Líderes do setor debatem o papel da qualidade para a eficiência no Sistema de Saúde

Dados, interoperabilidade e gestão contínua foram apontados como base para garantia valor clínico aos pacientes

A importância da qualidade para a eficiência do sistema de saúde esteve no centro de um debate de alto nível durante a 9ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS).

Moderado por Wilson Shcolnik, membro do Conselho de Administração da Abramed e Gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury, a discussão reuniu Jeane Tsutsui (CEO do Grupo Fleury), Anderson Mendes (CEO da Rede Total Care), Marcos Queiroz (diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Israelita Albert Einstein) e o ex-ministro da Saúde e Consultor Senior na Teich Gestão em Saúde, Nelson Teich.

Com perspectivas distintas, mas complementares, os debatedores destacaram que o verdadeiro avanço da saúde depende da integração de práticas clínicas, da gestão inteligente de dados e do foco em resultados para o paciente, ressaltando ainda que a interoperabilidade e a qualidade diagnóstica são eixos decisivos para a sustentabilidade do setor.

Qualidade e eficiência caminham juntas

Jeane Tsutsui reforçou que a busca por eficiência só é possível quando ancorada na gestão da qualidade. “Não basta entregar o resultado, ele precisa responder a uma pergunta clínica e orientar uma decisão”, afirmou. Segundo ela, o Grupo Fleury tem trilhado uma longa caminhada nesse sentido, combinando padronização de processos e otimização de recursos.

“Esse é justamente nosso papel: ir além da qualidade e da eficiência interna para olhar para todo o sistema de saúde. A gente tem trabalhado muito em difundir a visão do processo diagnóstico, pois sabemos que 70% das decisões médicas são baseadas em um exame. A qualidade, a precisão e a rapidez com que esse diagnóstico é feito influenciam diretamente nos resultados”, acrescentou.

Dentro dessa jornada, a CEO destacou números importantes: quase 100 mil assessorias médicas para discussão de casos complexos, o processamento de 335 milhões de exames e investimentos expressivos em inovação. Jeane comentou ainda que o Grupo destina 6,4% da receita líquida anual a investimentos, sendo metade em tecnologia, e ressaltou que, graças a esse esforço e ao de outras organizações, a medicina diagnóstica ampliou o acesso e cresceu em escala no Brasil.

Dados, interoperabilidade e cultura tecnológica

Para Anderson Mendes, o maior desafio está na integração de dados. “Todo mundo quer gerar dados, mas a questão é: o que fazer com eles? Um dado sem ação é irrelevante”, pontuou. Ele explicou que a Amil estruturou uma interoperabilidade de informações entre hospitais, laboratórios e parceiros credenciados, permitindo acesso em tempo real e com forte auditoria de resultados a partir de um centro de comando estratégico.

Essa cultura tecnológica, segundo ele, é decisiva para garantir mais agilidade, precisão e qualidade na medicina diagnóstica. Anderson lembrou ainda que a inteligência artificial não deve ser confundida com simples automação. “Não dá pra falar de dados e qualidade hoje sem olhar para a Inteligência Artificial (IA). A IA é a base da predição e temos grandes referenciais no mundo que servem de exemplo, como a China e Israel. Todo dado, para orientar decisões qualitativas, precisa ser filtrado, e a inteligência artificial cumpre uma função central para esse objetivo. Mas, para que tudo isso seja possível, é preciso entender onde se quer chegar e compreender que IA é diferente de automação e muito mais profunda do que o ChatGPT.”

Certificações e governança clínica

O papel da governança é fundamental para garantir processos de qualidade padronizados e, assim, impulsionar a eficiência. Marcos Queiroz mostrou como o Einstein vem utilizando algoritmos preditivos para prever patologias em check-ups e, internamente, para mapear vulnerabilidades sociais de colaboradores — integrando saúde clínica e determinantes sociais.

Ele destacou também o papel das certificações, que são ferramentas importantes, mas não garantem eficiência por si só. “A certificação revela o compromisso de uma organização com a excelência técnica e com uma cultura de aprendizagem. Mas, embora fundamental, ela não garante eficiência. É preciso que haja um sistema de gestão da qualidade e de governança com foco na melhoria contínua. Em conjunto, esses são os verdadeiros pilares da eficiência”, defendeu.

Nesse sentido, ressaltou a importância da governança clínica para avaliar a pertinência dos exames e reduzir desperdícios. O Einstein conseguiu, por exemplo, diminuir de 14% para 7% o número de pedidos de baixa pertinência, gerando economia e sustentabilidade. “Qualidade sem eficiência é ruim; eficiência sem qualidade é inaceitável”, enfatizou.

Planejamento e priorização

Nelson Teich alertou para o risco de confundir eficiência operacional com qualidade no cuidado em saúde. “Informação não é feita simplesmente para gerar conhecimento, é feita para gerar ação”, ressaltou. Para ele, a discussão deve sempre partir de duas perguntas centrais: que problema se busca resolver e o que acontece com o paciente após o diagnóstico.

Teich destacou ainda que o setor subestima o custo e a complexidade de se obter um dado de qualidade e defendeu a necessidade de planejamento e priorização. “É preciso definir quais prioridades você vai ter para interoperar, porque senão você vai querer interoperar tudo. Além disso, sem planejamento e estratégia adequada, os projetos não conseguem avançar em larga escala.”

Segundo ele, o ideal não é ter uma grande quantidade de dados, mas sim capacidade de analisá-los e contar com inteligência treinada para acompanhar casos e entender os impactos das intervenções. “Todo modelo matemático tem a chance de dar errado. Ele não foi feito para prever o futuro, mas para ajudar na tomada de decisão. Não podemos ser enganados pela precisão de um número impreciso”, concluiu.

Caminhos para a sustentabilidade

O debate deixou claro que qualidade e eficiência são dimensões complementares de um sistema de saúde sustentável. Seja pela integração diagnóstica, pela interoperabilidade de dados em tempo real, pela governança clínica ou pela valorização do olhar humano, os participantes reforçaram que o futuro do setor depende da capacidade de gerar valor concreto para os pacientes.

Nelson Teich defende integração, diagnóstico precoce e foco em valor ao paciente durante sua participação no 9º FILIS

Com a temática “O futuro do diagnóstico e a segurança do paciente”, ex-ministro da Saúde destacou que o Brasil convive com fragmentação e desigualdade no atendimento à população

Com base em sua experiência no setor público e privado, o ex-ministro da Saúde e oncologista Nelson Teich trouxe uma visão ampla, crítica e propositiva acerca do modelo implementado no Brasil durante a sua participação no 9º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS). O evento promovido anualmente pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – Abramed foi realizado no último dia 21 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo (SP).

A partir de uma análise fundamentada em dados e experiências internacionais, Teich chamou a atenção para os desafios de acesso, fragmentação e baixa integração no atendimento à população, afirmando a urgência de repensarmos o sistema de Saúde nacional a partir dos pilares do diagnóstico precoce, regionalização, acompanhamento dos desfechos clínicos e do uso inteligente da inovação.

 Para ele, a desigualdade no acesso e a ausência de uma visão sistêmica são barreiras centrais para a construção de um modelo baseado em valor, afetando, inclusive, a Saúde Suplementar, que também enfrenta gargalos importantes de integração.

“O Brasil tem um sistema fragmentado, desigual e com grande iniquidade. A gente comemora promessa quando deveria comemorar entrega.”, afirmou.  “A Saúde Suplementar não é desenhada para atuar como um sistema e a ANS, atualmente, não a direciona nesse sentido. O que temos é um conjunto de instituições, algumas vezes com objetivos distintos”.

Para Nelson Teich, como resultado, temos um ambiente de saúde com baixo nível informacional que aumenta as barreiras para a atenção primária, a definição de protocolos de tratamento e para o uso de indicadores mais assertivos que permitam medir desfechos clínicos com mais eficiência.

“Gestores deixaram de ser condutores e passaram a ser passageiros do sistema. Isso é um problema, porque é o gestor que tem capacidade de refazer equidade e justiça social. É necessário mapear o caminho do cuidado, do dinheiro e da política para contar com direcionamentos claros.”, apontou Teich, reforçando que não basta ampliar recursos sem organização e foco em qualidade.

Comparativo internacional e o papel da Abramed

Ao comparar o Brasil com outras nações, Teich ressaltou que o problema não é apenas o volume de recursos, mas a forma como eles são utilizados. Enquanto o SUS investe cerca de R$ 2.309 por pessoa e a saúde suplementar R$ 5.465, sistemas como o do Reino Unido chegam a R$ 21.265, e programas públicos norte-americanos, como Medicare e Medicaid, variam entre R$ 45 mil e R$ 75 mil.

De acordo com o ex-ministro: “Vamos ter cada vez menos recursos para melhorar o sistema. Quando há pouco dinheiro e a tecnologia evolui como tem evoluído, não haverá recursos nem para pagar o que funciona. Não é apenas uma questão de gastar menos, é um modelo desorganizado que precisa ser repensado”.

Na prática, esse cenário se traduz em desigualdades complexas em campos decisivos da medicina como o cuidado oncológico. Em São Paulo, dados da Fundação Oncocentro (FOSP) de 2017–2018 mostram que apenas 25,9% das mulheres atendidas pelo SUS são diagnosticadas com câncer de mama nos estágios iniciais (0–I) – quando há mais chances de cura –, enquanto esse índice chega a 53,3% na Saúde Suplementar. Já em estágios avançados (III–IV), a diferença se inverte: 41,5% no SUS contra 17,3% na rede privada.

Para Teich, o tempo do diagnóstico é decisivo para os desfechos, ao passo que os exames devem ser vistos como instrumentos para uma medicina personalizada, com potencial de, cada vez mais, mudar radicalmente a trajetória de doenças graves como o próprio câncer ou Alzheimer.

De acordo com o ex-ministro, o Brasil não pode ter uma solução média ou padrão; tudo precisa ser regionalizado.

Ele destacou ainda o papel da inovação tecnológica, desde a biópsia líquida até o uso de inteligência artificial, mas alertou: “Inovação sem sabedoria é um desastre. É preciso treinar profissionais para usar bem essas ferramentas e interpretar exames com competência”.

Nesse processo, Teich vê a Abramed como peça-chave na consolidação de um modelo de Saúde baseado em evidências. “O papel da Abramed é garantir que testes e exames tenham evidência suficiente de eficácia para justificar sua implementação”, disse. A entidade pode ainda contribuir para a capacitação de profissionais e para a produção de dados que permitam medir resultados de forma consistente.

Um olhar para o futuro

Ao concluir sua participação no 9º FLIS, Nelson Teich deixou um olhar esperançoso para o futuro:

“Em várias áreas e com muito menos recursos, conseguimos entregar resultados semelhantes ao de países desenvolvidos. Isso mostra que há uma oportunidade real de cuidar melhor das pessoas dentro de padrões mundiais de excelência.”

Para ele, esse progresso acontece quando a evolução científica se traduz em impactos concretos a partir da regionalização de soluções e do uso inteligente de recursos limitados, passando pela construção de um sistema que, de fato, coloque o paciente no centro.

Valor em Saúde: palestrante internacional do 9º FILIS mostra como o diagnóstico pode transformar sistemas pressionados por custos

A palestra do médico patologista clínico e líder em Medicina Diagnóstica, Ivan Mojica, trouxe conhecimentos técnicos e provocações aos participantes do 9º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde – FILIS. Reconhecido por liderar projetos de transformação em saúde na América Latina, Mojica deixou claro que o laboratório não pode ser visto apenas como executor de testes, mas como protagonista de eficiência, qualidade e sustentabilidade no Sistema de Saúde.

Segundo ele, 70% das decisões clínicas dependem de exames, mas 97% dos dados produzidos permanecem sem uso. Essa lacuna, afirmou, representa desperdício e uma oportunidade perdida de gerar valor. “Valor é resultado em Saúde alcançado por cada dólar investido”, destacou, ecoando a definição clássica de Michael Porter.

Mojica explicou que o conceito de valor em Saúde só se concretiza quando há eficiência em toda a jornada diagnóstica – da coleta ao impacto clínico. “Estamos perdendo a oportunidade de diagnosticar cedo, o que gera custos maiores e mais sofrimento para o paciente”, alertou.

Entre os obstáculos, citou a escassez de mão de obra qualificada — com déficit global estimado em 10 milhões de profissionais da Saúde até 2030 — e a ineficiência operacional, já que técnicos de laboratório chegam a gastar até 90 minutos por dia em tarefas manuais. Além disso, chamou atenção para a fragmentação: dados dispersos e não estruturados tornam quase impossível extrair inteligência clínica deles, mesmo em organizações avançadas.

Casos práticos: quando o diagnóstico faz diferença

Para exemplificar, Mojica trouxe casos concretos em que a Medicina Diagnóstica transformou o curso clínico e econômico do tratamento. Em pacientes de diálise, por exemplo, mostrou que o déficit de ferro, frequentemente negligenciado, leva à resistência ao uso de eritropoetina (EPO), uma terapia de alto custo. Corrigir o ferro antes da prescrição da EPO revelou-se uma estratégia mais custo-efetiva, capaz de melhorar os níveis de hemoglobina e, ao mesmo tempo, reduzir gastos desnecessários.

Em seguida, apresentou dados preocupantes sobre a doença renal crônica na Colômbia: entre mais de seis milhões de pacientes hipertensos e diabéticos, cerca de quatro milhões não completaram o protocolo diagnóstico — a hipertensão e o diabetes são os principais fatores de risco para doença renal crônica

O resultado é que, a cada ano, surgem mais de 200 mil novos casos, sendo que 57% já chegam em estágios avançados (3, 4 ou 5). Para Mojica, essa falha de detecção precoce facilita a progressão silenciosa da doença e não apenas sobrecarrega os hospitais com internações mais caras, mas compromete também a expectativa e a qualidade de vida da população. 

Por fim, compartilhou um exemplo no manejo do infarto agudo do miocárdio. O uso de troponinas de alta sensibilidade em fluxogramas clínicos permite descartar infarto com valor preditivo negativo de 99% e confirmar casos com valor preditivo positivo de 75%. Ao enviar esses resultados em tempo real diretamente ao médico – até por aplicativos de mensagem – é possível acelerar decisões, reduzir internações desnecessárias e salvar vidas. “O laboratório precisa entregar a informação certa, no momento certo, para apoiar a decisão clínica”, reforçou.

O patologista também projetou as tendências para a próxima década: digitalização, Big Data, inteligência artificial, colaboração público-privada e maior empoderamento do paciente. Segundo ele, essas forças precisam caminhar juntas para garantir equidade de acesso, sustentabilidade e descentralização seletiva dos serviços.

“O diagnóstico é o maior hub de dados clínicos. Se continuarmos a usar apenas uma fração desse potencial, perderemos a chance de transformar a Saúde”, afirmou Mojica.

A visão apresentada dialoga diretamente com os pilares estratégicos da Abramed – interoperabilidade, qualidade, sustentabilidade e valor. Ao mostrar que laboratórios podem e devem liderar a eficiência dos Sistemas de Saúde, Mojica reforçou a mensagem de que o setor de diagnóstico precisa assumir um papel central, unindo tecnologia, dados e protocolos clínicos para entregar resultados consistentes para pacientes e gestores.

Mundo em transformação: clima, envelhecimento e sustentabilidade são pautas de debate no 9º Fórum Internacional de Lideranças em Saúde

Especialistas analisam transição demográfica e mudanças ambientais, reforçando o papel estratégico da Medicina Diagnóstica para o futuro da sociedade

O envelhecimento populacional acelerado e os efeitos crescentes das mudanças climáticas configuram uma combinação que pressiona os sistemas de Saúde no mundo inteiro. A 9ª edição do Fórum Internacional de Lideranças em Saúde (FILIS) reuniu especialistas para discutir como essas duas forças de transformação impõem o desenho de novos paradigmas e estratégias para o setor, ao mesmo tempo em que reforçam o papel da Medicina Diagnóstica como peça-chave para prevenção, sustentabilidade e resiliência social.

O painel com o tema “Do Clima à Saúde: Desafios de um Mundo em Transformação”, contou com a presença de Paulo Saldiva, Médico Patologista, Professor e Pesquisador (FMUSP); Ione Anderson, Associate Partner e Diretora Executiva para Sustentabilidade na EY; e o deputado federal Pedro Westphalen (PP/RS). A moderação foi de Claudia Cohn, Membro do Conselho da Abramed e Diretora de Negócios Dasa e Relações Institucionais, que provocou reflexões sobre como adaptar protocolos médicos diante do envelhecimento acelerado da população, que verá a faixa etária 50+ dobrar até 2050 e o número de pessoas com mais de 90 anos passar de 770 mil para mais de 2,8 milhões em 2050.

O diálogo gerou análises que englobam desde o impacto clínico do envelhecimento até a necessidade de métricas internacionais de sustentabilidade que incorporem a Saúde como eixo central de uma agenda indispensável para o futuro do planeta.

Reescrevendo protocolos e enfrentando riscos

Para Paulo Saldiva, o aumento da longevidade exigirá uma revisão profunda de parâmetros médicos, que hoje não contemplam adequadamente a população de idade mais avançada.

“Estamos envelhecendo rápido e mal preparados. Protocolos médicos precisarão ser reescritos”, alertou Saldiva. “Vamos ter que desenvolver, do ponto de vista da farmacocinética e dos exames laboratoriais, uma nova medicina. O envelhecimento traz vulnerabilidade, inclusive diante de agentes infecciosos, e isso exige estratégias preparadas para a nova realidade”, afirmou.

O médico também chamou atenção para os efeitos das mudanças ambientais, reforçando que eventos climáticos extremos ampliam desigualdades e agravam doenças já presentes, e defendeu que o setor de Saúde precisa dialogar melhor com a sociedade:

“Temos uma quantidade de informações acadêmicas muito importantes, mas é preciso comunicação. Não adianta publicar apenas em ecossistemas especializados. É necessário traduzir esse conhecimento e trabalhar com um viés real de políticas públicas para que possamos, de fato, superar desafios”.

Avançando no tópico da sustentabilidade, Ione Anderson trouxe ao debate a perspectiva global das conferências do clima, lembrando que a Saúde não pode ser tratada à margem das discussões ambientais.

“Na COP28, os países concordaram que é preciso saber medir como estamos nos adaptando ao novo contexto climático. A Saúde, nesse sentido, tem um papel decisivo nas discussões da COP30, porque sem ela não conseguimos dar o próximo passo”, afirmou a Diretora Executiva da EY.

Trazendo sua experiência com projetos da EY, Ione Anderson explicou que a sustentabilidade deve ser tratada como base das estratégias de negócio dentro do panorama socioeconômico atual e não como uma obrigação acessória. 

“Ainda há uma resistência muito grande no mercado e entre as pessoas. É importante deixar claro, nesse sentido, que sustentabilidade não é uma ação à parte, é estratégia. Para tanto, precisamos conectar ESG com Saúde e construir indicadores integrados. E aqui a Medicina Diagnóstica é decisiva, no sentido de auxiliar empresas a mapear vulnerabilidades e a planejar políticas de mitigação de riscos”, explicou a executiva.

Para ela, a COP30 será um marco nesse debate, colocando o Brasil em posição de protagonismo nas definições globais.

Já o deputado federal Pedro Westphalen destacou o papel do Legislativo em criar consensos duradouros, mesmo em um ambiente marcado por disputas.

“Vejo com preocupação as pessoas se afastando da vida pública, mas também observo o surgimento de uma nova geração que compreende a importância do debate. Precisamos de instituições renovadas para dar conta de um cenário social em que desafios como o envelhecimento acelerado da população e as mudanças climáticas são uma realidade”.

Ele ressaltou ainda a necessidade de maior valorização da Medicina Diagnóstica e da integração público-privada na Saúde.

“Políticas de Saúde precisam ser planejadas para a longevidade, e o diagnóstico é a primeira linha dessa preparação, mas, sem uma real integração entre os sistemas público e privado do setor, vamos apenas apagar incêndios em vez de prevenir”, concluiu Westphalen.

Finalizando o painel, Claudia Cohn fez uma provocação sobre o consumo de plásticos, afirmando que a produção global deve saltar de 200 megatoneladas em 1995 para 1.800 em 2050. Diante desse dado alarmante, ela questionou como o setor pode repensar seus pacotes e embalagens para reduzir impactos ambientais, indo além da adoção de novas tecnologias.

A provocação encontrou respostas diretas dos debatedores. Ione Anderson lembrou que ainda há uma grande resistência em associar o impacto do plástico aos benefícios que sua redução traria para o meio ambiente e para a Saúde, e destacou que sustentabilidade pode ser um diferencial estratégico em toda a cadeia.

Já Paulo Saldiva defendeu a criação de indicadores capazes de traduzir o efeito dos poluentes persistentes em desfechos de Saúde e sugeriu um esforço de comunicação nas escolas para modificar atitudes desde cedo. O deputado Pedro Westphalen relacionou o tema às tragédias climáticas recentes e reforçou que cabe ao país fortalecer suas agências reguladoras para transformar essas discussões em políticas públicas consistentes.

Diagnóstico como alicerce da sustentabilidade

O debate demonstrou que, diante de pressões simultâneas do clima e da curva demográfica no Brasil, a sustentabilidade dos Sistemas de Saúde dependerá da capacidade de antecipar riscos e de adotar políticas preventivas. O diagnóstico, ao fornecer dados confiáveis e precoces, posiciona-se como elo estratégico entre ciência, gestão pública e sociedade.

A Medicina Diagnóstica se coloca, assim, não apenas como ferramenta clínica, mas como instrumento de resiliência social. Fomentar essa integração é um dos compromissos da agenda ESG da Abramed, que tem atuado como articuladora entre os players envolvidos nessa temática.

Crise ambiental e Saúde: Paulo Saldiva mostra como o setor pode orientar caminhos diante dos desafios climáticos

Palestrante propõe uma reflexão sobre os desafios da Saúde em tempos de mudanças ambientais.

No 9º Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), realizado em São Paulo, o médico patologista, professor e pesquisador Paulo Saldiva trouxe uma reflexão contundente sobre os desafios da Saúde em tempos de mudanças ambientais.

Ele destacou que o ato de cuidar, marca da nossa espécie desde o início da civilização, é também o que permitiu à humanidade avançar diante das crises. “Não vencemos pela força física, mas pela capacidade de colaborar, cuidar e educar”, afirmou. Segundo Saldiva, a Educação, a Saúde e a própria experiência das crises históricas moldaram a evolução social e tecnológica, mostrando que os momentos de dificuldade são também motores de inovação.

Ao traçar paralelos entre o corpo humano e o corpo urbano, o pesquisador ressaltou que as cidades, assim como os organismos, adoecem e revelam sintomas claros: poluição, sedentarismo compulsório, obesidade, violência no trânsito e desigualdades no acesso ao cuidado. “Hoje, as cidades estão na mesa de autópsia, e a Saúde tem um papel central em diagnosticar, propor terapêuticas e orientar caminhos de sustentabilidade”, observou.

Nesse cenário, o setor assume um papel que vai além da assistência: torna-se também direcionador de políticas públicas. Isso porque, com base em sua capacidade de produzir diagnósticos e cartografar padrões de adoecimento, é possível oferecer dados para a formulação de medidas que enfrentem os impactos das mudanças ambientais e sociais.

“A Saúde não regula o trânsito nem a indústria, mas pode discutir o sofrimento humano e fazer advocacy de boa-fé. Existe uma generosidade intrínseca em cuidar, e esse cuidado pode nortear governos e gestores”, destacou.

Entre os impactos das mudanças climáticas, ele chamou atenção para dados alarmantes: a cada aumento de cinco graus na temperatura, cresce em cerca de 8% a demanda hospitalar. Esse cenário representa uma perda de aproximadamente 5 bilhões de dólares anuais para o Brasil — um custo que Saldiva diz representar “o imposto que a população paga pelas mudanças climáticas”’.

Além disso, fenômenos como inundações trazem efeitos em cadeia, que vão desde o aumento de infartos até surtos de doenças infecciosas e um crescimento expressivo da demanda por atendimento em saúde mental.

Nesse contexto, o professor reforçou o poder da união entre Saúde e Educação como instrumentos de transformação. Segundo ele, essa parceria é fundamental para induzir mudanças de comportamento — tarefa mais difícil do que o próprio diagnóstico.

O setor já mostrou que isso é possível ao participar ativamente do combate ao cigarro. Da mesma forma, é preciso investir em educação para combater a ignorância. “A ignorância pode ser criativa, mas também pode ser dogmática e opressora. Se a boa informação em saúde promove saúde, a desinformação, por definição, faz o contrário”, alertou.

Saldiva concluiu destacando que a Saúde deve ocupar o centro da agenda pública e institucional, não só como campo de assistência, mas como norteadora de políticas ambientais, urbanas e de bem-estar, e que o setor já demonstra capacidade de superar barreiras tradicionais por meio da cooperação.

“Estamos vendo aqui empresas concorrentes trabalhando juntas, dialogando e trocando informações — e isso não é habitual em outras áreas. Esse talvez seja o maior legado da Saúde: mostrar que é possível avançar coletivamente em prol da vida”, finalizou.

FILIS 2025: onde os grandes debates da Saúde acontecem. Veja a agenda completa

Está chegando a hora! No dia 21 de agosto, o Teatro B32, em São Paulo, será palco da 9ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Abramed.

O evento reunirá especialistas, autoridades e executivos do Brasil para discutir alguns dos temas mais estratégicos para o setor: impactos climáticos na saúde, qualidade assistencial, inovação, interoperabilidade e perspectivas para o futuro da Saúde no país.

A programação inclui a entrega da 7ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, a apresentação dos dados inéditos do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico (que neste ano traz pela primeira vez um capítulo especial sobre interoperabilidade).

Confira a agenda completa do FILIS 2025:

21 de agosto de 2025 | Teatro B32 – São Paulo

Abertura e Prêmio Dr. Luis Gastão Rosenfeld
Entrega da 7ª edição do prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld – uma homenagem que reconhece profissionais cuja trajetória contribuem de forma significativa para o desenvolvimento e a melhoria do sistema de saúde brasileiro.

Apresentação do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico.

Esta publicação anual é amplamente aguardada pelo setor e reúne dados estratégicos e atualizados do mercado de medicina diagnóstica. A edição deste ano traz, ainda, um capítulo especial sobre Interoperabilidade na Saúde, tema fundamental para o avanço da integração e da eficiência no cuidado em saúde no Brasil.

Eixo ESG

Palestra “Desafios da Saúde em Tempos de Mudanças Ambientais” com Paulo Saldiva (Médico Patologista, Professor e Pesquisador da USP)

Debate com o tema “Do Clima à Saúde: Os Desafios de um Mundo em Transformação” e participação de:

  • Pedro Westphalen – Deputado Federal (PP/RS)
  • Paulo Saldiva – USP
  • Mediação: Claudia Cohn – Membro do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Alta Diagnósticos.

Eixo Qualidade na Saúde

Momento Transformação – com a apresentação de case internacional sobre soluções digitais que trazem impacto clínico na gestão e qualidade do cuidado em saúde, com Iván Mojica, Patologista Clínico e Líder em Medicina Diagnóstica.

Palestra “O Futuro do Diagnóstico e a Segurança do Paciente” – com Nelson Teich – Ex-Ministro da Saúde e Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde.

Debate com o tema “A Importância da Qualidade para a Eficiência do Sistema de Saúde” e participação de:

  • Anderson Nascimento – CEO da Rede Total Care
  • Jeane Tsutsui – CEO do Grupo Fleury
  • Nelson Teich, Ex-Ministro da Saúde e atual Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde
  • Marcos Queiroz – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein e Membro do Conselho de Administração da Abramed
  • Mediação: Wilson Shcolnik – Membro do Conselho de Administração da Abramed e Gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury.

Eixo Inovação

Apresentação do Projeto de Interoperabilidade do InovaHC com Marco Bego – Diretor Executivo do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da FMUSP

Momento Transformação – com apresentação de case sobre Interoperabilidade com Paula Xavier – Diretora do Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS).

Debate final com o tema “Interoperabilidade na Saúde: Oportunidades e Caminhos para o Futuro”, e participação de:

  • Ana Estela Haddad – Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde
  • Carlos Marinelli – Diretor Presidente da Bradesco Saúde
  • Rafael Lucchesi – CEO da Dasa Diagnósticos
  • Cesar Nomura – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês
  • Mediação: Ademar Paes Jr. – Sócio da Clínica Imagem e Membro do Conselho de Administração da Abramed

Encerramento – com participação da Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.

Ainda dá tempo de participar! Acesse www.abramed.org.br/filis e faça a sua inscrição!

Terra repercute dados da Abramed sobre distribuição desigual de equipamentos de diagnóstico no Brasil

A sétima edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico foi destaque em matéria publicada pelo portal Terra, que abordou a distribuição dos quase 300 mil equipamentos de diagnóstico existentes no Brasil. Segundo o levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), menos de 1% desses aparelhos estão localizados em postos de saúde, evidenciando uma importante desigualdade no acesso à tecnologia diagnóstica no país.

Baseado em dados do CNES/DataSUS, o relatório aponta que a maioria dos equipamentos — como os de imagem, gráficos e ópticos — está concentrada em hospitais (25,6%), clínicas de especialidades (21,3%) e consultórios isolados (19%). Já as unidades básicas de saúde detêm apenas 8,8% do total, enquanto os postos de saúde contam com apenas 0,5% dos equipamentos.

Para a Abramed, essa concentração impacta diretamente na qualidade da assistência prestada na atenção primária e reforça a urgência de políticas que promovam maior equidade no acesso a exames. “Os equipamentos de diagnóstico fornecem informações valiosas para o diagnóstico preciso de doenças e condições médicas, permitindo o acompanhamento adequado do estado de saúde do paciente e contribuindo para o seu bem-estar”, destacou a entidade.

Durante o lançamento do relatório, especialistas do setor defenderam o papel central da medicina diagnóstica na sustentabilidade do sistema de saúde. A CEO do Grupo Fleury, Jeane Tsutsui, ressaltou que o diagnóstico precoce reduz custos e melhora a qualidade de vida dos pacientes. Já Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin, comentou a relevância da tecnologia e da inteligência artificial na otimização dos processos e na redução do tempo de atendimento, evitando repetições desnecessárias.

Leia a matéria completa publicada no Terra.

Brasil Energia destaca transição energética da Medicina Diagnóstica com dados e contribuições da Abramed

A transição para uma matriz energética mais limpa no setor de Medicina Diagnóstica foi tema de matéria publicada pelo Portal Brasil Energia, com destaque para os dados e contribuições da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed). A reportagem mostra como laboratórios e redes de diagnóstico vêm adotando soluções sustentáveis para reduzir o impacto ambiental sem comprometer a eficiência operacional.

Segundo levantamento da Abramed citado na matéria, até 2023, 72% das associadas já recebiam energia do mercado livre, sendo que 60% utilizavam energia solar e 16% adotavam fontes como eólica e biomassa. Essas ações fazem parte de um esforço estruturado do setor em prol da sustentabilidade — que, além de ganhos ambientais, vem gerando também benefícios econômicos: em 2024, os associados da entidade registraram uma redução de 25% no consumo de energia por exame realizado.

A diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, ressaltou que a transição energética tem sido acompanhada por outras medidas sustentáveis, como a adoção de modais de transporte menos poluentes e a implementação de inventários de emissões de gases de efeito estufa. Para ela, a capilaridade do setor — com presença em todos os estados — demanda estratégias flexíveis, adaptadas às realidades locais de fornecimento.

O texto também detalha as iniciativas de grandes grupos do setor, como Sabin e Dasa, que investem em fazendas solares, geração distribuída e autoprodução. A Dasa, por exemplo, fechou 2024 com 346 unidades abastecidas por energia limpa e opera com 12 usinas solares em funcionamento. Já o Grupo Sabin alcançou 85% de cobertura com fontes renováveis em suas unidades, com destaque para a matriz em Brasília.

Confira a matéria completa no Portal Brasil Energia.

Portal Viva repercute dados do 7º Painel Abramed e destaca relevância da Medicina Diagnóstica no Brasil

A mais recente edição do Painel Abramed — O DNA do Diagnóstico — foi tema de matéria publicada pelo Portal Viva, que abordou o crescimento expressivo do setor de Medicina Diagnóstica e os desafios impostos pelo envelhecimento populacional.

Segundo o relatório divulgado pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), em 2024, o Brasil ultrapassou a marca de 2,5 bilhões de exames laboratoriais realizados — um aumento de 10% em relação ao ano anterior. O levantamento considera dados tanto do Sistema Único de Saúde (SUS) quanto da saúde suplementar.

A reportagem ressalta que o volume crescente de exames acompanha a maior longevidade da população e reforça a importância de investimentos estratégicos no setor. Entre os caminhos apontados pela Abramed estão o uso de inteligência artificial para agilidade na entrega de laudos, serviços domiciliares, medicina de precisão e parcerias público-privadas que ampliem o acesso a exames de maior complexidade.

Além do crescimento no número de procedimentos, o setor se destaca também na geração de empregos: foram mais de 307 mil postos de trabalho mantidos em 2024, representando 11% do total de ocupações na área da saúde.

Com 78 mil estabelecimentos atuando em serviços diagnósticos e quase 300 mil equipamentos em funcionamento — sendo mais de 94% em uso ativo —, o setor consolida sua relevância para a sustentabilidade e eficiência do sistema de saúde brasileiro.

Leia a matéria completa no Portal Viva.

Consumidor Moderno destaca a atuação da Abramed em matéria sobre o futuro da Medicina Diagnóstica

O portal Consumidor Moderno publicou nesta semana uma matéria especial sobre os avanços, desafios e transformações da Medicina Diagnóstica no Brasil. A reportagem contou com ampla participação da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), que liderou o encontro “Diagnóstico em Pauta” reunindo CEOs e lideranças de grandes grupos de saúde do país.

Com base em dados inéditos da Abramed, a matéria mostra que, só em 2024, mais de 1 bilhão de exames foram realizados pelas associadas da entidade — um crescimento de 15,7% em relação ao ano anterior. O painel, conduzido por Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, destacou que a expansão da Medicina Diagnóstica vai além do volume: envolve também digitalização, interoperabilidade, personalização e foco em desfechos clínicos.

Durante o debate, Jeane Tsutsui (Grupo Fleury), Lídia Abdalla (Grupo Sabin), Rafael Lucchesi (Dasa) e Henrique Neves (Hospital Israelita Albert Einstein) reforçaram a importância estratégica do diagnóstico no cuidado à saúde, abordando temas como uso responsável da Inteligência Artificial, subutilização de exames, coordenação do cuidado e desigualdade no acesso entre os setores público e privado.

“A Abramed tem pautado discussões relevantes para o setor, com dados, evidências e articulação entre diferentes agentes da saúde. Não se trata apenas de entregar resultados, mas de contribuir com decisões mais seguras, gestão mais eficiente e um sistema de saúde mais sustentável”, afirma Nomura na publicação.

Leia a matéria completa no site da Consumidor Moderno.