O Momento Transformação, uma novidade na programação do FILIS, traz cases de inovação e promete inspirar participantes

Quest Diagnostics e Roche Diagnóstica mostrarão resultados práticos de melhorias nos processos usando tecnologia

No cenário em constante evolução da saúde, é fundamental que os profissionais da área compartilhem experiências e aprendizados que impulsionem a inovação e o progresso. Pensando nisso, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) traz para a sétima edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) uma novidade: o “Momento Transformação”.

O evento, que acontecerá em 31 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo, terá duas apresentações de cases de inovação em saúde que prometem inspirar e estimular novas estratégias, enriquecendo a experiência dos presentes. Do primeiro momento participa a palestrante internacional Wendi Mader, Vice President Employer da Quest Diagnostics, que abordará gestão e saúde populacional.

Em sua palestra, mostrará de que modo as empresas podem e devem desempenhar um papel fundamental na promoção da saúde, na saúde populacional e na prevenção. Os presentes também aprenderão sobre o papel dos insights diagnósticos nos programas de saúde populacional das empresas e como essas informações podem direcionar as pessoas ao cuidado adequado no momento certo, aproveitando soluções tecnológicas inovadoras que aprimorem o acesso ao cuidado.

“O propósito da Quest Diagnostics é colaborar para criar um mundo mais saudável, e participar do FILIS é uma grande oportunidade para compartilhar a mensagem sobre a importância dos insights diagnósticos para melhorar a experiência do cuidado, a saúde populacional e reduzir os custos da saúde”, explica Wendi.

Na posição de especialista em dados clínicos e diagnósticos, a Quest Diagnostics oferece soluções que garantem às pessoas não apenas o acesso a testes onde quer que estejam, mas também a compreensão dos resultados deles. “Capacitar as pessoas a entenderem melhor seu estado de saúde permite a elas se tornarem consumidores mais informados e, assim, alcançarem resultados positivos”, diz.

Integração de dados

O Presidente da Roche Diagnóstica no Brasil, Carlos Martins, apresentará o segundo case do “Momento Transformação”, sobre o tema “A integração de dados aumenta a eficiência e melhora os cuidados com os pacientes”.

Ele destacará casos práticos mostrando como tecnologias digitais da Roche implantadas em quatro clientes – dois do mercado privado (um laboratório e um hospital), um do público e uma verticalizada – impactaram diretamente suas operações por meio da inteligência de dados aplicadas à tomada de decisão, integração de soluções e otimização de processos. Isso gerou aumento da eficiência, redução de erros e melhorou a entrega de resultados aos pacientes. 

Martins explica que são casos reais de clientes, com todos os seus desafios e particularidades. Eles traçam as necessidades e mostram como a tecnologia tem o poder de trazer integração, inteligência e eficiência. “E todo mundo ganha com isso: o cliente, que tem uma operação mais eficiente e com menos desperdício; os pacientes, com resultados mais rápidos e seguros – além de mais valor agregado na análise de alguns exames, o que apoia a tomada de decisão do médico; e, por fim, o ecossistema de saúde, que ganha com instituições mais eficientes e sustentabilidade financeira”, ressalta.

Para Martins, o FILIS é um dos mais importantes eventos do setor, trazendo discussões altamente qualificadas e convidados que têm poder para influenciar o mercado e tomar decisões que guiem a forma como a medicina diagnóstica é feita no Brasil. “Estar em um evento desse porte, com um espaço para apresentar alguns de nossos cases de sucesso, é um privilégio enorme para a Roche Diagnóstica e para mim, especialmente quando o assunto é integração de dados”, revela.

A empresa tem um amplo portfólio de soluções digitais que levam mais inteligência e eficiência não só para dentro dos laboratórios, mas também para hospitais e para o Point of Care – que é o primeiro ponto de contato com os pacientes. “Poder mostrar os resultados práticos disso para as pessoas evidencia o quanto estamos comprometidos com a inovação e a sustentabilidade do ecossistema de saúde, afinal, dados usados de forma inteligente reduzem custos, melhoram a operação e trazem agilidade e segurança aos pacientes”, finaliza.

Faça já sua inscrição neste link e não perca esse encontro fundamental para promover a integração de todo o ecossistema de saúde.

IA, 5G e automação redefinem diagnósticos, tratamentos e cuidados

O avanço da tecnologia tem mudado a forma como os diagnósticos são realizados e afetando positivamente a prática médica.

A indústria da saúde está sendo profundamente impactada pela combinação de tecnologias avançadas, como: a Inteligência Artificial (IA), a implementação da rede 5G para melhorar a conectividade e ampliar o acesso à saúde em escala e a automação de processos para ganho de eficiência e produtividade.

Segundo Adriana Costa, diretora geral da Siemens Healthineers no Brasil, essas convergências estão revolucionando o campo do diagnóstico médico e impulsionando a inovação em dispositivos médicos. Veja como a seguir.

– Inteligência artificial para análise de imagens: algoritmos de inteligência artificial são capazes de analisar e interpretar imagens médicas com uma precisão surpreendente. Isso é especialmente útil, por exemplo, na radiologia. A IA pode auxiliar radiologistas na detecção de doenças em radiografias, ressonâncias magnéticas, tomografias computadorizadas e ultrassonografias. “Essa análise assistida por IA resulta em diagnósticos mais rápidos e precisos, permitindo o início do tratamento mais cedo”, ressalta Adriana.

A IA também ganha cada vez mais espaço no tratamento oncológico, como a utilização de ferramentas automáticas para delinear precisamente o tumor e preservar as estruturas sadias, além da personalização do tratamento (chamado de Radioterapia Adaptativa). 

Adriana explica que, nessa última modalidade, é possível adequar ou até mesmo modificar o tratamento devido às alterações anatômicas e/ou fisiológicas do paciente em tempo real, utilizando-se de ferramentas baseadas em IA, sem aumentar o intervalo de tratamento, mesmo com as novas configurações.

– Telemedicina habilitada pelo 5G: a tecnologia 5G proporciona velocidades de transmissão de dados ultrarrápidas e baixa latência. Isso é fundamental para a telemedicina, pois permite consultas em tempo real, sem atrasos ou interrupções significativas na transmissão de áudio e vídeo. “Com o 5G, médicos podem realizar exames virtuais com mais qualidade, ao mesmo tempo que pacientes podem receber cuidados remotos de forma mais eficiente”, acrescenta a diretora geral da Siemens Healthineers no Brasil.

– Automação laboratorial: no campo de tecnologias que visam trazer maior eficiência para a cadeia da saúde, Adriana destaca a automação no processo de diagnósticos em análises clínicas que já é utilizada em larga escala. 

A automação permite a realização de exames a partir de menos tubos e menor quantidade de sangue coletado para formação das amostras, o que gera menos incômodo ao paciente e mais agilidade no atendimento. Ela possibilita também maior segurança, pois elimina grande parte da manipulação humana na plataforma laboratorial e reduz o índice de reconvocação de pacientes e novas coletas.

Avanços na medicina diagnóstica

O avanço da IA e do aprendizado de máquina na medicina diagnóstica conta com diversas implicações significativas, que estão mudando a forma como os diagnósticos são realizados e afetando positivamente a prática médica. Algumas das principais implicações, como salienta Adriana, são:

  1. Diagnósticos mais precisos e rápidos: os algoritmos de IA podem analisar grandes quantidades de dados médicos, incluindo imagens de exames, dados clínicos e históricos do paciente, a fim de identificar padrões sutis que podem não ser detectados facilmente pelos profissionais de saúde. Isso resulta em diagnósticos mais precisos, aumentando a taxa de acerto e diminuindo a margem de erro.
  1. Detecção precoce de doenças: a IA tem o potencial de identificar sinais precoces de doenças em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz. Isso é especialmente relevante para condições crônicas e cânceres, condições médicas em que a detecção precoce pode salvar vidas e melhorar os resultados do tratamento.
  1. Auxílio aos profissionais de saúde: a IA não substitui os médicos, mas atua como uma ferramenta complementar, fornecendo informações adicionais e insights valiosos para apoiar os profissionais de saúde em suas decisões clínicas. Isso permite que os médicos se concentrem mais no atendimento direto ao paciente e em temas mais complexos, enquanto a IA lida com tarefas mais operacionais e de análise de dados.

Além disso, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, o mundo sofre uma escassez de aproximadamente 43 milhões de profissionais de saúde, e esse mercado ainda tem o desafio de manter os profissionais devidamente treinados e atualizados, bem como atender à alta demanda devido ao envelhecimento populacional.

“Por meio da tecnologia de realidade aumentada, é possível democratizar o conhecimento clínico, elevar a eficiência da mão de obra e melhorar a produtividade dos prestadores de serviço à saúde”, frisa Adriana.

  1. Medicina personalizada: com base nos dados do paciente, a IA pode ajudar a personalizar tratamentos e terapias para indivíduos específicos, levando em conta suas características genéticas, seu histórico médico e seu estilo de vida. Isso pode resultar em abordagens de tratamento mais eficientes e menos invasivas.
  1. Redução de custos de saúde: a IA pode ajudar a otimizar o uso de recursos médicos, evitando testes desnecessários e direcionando os pacientes para o tratamento mais adequado. Isso pode levar a uma redução nos custos de saúde, tornando os serviços médicos mais acessíveis para uma parcela maior da população.
  1. Melhoria da triagem: algoritmos de IA também podem ser usados para triar grandes grupos de pacientes com base em fatores de risco e sintomas, identificando aqueles que precisam de atenção imediata ou acompanhamento mais próximo.

Integração e interoperabilidade

A integração de sistemas de informações médicas e a interoperabilidade de dados são questões fundamentais para melhorar a eficiência, a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde. No entanto, Adriana aponta que elas também apresentam desafios e oportunidades significativas. Entre os principais desafios, estão:

Padrões e formatos diferentes: os sistemas de informações médicas são frequentemente desenvolvidos por diferentes fornecedores, utilizando padrões e formatos de dados variados. Isso dificulta a comunicação e o compartilhamento de informações entre os sistemas, resultando em falta de interoperabilidade.

Questões de segurança e privacidade: compartilhar informações médicas sensíveis entre diferentes sistemas pode aumentar os riscos de violações de segurança e privacidade dos pacientes. Garantir a proteção adequada dos dados é um desafio importante.

Custos e investimentos: a integração de sistemas e a interoperabilidade geralmente requerem investimentos significativos em infraestrutura e tecnologia. Isso pode ser um obstáculo, especialmente para organizações de saúde com recursos limitados.

Diversidade de usuários e necessidades: os sistemas de saúde atendem a uma variedade de usuários, incluindo médicos, enfermeiros, administradores e pacientes. Cada grupo pode ter necessidades diferentes de acesso e uso de informações, tornando a integração complexa.

Resistência à mudança: a adoção de novos sistemas e processos de integração pode encontrar resistência por parte de profissionais de saúde que estão acostumados com sistemas existentes e que podem sentir que a mudança afeta negativamente sua produtividade.

Por outro lado, temos como oportunidades:

Melhoria na tomada de decisões clínicas: a interoperabilidade de dados permite que os profissionais de saúde acessem informações abrangentes do paciente em tempo real, o que pode levar às decisões mais corretas e aos tratamentos mais adequados.

Redução de erros médicos: com o compartilhamento eficiente de informações, há menos chances de erros médicos causados por falta de dados ou registros desatualizados.

Melhoria da eficiência operacional: a integração de sistemas pode melhorar a eficiência operacional, eliminando a necessidade de inserir manualmente dados em diferentes sistemas e reduzindo redundâncias e erros.

Facilitação da pesquisa e avanços em saúde: dados interoperáveis podem impulsionar a pesquisa médica, permitindo que os pesquisadores acessem grandes conjuntos de dados de pacientes e realizem estudos mais abrangentes.

Engajamento do paciente: a interoperabilidade pode permitir que os pacientes acessem as próprias informações médicas, aumentando o envolvimento, a responsabilidade e o engajamento deles na gestão de sua saúde.

Sistemas de saúde mais conectados: a interoperabilidade facilita a comunicação entre diferentes instituições de saúde, melhorando a coordenação do cuidado e facilitando a transferência de pacientes entre instalações.

Futuro da saúde 

Ao projetar o futuro da saúde em termos de dispositivos médicos e soluções, Adriana tem uma visão bastante otimista. Algumas de suas perspectivas são: 

– Foco na prevenção e medicina preditiva: com a coleta contínua de dados de saúde por meio de dispositivos conectados, haverá um monitoramento da saúde e, consequentemente, um foco maior na prevenção de doenças e na medicina preditiva, permitindo a intervenção antes que problemas se tornem mais graves. Para esse avanço, é fundamental a colaboração entre setores com foco em toda a jornada do paciente.

– Implementação de estratégias ESG envolvendo toda a cadeia produtiva: não é mais possível lançar produtos, serviços e processos na área de saúde sem considerar os impactos ambientais, sociais e de governança. “Vejo uma expansão no mercado de produtos recondicionados em prol de uma economia circular e centros de serviço ao paciente mais eficientes e inclusivos, desde o aspecto de infraestrutura até a formação de profissionais multidisciplinares, considerando os pilares de diversidade, equidade e inclusão”, expõe. 

Novos modelos de negócio: baseados em desfechos clínicos, eficiência e resultados compartilhados para reinvestimento em pesquisa e desenvolvimento de soluções sustentáveis.  

– Inteligência artificial integrada: a IA desempenhará um papel cada vez mais significativo na análise e interpretação de dados de saúde, permitindo diagnósticos mais precisos, tratamentos personalizados e melhor gerenciamento de doenças crônicas.

– Realidade aumentada e realidade virtual: essas tecnologias serão mais amplamente incorporadas em treinamentos e educação médica, planejamento cirúrgico, terapia de reabilitação e até mesmo em procedimentos médicos para aprimorar a precisão e a eficácia dos tratamentos. 

– Telemedicina e saúde digital: eles ganharão ainda mais destaque, possibilitando consultas médicas remotas, monitoramento à distância e acesso facilitado aos serviços de saúde.

– Conectividade 5G e Internet das Coisas (IoT): o 5G e a IoT fornecerão a infraestrutura para uma rede de dispositivos médicos conectados, permitindo uma troca mais rápida e segura de dados entre dispositivos e sistemas de saúde.

À medida que nos aproximamos desse futuro visionário, surge uma mensagem clara: a convergência tecnológica está redefinindo o que é possível, inspirando um mundo onde a saúde é mais acessível, personalizada e poderosa do que jamais imaginamos.

Tobias Zobel apresenta inovações que impactam no Valor em Saúde

Palestrante confirmado para o FILIS 2023, o diretor do D.Hip e embaixador do Medical Valley falará sobre gêmeos digitais e estará disponível para parcerias 

Um dos principais clusters nas áreas de engenharia biomédica e saúde digital do mundo quer estreitar relações com o Brasil. Tobias Zobel, diretor do Digital Health Innovation Platform (D.Hip) e embaixador do Medical Valley, estará no país como palestrante do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), que será realizado pela Abramed no dia 31 de agosto, em São Paulo.

Formado por mais de 500 empresas parceiras, o Medical Valley é um top cluster de saúde focado em inovação e colaboração, localizado em Erlangen, Alemanha. “Um cluster não é só um líder; nós também oferecemos serviços, como treinamento e educação, para capacitar nossos parceiros a melhor se posicionarem no mercado e aprimorarem suas habilidades inovadoras”, conta Zobel.

O Medical Valley é um modelo de sucesso, contando com uma ampla infraestrutura que inclui diversos hospitais, institutos de pesquisa e universidades. Essa colaboração é vital para impulsionar a inovação tanto na indústria quanto nos hospitais. O cluster não apenas busca o desenvolvimento tecnológico, mas também contribui para moldar políticas públicas, fazendo recomendações ao governo alemão que possam facilitar diagnósticos e terapias avançadas. “Para nossos parceiros, criamos modelos de business de acordo com as novas leis”, conta.

Além da Alemanha, o Medical Valley tem forte presença na China e nos Estados Unidos. No entanto, as mudanças nas leis e no cenário de desenvolvimento de produtos durante a pandemia levaram o cluster a enfocar parcerias dentro da Europa, com Suíça, Espanha, Portugal, Dinamarca e Itália. “A parceria com o Brasil é uma grande oportunidade para nós também”, disse.

Falando em Brasil, Zobel admite que os últimos dois anos foram desafiadores devido à pandemia. No entanto, ele expressa otimismo quanto ao futuro: “Estamos ansiosos para retomar nossas parcerias e colaborações no país. Nosso objetivo não é apenas promover intercâmbio científico, através de workshops, mas também garantir que as empresas alemãs do Medical Valley se beneficiem dessas relações, assim como as brasileiras, permitindo acesso a ambos os mercados”.

Zobel destaca parcerias já em andamento com instituições brasileiras, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Hospital das Clínicas de São Paulo, para desenvolver novos algoritmos na área de imagens e tratamento de dados. Além disso, está iniciando uma aproximação com a Abramed, para colaboração entre os mercados e compartilhamento de tecnologias.

Sua agenda para o Brasil, durante a estada para o FILIS, consiste em visitas a hospitais, empresas e universidades. “Estou aberto a explorar novas oportunidades, tanto na Europa quanto no Brasil. Se há interesse em colaborar e inovar, estou disposto a discutir como podemos unir forças.”

Algo importante na colaboração entre o Brasil e a Alemanha é atender às rigorosas normas éticas de proteção de dados na Alemanha, o que permite a implantação da solução em qualquer lugar do mundo. “Esse intercâmbio promove um diálogo transcultural rico, que é fundamental para a inovação e soluções médicas eficazes em escala global”, expõe Zobel.

Gêmeo Digital

Em se tratando de novas tecnologias no setor de saúde, Zobel conta que o Instituto D.Hip tem se concentrado na pesquisa e no desenvolvimento de um gêmeo digital de saúde, tema que também será abordado por ele no FILIS. 

Um gêmeo digital é uma representação em tempo real de um paciente específico, incorporando informações médicas, histórico de tratamentos, exames, dados genéticos, estilo de vida e muito mais. Isso permite que os profissionais de saúde tenham uma visão abrangente do estado de saúde do paciente e possam tomar decisões informadas.

Além disso, os gêmeos digitais podem ser usados para simular cenários e procedimentos, permitindo que os médicos testem diferentes abordagens antes de realizar uma intervenção real em um paciente. Isso pode ser útil em situações complexas e de alto risco.

“Criamos um centro de dados clínicos interno em nosso hospital, mantendo assim todas as informações dentro da instituição. Não removemos nenhum dado do hospital, mas integramos os algoritmos para aprimorar a inteligência artificial. Diversos países são relevantes para esses estudos, cada qual com suas particularidades, e também para o constante refinamento dos algoritmos”, explica Zobel.

Há alguns anos, o foco era na obtenção massiva de dados, contudo os pesquisadores perceberam que a qualidade deles e a consistência das fontes são essenciais. A grande quantidade é refinada em fragmentos relevantes para treinar algoritmos. Hoje, o interesse mudou para projetos exploratórios prospectivos, em que pacientes consentem em compartilhar diversos dados, complementando o conhecimento clínico. Isso leva ao aprimoramento do sistema de suporte clínico.

No âmbito da colaboração entre governo, hospitais e indústria, é crucial haver diálogo transparente. O governo pode não compreender totalmente o desenvolvimento desses produtos de dados, então a informação técnica deve ser compartilhada. Questões éticas, como a proteção de dados e a reidentificação de pacientes, são relevantes. 

“Devemos avaliar os riscos em relação aos benefícios, ponderando preocupações legítimas dos pacientes com os resultados positivos para muitas vidas. O desafio é equilibrar esses aspectos ao influenciar regulamentações de proteção de dados eficazes e abrangentes. Isso assegurará uma abordagem equitativa que considere várias perspectivas”, conta Zobel.

Experiência do paciente

Sobre o impacto das tecnologias na experiência dos pacientes, Zobel explica usando o exemplo do gêmeo digital, que possibilita às pessoas ter as informações de sua saúde nas mãos, no próprio celular. Para pacientes com doenças crônicas ou em grupos de risco, por exemplo, isso é especialmente útil.

As pessoas podem ver de que modo suas ações, como exercício e alimentação saudável, impactam diretamente os parâmetros vitais. Isso não apenas educa o paciente, mas também constrói confiança no próprio comportamento e na assistência médica.

Essa abordagem, chamada de “Behavioral Health Care” (Cuidados de Saúde Comportamentais), permite personalizar as recomendações com base nos dados individuais do paciente, ajudando-o a entender seus sintomas e ações específicas necessárias. Isso funciona tanto para pacientes já diagnosticados como para pessoas em busca de prevenção.

Zobel ressalta que essa tecnologia não substitui o papel do médico, mas fornece uma nova opção de melhoria, sugestão e apoio baseados em estatísticas. Os algoritmos permitem uma visão holística e ajudam a encontrar conexões entre sintomas e condições, mas a decisão final continua sendo tomada pelos médicos. “Portanto, embora a inteligência artificial possa ser uma ferramenta poderosa, não substituirá o médico no processo de tomada de decisão clínica”, salienta.

Além da palestra, Zobel também participará do debate “Avanços e efetividade para a Gestão da Saúde”, junto a outros líderes do setor. O FILIS objetiva promover a troca de experiências e a geração de parcerias entre líderes da área, enfocando a gestão e a tecnologia como instrumentos para a melhoria dos cuidados de saúde. Faça já sua inscrição neste link.

Programação do FILIS 2023 inclui debates sobre gestão da Saúde, Integração e tecnologia, além da apresentação de cases nacionais e internacionais

O evento acontece no próximo dia 31 de agosto, em São Paulo, e visa promover o debate e o networking entre profissionais da saúde

A 7ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) está chegando! O evento, organizado pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), acontecerá no dia 31 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo, enfocando a gestão, a integração e a tecnologia como instrumentos para a melhoria dos cuidados de saúde. O “Leaders Connection”, uma novidade desta edição, trará um período de parada na programação, direcionado ao relacionamento e à troca entre os participantes do evento.

A programação iniciará com palestra do Diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Maurício Nunes da Silva. Após apresentação, o primeiro debate discutirá o “Valor da Medicina Diagnóstica para integração da Saúde”, moderado por Carlos Figueiredo, CEO do Cura Grupo, com participação de Cesar Nomura, Presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Paulista de Radiologia (SPR); Alberto Duarte, Pesquisador e Diretor de Análises Clínicas da Rede D’Or SP; Ademar Paes Jr., Presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM); e Clóvis Klok, Presidente da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP).

O “Momento Transformação” é uma das novidades e destaque da programação neste ano, com apresentação de cases de inovação na área da Saúde. Participa do primeiro momento a palestrante internacional Wendi Mader, Vice President Employer da Quest Diagnostics, que abordará gestão e saúde populacional.

Após, haverá uma palestra internacional sobre “Digital Health Twin: Desafios e impactos para a inovação”, com Tobias Zobel, Diretor do Digital Health Innovation Platform (D.Hip) e embaixador do Medical Valley, da Alemanha.

Momento ainda mais especial é a entrega do Prêmio Dr. Luiz Gastão, que está em sua 4ª edição. Trata-se de um reconhecimento da Abramed a profissionais que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira. O vencedor será reconhecido e homenageado durante o evento.

O segundo painel de debates discutirá “Avanços e efetividade para a gestão da Saúde”, com moderação de Claudia Cohn, Diretora-Executiva na Dasa, e participação de Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin; Paulo Nigro, Diretor-Executivo do Hospital Sírio-Libanês; Alexandre Fioranelli, Diretor da Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos (DIPRO), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); e Tobias Zobel.

O Presidente da Roche Diagnostics no Brasil, Carlos Martins, apresentará o segundo case transformação sobre “A integração de dados aumenta a eficiência e melhora os cuidados com os pacientes”.

Com a palestra “Potencializando o uso de dados para a inovação na saúde”, Jacson Barros, Healthcare Business Development Manager da Amazon, antecederá o terceiro e último debate do fórum, sobre “Novas tecnologias e seus impactos na Saúde: o que esperar do futuro?”. Eliezer Silva, Diretor do Sistema de Saúde Einstein, do Hospital Israelita Albert Einstein, será um dos debatedores e também fará o papel de moderador da discussão. Participarão com ele Ana Estela Haddad, Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde; Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; Gustavo Fernandes, Diretor Geral de Oncologia na Dasa; e Jacson Barros.

O evento terá a participação especial da Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, com apresentação sobre a “Saúde Digital no Brasil”.

A abertura e o encerramento do FILIS ficarão a cargo de Milva Pagano, Diretora-Executiva, e Wilson Shcolnik, Presidente do Conselho de Administração da Abramed. “Com o evento, a Abramed coloca em pauta assuntos pertinentes a toda a cadeia de saúde, além de ser uma importante plataforma de conexão entre os profissionais e as empresas do setor”, finaliza Milva.

Faça já sua inscrição neste link e não perca este encontro fundamental para promover a integração de todo o ecossistema de saúde.

Abramed participará do 55° CBPC, em setembro

Com estande institucional, a entidade reforça sua atuação no mercado participando do maior Congresso de Medicina Laboratorial da América Latina

A Abramed anuncia sua participação no Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC), organizado pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial (SBPC/ML), que acontecerá entre 5 e 8 setembro no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo. O tema desta edição será o “Papel do laboratório clínico na promoção da saúde”.

A entidade estará presente com um estande institucional nos quatro dias de evento, ressaltando seu papel fundamental para o desenvolvimento e a evolução da Saúde no Brasil, sempre com o compromisso de discutir questões que envolvam a medicina diagnóstica e estabelecer diálogos construtivos sobre o futuro da saúde com os visitantes.

“A participação no CBPC reafirma a importância do relacionamento da Abramed com sociedades médico-científicas, permitindo à entidade interagir diretamente com profissionais da área. Isso reforça nosso compromisso com a excelência e a inovação no campo da medicina diagnóstica, sempre com foco na integração e na sustentabilidade do sistema”, diz Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Realizado pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o CBPC reúne em média 4,2 mil participantes entre congressistas, visitantes, palestrantes e expositores do Brasil, da América Latina, dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia. 

Com mais de 4.000 metros de exposição e mais de 90 expositores, o evento promete quatro dias de imersão, incluindo uma programação científica diversificada, com mais de 100 atividades, que abrangem desde conferências, mesas-redondas, cursos e workshops até encontros com especialistas e apresentações de casos clínicos.

Inscrições para o evento neste link.

Abramed e Anvisa esclarecem pontos sobre realização de exames de análises clínicas em farmácias

Teste de triagem feito nos serviços tipo I não ultrapassa o diagnóstico laboratorial convencional nem o substitui

No dia 1º de agosto último, entrou em vigor a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 786/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que permite a realização de exames de análises clínicas, em caráter de triagem, em farmácias e consultórios. O tema tem sido bastante divulgado pela mídia, inclusive a Abramed foi fonte de diversas reportagens

Em nota de esclarecimento, a Anvisa afirma que os testes de triagem feitos nos serviços tipo I não ultrapassam o diagnóstico laboratorial convencional nem o substituem, já que as suas atuações são complementares, com finalidades distintas no atendimento à população.

O laboratório clínico convencional continuará a dominar o processo de diagnóstico no Brasil, como padrão ouro e de referência no atendimento à população. “Por sua vez, os testes rápidos em farmácias constituem uma inovação no que se refere à melhor acessibilidade da população e ao resultado rápido, no contexto de triagem para apoio ao diagnóstico”, complementa a nota.

O patologista clínico Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, reforça que o local mais apropriado para realização de exames ainda é o laboratório clínico, “que possui ambiente controlado, pessoal qualificado e treinado, que utiliza equipamentos precisos para assegurar a confiabilidade dos resultados”.

Segundo a norma da Anvisa, o profissional que vai realizar os exames fora do laboratório clínico precisa ser treinado e estar capacitado para fazer validações e controle de qualidade. “Só assim teremos a certeza de que o teste rápido poderá nos fornecer resultados confiáveis”, acrescenta Shcolnik.

A Agência também salienta que a RDC 786/2023 não traz um rol de testes permitidos em farmácias. Portanto, as listas que estão sendo noticiadas nos veículos de comunicação não foram elaboradas pela entidade, nem por ela validadas.  

Testes rápidos

Segundo Shcolnik, ao contrário do que muitas pessoas pensam, os testes rápidos não representam uma inovação. Eles já existem há décadas e foram projetados para uso em situações em que não seja possível realizar exames por um laboratório clínico, como desastres naturais ou guerras.

“Nós, profissionais de laboratório, conhecemos muito bem os benefícios e os riscos dos testes rápidos. Os benefícios são os resultados obtidos praticamente em minutos, mas o problema é que o funcionamento e o desempenho desses testes variam muito”, ressalta.

O primeiro alerta que ele faz quanto ao assunto é que esses testes são apenas para triagem. “Eles precisam ser confirmados em exames feitos em laboratórios clínicos. E o médico é o profissional mais indicado para solicitar exames e interpretar esses resultados”, salienta Shcolnik.

Convém lembrar que os testes rápidos não são produtos de consumo ou de mera conveniência. Eles podem ser úteis para apoiar os médicos em determinadas situações e devem estar vinculados à estratégia de cuidado em saúde.

Os exames feitos em farmácias não precisam de pedido médico, o que, dentro do contexto do cuidado em saúde, não faz sentido. “Recomendamos que, diante da suspeita de um problema, a população recorra a um médico, para que ele possa coletar a história clínica, realizar o exame físico e só então formular um pedido de exame em laboratório”, acrescenta o patologista clínico.

Na farmácia, o balconista ou mesmo o farmacêutico nem sempre é a pessoa mais apropriada e capacitada para fazer uma avaliação sobre o teste a ser feito. É importante salientar que um diagnóstico errado, baseado em um resultado falso de teste rápido, tem consequências drásticas, colocando em risco a saúde e a segurança dos pacientes. 

Shcolnik também destaca que a comunicação do resultado de alguns exames é obrigatória para possibilitar ao Ministério da Saúde ou às autoridades sanitárias o controle epidemiológico de algumas doenças. “Os laboratórios clínicos já fazem isso há décadas, e agora este é mais um desafio a ser cumprido pelas farmácias.”

Outro ponto a se considerar é o conflito existente. “A farmácia é o local onde se vende medicamento. Uma venda poderá ser induzida com base em resultados de um teste rápido? As autoridades competentes precisam se pronunciar”, alerta.

A RDC 786/2023 substitui a RDC 302/2005 e dispõe sobre os requisitos técnico-sanitários para o funcionamento de laboratórios clínicos, de laboratórios de anatomia patológica e de outros serviços que executam atividades relacionadas a exames de análises clínicas (EACs).Para auxiliar no entendimento da norma, a Anvisa divulgou a primeira edição de um documento com mais de 40 perguntas e respostas, que pode ser acessado aqui.

Prevenção de Acidentes de Trabalho: profissionais de medicina diagnóstica também estão expostos a riscos

As ações são direcionadas à redução do risco de exposições a agentes químicos, biológicos, físicos e ergonômicos

A celebração do Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, em 27 de julho, é uma oportunidade valiosa para lançar luz sobre o tema e estimular a reflexão acerca dessas questões, fortalecendo o compromisso com a segurança em todos os setores, incluindo a medicina diagnóstica.

Assim como em qualquer outro ramo de atividade, os profissionais da área estão expostos a riscos ocupacionais que podem resultar em doenças e acidentes de trabalho. A prevenção envolve uma abordagem multidimensional, que inclui medidas de segurança, monitoramento da saúde, treinamento adequado e atualizações constantes, além de conscientização e adoção de políticas de segurança no local de trabalho.

“As ações são direcionadas à redução do risco de exposições dos profissionais a agentes químicos, biológicos, físicos e ergonômicos”, conta Paulo R. Leal, Coordenador Médico Corporativo do Programa Viver Melhor, do Grupo Fleury, membro do Comitê de RH da Abramed e membro do Comitê Científico da Associação Paulista de Medicina do Trabalho (APMT).

No que diz respeito aos agentes químicos, é importante que os profissionais estejam capacitados e sejam permanentemente treinados para manipular e armazenar substâncias químicas de forma segura, bem como para utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas, aventais e óculos de segurança. “Além disso, é necessário estabelecer e divulgar protocolos de higiene e descontaminação, a fim de reduzir o risco à saúde nos casos de exposições acidentais a produtos químicos tóxicos”, explica Leal.

Em relação aos agentes biológicos, frequentemente, os profissionais lidam com amostras de sangue, fluidos corporais e materiais biológicos diversos. Nesse sentido, é fundamental seguir as diretrizes de biossegurança, que incluem a adoção de práticas adequadas de coleta, transporte e descarte de amostras biológicas. O uso de barreiras de proteção, como luvas, máscaras e aventais, é essencial para prevenir a exposição a patógenos.

Leal lembra, também, que os colaboradores devem receber treinamento em ergonomia, uma vez que muitas atividades envolvem movimentos repetitivos, posturas inadequadas e levantamento de peso. “A ergonomia adequadamente aplicada aos ambientes de trabalho auxilia na prevenção de lesões musculoesqueléticas, bem como contribui para promover um ambiente de trabalho mais seguro e saudável”, acrescenta.

A conscientização e a comunicação são aspectos essenciais na prevenção de acidentes. É importante que os profissionais estejam cientes dos perigos existentes, conheçam a dimensão dos riscos associados ao seu trabalho e sejam capazes de relatar condições inseguras ou práticas inadequadas. Ações direcionadas à promoção de uma cultura de segurança, com a participação ativa de todos os colaboradores, podem contribuir significativamente para a redução de acidentes.

Também é preciso atenção aos exames de saúde regulares, incluindo os ocupacionais, para detectar precocemente possíveis problemas. Além disso, como o trabalho pode ser exigente e estressante, é necessário buscar apoio emocional. “É importante, ainda, adotar estratégias de gerenciamento do estresse, como praticar exercícios físicos, relaxamento e cuidar do bem-estar mental”, expõe Leal.

Medicina nuclear

Acidentes envolvendo a radiação utilizada em exames de imagem podem resultar na contaminação de salas, pacientes e trabalhadores. Para preveni-los, é importante tomar algumas atitudes, como minimizar a exposição contínua na sala de exames.

É recomendável estabelecer uma escala de atividades para que os profissionais não fiquem expostos por longos períodos no local. Doses pequenas de fármacos radiológicos ou exposições frequentes devem ser reduzidas para minimizar riscos à saúde. Existem limites de doses individuais aplicados a pessoas expostas que devem ser seguidos.

Outra atitude é restringir o acesso à sala de exames. Apenas as pessoas necessárias devem permanecer no local. Acompanhantes de pacientes, por exemplo, devem aguardar fora da sala durante o procedimento, evitando exposição desnecessária.

“Nos setores de diagnóstico por imagem, especificamente onde existam fontes emissoras de radiação ionizante, como radiografias ou tomografias, as colaboradoras gestantes devem ser afastadas das áreas controladas a partir da suspeita de gestação e, caso confirmada, devem ser direcionadas para atividades somente em áreas livres de radiação”, destaca Leal.

Em termos de infraestrutura, as paredes precisam ser revestidas com chumbo para prevenir contaminações, e deve haver apenas um equipamento de raios X por sala. Portas precisam permanecer fechadas durante os procedimentos, e o símbolo internacional de radiação ionizante deve ser afixado nelas para evitar acesso indevido. Todas essas medidas estão previstas na norma CNEN NN 3.05, sobre requisitos de radioproteção e segurança para serviços de medicina nuclear.

É fundamental que os profissionais recebam treinamentos adequados sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e as principais medidas de proteção relacionadas à radiologia. Esses treinamentos devem ser realizados no início da atividade profissional e atualizados regularmente. Além disso, materiais educativos podem ser disponibilizados para reforçar a importância do cumprimento dos protocolos de segurança.

A saúde e segurança dos profissionais de medicina diagnóstica são fundamentais para a prestação de um atendimento de qualidade e para evitar riscos ocupacionais. “Ao adotar esses cuidados, os profissionais estão protegendo a própria saúde e contribuindo para um ambiente de trabalho seguro e saudável”, finaliza Leal.

Desafios na saúde suplementar afetam sustentabilidade de toda a cadeia de saúde

É fundamental a utilização responsável dos recursos e a promoção de um diálogo constante entre todos os envolvidos. Tema foi debatido em Reunião Mensal de Associados da Abramed

De 2013 a 2023, o número de beneficiários com idades entre 20 e 39 anos diminuiu 7,6%, enquanto o de pessoas com mais de 60 anos aumentou em 32,6%, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Além disso, tem se tornado cada vez mais comum o reembolso assistido, prática ilegal que leva a operadora de plano de saúde a pagar por procedimentos que, muitas vezes, o beneficiário sequer realizou.

Vale lembrar, ainda, que os resultados das operadoras de saúde de 2022 foram os piores dos últimos 20 anos, de acordo com a ANS. Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo mostrou que o prejuízo operacional acumulado em 12 meses foi de R$ 11,5 bilhões. Essa crise na saúde suplementar afeta a sustentabilidade de todo o sistema e precisa ser analisada com a devida atenção. 

“A Abramed tem plena consciência de que suas associadas dependem do setor privado, por isso acompanhamos de maneira muito próxima e consciente todos os movimentos que acontecem e que podem impactar essas empresas”, disse Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, durante a Reunião Mensal de Associado da Abramed (RMA) de junho, realizada em São Paulo.

Para assegurar o equilíbrio econômico e financeiro dos planos de saúde, é fundamental adotar uma abordagem responsável na utilização dos recursos disponíveis, além de promover um diálogo constante entre as operadoras, a ANS, as empresas contratantes, os prestadores de serviços e os representantes dos beneficiários.

“Há muito tempo estamos falando da insustentabilidade do setor e entendemos que os prestadores de saúde precisam se unir para fazer as mudanças. Quando falamos de combate aos desperdícios e às fraudes, precisamos de ações práticas para que o impacto causado nas operadoras não afete toda a cadeia”, comentou Aline Araujo Giovannetti, diretora de negócios na Dasa.

Segundo ela, a fonte pagadora acaba negando alguns atendimentos que não julga pertinentes, sem uma análise profunda, mas é preciso entender que o pedido médico é mandatório. “Não adianta adotar maneiras simplistas de controlar o sinistro e repassar para o prestador uma responsabilidade que não é apenas dele. Precisamos trazer outras ferramentas, estar abertos a novos modelos”, expôs.

A falta de recursos também se reflete no investimento em novas tecnologias. De acordo com Patricia Frossard, country manager Brazil da Philips, não adianta desenvolver um equipamento extremamente tecnológico se ele não for absorvido pelo mercado nas atuais condições. “Por isso, procuramos apoiar o setor oferecendo soluções que ajudem as empresas a passarem pelas dificuldades e se adequarem à nova demanda, como softwares que contribuem para a conectividade, a integração e o aumento da produtividade. Equipamentos voltados para telemedicina e desospitalização também colaboram na redução de custos”, compartilhou a executiva.

O Brasil voltou para o mapa da indústria global da Philips porque a economia está se apresentando melhor que a de outros países. No entanto, é necessário mais, segundo Patricia. “Nossa complexidade tributária precisa ser melhorada. Se a reforma tributária fizer isso sem elevar os custos, conseguiremos aumentar os negócios no Brasil, trazer inovação para o país e oferecer melhores preços.”

Complexo da Saúde 

No âmbito da produção e inovação, o governo federal retomou recentemente as atividades do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que tem medidas para reduzir a dependência do país e assegurar o acesso universal à saúde. A meta do governo federal, segundo a ministra da Saúde, Nísia Trindade, é produzir 70% das necessidades do Sistema Único de Saúde (SUS) do país em até dez anos.

Segundo Patricia, é importante o retorno desse assunto com a ministra, mas a meta é bastante ambiciosa. “Parte do orçamento da pasta pode ser direcionada para financiar a inovação no Brasil, mas também é importante a participação estrangeira. Não podemos nos fechar para a troca com outros países, porque corremos o risco de ficar de fora do cenário de inovação mundial. No entanto, outros fatores precisam contribuir para isso, ou seja, a reforma tributária e a da previdência, além da desoneração de folha, são agendas que devem caminhar com as demais. Precisamos de um projeto de Estado e não de governo”, disse. 

O retorno a essa pauta reafirma o que o governo federal valoriza: a industrialização e a nacionalização, como apresentou o jornalista Fábio Zambeli, vice-presidente executivo do Ágora, durante a RMA. 

Em abril, o governo federal criou o Grupo Executivo do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Geceis), para promover articulação governamental e formular medidas que fortaleçam a produção e a inovação no país na área da saúde. O Geceis é parte de um programa de investimentos voltados à inovação, tecnologia e desenvolvimento regional no sentido de viabilizar a expansão da produção nacional.

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, tem estimulado o desenvolvimento do Complexo da Saúde, como destacou Claudia Cohn, integrante do Conselho de Administração da Abramed. “A tendência agora é uma atuação mais prática a partir da implantação de um cronograma”, disse.

Atualmente, o setor da saúde representa 10% do Produto Interno Bruto, garante a geração de 25 milhões de empregos diretos e indiretos e responde por um terço das pesquisas científicas no país.

Abramed celebra 13 anos valorizando o papel da medicina diagnóstica na cadeia da saúde

O compromisso com a ética e a transparência tem fortalecido sua atuação como protagonista para um setor mais sustentável

Em 14 de julho de 2023, a Abramed completou seu 13º aniversário e reforçou sua missão de promover a sustentabilidade e a integração da cadeia da saúde, comemorando uma série de realizações que vem impactando positivamente não só a área de diagnóstico, mas também todo o setor. Sua criação é resultado de esforços conjuntos de empresas de medicina diagnóstica, que reconheceram a importância de uma ação unificada na defesa de causas comuns.

A associação mantém diálogo aberto com diversos atores do setor, influenciando comportamentos éticos e transparentes, atuando de forma objetiva e imparcial. Entre seus objetivos estão promover o debate, mostrando o valor da medicina diagnóstica, estimular o uso racional de exames e equilibrar o sistema de saúde. Focando na geração de valor, fomenta as melhores práticas por meio de inovação e conhecimento, gestão profissionalizada, aprimoramento do benchmarking, governança, ética e compliance.

“A Abramed defende os interesses do setor de forma abrangente em nível nacional, com uma forte atuação política-regulatória, estando constantemente envolvida em debates e discussões com órgãos reguladores, autoridades governamentais e outras entidades para garantir que as necessidades do setor sejam atendidas”, salienta Milva Pagano, diretora-executiva da entidade.

O relacionamento com entidades setoriais é parte inabalável da agenda da associação. “Atuamos em conjunto tanto com operadoras de planos de saúde, quanto com organizações que congregam outros prestadores de serviços. Isso sem falar do relacionamento com entidades sindicais. Considero essa iniciativa essencial para fortalecer a representatividade da área de saúde frente aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”, expõe Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Atuação prática

Com seus Comitês e Grupos de Trabalho, responsáveis pelo planejamento e pela implantação de ações que geram impacto coletivo e positivo para o segmento de forma geral, a entidade promove a discussão de temas relevantes, como, mais recentemente, a reforma tributária, aprovada pelo plenário da Câmara.

Juntamente a outras entidades, a Abramed é protagonista no projeto que prevê ao setor da saúde um abatimento de 60% sobre a alíquota padrão, conferindo tratamento diferenciado ao segmento. “Estamos sempre prontos a atuar na construção de um sistema mais eficiente e integrado”, destaca Milva.

Além disso, a associação também atuou nas medidas necessárias sobre o piso salarial de enfermagem em virtude da falta de sustentabilidade financeira para arcar com os custos e da disparidade existente entre as diferentes realidades nas regiões do Brasil, apesar da importância e merecido reconhecimento da categoria.

Outro tema de importância para o setor foi a revisão da RDC 302/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece os requisitos técnico-sanitários para o funcionamento de laboratórios clínicos e serviços relacionados a exames de análises clínicas no Brasil. 

Após extensas audiências e consultas públicas, nas quais a Abramed teve papel fundamental, a norma foi substituída pela RDC 786/2022, que entrará em vigor a partir de 1º de agosto deste ano. “Essa medida impacta de maneira positiva o setor, visando melhorar o acesso da população aos cuidados de saúde, além de assegurar a qualidade dos exames de análises clínicas realizados no país”, declara a diretora-executiva.

Para o futuro

Ao longo desses 13 anos, a Abramed ganhou robustez e está cada vez mais consolidada, fazendo parte de todas as transformações que impactam o setor de medicina diagnóstica. “Reconhecida por ter em seu quadro de associados empresas de grande porte, a entidade também foca nas de médio porte, tendo ciência de que suas conquistas beneficiam todo o setor”, comenta Milva.

Suas associadas representam cerca de 60% do volume de exames realizados na saúde suplementar do Brasil, e a meta é expandir ainda mais a representatividade, trazendo empresas de todos os portes em busca de pluralidade e diversidade. Milva lembra que a entidade é guardiã de uma política de compliance e de boas práticas, e que estar adequada a esses critérios é condição para se associar. 

Visando ampliar sua atuação, a Abramed implantou um novo comitê sobre interoperabilidade, para tratar especificamente da comunicação e da troca de informações entre diferentes sistemas de informação. Este tema já faz parte da agenda de gestores e formuladores de políticas de saúde há alguns anos. Outros países mais desenvolvidos e com sistema de saúde mais bem estruturado já desenvolveram soluções de interoperabilidade que estão sendo aplicadas com muitos benefícios para pacientes e para o sistema de saúde, como explica Shcolnik.

“Mas no Brasil, embora tenhamos padrões definidos pelo Ministério da Saúde desde 2011, estamos atrasados na implementação dessa ferramenta”, conta o presidente. A Abramed entende que na área de medicina diagnóstica, adotar o padrão de codificação de exames laboratoriais LOINC é fator crítico de sucesso para a interoperabilidade. “No momento, estamos trabalhando com o Instituto HL7 e a Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) na tentativa de retomarmos e acelerarmos esse tema para gerar resultados concretos”, acrescenta Shcolnik.

Analisando o mercado, as expectativas para o futuro incluem a expansão dos ecossistemas, que consistem na união de diferentes empresas e serviços em um ambiente colaborativo. “Ao melhorar a eficiência, reduzir desperdícios e promover uma abordagem mais centrada no paciente, é possível garantir a viabilidade financeira e a qualidade dos serviços oferecidos. Temos um importante papel em promover, cada vez mais, essa visão”, acrescenta Milva.

Outro tema que merece atenção é a incorporação tecnológica. “Dependemos muito de novos métodos analíticos e tecnologias de informação, por isso, é importante discutir a inserção de Inteligência Artificial como ferramenta para oferecer mais precisão aos exames e, quem sabe, as tão desejadas predições, assim como a aplicação de aprendizado de máquina. Muitas empresas do nosso setor já contam com cientistas de dados, portanto, esse é um assunto que vai desafiar a Abramed no futuro”, adiciona Shcolnik.
A expectativa é que a cada aniversário, a Abramed possa comemorar ainda mais conquistas e colaborar para o desenvolvimento da cadeia de saúde, sempre com ética, transparência e integração com outros stakeholders, tendo o cuidado ao paciente como bússola norteadora.

Futuro do diagnóstico envolve expansão da genômica e uso inteligente dos dados

Especialistas em análises clínicas revelam desafios e tendências que influenciam a sustentabilidade do setor de Saúde no Brasil

Uso inteligente dos dados, descentralização do diagnóstico e expansão da genômica estão entre as tendências que têm o potencial de trazer avanços significativos para o setor da saúde e contribuir para a sustentabilidade de todo o sistema. O aumento do volume de exames e o surgimento de novos biomarcadores, principalmente no diagnóstico do câncer, também podem ser citados.

Outra tendência importante para gerar resultados significativos é a descentralização do diagnóstico, desde que feita com segurança e seguindo os protocolos adequados. Segundo Gustavo Campana, vice-presidente da Alliança Saúde, poder realizar exames em locais mais próximos dos pacientes, como farmácias, postos de coleta e consultórios médicos, facilita o acesso aos serviços de saúde e agiliza o início do tratamento.

Essa possibilidade de expansão surgiu com a atualização da RDC 302/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que trata dos requisitos técnico-sanitários para o funcionamento de laboratórios clínicos, de laboratórios de anatomia patológica e de outros serviços que executam atividades relacionadas a exames de análises clínicas (EACs) no Brasil. Essa medida exige ainda mais atenção à segurança nos procedimentos.

Segundo Campana, uma mudança de dinâmica relevante que pode ser observada é a inversão da posição do laboratório clínico em relação ao médico prescritor. “Em vez de apenas atender às solicitações dos médicos, os laboratórios podem se posicionar como fornecedores de pacientes diagnosticados, conectando-os aos especialistas adequados no momento certo. Essa mudança trará eficiência para o processo e menor tempo de atendimento, sendo significativa tanto para o setor quanto para o paciente”, considera.

Desafios

Além das tendências, há alguns desafios. No caso dos painéis integrados de biomarcadores, Carlos Eduardo Ferreira, patologista clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e um dos líderes do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, cita a precificação e a viabilidade de sua aplicação na medicina de precisão.

Ele ressalta que a tecnologia vem ganhando sensibilidade analítica, mas há poucos novos parâmetros sendo colocados no setor. Nesse ponto, May Chen, general manager Brasil, Canadá e Estados Unidos da Snibe, compartilha a experiência da empresa chinesa especializada em equipamentos para laboratórios clínicos e reagentes de diagnóstico in vitro

“Lançamos pelo menos dez novos parâmetros por ano, levando em consideração a demanda do mercado. Essas necessidades são identificadas por meio de pesquisas com clientes, inclusive laboratórios. Em um período de um ano e meio, os parâmetros comercializados para o mercado global cresceram de 185 para 211”, comenta May, destacando o crescimento da operação da empresa no Brasil.

Outra questão importante a ser enfrentada é a fragmentação do mercado. “Não conhecemos os desafios dos outros agentes da cadeia, os interesses são conflitantes, mas estão velados”, diz Campana. Sobre esse ponto, Alex Galoro, diretor médico do Grupo Sabin e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, lembra que, em sua época de residência, pensava que a patologia clínica perderia a importância porque se acreditava que o laboratório seria apenas um produtor de exames.

“No entanto, evoluímos para compreender a relevância do laboratório e dos especialistas em diagnóstico, que conhecem as ferramentas disponíveis para realizar diagnósticos mais precisos. Porém, no modelo atual, marcado pela desconfiança, ainda é difícil avançar porque há uma crença de que cada um está tentando enganar o outro”, diz.

Integração de dados

Um tema relevante que deve se desenvolver em curto prazo – até por pressão do setor e das fontes pagadoras – é o uso mais inteligente dos dados gerados. O valor dos laboratórios não se resume à realização dos exames, ele também está na forma como essas informações são utilizadas.

“O compartilhamento de dados entre os diferentes atores do sistema de saúde já é uma realidade e está sendo utilizado para estratificação de riscos e projeção de sinistros. A sustentabilidade do setor está relacionada ao uso racional dessas informações”, expõe Campana.

Ainda falando em tecnologia, espera-se que ela permita a escalabilidade de áreas como a genômica, em que há desafios a superar. Mas isso pode demorar um pouco, de acordo com o vice-presidente da Alliança Saúde.

Um dos principais obstáculos enfrentados pelos laboratórios clínicos é a implementação de sistemas laboratoriais (LIS, na sigla em inglês) de forma eficiente. Anteriormente, os processos de cadastro e registro de informações eram manuais, mas hoje em dia se depende cada vez mais da tecnologia da informação. “O uso de novos devices e a conectividade com todo o sistema são fundamentais para garantir a segurança e a confiabilidade dos processos”, diz Ferreira.

Outro desafio é progredir com a padronização e a estruturação dos dados utilizando o LOINC, sistema de código universal para identificar informações clínicas em registros eletrônicos. “Muitos laboratórios estão trabalhando nisso, o que permite a tomada de decisões mais rápida tanto no aspecto técnico-operacional quanto no gerencial. Essa integração de dados veio para ficar”, ressalta o patologista clínico do Hospital Albert Einstein.

Ainda sobre estruturação de dados, ele considera que áreas como Anatomia Patológica e Radiologia estão avançando nesse campo. O uso de Inteligência Artificial (IA) já é realidade em alguns laboratórios, como no Einstein, contribuindo para diagnósticos mais precisos. Segundo Ferreira, a utilização prática dos dados está apenas começando, mas já existem modelos em funcionamento que são extremamente úteis nas tomadas de decisões médicas.

Outra tendência na área de saúde que traz benefícios também do ponto de vista econômico, segundo Campana, é a verticalização virtual, que se refere à integração de diferentes serviços e recursos de saúde em uma plataforma online única. Isso pode incluir consultas médicas virtuais, agendamento de consultas, acesso a registros médicos eletrônicos, pedidos de exames laboratoriais, entrega de medicamentos, acompanhamento de saúde, entre outros. No entanto, ele chamou a atenção para o fato de que os médicos precisam fazer parte disso.