagnóstica no próximo ano.

“O nosso setor de medicina diagnóstica continua muito pujante. Novas metodologias são desenvolvidas, a indústria nos disponibiliza aqui no Brasil muitas inovações e novos exames são oferecidos aos médicos e aos nossos pacientes. O segmento tem demonstrado um crescimento ano a ano. Um estudo publicado essa semana, realizado por dois centros de pesquisa da Universidade Johns Hopkins, sintetizou pesquisas realizadas ao longo de 20 anos sobre os erros diagnósticos, revelando que 5,7% de pacientes atendidos em prontos-socorros, em vários países, recebem diagnóstico incorreto, e desses, 2% são vítimas de eventos adversos, ou seja, sofrem danos por conta disso”, comentou Shcolnik.

O presidente do Conselho de Administração prosseguiu ressaltando que o valor do trabalho, que é realizado por profissionais da área, muito qualificados, se reflete em um apoio diário oferecido aos médicos, quer seja na prevenção, no diagnóstico, na definição e gerenciamento de tratamentos.

“O compromisso da Abramed, firmado há anos, que é de conhecimento público, permanece intacto. Defendemos o uso racional de exames, a sustentabilidade do sistema de saúde, do qual todos somos parte, e a integridade e o acesso da nossa população a serviços de saúde de qualidade”, garantiu Shcolnik.

Especialistas em ESG compartilham suas experiências em episódio da série #DiálogosDigitais Abramed

Relatório de sustentabilidade, indicadores, metodologias, sensibilização e desafios foram alguns dos temas abordados

“O que ESG tem a ver com a sua saúde?” foi o tema de mais um episódio da série #DiálogosDigitais Abramed 2022, que aconteceu no dia 6 de dezembro, com transmissão ao vivo pelo canal do  YouTube  da entidade. Entre as perguntas respondidas durante o webinar, estiveram: de que maneira o ESG se conecta com a estratégia da empresa; porque ele é importante para o setor de saúde; como estamos e de que forma somos vistos; e quais seus desafios e oportunidades.

Participaram da conversa Lílian Mendes, gerente de ESG e Sustentabilidade da Dasa e membro do Comitê de ESG da Abramed; Meire de Fátima Ferreira, especialista e mentora em gestão de sustentabilidade; e Daniel Périgo, gerente de Sustentabilidade do Grupo Fleury e diretor suplente do Comitê de ESG da Abramed. A moderação ficou a cargo de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

O conceito de ESG – Environmental, Social and Corporate Governance, sigla em inglês para governança corporativa, social e ambiental, vem ganhando bastante destaque, no entanto, ainda há muito o que evoluir na medicina diagnóstica. “Esse é um tema de grande interesse, mas que tem sido pouco falado no setor. Portanto, convidamos três especialistas que lidam com o assunto diariamente”, iniciou Shcolnik.

Lílian começou destacando a importância do relatório de sustentabilidade, que é um dos principais passos para quem pretende incluir o ESG em sua estratégia de negócio. “Esse relatório provoca uma evolução interna da empresa e traz os stakeholders para mais perto. Independentemente do porte da organização, pode ser implementado com facilidade e aprimorado aos poucos. Cada passo é dado no seu tempo, afinal, estamos falando de uma jornada”, disse.

Ela contou que a Dasa implementou a metodologia da GRI, mantendo a transparência e a reciprocidade com pacientes e stakeholders. A Global Reporting Initiative (GRI) é uma organização sem fins lucrativos que fornece os padrões mais usados ​​do mundo para relatórios de sustentabilidade, os padrões GRI, também chamados de relatórios GRI.

Um dos desafios enfrentados pela Dasa em relação ao tema é equilibrar os três pilares de forma estratégica para que todos tenham o mesmo peso de importância. “Por isso, sempre mantemos metas e indicadores para cada um deles, fomentando os temas de forma equilibrada junto ao Conselho de Administração da empresa. Evidentemente, nosso propósito tem cunho social e ambiental. A governança, pilar muito relevante, acaba permeando os outros dois”, expôs.

Meire, por sua vez, está em transição de carreira, mas compartilhou sua experiência enquanto esteve como gerente executiva de sustentabilidade na BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Manter uma organização do porte da instituição, que possui 7 mil colaboradores diretos, em um ambiente regulado, é desafiador. Estrategicamente, o hospital trabalha com uma visão sistêmica muito imbuída no fundamento de Peter Senge, que considera as organizações organismos vivos. Segundo essa perspectiva, é preciso prestar atenção em tudo aquilo que me afeta e que é afetado por mim no ambiente onde estou inserida”, ressaltou.

Vale lembrar que as iniciativas de ESG não são voltadas apenas para grandes companhias. “Qualquer uma, não importa o tamanho, que conseguir pensar nesse impacto socioambiental pode organizar a própria gestão. O setor de saúde é altamente regulado, o S, de social, todas as empresas precisam ter para existir. O A, de ambiental, está conectado com o cumprimento da legislação, mas, é claro, é necessário ir além. Sobre o G, de governança, o simples fato de ter um contrato ou um estatuto social já gera o vínculo. É a governança que vai dar o tom da gestão para que se possam fazer as escolhas”, explicou a especialista.

Em se tratando dos relatórios, Meire afirmou que eles são ferramentas de gestão que ajudam a organizar as ideias, a tomar decisões, a priorizar determinados temas, sempre em função daquilo que a empresa tem mais facilidade em fazer. “Os relatórios permitem às organizações do setor de medicina diagnóstica adotarem uma gestão estruturada de sustentabilidade sem precisarem de uma estrutura muito robusta para isso.”

Falando pelo Grupo Fleury, Périgo citou algumas iniciativas da empresa em consonância com a pauta ESG, como a construção de usinas fotovoltaicas, que têm tornado a matriz energética mais sustentável. “Também atrelamos o programa de remuneração variável a metas de ESG e temos buscado iniciativas sociais mais focadas na ampliação da atenção primária em saúde e no uso de telemedicina, aproveitando os aprendizados da pandemia. Na área de finanças, emitimos uma debênture (título de dívida que gera um direito de crédito ao investidor. Ou seja, ele terá direito a receber uma remuneração do emissor e periodicamente ou quando do vencimento do título receberá de volta o valor investido) para o mercado atrelada a metas de ESG, o que foi algo pioneiro na saúde do país”, contou, ressaltando que o sucesso das iniciativas depende da atuação de todas as áreas da companhia.

Para elaborar seu relatório anual de sustentabilidade, o Grupo Fleury utiliza como metodologias o GRI, o relato integrado, o Sustainability Accounting Standards Board (SASB), ou Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade, e o Task Force on Climate-related Financial Disclosures (TCFD), que diz respeito às questões climáticas.

“O relatório precisa mostrar a atuação integrada da companhia em relação às três letras da sigla. O objetivo é conseguir uma integração cada vez maior entre elas. Na área de saúde, o S ainda sobressai, pois a conexão é direta, embora o social seja o grande desafio das empresas. Importamos de outros países o maior destaque à questão ambiental, mas o Brasil precisa focar mais o social”, analisou Périgo.

Sobre os indicadores, o diretor suplente do Comitê de ESG da Abramed destacou, ainda, que eles permitem visibilidade e autorreflexão. “É o momento de avaliar os ganhos e as oportunidades de melhorias. A partir da análise dos indicadores, é possível trazer ganhos externos e para a companhia”, disse.

Périgo salientou também que o ESG demanda ações de longo prazo. É necessário aprender a desdobrar as metas e os indicadores entre as áreas e os projetos de uma empresa. “Não precisa esperar ter uma grande estrutura para começar a trabalhar com o tema, é possível iniciar com pautas pequenas e evoluir ao longo do tempo, como aconteceu com o Grupo Fleury.”

Sensibilização

Segundo Shcolnik, a sensibilização de colaboradores é sempre um desafio para obter os resultados desejados. Ele questionou os convidados sobre as iniciativas adotadas para atingir o engajamento dos envolvidos. Périgo respondeu que, para criar uma cultura de ESG, é preciso ter conexão com a estratégia e com o core businessda companhia. “Se trabalharmos dissociados disso, essa pauta será sempre secundária”, expôs.

Ele também citou a importância do apoio da direção, porque são necessários recursos para as pautas saírem do papel. “Tivemos dificuldades com a média liderança, o que exigiu um grande esforço de sensibilização”, revelou. O Grupo Fleury aprendeu, ainda, que é fundamental agregar a visão que vem de fora da companhia, ou seja, dos clientes, dos fornecedores e dos órgãos regulatórios. “É preciso conversar com todos os players envolvidos”, disse.

E, falando em outros atores no processo, Périgo lembrou que as operadoras de planos de saúde ainda são um público distante da pauta. “O diálogo com elas precisa avançar, porque há uma série de oportunidades e sinergias entre operadoras e prestadores de serviços”, observou.

Lílian, por sua vez, comentou que, neste mês de dezembro, a Dasa vai lançar a Jornada ESG. Todos os novos colaboradores passarão por ela para conhecer o significado e a importância da sigla, a maneira como a Dasa se posiciona e quais são suas metas, entre outras questões. Para a liderança, a experiência será diferenciada, sendo mais focada em como conectar a estratégia ao negócio e como liderar pessoas. “Não temos resultados ainda, mas isso vai ajudar muito na sensibilização dos colaboradores”, disse.

De acordo com a gerente de ESG e Sustentabilidade da Dasa, a empresa aprendeu a ouvir o que as pessoas, os diversos stakeholders, têm a falar. “Essa escuta é um ponto de partida fantástico, que tem espaço em rodas de conversas e palestras. Companhias de qualquer porte podem fazer isso. O que funciona, de fato, é utilizar as estratégias e sensibilizar.”

Já Meire contou que a BP criou a figura do influenciador, aquele que sempre está disposto a levantar a bandeira do ESG. Ela aproveitou para comentar sobre atores muito importantes no processo: os médicos. “Quando falamos com eles a respeito do assunto, todos conversam no mesmo nível de conhecimento e linguagem. Esses profissionais estão perto tanto dos pacientes quanto das operadoras. Também não podemos nos esquecer dos enfermeiros, essenciais para tocar essa missão tão relevante quando se fala de uma agenda de sustentabilidade.” O episódio completo pode ser visto neste link: https://youtu.be/hbXVmNCzWEM

Texto publicado em: 12/12/2022

Evento do ICOS e ComSaúde Fiesp reúne autoridades, especialistas e parlamentares para discussão de propostas para a saúde de 2023 a 2030

Claudia Cohn, Wilson Shcolnik e Milva Pagano representaram a Abramed no evento

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou, na manhã do dia 21 de outubro, do encontro “Coalizão Saúde — Diálogos com a Sociedade: Acesso e Equidade”, promovido pela Editora Globo, em parceria com o Instituto Coalizão Saúde (ICOS) e o ComSaude/FIESP, com transmissão ao vivo nas redes do Valor Econômico.

Seu objetivo foi abordar as propostas para a saúde do Brasil de 2023 a 2030, a saúde como política de Estado e como pauta no Congresso Nacional. Autoridades, especialistas no tema e parlamentares se reuniram para ajudar a construir um futuro melhor para a saúde da população.

Claudia Cohn, integrante do Conselho de Administração da Abramed, vice-presidente do ICOS e diretora-executiva da DASA, compôs a mesa de abertura. “Essas discussões são de extrema importância para podermos sair inspirados deste período difícil e, ao mesmo, promissor. Mas precisamos construí-lo, só depende de nós”, disse.

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed e conselheiro administrativo do ICOS, participou direcionado pergunta ao Deputado Federal Eleuses Paiva, um dos participantes do segundo painel.

“Sabemos que no Brasil há clínicas de diagnóstico por imagens e laboratórios clínicos bem equipados e com profissionais qualificados que podem oferecer serviços equiparados a países do primeiro mundo, mas ainda temos problemas de acesso. Por exemplo, brasileiras não conseguem realizar mamografia e exames de Papanicolau em muitos locais do país. O que está ao nosso alcance para minimizar essas iniquidades e proporcionar melhor acesso à população?”, questionou o presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Segundo Paiva, não há outra forma de discutir gestão em saúde sem pensar em regionalização. E aí entra a questão das filas para atendimento, que também afetam a área cirúrgica. “O problema não é ter fila, mas fazê-la andar. Ao realizar uma avaliação loco-regional, podemos analisar o histórico da demanda na região e fazer um balanceamento, utilizando uma rede hierarquizada. Dessa forma, saberemos a carência de cada local e poderemos organizar as parcerias público-privadas que ajudariam a atender esse público”, explicou. Para ele, o problema é um pouco mais grave do que se imaginava.

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, esteve entre o público presente representando a entidade.

Propostas para a saúde

Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho de Administração do ICOS e do Inova-HC, anunciou no evento o lançamento da publicação “Propostas para a Saúde do Brasil 2022 – 2030”, elencando cada uma delas e seu impacto em quatro eixos de ação.

No eixo de financiamento e sustentação do sistema de saúde, uma das propostas é promover a desoneração do setor, o que trará redução dos custos, ampliação do acesso e sustentabilidade financeira. Outra proposta é promover e implantar novos modelos de remuneração baseados em valor, permitindo o combate ao desperdício e o aumento da qualidade assistencial.

No eixo de gestão operacional e assistencial do sistema de saúde, uma das propostas é priorizar e ampliar a Atenção Primária à Saúde (APS), com financiamento adequado, trazendo como impacto a retenção de profissionais de saúde, a informatização das UBS, o engajamento da população em ações de promoção de saúde e a prevenção de doenças.

Outra proposta é desenvolver, organizar e implementar uma instância técnico-administrativa de apoio e direcionamento para as decisões estaduais e municipais. Isso traria como benefícios: planejamento do sistema pautado em evidências e dados, alinhados às necessidades e demandas da população, bem como maior resolutividade dos serviços de saúde em nível regional.

Ainda no eixo de gestão, está entre as propostas garantir estrutura mínima para a geração de dados dos serviços em saúde. O impacto será o aumento do controle, da fiscalização e da transparência da gestão, além da integração dos serviços de saúde nas redes assistenciais.

No eixo de saúde digital integrada, as propostas são consolidar a governança intersetorial e multissetorial da Estratégia de Saúde Digital e ampliar a participação das entidades da sociedade civil nesse processo; acelerar a implantação do Espaço de Colaboração da Estratégia de Saúde Digital para que todos os atores dos setores públicos e privado se aproximem do tema e aportem recursos para sua implantação; e orientar organismos privados e públicos a utilizarem essa estratégia.

No eixo de inovação e o complexo científico e tecnológico na saúde, as propostas são estabelecer política pública para inovação em saúde que aproxime universidades, empresas e institutos públicos, ofereça segurança jurídica e possibilite o desenvolvimento e a consolidação do complexo industrial da saúde no país; fortalecer a atuação e a autonomia técnica e financeira do INPI e das agências reguladoras, garantindo sua independência e celeridade de patentes, proteção de marcas e inovações, bem como a proteção de dados de testes; e estabelecer um ambiente legal e regulatório seguro, estável e competitivo para a realização de pesquisas clínicas, melhorando a posição do país no ranking mundial.

“Que essas propostas do ICOS sirvam de reflexão para o próximo governo, a fim de que possamos reduzir a desigualdade e melhorar o acesso de nossa população à saúde”, ressaltou Cerri.

Na sequência, Rui Baumer, presidente do ComSaude/FIESP e do Sindicato da Indústria de Artigos e Equipamentos Odontológicos, Médicos e Hospitalares do Estado de São Paulo (Sinaemo), fez sua contribuição em defesa da indústria. “Com mais de 75% da população usando o SUS, é essencial ter uma capacidade produtiva instalada, próxima e disponível. Esse setor precisa de segurança jurídica, previsibilidade de demanda, garantia dos contratos, isonomia nos processos de aquisição nacionais e internacionais, ambiente de negócios simplificado, baixa tributação e apoio à pesquisa e inovação”, expôs.

Painel 1

Do Painel 1 – “Diálogos com a Sociedade: a Saúde como política de Estado”, participaram Marcelo Queiroga Filho, ministro da Saúde; Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo; e Antônio Britto, ex-governador do Rio grande do Sul e atual diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

Queiroga comentou que é preciso equilibrar o estado, melhorar seu desempenho fiscal e a eficiência do sistema de saúde. “Assim podemos pedir com mais autoridade recursos para o nosso SUS, mostrando não haver um caminho melhor do que fortalecer a saúde pública como uma política de estado para um país continental como o Brasil.”

Em sua fala, o ministro da Saúde citou as ações realizadas pelo governo na pasta e disse que, para avançar de maneira mais efetiva, é preciso consolidar a Rede Nacional de Dados em Saúde. “Ela será capaz de receber um conjunto de dados cada vez maior para podermos conhecer o desempenho dos hospitais e, assim, nos livrarmos da famigerada tabela do SUS.”

Por sua vez, Alckmin lembrou que a saúde está entre as grandes preocupações da população e que enfrentamos agora novos desafios, como o da prevenção. Ele exaltou a importância da ciência e a humildade frente ao desconhecido. “Todo o apoio à pesquisa e à inovação. Esse é o caminho.”

O ex-governador de São Paulo também falou sobre gestão e telemedicina. “A saúde pode ganhar muito com a tecnologia ao reduzir filas, facilitar a vida da população e diminuir custos, melhorando o atendimento em regiões mais distantes e oferecendo mais segurança aos profissionais. Também permite preparar recursos humanos à distância, sem falar na importância da tecnologia para a indústria. Todo o apoio à saúde digital.” Ele acrescentou que é preciso melhorar o financiamento da saúde e defendeu a reforma tributária e a desoneração da saúde.

Britto contribuiu com a mesa comentando sobre as grandes pautas em comum do setor, segundo análise de documentos produzidos por várias entidades. Ele observou que não se discute mais a importância do SUS e das parcerias público-privadas. Também é consenso que não basta financiamento, é preciso boa gestão. “Sabemos, ainda, que o Brasil está em posição medíocre em termos de inovação e produção industrial na matéria de saúde. E de nada adianta sem investimentos na formação médica e de profissionais da saúde. Outro ponto é que ganhamos a oportunidade de revolucionar tudo isso com a saúde digital.”

Foi então que o diretor-executivo da Anahp lançou a reflexão: o que faremos com esses conceitos? Vamos enfrentar as causas? “A identificação do que há para ser resolvido está muito óbvia. Então acredito que temos uma questão política: o que vamos fazer pós-pandemia, pós-eleição? Não podemos deixar passar este momento, independentemente de quem estará no poder”, expôs.

Painel 2

Do Painel 2 – “Diálogos com a Sociedade: a Saúde em pauta no Congresso Nacional”, participaram os deputados federais Dr. Luizinho (PP), Adriana Ventura (Novo), Pedro Westphalen (PP), Eleuses Paiva (PSD), Marco Bertaiolli (PDS) e Carmen Zanotto (Cidadania).

Adriana, uma das autoras do Projeto de Lei (PL) 1.998/20, que autoriza e define a prática da telemedicina em todo o território nacional, comentou os próximos passos dentro do assunto. “O desafio agora é aprovar o PL no Senado. E precisamos de apoio, estrutura, embasamento técnico, respaldo jurídico e financeiro dos atores do setor, não só de recursos financeiros. Não é simples falarmos de certificação digital, interoperabilidade e prontuário eletrônico. Se não houver essa união, cada um seguirá defendendo apenas o seu lado.”

Westphalen também mencionou a telemedicina: “Ela veio para ficar, precisamos regular e colocá-la em prática”. E ressaltou que não é possível ter filas de quatro a cinco anos para cirurgias dermatológicas. “Por isso é importante a integração do SUS com a saúde suplementar, o que ficou bem claro na pandemia.”

Paiva, por sua vez, ressaltou que telemedicina e atenção primária serão o grande salto de qualidade na discussão da medicina, tanto do ponto de vista de assistência quanto de gestão. “Sabemos da ineficiência do setor em termos de acesso e quanto a tecnologia pode ajudar.”

Dr. Luizinho citou o Projeto de Lei 2.583/20, de sua autoria, que cria a Estratégia Nacional de Saúde, para que se tenha um novo marco legal do SUS e seja implementado o Complexo Industrial da Saúde (CIS). “Vou fazer esse projeto andar para que a indústria alocada no Brasil possa ter estímulo para vender e produzir no país”, destacou.

Já Bertaiolli disse que a economia para financiar o que é pleiteado está na eficiência aplicada no próprio sistema, que se retroalimenta. “Se eu pudesse dar uma sugestão, investiria tudo na integração e na digitalização dos prontuários eletrônicos, para podermos enxergar o paciente como único.”

Por fim, Carmen apontou que na saúde as discussões estão fragmentadas e que há centenas de leis e frentes parlamentares. “Precisamos saber o que fazer com os documentos, a discussão não pode ficar apenas no papel, como já ficam as nossas leis e portarias. E, para isso acontecer, é preciso uma integração verdadeira do parlamento. Cabe a nós fortalecermos a Frente Parlamentar Mista da Saúde, com a participação do poder público e da iniciativa privada, entre outros entes.”

O vídeo completo do evento pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=gnAvHURWnjc

Abramed coordena debate sobre revisão da RDC 302 durante 54º Congresso da SBPC/ML

Com palestra de gerente de Regulamentação e Controle Sanitário em Serviços de Saúde da Anvisa, a mesa-redonda abordou a norma que regulamenta os laboratórios clínicos

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esteve presente no 54º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial, promovido pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), entre 4 e 7 de outubro, em Florianópolis/SC.

Além de estar com estande institucional na área de exposição do evento, a Abramed promoveu a mesa-redonda com o tema “Revisão da RDC 302: o que podemos esperar?”, que teve como coordenador e moderador o presidente do Conselho de Administração da entidade, Wilson Shcolnik e participação de Janaina Lopes Domingos Barros, gerente de Regulamentação e Controle Sanitário em Serviços de Saúde (GRECS) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Fábio Brazão, presidente da SBPC/ML; Maria Elizabeth Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC); e Edgar Garcez Junior, presidente da Comissão de Ética do Conselho Regional de Biomedicina de São Paulo (CRBM).

O painel iniciou-se com palestra da gerente da Anvisa, que após apresentação respondeu perguntas do público e dos convidados.

A RDC 302/2005, publicada pela Anvisa, dispõe sobre o regulamento técnico e visa definir os requisitos necessários para o funcionamento dos laboratórios clínicos e postos de coleta laboratorial públicos e privados que realizam atividades na área de análises clínicas, patologia clínica e citologia.

Janaina apresentou os principais pontos abrangidos pela norma, reconhecendo que talvez nem todos sejam suficientes para a realidade atual. “Obviamente é uma lei já obsoleta que não acompanhou as novas tecnologias, o desenvolvimento do mercado, os novos conceitos de segurança do paciente, a assinatura digital e a questão da rastreabilidade, além de outros conceitos”, reconheceu.

Ela disse que a área de Regulamentação e Controle Sanitário em Serviços de Saúde da Anvisa conta com uma ferramenta de gestão bastante prática e valiosa, o ESTER (Escritório Temático de Regulação em Serviços de Saúde). “Em um ou dois anos, denúncias, sugestões, elogios e reclamações recebidas de todos os setores são categorizadas e os dados são tratados para que, considerando as tendências internacionais e o desenvolvimento científico, consigamos fazer nosso planejamento baseado nas evidências”, explicou.

Segundo a gerente da GRECS, tudo que a gerência se propõe a fazer baseia-se no que é necessário para a sociedade nos próximos anos. “Isso norteia nossas ações, prioridades e, inclusive, agenda regulatória. A RDC 302 deixa de fora os laboratórios de anatomia patológica, mas sabemos que, por similaridade, ela também é usada como base norteadora para essas unidades. Com o ESTER, foi pesada e medida a necessidade, ou não, de haver uma norma específica para esse setor. A conclusão que se chegou até o momento é que poderia haver uma norma que pudesse unir os laboratórios”, disse.

Considerando que esses laboratórios são classificados como de risco alto (nível 3), é preciso haver inspeção prévia e licenciamento. “Isso tem um grande impacto no processo, pois estamos fazendo uma norma que será executada pelos órgãos de vigilância sanitária local, que realizam a inspeção e a fiscalização desses laboratórios. Portanto, o diálogo é extremamente necessário, afinal, nosso desafio é fazer uma RDC exequível não só do ponto de vista de quem presta o serviço, mas também de quem fiscaliza e licencia”, explicou Janaina.

Na sequência, ela apresentou uma linha do tempo com os principais marcos da revisão da RDC 302. A representante da Anvisa lembrou que as discussões começaram bem antes, mas ficaram mais intensas a partir de 2017, com a abertura do processo regulatório em 2019, passando por vários pontos de participação social, como o diálogo setorial sobre os testes laboratoriais portáteis e a Consulta Pública 912, que modificou a forma de classificação do laboratório clínico e passou a regulamentar a atividade. “Nessa consulta foi instituído um termo para o Serviço de Apoio ao Diagnóstico, que não foi muito bem aceito pelo setor regulado e por outros entes”, lembrou.

Houve, ainda, outro diálogo setorial sobre a consulta clínica, que contou com contribuições de quase 3 mil participantes, requerendo um bom tempo de análise da equipe técnica. Das 800 enviadas, 347 eram do setor regulado. Após a pandemia, o assunto voltou a ser desenvolvido em abril de 2022, com uma audiência pública inovadora, feita online, permitindo a participação de mais pessoas. As contribuições também aconteceram de modo diferente, pois o formulário ficou aberto durante dez dias.

Com o amadurecimento do texto e a análise de todas as sugestões recebidas por meio de participação social, e-mail e outros canais, chegou-se a um novo documento, que foi submetido à consultoria e levado à reunião da diretoria colegiada com a intenção de ser publicado. “Nesse ponto, o diretor Alex Campos decidiu pedir vistas ao processo, então foi proferido apenas um voto. Para aprovação de normas da Anvisa, espera-se que os cinco diretores votem”, ressaltou Janaina.

Com isso, a revisão da RDC está no período de suspensão dos prazos. O diretor teria 30 dias para devolver algum posicionamento; porém, concluiu-se que seria proveitoso o texto voltar a ser analisado para que alguns pontos ficassem mais bem definidos. Esses 30 dias já se passaram e o conteúdo continua sendo trabalhado. “Nosso grande desafio é equilibrar tanto a ampliação do acesso às inovações tecnológicas e adequação ao mercado quanto o risco sanitário, o controle de qualidade e a segurança do paciente”, salientou Janaina. Isso significa que ainda nada foi definido. O texto não foi para aprovação, portanto ainda pode ser modificado.

Em se tratando de abrangência, a RDC 302 engloba análises clínicas, patologia clínica e citologia. A nova proposta acrescenta os laboratórios de anatomia patológica e os toxicológicos e propõe outros exames com amostras biológicas de origem humana. Vale lembrar que não inclui exames veterinários. “Ampliamos porque sabemos quanto tempo pode demorar a revisão de uma norma e não podemos nos fechar a novas tecnologias e exames”, justificou Janaina.

Sobre responsabilidade técnica, tanto a RDC 302 quanto a nova proposta não indicam quais profissionais seriam responsáveis. E não há mais limitação de por quantos serviços cada um poderia se responsabilizar. Esses assuntos cabem aos conselhos de classe e não à Anvisa. 

A respeito da assinatura eletrônica, o texto da minuta simplesmente indicou que ela poderia ser utilizada, mas não entrou no detalhe da Lei 14.063, que estabelece três níveis da assinatura eletrônica: simples, avançada e qualificada. O ponto de discussão está entre a avançada e a qualificada, de acordo com Janaina. “A Anvisa está se debruçando para encontrar um consenso sobre a melhor assinatura para os laudos emitidos pelos laboratórios”, expôs.

Outro ponto é a questão das metodologias. Foi notado, ao longo do tempo, que a definição prevista na RDC de 2005 já não supre as necessidades do mercado. Então a opção foi detalhar mais. “Ainda estamos pensando em como melhorar, escrevendo de forma mais técnica”, ressaltou a representante da Anvisa.

Assunto discutido também são as centrais de distribuição, locais que receberiam as amostras advindas de laboratórios clínicos, postos clínicos, coletas domiciliares e enviariam para outro laboratório. “Essas centrais, também chamadas de hubs e entrepostos, são uma tendência, mas não estão claramente regulamentadas. Ainda é discutido se caberia à central de distribuição fazer triagem, processamento e armazenamento temporário e manipular a amostra ou se o seu papel é ser apenas uma entidade logística de distribuição. É importante essa definição. O objetivo é garantir a responsabilização por toda a cadeia”, comentou Janaina.

Um tema delicado é o aumento dos locais onde os exames podem ser realizados. Estavam previstos laboratórios clínicos, postos de coletas, unidades móveis e testes laboratoriais remotos, que poderiam ser realizados desde que vinculados a laboratórios ou postos de coleta. Nessa nova proposta, somam-se as unidades itinerantes, uma forma mais moderna de designar uma unidade móvel, e as unidades laboratoriais simplificadas, pensadas para realizar exames não tão complexos em ambientes de farmácias e drogarias, clínicas médicas privadas e unidades básicas de saúde, entre outros.

Para as unidades laboratoriais simplificadas, foram estipuladas limitações quanto aos exames realizados. Não poderiam ser feitos processamentos de amostras e punção venosa, nem levar amostras para um laboratório, entre outras. “Mas, quando o texto passou pela procuradoria, foi interpretado que não havia base legal para que os exames de análises clínicas ocorressem dentro das farmácias. Elas deveriam cumprir todos os itens da 302 para realizar qualquer tipo de teste, exceto os previstos na RDC 44, como o teste de glicemia utilizando kits de autotestes”, apontou Janaina.

Conforme a RDC 13.021/2014, que dispõe sobre o exercício e a fiscalização das atividades farmacêuticas, a farmácia, além de estabelecimento comercial, é também um estabelecimento de serviços de saúde. “Na interpretação da procuradoria, a unidade laboratorial simplificada tampouco cumpriria os requisitos da Lei 13.021. Porém, sabemos que a RDC 44 está em fase de revisão de acordo com a Lei 13.021, pois o capítulo de serviços está obsoleto e é preciso se adequar à percepção de que a farmácia é um estabelecimento de serviços de saúde”, explicou Janaina.

Ela deixou claro que qualquer norma é feita para todos, então precisa da participação de todos. “Há muitos pontos de vista, interesses e necessidades. Veja o tamanho do Brasil. Temos de lidar com as 27 vigilâncias sanitárias estaduais e mais de 5 mil municipais. Fazer uma norma que cubra toda essa realidade é um desafio muito grande. Por isso o processo é demorado. Não tem como a Anvisa fazer uma boa resolução sem ouvir antes todos os interessados, a fim de cumprir, justamente, sua missão, que é cuidar da saúde da população”, expôs.

Debate

Iniciando o debate, Shcolnik ressaltou que as entidades do setor laboratorial trabalharam intensamente e encaminharam à Anvisa a proposta de revisão da RDC 302. “Acima de tudo, essa proposta considerou aspectos técnicos, porque somos profissionais da saúde e nenhum assunto tem mais importância para nós do que a segurança que nossos exames podem oferecer aos pacientes”, disse.

Ele reconheceu que a Anvisa foi muito cuidadosa em cumprir todo o processo regulatório recomendado e que nada foi desconsiderado nas tratativas sobre o tema. No entanto, diante de tantas incertezas e indefinições, questionou se haveria o risco de uma nova consulta pública. “Isso prolongaria ainda mais a decisão e há muitos setores interessados que ela aconteça o mais rápido possível”, justificou.

Segundo Janaina, espera-se que não, mas a definição cabe à diretoria, dependendo do avanço das discussões e de como será o diálogo com a área técnica para chegar a um consenso. “De qualquer forma, isso não impede que outras ferramentas do nosso cardápio regulatório sejam utilizadas”, declarou.

Em sua participação, Maria Elizabeth comentou a demora na decisão definitiva sobre a resolução. “Enquanto a RDC 302 não é ajustada, o setor laboratorial fica preocupado, pois precisa preencher requisitos enquanto as farmácias estão atuando como prestadoras de serviço de saúde sem fiscalização, inclusive fazendo testes moleculares.”

Garcez Junior também reforçou que o setor está ansioso para ter as normas em mãos. “Esse debate já acontece há seis anos. A parte pré-analítica é bem dominada pelos laboratórios, o que está exposto já não seria suficiente para levar a nova RDC para aprovação, que é o que a sociedade clama?”, perguntou.

Janaina respondeu que ainda estão chegando questionamentos tanto das vigilâncias quanto da sociedade. “Queremos estudar o assunto e tomar a melhor medida. O tempo está a nosso favor para fazermos uma norma que possa durar e garantir a qualidade dos exames”, disse. Entretanto, em outro momento, reconheceu que a regulamentação está demorando devido à sua complexidade e em razão da pandemia.

Brazão, por sua vez, falou sobre a importância de separar ciência e comércio. “Nada contra as farmácias, pelo contrário, elas contribuíram muito, durante a pandemia, com a realização de testes de antígeno. Importante é separar o laboratório de outras áreas”, expôs. E questionou: “Qual é o risco de a nova RDC 302 sair de acordo com o pleiteado, ou seja, os exames serem coletados em laboratórios, deixando às outras áreas, como farmácias, só a realização dos testes point-of-care, e a RDC 44/2009, ligada ao setor farmacêutico, atropelar isso?”. Em sua resposta, Janaina afirmou que a Anvisa está tomando cuidado para evitar essa situação.

Diversos representantes de entidades do setor, presentes no evento, também participaram com perguntas. Foram destacadas as questões de fiscalização do serviço e segurança dos exames, bem como o problema de acesso da população aos laboratórios e a certificação digital. “O tema da assinatura eletrônica tem tirado o nosso sono. A maior parte da equipe é composta de profissionais da saúde, temos limitação para entender isso, não é vergonha assumir, mas recebemos suporte da equipe de tecnologia e esperamos resolver o mais breve possível”, acrescentou Janaina.

No final, os participantes fizeram suas considerações, pedindo, novamente, celeridade no processo, pois a falta de aprovação da nova regulamentação não impede que o mercado atue como bem entender, colocando em risco a saúde das pessoas.

Membros da gestão 2022 – 2025 dos Conselhos de Administração e Fiscal da Abramed foram apresentados durante o 6º FILIS

Wilson Shcolnik foi reconduzido à presidência do Conselho de Administração e Cesar Higa Nomura assumiu a vice-presidência. Conheça os demais conselheiros

Durante a sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), realizado em 24 e agosto, no Teatro Santander, em São Paulo, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apresentou os membros que irão compor os Conselhos de Administração e Fiscal da entidade pelos próximos três anos. A eleição dos nomes ocorreu no mês de agosto, em Assembleia Geral Extraordinária. Wilson Shcolnik (Grupo Fleury) foi reeleito à presidência do Conselho de Administração e Cesar Higa Nomura (Hospital Sírio-Libanês), já integrante do Conselho na última gestão, assumiu a vice-presidência. Os demais membros nomeados são Ademar Paes Junior (Clínica Imagem), Carlos Figueiredo (Cura Grupo), Claudia Cohn (Dasa), Eliezer Silva (Hospital Israelita Albert Einstein) e Lídia Abdala (Grupo Sabin). O Conselho Fiscal da próxima gestão é formado por Caio Duarte (DMS Burnier), Guilherme Colares (Grupo Pardini) e Isadora Bittar (Lab Rede).

“Esse é um momento muito especial para a Abramed, de expansão, de implantação de conhecimento estratégico; um momento desafiador e rico do mercado. Temos a possibilidade de continuar a cumprir com nossa missão enquanto entidade empresarial setorial, defendendo sempre os interesses não apenas das empresas associadas, mas de todas que integram o segmento de medicina diagnóstica, promovendo acesso à saúde, ao tratamento e ao diagnóstico”, disse a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano.

Na gestão anterior, a Abramed viu o seu segmento ser alçado a um protagonismo poucas vezes observado, dada a importância que os exames de diagnóstico tiveram na pandemia de covid-19, contribuindo para confirmar infecções agudas, proporcionar informações sobre a gravidade da doença, na identificação de variantes do vírus e na avaliação de resposta vacinal.

Houve, ainda, a capacitação de equipes, a adaptação da infraestrutura e dos processos e a inovação do drive thru. Os atendimentos domiciliares aumentaram e os pacientes que precisavam tratar outras doenças não foram abandonados. As empresas associadas à Abramed solidarizaram-se e muitas delas contribuíram com atendimento na área pública.

Shcolnik ressalta o apoio oferecido aos associados na interlocução com diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que muito contribuíram para a liberação de reagentes e de kits que proporcionaram a realização dos exames de covid-19; assim como os diálogos com diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que possibilitaram a incorporação dos exames de covid-19 no rol de cobertura obrigatória. Além disso, outros biomarcadores para monitoramento de gravidade da doença em doentes hospitalizados foram igualmente incorporados.

Em discurso no FILIS, o presidente mencionou a cooperação da entidade para possibilitar a transmissão de resultados de exames para a rede nacional de dados em saúde, possibilitando, dessa maneira, ao Ministério da Saúde monitorar epidemiologicamente o que se passava durante a pandemia.

“Fechamos um ciclo e agora temos de olhar para a frente, e acho que com esse time a Abramed vai conseguir cumprir a sua missão. Sabemos da importância do setor de medicina diagnóstica, tanto na promoção de saúde como na prevenção e no gerenciamento de doenças, e agora com a definição de tratamentos com a medicina personalizada. Somos conscientes da nossa importância para o segmento de saúde e temos um papel a desempenhar em nosso país”, completou Shcolnik após ser reconduzido à presidência do Conselho de Administração.

Novos membros

Pequenas mudanças foram feitas na composição da atual gestão, uma delas é a entrada do CEO do Cura grupo, Carlos Figueiredo, que descreve o novo desafio como uma “imensa responsabilidade”. Segundo ele, a Abramed conquistou o espaço para representatividade ao longo das últimas gestões, atuando na defesa do segmento de medicina diagnóstica e se consagrando no mercado de saúde; sua tarefa é contribuir naquilo que o time já vinha realizando.

Para Figueiredo, a pandemia foi um momento muito importante para o setor, mas continuamente a medicina diagnóstica tem novos desafios surgindo. O papel da Abramed é exatamente estar atento na defesa do setor, fazendo advocacy e representação, buscando fortalecimento das empresas associadas e reconhecimento junto a todas as esferas legislativas e executivas, assim como movendo ações quando necessárias, inclusive junto a entidades congêneres.

Ele considera a Abramed um projeto vencedor para o qual pode contribuir com sua expertise no setor de regulação. Ele atuou na ANS durante oito anos como servidor público federal e conhece, portanto, intimamente o processo regulatório de elaboração de normas e câmaras técnicas.

“A minha trajetória profissional me possibilita apoiar a Abramed no fortalecimento e desenvolvimento de tudo o que ela vem fazendo até agora. Obviamente ninguém faz nada sozinho. Esse é um trabalho de equipe, todo mundo está engajado nessa jornada, no entanto estou à disposição e muito animado para contribuir com todos os projetos da Associação”, comemora o CEO do Cura grupo.

Para o atual Conselho Fiscal da Abramed, juntam-se ao grupo a presidente do Conselho de Administração do Lab Rede, Isadora Bittar, e o diretor-executivo do Laboratório DMS Burnier, Caio Duarte.

Para Isadora, é uma honra fazer parte do Conselho Fiscal da Abramed. Ela conta que o Lab Rede tem em seu DNA laboratórios de médio e pequeno porte, então estar no Conselho garante representatividade interna. Isso se soma ao propósito de avançar para o amadurecimento das boas práticas de governança e, consequentemente, maior diversidade empresarial na representatividade da entidade. Sobre o momento atual da medicina diagnóstica, especialmente no pós-pandemia de covid-19, a executiva faz apontamentos.

“Na minha leitura, o momento requer adaptabilidade, flexibilidade e visão inovadora por parte dos empresários, mas sem perder o DNA e lastro assistencial que o caracteriza. O protagonismo e a importância da medicina diagnóstica foram reconhecidos, mas é preciso fortalecer esse espaço/reconhecimento. É certo que os desafios se estendem desde os setoriais até os mais genéricos e macroeconômicos. Mas a vivência, a natureza, o protagonismo e o grau de exposição variam de acordo com o porte, a região e a localidade da empresa. Não dá para medir com a mesma régua a intensidade e complexidade dos desafios, mas isso certamente traz à tona uma necessidade pujante para rever estratégias corporativas e novos modelos de parcerias funcionais”, sentencia Isadora.

Duarte também cita a honra e responsabilidade em fazer parte do Conselho Fiscal da Abramed, especialmente pelo crescimento e pela notória relevância que a entidade vem conquistando. “Faço parte de uma organização de médio porte do interior de São Paulo, esse fato demonstra que a constituição do Conselho é um ato democrático, não tendo como influência o porte da empresa”, afirma diretor-executivo do Laboratório DMS Burnier.

Isadora ressalta que o Conselho Fiscal é, por natureza, um órgão que visa garantir a integridade das boas práticas, a transparência e o controle dos atos internos. E, acima de tudo, garantir a representatividade. Obviamente, a sua plenitude funcional acompanha uma curva de amadurecimento da governança. Isadora almeja somar, junto aos demais membros, para que esse propósito seja alcançado.

“A missão do Conselho Fiscal não é só analisar relatórios da administração da entidade, mas também propor melhorias em prol do bom andamento da Abramed. Entendo que temos o papel de sermos divulgadores da nossa Associação”, complementa Duarte.

Segundo ele, a pandemia acelerou as operações de M&A (mergers and acquisitions, ou fusões e aquisições, em português), tornando o setor ainda mais concentrado em poucos players. Enquanto o volume de exames covid-19 estava alto, as empresas estavam gerando caixa, mas, a partir do momento em que houve uma queda acentuada, as organizações começaram a sentir o efeito negativo da crise. De modo geral, os custos subiram acima da inflação e as receitas dos exames recorrentes não foram ajustadas pelas operadoras. O resultado foi a compressão de margem, o que pressionou os empresários de médio e pequeno porte a buscarem uma saída via M&A.

Sobre perspectivas e tendências da medicina diagnóstica, Duarte fala que o setor será cada vez mais concentrado em poucos players, empresas de médio e pequeno porte serão raras no mercado. O modelo one stop shop estará cada vez mais presente e necessário para atender às necessidades dos clientes, assim como os processos serão cada vez mais automatizados e rápidos, agregando valor para a experiência do paciente nos postos de coleta.

“A mudança no formato de remuneração das operadoras para os prestadores de serviços será um dos pontos cruciais para o controle de sinistralidade. Verticalização de grandes grupos, mas também o desaparecimento de grupos já verticalizados, comprovando que essa estratégia não é tão simples como pensam. Exames cada vez mais voltados a cada indivíduo irão tornar a medicina de precisão algo mais acessível”, revela Duarte.

Conselho de Administração – Gestão 2022 – 2025

Presidente

Wilson Shcolnik – Grupo Fleury

Vice-presidente

Cesar Higa Nomura – Hospital Sírio-Libanês

Ademar Paes Junior – Clínica Imagem

Carlos Figueiredo – Cura Grupo

Claudia Cohn – Dasa

Eliezer Silva – Hospital Israelita Albert Einstein

Lídia Abdalla – Grupo Sabin

Conselho Fiscal – Gestão 2022 – 2025

Caio Duarte – DMS Burnier

Guilherme Colares – Grupo Pardini

Isadora Bittar – Lab Rede

Abramed realiza 6º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde – FILIS

Em seu retorno ao formato presencial, evento aconteceu no dia 24 de agosto, em São Paulo, e apresentou os novos Conselhos de Administração e Fiscal da entidade

A sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), evento promovido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), foi realizada no último dia 24 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo, reunindo mais de 450 participantes que acompanharam ao vivo o evento, sendo uma parte por transmissão remota através de uma plataforma customizada. Esse foi o retorno do FILIS ao formato presencial após um hiato de dois anos, em função da pandemia de covid-19.

Desde a primeira edição, em 2016, o Fórum se tornou referência de inovação e compartilhamento de experiências entre as lideranças que compõem a cadeia da saúde. Em 2022, trouxe como macrotema “A Medicina Diagnóstica na Disrupção da Saúde”, em uma programação composta de três módulos com debates abordando aspectos político-regulatórios, econômicos e de inovação e futuro. Além disso, contou com a participação de dois palestrantes internacionais: a CEO da Aceso Global, Maureen Lewis, e o líder de mercado em Soluções de Saúde e Ciências da Vida nas Américas do Google Cloud, Esteban López.

A abertura foi conduzida pela diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano. Ela celebrou o reencontro e agradeceu a confiança e o apoio inconteste de associados e não associados em prol da troca de conhecimento e informações qualificadas. “É uma emoção e felicidade estarmos aqui hoje, reunidos presencialmente. No ano passado, fizemos a nossa primeira edição remota que foi um desafio, mas também uma surpresa muito gratificante, pois tivemos ampla participação e engajamento. De qualquer forma, a tecnologia, por melhor que seja, não substitui a riqueza deste momento, do presencial, da conexão, da troca. É muito bom estarmos aqui. Agradeço a todos a confiança, o apoio, a possibilidade deste encontro”, discursou Milva.

Na ocasião, a diretora-executiva apresentou ao setor os membros que irão compor os Conselhos de Administração e Fiscal da Abramed pelos próximos três anos. A eleição dos nomes ocorreu no mês de agosto e foram empossados em jantar realizado na noite anterior ao 6º FILIS. Wilson Shcolnik foi reconduzido à presidência do Conselho de Administração e Cesar Higa Nomura assumiu a vice-presidência. Os demais membros nomeados são Ademar Paes Junior, Carlos Figueiredo, Claudia Cohn, Eliezer Silva e Lídia Abdala. O Conselho Fiscal da próxima gestão é formado por Caio Duarte, Guilherme Colares e Isadora Bittar.

Em seu discurso, Shcolnik reiterou a alegria do encontro presencial e lembrou que a pandemia de covid-19 não reprimiu os serviços de medicina diagnóstica, pelo contrário. O segmento foi alçado a um protagonismo poucas vezes observado, dada a importância que os exames de diagnóstico tiveram nesse período de emergência sanitária, contribuindo para confirmar infecções agudas, proporcionar informações sobre a gravidade da doença, na identificação de variantes do vírus e na avaliação de resposta vacinal.

“Capacitamos nossas equipes, adaptamos nossa infraestrutura, nossos processos e inovamos com drive thru; aumentamos os atendimentos domiciliares e não abandonamos os pacientes que precisavam tratar também de outras doenças. As empresas associadas à Abramed foram solidárias e muitas delas contribuíram com atendimento na área pública, o nosso famoso Sistema Único de Saúde (SUS). E a entidade não parou. Graças aos nossos colaboradores, continuamos realizando inúmeras atividades”, frisou o presidente do Conselho de Administração.

Shcolnik destacou o apoio oferecido aos associados na interlocução com diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que muito contribuíram para a liberação de reagentes e de kits que proporcionaram a realização dos exames de covid-19; assim como ressaltou os diálogos com diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que possibilitaram a incorporação dos exames de covid-19 no rol de cobertura obrigatória; além disso, outros biomarcadores para monitoramento de gravidade da doença em doentes hospitalizados foram igualmente incorporados. O presidente ainda mencionou a cooperação da entidade para possibilitar a transmissão de resultados de exames para a rede nacional de dados em saúde, possibilitando, dessa maneira, ao Ministério da Saúde monitorar epidemiologicamente o que se passava durante a pandemia.

“Tivemos um apoio permanente de entidades do nosso setor, sociedades médicas e da indústria, que nos apoiou em muitas iniciativas; mantivemos as reuniões periódicas dos nossos comitês e, como somos uma entidade empresarial, foi durante a pandemia que criamos mais um comitê em linha com a modernidade, o Comitê de ESG, que já está com projetos muito interessantes”, disse Shcolnik sobre a atuação da Abramed nos últimos anos.

“A medicina diagnóstica cada vez mais se complementa, contribuindo para a promoção da saúde, a prevenção e o gerenciamento de doenças. Já temos recursos para, hoje, indicar tratamentos personalizados. O segmento segue em frente, consciente da sua importância para os sistemas de saúde brasileiros”, concluiu o presidente do Conselho de Administração da Abramed na cerimônia de abertura.

Sexta edição do FILIS está se aproximando

O Fórum Internacional de Lideranças da Saúde será realizado no Teatro Santander, em São Paulo. Confira detalhes da programação

O momento é de contagem regressiva para a sexta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). O evento acontece no dia 24 de agosto, das 8h00 às 17h30, no Teatro Santander, em São Paulo, capital. O jornalista Sidney Rezende, com 37 anos de carreira, apresentador e analista de política, irá moderar os debates do evento. As vagas são limitadas.

Segundo a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, a cada ano, o sucesso do evento é maior e sua importância como palco de discussões só cresce. “Nosso próximo FILIS vai ser mais especial, porque será híbrido, ou seja, presencial, marcando o encontro entre as pessoas, e virtual, para quem não pode estar presente ou prefere participar de maneira remota. De qualquer forma, será um local fundamental para debate dos temas relevantes para o setor de saúde”, expõe Milva.

Com o macrotema “A Medicina Diagnóstica na Disrupção da Saúde”, a programação do evento será composta de três módulos de debates abordando aspectos regulatórios, econômicos e de inovação e futuro. Além disso, o FILIS 2022 terá a participação de dois palestrantes internacionais e a 4ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, um reconhecimento aos profissionais da saúde que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira.

Após cerimonial de abertura, o fórum iniciará com o debate político-regulatório que discutirá o tema “Ecossistema: A reinauguração da Saúde e seus impactos regulatórios”. Para este módulo estão confirmadas as presenças de Ana Carolina Navarrete, coordenadora do Programa de Saúde do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC); Paulo Rebello, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); e Renato Freire Casarotti, presidente da Associação Brasileira de Planos de Saúde (ABRAMGE). “Em seus 12 anos, a Abramed sempre esteve junto aos órgãos regulatórios e lideranças setoriais para informar dados corretos, contribuindo para avaliações epidemiológicas e tomada de decisão”, ressalta o presidente do Conselho de Administração, Wilson Shcolnik.

A deterioração dos indicadores macroeconômicos tem sido apontada pelas empresas brasileiras como principal fator de risco para os próximos 12 meses, seguida pelo processo eleitoral e pela guerra na Ucrânia. Na saúde e na medicina diagnóstica especificamente, outros fatores como inflação alta, elevação dos custos, dólar alto, aumento do preço e escassez dos insumos médicos ameaçam a sustentabilidade do setor. Para discutir os desafios que surgem nesse contexto, o módulo econômico trará como tema “Obstáculos econômicos frente aos desafios atuais”.

Compondo essa mesa-redonda, estarão Arthur Aguillar, diretor de Políticas Públicas do Instituto de Estudos de Políticas para Saúde (IEPS); Patrícia Frossard, presidente Brasil da Philips; Roberto Santoro, CEO do Grupo Pardini; e Maureen Lewis, CEO da Aceso Global, convidada internacional que abrirá as discussões com uma palestra exclusiva.

As novas tecnologias em saúde, que estão revolucionando a medicina atual, serão destaque no módulo “Inovação digital na humanização do cuidado” que encerrará a sexta edição do evento. Participam desse debate Romeu Domingues, presidente do Conselho de Administração da Dasa; Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein; Tommaso Montemurno, country manager da Bracco Imaging do Brasil; e Esteban López, market lead Healthcare and Life Sciences Solutions Americas do Google Cloud, que abrirá o módulo ministrando uma palestra a partir deste tema.

Sobre o FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde

O FILIS já faz parte da agenda de gestores, especialistas e demais profissionais da saúde. Em sua 6ª edição, será ainda mais inovador: trará no formato híbrido uma programação qualificada e palestrantes que representam todos os elos da cadeia de saúde. A agenda completa e as inscrições podem ser feitas no site do evento: https://www.abramed.org.br/filis/.