Pandemia de COVID-19 gera mudanças nas relações e enfatiza importância da prevenção e da tecnologia

Temas foram debatidos por especialistas durante webinar promovido pela Feira Hospitalar; Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, foi uma das convidadas

22 de maio de 2020

A rápida disseminação do novo coronavírus pelo mundo exigiu medidas emergenciais em todos os setores da economia, derrubando mitos enraizados e despertando novas tendências comportamentais. O assunto foi abordado no webinar “O Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro”, evento virtual promovido pela Feira Hospitalar na noite de 21 de maio que recebeu grandes líderes da saúde. Representando o setor de diagnóstico, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, enfatizou a relevância da prevenção, da digitalização e da tecnologia neste cenário de crise.

O encontro mediado por Vitor Asseituno, da Saúde Business, também recebeu Ary Costa Ribeiro, CEO do Hospital Infantil Sabará; José Augusto Ferreira, diretor de Provimento de Saúde da Unimed BH; e René Parente, diretor-executivo da Accenture.

A telemedicina foi um dos assuntos de destaque da discussão. Para Priscilla, a aprovação em caráter emergencial dos atendimentos virtuais mostrou que a relação médico e paciente pode ocorrer de forma segura no ambiente digital e que inclui, ao contrário do que muitos pensavam, a população mais idosa.

Reforçando que o telediagnóstico já estava consolidado no país, a executiva destacou a interoperabilidade como um gargalo a ser resolvido. “Neste momento de pandemia vemos que o compartilhamento de informações é, de fato, um desafio. A subnotificação é uma realidade e está muito fundamentada em entraves tecnológicos e operacionais”, declarou relembrando que a Abramed se mantém em contato frequente com o governo a fim de facilitar a notificação de casos de COVID-19 diagnosticados na rede privada.

Falando em entraves, Parente concordou que houve uma rápida evolução tecnológica nos últimos meses e declarou que muitas das barreiras de transformação digital caíram de uma hora para a outra. “De repente, tudo o que era apontado como um entrave, foi resolvido em questão de dias”, disse ao citar, por exemplo, a adesão ao home office. “Continuamos tendo uma relação saudável dentro de casa como tínhamos dentro do ambiente de trabalho”, comentou.

Essa busca rápida por solucionar pendências precisa permanecer na visão de Priscilla. “Não podemos esperar outra pandemia para acelerarmos novos processos de transformação e melhorias. Temos que seguir em frente, sem retornar ao lugar que estávamos antes”, pontuou. Com positividade, Ferreira acredita que essa imersão tecnológica veio para ficar. “A tecnologia gera mais conveniência para todos. Sou muito otimista com relação ao futuro. A pandemia surgiu como um momento preditor da transformação”, disse.

Dividindo o atual cenário em fases, Ary Ribeiro acredita que estamos em um momento de transição. Para o executivo, até o final de 2020 seguiremos em modo de sobrevivência. E isso impacta diretamente os relacionamentos tanto entre as pessoas quanto entre as corporações. “Temos que analisar essas relações em um ambiente de instabilidade. A humanidade tem uma enorme oportunidade de repensar e se reposicionar, revendo valores. Temos todas essas mudanças nas relações entre médicos e pacientes, também nas relações de trabalho, e muita coisa boa está surgindo”, afirmou.

Diagnóstico e prognóstico

O fato de que o receio da COVID-19 fez com que muitos pacientes adiassem seus exames preventivos e seus tratamentos também veio à tona durante o webinar. Lembrando que prevenção é o caminho, Priscilla traçou um paralelo com as recomendações de distanciamento social. “Prevenção é uma atitude primária, não secundária. E vemos isso com as pessoas que ficam em casa a fim de evitar a infecção pelo novo coronavírus. A quarentena é um ato de prevenção”, disse.

Considerando que, no momento, há uma queda nos sinistros das operadoras, o que levaria a uma adimplência nos próximos meses devido ao represamento de procedimentos eletivos, Ribeiro reforça que neste cenário não há ganhadores. “O que faremos com a maior gravidade dos pacientes com acometimentos de infecções agudas e que não estão procurando atendimento a tempo?”, questionou.

Para o executivo que comanda o Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, é preciso enfatizar para a população que tratamentos necessários não devem ser postergados. Para isso, os hospitais precisam garantir a segurança de todos os pacientes criando processos e fluxos separados para atender aqueles com suspeita de COVID-19 e outros pacientes com outras patologias e necessidades. Além disso, acredita que é equivocado pensar no curto prazo. “Este é um filme de longa duração. Daqui dois anos que poderemos entender se as estratégias adotadas foram boas ou ruins, quem ganhou e quem perdeu”, argumentou.

Ferreira acredita em um reflexo positivo deste atual cenário. “As pessoas terão uma visão diferente a respeito da saúde, darão mais importância ao sistema – seja o SUS seja o suplementar – e investirão em novos hábitos de vida”, disse. Para ele, o atual formato de busca assistencial deve mudar. “Os pacientes entenderão quando devem acionar o sistema de saúde, onde o atendimento é mais seguro, se o pronto-socorro é o local adequado ou se compromete a sua segurança. E a saúde passa a ser um assunto de debate mais universal”, completou.

Essa mudança também parece impactar a saúde corporativa, como especulou Parente. “Um dos aspectos que despertou a atenção foi uma mudança dentro das organizações e uma maior preocupação com o monitoramento. Muitas empresas não sabiam quantas pessoas estavam em casa, quantas tinham sintomas, quem estava trabalhando. Isso acelerou novas políticas de recursos humanos para maior controle, uma demanda que seguirá também para os prestadores de saúde”, finalizou.

Jornal O Globo entrevista diretora-executiva da Abramed sobre ociosidade dos laboratórios privados durante pandemia

Segundo matéria publicada na edição impressa do jornal O Globo no dia 21/5, o BNDES estuda criar uma linha de crédito específica para hospitais e laboratórios privados que enfrentam dificuldades financeiras durante pandemia do novo coronavírus.

Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, falou ao veículo sobre ociosidade dos laboratórios e clínicas de imagem, que varia de 70% a 90%, no decorrer da crise. “Acreditamos que, para manter o setor hoje, precisaríamos de uma linha de crédito entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões”, destacou a executiva em entrevista.

Leia a matéria na íntegra: https://glo.bo/3e9peGu

Diretora-executiva da Abramed fala à CBN sobre a realização de testes rápidos em farmácias

No dia 14 de maio, a Rádio CBN transmitiu reportagem destacando que apenas 200 dos 8 mil estabelecimentos filiados à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias já disponibilizam testes rápidos para Covid-19. De acordo com o veículo, a preocupação das empresas é com o índice de confiabilidade, que determina as chances dos exames darem um resultado errado.

Para falar sobre o tema, a CBN conversou com Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, que durante a entrevista enfatizou que “além dos resultados confiáveis, é preciso garantir que em qualquer tipo de teste realizado para o diagnóstico da Covid-19 seja feito por profissionais laboratoriais”.

Ouça a reportagem: https://glo.bo/3bGshog

Veja destaca participação do presidente da Abramed em videoconferência da comissão externa da Câmara dos Deputados

Em matéria sobre a realização de exames para diagnóstico de Covid-19 no Brasil, a Veja noticiou reunião por videoconferência comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate ao coronavírus. O encontro on-line aconteceu em maio e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração, Wilson Shcolnik.

Na ocasião, o executivo destacou que cerca de 15 laboratórios privados realizam testes moleculares (RT-PCR) e estima que 20 a 25 mil exames estejam sendo analisados por dia nesses laboratórios. Ele também ressaltou o gargalo do compartilhamento de informações com as secretarias estaduais e municipais de saúde, e disse que os laboratórios iniciaram contato com o Datasus para enviar dados para as redes.

Confira a matéria na íntegra: https://bit.ly/3bGrjZa

Reportagem do Band Cidade (BA) fala sobre queda na procura por exames

Durante a pandemia do novo coronavírus, muitos brasileiros estão deixando de se prevenir de outras doenças comuns no país, como hipertensão, diabetes e câncer. Os exames de rotina são fundamentais no diagnóstico e permitem que o organismo fique melhor monitorado e protegido de uma série de condições.

Diante da relevância do tema, o Band Cidade, da Band Bahia, abordou a queda da procura por exames tradicionais. Para entender como esses procedimentos são realizados durante a pandemia, o telejornal conversou com a diretora-executiva da Abramed, Priscilla Franklim Martins. “Todos os requisitos de segurança foram redobrados. Existem fluxos diferenciados para pacientes com Covid-19, que não ficam em contato com outros pacientes”, garantiu.

Confira a reportagem, veiculada no dia 15 de maio, na íntegra: https://bit.ly/36dmfdn

Atuação de laboratórios privados em meio a pandemia é destaque no Valor Econômico

29 de Abril de 2020

O jornal Valor Econômico publicou, no dia 29 de abril, matéria sobre a atuação dos laboratórios privados em meio a pandemia do novo coronavírus. O veículo destacou a agilidade dos laboratórios na produção de testes moleculares para o diagnóstico da Covid-19, fruto do contínuo investimento em inovação e pesquisa realizado pelas empresas do setor.

Para falar sobre o tema, a equipe de jornalismo do Valor Econômico conversou com Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed. “Algumas empresas que contam com capacidade técnico-operacional foram capazes de responder rapidamente, reunindo biomédicos e patologistas para desenvolver testes, antes mesmo que a indústria farmacêutica conseguisse ofertar ao mercado kits comerciais”, disse ao veículo.

Confira a matéria completa em: https://bityli.com/vZ38t

Outras doenças não esperam a pandemia de COVID-19 passar para se manifestarem

Webinar promovido pela Abramed reuniu médicos especialistas para alertar sobre a importância de manter as rotinas de prevenção e o tratamento de doenças crônicas durante a crise gerada pelo novo coronavírus

13 de Maio de 2020

O mundo inteiro está mergulhado em assuntos relacionados à COVID-19, mas é preciso enfatizar que outras doenças não esperarão a pandemia passar para se manifestarem. Foi com esse intuito que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu especialistas de áreas clínicas e do setor de diagnóstico para o webinar “A sua saúde pode esperar? Em tempos de pandemia, não podemos deixar de lado a prevenção e o tratamento de outras doenças”. O objetivo foi reforçar a importância da prevenção e da manutenção de tratamentos mesmo diante da crise de saúde vivida atualmente.

Mediado por Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, o encontro teve o formato de mesa-redonda virtual e contou com a expertise de Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD); Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente; e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Com as recomendações de distanciamento social e as diretrizes amplamente divulgadas para que as pessoas evitassem ao máximo procurar o hospital para prevenir exposições desnecessárias ao coronavírus, a população deixou de buscar assistência médica mesmo em casos extremamente importantes.

Algumas cidades como São Paulo vivenciam o distanciamento social há dois meses e um atraso de sessenta dias no diagnóstico de alguma patologia oncológica pode ser fatal. É o que explica Clarissa ao lembrar que quanto mais tarde for descoberta a doença, menores as chances de recuperação e a eficiência dos tratamentos. “Existem neoplasias com atividade muito acelerada e um retardo de dois meses no diagnóstico pode fazer com que o paciente saia de um cenário onde haveria cura para um cenário voltado apenas ao tratamento paliativo”, declarou.

Essa é uma preocupação mundial e um estudo inglês recentemente publicado pelo The BMJ e mencionado por Clarissa durante o debate constrói um cenário preocupante: a mortalidade por câncer pode aumentar 20% por causa da pandemia.

Segundo o estudo, parte desse aumento está diretamente atrelado às pessoas com câncer que são infectadas pelo novo coronavírus e, por serem grupo de risco, chegam ao óbito; mas outra parte relevante ocorre pois, por conta da crise, o diagnóstico foi atrasado ou o tratamento, como a quimioterapia, interrompido.

Com muito receio de ir a um pronto atendimento e, assim, contrair a infecção, os pacientes deixam de procurar os médicos mesmo em situações em que, em sua rotina pré-pandemia, naturalmente procurariam. “Hoje mesmo eu atendi um paciente que estava com a pressão 18/10 e não queria ir à emergência por não se sentir seguro”, pontuou Clarissa retratando uma situação muito clara de como doenças crônicas, como a hipertensão, por exemplo, podem se tornar uma questão grave durante crises de saúde que assustam a população.

Para entrar nessa área e falar sobre cardiologia, o webinar recebeu Marcelo Queiroga, da SBC, que trouxe dados sobre a alta taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis no mundo, situação compartilhada também pelos brasileiros. “São cerca de 18 milhões de mortes ao ano por doenças cardiovasculares. Somente no Brasil, 380 mil óbitos anualmente”, comentou.

Para o presidente da SBC, a drástica redução de atendimentos cardiovasculares na emergência é sinônimo de alerta. “No Incor, que em São Paulo é o serviço de referência em angioplastia primária como tratamento para o infarto, em março deste ano verificamos uma redução de 50% no número de atendimentos quando comparamos com março de 2019. Na SBC vemos dados que mostram redução de até 70% no número de intervenções coronárias percutâneas na primeira semana de maio de 2020 no comparativo com o mesmo período do ano passado”, apontou enfatizando que ainda não é possível afirmar que a letalidade aumentou, já que os dados de óbitos não estão disponíveis.

Mesmo sem as informações precisas para conclusões, é possível que o Brasil esteja vivenciando o mesmo que os EUA já divulgaram: aumento significativo de mortes súbitas detectadas pelas ambulâncias locais. “É preciso que o sistema de saúde crie rotas alternativas para assegurar o atendimento à população tanto dessas doenças prevalentes quanto das crônicas”, disse Queiroga.

Essa “rota alternativa” mencionada por Queiroga já é apontada por Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente, como uma realidade em alguns locais. “Claro que existem cidades onde os sistemas estão super lotados, mas o paciente não pode achar que vai procurar o pronto socorro e sairá de lá infectado. Existem rotas especiais para suspeitas de COVID-19 e rotas para outros pacientes, além das unidades hospitalares trabalharem com isolamento entre as equipes”, explicou dizendo que alguns estudos mostram que a taxa de contaminação de profissionais de saúde em atuação nas áreas de atendimento à COVID-19 é similar às taxas de contaminação de profissionais de outras áreas, o que leva a uma compreensão de que a infecção pode estar ocorrendo de forma ainda mais relevante na comunidade do que nos equipamentos de saúde.

Essa falta de assistência também afeta os diabéticos. “Com a orientação de que não devem ir ao pronto-socorro, as pessoas com diabetes estão aguardando em casa sem controle adequado. Aqueles que precisavam retornar ao médico após dois meses, não o fizeram. Lembrando que 40% das pessoas que morreram de COVID-19 eram pacientes diabéticos”, afirmou Fadlo Fraige Filho, presidente da ANAD, reforçando que a patologia piora o prognóstico de outras doenças, inclusive da infecção pelo novo coronavírus.

Diagnóstico

Com os pacientes deixando de comparecer às consultas, eles também desaparecem dos laboratórios e das clínicas de imagem. Hoje, segundo Cevasco Junior, os exames que estão sendo realizados mostram patologias em níveis bem mais avançados. “O que vemos, do ponto de vista da radiologia, são casos muito mais graves do que a média. As pessoas deixam de realizar seus exames no momento indicado para fazê-los somente quando a resolução já será muito mais complexa”, declarou.

Para o especialista, comparecer a uma unidade de diagnóstico hoje pode ser mais seguro do que ir ao mercado. “Muitas unidades oferecem o teste de diagnóstico de COVID-19, o RT-PCR, no formato drive-thru para evitar que pessoas que estão no local para outros exames não relacionados ao novo coronavírus tenham contato com esses pacientes com suspeita da doença. Além disso, quando um paciente potencialmente infectado pelo novo coronavírus vai a uma clínica para uma tomografia de tórax, por exemplo, ele tem um acesso separado dos outros cidadãos. Isso sem falar no reforço com a higienização dos equipamentos, que está muito mais intensa”, explicou.

Telemedicina

Aprovada em caráter emergencial para suprir demandas geradas pela pandemia de COVID-19, a telemedicina também foi pauta no webinar. Clarissa enfatizou que a SBOC montou uma plataforma de telemedicina que está sendo utilizada por até 30% dos pacientes que estão em atendimento oncológico.

Na cardiologia, evidências científicas sugerem que a telemedicina pode salvar vidas. “O telemonitoramento da insuficiência cardíaca pode ajudar na redução da mortalidade. Essa é uma ferramenta que deve ser utilizada dentro ou fora de uma pandemia”, disse Queiroga.

Para Cevasco Junior, a telemedicina já era uma realidade que vem sendo confirmada durante a crise do novo coronavírus, podendo inclusive auxiliar nesse controle para que eventos evitáveis recebam o atendimento devido. “Com medo de se expor ao risco, o paciente pode fazer uma primeira avaliação via telemedicina e o médico saberá quais as suas limitações, a qual tipo de risco ele pode estar sujeito e se é melhor que ele seja examinado naquele momento, encaminhando-o ao consultório se julgar necessário”, disse. Quanto ao futuro da telemedicina no país, o especialista declarou: “Espero que esse acesso remoto faça parte do ‘novo normal’ que vivenciaremos em breve”.

Para encerrar o debate, Priscilla questionou os participantes sobre o Brasil entrar em uma situação grave já vivida por países europeus e que exigirá, dos médicos, a tomada de decisões sobre quem terá acesso ou não aos equipamentos e leitos hospitalares. Cenário que já está sendo cogitado em estados como o Rio de Janeiro.

“Quando a pandemia extrapola a capacidade dos sistemas, as decisões passam a ser mais radicais. É um cenário de guerra, bastante complicado. E é difícil escrever um mesmo protocolo que atenda a todas as especialidades médicas”, pontuou Cevasco Junior.

Para que seja possível evitar que essa hipótese se torne realidade, é ainda mais necessário que as pessoas mantenham seus tratamentos em dia e não deixem de procurar assistência caso tenham sintomas que possam indicar outras patologias, assim como todos os que estão com alguma investigação de saúde em curso devem manter seus exames e consultas. “É a hora de se cuidar ainda mais. Procurar os serviços de saúde, fazer os exames periódicos e seguir com os controles. Caso contrário teremos uma terceira onda da pandemia, focada na mortalidade das doenças crônicas, ainda mais devastadora”, concluiu Fraige Filho.

Com tecnologias disruptivas, manejo de dados ocultos está mudando a saúde

* Por Fabio Mattoso

12 de Maio de 2020

Sabemos que os dados há décadas contribuem para a evolução da saúde mundial, gerando informações valiosas para a elaboração de novas diretrizes, modelos diagnósticos e tratamentos. Porém, hoje, que poder esses dados têm quando somados a tecnologias disruptivas como a inteligência artificial, interoperabilidade de sistemas, telemedicina e operacionalidade remota de equipamentos médicos? Com cientistas trabalhando arduamente em busca de soluções capazes de transformar o cenário da saúde ao ampliar o acesso – uma das demandas de um país continental e desigual como o Brasil –, como o manejo adequado dessas informações pode revolucionar o ciclo de cuidados?

A gestão de dados fundamenta todos os principais debates da atualidade no setor. Durante a pandemia de COVID-19, em que se procura incessantemente por detalhes sobre a transmissibilidade do vírus, os possíveis medicamentos para minimizar seus sintomas e uma vacina eficiente para imunizar a população, o manejo de dados ganhou visibilidade. Mas a discussão está em pauta há muito tempo.

Cientes de que os sistemas ao longo dos anos vêm tratando tão somente a doença, quando deveriam se empenhar em cuidar da saúde, especialistas de todo o mundo identificam falhas no atual ciclo de cuidados. Falhas essas que levam a prejuízos tanto financeiros às instituições de saúde, causados por uma infinidade de desperdícios evitáveis, quanto de qualidade de vida dos pacientes.

Com tantos dados soltos circulando em plataformas distintas e sendo gerados na palma da mão por meio dos smartphones, que estão se tornando reais extensões do corpo humano, por que seguimos ignorando informações para tratar eventos de forma isolada? Por que tratamos apenas os sintomas de uma patologia envolvida naquele evento em vez de tratar a saúde do indivíduo como um todo?

Com a inteligência artificial, por exemplo, dados que permeiam todo o ecossistema na jornada do paciente ganham luz e passam a integrar o rol de informações a que as especialidades médicas têm acesso desde o momento da anamnese dos pacientes até o atendimento. A pouca integração entre os sistemas leva a uma amplitude de dados ocultos, que não são óbvios no momento do evento médico ou não possuem uma correlação com a sintomatologia,  e que colaboram com a cultura do sickcare, enquanto buscamos ansiosamente abraçar a cultura do healthcare, onde a real prevenção, com base em evidências científicas e informações individualizadas, passa a ser o alicerce dessa transformação.

Para a medicina diagnóstica, garantir uma operação ágil e eficiente utilizando protocolos atualizados, equipamentos e operadores de ponta e soluções de operação remota já é uma realidade, porém quanto maior o número de informações na hora da realização de um exame, maior a acurácia em seus resultados. A Inteligência Artificial é altamente competente em identificar padrões, com isso contribui de forma ainda mais incisiva ao ler as imagens diagnósticas e sugerir ao médico radiologista diferentes hipóteses para que ele possa fazer uma avaliação mais aprofundada de cada caso. Quando mescla as informações do prontuário do paciente com o que está identificado nos exames, a tecnologia revela dados ocultos, amplia as possibilidades e mostra ao médico opções que talvez ele não tivesse pensado ao olhar exclusivamente o evento.

Na outra ponta, o médico especialista que recebe um laudo mais específico em suas impressões e hipóteses diagnósticas, pode traçar um plano mais eficiente para o paciente. Afinal, a maioria das decisões clínicas e terapêuticas são fundamentadas em exames laboratoriais e de imagem, além do histórico do paciente.

Tendo como ponto de partida a legislação de cada país que regula o manejo desses dados, garantindo privacidade e proteção não só aos pacientes mas também às instituições, a utilização eficiente dessas informações individualiza o cuidado e contribui com a tão almejada medicina de precisão, que trata cada cidadão de forma personalizada, garantindo-lhe um ciclo de cuidados que atenderá às suas especificidades. E isso pode transformar a saúde.

Quando podemos trabalhar esses dados sensíveis de maneira integrada e com interoperabilidade, não precisamos mais responsabilizar o paciente por apresentar as informações necessárias para sua avaliação. Torna-se desnecessário repetir a sua história a cada especialista que frequenta, o que proporciona um histórico mais preciso, correto e eficaz. Imagine, por exemplo, quão desgastante é para um paciente com uma doença crônica – como a diabetes – ter de repetir as mesmas informações para todos os profissionais que o acompanham. Quantos dados relevantes ele deixa de mencionar? Quanto o atendimento multidisciplinar a esse paciente pode ser otimizado pelo manejo correto dos dados?

Porém, para que todo esse manejo seja benéfico em sua integridade, é preciso que as instituições e empresas de saúde atuem de forma séria, comprometidas com a legislação, protegendo e engajando os pacientes. Por isso nunca devemos enxergar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) – inspirada na lei de proteção de dados europeia (GDPR) – como uma ameaça.

Por conta da crise gerada pela COVID-19, o início da vigência da legislação foi postergado para maio de 2021, o que nos dá mais alguns meses para que possamos reforçar sua importância, já que o manejo correto de dados traz mais eficiência aos tratamentos, diagnósticos e decisões clínicas, permitindo que as informações sejam utilizadas pelas pessoas certas, da maneira correta e para tomadas de decisão mais assertivas, entretanto a mesma crise nos levou a um momento de distanciamento social, onde plataformas de telemedicina se tornam fundamentais para a continuidade do atendimento médico a pacientes que não podem ir a consultórios ou ambientes ambulatoriais e que precisam da manutenção de seus tratamentos.

* Fabio Mattoso é diretor de Inteligência Diagnóstica Remota do Grupo Alliar

Importância da colaboração entre os setores e da análise de dados durante pandemia é tema de webinar

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, foi um dos convidados do debate virtual

12 de Maio de 2020

O Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) reuniu, na tarde de 11 de maio, líderes do setor para debater como a colaboração entre as áreas e a enorme quantidade de dados gerados na atualidade podem contribuir para a gestão da crise desencadeada pelo novo coronavírus. Sob o tema “Data Science e Inteligência Artificial no contexto da pandemia: O que temos disponível?”, o encontro virtual recebeu Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions; Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP); Thiago Constancio, CEO do MedPortal; e Evandro Tinoco, presidente do Chapter Rio de Janeiro do CBEXs.

Diante de um surto de uma doença então desconhecida, a falta de informações para a tomada de decisões surge como um dos principais entraves para o controle de uma epidemia. Sem detalhes sobre como, de fato, o vírus é transmitido; quais os grupos de risco e como a infecção se comporta em cada cidadão; quais os tratamentos mais promissores e eficientes; e como tomar medidas que sirvam para preservar a saúde da população ao mesmo tempo em que o sistema de saúde é reforçado e a economia segue girando, o caos tende a se instalar.

Nesse cenário, todos os dados gerados tanto em ambiente internacional quanto regionalmente são válidos para consolidar análises e fundamentar estratégias. Porém, não basta gerar dados, é preciso que essas informações estejam corretas e sejam analisadas por profissionais capacitados, como disse Evandro Tinoco, que mediou o debate, ao apresentar Shcolnik.

“De nada adianta coletarmos dados ruins ou, então, informações de instrumentos pouco confiáveis. Esse é o caminho para tomarmos decisões erradas”, pontuou Tinoco relembrando que há 60 dias a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia. “Falando em diagnóstico, quais testes efetivamente funcionam e o que temos de eficaz, hoje, no mercado brasileiro?”, direcionou o questionamento ao presidente da Abramed.

Shcolnik enfatizou que a pandemia que vivemos despertou, no setor de saúde, alguns questionamentos principais: a quantidade de leitos de UTI e o número de respiradores disponíveis para a população; a necessidade dos equipamentos de proteção individual para proteção da força de trabalho; e os exames laboratoriais, que habitualmente são utilizados pelos médicos para identificar fatores de risco, confirmar diagnóstico e orientar a tomada de decisões.

Além de explicar a diferença entre os exames para diagnóstico de COVID-19, citando o RT-PCR, exame molecular considerado o padrão ouro pela OMS, e os testes sorológicos capazes de identificar anticorpos em amostras dos pacientes, o presidente reforçou que o pior cenário seria termos, em mãos, resultados errados ou pouco confiáveis para que os médicos tracem suas estratégias e não termos colaboração entre todos os players para que os dados possam contribuir com a análise epidemiológica da doença no Brasil.

“Os testes rápidos – que não são autotestes como os exames de gravidez vendidos em farmácias – devem ser realizados em ambientes apropriados, por profissionais capacitados, que usem controles de qualidade. Caso contrário, teremos resultados questionáveis”, esclareceu. Um resultado falso negativo gerado pela realização de um teste rápido dentro da janela imunológica do paciente pode, por exemplo, criar uma falsa sensação de segurança. “Outra desvantagem é que no Brasil ainda não conseguimos atingir a interoperabilidade, ou seja, se tivermos exames de COVID-19 realizados dentro de empresas privadas, esses dados ficarão restritos a essa empresa, não serão compartilhados e, assim, não chegarão aos epidemiologistas que tentam compreender como a epidemia evoluiu no nosso país”, finalizou.

A fim de melhorar esse compartilhamento de informações, a Abramed investiu em uma interface com o Data SUS para que os exames para diagnóstico de COVID-19 realizados na rede privada chegassem ao Ministério da Saúde. “Sabemos que os dados oficiais são subnotificados, mas esse processo de compartilhamento está em curso e em um curto intervalo de tempo teremos uma explosão desses dados”, disse.

Questionado se os exames sorológicos, que identificam anticorpos, podem ser úteis como uma espécie de passaporte de imunidade, Shcolnik declarou: “nem a OMS tem essa resposta ainda. Sabemos que muitos desses anticorpos produzidos não são neutralizantes, ou seja, não nos protegem de uma segunda infecção caso ela ocorra. Temos muitas incertezas e poucas definições até o momento”.

Setor hospitalar – Para tratar sobre a rede hospitalar brasileira, o webinar contou com a participação de Marco A. Ferreira, CEO da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), que reforçou a importância da colaboração na luta contra a COVID-19. “Precisamos trabalhar juntos, estabelecer metas comuns a todos os nossos setores”, disse.

Para Ferreira, a pandemia trouxe luz a algumas necessidades brasileiras, entre elas a de recortar a quantidade de leitos de UTI por região, sem fazer uma análise generalizada no país; e a de criar uma cultura de análise de dados capaz de reunir informações relevantes levando-as para os tomadores de decisão. “Precisamos criar caminhos e, também, essa nova cultura. Enquanto entidades do setor, devemos investir em melhorias nesse processo”, pontuou.

Trazendo uma visão mais tecnológica do tema, Jorge Salluh, diretor e cofundador da Epimed Solutions, empresa dedicada ao desenvolvimento de sistemas para melhoria do desempenho dos hospitais nacionais, declarou que no Brasil mais de 1.100 unidades de terapia intensiva utilizam as ferramentas da Epimed para compartilhar informações. “Antes mesmo de registrarmos o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus no Brasil já estávamos trabalhando em modelos que nos permitiriam apoiar os hospitais com dados gerados em nossas plataformas”, explicou. “O que fizemos foi aproveitar o fato de que levamos informações para o gestor que está na ponta, seja do hospital, da rede, ou mesmo da UTI, para que ele tenha uma visão epidemiológica e consiga compreender quando está chegando ao seu limite de ocupação, quando precisará de novos respiradores e em que momento conseguirá receber novos pacientes”, finalizou.

O webinar também contou com a participação de Thiago Constancio, CEO do MedPortal, que contribuiu com a moderação do debate e das perguntas enviadas pelos espectadores.

Investir em tecnologia e inovação agrega valor à medicina diagnóstica

Confira a entrevista com Fernando Gatz, executivo de Contas Internacionais da Quest Diagnostics do Brasil

11 de Maio de 2020

As empresas que atuam na área de saúde têm buscado a garantia da qualidade por meio do aumento da eficiência e da inovação. O avanço de tecnologias vem permitindo que exames de diagnóstico sejam realizados em grande escala, em menor tempo, com mais precisão e qualidade, prezando cada vez mais pela melhor assistência médica.

Para a Quest Diagnostics do Brasil, há mais de 20 anos em território nacional, o investimento em novas tecnologias e inovação é fundamental para agregar valor aos serviços prestados e se manter competitiva. “Com o cenário globalizado, é ainda mais importante para os laboratórios de medicina diagnóstica, até pelo o que vimos com a pandemia do novo coronavírus, desenvolver novas estratégias e tecnologia para melhor atender as demandas do mercado”, explica o executivo de Contas Internacionais da empresa, Fernando Gatz.

A seguir, ele destaca a importância dos avanços tecnológicos para o setor, os desafios enfrentados pelos laboratórios com a pandemia do novo coronavírus e a relevância da Abramed para a medicina diagnóstica.

Confira a entrevista!

Abramed em foco – Nos Estados Unidos, a Quest Diagnostics investe constantemente em pesquisa e desenvolvimento e conta com equipes médicas e científicas que se empenham no desenvolvimento de inovações para o setor de medicina diagnóstica. Como é a questão de investimentos em P&D da empresa no Brasil? Existe um polo brasileiro dedicado à inovação?

A Quest do Brasil é um laboratório de apoio para laboratórios de referência. As análises que recebemos nos laboratórios brasileiros são 100% enviadas para as nossas unidades nos Estados Unidos. Lá desenvolvemos novas estratégias de tecnologia e inovação para serem disponibilizadas para os outros mercados, inclusive o Brasil.   

Uma das coisas que faz com que a Quest tenha essas novas tecnologias é justamente a nossa presença no mercado global. Conseguimos, a partir das necessidades e demandas de diagnósticos em vários países, desenvolver novos testes. Também produzir outras aplicações trabalhando junto com os maiores fabricantes de equipamentos de diagnósticos.

Abramed em foco – Por que é importante acompanhar as evoluções tecnológicas na área da medicina diagnóstica?

A Quest Diagnostics tem foco na descoberta e fornecimento de insights e inovações no setor de diagnósticos e se tornou um fornecedor mundial líder nos serviços de informações de diagnósticos necessários na tomada das melhores decisões relacionadas à assistência à saúde.

As grandes empresas do setor no mundo têm buscado inovações que ampliem tanto o acesso quanto a personalização da medicina hoje praticada. E as tecnologias acabam por ser direcionadas para atender às necessidades de cada país.

Para atender ao mercado nacional, fornecemos tecnologia de informações e soluções de logística que possibilitam suporte integrado aos profissionais de saúde e seus pacientes. Trazemos esses avanços para o Brasil e temos ainda a possibilidade de transferência de inovação para os laboratórios que são nossos parceiros aqui.

Abramed em foco – Existe alguma dificuldade para trazer essas tecnologias para cá devido às regulamentações brasileiras? Como funciona esse processo?

Temos de passar pelos processo de regulamentação do Brasil, por isso que, às vezes, dependendo da demanda, ainda compensa mandar as amostras para que sejam processadas nos laboratórios nos Estados Unidos. Naquele país, apesar das regulamentações, assim como aconteceu agora com a pandemia do novo coronavírus, temos novas tecnologias em aprovação com a Food and Drug Administration (FDA).  

O que realmente falta para que o Brasil possa atingir o mesmo patamar dos países mais avançados em termos de inovação em medicina diagnóstica é a mudança de cultura e maior investimento em pesquisa e desenvolvimento. É preciso fomentar essa vertente transformando-a em uma tradição, investir em pesquisa e gerar conhecimento em saúde.

Abramed em foco – O mundo está vivenciando a pandemia do novo coronavírus. Nesse cenário, a Quest tem desempenhado um importante trabalho nos Estados Unidos, onde, no auge da crise, foi responsável por quase metade de todos os testes realizados no país. No Brasil, a empresa tem realizado exames para o diagnóstico de Covid-19? Como está sendo esse processo?

Nos Estados Unidos, os testes já estavam disponibilizados no mercado americano. Foi um processo muito rápido de adaptação da Quest até para poder absorver toda a demanda, que chegou a 50 mil testes por dia em vários laboratórios que temos espalhados naquele país. Recentemente, tivemos a autorização para oferecer esses exames aqui no Brasil.

Os testes de RT-PCR e para anticorpos já estão disponíveis aos laboratórios brasileiros que decidirem mandar suas amostras para as nossas unidades nos Estados Unidos. A logística está preparada para receber os exames brasileiros e estamos comunicando o mercado nacional sobre essa disponibilidade.

Abramed em foco – Um dos grandes desafios da pandemia para o setor de saúde é a logística. Como oferece o serviço de transporte das amostras do Brasil para os Estados Unidos, quais medidas foram adotadas pelo laboratório para continuar garantindo esse serviço?

Dispomos de profissionais muitos experientes nos processos logísticos para o envio das amostras. O que passamos a fazer foi monitorar mais de perto para criar um fluxo favorável. Continuamos garantido o mesmo prazo de transporte tanto para os testes para detecção de Covid-19 como para outros tipos de análises.  

Temos também uma logística para a coleta de amostras em um tempo bastante rápido direto nos clientes, com acomodação dos materiais em embalagens adequadas da própria Quest. Também centralizamos o envio dos exames pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Conseguimos garantir voos diários do Brasil para os Estados Unidos e, com isso, tudo está funcionando bem durante a pandemia. 

Abramed em foco – Nos Estados Unidos, o trabalho feito pela Quest Diagnostics foi um sucesso ao conseguir atender uma alta demanda de exames durante a pandemia. Como isso foi possível?

Foi possível pela liderança do nosso CEO, Stephen H. Rusckowski, juntamente com a expertise da Quest em ser muito capaz de processar um grande volume de testes, além da adaptação que foi realizada, pois logo no início da pandemia foi feito um processo de mudança de foco para atender a demanda desse tipo de exame.

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus, a empresa já processou mais de um milhão e meio de testes RT-PCR. Também anunciou para o mercado americano a disponibilidade de exames de anticorpos para detecção da Covid-19.     

Abramed em foco – Na sua opinião, o que o setor de medicina diagnóstica brasileiro pode aprender com a pandemia do novo coronavírus?

Entendo que para setor de medicina diagnóstica, devido ao momento de emergência em saúde vivido no mundo, ainda vai ser necessário um tempo maior para dar esta resposta.

Com o cenário cada vez mais globalizado, uma das coisas que a Quest fez foi ter uma plano de ação para que assim que identificar uma situação de risco, ou de pandemia, como atualmente, consiga, por meio dos milhões de datapoints que possui na área de diagnóstico, mapear qual vai ser a demanda e qual a melhor maneira de receber as amostras. 

Acredito ser bastante importante para os laboratórios de medicina diagnóstica, até pelo o que vimos recentemente, desenvolver alianças estratégicas com os governos federal e estaduais para firmar parcerias. E mais importante ainda é entender e monitorar o que acontece em outros países, porque que vimos que não existe fronteiras de proteção para a propagação de novos agentes patogênicos.  

Abramed em foco – Como vê a importância da Abramed no cenário da saúde e para suas associadas?

Com certeza é uma instituição de alta relevância principalmente pelo nível dos profissionais que estão na direção da Associação, bem como pela rapidez e qualidade do nível de informações fornecidas que alertam para cenários futuros. São tantas questões que uma empresa privada não teria acesso e nem estrutura e organização para obter esses dados, que somente a Abramed  torna isso possível.

Hoje considero a entidade como o principal canal de comunicação do nosso segmento tanto com os associados como com o stakeholders brasileiros. Oferece também um alto nível de assessoria em setores que a medicina diagnóstica tanto precisa, como jurídico, regulação, entre outros, e isso se mostra de altíssimo valor.

Os associados reconhecem todo esse trabalho e sabem que é importante fazer parte da Abramed. 

Abramed em foco – Este ano, a Abramed comemora 10 anos. Como associado, o que a Quest do Brasil espera da Associação para a próxima década?

Tive o privilégio de estar na inauguração da Abramed há dez anos, embora, na época, trabalhasse na indústria da saúde, tendo migrado depois para o segmento de laboratórios. Acredito que os associados querem que o compromisso da entidade se mantenha, leve o segmento de medicina diagnóstica para uma situação de evidência e alcance maior de visibilidade entre os stakeholders e a população brasileira.

A medicina diagnóstica tem um papel muito importante na vida das pessoas, pois 70% das decisões médicas são baseadas em exames de diagnóstico, mas ainda somos um setor que precisa ter maior representatividade para ser considerado relevante no universo da atenção à saúde.

A decisão de se associar à Abramed mostra o interesse da Quest Diagnostics do Brasil em estar mais próxima dos demais laboratórios e dos outros segmentos da saúde.