Todo exame que coleta amostras do nariz com um cotonete é RT-PCR?

A resposta é não. Abramed esclarece a diferença entre os testes e seus graus de confiabilidade para que nenhum brasileiro faça um exame de moderada sensibilidade acreditando estar sendo testado por uma metodologia de alta sensibilidade

1º de maio de 2021

Desde o início da crise causada pelo novo coronavírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS), apoiada pelas comunidades científicas globais, indicou o RT-PCR como o exame padrão-ouro para diagnóstico da COVID-19. Cientes de que esse era o exame mais confiável dentro desse cenário, muitos brasileiros passaram a identificar essa metodologia como o teste que coleta amostras nasais com um cotonete. Porém, com o passar dos meses, muitos outros testes surgiram e, hoje, há uma certa confusão entre todos os tipos que estão disponíveis, quais seus graus de confiabilidade e quando cada um deles deve ser utilizado.

Para trazer mais clareza, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esclarece todas as dúvidas que estão no ar. E o primeiro apontamento dado pela entidade é: nem todo exame hoje disponível que coleta amostras pelo nariz é um RT-PCR.

Atualmente, outras metodologias diagnósticas utilizam esse tipo de amostra. É o caso do teste rápido de antígeno viral que também serve para identificar a doença na fase ativa mas, erroneamente, tem sido chamado por muitos estabelecimentos de POCT-PCR (Point-of-Care Testing – PCR). Esse teste é, na verdade, um teste imunocromatográfico simples, menos sensível, que dispensa o uso de reagentes adicionais e equipamentos sofisticados e precisos usados em laboratórios clínicos, ou seja, é diferente do RT-PCR, que é um exame molecular de alta complexidade.

“No RT-PCR, as amostras coletadas com um swab do fundo do nariz e da garganta do paciente são dispostas em um equipamento capaz de detectar e amplificar o material genético do vírus ali contido. É exatamente essa multiplicação que aumenta a sensibilidade do teste. Já no teste de antígeno nasal não há essa amplificação. Isso significa que mesmo doente, caso o paciente não tenha uma carga viral alta em suas vias respiratórias, há grande chance daquele teste dar um falso negativo”, explica Alex Galoro, diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Disponível na literatura científica internacional, um estudo1 publicado em novembro de 2020 concluiu que a sensibilidade e a especificidade do teste de antígeno viral são inferiores às dos exames RT-PCR. Para tal, a pesquisa utilizou esfregaços de cidadãos testados via RT-PCR e foram selecionadas, para o comparativo, 75 amostras de pacientes comprovadamente infectados pelo novo coronavírus e outras 75 amostras de pacientes comprovadamente saudáveis.

Na ocasião, entre todas as amostras avaliadas, o teste rápido apontou três falsos positivos (o que o levou a 96% de especificidade) e 53 falsos negativos (sensibilidade de 70%). Entendendo que a sensibilidade do teste depende do ciclo da doença e da proporção da carga viral nas amostras, outra análise foi feita levando à compreensão de que: em amostras com alta carga viral, o teste rápido alcançou 100% de sensibilidade; em amostras com carga viral média, 95% de sensibilidade; em amostras com carga viral baixa, 44,8% de sensibilidade; e em amostras com carga viral muito baixa, apenas 22,2% de sensibilidade.

“O paciente não tem como saber qual sua carga viral. Por esse motivo, a indicação é de que o teste rápido de antígeno viral seja utilizado unicamente quando não houver a possibilidade de realização de um RT-PCR e em pacientes sintomáticos, já que a presença de sintomas, na teoria, indica uma carga viral mais alta”, explica Galoro. Importante destacar que qualquer cidadão infectado transmite a doença independentemente da quantidade de vírus que carrega.

Outros testes para detecção da doença na fase ativa

Além dos testes descritos acima, há outros exames disponíveis no mercado para detecção da doença na fase ativa, a exemplo do PCR-Lamp. Trata-se de um teste isotérmico que, apesar de usar outra metodologia para amplificação da carga viral e posterior análise de resultados, tem desempenho similar ao RT-PCR e pode ser feito tanto com amostras colhidas do nariz quanto com saliva.

Porém, é importante que todos saibam que há diferença de desempenho dos testes de acordo com o tipo de amostra utilizada: a sensibilidade de qualquer teste para COVID-19 é maior quando utilizadas secreções nasais, visto que a carga viral costuma ser inferior em amostras de saliva. “O recomendado é que os testes sempre sejam feitos com swab nasal e que o teste via saliva seja utilizado apenas em pessoas que tenham dificuldades anatômicas para a coleta da secreção pelo nariz”, diz Galoro.

Sorológicos para identificação de anticorpos

Os testes disponíveis no Brasil são os mesmos utilizados pela maioria dos outros países. Além dos já mencionados para detecção da doença na fase ativa (RT-PCR, PCR-LAMP e Teste de Antígeno Viral), estão disponíveis os testes capazes de detectar anticorpos e, assim, apontar se aquele paciente já teve contato com o novo coronavírus. Os mais realizados, hoje, são os testes sorológicos para IGG, IGM e anticorpos totais.

Entre eles, há diferenças na metodologia de análise, na sensibilidade e na entrega de resultados.

O teste-rápido – que é feito através de um pequeno furo na ponta do dedo para extração de uma gota de sangue a ser avaliada por imunocromatografia em um dispositivo portátil – depende muito da experiência e conhecimento do profissional de saúde que está executando a coleta e traz um laudo qualitativo, ou seja, apenas indica “positivo ou negativo” para IGG e IGM. Por ser uma metodologia mais simples, tem sensibilidade menor, o que aumenta a chance de resultados falso negativos.

Já os testes sorológicos feitos em laboratório com coleta de sangue venoso trazem resultados quantitativos e conseguem indicar, com mais precisão, como foi a exposição daquele paciente ao patógeno.

Aqui, novamente é preciso estar atento à janela imunológica, ou seja, cada pessoa demora um período específico para produzir anticorpos após ser infectado. Portanto, qualquer exame sorológico só deve ser feito dez dias após o início dos sintomas.

Teste pós-vacinação

Com a imunização fluindo no mundo, surgiram os testes de sorologia pós-vacina, pesquisas de anticorpos neutralizantes focadas em investigar a resposta imune de cada indivíduo à vacinação. Importante enfatizar que dependendo da vacina que é aplicada, o anticorpo pesquisado deve ser diferente. Isso porque cada imunizante estimula uma resposta do sistema imunológico.

Além disso, estudos clínicos realizados com esses testes mostram que nem todo cidadão vacinado apresenta soropositividade. E isso não significa que ele não está protegido. O que os pesquisadores notaram é que, por vezes, o teste aplicado não é capaz de detectar exatamente o anticorpo gerado e que, além disso, anticorpos não são a única fonte de defesa do organismo, que conta também com os linfócitos T, inacessíveis aos testes sorológicos.

Portanto, mesmo que o paciente opte por fazer um teste de anticorpo pós-vacina, o resultado não deve interferir na conduta. Isso significa que tendo resultado positivo ou negativo na pesquisa de anticorpos neutralizantes, o indivíduo deve permanecer utilizando máscara, realizando os processos adequados de higiene e cumprindo o distanciamento social. Além disso, não há, até o momento, qualquer indicação de reforço vacinal ou mudança do tipo de vacina justamente porque, apesar de serem fonte importante de informação para médicos e vacinados, os resultados desses testes sorológicos pós-vacinação ainda não foram completamente compreendidos pela ciência.

A Abramed descreveu, na tabela abaixo, os detalhes mais importantes de cada teste. Porém, a Associação reforça que o melhor caminho para a realização do teste certo no momento certo está na indicação médica. “Para uma boa assertividade, o paciente precisa saber o que ele está pesquisando – se RNA do vírus ou anticorpos – e em qual momento do ciclo da doença ele está. É difícil para o cidadão comum ter esse discernimento. Portanto, o ideal é que o brasileiro procure o médico, explique o seu caso para que ele consiga indicar o melhor teste para aquela situação”, diz Galoro. Isso porque independentemente do teste escolhido, se for feito em um período inadequado da janela imunológica (fazer um RT-PCR quando já passaram muitos dias do início dos sintomas ou um sorológico no começo da infecção) pode gerar resultados equivocados.

Referências:

1. Comparison of the SARS-CoV-2 Rapid antigen test to the real star Sars-CoV-2 RT PCR kit

Healthcare Talks debate os pilares da medicina diagnóstica brasileira

Encontro virtual reuniu lideranças para tratar do protagonismo do setor durante e no pós-pandemia

1º de maio de 2021

Líderes da medicina diagnóstica estiveram reunidos na tarde de 29 de abril para debater o protagonismo do setor nos tempos atuais. O evento, intitulado Healthcare Talks e promovido pelo Grupo Mídia, recebeu o presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik, que trouxe alguns dos principais pleitos dos laboratórios e clínicas de imagem para um rico debate virtual junto a Claudia Cohn, CEO do Alta Excelência Diagnóstica e membro do conselho da Abramed; Adriano Caldas, general manager da Guerbet; e Carlos Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL).

Na primeira parte do bate-papo moderado por Carla de Paula Pinto, editora do Grupo Mídia, os executivos falaram sobre alguns dos pilares da medicina diagnóstica brasileira: pioneirismo, espírito colaborativo, senso de urgência e competência.

Para Claudia, o ramo de diagnóstico exige pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica em um fluxo constante e, mesmo que nenhum país estivesse preparado para enfrentar uma pandemia como a de COVID-19, a agilidade das empresas e dos profissionais do setor na busca por ferramentas e estratégias para combater o novo coronavírus precisa ser destacada. “Foi o pioneirismo que nos permitiu a rapidez na criação dos testes necessários para uma maior testagem populacional e que nos levou, também, à uma rápida ação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na incorporação desses exames, nos garantindo a chance de exercer a função diagnóstica que precisávamos”, declarou.

Na sequência, ainda falando sobre o protagonismo do segmento, Shcolnik destacou que os bons resultados foram conquistados graças à união dos diversos players que compõem a cadeia de saúde. “O espírito colaborativo é o que eu ressalto. Sem a indústria que nos fornece os kits e os materiais; sem os equipamentos apropriados que nos levam à maior capacidade operacional; e sem os profissionais de saúde especializados e dedicados, nenhum bom resultado teria sido possível”, disse. Nesse mesmo sentido, Gouvêa relembrou a união de várias entidades, entre elas a CDBL e a Abramed, na construção de um projeto de validação de kits de testes de diagnóstico de COVID-19 para garantir a qualidade da testagem no país. “Hoje o valor do diagnóstico está ainda mais claro”, afirmou.

Ao pioneirismo e ao espírito colaborativo, Caldas acrescentou o senso de urgência e a competência do setor durante a crise de COVID-19. “O sistema de saúde e a medicina diagnóstica responderam às demandas na velocidade adequada desenvolvendo rapidamente as soluções necessárias e, ao mesmo tempo, tomando todos os cuidados para que essas soluções fossem seguras para a melhor gestão da pandemia”, pontuou.

Tecnologia

Para iniciar um novo ciclo de debates, Carla questionou os participantes sobre a importância dos avanços tecnológicos no setor de diagnóstico no combate à pandemia.

Shcolnik fez questão de enfatizar: “a medicina diagnóstica é 100% dependente de tecnologia”. Mas complementou que toda a tecnologia implementada carece de avaliação, teste e validação. Para isso, fez uma analogia e comparou os processos tecnológicos da medicina diagnóstica à aviação. “Somos como uma aeronave que, antes de levantar voo, passa por uma série de checagens feitas pelos pilotos para garantir a segurança dos passageiros. Na saúde, tudo deve ser testado – e precisa de pilotos experientes – para não incorrermos em erros”, observou. Diante de uma cadeia tão complexa, Cláudia reforçou que existe a tecnologia que é visível a todos – aplicada a equipamentos ultramodernos, por exemplo – mas que há, também, muita tecnologia nos bastidores.

Underuse e overuse

Uma das principais pautas da Abramed também ganhou espaço nessa edição do Healthcare Talks: underuse e overuse. Carla perguntou qual o posicionamento da Abramed quanto aos questionamentos de desperdícios ocorridos nas solicitações de exames tanto no sistema público quanto no sistema privado.

Ao responder essa pergunta, Shcolnik explicou qual é o atual cenário nacional. Segundo o executivo, estamos realizando cada vez mais exames, porém existem fatores que justificam esse aumento. “Além de termos uma população envelhecendo, temos muito mais gente preocupada com sua saúde, focadas em prevenção. O que é positivo”, disse reforçando que não se pode interpretar exame com resultados normais como desperdício, visto que o preventivo é extremamente eficaz para o diagnóstico precoce e que o esperado é um exame normal, mas que somente por esse acompanhamento de rotina chega-se a um exame “anormal” no início de qualquer patologia.

O presidente também aproveitou a oportunidade para derrubar mais um mito: o de que muitos exames não têm seus resultados acessados. “Apuramos que apenas 5,4% dos laudos dos exames não são vistos. Há, muitas vezes, essa percepção equivocada, pois vivemos em uma era moderna na qual muitas pessoas não vão mais aos laboratórios pegar seus resultados. Elas acessam pela Internet”, afirmou.

A sustentabilidade do sistema é sim uma preocupação da Abramed e o executivo reconhece que os recursos não são suficientes para suprir toda a demanda populacional e que, portanto, as sociedades médicas precisam ser apoiadas no que tange à orientação dos médicos para a indicação dos exames adequados.

Claudia também se manifestou quanto à necessidade do uso racional desses exames. “Devemos lutar contra os exames pedidos em demasia, mas também precisamos mudar o modelo que está sendo aplicado e que, hoje, atrela a melhor remuneração à maior quantidade de procedimentos. O nosso sistema já entendeu que essa não é uma vertente que dá certo e todos temos trabalhado para mudar. Estou otimista de que vai melhorar e de que teremos o foco sempre no melhor desfecho para o paciente”, explicou ao se referir às mudanças na forma de remuneração que são debatidas na cadeia de saúde.

Hoje o Brasil prioriza o fee-for-service, modelo que paga o prestador de acordo com os procedimentos realizados. O que muitos consideram ideal está aplicado em uma proposta que remunera e gera incentivos de acordo com o desfecho, e não com a quantidade. É o que vem sendo chamado de saúde baseada em valor.

Impactos da pandemia

Os primeiros meses da pandemia trouxeram um impacto extremamente relevante ao setor de diagnóstico, que assistiu a quedas drásticas no movimento em decorrência do receio das pessoas em comparecer aos atendimentos durante uma pandemia infecciosa e, também, à dificuldade de passar em consultas com seus médicos.

Questionado sobre essa redução, Shcolnik trouxe dados chocantes sobre queda no número de exames realizados entre março e agosto de 2020. “Os exames de hemoglobina glicada, que monitoram a diabetes, caíram 32,5%; as mamografias diminuíram 46%; e o Papanicolau, para rastreio do câncer de colo de útero, teve redução de quase 50%. Três exemplos básicos que deixam claro que o afastamento dos pacientes dos exames em 2020 trará consequências para seus prognósticos e também consequências econômicas para o sistema”.

Relembrando qual foi a solução aplicada pelas redes de laboratórios e clínicas do país, Claudia mais uma vez parabenizou o pioneirismo dessa classe ao mencionar que rapidamente as unidades se prepararam para prover uma infraestrutura adequada ao novo cenário e capaz de gerar atendimentos seguros aos pacientes.

Realização de exames fora do ambiente laboratorial

Por fim, as CPS 911 e 912 – sobre realização de exames laboratoriais em qualquer serviço de saúde –, abertas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), também entraram na agenda do webinar. Shcolnik fez questão de enfatizar que a grande preocupação da Abramed está na disponibilização exames que coloquem em risco a segurança dos pacientes. Segundo o executivo, é importante que todo teste seja realizado por um profissional capacitado. Além disso, aqueles com maior complexidade precisam de outro tratamento. “Existem testes diagnósticos laboratoriais de média e alta complexidade que deveriam se manter restritos às infraestruturas totalmente controladas dos laboratórios clínicos”, disse.

Gouvêa defende a ampliação do acesso por meio de testes point-of-care, mas reforçou a importância da qualidade dos kits serem testados e de haver um sistema de treinamento para capacitação dos profissionais. “A Anvisa precisa olhar para isso”, pontuou.

Essa edição do Healthcare Talks sobre o protagonismo da medicina diagnóstica está disponível para visualização AQUI.

Primeiro episódio de 2021 da série #DiálogosDigitais Abramed debate futuro da saúde suplementar

Com representantes de toda a cadeia produtiva, encontro virtual falou sobre reflexos da pandemia, incorporação tecnológica e responsabilidade compartilhada rumo à sustentabilidade do sistema

28 de abril de 2021

O primeiro episódio da edição 2021 da série #DiálogosDigitais Abramed trouxe à tona debates valiosos sobre o futuro da saúde suplementar. Realizado virtualmente na noite de 27 de abril e moderado por Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Associação, o encontro contou com a participação de Alex Galoro, diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gestor médico no Grupo Sabin Medicina Diagnóstica; Carlos Eduardo Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL); e Vera Valente, diretora-executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde).

Relembrando todos os impactos que a pandemia de COVID-19 causou nas estruturas de saúde globais, Figueira iniciou o bate-papo questionando como a rede suplementar de saúde no Brasil – indispensável ao atendimento populacional como um complemento à rede pública – fará para dar vazão a todos os procedimentos que foram represados nos últimos meses em decorrência do afastamento dos pacientes das consultas, exames e cirurgias eletivas.

Com ampla expertise nesse cenário e representando uma parte valiosa da rede suplementar nacional, Vera pontuou que houve sim uma paralisação bastante forte nos primeiros meses da crise, mas que o movimento foi sendo retomado e, hoje, já supera o anotado na pré-pandemia. “No final do ano começou uma retomada expressiva e esse primeiro trimestre de 2021 foi histórico. Tanto que o número de autorizações emitidas para realização de exames e terapias em março desse ano foi maior do que o que observamos em março de 2019”, declarou.

Trazendo a perspectiva de quem está dentro de uma das principais redes de laboratório do país, Galoro pontuou que a queda do movimento chegou a 50% em abril do ano passado e que as demandas por testes de COVID-19 chegaram a representar metade do faturamento ao longo de alguns meses. Porém, com o movimento de preparação dos laboratórios e clínicas e a indicação de que as pessoas não deveriam postergar seus atendimentos, houve uma evolução gradual.

“O movimento foi sendo retomado com a busca de outros exames além da COVID-19. Assim, com a chegada da segunda onda, nos deparamos com as duas situações: um nível de exames para detecção do novo coronavírus já alto, acima da linha basal anterior, e o crescimento pelos outros diagnósticos”, disse. Falando sobre o futuro, pontuou que “teremos uma retomada, uma pressão grande para atender as demandas que foram deixadas em segundo plano e a rede precisa estar preparada para absorver”.

Então, sobre o futuro da saúde suplementar no Brasil, Vera finalizou que a pandemia mostrou de forma ainda mais clara como a rede privada atua em conjunto com a rede pública para atendimento geral da população e que esse pensamento de um sistema integrado precisa ser valorizado. “A saúde suplementar cuida de 47 milhões de brasileiros que deixam de utilizar o SUS. Essa complementaridade é importante e temos que compreender formas de trazer ainda mais beneficiários para a saúde suplementar. Essa é uma agenda que estamos bem alinhados, tanto prestadores quanto operadoras”, finalizou.

Rol da ANS

Dentro desse contexto de que a pandemia não exclui as outras doenças que seguem acometendo a população, o quarteto debateu sobre os processos de inclusão de novos exames e procedimentos no Rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Para introduzir o assunto, Figueira lembrou que a ANS continuou se movimentando para, mesmo diante de um cenário pandêmico, seguir com a inclusão de novos exames e procedimentos em benefício da população atendida pelas operadoras de saúde.

“O processo de atualização do rol se repete a cada dois anos e esse ano entraram 109 novos procedimentos entre exames, medicamentos, imunobiológicos, cirurgias e terapias, o que foi uma atualização bastante expressiva”, disse Vera ao enfatizar a importância das análises de impacto para que o sistema possa absorver essas novas tecnologias de forma sustentável.

Outro ponto mencionado pela executiva foi a rápida incorporação dos testes de COVID-19 em caráter excepcional. “A ANS, ainda em maço de 2020 e independente do Rol, incorporou o RT-PCR e, segundo nosso levantamento, a rede suplementar desde então já realizou mais de 3 milhões de testes. Ainda dentro da COVID-19, em junho incorporou também os sorológicos e nossas operadoras, até agora, já fizeram cerca de 1,5 milhão desses exames que detectam os anticorpos”, pontuou.

Figueira concorda com Vera quanto a necessidade do uso racional dos exames para a construção de um sistema sustentável. “Tudo tem que ser racionalizado e precisamos ser guardiões das boas práticas junto com o sistema de saúde. Temos, inclusive, essa responsabilidade de disseminar conhecimento técnico para a aplicação das tecnologias disponíveis”, declarou.

Porém, o vice-presidente da Abramed lembra que na última incorporação da ANS, feita em 2018, o impacto orçamentário estimado não foi alcançado. Segundo estudo da Associação – que computou a quantidade de exames realizados por suas associadas ao longo do primeiro ano de vigência do novo rol e, também, os dados compartilhados pela ANS nesse mesmo período – a estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) era de que seriam efetivados 77.441 exames da lista de 10 novos procedimentos diagnósticos apontados como de cobertura obrigatória pelos planos de saúde. Porém, encerrado o primeiro ano de vigência, as associadas à Abramed confirmaram a realização de apenas 37.665 exames, o que confirma que a inclusão de novos procedimentos não atingiu sequer 50% do volume de exames que eram esperados para os primeiros 12 meses após a ampliação do Rol.

Exemplificando que a incorporação sempre acaba trazendo um cunho de racionalidade, Galoro utilizou, como exemplo, os testes de COVID-19 que foram incluídos no Rol em 2020. “As diretrizes de utilização (DUTs) são importantes para racionalizar e regularizar o uso. Para o RT-PCR, a recomendação era de aplicação em pacientes sintomáticos. E quando foram incluídos os sorológicos, também vieram com diretrizes especificadas”, disse.

Outro ponto que também acaba interferindo nesse impacto está na qualidade dos kits. Durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19, o Brasil assistiu à uma disseminação de kits de baixa qualidade que entregavam resultados pouco confiáveis e atrapalhavam a estratégia de contenção do novo coronavírus. Mas esse cenário foi minimizado pela atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e também por projetos paralelos de validação.

Pensando nisso, Figueira questionou Gouvêa se ele acreditava que a Anvisa deveria ser envolvida na validação de todo e qualquer tipo de teste disponibilizado no mercado. Porém, para o executivo, não há essa necessidade. “Na minha opinião, não precisa. Temos, como indústria, controles suficientes para garantir bons produtos. E quando há algum extremo, o mercado também tem condições de monitorar, reclamar e denunciar”, finalizou.

Testes pós-vacina de COVID-19

Um dos assuntos mais comentados do momento, os testes sorológicos feitos após a imunização também entraram no debate na noite de 27 de abril. Galoro enfatizou que há o questionamento sobre a importância dessa testagem e que ele é válido, porém trouxe pontos que também devem ser relevantes.

“Os resultados desses testes não interferem na conduta. Se der negativo ou se der positivo, o paciente deve seguir usando máscara, com as medidas de isolamento e proteção. Não há, inclusive, qualquer indicação de reforço da dose, visto que a imunidade pode vir de uma resposta celular, por exemplo, e não dos anticorpos. Porém esses testes trazem informações para a nossa evolução. Sem testar a população vacinada, não teremos esses dados para avaliação”, pontuou.

Ainda sobre os testes pós-vacina, Gouvêa complementou que, infelizmente, a população brasileira vacinada ainda é muito pequena e que muitos só tomaram a primeira dose. “E não há indicação de testagem antes da segunda dose”, disse.

Em um papo muito produtivo, os especialistas também abordaram outros diversos assuntos como, por exemplo, os desafios tributários do setor – que apesar de muitos apontarem impactar apenas a área privada, acabam respingando também no SUS, visto que a indústria muitas vezes precisa repassar o custo dos impostos aumentados – e a relevância da telemedicina como forma de ampliar o acesso populacional às especialidades médicas.

Para encerrar o encontro, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, agradeceu a participação de todos e aproveitou para falar sobre o próximo episódio do #DiálogosDigitais que acontecerá em junho. “No dia 22 de junho falaremos sobre gestão de saúde corporativa e a medicina diagnóstica. Importante lembrarmos sobre a responsabilidade de todos os players dentro dessa busca por sustentabilidade”, comentou.

O primeiro episódio está disponível na íntegra no canal do YouTube da Abramed. Clique AQUI para assistir.

Na indústria, inovação e transmissão de conhecimento para controle da COVID-19

Antonio Vergara, da Roche Diagnóstica, fala sobre as estratégias da companhia durante a crise

Com a pandemia de COVID-19 ainda em curso, o setor de medicina diagnóstica segue com seu planejamento estratégico fortalecido a fim de atender às demandas populacionais para controle do novo coronavírus. Contando um pouco sobre os desafios enfrentados ao longo de 2020 e reforçando a importância do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação, Antonio Vergara, presidente da Roche Diagnóstica Brasil, concedeu uma entrevista exclusiva à Abramed em Foco.

Nesse papo, o executivo reforça que a atuação global da marca permitiu que o Brasil aproveitasse toda a experiência vivida na China e na Europa para a melhor tomada de decisão e enfatiza que a companhia vem investindo continuamente em educação baseada em ciência para levar conhecimento sobre a infecção e sobre todas as inovações que estão disponíveis para a população.

Confira a entrevista completa.

Abramed em Foco – A pandemia impactou todos os setores da economia, sem exceção. Quais foram os principais entraves vividos pela Roche Diagnóstica ao longo dos últimos meses e qual foi a estratégia da companhia para vencer esses desafios?

Antonio Vergara – No último ano vivemos um período sem precedente, em que adaptação e foco foram fundamentais para encontrarmos com agilidade maneiras para apoiar a sociedade no enfrentamento da COVID-19.

Foram muitos os desafios, desde os cuidados para prezar pela segurança da nossa equipe de campo, que continuou ativa dando todo o suporte aos laboratórios e hospitais pelo Brasil; até a complexidade logística para conseguir disponibilizar os testes em todo país, superando a diminuição do transporte aéreo no início da pandemia.

Por termos uma atuação global, pudemos acompanhar de perto os desdobramentos da pandemia na China e na Europa, o que nos permitiu aprender com a experiência em outros países para estabelecermos planos de atuação locais efetivos. Ao mesmo tempo, nosso time local dedicou todos os esforços em diversas frentes para atuar de forma integrada e colaborar com parceiros, autoridades, governos e instituições para fortalecer as estratégias de combate à pandemia. Outro ponto importante foi o trabalho de educação contínua por meio da ciência em parceria com atores da saúde, levando conhecimento sobre a doença e toda a inovação disponível, estreitando o nosso diálogo com médicos, instituições de saúde e até mesmo a população.

Abramed em Foco – A Roche investe cerca de 20% do seu faturamento global em pesquisa e desenvolvimento, correto? Esse investimento tornou-se ainda mais indispensável frente à pandemia?

Antonio Vergara – Correto. Fazemos um alto investimento em P&D de forma contínua durante os nossos 125 anos e isso permite que possamos inovar constantemente para atender as situações de saúdes mais complexas, como a pandemia de COVID-19. Mas, além de oferecer novas tecnologias ao mercado, temos um compromisso com a segurança de nossos pacientes e isso se reflete na qualidade das nossas soluções.

Nosso foco em apoiar a sociedade neste momento permitiu que, poucas semanas após o anúncio da COVID-19, disponibilizássemos o primeiro teste PCR automatizado para dar suporte aos profissionais da saúde no diagnóstico da doença. De lá para cá, lançamos, globalmente, 15 soluções para auxiliar na gestão da doença, seis delas já estão disponíveis no Brasil: os testes moleculares por RT-PCR, antígeno, sorológicos e Point of Care.

Oferecemos um portfólio completo de altíssima qualidade, especificidade e sensibilidade em toda a jornada do diagnóstico, dentro e fora do laboratório. Seja na detecção do SARS-CoV-2 por RT-PCR ou antígeno, na triagem de pessoas infectadas pela análise de anticorpos totais e, agora, no monitoramento pós-vacinação com os testes de anticorpos Spike.

Considerando a previsão do calendário de vacinação e os tratamentos que estão por vir, a utilização eficiente dos testes é fundamental para mudarmos o cenário da pandemia. Ou seja, realizar o teste adequado, no momento adequado para o paciente certo. E tudo isso, levando em consideração a qualidade dos testes.

Pensar em inovação é também pensar em como ampliar o acesso a novas tecnologias para oferecer melhores resultados para os pacientes e, a longo prazo, promover a sustentabilidade do sistema de saúde. E nós, como Roche, estamos comprometidos em auxiliar a sociedade neste sentido.

Abramed em Foco – Rapidamente a Roche colocou, no mercado, o teste cobas® SARS-CoV-2. Como foi o processo de desenvolvimento desse teste sob a pressão da necessidade por exames diagnósticos? E quais os pilares da companhia para a comercialização de novos testes de qualidade para detecção da infecção pelo novo coronavírus?

Antonio Vergara – Foi preciso dedicação total e foco, em todos os sentidos. Sabemos que nossas soluções são elementos fundamentais no combate da pandemia. Neste último ano, vimos todos os nossos colaboradores, dos cientistas da Suíça, Alemanha e EUA, dos profissionais trabalhando em casa, até os engenheiros em campo nos países, dedicados em desenvolver, aprovar e disponibilizar nossas soluções pelo mundo.

Temos a inovação em nosso DNA, mas sem nossas pessoas sabemos que nosso impacto não seria o mesmo. Por isso, tenho muito orgulho em fazer parte da equipe Roche e estar escrevendo essa história ao lado de cada um de nossos funcionários no Brasil e no mundo. Digo isso porque para conseguir agilizar os processos e disponibilizar os testes o mais rápido possível foi preciso trabalhar em colaboração dentro e fora da companhia.

Outro fator fundamental para nós foi estabelecer o diálogo constante com clientes, governos e instituições para ampliar o acesso da população às inovações. Ao trabalhar ao lado de diferentes atores da saúde conseguimos identificar onde podemos agregar mais valor e estabelecer parcerias que façam a diferença.

Abramed em Foco – A divisão de diagnóstico da Roche fechou o ano de 2020 com crescimento devido à produção de testes de COVID-19 e insumos para esses testes?

Antonio Vergara – De fato, o diagnóstico ganhou uma relevância que nunca vimos antes. Mas apesar do que muitas pessoas acreditam, atuar no mercado diagnóstico não foi sinônimo de alto faturamento. No ano passado, mantivemos um resultado estável fechando o ano com faturamento de R$674 milhões, crescimento de 0,3% em relação a 2019.

Por causa da pandemia, tivemos uma queda nas vendas de rotina. Ou seja, ao mesmo tempo que tivemos uma alta demanda pelos testes de diagnósticos de COVID-19, as pessoas deixaram de realizar exames regulares postergando os cuidados com a saúde de forma geral. Vimos pacientes com doenças crônicas parando seu tratamento, cirurgias sendo canceladas e diagnósticos sendo postergados.

Abramed em Foco – Qual é, a seu ver, o grande desafio da medicina diagnóstica brasileira hoje? E como a indústria pode ajudar o setor a vencer esses gargalos?

Antonio Vergara – O diagnóstico sempre desempenhou um papel fundamental na melhor gestão da saúde. Sabemos que 70% das decisões clínicas são tomadas a partir de análises laboratoriais e, apesar disso, ele representa apenas 0,4% para a Indústria do investimento em saúde. É preciso investir em inovação em saúde de forma constante para promovermos a melhor gestão da saúde. Tecnologias que foram disruptivas no passado já não são mais a melhor opção para evitarmos doenças de alto impacto. Como, por exemplo, quando falamos do câncer de colo de útero, que é prevenível se incorporarmos o teste de HPV no rastreio primário das mulheres com mais de 25 anos. Este é apenas um dos exemplos.

Por outro lado, de nada adianta trazermos inovações para o país se não conseguirmos ampliar o acesso da população a elas. Nesse sentido, temos dedicado nossos esforços para colaborar com clientes, instituições e governos, levar o conhecimento científico à sociedade médica e incentivar a incorporação de soluções que possam aprimorar a gestão da saúde de forma sustentável.

É preciso também que as pessoas tenham mais interesse sobre sua jornada da saúde, permitindo que tenham conhecimento para dialogar com seus médicos e decidir em conjunto o melhor caminho para cada situação. Nós, como líderes do setor, temos um papel importante em promover este conhecimento e auxiliar neste diálogo para evoluir a prática médica e transformar a maneira que cuidamos da nossa saúde.

Precisamos mudar o nosso olhar e investir mais em prevenção de doenças, detecção precoce e monitoramento efetivo, colocando a ciência de qualidade em benefício dos pacientes e da sociedade.

Abramed em Foco – Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Antonio Vergara – A Abramed tem tido um papel crucial em promover discussões dentro do setor e fortalecer nossa atuação junto às instituições, governos e agências regulatórias para a adoção de políticas e medidas que evoluam a assistência médica no país e promovam a sustentabilidade de toda a cadeia de saúde.

Ao promover conteúdos como este, por exemplo, a associação abre espaço para reflexões e debates importantes para o setor e futuras parcerias. Acho que a Abramed pode e deve continuar neste caminho de educação constante da sociedade, fortalecendo a importância da medicina diagnóstica e do impacto de se ampliar o acesso a inovações de qualidade para que as pessoas vivam mais e melhor. Estaremos ao seu lado para continuar ampliando o conhecimento de todos e construindo a saúde do futuro de forma sustentável.

Medicina diagnóstica tem papel relevante desde o início da pandemia

Wilson Shcolnik participou do workshop on-line promovido pelo CBEXs em que comentou os diferentes testes de Covid-19

26 de abril de 2021

Convidado pelo Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) para falar sobre os diferentes tipos de testes para a detecção da COVID-19 desde o início da pandemia, o presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, destacou a relevância da medicina diagnóstica e reforçou o protagonismo do setor durante a pandemia.

No encontro virtual, coordenado pelo presidente do Conselho de Administração do CBEXs, Francisco Balestrin, realizado no dia 14 de abril, Shcolnik fez uma avaliação do cenário desde a declaração de emergência em saúde pública decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no início de 2020 até os dias atuais.

Ele afirmou que foi um grande desafio para o setor, pois ninguém no mundo estava preparado para enfrentar essa crise. “Tivemos que organizar nossas infraestruturas e fluxos de atendimento, bem como buscar insumos pelo país e no mercado internacional, trabalhar a comunicação com as comunidades médicas e sociedades científicas quanto com a sociedade, principalmente após a OMS declarar que o melhor caminho para contenção da COVID-19 era a testagem em massa”, disse.

Mas o setor de medicina diagnóstica reagiu rapidamente e se adaptou à nova realidade, sendo pilar essencial para uma resposta eficaz, focada na menor geração possível de danos. “Os laboratórios clínicos ganharam destaque e os testes foram muito valorizados”, destacou Shcolnik, enfatizando a relevância dos exames diagnósticos em momentos de crises de saúde.

Entre os fatores que alavancam o protagonismo do setor estão o fato de que o exame molecular RT-PCR, considerado padrão-ouro para detecção do novo coronavírus, foi desenvolvido in house para que o diagnóstico fosse mais ágil. “Em meio a tantas incertezas sobre como agir contra esse patógeno desconhecido, testar o maior número possível de infectados, isolá-los e testar seus contatantes sempre foi a estratégia número um para combate à disseminação do novo coronavírus. Nunca houve dúvidas quanto à relevância do diagnóstico precoce”, ressaltou Shcolnik.

Além do teste molecular RT-PCR, contou o executivo, no Brasil os laboratórios privados rapidamente passaram a oferecer alternativas como o teste por proteômica, que detecta a proteína do novo coronavírus em amostras nasofaríngeas; o RT-LAMP, capaz de identificar material genético do vírus em amostras de saliva; e o sequenciamento genético de nova geração.

O presidente da Abramed ainda lembrou dos testes sorológicos (exames laboratoriais para IgG, IgM, IgA e anticorpos totais), que, diferentemente dos testes rápidos, quando realizados em ambientes controlados, que respeitam as boas práticas laboratoriais, são bastante confiáveis para identificar anticorpos e, assim, auxiliar no diagnóstico tardio e em inquéritos epidemiológicos.

E para ampliar a capacidade de testagem e, ao mesmo tempo, proteger os cidadãos, as unidades laboratoriais adaptaram suas estruturas para receber os pacientes com suspeita de COVID-19 separadamente dos que foram realizar outros exames. Uma das alternativas encontradas pelos laboratórios foi oferecer o exame para detecção do novo coronavírus em sistema drive-thru, como forma de minimizar qualquer risco ao paciente.

Com todas essas ações, mais de 40% dos diagnósticos da infecção pelo novo coronavírus realizados no Brasil ao longo de 2020 foram feitos por associadas à Abramed. Segundo Shcolnik, essas empresas realizaram, até o fim de dezembro, 10,1 milhões de testes, sendo 4,5 milhões RT-PCR e 5,6 milhões de sorológicos.

Dados confiáveis

A união do setor e a parceria público-privado para a análise de amostras coletadas por laboratórios menores em todas as regiões do país contribuíram para os resultados efetivos dos exames e para o maior controle da COVID-19, contou o presidente da Abramed. Ele explicou que o canal de comunicação direto criado entre os laboratórios privados e a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde tem sido importante para a notificação rápida dos resultados dos exames para diagnóstico da infecção e tem contribuído para que o mesmo ocorra com a unidades laboratoriais do Sistema Único de Saúde (SUS).

O executivo ressaltou que os dados gerados a partir dos testes positivos e negativos são essenciais para consolidar análises e fundamentar estratégias. Porém, não basta gerar dados, é preciso que essas informações estejam corretas.  “De nada adianta coletarmos informações ruins ou, então, de instrumentos pouco confiáveis. Esse é o caminho para tomarmos decisões erradas”, pontuou Shcolnik.

Por isso, ele enfatizou que os testes autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a serem realizados fora do ambiente controlado, como as unidades laboratoriais, devem ser realizados em ambientes apropriados, por profissionais capacitados, que usem controles de qualidade. “Caso contrário, teremos resultados questionáveis, pois um resultado falso negativo gerado pela realização de um teste rápido dentro da janela imunológica do paciente pode, por exemplo, criar uma falsa sensação de segurança.”

Dentro deste aspecto, sobre as Consultas Públicas 911 e 912 – sobre realização de exames laboratoriais em qualquer serviço de saúde –, realizada pela Anvisa em 2020, o presidente da Abramed explicou que a revisão da RDC 302/2005, que regulamenta os laboratórios clínicos para funcionamento, era um pleito frequente do segmento, visto que com a modernização de tantos processos que impulsionaram novas práticas, uma atualização se fazia necessária.

Porém, a revisão da norma por meio das CPs 911 e 912 assustou o setor. “A CP 911 trata das práticas farmacêuticas após a lei nº 13.021/2014 que dá a esses estabelecimentos o status de serviços de saúde. Desde então, farmácias estão se preparando para esse novo papel. Mas, para nós, essa assistência farmacêutica estaria relacionada ao monitoramento e uso de medicamentos (NQSurgicalDentistry). Não seria tão abrangente como estamos vendo agora que outros serviços também são oferecidos”, explicou Shcolnik.

Já a CP 912 cogita, sem limites, a liberação da realização de exames fora dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos, e, para o presidente da Abramed, adota terminologias incompatíveis com a realidade internacional, desconstrói os laboratórios brasileiros e desrespeita os profissionais do setor. “Entendemos que para o riscos sanitários serem minimizados, qualquer procedimento realizado em farmácia deve obedecer às regulamentações e normativas para as práticas laboratoriais exigidas dos laboratórios clínicos para a realizações de exames”, afirmou.

Shcolnik disse que as duas CPs (911 e 912) já foram encerradas e agora as entidades do setor de medicina diagnóstica e de análises clínicas aguardam o relatório da área técnica da Anvisa para dialogar com o órgão regulador.

Papel da ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), na opinião de Wilson Shcolnik, teve um papel importante ao longo da pandemia ao incluir, desde março de 2020, no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, o teste RT-PCR para diagnóstico laboratorial da COVID-19. Em maio, mais seis exames que auxiliam no diagnóstico e tratamento do novo coronavírus foram incluídos na lista de coberturas obrigatórias dos planos de saúde e fizeram a diferença principalmente para o controle da doença nas pessoas internadas. “Os exames de dosagem de Dímero D, fundamental para diagnóstico e acompanhamento do quadro trombótico tem papel importante na avaliação prognóstica na evolução dos pacientes com COVID-19, e de Procalcitonina, que auxilia na distinção entre situações de maior severidade e quadros mais brandos da doença, são dois bons exemplos que constituíram um marco importante dessa pandemia”, frisou.

Porém, a suspensão no atendimento aos procedimentos eletivos determinado pela ANS nos primeiros meses da pandemia, para o presidente do Conselho de Administração da Abramed, foi a responsável por momentos difíceis enfrentados pelo setor em 2020. “Chegamos a um decréscimo de quase 40% no número de atendimentos. Com o conhecimento adquirido pelos profissionais, o preparo de infraestrutura das empresas e com o correr natural da crise, o movimento começou a ser recuperado no fim do ano”, disse.

Shcolnik informou que no início de 2021, o setor teve o receio de novamente a agência reguladora decidir pela suspensão da resolução nº 259, responsável pela instituição de prazos para realização dos procedimentos pelos planos de saúde, o que não aconteceu. “A ANS entendeu que tal feito traria impactos à sustentabilidade do setor”, afirmou.

Desafios para o setor

Com o avanço da vacinação contra a COVID-19, o desafio para os laboratórios agora passa a ser também encontrar o teste sorológico com maior precisão para apontar a presença dos anticorpos protetores gerados a partir dos diferentes estímulos vacinais, já que os disponíveis atualmente podem não conseguir.

Shcolnik explicou que os testes sorológicos são desenvolvidos para verificar a presença de anticorpos contra o SARS-CoV-2, proteínas específicas que se ligam ao vírus com o intuito de defender o organismo. Porém, o vírus produz tipos diferentes de proteínas e o organismo pode contra-atacar por várias frentes. As principais proteínas que estimulam o sistema imunológico são a Spike, responsável pela ligação do vírus na célula humana e peça-chave na infecção; e as do nucleocapsídeo viral, envelope que protege e carrega a carga genética do vírus, o RNA viral.

“Dentro desse cenário, os fabricantes de testes de anticorpos utilizam uma dessas proteínas para o desenvolvimento dos reagentes”, ressaltou o executivo, lembrando ainda que cada vacina tem um tipo de mecanismo diferente de levar à imunidade e dependendo do tipo do imunizante, há um estímulo específico de anticorpos contra uma proteína. “Se o teste utilizado não cobrir essa proteína, o resultado pode ser um falso-negativo em alguém que está, de fato, imunizado”, completou.

O que há neste momento, segundo o presidente da Abramed, é que não existe evidência do que possa ser a melhor utilidade do exame que quantifica os anticorpos neutralizantes, mas ele acredita que esses testes podem trazer informações importantes. “Tenho acompanhado estudos nacionais de pessoas vacinadas que não desenvolveram anticorpos neutralizantes. Por isso, eu considero que esse exame, embora não seja ainda inteiramente conhecido, pode trazer sim informações relevantes que podem nos ajudar a entender a ação que houve por parte de organismos que já receberam o imunizante. Só não conhecemos ainda todo o espectro de utilidade dessas informações”, concluiu Shcolnik.

Abramed participa de audiência com o ministro da saúde Marcelo Queiroga

Reunião foi realizada na quinta-feira, 22 de abril, em Brasília (DF)

23 de abril de 2021

O Ministério da Saúde promoveu, na quinta-feira, 22 de abril, uma audiência para ouvir as necessidades da saúde suplementar nessa fase da pandemia e elencar propostas voltadas à sustentabilidade do setor. Wilson Shcolnik e Leandro Figueira, respectivamente presidente e vice-presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), apresentaram as demandas dos laboratórios e clínicas de imagem que seguem atuando fortemente durante a crise, ofertando e realizando múltiplos testes para detecção da COVID-19 e de anticorpos contra o novo coronavírus.

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, recebeu, também, Eduardo Amaro, presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp); o deputado Pedro Westphalen, vice-presidente da Confederação Nacional da Saúde (CNSaúde); Mirócles Veras, presidente da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos (CMB); e Aldevânio Morato, presidente da Federação Brasileira de Hospitais (FBH).

No encontro, os executivos se colocaram à disposição do Ministério da Saúde para auxiliar na adoção de medidas para enfrentamento da pandemia e ressaltaram a importância da indicação de um profissional da saúde, atuante na área médica e conhecedor do segmento e de seus principais entraves, para assumir a pasta.

Teste de sorologia pós-vacina – Por que é importante avaliarmos a população

A pesquisa de anticorpos auxilia na compreensão dos efeitos da vacinação na resposta imune de cada indivíduo, mas não altera as medidas de proteção independentemente do resultado

22 de abril de 2021

A pandemia de COVID-19 tem sido um desafio para a ciência e para o setor de saúde. Aprender a lidar com uma doença nova, potencialmente fatal, e sem um tratamento eficaz até o momento vem exigindo da comunidade médica agilidade na interpretação de estudos clínicos e urgência nas tomadas de decisão.

Muito teve de ser feito com base em informações incompletas ou sob entendimento ainda em construção, conquistado a duras penas e em tempo real, concomitantemente à elevação ou diminuição no número de novos casos e de óbitos, nas sucessivas ondas da COVID-19 que tivemos até o momento.

Isso tudo não foi diferente na medicina diagnóstica, que desde o início da crise vem sendo apontada como essencial para o controle das contaminações. Além do RT-PCR, exame molecular considerado o padrão-ouro para detecção da infeção, surgiram os testes sorológicos, que têm papel complementar, auxiliando na identificação de anticorpos no sangue de pacientes que tiveram a COVID-19.

Até meados de dezembro de 2020, essa era a principal função do teste sorológico. A pessoa infectada fazia o teste para identificar anticorpos específicos contra diferentes proteínas do vírus SARS-Cov-2. Porém, com a chegada das vacinas e o início da imunização ao redor do mundo, pesquisadores e laboratórios passaram a realizar os testes sorológicos também para investigar a resposta imune de cada indivíduo à vacinação.

Nesse contexto, foram desenvolvidos novos testes sorológicos: um grupo busca a identificação do bloqueio da ligação da proteína Spike às células do doente e é denominado teste de anticorpos neutralizantes; outro identifica diretamente anticorpos gerados contra a proteína Spike.

Estudos clínicos realizados com esses testes mostram que nem todo indivíduo vacinado apresenta soropositividade. Mas isso não significa que ele necessariamente não está protegido. O que vem ocorrendo, e pode ser notado pelos pesquisadores, é que nem sempre o teste é capaz de detectar exatamente o anticorpo que foi gerado pelo paciente. Além disso, o anticorpo não é a única fonte de defesa do organismo, que conta, também, com os linfócitos T, inacessíveis aos testes sorológicos.

Mesmo que os resultados dos testes sorológicos pós-vacinação ainda não sejam totalmente compreendidos, eles são uma importante fonte de informação para médicos e indivíduos vacinados que precisem ou queiram saber a sua resposta imunológica à vacina. Por isso, esses testes, embora complexos, têm um papel relevante se forem adequadamente realizados por laboratórios clínicos que tenham condições de oferecê-los seguindo os mais rigorosos padrões de qualidade.

Nesse contexto, algumas diretrizes precisam ser bem compreendidas. A conduta de proteção indicada hoje não deve ser, em hipótese alguma, modificada. Isso significa que tendo um resultado positivo ou negativo na pesquisa de anticorpos neutralizantes, o indivíduo deve permanecer utilizando máscara, realizando os processos adequados de higiene e cumprindo o distanciamento social. Não há, até o momento, qualquer indicação de reforço vacinal ou mudança do tipo de vacina.

Edição 2021 de #DiálogosDigitais Abramed inicia em abril

Primeiro episódio da segunda temporada está marcado para dia 27 e debaterá novos impactos da pandemia na saúde suplementar

13 de abril de 2021

Adaptando seu calendário de eventos ao cenário digital devido à pandemia de COVID-19, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) lançou, em 2020, a série #DiálogosDigitais, uma sequência de bate-papos virtuais que, ao longo de quatro meses, promoveu debates sobre os mais variados assuntos que afetam toda a complexa cadeia de saúde. Seguindo o projeto, a segunda temporada já tem data para começar: no dia 27 de abril, o primeiro episódio da edição 2021 abordará os novos impactos da pandemia na saúde suplementar.

Com moderação de Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, o encontro também receberá Vera Valente, diretora-executiva da Fenasaúde; Carlos Eduardo Gouvêa, presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL); e Alex Galoro, diretor do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gestor médico do Grupo Sabin Medicina Diagnóstica.

Das 18h às 19h30, os executivos conversarão sobre os desafios enfrentados pelo setor durante a pandemia e as perspectivas para o futuro da saúde suplementar.

Inscreva-se no canal da Abramed no YouTube clicando AQUI e acompanhe nossas redes sociais para participar desse primeiro encontro de 2021.

Abramed fala sobre importância dos exames em caderno especial Saúde na Folha de S. Paulo

Um informe publicitário publicado pelo jornal Folha de S. Paulo em homenagem ao dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, teve participação ativa da Abramed. Na ocasião, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da entidade, declarou que “muitos fatores de risco para diferentes doenças podem ser identificados por meio de exames baratos”.

A matéria, que reforça justamente essa importância da realização de exames, menciona que a medicina diagnóstica faz parte da vida do ser humano desde antes do seu nascimento, visto que as gestantes fazem diversos testes durante o pré-natal.

O texto corre falando sobre a evolução do segmento no país, que hoje oferta uma ampla gama de exames de alta complexidade, e afirma que os laboratórios brasileiros foram exemplares no início da pandemia, quando foi preciso agir com rapidez para desenvolver in house os primeiros kits de testes para detecção do novo coronavírus. “Logo no início, ainda quando o mundo carecia de testes RT-PCR para diagnóstico preciso da COVID-19, nossas empresas desenvolveram seus próprios testes para atender à demanda. Na sequência, foram criando exames alternativos com o intuito de proporcionar maior escala de resultados através de metodologias diferentes”, explicou o presidente.

Dados do Painel Abramed são utilizados em coluna no Estado de Minas

Janice Santos de Oliveira, coordenadora de segurança do paciente no Grupo Oncomed, publicou, em 1º de abril de 2020, uma coluna sobre segurança do paciente no jornal O Estado de Minas.

No texto, que reforça que o ano de 2021 segue muito desafiador por conta da pandemia de COVID-19, a especialista diz que diante desse cenário de crise é ainda mais importante cuidar da segurança de todos aqueles que buscam assistência. Para isso, menciona com positividade, a reorganização das instituições de saúde para seguir com os atendimentos de forma segura e eficaz.

Janice também menciona o déficit de diagnósticos durante a pandemia, já que com a chegada do novo coronavírus, atendimentos e exames relacionados à outras doenças, especialmente os cânceres, acabaram deixados de lado. Para balizar esse comentário, ela utiliza dados divulgados pelo Painel Abramed 2020 – O DNA do Diagnóstico. “No Brasil, por exemplo, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), o número de mamografias realizadas entre março e agosto de 2020 no sistema de saúde suplementar do país caiu 46,4% comparado com o mesmo período de 2019. Na rede pública o cenário é similar”, aponta.

O texto segue enfatizando a necessidade de cuidar da segurança dos pacientes mesmo diante de alta ocupação dos leitos hospitalares e durante o curso da pandemia no país.

Confira a coluna na íntegra: https://www.em.com.br/app/noticia/opiniao/2021/04/01/interna_opiniao,1252710/cuidado-com-a-seguranca-do-paciente.shtml