O desafio da assistência na saúde suplementar garantindo acesso e sustentabilidade

Envelhecimento populacional, expansão da cobertura regional e menos operadoras de saúde atuando desenham novo cenário para mercado brasileiro

4 de setembro de 2024 – No cenário da saúde suplementar, a busca por acesso universal e pela sustentabilidade é um dos maiores desafios enfrentados pelo setor. Alexandre Fioranelli, diretor de Normas e Habilitação dos Produtos na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), destacou, durante sua palestra no 8º FILIS, a importância do setor privado na manutenção da saúde suplementar: “sem o setor privado não existe saúde suplementar”.

Fioranelli apontou que os sistemas de saúde enfrentam três crises principais: de valor, de objetivo e de evidência. A crise de valor refere-se ao crescimento insustentável dos custos associados à saúde, à desconexão entre gastos e resultados de saúde e ao desperdício significativo, que pode variar entre 20% e 40%, frequentemente devido a condutas médicas inadequadas e variabilidade nos desfechos dos tratamentos.

Quanto à crise de objetivo, se relaciona à discrepância entre os objetivos declarados pelos profissionais de saúde e a realidade prática enfrentada no dia a dia. Por fim, a crise de evidência trata do gap entre a pesquisa científica e sua aplicação clínica. Há um crescimento desconectado entre ambas em relação a novos diagnósticos e terapêuticas. “Gastamos quase US$ 400 mil em pesquisa. Precisamos tratar com sabedoria o que são esses estudos, considerando o que realmente essas tecnologias estão trazendo para o mundo real e como podemos usá-las”, afirmou.

Na última década, a expansão da cobertura da saúde suplementar para além da região Sudeste, alcançando o Centro-Oeste e polos da região Norte, tem se mostrado um desafio. Essa expansão exige a oferta de cuidados que garantam a qualidade e a sustentabilidade, com parâmetros equivalentes aos das regiões onde a saúde suplementar já está consolidada. Além disso, o cenário atual aponta para uma nova dinâmica na quantidade de operadoras médico-hospitalares.

Em dezembro de 2000 atuavam no Brasil 1.970 operadoras, número que caiu para 670 em 2024, com 90% dos beneficiários – quase 46 milhões – sendo atendidos por apenas 214 delas. “Os outros 10% são de operadoras de pequeno e médio porte, que precisam ser consideradas quando se fala de incorporação de tecnologias”, detalhou Fionarelli.

Para a atualização de práticas e avaliação de aplicabilidade de novas tecnologias em saúde, a Agência adota o sistema de Avaliação de Tecnologia em Saúde (ATS), método utilizado por grandes agências mundiais. Ele prioriza a análise da eficácia e segurança das tecnologias para os pacientes e, em um segundo momento, permite a avaliação do impacto orçamentário e econômico.

Fionarelli ressaltou que o objetivo é obter melhor evidência científica para garantir a segurança na incorporação de novas tecnologias. Isso envolve verificar se a tecnologia é efetiva e proporciona melhorias relevantes na saúde, avaliar a viabilidade do custo adicional em relação à sustentabilidade, considerar as necessidades e perspectivas dos pacientes, e assegurar que há estrutura organizacional, capacidade instalada e recursos físicos e humanos adequados para a implementação.

“Existe ainda o desafio de mapear profissionais prestadores e capacitação para tomar uma conduta. Tudo isso tem impacto direto na incorporação e sustentabilidade do setor. E quando se discute acesso e sustentabilidade, um fator importante nessa equação é o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS”, disse Fionarelli. O Rol é crucial para garantir a equidade no acesso, passando por uma avaliação contínua de tecnologias e procedimentos. Atualizado mensalmente, ele reflete as melhores práticas e inovações, com foco na eficácia, segurança e impacto orçamentário das tecnologias, assegurando que apenas as opções mais benéficas sejam incorporadas.

Entre os anos de 2021 e 2024, das 66 demandas que chegaram pelo site da ANS, 46 foram incorporadas, 26 ficaram fora e outras 10 estão em avaliação. Dessas últimas, 66% são da área oncológica, sendo 70% referentes a medicamento. A projeção da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2050 indica um aumento substancial nos casos de câncer, com uma duplicação do número de diagnósticos em países subdesenvolvidos.

No Brasil, o aumento dos casos de câncer e a predominância de beneficiários economicamente ativos na faixa etária de 30 a 59 anos ressaltam a necessidade urgente de melhorar a qualidade diagnóstica, a coordenação do cuidado e a sustentabilidade do tratamento oncológico. Segundo o diretor, o modelo fragmentado de cuidados precisa ser reformulado para incluir investimentos em prevenção, promoção e diagnóstico precoce.

Fionarelli apontou que no Brasil há uma curva ascendente no número de diagnósticos e de mortalidade, especialmente entre a população de 30 a 59 anos, que representa uma parte significativa dos beneficiários do setor de saúde suplementar e que contribuem para o mutualismo do plano de saúde. Existe uma tendência crescente nesta faixa etária no risco de desenvolvimento de tipos de câncer. “Fica claro que, ao discutir acesso e sustentabilidade, o diagnóstico de neoplasias é particularmente desafiador,” afirmou Fionarelli.

De acordo com o diretor da ANS, é essencial discutir e melhorar o modelo de cuidado oncológico, focando em diagnósticos mais precoces, redução da fragmentação das intervenções e melhor coordenação do cuidado. “É evidente que as despesas aumentarão com o envelhecimento da população, e 60% dos casos de câncer são diagnosticados em estágios avançados (nível 3 e 4), resultando em tratamentos mais caros e com menor chance de cura. Observamos na ANS que as tecnologias oncológicas estão se tornando cada vez mais individualizadas, o que dificulta alcançar a sustentabilidade do setor”, disse.

A discussão sobre o conceito de “valor” na saúde é complexa devido à diversidade do mercado. O principal desafio é alinhar valor com compensação adequada para prestadores, tecnologias e profissionais, sempre priorizando o paciente e a sustentabilidade. É crucial focar em indicadores de desempenho que mostrem o impacto do cuidado no paciente, considerando o custo total da jornada do paciente. Protocolos clínicos devem estar associados a custos e metas, e a incorporação de tecnologias deve ser avaliada para melhorar o atendimento, os resultados clínicos e a satisfação dos beneficiários.

Para promover a sustentabilidade, segundo Fionarelli, é necessário investir na melhoria da qualidade do serviço, identificar desperdícios e analisar resultados clínicos com precisão. Reconhecer o papel de todos os profissionais e atores envolvidos ajuda a mapear custos, qualidade e desperdício, com o paciente como foco central. Após a análise, negociações baseadas em valor e eficiência podem criar um caminho sustentável para a saúde suplementar.

Fionarelli também destacou o trabalho da ANS em transformar dados brutos em informações de qualidade e em torná-las públicas para promover a transparência. Essa abordagem visa resolver problemas sistemáticos com base em dados e evidências técnicas, criando um ciclo virtuoso de melhoria.

Bloco no 8º FILIS sobre mudanças climáticas destacou a urgência da pauta e os desafios para a humanidade

Apesar da falta de dados oficiais, sabe-se que o setor de saúde consome e emite muito. A balança segue desequilibrada e o planeta não pode esperar

4 de setembro de 2024 – O 8º FILIS abriu um importante bloco de discussões sobre as mudanças climáticas. A palestra inicial, “Emergência Climática: Desafios para a Humanidade”, proferida por Carlos Nobre, renomado cientista e especialista em aquecimento global, trouxe à tona uma série de alertas críticos e propostas urgentes para enfrentar os desafios climáticos que afetam diretamente a saúde humana. O cientista apresentou dados alarmantes sobre os impactos das ondas de calor e o efeito das ilhas de calor urbanas, enfatizando a crescente ameaça representada pelo aquecimento global.

De acordo com Nobre, o aumento da temperatura global acima de 2 graus Celsius pode resultar na perda de 50% a 70% da Amazônia, liberando grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera. “Vários estudos científicos mostraram que a degradação das florestas tropicais do planeta pode gerar até duas pandemias por década. Se o aquecimento ultrapassar 2 graus, corremos o risco de descongelar o solo congelado da Sibéria e do Alasca. Portanto, não podemos ultrapassar 1,5 grau. Na COP 30, teremos que revisar as metas de zerar as emissões até 2050. Precisaremos alcançar a neutralidade global até 2040. O Brasil certamente tem um grande papel ao zerar o desmatamento e a degradação, além de consolidar a transição energética, que também é viável em nosso país”, reforçou.

Conectando ciência e prática

Após a palestra do especialista em aquecimento global, a discussão foi enriquecida com a apresentação de Ricardo Assumpção, Líder de ESG para Latin America e Chief Sustainability Officer Brasil da EY, que mostrou como as empresas podem e devem se adaptar para atender às novas exigências e expectativas em relação ao meio ambiente.

Ele ressaltou que o papel das corporações é essencial na construção de soluções que não só mitigam esses riscos, mas também promovem um impacto positivo no planeta. “Ter ESG como prioridade é uma questão de transformação do modelo de negócios para gerar lucro com efeitos positivos para o meio ambiente e a sociedade”, disse.

O especialista também detalhou a importância da integração de práticas sustentáveis nos negócios. “O mercado exige que as empresas não apenas sigam regulamentos, mas que integrem a sustentabilidade em suas estratégias de forma a criar valor de longo prazo”, explicou, apontando a necessidade de maior precisão nos dados sobre as ações internas de cada empresa para orientar decisões cada vez mais eficazes.

“A tecnologia deve fornecer respostas mais precisas sobre os impactos ambientais, ajudando a melhorar a gestão e a redução das emissões”, concluiu Assumpção.

Compromisso sustentável e impacto econômico

Para concluir o bloco sobre as mudanças climáticas, o 8º FILIS trouxe o debate “Impactos das Mudanças Ambientais e Climáticas na Saúde Brasileira”. O painel teve a participação de Carlos Nobre, Ricardo Assumpção e Cesar Nomura, diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Sírio-Libanês e presidente do Conselho de Administração da Abramed. A moderação ficou a cargo de Claudia Cohn, Membro do Conselho de Administração da Abramed, diretora de Negócios Nacionais na Dasa e CEO do Alta Diagnósticos.

Claudia iniciou o bate-papo destacando a importância do compromisso e da responsabilidade nas práticas sustentáveis das empresas de saúde. “Fazemos relatórios de sustentabilidade para apresentar ao mercado, mas muitas vezes sem considerar as preocupações que o professor Carlos e o Ricardo enfatizaram. Não podemos agir assim. Precisamos assumir um compromisso efetivo,” alertou, chamando a atenção dos congressistas para a urgência do tema.

De acordo com Assumpção, se continuarmos na trajetória atual de aquecimento global, até 2040 podemos enfrentar uma retração linear de 12% no PIB global. “Isso é catastrófico. A saúde é um setor ineficiente na gestão de resíduos e insumos. Por quê? Porque, por muito tempo, priorizou-se a qualidade e outras questões, deixando essa parte um pouco negligenciada, como a energia e a limpeza. Acredito que, ao abordar as questões ambientais de maneira estratégica, não apenas visando a redução, mas buscando uma maior eficiência, isso refletirá positivamente no caixa”, analisou o especialista.

Do ponto de vista econômico, Nobre destacou que o Brasil possui a maior biodiversidade do planeta. “Embora tenhamos cerca de 15% da biodiversidade mundial, essa riqueza ainda tem um papel muito pequeno na nossa economia. O grande desafio do projeto Amazônia 4.0 é demonstrar que é possível levar tecnologia para a região, industrializando esse potencial tanto rural quanto urbano, mantendo a floresta e impulsionando a economia,” explicou.

Diante de um cenário de incertezas, Nomura destacou que a plateia do FILIS é composta por tomadores de decisão capazes de fazer a diferença. “As lideranças estão aqui, e gostaria que levássemos essa discussão para as empresas. Dependendo de como a situação evolua e da urgência, isso pode se transformar em lei. Cabe a nós, como líderes, refletir sobre isso e, caso ocorra, estarmos preparados para agir”, enfatizou.

O debate ressaltou a urgência de uma abordagem integrada, conectada e responsável para enfrentar os desafios climáticos e garantir um futuro mais sustentável não só para a saúde, mas para todos.

Integrando a cadeia de valor na saúde: desafios e oportunidades em debate no 8º FILIS

Discussão abordou desde a colaboração entre diferentes setores até inovações necessárias para otimizar a assistência e reduzir desperdícios

4 de setembro de 2024 – Líderes do setor se debruçaram sobre as complexidades e oportunidades na integração dos serviços de saúde durante o primeiro painel do 8º FILIS, que discutiu a temática “Integrando a Cadeia de Valor: Desafios e Soluções para Melhoria do Cuidado em Saúde”. O debate evidenciou a necessidade urgente de conectar os diversos elementos da cadeia de saúde para proporcionar um cuidado mais eficiente e sustentável, abordando as lacunas existentes e propondo soluções inovadoras.

Moderada por Ademar Paes Jr., Membro do Conselho de Administração da Abramed, sócio da Clínica Imagem e Founder LifesHub, a mesa contou com a presença de Emmanuel Lacerda, superintendente de Saúde e Segurança na Indústria no SESI; Manoel Peres, CEO da Bradesco Saúde e MedService; e Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein.

Paes Jr. destacou que “durante muito tempo, em momentos de crise, acabamos focando nossos trabalhos e decisões em soluções ligadas à nossa própria área de atuação. Mas, nos últimos tempos, temos visto soluções mais criativas e integradas, que chamam para projetos de múltiplos elementos”. Essa visão é essencial para enfrentar os desafios atuais e promover uma abordagem mais colaborativa na saúde.

Diante deste contexto, Lacerda sublinhou a importância de uma gestão mais abrangente. “A saúde dentro das empresas não é só plano de saúde. Infelizmente, ele é visto, muitas vezes, como um benefício de RH, não como uma ferramenta de gestão de saúde. Precisamos unir as empresas e dialogar com o setor público para criar uma agenda conjunta que permita um compartilhamento de dados e uma melhor gestão da saúde dos trabalhadores.” Segundo Lacerda, é fundamental uma colaboração mais eficaz entre a indústria e os prestadores de serviços de saúde para alcançar melhores resultados.

Peres também refletiu sobre o cenário atual do setor de saúde. “Lamentavelmente, ainda não temos um serviço tão integrado como o desejado. Há iniciativas importantes, mas ainda há muita fragmentação e desperdício.” Ele lembrou que o setor de saúde representa cerca de 9% do PIB, refletindo sua importância econômica, mas também destacou a desigualdade no financiamento do setor privado em relação ao público.

“É evidente que há um subfinanciamento no setor privado, mas estamos observando um grande esforço para melhorar essa situação, o que é significativo. Para aqueles que estão aqui e trabalham na área, muitas vezes a perspectiva tende a ser bastante negativa, pois focamos apenas no presente e esquecemos de como o setor era nos anos 70, 80 ou até mesmo 90”, completou.

Por sua vez, Klajner abordou a questão da remuneração e seus impactos na saúde. “O modelo de remuneração muitas vezes é perverso, pois incentiva mais a receita do que a saúde real. No Hospital Albert Einstein, ao assumirmos o cuidado de nossos colaboradores, conseguimos reduzir custos e promover um cuidado mais integrado e efetivo, evidenciando a importância de uma abordagem menos fragmentada.” Ele ressaltou que essa integração não apenas melhora a qualidade do cuidado, mas também resulta em economias significativas.

Reformas e inovações no setor de saúde

Com a necessidade crescente de reformulação e inovação no setor de saúde, as discussões do painel avançaram para a questão fundamental do novo marco regulatório e da tecnologia para compartilhamento de dados. “Está claro que o setor precisa de um novo marco regulatório para evoluir e responder às demandas atuais. A saúde mudou completamente nos últimos 20 anos, e um novo marco é essencial para atender às novas necessidades e expectativas da população”, disse Peres.

Ainda no quesito necessidade, Lacerda frisou as dificuldades da gestão de saúde na indústria. Ele afirmou que existe a necessidade de uma agenda do contratante e um movimento coordenado para que todos os stakeholders se reúnam e desenvolvam soluções eficazes, salientando que tanto grandes quanto pequenas empresas têm um papel crucial e que o RH deve criar sistemas de incentivo, sem tantas barreiras, para engajar os colaboradores em programas de prevenção. Além disso, enfatizou a relevância da Telessaúde e a necessidade de colaboração, mencionando que “não vai ser uma coisa exclusivamente do Sesi, mas em cooperação com o sistema”.

Sobre a complexidade e os problemas enfrentados com o modelo atual, Klajner refletiu sobre situações que acontecem em outros países e a preocupação para que isso não ocorra no Brasil. Ele também enfatizou a importância de uma abordagem mais integrada, que priorize a qualidade do cuidado e a eficiência dos recursos.

O painel encerrou com um olhar otimista para o futuro, destacando a importância da inovação e da tecnologia na melhoria dos cuidados de saúde. Paes Jr. concluiu: “Precisamos ser otimistas com o setor de saúde. Ano após ano, ele cresce em volume financeiro e participação no PIB, e há um grande potencial para incorporar novas tecnologias e inovações.” Em suma, a integração mais eficaz é o primeiro passo para promover uma assistência de qualidade.

Giovanni Guido Cerri recebe Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld pela contribuição ao setor de saúde

Presidente dos Conselhos do InRad e do InovaHC, do HCFMUSP, o médico também foi Secretário de Estado da Saúde de São Paulo

4 de setembro de 2024 – A sexta edição do prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld foi para o médico Giovanni Guido Cerri. A cerimônia de premiação aconteceu durante a 8ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde – FILIS, realizada dia 29 de agosto, no  Teatro B32, em São Paulo. A homenagem, criada pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), reconhece personalidades que se destacaram por contribuições significativas para o avanço do setor de saúde.

Giovanni Guido Cerri é professor titular de Radiologia da Faculdade de Medicina da USP; presidente dos Conselhos dos Institutos de Radiologia (InRad) e de Inovação (InovaHC), do Hospital das Clínicas da FMUSP; além de membro titular e da diretoria da Academia Nacional de Medicina e da Academia Paulista de Medicina. É responsável pelo Serviço de Diagnóstico por Imagem do Hospital Sírio-Libanês, além de presidente do Instituto Coalizão Saúde (ICOS) e membro do Fórum Nacional de Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Formado pela Faculdade de Medicina da USP em 1976, o homenageado fez doutorado e livre-docência na mesma Instituição. Presidiu a Sociedade Paulista de Radiologia, o Colégio Brasileiro de Radiologia e o World Federation of Ultrasound in Medicine and Biology. Foi diretor científico da Associação Médica Brasileira (AMB), presidente do Conselho e diretor geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e presidiu os Conselhos do Hospital das Clínicas da FMUSP e da Fundação Faculdade de Medicina. Também atuou como diretor da Faculdade de Medicina da USP por dois mandatos.


Participou de Conselhos de diversas outras entidades, entre elas: Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (Abimed), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), Hospital Sírio-Libanês, Dasa e Fundação Zerbini. Foi Secretário de Estado da Saúde de São Paulo de 2011 a 2013.

“Tivemos a honra de reconhecer um profissional que é referência para todos nós, por sua vasta contribuição acadêmica e institucional para o desenvolvimento da radiologia no Brasil. Sua dedicação incansável e liderança em projetos inovadores, como os do InovaHC, exemplificam o espírito do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld. Esta homenagem é um tributo ao legado e ao impacto positivo que o Dr. Giovanni Guido Cerri continua a exercer no nosso setor”, declarou Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, durante cerimônia.


“Sinto-me honrado em receber o Prêmio Dr. Gastão Rosenfeld. Conheci e convivi com o Dr. Gastão, com quem compartilhei momentos no conselho da Dasa. Esse reconhecimento é especialmente significativo para mim, pois valida a trajetória que construí na radiologia e no diagnóstico por imagem. Este é, sem dúvida, um momento muito importante da minha carreira”, disse Cerri.

Sobre o Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld

A premiação leva o nome do Dr. Luiz Gastão Rosenfeld (in memoriam), que foi membro da Câmara Técnica da entidade e uma das maiores autoridades em patologia clínica e hematologia do Brasil.

Já receberam a honraria: Jarbas Barbosa, Subdiretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para as Américas; Mayana Zatz, bióloga molecular, geneticista e docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências de Universidade de São Paulo; Margareth Dalcolmo, médica pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Dimas Tadeu Covas, Presidente do Instituto Butantan e do Conselho Curador da Fundação Butantan; e Alberto Duarte, pesquisador, doutor em Nefrologia pela Unifesp, pós-doutor pela Harvard Medical School e diretor de Análises Clínicas da Rede D´Or SP.

8º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde mostrou o poder da colaboração entre saúde pública e privada

Com a temática “Saúde Inovadora: Oportunidades para um setor sustentável”, o FILIS recebeu profissionais da saúde em mais uma edição do evento que já é referência para toda a cadeia

4 de setembro de 2024 – O 8º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde – FILIS, promovido anualmente pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – Abramed, foi realizado no último dia 29 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo (SP). Com programação qualificada e público formado por gestores, especialistas e demais profissionais da saúde, o evento mostrou como a inovação e a cooperação entre os setores público e privado podem alavancar os resultados do setor em todo o país.

Durante a cerimônia de abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, frisou o poder do diálogo e do networking em busca de soluções para avançar diante dos desafios emergentes. “Nossos beneficiários, pacientes e executivos são todos pessoas. Então, ao agregar valor humano, promovemos uma verdadeira transformação. Que possamos sair daqui muito melhores do que quando chegamos”, enalteceu.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Sírio-Libanês, concordou com Milva a respeito do olhar humano diante das adversidades e alertou os líderes presentes sobre a importância de direcionar recursos para inovação. “Sou testemunha viva de como o investimento em saúde gera valor. Só estou aqui porque realmente pude experimentar o que é fazer um exame rapidamente e receber uma intervenção em tempo hábil”, lembrou, referindo-se ao episódio de encefalite vivido há um ano. Segundo ele, cabe às lideranças olharem e discutirem a sustentabilidade e o futuro do setor da saúde.

Parcerias público-privadas

Entre as autoridades convidadas esteve Eleuses Paiva, Secretário Estadual da Saúde do Estado de São Paulo, que, em sua palestra magna, destacou a importância da colaboração entre os setores público e privado na construção de políticas de saúde eficazes. “Precisamos atuar juntos, com o mesmo objetivo, em busca de qualidade e assistência”, expôs.

Outro ponto central foi a necessidade de maior articulação do setor de saúde no Congresso Nacional, especialmente em relação à reforma tributária, que pode impactar diretamente os serviços prestados. “É importante conversarmos com as bancadas estaduais e partidárias e transmitir conhecimento suficiente para que a votação seja feita adequadamente.”

Paiva também apresentou um diagnóstico do cenário da saúde em São Paulo, apontando desafios como o colapso do sistema pós-pandemia, a falta de leitos e a grande fila de espera em setores críticos, como oncologia. Com orgulho, ele mencionou os avanços no ano passado, como a realização de mais de 1 milhão de cirurgias eletivas, superando em 25% a média anterior. Apesar desses avanços, ele ressaltou que a heterogeneidade do estado exige políticas de saúde regionalizadas para atender de forma mais precisa às diferentes necessidades de cada localidade.

Inovação e Saúde Digital

Adriano Massuda, Secretário de Atenção Especializada à Saúde – SAES/MS, também teve um papel de destaque entre as palestras das autoridades. Em um vídeo gravado exclusivamente para o evento, trouxe à tona temas relevantes para o futuro da saúde no Brasil, destacando os avanços do SUS, bem como os desafios estruturais que ainda precisam ser enfrentados.

Massuda enfatizou a relevância do programa “Mais Acesso a Especialistas”, recentemente lançado, que busca qualificar a atenção especializada no país. “São várias ações que estão em curso para ampliar a oferta de consultas e exames, porém, mais do que ampliar a oferta, o nosso objetivo é promover uma reorganização da atenção especializada no sistema de saúde”. Para ele, a inovação é fundamental nesse processo.

O secretário também destacou os avanços na área de Saúde Digital, impulsionados pela criação da Secretaria de Saúde Digital, liderada por Ana Estela Haddad. Ele acredita que espaços de discussão como o FILIS são essenciais para fomentar o progresso no setor.

Com informações relevantes e engajamento dos líderes presentes, o primeiro bloco do FILIS enumerou soluções práticas e colaborativas, em busca do desenvolvimento contínuo do setor.

FILIS 2024, um dos maiores eventos de líderes da saúde, discutirá inovação e sustentabilidade

Confira a programação completa do evento, que acontecerá no dia 29 de agosto de 2024, no Teatro B32, em São Paulo

15 de agosto de 2024 – A 8ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), organizado pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), será um encontro imperdível para toda a cadeia do setor de saúde, reunindo autoridades e profissionais das áreas pública e privada. Com o macro tema “Saúde Inovadora: Oportunidades para um setor sustentável”, o evento acontecerá no dia 29 de agosto de 2024, das 9h00 às 18h00, no Teatro B32, em São Paulo.

A programação inicia com a solenidade de abertura – conduzida por Cesar Nomura, Presidente do Conselho de Administração da Abramed, e Milva Pagano, Diretora-executiva da Abramed – e palestras com duas autoridades governamentais: Adriano Massuda, Secretário de Atenção Especializada à Saúde – SAES/MS, e Eleuses Paiva, Secretário Estadual da Saúde do Estado de São Paulo.

Em seguida, um dos momentos mais memoráveis do dia, a entrega do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece e homenageia personalidades que se destacaram por contribuições significativas para o avanço do setor. Criada pela Abramed em 2018, a premiação leva o nome de uma das maiores autoridades em patologia clínica e hematologia do Brasil, que foi membro da Câmara Técnica da entidade.

O primeiro debate do dia terá como tema “Integrando a cadeia de valor: Desafios e soluções para melhoria do cuidado em saúde”, com presenças de Emmanuel Lacerda, Superintendente de Saúde e Segurança na Indústria no SESI; Manoel Peres, CEO da Bradesco Saúde e MedService; Sidney Klajner, Presidente do Hospital Albert Einstein; e moderação de Ademar Paes J., Sócio da Clínica Imagem, Founder LifesHub e Membro do Conselho de Administração da Abramed.

A Abramed inova ao trazer para o evento representantes da indústria e das empresas que contratam planos de saúde. “Elas são o ponto inicial no financiamento do setor suplementar, e sua participação na discussão é considerada essencial pela entidade. Em algumas situações, as empresas enxergam o plano de saúde como uma ameaça devido aos custos crescentes, porém, o desenvolvimento econômico é crucial para que elas possam consumir serviços de saúde privados e contribuir financeiramente para o sistema de saúde público de qualidade”, ressalta Ademar.

Após o primeiro debate, haverá o “Leaders Connection”, uma parada estratégica na programação para promoção de networking e troca entre os participantes do evento. 

O FILIS 2024 trará um novo eixo de discussão sobre os desafios das mudanças climáticas no mundo. Carlos Nobre, cientista destacado principalmente na área dos estudos sobre o aquecimento global, e Ricardo Assumpção, Líder de ESG e Sustentabilidade para América Latina e Diretor de Sustentabilidade Brasil da EY, são palestrantes confirmados para o tema. Suas apresentações abrirão para um debate sobre “Os Impactos das Mudanças Ambientais e Climáticas na Saúde Brasileira”, com participação dos próprios Carlos Nobre e Ricardo Assumpção, além de Cesar Nomura, Diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Sírio-Libanês, sob a moderação de Claudia Cohn, Membro do Conselho de Administração da Abramed, Diretora de negócios nacionais na Dasa e CEO do Alta Diagnósticos.

O impacto das mudanças climáticas na saúde global é um desafio crescente, exigindo maior preparação e adaptação por parte das instituições públicas e privadas para mitigar os riscos associados. Durante o debate, será mostrado como a medicina diagnóstica pode ajudar a enfrentar esses desafios, fornecendo insights críticos e soluções inovadoras, além de desenvolver estratégias para reduzir o próprio impacto no meio ambiente.

Período da tarde

A programação após o almoço terá início com uma palestra do Diretor de Normas e Habilitação dos Produtos na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Alexandre Fioranelli, sobre “O Desafio da assistência na saúde suplementar garantindo acesso e sustentabilidade”. 

Seguida do terceiro debate do dia, que discutirá “O papel da qualidade para a sustentabilidade do setor”, com participação de Antônio Britto, Diretor da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp); Daniel Meirelles, Diretor da Terceira Diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); e Maurício Nunes da Silva, Diretor de Desenvolvimento Setorial na ANS. A moderação ficará a cargo de Wilson Shcolnik, Membro do Conselho de Administração da Abramed e Gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury.

“A Abramed, que congrega tanto laboratórios clínicos, de anatomia patológica quanto clínicas de diagnóstico por imagem, espera que este debate com representantes e diretores de órgãos reguladores possa abrir caminhos e renovar expectativas. Trazendo nossas visões de mercado como usuários de novas tecnologias, queremos apresentar à Anvisa e à ANS as inovações mais recentes, criando oportunidades de reconhecimento para os prestadores e promovendo uma regulação mais direcionada à inovação emergente em nosso país”, comenta Shcolnik.

Após segundo intervalo para o Leaders Connection, o palestrante internacional Olivier Convard, Lifecycle Leader of Digital Infrastructure na Roche Information Solutions, abordará o tema “A Interoperabilidade na Saúde ao redor do mundo”. 

Em seguida, acontecerá o “Momento Transformação”, com a apresentação de um case sobre interoperabilidade por Paula Xavier, Coordenadora-Geral de Inovação e Informática em Saúde na Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), do Ministério da Saúde.

O quarto e último debate terá o tema “Interoperabilidade na Saúde: Desafios, Perspectivas e Inovações” e contará com a participação de Adriana Costa, Diretora Geral da Siemens Healthineers Brasil; Ana Estela Haddad, Secretária de Saúde Digital do Ministério da Saúde; Giovanni Guido Cerri, Professor Titular da FMUSP, Presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e Coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP – InovaHC; Marina Viana, Diretora-Executiva Brasil da GE HealthCare; e moderação de Eliézer Silva, Membro do Conselho de Administração da Abramed e Diretor do Sistema de Saúde Einstein no Hospital Albert Einstein.

O tema da interoperabilidade é crucial para a sustentabilidade da saúde, pois envolve a integração de sistemas e a padronização de dados para melhorar a eficiência e a qualidade dos cuidados. 

O FILIS 2024 encerra-se às 18h00 com um discurso de Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin e Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed. Não perca a chance de participar deste evento repleto de insights e oportunidades para líderes do setor de saúde!

Serviço

8ª edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde

Tema: “Saúde Inovadora: Oportunidades para um setor sustentável”

Quando: 29 de agosto de 2024

Horário: Das 8h00 às 18h00

Onde: Teatro B32, São Paulo

Garanta já sua participação: http://www.abramed.org.br/filis

Abramed apoia campanha do CBR sobre o Dia Mundial de Segurança do Paciente

A ação se encerra em 17/09, com o 2º Congresso Virtual de Acreditação e Qualidade, também com participação da Abramed

15 de agosto de 2024 – No dia 17 de setembro deste ano, comemora-se o Dia Mundial da Segurança do Paciente, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientizar os profissionais sobre a importância da segurança do paciente em todas as áreas da saúde. O tema da campanha global de 2024 é “Segurança em Diagnóstico”.

Devido à importância da pauta, o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) criou a campanha “Diagnóstico Seguro, Paciente Protegido”, em parceria com a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina laboratorial (SBPC/ML), para promover a cultura de segurança na medicina diagnóstica, assegurando que tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes estejam bem-informados e engajados.

Segundo Wilson Shcolnik, Membro do Conselho de Administração da Abramed e Diretor de Relações Institucionais da SBPC/ML, a segurança do paciente está diretamente relacionada aos serviços prestados em medicina diagnóstica, porque os exames complementares desempenham um papel fundamental ao longo da cadeia de cuidados em saúde. “Eles são essenciais, desde a identificação de fatores de risco e prevenção de doenças até a definição de diagnósticos, sendo úteis também no gerenciamento das doenças e no monitoramento da eficácia dos tratamentos”, comenta.

Segundo estudos, cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais. A medicina personalizada utiliza esses dados para identificar quais pacientes se beneficiarão de determinadas terapias, especialmente em casos de câncer, cujo tratamento pode ser bastante dispendioso. “Esse cuidado garante o melhor desfecho para o paciente, indicando tanto os benefícios quanto os malefícios de cada terapia para determinada pessoa”, explica. 

Por outro lado, Shcolnik alerta que um diagnóstico incorreto pode comprometer todas as etapas subsequentes, correndo o risco de trazer danos ao paciente. São os chamados eventos adversos, que devem ser evitados a todo custo. De acordo com a OMS, os eventos adversos ocupam o ranking das dez maiores razões de morte e incapacidade, com quatro em cada dez pacientes lesados de alguma forma e cerca de 2,6 milhões de óbitos por ano. 

Para eliminar danos evitáveis nos cuidados de saúde, a OMS definiu como objetivos estratégicos focar em políticas eficazes, sistemas de alta confiabilidade e segurança nos processos clínicos, com o envolvimento de pacientes e familiares. Além disso, cita a importância do desenvolvimento das competências dos profissionais de saúde, da gestão de riscos com base em informação e investigação, e das parcerias.

“A conexão entre a medicina diagnóstica e a segurança do paciente é evidente, e os profissionais que atuam nessa área precisam ser conscientizados disso. A Abramed demonstra um forte compromisso com a temática, o que reflete diretamente em seu estatuto. Somente são admitidos como associados aqueles que comprovam estar vinculados a algum programa de acreditação relevante, seja ele nacional ou internacional”, ressalta Shcolnik.

O papel da acreditação

A campanha se encerra com o 2º Congresso Virtual de Acreditação e Qualidade, que ocorrerá em 17 de setembro, pela Plataforma Zoom, das 17h às 21h. Com o propósito de celebrar o Dia Mundial de Segurança do Paciente, o congresso será uma oportunidade para a troca de conhecimentos e experiências sobre acreditação e qualidade, incentivando a melhoria contínua dos serviços de diagnóstico.

Durante o evento, serão abordados tópicos como: os princípios básicos de segurança do paciente em ambientes de diagnóstico, a relevância de protocolos e práticas seguras, além dos benefícios e desafios na acreditação. Também serão discutidos protocolos e práticas de segurança em exames de análises clínicas e o uso de indicadores de qualidade e segurança.

Representando a Abramed, Shcolnik será um dos participantes da palestra magna, que terá como tema a “Importância da Acreditação para o Futuro da Saúde”, a partir das 17h30. Segundo ele, quando uma instituição decide aderir à acreditação, ela naturalmente incorpora requisitos sanitários específicos, o que resulta em benefícios significativos, como estruturação de processos e fluxos dentro dos sistemas de saúde, colaborando para a segurança do paciente e de todo o processo.

Com o tempo, de acordo com Shcolnik, as normas de acreditação acabaram abrangendo também requisitos estratégicos que asseguram a sustentabilidade dos sistemas de saúde. Entre esses requisitos, destacam-se a educação continuada dos profissionais, o gerenciamento eficaz de equipamentos utilizados em diversas áreas de assistência à saúde e, principalmente, a atenção aos desfechos dos cuidados prestados.

“As palavras-chaves nos processos de acreditação são medição de desempenho e melhoria contínua. Sem medir o que está acontecendo nos serviços de saúde, é impossível promover melhorias, pois não se consegue identificar as oportunidades de aperfeiçoamento em cada processo e nos resultados dos serviços prestados”, expõe, lembrando que a busca pela acreditação é voluntária, demonstrando o interesse da instituição pelo seu aprimoramento.

Para mais informações e inscrição para o 2º Congresso Virtual de Acreditação e Qualidade, clique aqui.

Outros setores podem inspirar melhorias na eficiência e na experiência do cliente em Saúde

Baseando-se em modelos de sucesso, saúde avança cada vez mais no uso de dados e IA para aprimorar resultados

15 de agosto de 2024 – O setor de saúde vem enfrentando diversos desafios, como o aumento dos custos operacionais, a crescente demanda por serviços de qualidade e a escassez de profissionais capacitados. Sem falar do envelhecimento da população e do crescimento das doenças crônicas, que pressionam ainda mais o sistema.

A eficiência tornou-se imperativo não apenas para reduzir custos, mas também para melhorar a qualidade do atendimento ao paciente. Segundo Eliézer Silva, diretor do Sistema de Saúde no Einstein e membro do Conselho de Administração da Abramed, todas as indústrias, atualmente, são desafiadas a encontrar novos modelos de produção e geração de valor.

“Inovação não é mais apenas um pilar estratégico; tornou-se uma questão de sobrevivência. É essencial para o desenvolvimento de novos serviços e produtos, assim como para aprimorar a eficiência”, destaca. Na área da saúde, as empresas sofrem pressão em suas margens operacionais, seja por posicionamento de preço (competitividade), seja por aumento de seus custos. Neste contexto, cabe ao gestor olhar e aprender com outros setores novas possibilidades.

Um exemplo claro, apontado por Eliézer, é como as organizações estão utilizando dados e inteligência artificial para melhorar seus resultados. “No setor de saúde há uma enorme oportunidade de fazermos o mesmo. O simples fato de termos dados dos processos assistenciais ao longo da vida dos pacientes permite coordenar melhor o cuidado, evitando desperdícios e riscos desnecessários a uma determinada população”, explica.

Além disso, ele acrescenta que o emprego de IA nos processos operacionais também traz ganhos. “Observamos exemplos aqui no Einstein, como o gerenciamento automatizado da agenda do centro cirúrgico, a capacidade preditiva de internação de pacientes atendidos nas unidades de pronto atendimento e a correta alocação de recursos para esses pacientes.”

De acordo com Eliézer, o emprego de melhoria contínua, como Lean Six Sigma – abordagem que usa o esforço de equipe colaborativa para aprimorar o desempenho –, é um dos pilares operacionais que evidencia as oportunidades de otimizar os recursos e melhorar a eficiência. “Em síntese, a liderança tem de estar atenta às mudanças tecnológicas e ter a capacidade de aprender e empregar as inovações com assertividade e agilidade nas suas organizações”, expõe. 

Exemplo de sucesso

Segundo o executivo, há modelos de sucesso em diferentes setores da economia, com cases relevantes voltados à logística e ambiente antifraude, por exemplo. Por isso, pesquisar a fundo e realizar possíveis trocas de experiências podem enriquecer o processo também na área da saúde. “À medida que toda a jornada do cliente é capturada, algumas empresas utilizam dados em tempo real para otimizar essa jornada, melhorando tanto a eficiência operacional quanto a experiência do usuário, ao passo que esses dados lhes permitem entender melhor cada cliente, criando experiências personalizadas que aumentam a fidelização”, conta.

Para Eliézer, o fato de o setor de saúde ainda se deparar com jornadas fragmentadas (já que nem sempre o paciente é atendido dentro de uma única organização durante a realização de seus cuidados com a saúde) tende a dificultar a construção de um modelo baseado em dados. “Acredito que a troca de experiências entre setores, adaptada ao contexto da saúde, é essencial para alcançarmos um novo patamar de entrega de valor”, comenta.

Passo a passo

Para que as organizações de saúde se tornem direcionadas por dados, é preciso estabelecer uma estrutura adequada, de acordo com Eliézer. “Em primeiro lugar, é fundamental contar com o engajamento da liderança. Mudanças desse tipo exigem que as pessoas entendam e adotem novas formas de trabalho, o que representa um grande desafio, pois desapegar dos hábitos tradicionais exige uma mudança comportamental profunda”, aponta.

Em segundo lugar, é importante implementar práticas de coleta de dados voltadas para a construção de jornadas. Os dados clínicos e demográficos precisam ser capturados, curados e armazenados de forma adequada, respeitando os princípios da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e da cibersegurança. “Isso exige investimentos em treinamento de pessoal e em tecnologia da informação. Muitas organizações têm criado áreas dedicadas a big data e analytics, como é o caso do próprio Einstein, juntamente com investimentos em infraestrutura e arquitetura tecnológica”, conta Eliézer.

Em terceiro lugar, é essencial conectar a área operacional à de tecnologia, afinal, as demandas tecnológicas devem ser geradas pelos setores de operação. Por exemplo, ao redefinir uma nova jornada mais integrada, as empresas de medicina diagnóstica precisarão cada vez mais de dados demográficos e clínicos. A construção dessas plataformas deve ser orientada pelas necessidades assistenciais e operacionais, e viabilizada pela área de tecnologia.

“Enfim, esses passos não são simples, mas ajudam as organizações a construírem jornadas mais integradas, proporcionando maior entrega de valor, ou de saúde, às populações, além de garantir um maior retorno sobre os investimentos realizados”, expõe Eliézer. 

À medida que o setor de saúde avança na direção da inovação e da digitalização, a capacidade de adaptação e aprendizado se torna vital. Com a liderança comprometida e uma estrutura de dados robusta, é possível não apenas enfrentar os desafios atuais, como também antecipar e responder às necessidades futuras, garantindo um sistema orientado por dados e, naturalmente, mais sustentável. 

Abramed participará do 56º CBPCML, em Salvador, e convida todos a visitarem seu estande

O evento será de 10 a 13 de setembro e abordará o papel da medicina laboratorial na sustentabilidade do setor de saúde

15 de agosto de 2024 – De 10 a 13 de setembro, a Abramed estará no 56º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica Medicina Laboratorial (CBPCML), realizado no Centro de Convenções Salvador, BA, pela Sociedade Brasileira de Patologia Clínica Medicina Laboratorial (SBPC/ML). O tema desta edição será “O Papel da Patologia Clínica/Medicina Laboratorial na Sustentabilidade dos Sistemas de Saúde”.

Durante os quatro dias, a Abramed receberá em seu estande institucional associados, parceiros e profissionais interessados em conhecer e acompanhar as iniciativas da entidade em prol do desenvolvimento da saúde no Brasil. Este espaço será uma oportunidade para estreitar relacionamentos, apresentar projetos e discutir temas relevantes que envolvem o presente e o futuro da medicina diagnóstica.

Para a Abramed, participar de eventos como este é de extrema importância, pois faz parte de sua missão contribuir ativamente para a evolução do setor. Ao estar presente em congressos e eventos científicos, a entidade fortalece sua rede de parceiros, troca experiências e compartilha conhecimentos que impactam diretamente a qualidade dos serviços prestados.

“Nosso papel vai além de representar o setor de medicina diagnóstica, pois buscamos promover a inovação, a qualidade e a sustentabilidade em toda a cadeia, o que vai, justamente, ao encontro do tema deste ano. Convidamos todos os profissionais a visitarem nosso estande, onde estaremos à disposição para discutir como podemos, juntos, continuar avançando em direção a uma saúde de excelência para o Brasil”, declara Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Com mais de 4.000 metros de exposição e 90 expositores, o evento promete quatro dias de imersão, incluindo uma programação científica diversificada, com mais de 100 atividades, que abrangem desde conferências, mesas-redondas, cursos e workshops até encontros com especialistas e apresentações de casos clínicos. A edição 2023 do CBPC reuniu, em São Paulo, quase sete mil pessoas, além de 250 palestrantes nacionais e 70 internacionais. 

Clique aqui para mais informações sobre o 56º CBPC.

FILIS 2024 trará palestras e debate abordando os impactos das mudanças ambientais e climáticas na saúde brasileira

As atividades do setor de saúde influenciam no aquecimento global e isso afeta negativamente o próprio sistema

15 de agosto de 2024 – “Os Impactos das Mudanças Ambientais e Climáticas na Saúde Brasileira” será discutido no 8º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, organizado pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que acontecerá no dia 29 de agosto de 2024, das 8h00 às 18h00, no Teatro B32, em São Paulo.

Carlos Nobre, cientista destacado principalmente na área dos estudos sobre o aquecimento global; Ricardo Assumpção, Líder de ESG e Sustentabilidade para América Latina e Chief Sustainability Officer Brasil da EY; e Cesar Higa Nomura, Diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Sírio-Libanês e Presidente do Conselho de Administração da Abramed, vão abordar o tema, sob moderação de Claudia Cohn, Diretora de negócios nacionais na Dasa, CEO do Alta Diagnósticos e Membro do Conselho de Administração da Abramed.

O tema é de extrema importância, afinal, hospitais e laboratórios são responsáveis por mais de 4% das emissões globais de CO2, sendo que em muitos países desenvolvidos, esse número chega a 10% das emissões nacionais​​. Além disso, são responsáveis ​​por mais de 5 milhões de toneladas de resíduos a cada ano. Os dados são do relatório da Health Care Without Harm.

Os hospitais são algumas das instalações públicas com maior intensidade energética, emitindo 2,5 vezes mais gases de efeito estufa do que prédios comerciais, também de acordo com o relatório citado. A pegada ambiental inclui o uso intensivo de energia, bem como as emissões indiretas resultantes da eletricidade, vapor, refrigeração e aquecimento, segundo informações da Federação Internacional de Hospitais (IHF). ​

Isso quer dizer que as atividades do setor de saúde influenciam no aquecimento global, e isso cria um ciclo que afeta negativamente o próprio sistema. À medida que a temperatura do planeta aumenta, a demanda por serviços de saúde também cresce, especialmente em relação a doenças relacionadas ao calor, como desidratação, insolação e doenças cardiovasculares. 

Além disso, o aquecimento global está criando condições ideais para a proliferação de mosquitos que transmitem doenças. De acordo com o World Mosquito Program, temperaturas mais quentes e maiores níveis de umidade permitem que esses insetos sobrevivam e se multipliquem em regiões antes consideradas frias demais para suportá-los​. Por exemplo, doenças como dengue e chikungunya estão agora se espalhando além de suas zonas geográficas tradicionais, colocando em risco metade da população mundial​.

As mudanças climáticas também estão facilitando a propagação de bactérias em águas mais quentes, como a bactéria Vibrio vulnificus, que pode causar infecções graves​. Um estudo publicado na Nature Climate Change mostrou que mais de 58% das doenças infecciosas conhecidas são exacerbadas pelas mudanças climáticas.

“Isso mostra que o impacto das mudanças climáticas na saúde global é um desafio crescente, exigindo maior preparação e adaptação por parte das instituições públicas e privadas para mitigar os riscos associados. Durante o debate, vamos apresentar como a medicina diagnóstica pode ajudar a enfrentar esses desafios, fornecendo insights críticos e soluções inovadoras, além de desenvolver estratégias para reduzir o próprio impacto no meio ambiente”, declara Claudia Cohn.

Segundo a 6ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, metade das empresas associadas à Abramed realizaram, em 2023, análises para identificar os riscos associados à mudança climática e mantêm um inventário de emissões de gases do efeito estufa. Além disso, 71% implementaram medidas para compensar a emissão de gases do efeito estufa, como projetos de reflorestamento. E, ainda, 50% ofereceram treinamentos para sensibilizar os funcionários acerca dos efeitos da mudança climática.

Outro assunto relacionado ao tema que pode figurar no debate é a necessidade de adaptação dos sistemas de saúde para lidar com o aumento da demanda por serviços médicos, além da importância de integrar estratégias de sustentabilidade e resiliência nas empresas que atuam na área.

O papel da inovação tecnológica e da análise de dados na identificação e resposta a riscos emergentes; a importância da governança corporativa na promoção de práticas sustentáveis e na proteção da saúde pública; e a necessidade de colaboração entre governos, setor privado e sociedade civil para abordar os desafios de saúde decorrentes das mudanças climáticas são outros tópicos importantes.

As inscrições para o 8º FILIS estão abertas e as vagas são limitadas. Faça parte dessa jornada de transformação!

Serviço

8ª edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde

Tema: “Saúde Inovadora: Oportunidades para um setor sustentável”

Quando: 29 de agosto de 2024

Horário: Das 9h00 às 18h00

Onde: Teatro B32, São Paulo

Garanta já sua participação: http://www.abramed.org.br/filis