A medicina não pode mais negligenciar a gestão e a eficiência econômica

Por Alberto Duarte*

É inegável que a medicina contemporânea se depara com desafios complexos, sobretudo quando nos debruçamos sobre o intricado cruzamento entre diagnóstico, gestão e a sustentabilidade de nosso sistema de saúde. Como profissional imerso nesse cenário, percebo que é hora de uma reflexão profunda sobre como podemos promover mudanças positivas, levando em consideração o papel da medicina diagnóstica, pois se sabe que cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais.

Quando pensamos em laboratórios e exames de imagem, inevitavelmente, estamos falando de elementos fundamentais na jornada diagnóstica do paciente. Contudo, aprimorar esses ambientes não deve se limitar apenas à sofisticação tecnológica, mas também à consciência de que a busca por diagnósticos precisos deve ser equilibrada com a responsabilidade de evitar exames desnecessários, que não apenas encarecem o processo, mas também expõem o paciente a procedimentos invasivos sem razão clínica.

Ao longo de minha trajetória, tive a oportunidade de liderar iniciativas voltadas para o uso racional do laboratório em um hospital público. Esta experiência ressaltou a importância de conscientizar os médicos sobre a necessidade de solicitar exames de forma ponderada. Alguns deles pecam pelo excesso por receio de serem acusados de negligentes.

Então, criamos algoritmos que indicavam quando e com que frequência determinados exames deveriam ser realizados, evitando excessos e reduzindo a sobrecarga econômica nos serviços de saúde. Esse é o tipo de movimento que contribui para o equilíbrio na cadeia de saúde, que envolve o médico, o paciente e a operadora de saúde.

Entretanto, a responsabilidade não recai apenas sobre os ombros dos médicos. A gestão, muitas vezes negligenciada nos currículos médicos, deve ser incorporada de maneira mais significativa na jornada de aprendizado. Durante minha presidência no conselho do Instituto Central do Hospital das Clínicas, percebi a complexidade que surge quando profissionais, muitas vezes não treinados em gestão, são encarregados de administrar serviços médicos.

A gestão eficaz não é apenas uma habilidade administrativa, mas uma ferramenta essencial para otimizar recursos, escolher opções terapêuticas mais acessíveis e, consequentemente, oferecer um atendimento de qualidade sem exorbitantes custos. No entanto, essa perspectiva de gestão não é amplamente ensinada nas faculdades de medicina, fazendo com que o médico nem sempre esteja apto a tomar decisões eficientes no âmbito financeiro.

Além disso, é importante abordar a assimetria na qualidade do ensino de medicina entre diferentes regiões. A padronização e a normatização nos currículos médicos são imperativos para garantir que todas as faculdades do país formem profissionais aptos a atuar em diversos cenários. Não podemos aceitar faculdades que não ofereçam oportunidades adequadas de prática clínica e residência, afinal, a experiência é crucial para o desenvolvimento de habilidades médicas. Há avanços na conscientização sobre essas questões, mas ainda há muito a ser feito para melhorar o sistema de saúde como um todo.

Nesse contexto de transformações necessárias, a inteligência artificial emerge como uma aliada promissora. A capacidade de reunir e analisar dados de forma rápida e precisa pode ser aproveitada para orientar os médicos na tomada de decisões mais embasadas. Algoritmos podem indicar a necessidade real de determinados exames, evitando solicitações desnecessárias e contribuindo para a racionalização dos recursos.

A Abramed, como representante das empresas de medicina diagnóstica, não tem como normatizar esse tema, mas pode, como vem fazendo, promover a racionalização através da conscientização da cadeia de saúde sobre a importância dessa questão e suas consequências. Dessa forma, a entidade visa a proteger seus associados, evitando glosas e o mau uso da prática médica.

Portanto, o futuro da medicina, na minha visão, depende da sinergia entre conscientização, gestão eficaz e incorporação de tecnologias inovadoras. A inteligência artificial não vai substituir o profissional, mas é uma ferramenta valiosa para orientar práticas mais conscientes e eficientes. As associações médicas, as instituições de ensino e os próprios profissionais têm um papel crucial na promoção dessas mudanças.

Como atuante na área, reafirmo que a medicina não pode mais negligenciar a gestão e a eficiência econômica. A busca incessante pelo que é mais recente e saliente na mídia nem sempre se traduz no melhor para o paciente. É chegada a hora de um realinhamento na formação médica, incorporando uma visão mais holística que compreenda a importância da gestão, da responsabilidade financeira e do uso consciente da tecnologia em prol de um sistema de saúde sustentável e de qualidade.

*Alberto Duarte – Graduado em Medicina pela Universidade de Pernambuco, com doutorado em Nefrologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e aperfeiçoamento em Imunologia pela Harvard Medical School. Conquistou livre-docência na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em 1983, e implantou o serviço de Imunologia Clínica do Hospital das Clínicas, além de ser responsável pela criação do Laboratório de Investigação Médica também nessa faculdade. Entre 2011 e 2013, foi Diretor do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e entre 2012 e 2023 foi Professor Titular de Patologia da FMUSP e Diretor do Laboratório Central do Hospital das Clínicas da FMUSP.  Recebeu o Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld de 2023, homenagem criada pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Desenvolvimento da inteligência artificial na saúde esbarra em questões éticas e integração de dados

Enfrentar esses desafios é imprescindível para que a IA desempenhe um papel efetivo no avanço do cuidado à saúde

Na incessante busca por avanços no campo da inteligência artificial em saúde, enfrentar seus desafios tornar-se prioridade. A busca por algoritmos eficazes e éticos demanda uma atenção meticulosa em relação à qualidade, diversidade dos dados, integração à infraestrutura de saúde e interpretação dos resultados.

Há vários pontos que precisam ser avaliados, conforme salienta Regis Otaviano França Bezerra, radiologista do Hospital Sírio-Libanês – associada Abramed – e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Um deles envolve a qualidade e a quantidade de dados. “Para um algoritmo ser efetivo, é preciso ter um extenso conjunto de dados diversificados. A qualidade desses dados é primordial, ou seja, eles precisam ter sido bem anotados e representar diversas populações. Um algoritmo limitado a uma única região ou população não pode ser extrapolado com sucesso para outros contextos”, explica.

Um segundo desafio é a integração desses dados à infraestrutura de saúde, pois isso é fundamental para sua aplicação abrangente. Não basta ter dados somente em uma instituição ou hospital, pois ele não poderá ser utilizado de maneira geral. 

E aí também entra um tópico importante: a necessidade de estabelecer padrões e protocolos de interoperabilidade. A interoperabilidade é fundamental para superar barreiras entre sistemas de saúde diversos, permitindo a troca eficiente e segura de informações entre plataformas distintas. Isso não apenas facilita a implementação de algoritmos de IA, mas também promove uma abordagem mais unificada na prestação de cuidados de saúde.

Em termos de obstáculos, Regis também cita as questões éticas e regulatórias, como a divulgação de dados, a transparência, a equidade, a responsabilidade e a conformidade com as leis e regulamentações locais e internacionais. “O consentimento e o uso responsável de dados médicos sensíveis são aspectos críticos. Essa discussão continua em evolução e precisa ser trabalhada de maneira muito cuidadosa, devido à sua grande importância.”

Outros pontos desafiadores são a validação e a padronização de dados. Segundo Regis, antes de uma implementação generalizada, é necessário validar a eficácia clínica e a confiabilidade dos modelos de inteligência artificial. Este processo é complexo e dispendioso, exigindo uma abordagem meticulosa.

Nesse contexto, também há a generalização entre populações. Modelos treinados em uma população específica nem sempre representam outros grupos. Por exemplo, com relação ao câncer de próstata, sabe-se que afrodescendentes têm, em geral, tumores mais agressivos, por isso, qualquer modelo de inteligência artificial deve contemplar esse grupo de pessoas para que seja completo, principalmente em populações como a brasileira, cuja diversidade é muito grande.

Mais um ponto de atenção está na interpretação de modelos de inteligência artificial, frequentemente considerados “caixas-pretas”. Compreender e interpretar os resultados é fundamental para garantir a transparência, a responsabilização e a confiança nas suas aplicações.

Por fim, Regis cita que a implementação da inteligência artificial implica em um investimento significativo em tecnologia, energia, treinamento e infraestrutura. Esse custo elevado representa um obstáculo, especialmente em países como o Brasil, que já enfrentam limitações de recursos, especialmente ao lidar com doenças com grande taxa de prevalência.

Ter ciência desses pontos e buscar superá-los é essencial para que a inteligência artificial possa ser aplicada de forma eficaz no cuidado à saúde, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do setor de saúde. E, portanto, a Abramed acredita que todo o ecossistema deve agir de forma integrada para alcançar esse objetivo.

Acesso digital a resultados de exames médicos: uma mudança cultural necessária

Por Cesar Higa Nomura*

A era digital trouxe consigo a necessidade de repensar processos em diversos setores, e a área da saúde não fica imune a essa revolução. A retirada de resultados de exames médicos pela internet é uma peça importante desse cenário, onde tecnologia, sustentabilidade e cultura comportamental convergem.

Isso porque a transição para a digitalização não é apenas uma mudança operacional, mas também um processo complexo e gradual de transformação cultural que impacta hospitais, laboratórios, profissionais da saúde e, principalmente, os pacientes.

Segundo a quinta edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, 122 milhões de laudos foram acessados eletronicamente em 2022, representando 19% do total de exames realizados, o que reflete a crescente tendência de acesso digital impulsionada pela disponibilidade de novas tecnologias de compartilhamento de dados. Importante ressaltar que os associados à Abramed são responsáveis por 65% do volume de exames feitos na saúde suplementar no Brasil.

Um aspecto particularmente esclarecedor desses dados está relacionado ao mito do desperdício na medicina diagnóstica, que algumas fontes sugerem estar próximo de 30%. Segundo dados do Painel Abramed, menos de 3,8% dos exames laboratoriais e 9% dos exames de imagem não são acessados ou retirados pelos pacientes nos laboratórios clínicos brasileiros.

A disparidade pode ser explicada pela não consideração dos acessos diretos de pacientes e médicos aos resultados de exames pela internet, bem como pela utilização de e-mail e outras tecnologias para a transmissão desses resultados. Essa constatação desafia a percepção comum e destaca a necessidade de uma compreensão mais abrangente das práticas digitais na medicina diagnóstica.

Vale reforçar que a Abramed trabalha para a adequada utilização dos recursos da cadeia da saúde, considerando que a entidade é o elo que atua no diagnóstico e na prevenção, o que reduz o desperdício. Importante lembrar, ainda, que o acesso online aos laudos está em crescimento constante, e a fonte mais precisa para informações são os próprios laboratórios.

Apesar disso, ainda existe uma certa resistência em trocar o meio físico pelo digital, especialmente entre os pacientes com mais de 50 anos, que muitas vezes preferem receber os resultados em papel. A transição para a digitalização é um desafio, que deve levar em conta as diferentes necessidades dos usuários e as novas demandas da sociedade em termos de sustentabilidade.

Os pacientes também desempenham um papel fundamental nesse processo. Ao buscarem informação sobre responsabilidade ambiental e a contribuição de cada pessoa na saúde do planeta, podem iniciar uma mudança de cultura que influencia outros ao seu redor. Ao assumir isso, não apenas se beneficiam das inovações tecnológicas na área da saúde, mas também se tornam ativos na construção de um mundo mais sustentável para todos.

O mais importante é que a retirada de exames online não é apenas uma questão econômica, mas também uma iniciativa alinhada aos princípios ESG (Ambiental, Social e de Governança Corporativa). Essa tomada de decisão reflete um compromisso mais amplo com valores que promovem a integridade corporativa e a contribuição positiva para o meio ambiente e a sociedade.

Assim, podemos dizer que a retirada de exames online transcende o aspecto puramente tecnológico; é uma jornada cultural que exige compreensão, paciência e personalização. A resistência à mudança não deve ser vista como um obstáculo intransponível, mas como uma oportunidade de envolver os pacientes nesse processo evolutivo.

Ao integrar a tecnologia com sensibilidade cultural, podemos moldar uma nova era na medicina diagnóstica, beneficiando, acima de tudo, as vidas daqueles que servimos.

*Cesar Nomura, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Superintendente de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês

Regulamentação da Inteligência Artificial no Brasil: desafios e perspectivas na saúde

O PL 2338/2023 está em tramitação, mas há pontos que precisam de revisão para garantir o uso da IA com eficiência

Não é mais novidade que a Inteligência Artificial (IA) tem provocado transformações em diversos setores, principalmente na saúde. Isso porque são diversas as possibilidades de aplicação, por exemplo, softwares que  analisam grandes volumes de dados e imagens médicas para identificar padrões e sinais precoces de doenças, proporcionando avanços significativos na precisão e eficiência dos diagnósticos médicos. 

No entanto, para assegurar que a ferramenta seja utilizada de forma ética e segura, é fundamental estabelecer normas gerais para desenvolvimento, implementação e uso responsável da tecnologia, que já está no nosso dia a dia e seguramente será amplificada. Este é um dos principais objetivos do Projeto de Lei 2338/2023, que dispõe sobre a utilização da IA no Brasil e está em tramitação no Senado Federal, ainda sem previsão para ser votado.

Não há como negar a importância do respeito às singularidades de cada setor, sobretudo pela transversalidade dos sistemas de IA. Neste sentido, a participação dos agentes da cadeia de saúde para auxílio no amadurecimento da norma é essencial. Tendo isso em vista, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) tem acompanhado o PL e contribuído para seu desenvolvimento através do Comitê de Proteção de Dados.

Além disso, a entidade é membro do Fórum de Privacidade e Proteção de Dados do Setor de Saúde, que, junto a outras associações, como a Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) e a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), busca debater e fomentar discussões envolvendo privacidade, proteção de dados, inovação e tecnologia para o segmento.

Entre os pontos-chave do PL 2338/2023, que se relacionam à área de saúde e necessitam de ajustes na redação – de acordo com análise das entidades –, três merecem atenção, conforme explica Lucas Bonafé, membro do Comitê de Proteção de Dados da Abramed e coordenador da área de Inovação do Machado Nunes, escritório que presta assessoria jurídica para a associação.

O primeiro ponto é a classificação da saúde como IA de alto risco. Em resumo, isso significa que sistemas de diagnóstico médico são considerados pelo Projeto de Lei como, automaticamente, ferramentas que têm o potencial de causar danos significativos aos usuários e, por tal razão, devem ser submetidos a avaliações rigorosas e medidas de segurança adicionais, como a elaboração obrigatória de relatório algorítmico, preparo da documentação do software antes da disponibilização no mercado e adoção de medidas técnicas para viabilizar a explicabilidade dos resultados dos sistemas de IA, dentre outros. 

O objetivo almejado ao enquadrar as aplicações na área da saúde como de alto risco é proporcionar maior segurança e transparência no uso da tecnologia, especialmente diante de informações extremamente sensíveis. Mas, segundo Bonafé, isso pode acabar gerando morosidade no processo de desenvolvimento de novas tecnologias e inibindo o investimento em inovação, uma vez que haverá o aumento das exigências que os agentes da cadeia precisarão cumprir.

“Além disso, a categorização de qualquer produto ou serviço de saúde como de alto risco sequer segue a lógica adotada pelas autoridades sanitárias em todo o país, o que reitera a necessidade de modificação do PL”, explica, lembrando que a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já possui regulamentação sobre a regularização de software como dispositivo médico. 

Neste contexto, Bonafé faz questão de ressaltar que o PL, de forma alguma, considera a possibilidade de decisões autônomas na saúde, seja por restrições legais ou pelas diretrizes rigorosas dos conselhos profissionais. Isso quer dizer que o profissional de saúde vai continuar sendo o responsável pela decisão final com relação aos tratamentos dos pacientes.

O segundo ponto é que o PL estabelece a responsabilidade civil para os operadores e fornecedores de sistemas de IA de forma absoluta, ou seja, não há distinção do dever destes agentes no que diz respeito à obrigação de indenizar por eventuais danos que algum sistema venha a causar, sem considerar que o papel de cada um destes atores no desenvolvimento e aplicação dos sistemas é completamente diferente.

“A responsabilização absoluta frente aos resultados da utilização de IA pode significar estagnação da inovação tecnológica, pois a gestão dos riscos não justificaria o investimento em sistemas de IA, contrariando o próprio fundamento do desenvolvimento tecnológico e a inovação defendido pelo PL”, salienta Bonafé. 

A ideia é estabelecer critérios claros, para que o desenvolvedor que tenha agido com transparência e seguido procedimentos adequados não seja responsabilizado por uso inadequado na ponta. A proposta de alteração apresentada pelo setor da saúde no PL visa diferenciar as responsabilidades entre desenvolvedores, fornecedores de software e usuários (tanto pessoas jurídicas quanto pacientes), atribuindo uma responsabilidade específica. 

O terceiro aspecto relevante diz respeito à autoridade de regulação da IA. O PL estabelece a criação de uma Autoridade Competente para implementar e fiscalizar a lei, com responsabilidades que incluem proteger direitos fundamentais, promover a Estratégia Brasileira de Inteligência Artificial, elaborar estudos e incentivar boas práticas, além de expedir regulamentações. A autoridade também terá a competência de aplicar sanções e elaborar relatórios anuais sobre suas atividades. No entanto, não foi especificada qual será essa autoridade, deixando a tarefa para o Executivo.

Enquanto isso, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) defende o posicionamento de que deve ser a responsável pela regulação da IA no país, argumentando que possui forte sinergia da proposta apresentada no PL com os temas tratados na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). No entanto, segundo Bonafé, é preciso considerar que nem todos os aspectos de concentração da regulação da matéria em um só ente são positivos, tendo em vista que sistemas de IA estão em diferentes setores da economia, com características únicas, que demandam conhecimento aprofundado de cada setor.

“Uma entidade responsável por todos os setores é uma tarefa bastante complexa. Com relação a esse ponto, pedimos alteração para que cada agência reguladora dos setores envolvidos seja responsável pelas particularidades de seu domínio, por exemplo, a Anvisa, na área de saúde. Embora princípios e normas de IA se apliquem a todos, as especificidades devem ser delineadas por cada agência, dado o conhecimento técnico e histórico que possuem”, aponta Bonafé.

Em meio a esses desafios, entre outros relacionados ao PL, a Abramed destaca a importância de encontrar um equilíbrio preciso entre a proteção dos direitos fundamentais, o estímulo à inovação e a eficácia na aplicação das normas, especialmente no contexto da saúde e medicina diagnóstica. A associação reforça a necessidade de considerar as particularidades do setor, garantindo que o uso ético e responsável da inteligência artificial contribua efetivamente para avanços dos serviços médicos no Brasil.

Retrospectiva Abramed 2023: foco em integração, ética e sustentabilidade

Interoperabilidade, ESG, Reforma Tributária e inteligência artificial estão entre os temas trabalhados pela entidade no ano

Ao longo de 2023, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) desempenhou um papel fundamental no avanço e na promoção da medicina diagnóstica no país, concentrando esforços em diversas frentes para construir um ecossistema de saúde mais integrado, sustentável, ético e seguro.

Através do trabalho dos Comitês, alinhados à estratégia do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva, a entidade discutiu os principais desafios para atender às demandas do setor com seriedade e transparência. “Trabalhamos incansavelmente para sermos agentes de transformação, colaborando com as instâncias governamentais e demais entidades para promover avanços que beneficiem a população brasileira”, ressalta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Um dos temas de grande importância abordados neste ano foi a interoperabilidade. A Abramed retomou o projeto de codificação de exames pela terminologia LOINC (Logical Observation Identifiers, Names, and Codes), como fator crítico para o sucesso da integração de dados. A entidade atuou para estabelecer cooperação técnica com o Ministério da Saúde, buscando uma padronização nacional. “Defendemos a interoperabilidade como uma peça-chave para o futuro de toda a cadeia da saúde. Acreditamos que adotar o LOINC é fundamental para garantir a integração eficiente e segura de dados clínicos”, destaca Milva. O assunto é tão importante que a associação criou em 2023 o Comitê de Interoperabilidade.

Ainda sobre o uso da tecnologia, a Abramed vem trabalhando em prol do desenvolvimento de regras para prescrição eletrônica, prontuário único eletrônico e inteligência artificial (IA), acompanhando todos os desdobramentos sobre os temas, apresentando os detalhes para os associados e levando os pleitos do setor às autoridades, para adequação das normas à realidade.  

Outro ponto fundamental abordado ao longo do ano foi a sustentabilidade do setor, que envolve a necessidade de manutenção de boas práticas entre operadoras de planos de saúde e prestadores de serviços, além de questões éticas e de governança. Em um contexto de transformações no qual a relação paciente-plano-profissional é cada vez mais centralizada em mecanismos online, a entidade atua incansavelmente no combate a ações que ofendam a sustentabilidade do sistema.

Conforme expressamente previsto em seu Código de Conduta, a associação não coaduna, não concorda e não incentiva qualquer oferta de benefícios financeiros diretos e indiretos por quaisquer instituições aos profissionais de saúde, que estejam atrelados ao volume de solicitação de exames, que possam configurar situações de incentivo à solicitação desnecessária de exames e violações à ética médica.

ESG

A pauta ESG (governança ambiental, social e corporativa) tem sido cada vez mais trabalhada junto aos seus associados. Reconhecendo o significativo impacto das empresas de saúde no meio ambiente e na comunidade, a Abramed busca conscientizar e orientar seus membros sobre a necessidade de atuação responsável. A 5ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico trouxe pela primeira vez dados sobre as iniciativas já adotadas por essas empresas, indicando uma mudança em andamento, mas ressaltando a necessidade de ampliação.

A entidade incentiva ações proativas e preventivas, como melhoria da eficiência energética, redução no consumo de água, digitalização e campanhas educacionais para minimizar o impacto ambiental. Inclusive, vem atuando pela eliminação do uso de filmes e papéis em exames de imagem, estimulando a implantação de formatos digitais e armazenamento em nuvem. Essa mudança não apenas aumenta a eficiência no processo, mas também evita o descarte de filmes no meio ambiente. 

Ainda sobre ESG, a Abramed trabalhou fortemente questões de diversidade e da inclusão durante este ano, debatendo o papel das empresas de medicina diagnóstica e seu olhar para a sociedade.

Legislação

Em relação à legislação, destaque para a atenção dedicada à RDC 786/2023 da Anvisa, substituta da RDC 302/2005, que, entre outros temas, permite a realização de testes de análises clínicas em farmácias e consultórios. A Abramed ressalta a importância da nova norma, desde que acompanhada por rigorosos procedimentos de qualidade para garantir a precisão e confiabilidade dos resultados dos exames.

“Os laboratórios são locais responsáveis pela realização de exames para efetivo diagnóstico, com resultados precisos e confiáveis. Investimos constantemente em tecnologia e expertise para oferecer o melhor aos pacientes e profissionais de saúde”, assegura Milva.

Por conta disso, foi criada a campanha nacional “Eu Confio no Laboratório”, uma ação nacional de valorização dos Laboratórios Clínicos, realizada conjuntamente pela Abramed, Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Associação Paulista de Biomedicina (APBM) e Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL). O objetivo é conscientizar a população sobre a relevância do diagnóstico obtido através exames realizados em locais adequados, garantindo a qualidade dos resultados. “Unimos esforços visando à saúde e à segurança dos pacientes”, destaca Milva.

Sobre a Reforma Tributária, a Abramed vem acompanhando todos os desdobramentos. Em novembro deste ano, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 45/19 venceu mais uma etapa: o Plenário do Senado aprovou a proposta. A matéria segue para a Câmara dos Deputados, de onde o texto original veio, porque foi modificada no Senado. Haverá uma alíquota padrão e outra diferenciada para atender setores beneficiados com isenções, como educação e saúde, conforme o pleito da Abramed e de outras entidades.

Outra pauta que recebeu atenção foi o Piso de Enfermagem. Para entidades privadas com fins lucrativos, as condições de pagamento aos profissionais são regidas por acordos ou convenções coletivas. Na ausência destes, o Piso Nacional de Enfermagem (PNE) da Lei nº 14.434/2022 se aplica com impacto na folha de pagamento a partir de agosto de 2023. Diante desse cenário, a Abramed e outras entidades de saúde vêm tomando medidas judiciais e recomendando que seus associados reavaliem as negociações coletivas em andamento, considerando a decisão da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 7.222. A entidade apoia a valorização dos profissionais de enfermagem, mas defende abordagens sustentáveis ao longo desse processo.

Representatividade

Neste ano, a Abramed marcou presença em relevantes eventos, consolidando seu compromisso com a defesa e a promoção dos interesses da medicina diagnóstica e com a integração de todos os atores da cadeia de saúde, incentivando o debate de ideias em busca da sustentabilidade do setor. Também participou de diversos encontros e reuniões em 2023, estabelecendo conexões com entidades e representantes governamentais. 

Destaque para a 7ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), realizado pela entidade, que apresentou diversos temas e contou com participantes de toda a cadeia de saúde, promovendo discussões para o avanço e aprimoramento do setor. “Este encontro foi marcante, reunindo líderes e representantes, e espera-se que tenha desdobramentos significativos. O evento trouxe inovações, como o Leaders Connection, para networking entre participantes, e o Momento Transformação, que apresentou casos de inovação”, aponta Milva.

Vale ressaltar, ainda, o lançamento da 5ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, em versões português e inglês, uma fonte abrangente de informação, inspiração e transformação para o ecossistema de saúde. A publicação apresenta o panorama do setor de medicina diagnóstica no Brasil em 2022 com responsabilidade e transparência. 

Em termos de representatividade na mídia, em 2023, a Abramed foi fonte de mais de 2.500 matérias em diversos e relevantes veículos, tanto impressos e virtuais quanto de TV e rádio, sempre como mídia espontânea. “Ao comunicar-se de maneira consistente, a associação se estabelece como uma fonte confiável de informações, mantendo uma relação produtiva e o diálogo contínuo com jornalistas de diversos veículos de comunicação, com o intuito de assegurar que as informações sejam fornecidas de forma precisa e atual a toda população”, reforça Milva.

Em um ano repleto de desafios e conquistas, a Abramed superou os obstáculos do cenário da saúde e atuou como uma força transformadora, concentrando esforços em temas necessários para o desenvolvimento do setor. “A busca pela integração eficiente de dados, a defesa incansável da ética médica, a promoção de práticas responsáveis e a cooperação com o governo e outras entidades foram pilares fundamentais do compromisso da Abramed em 2023”, finaliza a diretora-executiva.

Abramed lança Relatório Anual de Atividades com os destaques de sua atuação em 2023

Documento reflete o trabalho da entidade e o comprometimento dos associados, que desempenham um papel fundamental na saúde suplementar do país

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apresenta o seu Relatório Anual de Atividades 2023, com o resumo do trabalho realizado pela entidade durante o ano, sua influência no setor e o resultado das iniciativas. “A Abramed nasceu com a visão de unir esforços para alcançar benefícios mútuos e contribuir para o avanço e a sustentabilidade da área, assim como dos sistemas de saúde”, destaca Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da entidade.

Entre os temas abordados no ano, destaque para o processo de revisão da RDC 302/2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que culminou na RDC  786/2023, tendo como principal ponto de atenção a autorização para a realização de exames de análises clínicas para triagem em farmácias. Outros assuntos na área de regulamentação são o Piso Nacional de Enfermagem (PNE), criado pela Lei 14.434/2022, que gerou muita discussão sobre o custeio e a sustentabilidade do sistema; e a Reforma Tributária, que prevê tratamento diferenciado à área de saúde.

Na área de tecnologia, ganharam foco: sustentabilidade do setor e ética digital, salientando a importância do combate a ações de fraude; tecnologia, segurança do paciente e inteligência artificial aplicada ao setor de medicina diagnóstica; além de interoperabilidade e padrão LOINC, imprescindíveis para a gestão eficiente. Falando em gestão, também merecem destaque a integração entre os elos da cadeia e as iniciativas de ESG (governança ambiental, social e corporativa) dos associados.

O Relatório Anual de Atividades traz as ações ao longo do ano dos 11 comitês temáticos da Abramed, que atuam nos desafios e demandas da área de medicina diagnóstica, conforme linha estratégica da entidade, promovendo benefícios significativos para o setor de saúde como um todo.

O material também destaca as pautas e os posicionamentos defendidos pela entidade na mídia, por meio de mais de 2.500 matérias veiculadas em diversos e relevantes veículos de comunicação, bem como os números de engajamento nas redes sociais e a participação em eventos do setor, mostrando seu compromisso com a defesa e a promoção dos interesses da medicina diagnóstica e dos pacientes da saúde suplementar.

Por fim, estão listados os diversos encontros e reuniões com entidades e representantes governamentais dos quais a Abramed participou em 2023, que possibilitaram à associação ser fortemente ativa no debate de temas relevantes à área e na formulação de políticas e regulamentações que têm impacto direto na medicina diagnóstica e no segmento da saúde.

“Este documento reflete não apenas o árduo trabalho da nossa equipe, mas também o comprometimento dos nossos associados, que desempenham um papel fundamental na saúde suplementar do Brasil. Que este relatório seja mais do que um registro de nossas conquistas, mas um testemunho do nosso compromisso contínuo com a excelência, a inovação, a ética, a segurança e a sustentabilidade”, salienta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

O Relatório Anual de Atividades 2023 pode ser baixado gratuitamente no site da Abramed.

Entidades se unem em campanha de valorização dos laboratórios clínicos em prol da segurança dos pacientes

SBPC/ML, Abramed, SBAC, CBDL e APBM criaram a campanha #EuConfioNoLaboratório após publicação de norma que autoriza a realização de exames de análises clínicas em farmácias e consultórios

Para evidenciar a expertise e a precisão diagnóstica dos laboratórios clínicos e esclarecer a população, auxiliando nas melhores decisões com relação à saúde, as cinco principais entidades médicas do setor se juntaram para criar a campanha nacional #EuConfioNoLaboratório. A ação conjunta envolve a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) e a Associação Paulista de Biomedicina (APBM).

A motivação foi a publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 786/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que entrou em vigor no dia 1 de agosto, permitindo a realização de exames de análises clínicas, em caráter de triagem, em farmácias e consultórios, os chamados testes rápidos. 

As entidades entendem que a nova norma é importante, mas chamam atenção para a garantia de rigorosos procedimentos de qualidade, que ofereçam precisão e confiabilidade aos resultados dos exames. Segundo elas, há um risco de a população fazer uso de exames por curiosidade ou conveniência.

“A nova RDC gerou muitas dúvidas, tanto nos profissionais da área, quanto nos cidadãos. Os laboratórios já têm a expertise de triagem e diagnóstico […] e é essa qualidade que traz segurança aos pacientes”, afirma o presidente da SBPC/ML, Fábio Brazão, que continua: “A busca contínua por qualidade do serviço é o que norteia nosso trabalho. Vamos seguir em frente acreditando nos laboratórios e oferecendo o melhor para a saúde da população”, diz.

Para o diretor de relações institucionais da SBPC/ML, Wilson Shcolnik, é histórica a junção de tantas sociedades científicas trabalhando em prol de um único objetivo: evidenciar a importância do trabalho laboratorial. “É estranho que esta nova diretriz na RDC apareça justo nesse momento, quando o laboratório ganha relevância e visibilidade em tempos de pandemia”, questiona ele.

Shcolnik, que também é presidente do Conselho de Administração da Abramed, declara que o desafio agora é mostrar o valor dos exames de laboratório, desde a promoção e prevenção de doenças até o diagnóstico, pela sua precocidade, possibilitando tratamentos que vão beneficiar os pacientes e trazer desfechos favoráveis, além de cura ou reabilitação. “Muitos nos acusam de realizar muitos exames ou de que os resultados não são acessados. Agora, iniciaremos uma campanha para dar voz aos representantes do setor, de modo que o laboratório tenha o seu valor bem declarado para toda a sociedade”, reforça.

Por sua vez, o presidente da CBDL, Carlos Eduardo Gouvêa, ressalta que o laboratório é o ponto de encontro entre pacientes e a medicina para diagnósticos mais precisos. “Depois da pandemia da Covid-19, o valor do diagnóstico ficou mais claro que nunca. Precisamos valorizar ainda mais o serviço que alicerça esses dados e, dessa forma, ter acesso a terapias cada vez mais precisas. É o laboratório que traz o cidadão lá da ponta da cadeia da saúde para ter visibilidade de fato, possibilitando-lhe um diagnóstico”, diz.

De acordo com a presidente da SBAC, Dra Maria Elizabeth Menezes, é muito importante disseminar a informação correta à população e que todos fiquem cientes da diferença entre Exames de Análises Clínicas – EAC realizados fora do laboratório (farmácia e consultório isolado) os chamados “teste de triagem” e exames realizados no laboratório (RDC786/2023). “Os exames realizados em laboratório precisam cumprir uma série de exigências sanitárias para a segurança do paciente. Sendo assim, fica nítida a importância da  campanha de valorização dos laboratórios uma vez que o resultado do exame laboratorial norteia a conduta clínica e o manejo do paciente”.

No vídeo abaixo, os presidentes das cinco maiores entidades do mercado de análises clínicas compartilham informações sobre o que torna os laboratórios tão essenciais para a saúde e o bem-estar de todos nós.

[Acesse o vídeo oficial da campanha]

Para orientar a população em geral, a campanha “Eu Confio no Laboratório” conta com um site próprio (www.euconfionolaboratorio.com.br), cujo propósito é fornecer informações transparentes e acessíveis sobre a realização de exames laboratoriais. A ideia é esclarecer dúvidas e ajudar as pessoas a tomarem decisões mais acertadas para cuidar de sua saúde.

No dia 4 de agosto, foi divulgado um vídeo de posicionamento, dando início à campanha. O engajamento inicial alcançou 331 mil contas, com mais de 12 mil interações e mais de 11 mil likes. O vídeo também pode ser acessado através do site. 

Wilson Shcolnik recebe prêmio “100 mais influentes da Saúde” por sua contribuição à frente da Abramed

A premiação na categoria Entidades Setoriais foi entregue ao presidente do Conselho de Administração da associação, em cerimônia no Palácio Tangará

Em uma noite de festa, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, recebeu o troféu como um dos “100 Mais Influentes da Saúde” do ano, na categoria Entidades Setoriais, por sua valiosa contribuição à frente da associação. A cerimônia de entrega do prêmio, organizado pelo Grupo Mídia e pela revista Healthcare Management, aconteceu no dia 12 de dezembro, no Palácio Tangará, em São Paulo.

“Ao longo de 2023, a Abramed desempenhou um papel fundamental no avanço e na promoção da medicina diagnóstica no país, atividade essencial para a tomada de decisões clínicas. Concentramos nossos esforços em construir um ecossistema mais integrado, sustentável, ético e seguro para toda a cadeia de saúde, atuando fortemente junto ao governo e a outras entidades do setor. Este troféu representa o reconhecimento do impacto positivo de nossa dedicação e da importante colaboração da Abramed para o setor”, disse Shcolnik, em agradecimento.

Considerado o Oscar do Setor, o prêmio “100 Mais Influentes da Saúde” encerra o ano homenageando os nomes que mais se destacaram nos últimos 12 meses, por seu comprometimento em colocar a saúde brasileira como importante agente no desenvolvimento do país.

Os eleitos são escolhidos por meio de votação aberta e pesquisa de mercado realizada pelo Conselho Editorial do Grupo Mídia. Os ganhadores são divulgados para o mercado no dia do evento e também na edição especial da revista Healthcare Management, distribuída em primeira mão no dia da premiação e posteriormente enviada para todo o setor.

Número de exames de covid-19 realizados na rede privada e taxa de positividade se mantêm estável

Segundo dados da Abramed, a taxa de positividade na semana de 25 de novembro a 1 de dezembro chegou a 19,2%

Na semana de 25 de novembro a 1 de dezembro de 2023, foram realizados pelas empresas associadas à Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) 11.716 exames de covid-19, com taxa de positividade de 19,2%. Os associados à Abramed representam cerca de 65% do volume de exames realizados na saúde suplementar no Brasil.

Esse resultado demonstra um ligeiro aumento no número de exames realizados em comparação à semana anterior e uma estabilidade na quantidade de positivos. De 18 a 24 de novembro, foram realizados 11.159 exames, com taxa de positividade de 19,5%. Essa pequena diferença pode ser considerada uma flutuação normal.

A última vez que a taxa de positividade ficou acima dos 30% foi na semana de 21 a 27 de outubro. Desde então, vem diminuindo e está abaixo de 20%.

Vale lembrar que a entidade desempenha um papel fundamental na compilação e no registro de dados relacionados à evolução da Covid-19. Os laboratórios clínicos associados enviam os resultados dos exames diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo para o monitoramento epidemiológico pelo Ministério da Saúde.

Essas informações são essenciais para avaliar a situação da pandemia e orientar as medidas de saúde pública. A entidade também enfatiza a importância de seguir as diretrizes de prevenção e cuidados para combater a propagação do vírus e proteger a saúde de todos.

Abramed integra webinário da Shift sobre perspectivas para a medicina diagnóstica

Evento demonstrou que as expectativas para 2024 são positivas, com a continuidade da colaboração entre as entidades setoriais e o crescimento do uso da inteligência artificial

Para fazer uma retrospectiva de 2023 e discutir as tendências que conduzirão o setor de medicina diagnóstica em 2024, a Shift, especializada em Tecnologia da Informação (TI) para o segmento, convidou Wilson Shcolnik, presidente do Conselho da Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), para integrar o webinário “Transformando a saúde dos negócios e das pessoas”, também com participação de Fábio Brazão, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), e Maria Elizabeth Menezes, presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC). O evento foi realizado no dia 28 de novembro, sob a moderação de Marcelo Lorencin, CEO e fundador da Shift, parceira institucional da Abramed.

Os palestrantes reforçaram a importância da medicina diagnóstica no setor de saúde, lembrando que cerca de 70% das decisões médicas se baseiam em resultados de exames laboratoriais. E esse valor ficou ainda mais evidente durante a pandemia. Segundo dados da 5ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, as associadas realizaram mais de 720 milhões de exames de diagnóstico em 2022, um aumento de 9,5% em relação a 2021.

“Nosso setor está em crescimento e vai continuar assim por uma série de razões. Estou otimista, embora ainda tenhamos muitos desafios a enfrentar. O grande fator positivo neste ano que se encerra foi a união das entidades, de uma maneira nunca vista antes. Com isso, nos tornamos fortes para defender os interesses do setor diante de tantas ameaças que encontramos no ambiente externo, seja em assuntos regulatórios, como a RDC 786/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), seja em assuntos de mercado, já que muitos laboratórios também atendem a área privada”, disse Shcolnik.

Ele frisou que o foco da RDC era o funcionamento dos laboratórios clínicos, mas, por uma série de contingências, gastou-se muita energia na discussão sobre exames realizados fora do laboratório clínico. “Na minha opinião, conseguimos bons resultados, pois os critérios para realização desses exames são muito rígidos. Compete a cada um de nós fiscalizar como eles estão sendo feitos nas farmácias, afinal, não podemos submeter as pessoas a qualquer tipo de risco”, complementou.

Ainda referente à RDC 786/2023, Shcolnik apontou várias conquistas relacionadas à tecnologia da informação. Antes, não havia autorização legal para a liberação automática de exames, embora todos os laboratórios utilizem essa ferramenta. Agora, a questão está prevista na regulamentação. Outra conquista foi a assinatura dos laudos, que não precisa mais ser certificada, simplificando o processo.

Shcolnik participou recentemente de uma reunião na Anvisa, mas a agência revelou não ter condições de informar um cronograma para discutir e promover ainda mais alterações já identificadas na nova RDC. “Nós da Abramed temos discutido algumas iniciativas no futuro para nos proteger e oferecer aos pacientes as melhores práticas, com resultados de exames confiáveis”, acrescentou.

Lorencin reforçou que a evolução da RDC é importante, desde que não traga impacto negativo e autorize o uso da automação para garantir o equilíbrio do setor e, ao mesmo tempo, a segurança do paciente. “Isso é o que preconiza a questão da assinatura em termos de autenticidade e integridade dos dados, sem aumentar os custos na cadeia produtiva de medicina diagnóstica. Isso também foi um trabalho em conjunto”, destacou.

Essa união entre as entidades também resultou na campanha inédita de valorização do laboratório, chamada “Eu confio no Laboratório”, demonstrando preocupação com a saúde do paciente após alteração na RDC. O objetivo é conscientizar a população sobre a importância de buscar resultados de exames em locais adequados, garantindo a qualidade dos resultados.

De acordo com Brazão, o local que vai realizar o exame fora do laboratório clínico – que já tem essa expertise – precisa montar um programa de garantia da qualidade, para fazer gestão de equipamento, gestão de risco e gestão de pessoas. “O investimento nesses locais deve ser fiscalizado”, ressaltou.

Fazendo uma comparação com outros países, Maria Elizabeth compartilhou sua experiência em um evento na Guatemala, que reuniu representantes da América Latina, América Central e República Dominicana. O Brasil é o único país com poucas barreiras sobre exames realizados fora de laboratório. “Mesmo nos Estados Unidos, onde cada estado tem sua legislação, não é tão aberto assim, com a preconização da assistência primária através de farmácia e inteligência artificial para alguns exames. Por outro lado, a América Latina está preocupada com a qualificação de laboratórios”, disse.

Maria Elizabeth também contou que só no Brasil há o farmacêutico generalista, o que coloca em risco a vida dos laboratórios. “Esse generalista não tem competência para fazer os exames, fornecer os resultados para o paciente e fazer o encaminhamento correto. Existem alguns cursos preparatórios, mas não são desenvolvidos pelas sociedades científicas”, apontou.

O impulso da tecnologia

“A tecnologia é a base de qualquer negócio, mas é preciso que as empresas tenham maturidade para poder capturar o seu valor”, disse Lorencin. “Quanto mais madura uma organização está perante seus processos, mais consegue capturar resultados da tecnologia, que vão desde a automação total até diferenciais competitivos”, comentou o CEO da Shift.

Para Brazão, os laboratórios precisam de um sistema que ajude desde o cadastro até a liberação dos resultados, passando pelas três fases: pré-analítica, analítica e pós-analítica, com foco na segurança. “Com o avanço da tecnologia, vemos o crescimento da telemedicina, que aumenta o acesso e gera resultado de forma mais rápida. Vivemos o momento dos quatro ‘p’: prevenção, participação, previsão e personalização”, disse.

Ele citou outras tecnologias promissoras, como a genômica, a metagenômica e a espectrometria de massa. Nesse ponto, destacou a união também entre laboratórios menores para unir tecnologias e realizar exames em parceria. “É importante se apegar à tecnologia na automação e na qualidade, para que os clientes tenham confiança em seu trabalho”, comentou Brazão.

Por sua vez, Shcolnik citou outras inovações. A radiologia já utiliza reconhecimento de imagem com grandes benefícios para os pacientes. “O olho humano não consegue ver essas imagens, mas a inteligência artificial as identifica e envia alertas para que os médicos possam priorizar a análise dessas imagens e tecer suas conclusões”, explica.

Na área de laboratórios clínicos, acrescentou o reconhecimento de imagem em hematologia e até em parasitologia. Segundo ele, a inteligência artificial elevará a importância dos exames para as decisões clínicas de 70% para quase 90%. “Na literatura internacional já há definições do uso da IA para melhoria de processos em laboratórios, para identificação de novos valores de referência populacionais, para indicações de exames em cada situação clínica e sobretudo para auxílio na interpretação. A IA conseguirá unir todos esses dados e transformá-los em informações muito valiosas. Esse é um futuro que se aponta”, explicou Shcolnik.

Maria Elizabeth também acredita no aumento da importância dos exames laboratoriais. Segundo ela, o crescimento é impulsionado pela miniaturização de plataformas, permitindo que até mesmo laboratórios de menor porte realizem exames em suas próprias instalações.

A presidente da SBAC explicou que as plataformas reduziram os erros, desde a fase pré-analítica até a emissão do laudo. Nas mais compactas, há a possibilidade de personalização para atender às necessidades específicas dos pequenos laboratórios, possibilitando a realização de exames individualizados. Essa abordagem não apenas melhora a precisão dos resultados, mas também oferece maior flexibilidade operacional.

Ela lembra, no entanto, que os dados no Brasil não estão centralizados, o que é fundamental para trabalhar predição e prevenção. “A Shift pode ajudar nisso em parceria com as entidades. Há vários trabalhos sendo realizados no Brasil que necessitam de integração. Precisamos de um lugar para estocar dados e permitir a análise”, acrescentou.

Maria Elizabeth ressalta, ainda, que a IA não vai substituir o cérebro humano. “Quanto mais nos capacitarmos, menos seremos substituídos. A proximidade com o paciente será de extrema importância. Depois da tecnologia, vai voltar a era da humanização. O tratamento humanizado vai se sobrepor à tecnologia”, expôs.

De forma geral, as perspectivas para 2024 são positivas para o setor de medicina diagnóstica, com a continuidade da colaboração entre as entidades para atingir as demandas do setor e com o crescimento do uso da inteligência artificial, ajudando os laboratórios a atenderem à população com mais precisão e rapidez.