Abramed celebra 10 anos de atuação com evento digital reunindo fundadores e associados

Virtual devido à pandemia de COVID-19, encontro promoveu debate entre ANS e ANVISA; edição 2020 do Painel Abramed foi lançada na ocasião

4 de dezembro de 2020

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) planejou, para o ano de 2020, doze meses de ações comemorativas aos 10 anos da entidade. Porém, com a chegada da pandemia de COVID-19, muitos dos planos tiveram de ser adiados e outros tantos reformulados. Depois de investir em ações de comunicação nas redes sociais compartilhando detalhes sobre sua estrutura organizacional e dando voz a cada um de seus 27 associados, a entidade organizou um evento para lançar a terceira edição Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico; dialogar com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS); e, por fim, brindar a sua uma década de relevante atuação no setor de saúde.

“O ano de 2020 tem sido desafiador para todos. Um período no qual a saúde exerceu papel fundamental no combate ao novo coronavírus e a medicina diagnóstica contribuiu enormemente com esse enfrentamento à pandemia”, disse Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação, ao abrir o encontro virtual.

Com uma programação dividida em três momentos, o evento iniciou com debate moderado por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da entidade, e presenças de Alex Campos Machado, diretor da Anvisa, e Rogério Scarabel, diretor-presidente da ANS, para um bate-papo sobre os desafios regulatórios frente à pandemia.

O painel trouxe as percepções de dois dos principais órgãos reguladores da saúde no nosso país. Mostrando que as agências estão totalmente abertas ao diálogo setorial, ambos os executivos traçaram suas perspectivas a respeito dos entraves e das oportunidades que surgiram nos últimos meses.

“Trabalhamos sempre muito próximos às entidades, entre elas a Abramed, realizando diversos encontros com representantes e mantendo as portas abertas para que tivéssemos informações do mundo real para basear nossas decisões”, comentou Scarabel. Segundo o executivo, a ANS sempre buscou as melhores evidências disponíveis e ouviu os pareceres técnicos para agir diante da crise. “Foi um momento difícil e complexo, no qual nossos servidores estavam em trabalho remoto e mesmo assim nos reuníamos de manhã, a tarde, a noite e de madrugada buscando informações. Complexo, difícil, mas um momento muito importante para a história do nosso país”, complementou.

Na Anvisa, o trabalho também tem sido 24/7. “Estamos de plantão. Não paramos de trabalhar um só dia. E quem nos acessou encontrou, na Agência, servidores públicos parceiros e atentos para facilitar a vida das pessoas e das empresas que se empenhavam no enfrentamento da pandemia”, disse Machado. O diretor também mencionou que a Agência deu respostas rápidas flexibilizando as normas possíveis para facilitar o acesso à insumos e importações sem colocar a saúde da população em risco.

Shcolnik reforçou que a Abramed reconhece todo o empenho dos órgãos reguladores e a disposição em ouvir o setor regulado. “Essa abertura para o diálogo nos anima, pois precisamos estar juntos”, disse.

Lançamento do Painel Abramed 2020

A Associação disponibiliza anualmente ao mercado o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, um compilado de dados do setor que tem sido utilizado por líderes e gestores para a tomada de decisões estratégicas em seus negócios. A edição 2020, lançada durante o evento digital, traz uma seção exclusiva com informações sobre a pandemia de COVID-19 (clique AQUI para acessar o arquivo).

Apresentado por Leandro Figueira e Álvaro Almeida, respectivamente vice-presidente do Conselho de Administração e economista-chefe responsável pelo departamento de inteligência da entidade, o painel traz um amplo panorama do mercado. Destrincha a conjuntura econômica e a saúde no Brasil; o setor de medicina diagnóstica, seus estabelecimentos e detalhes sobre a produção assistencial e o mercado de trabalho; as principais perspectivas futuras; e a vitrine de associados Abramed que conta, hoje, com 27 empresas representando cerca de 60% de todos os exames realizados na saúde suplementar nacional.

De forma excepcional, essa edição do painel apresenta informações bastante aprofundadas sobre a relevância do setor frente à pandemia, enfatizando que somente até outubro as empresas associadas à entidade tinham realizado mais de 6 milhões de testes para diagnóstico da infecção. “Nossos associados fizeram sua parte demonstrando capacidade na assistência. Realizaram 41% de todos os exames do país, sendo responsáveis por quase metade dos testes de RT-PCR disponíveis à população brasileira”, pontuou Figueira.

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Fundadores e membros do conselho brindam os 10 anos da Abramed

O terceiro e último momento do encontro, reuniu Luis Natel, primeiro presidente do Conselho de Administração da Abramed (2010-2011); Claudia Cohn, que presidiu a Associação entre 2011 e 2019; e Lidia Abdalla, membro do Conselho de Administração e Associado fundador, para contar um pouco da história da entidade.

“A história da Abramed é a história de todos nós, pois ninguém consegue agir sozinho. A Associação foi um sonho que se tornou realidade quando percebemos que o mercado de medicina diagnóstica crescia e se consolidava assumindo cada vez mais um papel preponderante na saúde de todos”, disse Natel.

A relação amistosa entre essas empresas ditas concorrentes fundamentou o sucesso da entidade na visão de Cláudia. “A gente se dava bem acima de qualquer coisa”, declarou. A executiva falou sobre como foi aprender mais sobre associativismo, termo que ela assume que, à época, não dominava. “Não tínhamos ideia da responsabilidade gigante da Associação. Não é fácil, não há hierarquia como em uma empresa. É preciso agir efetivamente pelo propósito”, completou.

Já Lidia trouxe o ditado “sonhar pequeno ou sonhar grande dá o mesmo trabalho” para enfatizar que a Abramed nunca deixou de acreditar no poder do diagnóstico ser bem representado e ter suas demandas ouvidas e atendidas. “Para conseguir apresentar resultado no final do dia, validando tudo o que pensamos, sonhamos e planejamos, precisamos dos associados representando todos os tamanhos de empresas, de todas as regiões do país. Precisamos de diversidade estrutural”, enfatizou.

Na sequência, a diretora-executiva da Abramed chamou os conselheiros Ademar Paes Junior, Cesar Nomura e Eliezer Silva, que no momento cumprimentaram a Associação, e todos os conselheiros presentes para um brinde final em celebração aos 10 anos. O presidente encerrou o evento ressaltando que 2020 foi um ano muito desafiador, mas repleto de conquistas para a medicina diagnóstica: “saímos vitoriosos e que venham mais 100 anos de Abramed”.

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#especial10anos

Relacionamento com poderes executivo e legislativo exige consistência

Pautada pela ética, Abramed conquistou proximidade com governo levando as principais demandas do setor aos tomadores de decisão

3 de dezembro de 2020

A construção de bom relacionamento com o governo é uma atividade indispensável à vida associativa. Criar uma via de diálogo com os principais formuladores de políticas públicas, garante que as demandas do setor que está sendo representado sejam exibidas com clareza e objetividade, além de permitir que os processos decisórios se baseiem na realidade vivida por cada segmento. Em uma década de atuação, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) evoluiu consideravelmente suas relações governamentais vencendo obstáculos e conquistando notoriedade.

O acesso aos poderes executivo e legislativo – no atual cenário vivido no país – é envolto em questionamentos. “Sabemos que nos últimos anos as relações entre o setor público e o setor privado ficaram estigmatizadas no Brasil. No entanto, esse relacionamento somado à troca de informações dele decorrente é fundamental para garantir uma regulação equilibrada”, comenta Armando Monteiro Bisneto, advogado e especialista em Relações Governamentais.

Para ele, a melhor forma de quebrar esse preconceito que leva muitas pessoas a olharem com desconfiança para essa relação está na transparência. “O diálogo deve respeitar a ética, a legalidade e o compliance. A Abramed, bem como seus associados, sempre se pautou por esses valores. Assim, a aproximação com o governo precisou apenas de uma organização de rotinas e de uma ‘tradução’ do peculiar ambiente de Brasília”, completa.

Ao longo de dez anos, foram diversas as conquistas obtidas na conversa direta com o governo e o diálogo segue cada vez mais fortalecido. Atualmente, a Associação tem apresentado estudos e pesquisas para fundamentar seus questionamentos a respeito dos impactos da reforma tributária no setor de saúde. “Acredito que esse tema, que é muito complexo, é a nossa meta mais ambiciosa da atualidade”, relata o advogado.

Com a pandemia – que impactou absolutamente todos os setores sem exceção – houve um impulso a essa aproximação. “Ficou ainda mais clara a relevância da medicina diagnóstica para a saúde da população, o que nos permitiu evoluir muito na relação com nossos stakeholders, especialmente do legislativo”, comenta Fábio Cunha, diretor do Comitê Jurídico da Abramed. Essa vitória se deu, pois, apesar da pandemia, as atividades governamentais seguiram e a entidade se manteve ativa nas discussões junto aos tomadores de decisão, inclusive defendendo os pleitos relativos à reforma.

É importante lembrar que o diálogo não pode ser pontual para suprir uma ou outra necessidade esporádica, como reforça Cunha. “Temos que construir relações duradouras, consistentes e frequentes. Esse é um relacionamento de confiança que tem que ser fortalecido ao longo dos anos tendo em vista a relevância institucional”, diz. O executivo complementa afirmando que a Abramed é encarada como uma associação bastante conceituada e que essa credibilidade deve ser mantida ao longo dos anos.

Mesmo com os avanços, o executivo acredita que ainda há muito a ser feito, já que o setor de saúde, de forma geral, não está no mesmo nível de organização de outros setores que há muito tempo atuam de forma conjunta e estratégica na defesa de seus interesses. “Precisamos cada vez mais unir os diversos atores da complexa cadeia de saúde em agendas positivas para que possamos atuar em bloco defendendo a saúde do Brasil”, afirma.

Para vencer esse desafio, é preciso quebrar uma barreira mencionada por Monteiro Bisneto. “Há, ainda, uma cultura vigente no nosso país onde o agente público ou político é visto como uma autoridade, e não como um servidor”, finaliza.

#especial10anos

De presenciais para virtuais – Pandemia exigiu adaptações, mas Abramed manteve ampla agenda de eventos

Quinta edição do FILIS foi adiada para 2021; crise estimulou a criação da série #DiálogosDigitais Abramed

3 de dezembro de 2020

Devido a pandemia de COVID-19 e ao necessário distanciamento social como estratégia para reduzir a disseminação do novo coronavírus, o Brasil está, desde março, sem os eventos corporativos presenciais que rotineiramente possibilitavam o encontro profissional e a troca de conhecimentos. A solução, adotada por muitos setores, foi converter os encontros físicos em virtuais mantendo, assim, a capacidade dos líderes dialogarem.

Para a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), essa interrupção no calendário de eventos inviabilizou a realização da quinta edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) – promovido anualmente para debater os desafios da medicina diagnóstica no país junto com as principais lideranças do setor –, assim como de outros eventos organizados pela entidade e sua presença em congressos e feiras de parceiros da saúde.

Porém, o afastamento físico não atravancou a história de sucesso da Associação na promoção de eventos de qualidade. Durante a pandemia, além de os executivos da entidade participarem semanalmente de diversos webinars e congressos on-line, foi ao ar o #DiálogosDigitais Abramed, uma série de oito episódios de debates virtuais reunindo toda a cadeia de saúde.

Confira, abaixo, um pouco do histórico Abramed na promoção de encontros altamente relevantes para o setor.

Fórum Internacional de Lideranças da Saúde – FILIS

A decisão de adiar o encontro para 2021 foi tomada ainda no mês de março, visto que o cenário era de muita incerteza diante da rápida disseminação de um patógeno desconhecido. “Compreendemos, na ocasião, que todos os esforços deveriam estar direcionados ao combate ao novo coronavírus e ao gerenciamento do seu impacto ao longo dos meses e que o segundo semestre deste ano estaria repleto de desafios. Vemos, hoje, que foi uma decisão bastante acertada”, comenta Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

A não realização este ano não afeta a trajetória de sucesso do evento que reúne mais de 500 participantes a cada edição. “Lá atrás, ao planejar o fórum, fomos ousados, mas o sonho de contribuir e inspirar as lideranças da saúde nos permitiu sonhar alto”, comenta Claudia Cohn que, durante sua gestão como presidente do Conselho de Administração da Abramed (entre 2011 e 2019), foi uma das grandes responsáveis pela idealização e concretização da primeira edição do projeto, em 2016.

Aumentar a qualidade da assistência pela troca de experiências foi o motor propulsor do FILIS. “O fórum nasceu da necessidade de trazer luz a um importante elo que permeia todo o sistema de saúde e que é fundamental para a melhor assistência aos pacientes: a medicina diagnóstica”, diz Guilherme Ferri, consultor de Marketing da Associação na ocasião do lançamento. O executivo relata que, desde a concepção, o FILIS sempre teve, como premissa, a promoção de um debate saudável, construtivo e que envolvesse todo o setor a fim de explorar conceitos e novos modelos tendo a saúde do cidadão brasileiro sempre no centro da conversa.

Quando se pensa em abrir espaço para que todos os atores da complexa cadeia de saúde possam dialogar e se apresentar, o evento não encontra barreiras setoriais tampouco geográficas. “Já trouxemos, para a agenda do FILIS, um procurador do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para comparar nossos conceitos a modelos internacionais, e uma mulher, advogada e negra, referência nos Estados Unidos, para falar sobre compliance e enfatizar os importantes debates que circundavam o segmento na ocasião”, diz Claudia.

Para a executiva, que hoje segue atuante na Abramed, porém agora como membro do Conselho de Administração, o sucesso do evento está na busca do crescimento pela qualidade, e não pela quantidade. “Construímos plateias e debates diferenciados”, relata.

A quinta edição está planejada 2021. “Não realizar o evento em meio à pandemia não fez com que nossas equipes deixassem o planejamento da próxima edição de lado. Seguimos trabalhando para, no próximo ano, entregarmos um fórum ainda mais completo, robusto e especializado. Com tantos acontecimentos que colocaram a medicina diagnóstica como protagonistas da saúde, teremos muito o que debater e não há dúvidas de que o conteúdo terá uma qualidade surpreendente”, diz Priscilla.

Além de uma agenda de alto nível, Ferri acredita que o pensamento coletivo comandará muitas das discussões nas próximas edições. “Teremos debates saudáveis sobre como a união pode levar à uma melhor gestão do setor e falaremos muito sobre inovação, impactos regulatórios setoriais e em como tornar a medicina diagnóstica ainda mais integrada como vetor de solução, prevenção e acesso”, comenta.

Para Claudia, sonhar com uma saúde melhor sempre será uma meta. “O diagnóstico virou protagonista e teve sua importância ainda mais reconhecida durante a pandemia. Assim, a pesquisa e o desenvolvimento, bem como o cuidado incondicional, certamente serão parte das discussões que veremos nas próximas edições do FILIS”, finaliza.

Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld – Criado pela Abramed em 2018, na terceira edição do FILIS, o Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld faz uma homenagem ao médico hematologista e patologista clínico que foi membro da Câmara Técnica da Abramed, além de diretor de Relações Institucionais do DASA e conselheiro do Hospital Israelita Albert Einstein. A premiação destaca, anualmente, profissionais que fomentam o desenvolvimento e a melhoria da saúde no Brasil.

“Reconhecer o legado de Rosenfeld é mais do que uma obrigação. Se a Abramed existe e, depois de uma década, comemora sua consolidação, devemos muito a esse profissional que também enxergou a necessidade de o setor de medicina diagnóstica ser uníssono, provocando todos os atores a trabalharem em conjunto”, comenta Priscilla.

#DiálogosDigitais

A série #DiálogosDigitais Abramed nasceu, em 2020, durante a pandemia de COVID-19, como forma de manter, mesmo à distância, o relacionamento entre diversos elos da cadeia de saúde. “2020 seria um ano de comemorações para a Abramed, que completa uma década de atuação no setor. Planejamos doze meses de muitas atividades e encontros presenciais, mas a pandemia nos pegou de calça curta e tivemos de nos reinventar. Por isso decidimos fazer, nesse momento de muitas dificuldades, o que há dez anos fazemos muito bem, que é dialogar com toda a cadeia do nosso setor”, explica Priscilla.

Entre agosto e novembro foram realizados oito episódios que promoveram conversas sobre os impactos e aprendizados da COVID-19, telessaúde, jornada do paciente, futuro dos suprimentos, cuidado inteligente e LGPD. Com milhares de visualizações, todas as edições estão disponíveis no canal do YouTube da entidade. Clique AQUI para acessar.

Bootcamp de Jornalismo em Saúde

Em 2019 a Abramed promoveu, pela primeira vez, o Bootcamp de Jornalismo em Saúde. Na ocasião, grandes líderes do setor estiveram reunidos na sede da entidade em São Paulo a fim de levar informação de qualidade e desmistificar dados falaciosos divulgados a respeito da saúde no Brasil a um grupo de jornalistas das mídias impressa, eletrônica, televisiva e, também, do rádio.

A segunda edição ocorreu em 2020 já em um cenário de pandemia e, portanto, foi realizada virtualmente justamente em um momento em que a medicina diagnóstica estava sob os holofotes da grande mídia. Na ocasião, especialistas da área explicaram as diferenças entre os testes para diagnóstico da COVID-19, falaram sobre o impacto do diagnóstico tardio de outras tantas doenças que não esperam a pandemia passar para se manifestarem, e tiraram dúvidas de profissionais da imprensa que participaram do encontro on-line. Clique aqui para acessar a segunda edição.

Participações em feiras e eventos de parceiros

O calendário de eventos da Abramed sempre considerou a participação da entidade nas principais feiras de negócios e encontros de parceiros realizados anualmente no cenário de saúde nacional. Além de marcar presença na Feira Hospitalar, principal evento do setor nas Américas, com estande e promoção de palestras diversas; a entidade em 2020 tinha confirmado sua presença na primeira edição da Medical Fair Brasil, spin-off da MEDICA, principal feira de saúde do mundo. Devido à pandemia, A MFB foi adiada para 2021, assim como a Feira Hospitalar.

Também estão na agenda anual da Associação a participação em eventos promovidos por parceiros como Aliança Saúde Populacional (ASAP), Alliance for Integrity, Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs), Federação Brasileira de Hospitais (FBH), Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess), Fórum Healthcare Business, Fórum Inovação Saúde (FIS), Global Summit Telemedicine & Digital Health, Grupo Mídia, Informa Markets, Instituto Coalizão Saúde (ICOS), Instituto Ética Saúde, PwC Brasil, Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (Sindhosp), Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), South America Health Education (SAHE) e Unidas Autogestão em Saúde.

#especial10anos

Com especialistas dedicados, comitês e grupos de trabalho dão corpo às demandas da medicina diagnóstica

Abramed fortalece debates em reuniões que balizam tomadas de decisão estratégicas para assuntos de ampla relevância ao desenvolvimento do setor

3 de dezembro de 2020

Considerando a vastidão de demandas do setor de medicina diagnóstica e levando em conta que a troca de conhecimentos é um caminho profícuo rumo à evolução, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) investiu na criação de comitês e grupos de trabalho totalmente dedicados às principais temáticas que circundam o cenário atual.

Hoje, ao todo, são nove comitês e quatro grupos de trabalho que reúnem especialistas da entidade e de seus associados. “É excelente participar das reuniões desses times pois temos a oportunidade de aprender com profissionais altamente especializados em cada um desses assuntos”, comenta Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

As reuniões – que durante a pandemia de COVID-19 passaram a ser virtuais – são indispensáveis para que haja integração e alinhamento. “Apesar da grande quantidade de informações acessíveis pelos meios digitais, precisamos filtrá-las para que, assim, se transformem em conhecimento”, comenta Alex Galoro, diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas, enfatizando que esses grupos permitem que os profissionais tenham contato com pessoas e informações selecionadas que discutem situações e problemas atuais. “Os encontros vão além, proporcionando acesso a canais para que nossas propostas de melhoria sejam apresentadas”, complementa.

Mas a relevância desses encontros não se resume à troca de experiências, como comenta Walquiria Favero, membro do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC). “Os comitês e os grupos de trabalho também impulsionam ações setoriais que trazem benefícios para toda a cadeia”, diz. Complementando esse raciocínio, Leonardo Vedolin, que dirige o Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico, comenta que as reuniões promovidas “permitem a evolução das práticas de gestão e assistenciais, além de garantir a representatividade do segmento”.

São muitas as vitórias identificadas pelos membros ao longo da década. Galoro destaca a elaboração do Código de Conduta e a proximidade da Associação com os órgãos reguladores. Já Walquiria aponta a flexibilização de compartilhamento de dados da saúde para fins de diagnóstico na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a interlocução setorial tratando da Reforma Tributária.

Outro foco de desenvolvimento está na notoriedade que a Abramed ganhou no setor, reflexo, também, do empenho do Comitê de Comunicação que se dedica a filtrar os principais assuntos que devem ser permeados entre associados e público externo. “Nesses 10 anos de trajetória, um dos maiores legados já estabelecidos pela Abramed foi ter conseguido construir pontes de comunicação para demonstrar à sociedade a relevância do diagnóstico como etapa fundamental para auxiliar ao médico na melhor conduta clínica de cuidado preventivo”, comenta o diretor William Malfatti.

Pensando em desafios futuros, despontam assuntos relacionados a finanças, resultados, mudanças na legislação e nas regulações. “A Abramed precisa se manter alerta nas diferentes frentes de atuação e a todos os aspectos que possam impactar o nosso segmento”, comenta Galoro. “É preciso continuar a desenvolver discussões e pautas mais relevantes, contribuindo para a melhoria da cadeia produtiva e para um ambiente mais ético e justo”, completa Walquíria.

Para Vedolin, o maior desafio será alinhar as agendas em um setor que passa por fortes transformações. “As premissas para esse alinhamento possivelmente serão distintas daquelas que todos vivenciamos até agora”, finaliza.

Clique AQUI e conheça os Comitês da Abramed e AQUI para acessar detalhes sobre os Grupos de Trabalho. Além disso, nas redes sociais da Associação você confere uma seção chamada “Abramed por Dentro” que traz depoimentos dos membros. Clique AQUI e confira no Instagram ou AQUI para acessar pelo Facebook.

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Essencial e complexa, cadeia da saúde depende do diálogo intersetorial

Proximidade entre as diferentes entidades amplia voz e representatividade; pandemia e pleitos em comum fortaleceram o relacionamento

3 de dezembro de 2020

A gestão de um sistema de saúde altamente complexo como o brasileiro encontra desafios e, nos desafios, oportunidades. A manutenção de um diálogo transparente entre representantes da indústria, dos prestadores de serviços diversos e das operadoras – sempre com base em relações confiáveis e éticas – deve ser vista com prioridade.

Impulsionado pela pandemia de COVID-19 que exigiu, e ainda exige, esforços conjuntos para redução dos tristes impactos ao país e por lutas que convergem as necessidades de inúmeros subsetores, esse diálogo vem se fortalecendo ao longo dos anos mostrando ser possível deixar de lado algumas individualidades para trabalhar pelo bem comum: melhorar a saúde populacional ofertando atendimento de qualidade sem ferir a sustentabilidade dos sistemas. Com esse objetivo compartilhado, a integração torna-se natural.

Não que a busca por maximizar resultados deixa de ser legítima, porém a conscientização sobre a necessidade da união e do trabalho conjunto torna-se mais relevante como comenta Claudio Lottenberg, presidente do Instituto Coalizão Saúde (ICOS). “O entendimento de que todos estão trabalhando para criar valor para o paciente dentro de práticas com qualidade e menor custo tem sido a linguagem que une os diferentes participantes da cadeia produtiva”, diz.

E, de fato, independentemente dos pleitos individuais de cada subsetor, a força maior permanece centrada no paciente. É o que comenta Eduardo Amaro, presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp): “cada um em sua área de atuação, mas todos com uma enorme sinergia”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), Sérgio Rocha, manter esse relacionamento ativo é questão de sobrevivência. “O setor de saúde é único e qualquer solução ou caminho precisa ser comum. Todos devem atuar em sintonia”, comenta. E essa relação é, na opinião de Breno Monteiro, presidente da CNSaúde, o grande carro chefe. “O ponto principal é justamente a interlocução entre as entidades. A Abramed, nessa década, sempre se mostrou aberta ao diálogo representando de forma clara e verdadeira a medicina diagnóstica do Brasil”, declara.

Percepção que também se faz presente na fala de Walban Damasceno, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde (ABIMED). “Sem dúvida alguma o sistema de saúde e seus atores são elos de uma corrente totalmente interdependente”. O executivo enfatiza a necessidade de criação de uma visão sistêmica que entenda os mercados público e privado como complementares para ampliação de acesso e para que o país consiga entregar saúde de qualidade aos seus quase 210 milhões de habitantes.

Apesar de reconhecer que houve muito avanço nos últimos anos, Rocha acredita que o diálogo ainda precisa ganhar corpo e Damasceno enxerga espaço para melhorias principalmente no que tange à elevação da voz setorial junto aos tomadores de decisão. “Quando nos posicionamos, sinto que ainda falta, à nossa voz, o timbre ideal para que sejamos ouvidos e possamos evoluir”, diz. “Temos uma agenda intensa, repleta de desafios, e só conseguiremos avançar quando formos ouvidos na proporção adequada à nossa representatividade, que é o que ocorre, por exemplo, com setores como o agronegócio”, completa.

Luta compartilhada

Esse fortalecimento da voz setorial mencionado por Damasceno pode ser notado ao longo de todo ano de 2020 quando a saúde brasileira se uniu para discutir a Reforma Tributária. Atuando em conjunto para mostrar que uma reforma mal formulada e que não reconhece a essencialidade de setores como a saúde pode ser um enorme retrocesso, entidades elaboraram estudos e dialogaram com membros do legislativo e do executivo a fim de defender a sustentabilidade dos serviços em saúde.

A Abramed, por exemplo, compartilhou com o mercado um relatório intitulado Impactos da Reforma Tributária no Setor de Medicina Diagnóstica que mostra, diante de uma reforma míope, possível aumento de 40,4% na carga tributária do setor. Unindo esforços com diversas outras entidades – e até mesmo extrapolando as barreiras da saúde para encontrar apoio na educação – vem enfatizando, tanto à população quanto à mídia e aos decisores, que aumentar as despesas dos serviços de saúde trará um prejuízo enorme ao povo brasileiro que cada vez menos terá a oportunidade de acessar, via convênios médicos, a rede suplementar ampliando a faixa de pessoas integralmente dependentes do SUS.

“Acreditamos que a essencialidade do segmento saúde deva ser considerada. Já fomos impactados pela COVID-19 e um aumento de tributação seria cruel com o setor. Colocamos em risco o acesso à saúde, a empregabilidade e a expansão do mercado para mais pessoas”, diz Amaro reforçando a percepção de que tanto hospitais, quanto clínicas de imagem e laboratórios têm as mesmas preocupações com relação aos textos da reforma que tramitam no Congresso Nacional.

Impactos pandêmicos

O cenário é triste, mas a pandemia de COVID-19 deixou alguns legados para a saúde. Além do amplo conhecimento que vem se disseminando pelo mundo, no Brasil a comunicação intersetorial cresceu consideravelmente. “A saúde historicamente dialogava pouco, mas esse cenário foi mudado pela crise. Nunca tínhamos visto tantas entidades debatendo assuntos altamente relevantes para o setor como um todo, tomando decisões práticas e ágeis, e batalhando para vencer desafios até então inimagináveis”, diz Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed.

“A saúde é um setor que funciona como uma cadeia de produção e o novo coronavírus; uma situação nova e, para a maioria das pessoas, inesperada; reforçou essa percepção levando os segmentos a buscarem uma atuação ainda mais coesa e homogênea”, complementa João Alceu Amoroso, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). “A iniciativa privada foi muito importante para a testagem atuando, inclusive, na validação dos testes sorológicos para que tivéssemos liberação do maior número possível desses exames sempre com a qualidade que o setor prima”, diz Monteiro, da CNSaúde.

Representando os hospitais privados, Amaro reforça que a pandemia colocou à prova a capacidade de o setor se reorganizar com extrema agilidade. A medicina diagnóstica correu para atender à demanda por testes de COVID-19 e os hospitais se preparam para receber um número elevado de pacientes infectados. “Fomos exitosos e é importante reforçar que os hospitais não conseguiriam combater, sozinhos, a crise. Somos uma orquestra bem afinada”, relata. Vencer a pandemia segue como uma das principais tarefas do setor. “Uma batalha dura, mas que temos enfrentado com competência”, completa Amaro.

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Desafios regulatórios – Complexidade da saúde pede diálogo aberto com órgãos reguladores

Em dez anos, Abramed conquistou proximidade com ANS e com Anvisa e busca manutenção desse relacionamento

3 de dezembro de 2020

Em um setor essencial e com tamanha responsabilidade junto à população, como é o caso da saúde, a regulação – conjunto de medidas que envolvem a criação de normas, o controle e a fiscalização dos segmentos – é atividade indispensável para a garantia do melhor atendimento populacional. Quando fechamos o foco para a medicina diagnóstica, o cenário é extremamente parecido. “Somos um mercado altamente regulado, que segue rígidas diretrizes, e isso é fundamental para que possamos garantir a segurança dos pacientes”, comenta Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

A complexidade da cadeia de saúde pode dificultar o diálogo entre todos os players, fundamental para os melhores resultados. Justamente por ser um desafio, conquistar abertura para manter reuniões constantes tanto com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) quanto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem sido apontada como uma vitória da Abramed, que em dez anos de atuação vem se aproximando dos órgãos reguladores a fim de manter a dinâmica da medicina diagnóstica do país. “A disposição para o diálogo nos anima. Precisamos estar juntos”, diz Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação.

A Abramed está, nesse momento, com dois pleitos paralelos junto às entidades reguladoras. Com a Anvisa, dialoga sobre as Consultas Públicas 911 e 912 que tratam, respectivamente, da regulação de farmácias e drogarias e das diretrizes que regem as atividades dos laboratórios clínicos. Já com a ANS, a conversa gira em torno da Consulta Pública 81 que avalia a inclusão de novos procedimentos no rol de obrigatoriedades dos convênios médicos.

“A Abramed, desde sua constituição, se preocupou em acompanhar as mudanças do mercado, antevendo as mudanças regulatórias e dando o suporte necessário para que as normas expedidas pela administração pública garantam atuação equânime ao mercado de saúde suplementar, sem criar desequilíbrio entre os diversos agentes”, pontua Teresa Gutierrez, sócia da Machado Nunes.

Desafios futuros

Questionado sobre quais os principais desafios da Anvisa para os próximos anos, o diretor Alex Campos Machado citou a alta velocidade das inovações. “Percebemos que nosso grande compromisso está em acompanhar a agilidade da incorporação de novas tecnologias, ampliando nossa capacidade de regular essas incorporações e de nos anteciparmos ao mercado”, disse.

Segundo ele, para esse acompanhamento em tempo real, a entidade visa sempre a construção de normas e balizas que permitam instrumentos regulatórios capazes de tornar os processos mais rápidos. “Esse trabalho vem sendo facilitado pela condição internacional alcançada pela Anvisa que, hoje, tem assento garantido junto a outros órgãos reguladores, harmonizando procedimentos e aproveitando a expertise de outros países que já passaram pela fase em que estamos”, declara. O executivo afirma que a Anvisa regula cerca de 25% do PIB brasileiro devido à infinidade de produtos que estão sob seu chapéu.

Na visão de Rogerio Scarabel, diretor-presidente da ANS, é preciso investir no conceito de um sistema de saúde unificado construído pelos setores público e privado atuando em parceria e como forma de complementação ao atendimento. “Importante reforçarmos para a sociedade a necessidade de o Sistema Único de Saúde ser complementado pela rede privada, ambos trabalhando em harmonia para o bem-estar da população”, afirma.

Paralelamente, Scarabel reforça que é preciso mudar o mindset dos players. “O executivo precisa deixar de ser um gestor financeiro para ser um gestor de saúde. As operadoras precisam assumir esse compromisso, focando nos diversos modelos de remuneração disponíveis”, aponta.

Teresa reforça que a Abramed cresceu e se devolveu muito em dez anos e que tanto ANS quanto Anvisa também progrediram consideravelmente desde a fundação, ocorrida na década de 1990. “Muito da maturidade da Abramed vem, também, da maturidade das agências”, enfatiza.

Telessaúde

Na área de medicina diagnóstica, a telessaúde já é realidade consolidada, visto que a teleradiologia se faz presente no dia a dia dos profissionais há pelo menos dez anos. Mas há, ainda, muito a ser melhorado e regulado, principalmente no âmbito dos diagnósticos laboratoriais. Para isso, a atuação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) é indispensável a fim de regular o setor privado.

Com a pandemia de COVID-19, os temas relativos ao atendimento remoto ganharam repercussão. Aprovada em caráter emergencial, a telemedicina permitiu que a população pudesse continuar recebendo assistência sem a necessidade de se expor ao risco de contaminação. Qual a visão da ANS dentro desse novo cenário instalado no país? De acordo com Scarabel, a Agência não enxerga a telessaúde como um novo procedimento, mas sim como uma modalidade de atendimento. “Essa percepção ajuda a garantir a cobertura obrigatória”, explica. O executivo reforça que, por ser um ato médico, a normatização parte primeiro do Conselho Federal de Medicina (CFM) e, somente depois, parte para a entidade reguladora analisar as necessidades relativas àquela atividade.

“Na área de laboratório há a oportunidade inclusive de recebermos amostras biológicas do exterior para serem processadas no Brasil. Porém, para que isso aconteça, precisamos de um canal verde da Anvisa para que essas amostras não fiquem retidas e os pacientes aguardando ansiosamente seus resultados”, comenta Shcolnik.

Totalmente aberta ao diálogo junto ao setor de medicina diagnóstica, a Anvisa vem se mostrando parceira na tomada de decisões. “Estamos próximos ao mercado a fim de entender as necessidades. Para isso, escutamos os regulados e a população. Vemos que esse é um setor pujante que o Brasil precisa explorar melhor para ampliar sua capacidade de trazer novas divisas, visto que temos tecnologia e mão de obra qualificada para prover esses serviços”, finaliza Machado.

#especial10anos

Na Abramed, o contínuo debate sobre ética garante manutenção das boas práticas

Com código de conduta, cartilha de compliance, comitês dedicados e canal próprio de denúncias, Associação enfatiza necessidade de criação de um ambiente transparente

3 de dezembro de 2020

A Lei Anticorrupção, regulamentada pelo Decreto nº 8.420 de 2015, foi um marco brasileiro na busca por comportamentos mais éticos de forma generalizada no país. Apenas dois anos depois, a Abramed lançou seu Código de Conduta – que está em processo de revisão – orientando, incentivando e exigindo de seus associados uma atuação transparente.

Com o repúdio às más práticas ganhando força, a entidade seguiu fortalecendo esse panorama. Instituiu o Comitê de Ética, formado por membros associados e independentes e que atua na apuração de relatos recebidos pelo Canal de Denúncias, de forma sistematizada e sigilosa, avaliando a existência de violação aos princípios do Código de Conduta da Abramed; e o Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC), que trabalha como instância consultiva do Conselho de Administração para assuntos relacionados à essa temática. Além disso,  publicou em 2019, sua Cartilha de Compliance, um documento que reúne boas práticas para o setor de medicina diagnóstica e está acessível a qualquer empresa, seja associada ou não.

“Nos últimos anos a ética empresarial passou a ter muita importância principalmente devido a atitudes que causaram impacto na forma como a sociedade lida com esse assunto”, pontua Maria Regina Navarro, membro independente do Comitê de Ética da Abramed. “Todos os mercados, inclusive o de saúde, estão passando por uma transformação cultural com foco no comportamento ético a fim de preservar a reputação das empresas”, completa.

Para Eliezer Silva, que é membro do Conselho de Administração da Associação, a ética deve ser a base de qualquer relação, independentemente do setor. Porém, na medicina diagnóstica, os princípios a serem seguidos são, prioritariamente, os da confiabilidade e da transparência. “Trata-se de um componente importante no processo assistencial com forte impacto na vida das pessoas. Assim, não há como desvincular, no momento da interação do cidadão com o sistema de saúde, os aspectos éticos envolvidos nessa relação”, declara enfatizando o desejo por um sistema absolutamente justo e que promova a saúde e o bem-estar de todos.

A boa notícia é que, nos últimos dez anos, os avanços são notáveis na percepção de Viviane Miranda, que dirige o Comitê GEC. “Percebo que as empresas de medicina diagnóstica e os hospitais estão implementando seus programas de compliance, muitas delas com profissionais dedicados”, diz.

A executiva enxerga muitos desafios para o futuro, entre eles a consolidação desses programas; a discussão aberta sobre conflitos de interesses; e maior compreensão sobre ética por parte dos profissionais na ponta da assistência e do próprio paciente. Para ela, as dificuldades existem, mas podem ser vencidas. “Estamos em um setor bastante fragmentado e pouco convergente, no qual muitos players interagem diretamente com o paciente. Por isso precisamos chegar a um denominador comum”, declara.

Entre os desafios avaliados pelos membros dos Comitês da Abramed dedicados ao tema, também está a tecnologia, apontada por Maria Regina. “Em um contexto de evolução muito rápida da ciência, os dilemas serão cada vez mais frequentes, o que traz uma necessidade constante de revisão dos códigos de conduta, bem como esforço de todos os atores na orientação de seus colaboradores”, diz.

Há, também, a necessidade de educação continuada citada por Silva. “Creio que o processo de educação contínuo é fundamental, uma vez que essas questões são extremamente dinâmicas e devem ser revistas constantemente. É preciso trazer cada vez mais os associados para discussões abertas baseadas em casos concretos do passado”, comenta ele que acredita que a melhor maneira de disseminar a ética é a utilização de exemplos.

Como forma de manter o assunto sempre aquecido, a newsletter mensal Abramed em Foco traz uma editoria dedicada a temáticas de governança, ética e compliance.

Modelos de remuneração e ética

“Enquanto pagarmos pelo volume, entregarão volume”, comenta Viviane ao mencionar a necessidade de o setor de saúde passar a considerar outros modelos de remuneração além do fee-for-service.

Na opinião da executiva, a definição do formato de pagamento está totalmente atrelada a um comportamento ético. “Para isso há necessidade de uma mudança cultural gigante que envolve, até mesmo, o paciente. Os prestadores devem ser remunerados pela qualidade entregue, não pela quantidade de procedimentos. E o paciente, ao buscar atendimento, também precisa buscar qualidade, e não serviços diversos”, explica a executiva lembrando que o sistema precisa considerar indicadores que envolvem os resultados e que a população brasileira, quando vai a uma consulta médica, ainda se mostra indignada quando sai do consultório sem nenhum pedido de exame ou de intervenção extra.

Canal de denúncias

Exclusivo da Abramed, o canal de denúncias propicia uma comunicação segura e anônima de ações que violam o código de conduta e as boas práticas instituídas pela Associação ou pela legislação vigente no país. Toda informação recebida pela plataforma é tratada por uma empresa independente e especializada que garante sigilo absoluto e o tratamento adequado das situações ali expostas.

As denúncias podem ser feitas pelo telefone 800 377 8040, de segunda a sexta das 09:00 as 17:00 ou pelo e-mail abramed@canaldedenuncias.com.br.

#especial10anos

Pandemia do século – O legado do novo coronavírus

Agindo com rapidez e eficiência, laboratórios mostram que Brasil tem um setor de medicina diagnóstica forte

3 de dezembro de 2020

No ano em que a Abramed completou uma década de existência, o mundo foi atingido pela pandemia do novo coronavírus. O cenário colocou a prova todo o setor de saúde e trouxe protagonismo ao segmento de medicina diagnóstica principalmente após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar que o melhor caminho para contenção da doença era “testar, testar e testar”. Apesar de um panorama triste – até o fechamento dessa matéria o Brasil já contabilizava mais de 174 mil mortos devido à infecção – foram muitos os aprendizados.

Nenhum país do mundo estava preparado para enfrentar essa situação, mas a agilidade com que o setor de medicina diagnóstica do Brasil reagiu foi digna de aplausos. “Assim que o primeiro caso foi confirmado no nosso país, rapidamente os laboratórios privados começaram a desenvolver in house os kits de RT-PCR para que tivéssemos a chance de diagnosticar com agilidade as pessoas infectadas”, comenta Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Associação. Evidenciando a atuação expressiva desse conjunto de empresas privadas no enfrentamento ao coronavírus, até o início de outubro, as associadas à Abramed tinham realizado 6,2 milhões de testes de COVID-19, o que representa 41% do total de exames no período no país.

A capacidade de tomar decisões certeiras e rápidas foi posta a prova. “Com um vírus altamente agressivo à solta, foram se formando grupos de trabalho e forças-tarefas. Assim conseguimos dar uma resposta tática mesmo com a interrogação sobre o fluxo da doença”, comenta Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed, lembrando que o mundo tinha de combater um inimigo desconhecido.

A forte atuação conjunta entre os principais players do segmento de diagnóstico foi essencial para o melhor curso do enfrentamento da pandemia. Além do teste em massa contribuir para o isolamento dos infectados, também foi essencial para a sequência das ações. “A medicina diagnóstica teve papel vital para a confirmação diagnóstica, o monitoramento da disseminação do vírus e para orientar os rumos das terapias, ações fundamentais para que as populações e as economias tivessem a oportunidade de sobrevivência”, explica Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Para Junior, diante de tantos desafios vencidos – e outros tantos a vencer –, a medicina diagnóstica brasileira segue se fortalecendo durante a pandemia, visto que a alta necessidade de diagnóstico da COVID-19 trouxe luz ao setor. “A sociedade percebeu a relevância do diagnóstico e essa percepção é um dos legados da crise”, diz.

E o trabalho segue em alta velocidade desde o início de março, já que desafios continuam a surgir. “Além de processar com eficiência os testes RT-PCR, a rede privada saiu em busca de alternativas: trabalhou no desenvolvimento e no aperfeiçoamento de testes sorológicos, capazes de reconhecer os anticorpos e, assim, apontar quem já foi exposto ao novo coronavírus; criou outros métodos para diagnóstico na fase ativa da doença como o teste de protêomica que, diferentemente do RT-PCR que identifica o RNA do vírus, é capaz de detectar a proteína do vírus, uma ótima alternativa por ser mais estável e permitir a análise de amostras com qualidade mesmo após maior tempo da coleta; elaborou testes genéticos capazes de detectar o vírus em larga escala; e lançou novos testes moleculares que, feitos através da saliva dos pacientes, entregam resultados em apenas uma hora”, complementa a diretora-executiva.

Para César Nomura, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de medicina diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, a cultura nacional – por muitas vezes criticada – contribuiu positivamente para o combate à pandemia. “O brasileiro está acostumado a lidar com dificuldades, a se virar para resolver seus problemas. Apesar de todos os empecilhos que tivemos, pelo menos na medicina diagnóstica conseguimos prestar atendimento suficiente dentro das nossas possibilidades”, comenta.

Abramed atuante

Nos últimos meses, a Associação teve uma atuação muito forte em defesa da medicina diagnóstica, tanto que ganhou repercussão na grande mídia e foi, por inúmeras vezes, fonte de informação para veículos de peso. Os executivos da entidade concederam diversas entrevistas para as maiores emissoras de televisão como a Rede Globo, Band, CNN e TV Cultura; compartilharam informações e dados com os principais veículos impressos, entre eles Folha de S.Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo, Valor Econômico e Revista Veja; fizeram aparições em diversas emissoras de rádio e, também, em portais de notícias da Internet.

“Temos trabalhado para melhorar a situação das empresas de diagnóstico no país, sempre olhando para todo o sistema de saúde. Atuamos em muitas frentes e tivemos algumas conquistas: fast tracking de insumos para exames de diagnóstico da COVID-19 pela Anvisa e linhas de crédito concedidas pelo BNDES e Ministério da Economia para laboratórios e clínicas de imagem que tiveram redução expressiva de faturamento com a queda de atendimento durante a pandemia foram algumas delas”, cita Priscilla.

A participação no Programa de Avaliação de Kits de Diagnóstico para SARS-CoV-2 junto à laboratórios públicos e privados e à outras entidades como a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML) e a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), foi outro caminho profícuo assumido pela Abramed para que o país pudesse vencer os inúmeros desafios que surgiam. “A Abramed foi fundamental para a comunicação e avaliação dos mais variados modelos de exames disponibilizados no mercado zelando, sempre, pela qualidade diagnóstica e a assistência adequada”, pontua Figueira.

Para Junior, esse programa representa a preocupação do setor em prover sempre o melhor atendimento. “Precisamos ficar atentos para nunca colocarmos a população em risco. Podemos sempre estudar outras formas de oferecer os exames, mas mantendo o rigor ético-científico-técnico, já que o acesso perde o valor se a informação gerada por aquele teste não puder ser utilizada com confiança pelo profissional de saúde”, alerta.

Dependência externa

Para Nomura, um dos grandes desafios se instituiu logo no começo da crise: alta dependência do país do mercado externo. “Dependemos de importações tanto para aquisições básicas como máscaras, luvas e medicamentos quanto para necessidades complexas como aparelhos de alta tecnologia, insumos para testes e máquinas diversas”, diz.

Para o executivo, falta estímulo à indústria nacional. “Precisamos desses incentivos para produzir e para a área de pesquisa e desenvolvimento. Temos profissionais capacitados que geram conhecimento, mas muitos desses nossos talentos vão para fora do país”, completa.

União inédita “A saúde é um setor que, historicamente, dialoga pouco. Porém nunca vimos tanta interação positiva entre as diferentes áreas da saúde como observamos nesse momento de crise da COVID-19”, comenta Priscilla. A executiva enfatiza que a pandemia mostrou a necessidade da união para vencer obstáculos e que esse legado deve permanecer. Essa também é a percepção de Junior: “acredito que nunca houve tanta cooperação entre os profissionais de saúde. E falo sobre uma troca intensa, tanto em volume quanto em qualidade”, finaliza.

#especial10anos

Futuro – Os próximos 10 anos da medicina diagnóstica

Tecnologia, prevenção e sustentabilidade do sistema surgem como caminhos para vencer desafios

3 de dezembro de 2020

Qual o futuro da medicina diagnóstica? Para responder à essa pergunta e vislumbrar a próxima década é necessário parar e olhar no retrovisor, observando os inúmeros avanços que se consolidaram entre 2010 e 2020: desenvolvimento da pesquisa genômica movimentando positivamente a medicina personalizada; automação trazendo ganho de escala e eficiência diagnóstica; e telessaúde promovendo acesso à população são apenas alguns exemplos. “Isso sem falar no enorme crescimento do nosso setor neste ano frente à pandemia de COVID-19, que nos obrigou a encontrar oportunidades de desenvolvimento em um momento de grande crise na saúde mundial”, relembra Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Há um consenso entre as entidades do segmento de que a tecnologia – somada ao conhecimento humano – pautará muitas das soluções que se farão necessárias até 2030. Para entender essa visão, conversamos com a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).

Transformando mercados e indústrias, as inovações tecnológicas também alteram os rumos da medicina diagnóstica e, na opinião de Alair Sarmet Santos, presidente do CBR, para evoluir é preciso observar quais dessas tecnologias são, de fato, eficientes. “Para fazermos frente a esses novos desafios temos de aproveitar as tecnologias digitais exponenciais que podem abrir novas fronteiras para cuidados com a saúde de forma mais efetiva e acessível à população”, declara.

Para isso, integrar as diversas áreas vem se mostrando um caminho profícuo. “A partir do momento em que unimos especialidades como anatomia patológica, patologia clínica, diagnóstico por imagem e métodos endoscópicos, conseguimos gerar informações acuradas e precisas, agregando valor ao diagnóstico e à orientação terapêutica”, diz Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, presidente da SBPC/ML.

E quando há uma grande quantidade de dados sendo gerados graças a processos tecnológicos, é preciso dedicar ainda mais atenção à essas informações. “Os resultados liberados através dessas novas tecnologias precisam ser indiscutivelmente confiáveis pois pautarão a evolução do tratamento e até mesmo indicarão a cura”, complementa Luiz Fernando Barcelos, que preside a SBAC.

Mas a tecnologia não é capaz de revolucionar, sozinha, a medicina. O profissional está por trás de todo avanço, garantindo inclusive o aprendizado da máquina e trilhando os padrões que serão interpretados com maestria pela inteligência artificial. A somatória de homem e tecnologia pode pautar a próxima década do diagnóstico no mundo, como cogita Fábio Arcuri, presidente da CBDL: “Não há limites para onde o conhecimento humano poderá nos levar com novos marcadores, metodologias mais sensíveis e específicas, rápidas e remotas”.

Prevenção como degrau à sustentabilidade

Para que todos os avanços imaginados sejam efetivados, o setor de medicina diagnóstica – bem como a saúde como um todo – precisa ser sustentável. Ao longo de 2020, inclusive, a Abramed trabalhou por inúmeras causas que impactam diretamente essa noção de sustentabilidade, atuação que seguirá fortalecida nos próximos anos. “Não há como pensar em progresso sem antes pensar em sustentabilidade. Precisamos garantir o funcionamento dos laboratórios e clínicas de imagem que, espalhados pela imensidão do Brasil, são fundamentais para permitir que a população brasileira tenha acesso a exames que contribuam ao melhor diagnóstico e gerenciamento do tratamento de suas doenças. Para isso sempre trazemos estudos transparentes sobre nossas necessidades e enfatizamos que o nosso setor é essencial para a manutenção da vida e da sociedade”, comenta Shcolnik.

O executivo complementa o raciocínio com um dos assuntos mais debatidos nos últimos anos. “Há uma discussão enorme sobre overuse, ou seja, sobre realização desnecessária de exames gerando desperdício no sistema. Sabemos que isso pode sim existir e precisa ser combatido, porém, ao iniciar esse debate, não podemos deixar de lado a temática do underuse, que faz com que muitas pessoas deixem de realizar exames que poderiam salvar suas vidas”, diz.

Prevenção, inclusive, é uma forte aliada da sustentabilidade. “Sem dúvidas a medicina preventiva, baseada em evidências e por meio da aplicação de algoritmos relevantes, é um dos componentes da resposta à densa equação da sustentabilidade econômica do setor”, comenta Arcuri. Para o executivo, é importante que todos os atores da complexa cadeia de saúde se unam na proposição de um modelo de diagnóstico sustentável que permita a incorporação tecnológica e o melhor desfecho clínico para o paciente.

Lembrando que estamos baseados nos quatro “Ps” da medicina – preventiva, preditiva, personalizada e participatória – Ferreira, da SBPC/ML, reforça que para a tão almejada sustentabilidade, ao mesmo tempo em que é necessário fortalecer o cenário da prevenção no nosso país, é preciso engajar o paciente. “O laboratório e a clínica de imagem contribuem grandiosamente com o diagnóstico precoce, mas sem a participação ativa do paciente no seu próprio cuidado não há qualidade de vida”, finaliza com o pensamento de que todos precisam entender seu papel no ciclo de cuidados para que o setor seja sustentável e próspero.

#especial10anos

Episódio de encerramento da série #DiálogosDigitais Abramed debate os aprendizados da COVID-19

Encontro virtual reuniu especialistas para falar sobre abastecimento do setor, assistência à saúde e inovação

29 de novembro de 2020

O oitavo e último episódio da série #DiálogosDigitais Abramed, realizado na noite de 24 de novembro, reuniu virtualmente especialistas da medicina diagnóstica para um bate-papo sobre os principais legados da pandemia de COVID-19. A série de eventos digitais, promovidos pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), dialogou, ao longo de quatro meses, com lideranças do setor de saúde sobre os mais variados assuntos que impactam toda a cadeia.

Mediado por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, o último encontro abordou a cadeia de abastecimento do setor; a segmentação das patologias afastando doentes crônicos dos atendimentos e criando dificuldades de acesso mesmo para casos críticos; e as novas metodologias que estão surgindo para otimizar o diagnóstico no país.

A mesa-redonda contou com a presença de Carlos Eduardo Ferreira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML); Guilherme Ambar, CEO da Seegene Brazil, marca focada no mercado de diagnóstico in vitro; e Marcos Phillippsen, diretor-executivo da Euroimmun Brasil, que desenvolve soluções para diagnóstico laboratorial.

Ao dar início, Shcolnik falou sobre o atual cenário da medicina diagnóstica dentro do contexto da pandemia. “Já observamos, via Abramed, aumento na demanda dos exames para detecção da infecção pelo novo coronavírus. Os laboratórios clínicos estão preparados para atender esse novo pico de solicitações?”, questionou.

Trazendo o parecer da SBPC/ML, Ferreira enfatizou que não devemos considerar que o país começou a viver uma segunda onda, pois na realidade estávamos em um platô após uma leve queda no pico de infecções identificadas. “A gente convive com a doença desde março, sendo que o ápice ocorreu entre maio e junho. Mas, de lá para cá, assistimos a um declínio suave e, agora, a uma nova elevação nas últimas duas semanas”, pontuou.

Segundo o especialista, os laboratórios têm capacidade produtiva limitada para o processamento dos exames, o que pode vir a impactar o prazo de entrega dos resultados quando se fala no RT-PCR, exame molecular apontado como padrão ouro para diagnóstico da COVID-19. “O ideal é que tenhamos os laudos desses exames o quanto antes, pois com a confirmação de infecção, esse paciente precisa entrar em isolamento para contenção da doença. E com o aumento da demanda, que vem forte, há uma tendência de alargamento desses prazos”, declarou.

Do lado da indústria, há certa tranquilidade quanto ao fornecimento dos kits e o cenário visto no início da crise, em que havia imensa dificuldade em obter os testes para aplicar na população brasileira, não deve se repetir.

Lembrando que a Euroimmun dobrou sua capacidade produtiva ainda nos primeiros meses da pandemia, Phillippsen enfatizou que hoje em pouco tempo é possível reestabelecer os estoques. “A demanda por exames estava caindo, então é natural que as fabricantes reduzam a produção até para evitar o desperdício, visto que o produto tem prazo de validade. Na semana passada, a demanda voltou a subir. Mas não ouvimos nada sobre falta de kits na matriz, então é questão de timing para que possamos trazer mais testes para o Brasil mantendo o suprimento nacional”, disse.

De acordo com Ambar, a Seegene sente uma demanda, hoje, ainda maior do que ocorria em abril e maio. “Porém não vai faltar produto”, garantiu. Para o executivo, a preocupação não está mais na ausência de reagentes, mas nos insumos plásticos necessários para a coleta das amostras como cotonetes e outros materiais importantes à segurança do profissional de saúde.

Tratamento integral além da COVID-19

Outro ponto de aprendizado enfatizado pelo time de especialistas que compunham a mesa de debates do último episódio do #DiálogosDigitais Abramed foi a manutenção do atendimento à outras doenças mesmo em meio a pandemia.

“Em março e abril assistimos ao esvaziamento dos hospitais por conta da incerteza quanto à dinâmica da infecção. Quando começamos a compreender melhor o fluxo da doença passamos a retomar os procedimentos eletivos”, pontou Ferreira que além de presidir a SBPC/ML também é médico do Hospital Israelita Albert Einstein. “O paciente crônico não pode interromper seus atendimentos, principalmente os críticos. Tivemos casos de pacientes com problemas agudos que permaneceram em suas casas”, comentou.

A manutenção dos cuidados com a saúde tem sido comentada frequentemente pela Abramed. A Associação vem enfatizando que o diagnóstico precoce salva vidas e que outras doenças não esperam a COVID-19 passar para se manifestarem. “Vemos novamente a ocorrência de suspensão de cirurgias eletivas e procedimentos. Na semana que vem devemos nos reunir com a ANS e outras entidades da saúde para tratar justamente sobre esse assunto que nos preocupa bastante”, declarou Shcolnik.

Inovação em diagnóstico

Ambar comentou que a Seegene tem cerca de 160 profissionais trabalhando com pesquisa e desenvolvimento e que o foco está na redução dos custos dos kits para que, dessa forma, todas as inovações criadas pela empresa sejam mais acessíveis aos brasileiros. “Mas não paramos de desenvolver. Nos próximos dois anos devemos lançar 100 novos kits no mercado. Além disso, focaremos nas demandas individuais, ou seja, em desenvolver kits de forma rápida, em até dois meses, para atender necessidades específicas do país”, completou. Ele também enfatizou que a biologia molecular em testes de alta complexidade deve crescer bastante no mundo pós-pandemia.

Incorporação de exames no Rol da ANS

Com o decorrer do bate-papo, os especialistas também trataram da incorporação de novos exames no rol de procedimentos obrigatórios da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Com a COVID-19, os exames de RT-PCR e alguns sorológicos foram incorporados emergencialmente, o que trouxe luz à necessidade de avaliação de novas metodologias para garantia de tecnologias diagnósticas inovadoras para a população nacional.

Há, em curso, uma avaliação por parte da ANS de novos exames a serem incorporados como, por exemplo, um painel multiplex para infecções do trato respiratório capaz de identificar, de uma única vez, dezenas de agentes infecciosos, entre eles o coronavírus (temos, em nosso portal, uma matéria específica sobre esse assunto que você pode ler clicando AQUI). Mesmo com a apresentação de análise custo-efetividade confirmando que há economia por paciente quando aplicada a nova metodologia, a incorporação enfrenta dificuldades. “Investir no teste certo para o paciente agrega valor para o sistema de saúde, pois faz o diagnóstico mais certeiro e aumenta a segurança”, comentou Ferreira.

Complementando com o ponto de vista da inovação, Ambar declarou que a Seegene traz, para o Brasil, painéis com custos acessíveis e que o principal trabalho está na apresentação das novas tecnologias aos profissionais de saúde. “A incorporação também depende de o médico passar a solicitar aqueles exames”, disse. O executivo afirmou que em outros países onde a marca atua, em até dois anos é possível fazer com que novas metodologias diagnósticas sejam utilizadas pelos sistemas públicos de saúde.

Concordando com Ambar, Phillippsen mencionou a Euroimmun Academy, plataforma focada em disseminar conhecimento junto aos profissionais de saúde. “Somente trazendo a informação, enfatizando a importância dos testes diagnósticos, é que eles passarão a fazer parte do rol”, finalizou.

O bate-papo completo deste episódio está disponível no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para assistir), assim como todos os outros da série #DiálogosDigitais promovidos pela Associação.