Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial avança no Congresso 

Construído coletivamente por entidades do setor, projeto propõe integrar a rede, assegurar padrões de qualidade e ampliar o acesso a exames na saúde pública 

O diagnóstico laboratorial orienta decisões que vão da prevenção ao acompanhamento dos tratamentos, mas o Brasil ainda não possui uma política nacional que organize a rede, articule padrões de qualidade e estabeleça bases sustentáveis de financiamento.

O Projeto de Lei 5.478/2025 busca preencher essa lacuna ao instituir a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL). De autoria do deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), a proposta foi construída ao longo de um ano e meio, em diálogo com entidades representativas de diferentes segmentos do diagnóstico laboratorial e da saúde. 

Além da Abramed, participam dessa construção a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), a Federação Brasileira de Laboratórios de Análises Clínicas (Febralac), a Federação Nacional dos Farmacêuticos (Fenafar), o Conselho Federal de Farmácia (CFF), a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), a Federação das Associações de Biomedicina (Faebim) e a Associação Médica Brasileira (AMB). 

Westphalen afirma que sua experiência como médico motivou a atuação em torno da proposta. “Eu só consigo fazer um tratamento adequado com um diagnóstico bem-feito, com precisão, segurança e sustentabilidade”, diz. Para o parlamentar, a pandemia de Covid-19 também evidenciou a importância dos profissionais que atuaram nos bastidores da resposta sanitária, como farmacêuticos e bioquímicos. 

O diálogo técnico e institucional contribuiu para que o projeto chegasse à relatoria com uma base considerada consistente. Responsável pelo parecer na Comissão de Saúde, o deputado Dr. Ismael Alexandrino (PSD-GO) avalia: “Meu primeiro diagnóstico foi de que o projeto chegou às minhas mãos muito maduro.” 

Qualidade, financiamento e dados

Na relatoria, o texto foi aperfeiçoado em diálogo com o Ministério da Saúde e as entidades envolvidas na construção da proposta, consolidando três eixos centrais: qualidade e isonomia sanitária, sustentabilidade financeira e interoperabilidade.

O primeiro reúne qualidade e isonomia sanitária. Como o processo diagnóstico compreende as fases pré-analítica, analítica e pós-analítica, o texto determina que os exames sejam executados por laboratórios licenciados e que os estabelecimentos autorizados a realizar coletas ou testes cumpram requisitos técnico-sanitários e padrões de qualidade equivalentes.

O segundo eixo é a sustentabilidade financeira. A proposta prevê a atualização anual da remuneração dos exames realizados para o SUS, com metodologia baseada nos custos reais de produção, considerando insumos, tecnologia, logística e recursos humanos.

A interoperabilidade constitui o terceiro eixo. Os laboratórios que integram a rede do SUS deverão conectar seus sistemas à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). A integração pode reduzir a repetição de exames, favorecer a continuidade do cuidado e ampliar o uso dos dados na vigilância epidemiológica.

“Esses pilares procuram resolver, na prática, a fragmentação sistêmica da rede, a dependência externa crítica de insumos e a oneração do erário com repetições desnecessárias de exames”, explica Alexandrino.

Para que a PNDL não se limite a princípios, o texto reúne mecanismos de qualidade, financiamento e monitoramento, como controle de qualidade nos laboratórios, rastreabilidade das amostras, atualização anual da remuneração e financiamento interfederativo. Segundo o relator, a implementação também deverá promover a integração entre o Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (Sislab) e a rede privada.

A proposta incentiva ainda a pesquisa, a inovação e a produção nacional, com o objetivo de reduzir a dependência externa de insumos e equipamentos. Caso o projeto seja aprovado pelo Congresso e sancionado, o Poder Executivo terá 180 dias para regulamentá-lo.

Sem a PNDL, alerta Alexandrino, o país corre o risco de perpetuar a fragmentação e a desigualdade no acesso, além de limitar sua capacidade de resposta a futuras emergências sanitárias.

Próximos passos no Congresso

Em 17 de agosto, Alexandrino apresentou novo parecer pela aprovação do projeto, com substitutivo, na Comissão de Saúde. A proposta também está pronta para ser incluída na pauta do Plenário da Câmara.

O regime de urgência para o PL 5.478/2025 foi aprovado por unanimidade pelo Plenário em 9 de junho. Com isso, a matéria pode ser votada diretamente em Plenário, sem depender da conclusão prévia de toda a tramitação nas comissões.

Westphalen afirma que a articulação está concentrada no diálogo com as entidades e com as lideranças partidárias para incluir o projeto na pauta. O parlamentar manifestou a expectativa de votação em setembro e de sanção ainda em 2026.

Para os pacientes do SUS, os primeiros efeitos esperados estão na organização e na qualificação da rede, com maior segurança e confiabilidade nos exames. No médio prazo, a política pode ampliar o acesso a procedimentos de média e alta complexidade, reduzir desigualdades regionais e fortalecer a resposta a emergências sanitárias.

“A PNDL muda a vida do paciente do SUS de forma progressiva, mas consistente: primeiro na qualidade e na segurança do exame; depois, no acesso e na capacidade do sistema de antecipar e responder aos problemas de saúde da população”, resume Alexandrino.

A construção coletiva que levou a proposta até esta etapa evidencia a convergência das entidades em torno de uma agenda comum. O desafio agora é transformar essa base técnica em uma política pública efetiva, capaz de integrar a rede, dar previsibilidade ao financiamento, ampliar o acesso e elevar a segurança do diagnóstico oferecido à população.

Saúde privada atualiza Código de Boas Práticas e amplia agenda de governança de dados 

Construído por nove entidades, documento amplia orientações para aplicação da LGPD e incorpora temas como inteligência artificial, interoperabilidade e segurança da informação

A segunda edição do Código de Boas Práticas do Setor da Saúde foi lançada em 5 de agosto, na sede da CNSaúde, em Brasília, durante evento promovido pelo Instituto Consenso. O documento estabelece referências para a aplicação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) em uma cadeia da saúde cada vez mais conectada e dependente do compartilhamento de informações.

Resultado de dois anos de trabalho conjunto, o Código foi construído por nove entidades representativas dos principais elos da saúde privada: Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (Abraidi), Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge), Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) e Associação Brasileira de Planos Odontológicos (Sinog).

O lançamento reuniu parlamentares, representantes de agências reguladoras, autoridades do Ministério da Saúde e lideranças do setor para debater governança de dados, interoperabilidade e Inteligência Artificial aplicada à saúde.

Durante o evento, a deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) apresentou o andamento do projeto de lei sobre interoperabilidade de dados em saúde e a Rede Nacional de Dados de Saúde. Também participou do encontro Ana Estela Haddad, que, na ocasião, ocupava o cargo de secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde.

Representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discutiram os impactos regulatórios da Inteligência Artificial e os caminhos para maior diálogo entre reguladores e setor. A apresentação do Código ficou a cargo das coordenadoras acadêmicas Laura Schertel Mendes e Mônica Fujimoto, do IDP/CEDIS, ao lado de Lorena Giuberti, diretora da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O que muda na nova edição?

A primeira edição, lançada em 2021, ofereceu ao setor um parâmetro próprio de conformidade voltado especificamente aos prestadores privados de serviços de saúde.

Já a segunda versão amplia esse escopo ao incorporar também operadoras de planos de saúde e fornecedores e distribuidores de produtos para saúde, refletindo a própria dinâmica do setor.

Dados clínicos e administrativos percorrem diferentes organizações ao longo da jornada do paciente — do agendamento e realização de exames à emissão de laudos, autorização de procedimentos, faturamento, auditoria, assistência, pesquisa e desenvolvimento de tecnologias. O Código reconhece a interdependência desses fluxos e propõe uma abordagem de proteção de dados que considere toda a cadeia.

Organizado em duas partes, o documento apresenta inicialmente conceitos, princípios e bases legais da LGPD aplicados à saúde e, em seguida, reúne orientações sobre temas como prontuário eletrônico, telessaúde, relação com terceiros, auditorias, direitos dos titulares, Relatórios de Impacto à Proteção de Dados Pessoais e segurança da informação.

Um dos principais avanços está no conteúdo dedicado à inovação, com orientações sobre privacy by design, pesquisa em saúde, biometria e utilização de Inteligência Artificial, associando a adoção de novas tecnologias a critérios como transparência, governança, avaliação de riscos e supervisão humana.

O conteúdo parte da premissa de que proteção de dados e inovação não são agendas opostas. Regras claras de governança podem favorecer o compartilhamento responsável de informações, a segurança jurídica e a confiança entre pacientes, profissionais e instituições.

O olhar da medicina diagnóstica

A medicina diagnóstica ocupa uma posição importante nessa discussão. Laboratórios, clínicas e serviços de diagnóstico por imagem produzem, processam, armazenam e compartilham informações clínicas sensíveis em atividades como realização de exames, emissão de laudos e intercâmbio de informações com médicos, hospitais e operadoras.

Por isso, desde o início da construção do Código, a Abramed atuou para incorporar ao documento a realidade da medicina diagnóstica e sua conexão com os demais elos da saúde.

Para Lucas Bonafé, advogado do escritório Machado Nunes e sócio da área de Direito Digital e Propriedade Intelectual, que acompanhou a elaboração do material, essa participação ajudou a conferir ao Código uma abordagem realista.

“A importância do Código de Boas Práticas de LGPD é conseguir demonstrar a capilaridade da medicina diagnóstica na área da saúde como um todo e explicar como os dados de saúde são utilizados hoje em toda a cadeia”, afirma.

Segundo o advogado, a Abramed levou ao debate as particularidades da medicina diagnóstica e contribuiu para a articulação das perspectivas de prestadores, operadoras e indústria. Esse diálogo ajudou a conferir ao documento uma abordagem prática, apoiada em exemplos reais de compartilhamento de informações.

Confiança como ativo da saúde

Para Rogéria Leoni Cruz, líder dos Comitês Jurídico e de Proteção de Dados da Abramed, a discussão ganha importância adicional na saúde por envolver informações produzidas em momentos de vulnerabilidade das pessoas.

“A saúde é construída sobre a confiança. Confiamos no médico que nos acolhe, nos hospitais que cuidam de nossas famílias e que informações profundamente pessoais serão tratadas com respeito, responsabilidade e segurança”, afirma.

Na avaliação de Rogéria, o avanço da Inteligência Artificial, da medicina personalizada, da interoperabilidade e de outras ferramentas digitais reforça a necessidade de incorporar a proteção de dados à estratégia das organizações.

“Proteger dados não significa limitar o avanço da ciência, da tecnologia ou da assistência. Significa garantir que esse avanço aconteça da forma correta”, ressalta.

A efetividade do Código dependerá agora de sua incorporação ao cotidiano de organizações de diferentes portes e segmentos. Ao transformar os princípios da LGPD em referências práticas para processos, contratos, tecnologias e relações entre os agentes da cadeia, o documento oferece uma base comum para que a inovação e o compartilhamento de dados avancem com segurança, responsabilidade e confiança.

Acesse a íntegra do Código de Boas Práticas do Setor da Saúde

Relembre o lançamento da primeira edição do Código, em 2021

Abramed é destaque no LabNetwork com lançamento de cartilha sobre NR-1 e riscos psicossociais no trabalho

Matéria apresenta o novo guia da entidade, desenvolvido para apoiar serviços de medicina diagnóstica na implementação das exigências da NR-1.

O portal LabNetwork destacou o lançamento da Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho, desenvolvida pela Associação para orientar serviços de medicina diagnóstica na adequação às mudanças introduzidas pela Portaria MTE nº 1.419/2024. Em vigor desde maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e implementem medidas preventivas para os riscos psicossociais relacionados à organização do trabalho e às relações interpessoais.

Desenvolvida ao longo de aproximadamente um ano e meio de debates conduzidos pelo Comitê de Recursos Humanos da Abramed, a cartilha contou com a contribuição de especialistas em medicina do trabalho, direito e ergonomia.

A reportagem também destaca um dos principais diferenciais da solução: a adoção de uma abordagem flexível, que não estabelece uma metodologia única para avaliação dos riscos psicossociais, permitindo que cada organização adapte as orientações à sua realidade operacional, considerando fatores como porte, estrutura e contexto de atuação, em consonância com as discussões conduzidas no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Confira a matéria completa no LabNetwork.

A transformação da saúde será tão sólida quanto suas instituições 

Quando o futuro da saúde entra em debate, as atenções se voltam rapidamente para novas tecnologias, Inteligência Artificial, uso de dados e modelos assistenciais. São mudanças relevantes, mas a transformação do setor depende das organizações responsáveis por incorporá-las à prática e convertê-las em benefícios para pacientes e para o sistema de saúde. 

Essa capacidade está relacionada à qualidade da gestão, à clareza das decisões e à forma como cada instituição se prepara para responder a riscos, pressões e mudanças. Uma organização pode apresentar bons resultados em determinado período e, ainda assim, não estar preparada para atravessar transformações regulatórias, econômicas, tecnológicas ou sociais. 

Na saúde, a sustentabilidade institucional envolve uma responsabilidade adicional. As decisões tomadas pelas organizações repercutem no cuidado das pessoas, na proteção de dados sensíveis, nas condições de trabalho, na relação com profissionais, fornecedores, fontes pagadoras, órgãos reguladores e toda a sociedade. Por isso, a perenidade dos negócios não pode ser separada da ética, da integridade e da confiança. 

É nesse campo que governança, compliance e liderança se encontram. A governança estabelece como as decisões serão tomadas, quais informações deverão fundamentá-las, quem acompanhará seus resultados e quem responderá por suas consequências. O compliance ajuda a identificar riscos, cumprir obrigações e prevenir condutas capazes de comprometer a organização. A ética orienta escolhas diante de interesses distintos e de situações para as quais a norma nem sempre oferece uma resposta completa. 

Esses elementos precisam estar presentes nas decisões reais da organização. Eles influenciam a definição de metas, a aprovação de investimentos, a contratação de parceiros, a condução das relações institucionais, o tratamento de conflitos de interesses e a resposta a falhas ou desvios. 

A gestão de riscos também ganha relevância nesse processo. Identificar ameaças com antecedência permite que a organização se prepare para mudanças regulatórias, incidentes de segurança, crises reputacionais, descontinuidades operacionais e outros acontecimentos que podem afetar sua capacidade de prestar serviços. O risco precisa fazer parte das discussões estratégicas e das decisões de investimento, expansão e inovação. 

A liderança tem uma responsabilidade direta na construção desse ambiente. A cultura de uma organização é formada pelos comportamentos que suas lideranças estimulam, reconhecem, toleram ou corrigem. Códigos de conduta, políticas internas, treinamentos e canais de denúncia são indispensáveis, mas sua credibilidade depende da coerência entre as orientações formais e as atitudes observadas no cotidiano. 

Quando profissionais encontram segurança para comunicar dúvidas e inadequações, os problemas podem ser identificados antes de ganhar proporções maiores. Quando as respostas são consistentes e os critérios são conhecidos, a integridade deixa de ficar restrita aos documentos e passa a orientar a rotina. 

Essa coerência também influencia a reputação. Na medicina diagnóstica, a confiança é construída na qualidade dos resultados, na confidencialidade das informações, na segurança dos processos e na transparência das relações. Ela pode levar anos para se consolidar e ser comprometida por uma única decisão conduzida sem os cuidados necessários. 

A reputação, portanto, deve ser compreendida como um ativo estratégico. Ela interfere na relação com pacientes, profissionais, parceiros, órgãos públicos e reguladores. Também influencia a capacidade de atrair talentos, estabelecer parcerias, incorporar inovações e manter relações duradouras. 

No debate sobre o Diagnóstico 5.0, essas dimensões estão conectadas. A regulação estabelece limites e responsabilidades para a atuação do setor. A sustentabilidade econômica oferece condições para que as organizações continuem investindo, gerando empregos e prestando serviços. A governança orienta como os recursos serão utilizados e como as decisões serão conduzidas. Ética e compliance preservam a integridade desse percurso. 

Nenhuma organização consegue antecipar todas as mudanças que alcançarão a saúde nos próximos anos. É possível, contudo, preparar estruturas de decisão, formar lideranças, fortalecer a cultura interna e desenvolver capacidade para identificar riscos e responder a eles. 

Essa reflexão fará parte do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, em São Paulo, sob o tema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”. Ao discutir os caminhos do setor, o fórum propõe uma questão necessária: que organizações estamos construindo para conduzir essa transformação? 

O futuro da medicina diagnóstica não será definido somente pelos avanços que o setor conseguir incorporar. Também dependerá da solidez, da integridade e da confiança das instituições responsáveis por transformá-los em cuidado. 

Milva Pagano 

Diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

Confiança será o principal ativo da saúde digital 

À medida que a transformação digital avança, a confiança passa a depender da forma como organizações de saúde protegem dados, comunicam suas decisões e utilizam novas tecnologias.

Inteligência Artificial e automação de processos ampliam a capacidade de gerar informações, apoiar decisões clínicas e tornar a assistência mais eficiente. Mas, à medida que essas tecnologias ganham espaço, cresce um desafio igualmente importante: garantir que elas sejam confiáveis.

Na saúde, inovar não significa apenas desenvolver novas soluções. Diferentemente de outros setores, em que eventuais falhas podem representar prejuízos financeiros ou operacionais, um dado inconsistente, um algoritmo pouco transparente ou uma informação sem rastreabilidade podem comprometer diagnósticos, tratamentos e a própria segurança do paciente.

A medicina diagnóstica está entre os segmentos que mais incorporam novas tecnologias e, por isso, enfrenta o desafio de equilibrar inovação e governança. Dados sensíveis circulam em plataformas cada vez mais integradas, algoritmos auxiliam profissionais na interpretação de exames e automações tornam processos mais ágeis e precisos.

Por isso, antes de falar em Inteligência Artificial preditiva ou telemedicina avançada, é preciso lembrar que existe um alicerce para toda essa transformação: a confiança. Sem ela, a inovação perde legitimidade, encontra barreiras para ganhar escala e pode gerar resistência, riscos regulatórios e perda de credibilidade entre pacientes, profissionais de saúde e fontes pagadoras.

Nesse contexto, a construção da confiança não depende apenas da tecnologia. A forma como as organizações comunicam essas mudanças também influencia a percepção dos pacientes e fortalece sua participação na própria jornada de cuidado.

Para Andrea Pinheiro, líder do Comitê de Comunicação da Abramed, a comunicação exerce papel fundamental nesse processo. “A construção de elos de confiança por meio da comunicação está relacionada a como as empresas podem apoiar o letramento dos pacientes sobre as novas tecnologias, com informações e orientações claras, precisas e acessíveis. Quando a inovação é acompanhada de educação e diálogo, fortalecemos a credibilidade das instituições e contribuímos para que essa evolução aconteça de forma segura e responsável”, afirma.

Governança de dados fortalece a confiança digital

À medida que a saúde amplia o uso de dados, proteger essas informações torna-se uma condição para a própria sustentabilidade da transformação digital. Incidentes de vazamento ou manipulação podem comprometer não apenas a privacidade individual, mas também a confiança necessária para a adoção de novas tecnologias.

Por isso, investimentos em criptografia, controles de acesso, auditorias permanentes e conformidade com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são parte de uma estratégia mais ampla de governança.

Mais do que incorporar tecnologias de ponta, laboratórios e serviços de medicina diagnóstica precisarão fortalecer padrões consistentes de gestão dos dados, desde a coleta até seu uso analítico, garantindo informações íntegras, atualizadas, rastreáveis e auditáveis.

Esse desafio ganha novos contornos com a expansão da Inteligência Artificial generativa. O aumento da circulação de conteúdos produzidos artificialmente, incluindo desinformação e deepfakes, reforça a necessidade de que as organizações de saúde atuem como fontes confiáveis de informação.

Andrea Pinheiro destaca que a credibilidade também será construída pela capacidade das instituições de oferecer informações qualificadas e confiáveis, apoiando pacientes na compreensão das novas tecnologias e fortalecendo sua autonomia ao longo da jornada de cuidado.

“As instituições que se destacarão nos próximos anos serão aquelas capazes de oferecer experiências fluidas, eficientes e seguras em todos os pontos de contato, reforçando as relações de confiança com serviços e profissionais de saúde”, avalia.

Essa discussão fará parte da programação do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed, que será realizado em 26 de agosto. Entre outros temas, o encontro mostrará como governança, ética, segurança da informação e comunicação contribuem para fortalecer a confiança nas organizações e criar condições para que a inovação tecnológica gere valor para pacientes, profissionais e para todo o sistema de saúde.

Mais informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis em www.abramed.org.br/filis.

Abramed analisa avanço tecnológico e perspectivas da Medicina Diagnóstica em 2026 em matéria do site Medicina S/A


Investimentos em inovação, interoperabilidade e eficiência operacional sustentam o crescimento do setor no Brasil.

A Abramed participou de reportagem publicada pelo portal Medicina S/A que aborda como as novas tecnologias impulsionam a Medicina Diagnóstica no Brasil e consolidam o setor como um dos pilares estruturantes do sistema de saúde. A matéria destaca o ciclo contínuo de investimentos em inovação, automação, inteligência artificial e sistemas analíticos, que ampliam a produtividade e a qualidade assistencial sem pressionar proporcionalmente os custos.

Segundo levantamento da Abramed com seus associados, empresas do setor destinam até 30% do orçamento anual a iniciativas de inovação tecnológica. O presidente do Conselho de Administração da entidade, Cesar Nomura, ressalta que esse movimento sustenta o crescimento observado nos últimos 15 anos e deve permanecer em 2026, com ganhos em eficácia, acurácia diagnóstica e eficiência operacional.

A reportagem também traz a visão da diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, que aponta a interoperabilidade como elemento central para o próximo ciclo de evolução do setor. A integração segura de dados, o avanço da IA aplicada à saúde e o fortalecimento da governança digital são apresentados como vetores estratégicos para ampliar a qualidade do cuidado e reduzir desperdícios no sistema.

Além das oportunidades tecnológicas, a publicação aborda o contexto regulatório e político de 2026, destacando a importância da articulação institucional em pautas como a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL) e o debate sobre o marco regulatório da Inteligência Artificial.

Confira a matéria completa no Medicina S/A.

18 de fevereiro de 2026.

Abramed aponta tendências para 2026 em matéria do Labnetwork sobre o futuro da medicina diagnóstica

Inteligência artificial, interoperabilidade e eficiência operacional despontam como eixos centrais para a evolução dos laboratórios e da jornada do cuidado.

A Abramed participou de matéria especial publicada pelo LabNetwork que analisa as perspectivas para a medicina diagnóstica em 2026 e o novo papel dos laboratórios na jornada do cuidado. O conteúdo reúne visões de grandes grupos do setor e destaca as tendências que devem orientar o mercado diante de um cenário de maior complexidade clínica, pressão por eficiência e avanço acelerado das tecnologias em saúde.

Na reportagem, a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, contribui com a leitura institucional sobre os principais vetores de transformação do setor, com ênfase na Inteligência Artificial, na interoperabilidade de dados, na eficiência operacional e na sustentabilidade do sistema de saúde. Segundo ela, os laboratórios iniciam 2026 em um ambiente mais desafiador, marcado por fatores regulatórios, macroeconômicos e pela necessidade de decisões cada vez mais baseadas em evidências.

Milva destaca ainda que o fortalecimento da governança, a qualificação das equipes e a adoção responsável de tecnologias aplicadas serão determinantes para ampliar o papel da medicina diagnóstica na prevenção, no acompanhamento contínuo da saúde e no cuidado integrado ao paciente. Iniciativas de interoperabilidade, incluindo a integração de dados em parceria com o Ministério da Saúde, são apontadas como essenciais para qualificar a jornada do cuidado, reduzir desperdícios e otimizar recursos.

Confira a matéria completa.

26 de janeiro de 2026.

Abramed contribui para matéria do Saúde Business sobre longevidade e sustentabilidade do sistema de saúde

A Abramed participou de matéria especial sobre os desafios e oportunidades da gestão do envelhecimento no Brasil, que analisa os impactos da longevidade sobre a sustentabilidade do sistema de saúde, a organização do cuidado e a economia. O conteúdo reúne dados demográficos, experiências nacionais e internacionais e reflexões sobre a necessidade de transição para modelos mais preventivos e integrados de atenção à saúde.

Na reportagem, a diretora executiva da Abramed, Milva Pagano, destaca o papel estratégico da medicina diagnóstica diante do envelhecimento populacional e do aumento da prevalência de doenças crônicas. Segundo ela, o diagnóstico precoce e preciso é determinante para antecipar riscos, orientar intervenções clínicas e reduzir a progressão para quadros mais complexos e de alto custo, contribuindo para a sustentabilidade do sistema e para melhores desfechos em saúde.

Milva ressalta ainda que a longevidade precisa ser tratada como um projeto estruturante, que articule prevenção, acompanhamento contínuo e integração entre os sistemas público e privado. Nesse contexto, a medicina diagnóstica atua como instrumento de resiliência social e econômica, ao fornecer dados que apoiam políticas públicas, planejamento assistencial e modelos de cuidado mais eficientes ao longo da vida.

A participação da Abramed reforça o compromisso da entidade com o debate qualificado sobre o envelhecimento da população, evidenciando a importância do diagnóstico como base para um cuidado mais sustentável, integrado e orientado por evidências em um país que envelhece de forma acelerada.

Confira a matéria completa

07 de janeiro de 2026

Artigo de Milva Pagano destaca papel da Medicina Diagnóstica diante da crise climática

Em artigo publicado no portal Futuro da Saúde, a Diretora Executiva da Abramed, Milva Pagano, analisa como os eventos climáticos extremos vêm ampliando a demanda por exames e acelerando uma transição estrutural na medicina diagnóstica. O texto aborda os impactos diretos do aquecimento global sobre o perfil epidemiológico da população e os desafios que esse novo cenário impõe aos laboratórios e aos sistemas de saúde.

No artigo, Milva destaca que ondas de calor, mudanças no regime de chuvas e o aumento da circulação de vetores infecciosos pressionam o setor a repensar modelos operacionais, investimentos em tecnologia e a capacidade de resposta diagnóstica, especialmente para populações mais vulneráveis. A autora também chama atenção para o avanço — ainda desigual — das práticas ESG na medicina diagnóstica, ressaltando a importância de dados, governança e transparência para orientar decisões relacionadas às mudanças climáticas.

Outro ponto central do texto é o papel da interoperabilidade e da inovação como pilares para enfrentar esse contexto. A integração de dados, o uso de inteligência artificial, a ampliação da telemedicina e a cooperação entre SUS e saúde suplementar aparecem como caminhos estratégicos para ampliar o acesso, qualificar o cuidado e antecipar cenários de risco associados ao clima.

Confira o artigo completo.

Entrevista de Dr. Alex Galoro ao Jornal da Record News esclarece obrigatoriedade do exame toxicológico para primeira habilitação

Em entrevista ao Record News, o Dr. Alex Galoro, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed, esclareceu os principais pontos relacionados à obrigatoriedade do exame toxicológico para a primeira habilitação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todas as categorias. A mudança foi aprovada pelo Congresso após a derrubada do veto presidencial e amplia a exigência que antes se restringia a motoristas profissionais.

Durante a conversa, Galoro detalhou o funcionamento do exame, as substâncias detectadas, os prazos de realização e a dinâmica de envio dos resultados ao sistema nacional de trânsito. O médico explicou que o teste identifica drogas psicoativas ilícitas por meio de amostras de cabelo, pelos ou unhas, com janela de detecção de até 90 dias, e destacou os mecanismos de confirmação que garantem a confiabilidade dos resultados.

O especialista também abordou o debate sobre custos, ressaltando que, apesar do impacto financeiro inicial para alguns candidatos à primeira habilitação, os benefícios superam esse fator ao contribuir para a redução de acidentes, da sinistralidade e dos custos associados à saúde e à segurança viária. Segundo ele, a experiência acumulada com a exigência do exame para as categorias C, D e E já demonstrou efeitos positivos na retirada de motoristas sob efeito de drogas do trânsito.

Confira a entrevista completa.