Cultura acolhedora das lideranças contribui para o crescimento das empresas

Líder deve atuar com empatia para a construção de um ambiente de confiança, visando ao bem-estar dos colaboradores

13 de julho de 2021

O líder tem papel fundamental como facilitador e tradutor da cultura organizacional para os liderados, é responsável por conduzir a equipe para atingir os objetivos da companhia. E a liderança que atua na área de saúde trabalha com algo muito valioso que é a vida das pessoas, o que traz responsabilidade ainda maior e aumenta os desafios na busca contínua por melhorias.

Como o mundo mudou, evoluiu e ficou mais dinâmico, os responsáveis por liderar as equipes nas organizações atualmente têm de ter um diferencial que pouco se via antigamente: a diversidade na era da tecnologia, em que as informações chegam de forma rápida e que os times exigem mais transparência e participação nas decisões.

“O líder do século passado, muitas vezes, era autoritário o que hoje dificilmente funciona. A liderança deve atuar com muito mais empatia e democratização do conhecimento, participação ativa das equipes e como facilitadora nos processos de trabalho”, explica Lucilene Costa, gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury e diretora do Comitê de RH da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Em um cenário de pandemia, algumas características de gestão de pessoas são importantes e precisam ser valorizadas. Segundo Lucilene, diante de tanta incerteza e insegurança, o líder precisa ter humildade para assumir quando não tem as respostas e a algumas características são fundamentais para enfrentar qualquer tipo de crise.

A especialista lista como iniciativas mais importantes: a comunicação clara e realista do momento; manter a serenidade e otimismo para equipe entender que sempre haverá caminhos a serem percorridos, mas que todos estão ligados ao mesmo propósito; buscar e se apoiar em ações conforme os problemas forem surgindo; ser empático, entendo que cada um reage à crise de uma forma; não adiar decisões, mesmo que difíceis; revisar os objetivos e metas traçados anteriormente; cortar custos; e manter o olhar no longo prazo

“Enfim, é estar aberto para o novo, entender que a crise, na maioria das vezes, tira as pessoas da zona de conforto e que novas ideias surgem, assim como muitos processos precisam ser revisados”, ressalta Lucilene.

Também é preciso lembrar que o líder é humano e não um super-herói, então, diante dos problemas que afetam um colaborador ou a equipe, a gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury sugere mapear a situação, dividi-la em fases e buscar apoio de áreas especialistas, como RH, Departamento Médico, ou fóruns e grupos que tratem do tema na organização.

“As questões geralmente são deflagradas por fatores multicausais, por isso, o líder não deve apostar numa fórmula mágica. São diversos desafios e para cada um cabe uma série de ações, desde iniciativas de cuidado à saúde do colaborador até outras ações governamentais de apoio ao trabalhador, como orientação jurídica e financeira”, diz Lucilene, para quem a construção de um ambiente seguro e empático é tão importante quanto a promoção de ações de bem-estar ou o estabelecimento da confiança como base para todas as relações nas empresas.

As organizações, para a especialista, precisam dar atenção ao clima organizacional, serem claras em suas comunicações e, na medida do possível, garantir flexibilidade e autonomia ao trabalho na rotina diária.

“Essas são algumas ações práticas que podem ajudar na redução do estresse e para que as pessoas se sintam mais compreendidas e dispostas a falar sobre seus sentimentos”, afirma Lucilene.

Saúde mental

A pandemia mudou a realidade, os aspectos sociais, pessoais e a relação com o trabalho. O novo cenário fez surgir também um outro ponto de atenção aos gestores: a saúde mental dos colaboradores e como mantê-la em dia.

O acolhimento e o pertencimento nunca foram pontos tão importantes de união da gestão e da cultura empresarial nos cuidados com os aspectos emocionais e mentais dos trabalhadores.

Nesse contexto, segundo Lucilene Costa, cada indivíduo deve ser visto e entendido como biopsicossocial e o desafio para o líder está em gerir pessoas em diferentes estágios, sabendo escutar, orientar, dar feedback e apoiar de forma a tornar o indivíduo cada vez mais autônomo.

“Isso gera um ambiente agradável, sentimento de trabalho em equipe, desperta a humanidade, estimula a capacidade analítica, traz reflexões e tomadas de decisões mais assertivas. Sendo o resultado benéfico para todos”, esclarece a gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury.

Para as empresas de medicina diagnóstica, que assim como outros setores da saúde também vêm tendo papel fundamental na luta contra a Covid-19, com um trabalho contínuo, equipes de forma geral se desdobrando para atender à enorme demanda de casos, e não só o volume, mas o tempo que já perdura a pandemia, o agravo para a saúde mental dos trabalhadores também tem acontecido.

“Por um lado, esses profissionais têm o propósito legítimo do cuidado e do outro, o cansaço e o estresse de também ter o incerto em sua frente, familiares em casa com medo de contaminação, perdendo entes queridos e se expondo aos riscos do dia a dia”, alerta Lucilene.

A situação dos agravos em saúde mental não é uma situação nova. A cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem divulgando o elevado número de casos de suicídio, pessoas com depressão e estresse generalizado e, por consequência, aumento no número de afastamentos previdenciários e de pessoas impossibilitadas de retornarem aos seus postos de trabalho por doenças mentais. A síndrome de Burnout (distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema relacionada ao trabalho) tornou-se uma das causas recorrentes de dias de trabalho perdidos.

“Vemos hoje alta carga horária, dupla jornada de trabalho, esgotamento físico e mental. A durabilidade da pandemia e a incapacidade do governo em estruturar políticas públicas claras e falíveis também têm gerado o esgotamento dos trabalhadores”, lamenta a especialista.

Outro obstáculo quando o tema é a saúde mental é o preconceito. Procurar um psicólogo ou um psiquiatra ainda é um tabu muito grande, mesmo dentro do setor da saúde, e isso aumenta a gravidade da doenças emocionais e mentais.

“Profissionais de saúde são educados nos bancos das universidades ou durante seus cursos técnicos a cuidar e olhar a saúde do outro, pouco consideram olhar sua própria saúde. A automedicação ou tratamento no corredor, com algum colega próximo, impera na maioria das vezes”, adverte Lucilene.

Por isso, ela afirma ser fundamental que as lideranças, frente aos problemas de saúde mental nas organizações, hajam com humanidade, entendendo que hoje o sofrimento é de determinado colaborador e amanhã pode ser deste líder.  

“A empatia é o melhor remédio para a quebra do preconceito, assim como as rodas de conversas falando sobre as fragilidades das situações e aflições que acontecem com todos, lembrando que cada pessoa é única e enfrenta as intempéries de forma particular. Então, observar a equipe, conversar, entender as fraquezas e fortalezas para apoio mútuo é a melhor forma de agir”, acredita a gerente de Saúde do Grupo Fleury.

O impacto da cultura acolhedora das lideranças, na opinião de Lucilene, é benéfico e mútuo e ainda contribui para o crescimento das empresas.

“Pensemos nas organizações como organismos vivos que cada um é uma parte do todo. Empresas que trabalham com esta cultura crescem e são duradoras. No fim todos aprendem, crescem e ganham”, destaca Lucilene.

Ela ainda salienta ser importante que as instituições conheçam seus colaboradores, avaliando o perfil demográfico, epidemiológico e cultural, para que, com olhar mais amplo para o cuidado dos seus trabalhadores, adote políticas de benefícios mais claras e coordenadas com o seu público. “A recomendação é atenção holística à saúde do colaborador”, finaliza.

Com retomada econômica após COVID-19, setor de diagnóstico por imagem conta com a tecnologia para se desenvolver

Irineu Monteiro, da Carestream Brasil, fala sobre como a inovação pode ajudar a sanar os desafios que estão por vir

7 de julho de 2021

Em entrevista exclusiva à Abramed em Foco, Irineu Monteiro, CEO da Carestream Brasil, reconhece o grande sofrimento que a pandemia de COVID-19 vem gerando desde que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo no início de 2020. Porém, com a imunização que está avançando, o executivo é otimista ao falar do período pós-pandemia, que deve envolver uma boa recuperação econômica para o setor de diagnóstico por imagem, fundamental para que a sociedade possa retomar os cuidados preventivos.

Confira o papo na íntegra.

Abramed em Foco – Quais foram os principais desafios da Carestream ao longo da pandemia? E como a empresa atuou para vencê-los?

Irineu Monteiro – Já estamos em julho de 2021 e temos a impressão, pelo menos aqui no Brasil, que o ano de 2020 teima em não acabar. Desde o início de 2020 o mundo está sendo desafiado a superar o sofrimento, a dor e as sequelas deixadas por um cenário desolador decorrente da pandemia do novo coronavírus. As pessoas, as famílias, os negócios, a sociedade em geral, estão enfrentando uma realidade diferente da qual estavam acostumadas a encarar até o final de 2019. Estamos sendo obrigados a encontrar novas formas de trabalho, soluções criativas, diferentes maneiras de fazer negócios e flexibilizações que pareciam impossíveis pouco tempo atrás. Esta é a nova realidade a qual todos nós estamos expostos e para a Carestream não tem sido diferente.

Desde o ano passado, as funções administrativas e de suporte, passaram a operar de forma remota no modelo home office. As atividades que requerem presença física dos nossos colaboradores, caso de Manufatura e Logística, se adaptaram aos procedimentos sanitários recomendados pelas autoridades e especialistas da área. Os times de Engenheiros de Campo e Gerentes de Contas, continuam a atender nossos clientes, visitando clínicas, hospitais e laboratórios, porém seguindo protocolos rígidos de higiene e proteção pessoal para evitar contaminação.

Abramed em Foco – A divisão de diagnóstico da empresa teve um desempenho muito diferente das outras áreas?

Irineu Monteiro – A pandemia de COVID-19 atraiu muito interesse da área de radiologia e dos profissionais do segmento de Diagnóstico por Imagem, pois a radiografia torácica é um dos primeiros e mais econômicos exames feitos em pacientes com dificuldade respiratória. Muitos serviços de radiologia sofreram uma redução significativa nos exames quando a infecção pela COVID-19 atingiu seu pico. A queda na receita afetou as equipes, assim como o resultado dos departamentos de radiologia. A grande maioria dos hospitais e clínicas de imagem por diagnostico precisaram adotar soluções criativas e versáteis para superar os novos desafios.

A Carestream vem inovando no desenvolvimento das suas soluções, não só na parte física (hardware) mas principalmente na parte de inteligência (software), como por exemplo a solução Smart Grid, que acompanha a recém lançada sala de Raios X, o DRX Compass, que simula o efeito da grade, trazendo uma imagem melhor definida, a qual permite a realização de exames em pacientes acamados e/ou com limitações de movimentação, sem a necessidade de uma grade física e proporciona uma melhor resolução de imagem e comodidade ao paciente sem a necessidade de remoção para exames na mesa.

O setor de saúde demanda e a Carestream está sempre buscando e desenvolvendo soluções para tornar o atendimento aos pacientes mais eficaz; este cenário se tornou ainda mais crítico durante a pandemia de COVID-19 que estamos enfrentando desde o início de 2020.

No âmbito da obtenção de imagens médicas, isso significa aprimorar o diagnóstico utilizando a menor dose possível, mantendo o nível de qualidade diagnóstica das imagens. E a Carestream entende que existem quatro fatores críticos para aprimorar o diagnóstico por imagem, mantendo a menor dose possível:

  1. A aquisição mais rápida das imagens permite melhor qualidade das mesmas para um diagnóstico acurado
  2. Ganhos em eficiência de dose ideal
  3. Captura de imagens em 2D evoluindo para 3D
  4. Inteligência Artificial como ferramenta auxiliar para a análise de imagens médicas

Abramed em Foco – Quais as perspectivas da Carestream para o pós-pandemia no Brasil? Há potencial para crescimento?

Irineu Monteiro – A Carestream enxerga o pós pandemia com muito otimismo. Acreditamos em uma retomada robusta econômica no Brasil, especialmente para o setor de saúde, pois haverá o retorno vigoroso de exames e procedimentos eletivos que foram praticamente paralisados ou sofreram uma redução significativa devido ao temor das pessoas em seguir com estes exames e procedimentos ou ainda por limitação das entidades de saúde que estão com maior prioridade no tratamento de pacientes contaminados pelo coronavírus.

Além destes fatores, outra tendência que moldará o futuro da radiologia será o aumento das doenças crônicas, tais como doenças cardíacas, câncer e diabetes. As estimativas é que estas doenças crescerão de forma exponencial nos próximos anos, demandando exames de imagens para o diagnóstico e prevenção.

Abramed em Foco – A pandemia bloqueou – ou atrasou – os investimentos em tecnologia, automatização e inteligência artificial do setor de diagnóstico por imagem? Ou mesmo diante da crise os projetos conseguiram avançar?

Irineu Monteiro – A pandemia trouxe muito sofrimento e desafios, mas ao mesmo tempo criou oportunidades e pressionou a sociedade, empresas e governos a encontrarem soluções para o diagnóstico de doenças de forma mais rápida, com maior precisão e maior segurança para os pacientes.

A Carestream está comprometida em trazer ao mercado soluções aos nossos clientes, disponibilizando um portifólio de produtos com recursos avançados que superem suas expectativas a um custo competitivo. Em meados de 2021, lançou o Detector Focus 35 C e 43 C, que fornecem alternativa acessível e econômica para que nossos clientes possam realizar upgrade das suas operações de exames de radiologia baseadas em filme de Raio – X ou de Radiologia Computadorizada, para um modelo de operação de diagnóstico por imagem totalmente digital.

Abramed em Foco – Sabemos que a COVID-19 trouxe uma necessidade emergencial de otimizar os processos de diagnóstico a fim de expor o paciente ao menor risco possível. Quais os caminhos para que consigamos tornar os exames mais eficazes, principalmente no setor de imagem?

Irineu Monteiro – Para atender a demanda de exames para pacientes em centro de terapia intensiva ou com limitação de movimentação, a Carestream expandiu a produção e aprimorou a sua solução de Raio-X Móvel, DRX Revolution, que produz imagens de radiografia digital de alta qualidade em tempo real para auxiliar no diagnóstico do paciente quando e onde for necessário.

Estas soluções estão suportadas por recursos de softwares desenvolvidos pela Carestream, habilitados por inteligência artificial e algoritmos avançados que tornam os departamentos de radiologia mais produtivos e eficientes.

Abramed em Foco – Temos, hoje, um cenário que mescla uma população em envelhecimento, aquelas pessoas acometidas pela COVID-19 e que podem sofrer com algumas sequelas relativas à infecção, e um grupo grande de pessoas que deixaram de realizar seus exames de rotina ou de diagnosticar diversas doenças por medo de sair, ir ao médico e se expor. Como a medicina diagnóstica, com foco no setor de imagem, poderá trabalhar para reverter um cenário complicado de diagnósticos mais urgentes e atrasados?

Irineu Monteiro – O rápido crescimento da população idosa alcançará cifras recordes no Brasil nos próximos 40 anos, com isso o país terá que lidar com uma estrutura etária desfavorável do ponto de vista econômico e de produtividade e precisa se preparar para lidar com esta realidade e as consequências deste novo cenário demográfico. A tecnologia e a inovação são aliadas fundamentais para que possamos superar as dificuldades e os desafios apresentados por esta nova realidade.

Dentro disso, a Carestream está comprometida em trazer ao mercado soluções aos nossos clientes, disponibilizando um portfólio de produtos com recursos avançados que superem suas expectativas a um custo competitivo.

O setor de saúde tem buscado há anos, focar mais na prevenção do que no tratamento de pacientes com enfermidades, entretanto esta tendência foi duramente impactada com a chegada do coronavírus. Estamos otimistas que em breve as instituições de saúde voltarão a expandir o foco na realização de exames para prevenção das doenças e estarão trabalhando com os pacientes para ajudá-los a manter uma vida saudável.

Abramed em Foco – Por sua vasta extensão territorial, temos muitos vazios assistenciais no Brasil. Locais onde ainda faltam equipamentos para diagnósticos que são rotineiros nas grandes capitais. Como a indústria do diagnóstico por imagem pode auxiliar na ampliação do acesso? Existem, por exemplo, ferramentas que estão sendo testadas e implementadas para garantir o telediagnóstico seguro?

Irineu Monteiro – O processo de urbanização no mundo é caracterizado pela transformação dos espaços rurais em espaços urbanos. No Brasil, o processo de urbanização aconteceu com a maior parte das grandes formações urbanas localizada nas zonas litorâneas, mas entendemos que seguiremos ainda por muitos anos com uma densidade demográfica elevada nos principais centros urbanos do país, demandando aumentos constantes de serviços médicos que poderão ser supridos de forma mais adequada através da retomada do crescimento econômico, expansão do emprego formal e políticas de proteção social.

As regiões mais remotas e com menor densidade demográfica apresentam um enorme desafio para que a população destas geografias possa ter acesso a serviços de saúde de qualidade a um custo adequado. Também nestas regiões, a retomada do crescimento econômico, a redução do desemprego e políticas sociais customizadas são fatores críticos para equacionar e endereçar a demanda por serviços de saúde que atendam a população.

A tecnologia e a inovação são ferramentas de vital importância para solucionar a escassez de serviços médicos, tanto nas áreas urbanas como nas regiões mais remotas do nosso país. Inteligência Artificial em conjunto com “machine learning” e outros aspectos tecnológicos, potencializam o telediagnóstico seguro e tem causado uma revolução em muitos aspectos das nossas vidas e não é diferente no segmento de imagens médicas de diagnóstico.

Estas ferramentas têm ajudado os radiologistas a acelerar a triagem de pacientes, otimizar fluxos de trabalho, reduzir desperdícios e especialmente aprimorar o processo de diagnóstico. Empresas como a Carestream estão se tornando cada vez mais flexíveis e adaptáveis a fim de criar soluções eficazes para atender as várias regiões geográficas no Brasil e no mundo. Ocupamos uma posição de liderança no mercado de filmes médicos e temos expandido nossa atuação oferecendo soluções de Radiologia Computadorizada (CR), Radiologia Digital (DR), Equipamentos de Raio-X Móveis e Detectores.

Abramed em Foco – Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Irineu Monteiro – É um orgulho para nós da Carestream estarmos em associação com a Abramed. Esta entidade tem demonstrado elevada relevância na cadeia de saúde no nosso país e em especial na medicina diagnóstica. Seus dirigentes e associados são expoentes do setor de saúde no Brasil, com reconhecida capacidade de articulação, diálogo e apoio ao setor.

A edição anual do Painel ABRAMED tem sido uma base importante de informações sólidas e estratégicas para planejamentos de ações futuras e de entendimento de resultados de anos anteriores no mercado de medicina diagnóstica. Estamos ansiosos pela retomada dos eventos presenciais promovidos pela Associação, pois propiciam excelentes ambientes para troca de experiências e de desenvolvimento para todos os participantes.

Saúde no Brasil depois da Pandemia – Provocações para uma agenda de debate

Assinado por Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, artigo reflete sobre os principais pleitos do setor

* Antônio Britto, diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp)

Depois de 500 mil mortes, milhões de famílias destroçadas financeira ou emocionalmente e um país paralisado há ano e meio, o que pedir, além de uma imediata superação da pandemia?

Pessoalmente, tenho um sonho: que passado isso tudo o Brasil faça a mais efetiva e produtiva homenagem às vítimas da Covid e inicie, de forma construtiva e séria, uma grande revisão do nosso sistema de saúde.

Os problemas que a pandemia evidenciou, sabemos, existiam antes dela. O que ocorreu foi uma dolorida e intensa demonstração deles – das consequências da desigualdade social à má distribuição de nossos recursos humanos e tecnológicos; da falta de coordenação entre entes públicos ao desperdício na integração destes com o setor privado; da insuficiência de nossa pesquisa, por falta de políticas sustentáveis, a desestruturação do Ministério da Saúde.

A questão é: vamos virar a página, depois que a pandemia se for e não refletir nem mudar nada? Precisaremos esperar pela próxima pandemia? A Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, na permanente parceria com entidades como a Abramed, tem reunido seu Conselho, seus associados, dialogado com médicos, profissionais de saúde, acadêmicos, representantes de pacientes, pagadores e fornecedores de serviços. E discutido muito alguns temas que não sendo uma agenda completa e extensiva ao menos indicam pontos que não deveriam estar fora de mudanças que precisamos encarar com seriedade e em respeito a tudo que todos nós, nossos familiares e nosso País está sofrendo. Apresento aqui, com visão pessoal, uma breve síntese desses pontos.

1. MAIS FORÇA, GESTÃO E RECURSOS PARA O SUS. Deve começar, sim, pela saúde suplementar, da qual fazemos parte, o respeito à organização ditada pela Constituição e a solidariedade com o Brasil mais profundo e mais pobre. Vale dizer: como a pandemia mostrou, por maiores que sejam suas dificuldades, viva o SUS. Não são mais adiáveis a discussão sobre fontes novas de financiamento e uma urgente revisão da forma como ele é gerido e, principalmente, é coordenado entre os governos federal, estaduais e municipais, problema que a pandemia transformou em festivais diários de idas e vindas, conflitos e ineficiência entre autoridades ao longo desses últimos meses.

2. PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E PRODUÇÃO. A pandemia popularizou expressões como o insumo farmacêutico ativo, o IFA, e ao fazer isto denunciou o que se vive há anos: o Brasil consegue conciliar excelentes cientistas com, na média (como sempre) péssimas políticas de inovação. As boas, não se prolongam no tempo. Algumas bem-intencionadas acabam sendo dominadas por outros interesses. Então, passamos a ter dois tipos de cientistas brasileiros: os que fogem para o exterior na busca de condições à altura de seus talentos e os teimosos que insistem em aqui permanecer sem verbas, sem bolsas, sem segurança.  Quando descobrimos nossa constrangedora dependência de insumos farmacêuticos ou mesmo equipamentos hospitalares, estamos apenas reproduzindo o que já era o dia a dia do setor de saúde.  Por isso, repensar pesquisa, desenvolvimento e produção de forma moderna, integrada às melhores cadeias mundiais de produção, mas com forte estímulo ao nacional já era uma necessidade. Agora é uma emergência.

3. O PAPEL FUNDAMENTAL DA SAÚDE SUPLEMENTAR. A participação decisiva de hospitais privados, filantrópicos ou não; a intensa contribuição da rede de diagnósticos, liderada pela Abramed; o pagamento de serviços por empresas e cidadãos, através de operadoras de planos de saúde – tudo isto, espero, deve ter contribuído para que definitivamente tiremos do cenário o maniqueísmo entre os poucos que ainda defendem um País “só com SUS ou sem SUS.”  A mesma Constituição Federal de 1988 e a realidade brasileira – de interação e interdependência entre serviços públicos e facilidades privadas – deveria nos enviar à agenda real: como melhor integrar esses serviços. O que se fez no desespero com a falta de UTIS, nós deveríamos transformar agora em um construtivo exercício para evitar redundância, retrabalho e desperdício de profissionais e equipamentos em algumas regiões e escassez extrema em outras.

4. REDISCUTIR A FORMAÇÃO DOS MÉDICOS E DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE. De forma heroica, os recursos humanos do setor de saúde tiveram que aprender sobre a doença, enfrentar turbilhões de filas desesperadas e aprender a trabalhar de uma forma mais integrada. Revelou-se, pela milésima vez, a péssima distribuição dos recursos humanos pelo País e o caminho cada vez perigoso seguido na formação de médicos – o abandono, por falta de estímulos, dos generalistas, médicos de família, pediatras. Uma proliferação de cursos desacompanhados de qualificação mínima. A formação de quantidade de médicos mais que de médicos em condições de um exercício hoje exigido da profissão. Aqui, como em outros temas, a aumentar quantidade (desejável) não ser feita ao preço do abandono da qualidade e do rigor na formação.

5. DEFINIR BASES QUALIFICADAS PARA APOIAR ACESSO COM TECNOLOGIA. A pandemia teve minoradas algumas de suas consequências graças à vigorosa ampliação da utilização de tecnologia para tele consultas, telediagnósticos, enfim os benefícios da telemedicina. Vamos agora, através do exercício do papel regulador do Conselho Federal de Medicina e do poder legislativo do Congresso Nacional regulamentar essa questão. Temos aí chance extraordinária de ampliar acesso, aproximar o Brasil dos rincões desassistidos com o Brasil de excelência. Como fazer isso estabelecendo um equilíbrio realista entre a preservação do papel do médico e a necessidade de aumentar a presença da medicina? Como evitar que a telemedicina tenha como eixo a simples redução de custos em vez de ser acima de tudo ampliação qualificada de acesso integrado ao menor custo. Vale dizer: pela ordem acesso coordenado e com qualidade/dignidade depois o custo e não o contrário.

6. DAR SUSTENTABILIDADE A QUALIDADE. Não é privilégio do setor de saúde. No Brasil, dadas as médias precárias em setores como o nosso, mas também em educação, segurança, e tantos outros cria-se uma espécie de “ciúme” do que está bem-organizado, oferecendo qualidade, olhando e comparando-se aos melhores padrões mundiais. No jargão da retórica nacional, fala-se que isso “é coisa de Suécia”. Na pandemia, nosso lado “sueco”, através de hospitais e laboratórios acreditados ofereceu saber, distribuiu conhecimento e equipamentos de forma solidária, acelerou com eficiência pesquisas para vacinas, estabeleceu padrões e disseminou condutas ainda que em meio ao turbilhão causado pela Covid-19 e aos períodos de perda de receita e de recursos humanos. Os melhores resultados no tratamento vieram claramente de hospitais privados e públicos de excelência, com recursos tecnológicos atualizados, equipamentos sofisticados e gente, gente capacitada. Esses mesmos hospitais e laboratórios continuarão sendo penalizados pela obsessão de seguirem trabalhando atualização tecnológica e qualificação acreditada e certificada de pessoas, processos e gestão? Queremos estar mais próximos ou ainda mais distantes da “Suécia”?

7. O FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES PRIVADAS. Uma síntese muito precária do que ocorre hoje mostra um esgotamento do sistema previsto para estimular e financiar a saúde suplementar. Um país que oferece níveis baixíssimos de empregos qualificados e renda média retira boa parte das possibilidades de adesão a planos de saúde. Estes, concentram-se então em uma fonte pagadora essencial – as empresas que por sua vez, pressionadas pela crise econômica, reduzem seus aportes. O sistema fica então girando em torno de 45 a 50 milhões de vidas, mais ao sabor dos soluços para cima ou para baixo da economia do que de crescimento orgânico, números muito abaixo do que podemos e necessitamos. Em vez de rompermos os limites, os planos de saúde (ou na feliz expressão do Adriano Londres, “planos de doença”) pressionam por redução de custos (o que é saudável) em grande parte às custas de cortes de qualidade (o que é inaceitável). Os prestadores de serviços médico-hospitalares, elo seguinte da pressão, reduzem sua segurança financeira, mesmo muitos dos maiores, e passam a depender de fontes como o trabalho de ministrar medicamentos. Ao fim desse carrossel de responsabilidades transferidas sem o efetivo endereçamento das causas, fica o paciente…

8. OS ELOS PARTIDOS DA CADEIA DE SAÚDE. Se pacientes, profissionais de saúde, operadoras de planos de saúde, prestadores de serviços médico-hospitalares, fornecedores, contratantes de planos de saúde etc. – se todos estão insatisfeitos não seria isto sinal mais que evidente que o problema está no sistema como um conjunto e, portanto, a solução deveria depender de uma revisão do todo? Não no Brasil. Os elos da cadeia de saúde têm se dedicado, como mostra o noticiário, à tentativa inútil de salvar o seu terreno sem se darem conta que vivem em um condomínio sem cercas nem muros… Parece uma obviedade desmentida pelo dia a dia, mas ainda assim repetida cansativamente que, por exemplo, aumentar a receita de planos de saúde com planos populares não adianta se estes não permitirem acesso. O que os planos de “uma só consulta/um só exame” respondem se o cliente/paciente precisar de mais? Ao contrário de outros setores da vida brasileira, a cadeia da saúde tem claras dificuldades em atuar como tal e tentativas nesse sentido em geral mostram-se no máximo anêmicas, vitimadas pelo vírus das individualidades ou da visão apenas segmentada. A cadeia da saúde acaba se apresentando como uma sucessão de elos partidos.

9. CUIDA-SE DA SAÚDE? NÃO, DA DOENÇA. Como referido antes, uma obviedade exaustivamente repetida por qualquer iniciante em políticas públicas de saúde, no Brasil é fato raro: nenhum sistema no mundo torna-se justo, eficiente e sustentável se não intervier fortemente na prevenção e proteção à saúde. O país que um dia combateu o tabagismo e registrou sucesso exemplar, dá as costas à atenção primaria à saúde. Prefeitos não gostam de inaugurar “equipes de saúde de família”. Preferem dar início às obras inacabadas e tecnicamente inviáveis de prédios que chamam de hospitais e que são insustentáveis em todos os sentidos. Perguntem a ANS quantos produtos registrados contêm efetiva atuação na proteção à saúde, no combate a obesidade, hipertensão, diabetes. Ou seja: entre nós a atenção primaria à saúde NÃO CONQUISTOU STATUS POLÍTICO NEM RECEBE ESTÍMULOS FINANCEIROS. Resultado: próximo de zero. Nossa cultura, nossos produtos e principalmente nossos estímulos apontam na direção oposta e errada: tentar cuidar da doença em um País com longevidade cada vez maior.

10. NÃO HÁ SAÚDE NA DESIGUALDADE. Os primeiros estudos e a própria observação cotidiana apontam outro fato que, não sendo novo, ficou “escancarado” pela pandemia: a doença, entre nós, é filha, acima de tudo, da desigualdade.

As mortes anônimas diárias por desnutrição, falta de saneamento, violência, miséria, enfim, não mudaram na pandemia. Apenas chegaram às televisões. Um sistema de saúde sustentável, pós pandemia, não pode dar as costas as discussões gerais sobre a economia, a geração de emprego e de renda. Ou seguiremos enxugando gelo e contando mortos que mereciam e poderiam estar entre nós.

Abramed em Foco está de cara nova

Novo layout da newsletter mensal da Abramed traz mais detalhes sobre os pleitos setoriais

09 de junho de 2021

Após 34 edições trazendo informações relevantes sobre o mercado de medicina diagnóstica e compartilhando as realizações da entidade, o principal informativo da Associação passou por uma reformulação a fim de atender à novas demandas.

A partir de junho de 2021, o informativo traz ainda mais ênfase à atuação dos comitês e grupos de trabalho da Abramed com uma seção exclusiva para compartilhamento de algumas discussões e resoluções que são geradas dentro de cada área específica de atuação da entidade.

“A Abramed tem muito orgulho dos seus Comitês e grupos de trabalho que, através da dedicação dos executivos de suas empresas associadas, constituem verdadeiros fóruns de debate e desenvolvimento, promovendo a melhoria contínua e sistemática da qualidade dos serviços de medicina diagnóstica”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

A cada edição, a Abramed em Foco trará uma matéria de destaque com o assunto de maior relevância de um Comitê ou Grupo de Trabalho (GT). A edição de junho apresenta um conteúdo elaborado com informações coletadas junto aos integrantes do Comitê Padrão TISS, responsável pela disseminação de conhecimentos quanto às definições da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e por ações que visam a sinergia e a melhoria da comunicação a fim de mitigar potenciais riscos (clique AQUI para ler).

Logo abaixo do destaque, a newsletter também traz uma sequência com os principais highlights de todos os grupos. Além do Comitê Padrão TISS mencionado acima, hoje a Abramed conta com outros oito comitês: Jurídico; Técnico de Análises Clínicas; Técnico de Anatomia Patológica; Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem; Comunicação; Governança, Ética e Compliance; Recursos Humanos; e Dados Setoriais. A estrutura ainda conta com o grupo de trabalho de Proteção de Dados. Nesta edição apresentamos cada um dos comitês.

Essa nova seção dedicada aos comitês e grupos de trabalho se soma às outras tantas notícias do setor de medicina diagnóstica mensalmente compartilhadas na Abramed em Foco. Clicando AQUI você confere as edições anteriores da publicação.

Abramed participa de lançamento do Índice de Serviços (ISe)

Indicador econômico reúne dados estratégicos para valorização do segmento

09 de junho de 2021

Em um webinar realizado na manhã de 8 de junho e transmitido ao vivo pelo YouTube, a Frente Parlamentar do Setor de Serviços (FPS) lançou o Índice de Serviços (ISe), indicador econômico que surge como um grande avanço para o acompanhamento de dados do segmento no país. A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apoia o projeto e Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração, marcou presença no encontro representando a entidade.

Ao iniciar a apresentação, o deputado Laércio Oliveira (PP-SE), coordenador da FPS, trouxe um breve panorama. “O nosso setor de serviços foi o mais penalizado pela pandemia, mas sustentou a empregabilidade e a renda e continua sendo o fio condutor da recuperação econômica pós-COVID-19. O ISe vai nos permitir demonstrar a nossa realidade, principalmente para que haja mais clareza na valorização da importância desse segmento em várias frentes”, disse.

De fato, o setor de serviços tem alta relevância para a economia no país. Representa 70% do PIB Nacional e tem grande poder de empregabilidade. Na saúde, o setor de medicina diagnóstica representado pela Abramed também tem grande desempenho no contexto socioeconômico. Segundo dados do último Painel Abramed, o segmento foi responsável pela manutenção de 264,2 mil postos de trabalho em 2019. Somente as empresas associadas à Abramed empregam mais de 66 mil pessoas.

A participação da Abramed nos debates promovidos pela FPS leva os pleitos do setor que coincidem com as demandas de tantos outros subsetores. São debatidos, por exemplo, os impactos da Reforma Tributária, bem como questões trabalhistas, econômicas e de gerenciamento de dados.

Participaram do webinar, além de Oliveira, Rafael Sampaio, secretário executivo da Secretaria de Governo, representando a ministra Flávia Arruda; e Jorge Luiz de Lima, secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação (SDIC/SEPEC).

Além da Abramed, outras 10 entidades do setor de serviços apoiam o projeto: Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (GEOC), Associação Nacional de Segurança e Transporte de Valores (ANSEGTV), Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC), Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC), Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País (ANEPS), Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt), Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (FENINFRA) e Associação de Marketing Promocional (AMPRO).

Com tecnologia como aliada, medicina diagnóstica vislumbra futuro próspero

Marcelo Lorencin, da Shift, fala sobre a gestão da crise e as possibilidades do setor no pós-pandemia

08 de junho de 2021

São 15 meses de pandemia. O setor de medicina diagnóstica, que ganhou protagonismo diante da crise, sentiu os efeitos negativos do novo coronavírus – que afastou os pacientes dos laboratórios e clínicas de imagem, reduzindo as atividades drasticamente durante alguns meses – mas já entrou em rota de recuperação. Segundo Marcelo Lorencin, CEO da Shift, empresa especializada em Tecnologia da Informação (TI) para medicina diagnóstica, houve um aumento significativo das vendas da companhia nesse primeiro semestre de 2021.

Em entrevista exclusiva para a Abramed em Foco, o executivo fala sobre como a adesão tecnológica pode auxiliar o setor a expandir; a relevância da ciência de dados e da humanização, colocando o paciente sempre no centro do cuidado; a tendência de ampliação de portfólio dos laboratórios clínicos e as boas perspectivas da empresa para o futuro.

Confira entrevista completa.

Abramed em Foco – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pela Shift na pandemia e como a companhia trabalhou para vencer esses desafios?

Marcelo Lorencin – Ao longo destes mais de 15 meses de pandemia, experimentamos diferentes desafios, em diversas fases. Os primeiros meses, por exemplo, foram marcados por uma queda significativa na demanda de nossos clientes. Laboratórios chegaram a registrar uma redução superior aos 75% da demanda nas primeiras semanas de pandemia. Diante desse cenário, foi fundamental nos posicionarmos como parceiros dos nossos clientes e fornecedores, adotando uma estratégia voltada para um olhar sistêmico. Algumas negociações foram necessárias de todos os lados. Levando em consideração que todos estavam enfrentando o mesmo desafio, não cabiam decisões individuais. Sabíamos que somente uma visão do todo seria capaz de manter todos vivos e isso era fundamental para a sustentabilidade de toda cadeia. Nossos clientes, por sua vez, tiveram o mesmo olhar.

Do ponto de vista interno, mantivemos todos os colaboradores, pois diminuir custos seriam desligamentos, o que teria resultados desastrosos a longo prazo. Usamos nossa equipe para apoiar os clientes remotamente, capacitamos à distância, e assim mantivemos toda nossa estrutura.

Já no segundo semestre, houve a retomada e crescimento da demanda de exames, impulsionados tanto pela maior consciência da importância da saúde e crescente busca pela prevenção, quanto pelo adoecimento da população, além do elevado número de exames de COVID. Neste momento, o grande desafio foi o trabalho remoto junto aos clientes, o que aos poucos foi se adaptando.

Em 2021, muitos Centros de Diagnósticos retomaram seus investimentos e já vínhamos em constante preparação para um aumento da demanda por serviços de TI. O desafio hoje é outro: a escassez da mão de obra de TI, que está em déficit, e a locomoção das equipes para implantação e treinamento de novos clientes, mas temos administrado isto e retomamos agora no final deste semestre ao ritmo anterior a pandemia, buscando alternância de entrega dos projetos entre serviços remoto e local.

A pandemia de COVID-19 afetou todos os setores da economia. Porém, com a mudança de hábitos e as novas necessidades que surgiram, algumas atividades se desenvolveram. Os laboratórios e clínicas de imagem aproveitaram esse momento para investir em tecnologia?

No ano de 2020, nossa base de clientes demandou muitos serviços para atendimento remoto, customizações, automatização e projetos utilizando o nosso aplicativo mobile para agendamento, pré-atendimento de pacientes e coleta domiciliar. Entretanto, no primeiro semestre e início do segundo semestre de 2020, as vendas de novos projetos inevitavelmente desaceleraram, pois muitos laboratórios e clínicas de imagem optaram por preservar seu caixa. Porém, aos poucos, com o aumento da demanda e os desafios operacionais, muitos conscientizaram-se da importância do investimento em tecnologias de amplo escopo, capazes de atuar nas frentes de eficiência operacional, gestão, qualidade e jornada do paciente, que são diretrizes de nossas soluções. Isso provocou um aumento significativo nas vendas de 2021.

Como a ciência de dados pode auxiliar o crescimento do setor de medicina diagnóstica, principalmente no período pós-pandemia?

É sabido da importância dos dados para tomada de decisões, seja do ponto de vista operacional, gestão e/ou geração de informação de saúde. Os laboratórios e clínicas de imagem são responsáveis por 70% das decisões médicas e isto é algo inegável e com um valor inestimável. Ainda existe muito espaço para esta evolução, em especial por sabermos da fragmentação dos dados. Os centros diagnósticos são detentores de apenas uma parte das informações disponíveis do “prontuário”, ou seja, do histórico de um paciente. No entanto, mesmo assim, podem trazem muitos insights, conhecimentos. Transformando dados em informação de valor e gerando conhecimento científico a partir disso.

A medicina diagnóstica brasileira vem batalhando para ampliar o acesso aos exames. E sabemos que a tecnologia tem papel fundamental nessas estratégias. Quais os desafios, na sua visão, para que consigamos aplicar a tecnologia na expansão do setor?

Temos um grande desafio para garantir o acesso à saúde, de um modo geral. Existe uma demanda crescente por conta do envelhecimento da população, da própria pandemia e dos avanços da tecnologia na nossa área de atuação, tanto as tradicionais, com o surgimento de novos exames e perfis, bem como de novos formatos, sejam de TLR (testes laboratoriais remotos) ou de exames digitais.

O laboratório e a clínica de imagem podem, se souberem aproveitar, ter uma expansão considerável neste sentido, inclusive navegando mais para a medicina preventiva, sendo um parceiro do setor. A tecnologia, não só da informação, mas de todas as frentes – as já citadas e outras, como por exemplo, devices, wearables, ciência de dados, inteligência artificial – poderão potencializar a expansão do setor. Mas, como sabemos, é fundamental trabalharmos no acesso, visto que, grande parte da população, encontra-se dependente do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, segundo estudos, mais de 45% delas não possuem acesso pleno à internet. Ainda que a teleconsulta gratuita seja liberada, por exemplo, para todo o Brasil, temos um desafio de logística, e isto tem que ser pensado de forma ampla.

A jornada do paciente, com a tecnologia, estende-se muito além da visita aos laboratórios e clínicas de imagem e a obtenção de resultados pela internet e/ou aplicativos. Esta é uma transformação que veremos rapidamente nos próximos anos e isto tem sido potencializado pela necessidade da conveniência de serviços remotos, ágeis e personalizados.

Pensando nas empresas de pequeno e médio porte da área de medicina diagnóstica, enxerga como tendência de mercado a ampliação do portfólio de serviços dos laboratórios? Eles começaram a ofertar uma gama mais variada de exames?

Sim, a oferta de novos exames não é uma exclusividade das grandes redes. Os centros diagnósticos têm buscado diferenciação e ampliação de seu portfólio, seja com investimentos em novos equipamentos ou por meio de parcerias com laboratórios de apoio. Neste aspecto, inclusive, alguns já estão se movimentando para TLR e, alguns poucos, para oferta de serviços digitais.

O setor de medicina diagnóstica sempre teve muito foco em qualidade. Com a pandemia, quando surgiram alguns testes pouco confiáveis e houve um movimento grande para garantir que entrassem no mercado apenas testes validados, essa busca tornou-se ainda mais visível. Você enxerga um movimento dos laboratórios para ampliar o reconhecimento de seus serviços e a qualidade dos atendimentos?

Não há dúvidas com relação a isso. A Shift tem um portfólio de clientes que são referências em todo o Brasil e dos quais temos muito orgulho. Pelo menos 75% de nossos clientes dispõem de uma ou mais certificações e/ou acreditações, seja ela PALC, DICQ, PADI, ONA, ISO ou até mesmo internacionais como o CAP, e isso tem aumentado a cada dia. Vemos muita procura e resultados, pois a qualidade traz robustez aos clientes, não só do ponto de vista técnico, como também de processo e até gestão. Por conta disso, eles perceptivelmente destacam-se no mercado, com eficiência operacional, pouco retrabalho e impactando positivamente na vida dos pacientes, o que acaba sendo valorizado pelo mercado (pacientes, médicos e fontes pagadoras). Os próprios programas de acreditação têm avançado em várias frentes. Indo muito além da qualidade dos exames, trazendo uma visão ampla e sistêmica para os laboratórios. E isso não é diferente nas clínicas de imagem.

Vivemos uma era da humanização em saúde?

A tecnologia e seu desenvolvimento devem estar centrados no lado humano, esse é o mundo ideal em todos os setores e, no caso da saúde, que a tecnologia ajude a colocar cada vez mais o paciente no centro dos cuidados. Meu sonho é que em um futuro muito próximo ela seja capaz não só de proporcionar um aumento na gama de serviços oferecidos, mas também de ampliar e democratizar o acesso à saúde.

Quais as perspectivas de negócios da Shift para os próximos meses?

As perspectivas são muito boas. As vendas estão acontecendo e os projetos sendo entregues, ajudando os laboratórios a avançarem com seu processo de expansão e performance. A Shift também tem ampliado seu escopo de atuação. Acabamos de disponibilizar para o mercado um módulo completo de anatomia patológica e temos investido na consolidação do RIS para clínicas de imagem. Buscaremos alcançar essa mesma referência que somos em laboratórios, nestas outras frentes. Outras iniciativas, relacionadas à transformação digital estão em fase final de amadurecimento.

Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

A Abramed, por sua representatividade e atuação exponencial, tem um papel fundamental no setor exatamente por sua capacidade de unir todos os elos dessa importante cadeia da saúde, que é a medicina diagnóstica. Estamos falando de uma entidade com uma abrangência muito significativa em todo país, conduzida por time de peso que ao longo desses anos tem atuado com pulso firme e muita competência para construir um grande legado de apoio, seja nos diálogos com as organizações governamentais e regulatórias, parceria com a comunidade científica, e na geração de conteúdo e conhecimento, entre outras frentes que ajudam a fortalecer o protagonismo e sustentabilidade do setor de medicina diagnóstica. Além de todos os anos trazerem um cenário muito sólido do setor, com o Painel Abramed, que traz dados que ajudam a direcionar o trabalho de todos os stakeholders e players do mercado.

Todo o reconhecimento aos profissionais dos Laboratórios Clínicos

Assinado por Luiz Fernando Barcelos, presidente da SBAC, artigo homenageia os trabalhadores da medicina diagnóstica

* Por Luiz Fernando Barcelos

Como não enfatizar a atuação incansável dos profissionais dos Laboratórios Clínicos ao longo da pandemia de COVID-19? Esses trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente, assim como nos demais Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento (SADT), dentro ou fora dos hospitais, merecem todo o nosso reconhecimento.

A infecção pelo novo coronavírus reforçou a competência das nossas equipes laboratoriais. Quando um indivíduo começa a apresentar febre, tosse seca, cansaço ou outros sintomas sugestivos, é o teste RT-PCR, apontado como padrão ouro para detecção da COVID-19, que indicará se ele está ou não infectado. Somado a exames de imagem como a tomografia computadorizada do tórax capaz de apontar alterações típicas dessa infecção.

Em tantos casos em que a doença se agrava e acarreta internação, novamente são os exames laboratoriais responsáveis pelo monitoramento daquele paciente durante todo o período em que está hospitalizado. Entre os exames laboratoriais relevantes em casos de COVID-19 estão hemograma, gasometria arterial, coagulograma, proteína C-reativa, perfil metabólico, glicemia, ferritina, desidrogenase lática, biomarcadores cardíacos, hemoculturas, entre tantos outros. Quantos profissionais estão envolvidos e dedicados às análises dessas amostras? São, inclusive, os resultados desses exames os responsáveis também por basear a tomada de decisões médicas para que aquele paciente tenha alta assim que estiver estabilizado e pronto para ir para casa.

No processo de recuperação, esse paciente também será acompanhado por exames diversos para analisar possíveis sequelas da COVID-19 e checar a evolução de seu quadro clínico.

Enfim, sistematicamente, o Laboratório Clínico é essencial no diagnóstico, no acompanhamento, nos critérios de alta e cura dos pacientes em todas as patologias.

E não podemos nos esquecer que esses profissionais que se dedicam as análises clínicas também alimentam um banco de dados epidemiológicos extremamente importante para que governantes possam adotar medidas sanitárias, políticas e sociais para controle da pandemia. Sem saber se os casos estão aumentando ou diminuindo – por meio dos exames que são notificados – não há como traçar uma estratégia.

Precisamos colocar os profissionais dos Laboratórios Clínicos e dos Serviços Auxiliares de Diagnóstico lado a lado com todos os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais envolvidos na linha de frente prestando uma assistência incansável e impecável diante de um cenário de pressão, estresse e cansaço. Esses trabalhadores da saúde estão dando suporte para que todas as outras especialidades possam compreender as condições clínicas de cada indivíduo infectado, garantindo um melhor prognóstico.

Devemos reconhecer e homenagear os profissionais dos Laboratórios Clínicos por toda dedicação ao sistema de saúde brasileiro.

* Luiz Fernando Barcelos é presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas


Nunca é demais falar sobre a Lei Anticorrupção, não é mesmo?

Cumprimento da norma garante efetividade aos programas de compliance

11 de maio de 2021

A ética é um dos pilares mais importantes dentro dos serviços de saúde, sejam eles públicos ou privados. Mas ao mesmo tempo em que é vital para a população, o setor de saúde é uma área onde também podem ocorrer conflitos de interesse.

Para tanto, é necessário que as empresas deste segmento atuem em conformidade com leis e regulamentos, dando mais transparência na gestão, nas relações e, com isso, trazendo mais qualidade e segurança aos pacientes.

O Brasil é signatário da Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, promulgada pela ONU em 2003, em que ficou consignado que os participantes deveriam implantar medidas para dar mais efetividade ao combate à prática corrupta em seu território ou em outras nações.

Os escândalos e a prisão de grandes executivos na última década, aliados à pressão popular, fizeram com que fosse aprovada a lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013.

Conhecida como Lei Anticorrupção, em vigor desde 29 de janeiro de 2014, a norma trata da responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos de corrupção contra a administração pública, nacional ou estrangeira, encerrando a regra tradicional de responsabilidade subjetiva, e atende ao pacto internacional firmado pelo Brasil. O objetivo é coibir a atuação de organizações em esquemas de corrupção e, assim, evitar que grandes prejuízos sejam causados aos cofres públicos.

“Nossa Lei Anticorrupção demorou para ser sancionada se compararmos com outras legislações, como, por exemplo: a lei anticorrupção dos Estado Unidos, sancionada em 1977 (Foreign Corrupt Practices Act), e a lei do Reino Unido (UK Bribery Act), de 2010. De todo modo, o benefício da tardia aplicação é poder aprender e implementar de forma mais célere grandes mudanças que outros países já promoveram no passado, evitando-se repetir os mesmos equívocos, visando, sobretudo, a conscientização da sociedade”, explica Leandro César dos Santos, coordenador da área Corporate do Escritório Machado Nunes Advogados e membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Até 2019, o Brasil ocupava a 75ª posição no ranking mundial de corrupção percebida, sendo que o custo médio anual suportado pelos cofres em razão disto era de cerca de R$ 41,5 bilhões.

“De 2014 para cá, conseguimos enxergar um avanço significativo acerca da conscientização geral da sociedade e, em especial, no mundo dos negócios. Basta pensarmos que hoje é quase que impraticável fazer negócios com empresas que não possuem programas de compliance e/ou não queiram observar as normas de conduta dos players em que prestarão seus serviços. As cláusulas de boas práticas e compliance tornaram-se corriqueiras nos contratos empresariais em geral, pois evitar a corrupção tem se mostrado mandatório pelas organizações”, esclarece Santos.

Regulamentada pelo decreto federal nº 8.420/2015, a mencionada lei tipifica diversas condutas lesivas que podem vir a ser praticadas pelas instituições e prevê, por exemplo, a aplicação de multa administrativa de até 20% do faturamento bruto anual da empresa (caso o valor não seja mensurado, o limite da multa é de R$ 60 milhões).

Uma inovação trazida pela norma foi a previsão do acordo de leniência – instrumento que facilita a recuperação de prejuízos causados aos cofres públicos, pois permite redução da multa caso a empresa admita sua participação no ilícito, coopere efetivamente com as investigações no processo administrativo e atue para ressarcir os danos causados.

Além da responsabilidade objetiva da pessoa jurídica, que desconsidera a necessidade de dolo ou culpa por parte do agente, para aplicação das sanções e penalidades previstas, a Lei Anticorrupção pune individualmente seus dirigentes ou administradores, não excluindo ainda qualquer pessoa natural, autora, coautora ou partícipe de ato ilícito. E sequer será necessário que o funcionário aceite vantagens para que o caso de corrupção seja caracterizado. Ou mesmo que a vantagem seja de caráter econômico ou financeiro.

“Com isso, as estruturas de compliance das organizações deverão atuar de forma efetiva e preventiva, sem perder de vista a atualização necessária de tempos em tempos. Um programa de compliance que não se atualiza pode perder parte de sua efetividade, afinal, as instituições são orgânicas e estão sujeitas à mudança de seu modus operandi a todo o momento”, ressalta Santos.

Evolução e efetividade

A Lei anticorrupção é considerada um dos maiores marcos do compliance no setor da saúde no país e trouxe avanços importantes para os mecanismos de cumprimento dos atos, regimentos, normas e leis estabelecidos interna e externamente e para a integridade do ambiente empresarial, como um todo.

“A norma é a esperança de mais integridade nas instituições de saúde e possibilidade delas adotarem uma postura no sentido de aperfeiçoar a gestão e garantir uma relação íntegra com todos os públicos envolvidos: colaboradores, fornecedores, clientes e representantes”, destaca Arthur Ferreira, diretor-executivo do Instituto de Análises Clínicas de Santos (IACS) e membro do GEC da Abramed.

Para tanto, Ferreira afirma que é fundamental implementar um programa de compliance efetivo, com uma visão crítica e isenta, que entenda às necessidades e que melhor se adequa à realidade da empresa e das suas relações.

A própria lei 12.846/2013 não trata com profundidade da atividade de compliance, isso é feito pelo decreto 8.420/2015. Ele determina que as organizações implementem um programa de conformidade que estabeleça códigos de conduta ética, políticas e procedimentos de integridade, que devem ser estendidos a todos os integrantes da empresa, desde a alta administração até os colaboradores, independentemente do cargo exercido.

“Fato é que as instituições se tornaram as principais responsáveis por evitar, controlar e remediar, inclusive com punição, os atos antiéticos e de corrupção internamente”, garante Ferreira.

Nesse sentido, os profissionais de compliance adquiriram importância estratégica de zelar pelo compromisso com a conformidade às leis e à ética. Por isso, é fundamental divulgar a Lei Anticorrupção e seu decreto regulador entre todos os funcionários, colaboradores e parceiros da empresa, deixando claro sua intolerância ao descumprimento de regras de Código de Conduta, Políticas e Procedimentos do grupo empresarial.

“Todos esses pilares podem mitigar os riscos de sanções da norma, mas será necessário investir recursos na capacitação de seu público interno e externo”, lembra o diretor-executivo do IACS.

As organizações ainda devem criar canais de denúncia, estimulando colaboradores, parceiros, fornecedores e pacientes a informar, sigilosamente, procedimentos que contrariem normas da organização; e uma área de gestão de riscos específicos para identificar as atividades mais suscetíveis e as pessoas mais expostas a prováveis práticas ilegais, disponibilizando material educativo, a fim de manter mecanismos de prevenção adequados.

“É importante relembrar que mais do que ter um programa de compliance no papel, o efetivo cumprimento e a disseminação do programa é que farão a diferença no mercado. Felizmente, o sucesso de uma empresa nos dias de hoje está diretamente atrelado às suas boas práticas e quão ética é sua postura com os demais stakeholders”, garante Leandro César dos Santos.

Medicina diagnóstica na prevenção de novas pandemias

Setor atua para identificar patógenos potencialmente pandêmicos e evitar que eles se espalhem rapidamente

10 de maio de 2021

Vivenciar uma pandemia infecciosa como a que estamos vivendo gera muita dor (IPRescue), porém muitos aprendizados a todos os setores da economia. Na saúde, além da enorme pressão que a COVID-19 desencadeou exigindo a tomada rápida de decisão e o investimento em plataformas de inovação, o legado deixado pelo novo coronavírus será extremamente útil para a prevenção de novas pandemias e a paralisação de surtos antes do caos. Nesse contexto, a medicina diagnóstica tem um papel extremamente relevante.

Um artigo publicado no periódico internacional The Lancet afirma que muitos patógenos humanos têm origem na fauna. Segundo o documento, aproximadamente 80% dos vírus e 50% das bactérias que infectam o homem são zoonóticos. Para garantir que novos patógenos cheguem às comunidades, é preciso observar atentamente as relações interespécies. “Principalmente em um cenário de ampla urbanização e devastação ambiental”, pontua Wilson Shcolnik, presidente do conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Nas últimas décadas os avanços, principalmente em diagnóstico molecular, foram absolutamente relevantes. Possibilitaram, inclusive, a descoberta de patógenos até então desconhecidos na natureza, garantindo maior agilidade na detecção de doenças potencialmente transmissíveis e infecciosas. Foi uma metodologia diagnóstica molecular a responsável pela identificação, há alguns anos, do primeiro coronavírus SARS.

O que o mundo da ciência vem apontando é que, para termos esse controle mais rígido da migração de patógenos, o mundo precisa se unir rumo à um sistema global de monitoramento. Artigo publicado no The British Medical Journal e assinado por especialistas em prevenção de doenças diz que o primeiro passo é aplicar as mais recentes tecnologias diagnósticas – como métodos multiplex e sequenciamento genético de nova geração, cujos custos vêm caindo com a evolução da técnica – na detecção precoce e em tempo real de qualquer possibilidade de migração de patógenos potencialmente pandêmicos entre as espécies.

Saindo do âmbito da prevenção, caso novos vírus e bactérias consigam vencer as barreiras naturais representadas pelo sistema imunológico e as outras barreiras já testadas na pandemia de COVID-19, a medicina diagnóstica segue fortalecendo um derradeiro bloqueio com a implementação de rápida testagem para confirmação dos diagnósticos, identificação dos infectados, direcionamento aos tratamentos existentes e comprovadamente eficazes, e bloqueio da cadeia de transmissão.

“Ainda no primeiro trimestre de 2020, quando a pandemia estava começando a se espalhar pelo globo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que “testar, testar e testar” era o melhor caminho para conter o SARS-CoV-2. Porém, o mundo não estava tão preparado para essa demanda crescente. Mas nosso papel é impedir que a história se repita”, diz Shcolnik.

Ao avaliar as ações tomadas no início dessa pandemia, pudemos observar já um cenário dentro desse contexto. Os cientistas – inclusive brasileiros – conseguiram sequenciar em poucas horas o novo coronavírus, o que possibilitou que os sistemas de saúde agissem rapidamente para providenciar kits de testes e investir em medidas de controle. Os laboratórios privados brasileiros, inclusive, foram exemplares criando, in house e em tempo recorde, seus próprios kits para detecção da infecção e, posteriormente, ampliando a variedade de metodologias diagnósticas para ampliar o acesso da população aos exames.

Esse é um dos aprendizados que prometem tornar novas pandemias mais controláveis no futuro. “Caso uma nova pandemia venha a se instalar, já temos histórico, conhecimento e expertise para tornar esse cenário ainda mais otimizado e pronto para vencer qualquer patógeno”, reforça o presidente da Abramed.

Abramed participa de encontro com ministro Marcelo Queiroga

Entidade esteve presente em reunião promovida dia 3 de maio pelo ComSaude, da Fiesp

07 de maio de 2021

Em encontro promovido em 3 de maio pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaude), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ministro da saúde, Marcelo Queiroga, apresentou propostas, ações e perspectivas para o setor. Na ocasião, reforçou que a prioridade atual é a vacina e mencionou ser plausível imunizar toda a população do Brasil contra a COVID-19 até o final de 2021. Nessa reunião, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esteve presente e foi representada por Wilson Shcolnik e Claudia Cohn, presidente e membro do Conselho de Administração da entidade.

Depois de traçar um breve panorama sobre a campanha de vacinação do Brasil, afirmando que o país já entregou mais de 70 milhões de doses aos gestores estaduais e municipais, Queiroga pontuou que o orçamento do Ministério da Saúde em 2020 foi de R$ 183 bilhões e que, agora em 2021, houve uma redução e a pasta conta com cerca de R$ 130 bilhões para cumprir seus compromissos.

Segundo o ministro, uma portaria com investimento de R$ 1 bilhão na atenção primária está sendo apresentada como forma de amplificar a assistência em território nacional.

Ruy Baumer, diretor-titular do ComSaúde, da Fiesp, reforçou que o comitê visa aumentar a interlocução entre o setor, o poder público e o mercado, aproximando todos os elos que constituem a complexa cadeia da saúde no país. Além disso, pontuou que o segmento está à disposição do ministério, apoiando suas ações. “Como todos nós sabemos, a saúde não para. Temos muitos outros temas que não podem ser esquecidos, como procedimentos represados”, disse. Além da Abramed, também estiveram presentes outras diversas lideranças da saúde.