A saúde do Brasil

*Matéria da Revista Forbes ed 68

Quando alguém faz um exame de sangue, compra um remédio ou é atendido em um hospital, aciona uma das muitas engrenagens que movimentam um setor extremamente complexo e que tem papel fundamental na economia do país.

A saúde privada no Brasil reúne principalmente hospitais e clínicas, serviços de diagnósticos – como laboratórios de análises clínicas e de imagem -, farmácias e fabricantes de medicamentos e de produtos médico-hospitalares. Estes incluem desde luvas descartáveis e aventais até aparelhos de ressonância magnética, reagentes para exames de laboratórios e os equipamentos que processam todos esses exames.

Um dos aspectos que mais preocupam os gestores do universo da saúde é encontrar meios para usar os recursos de modo mais eficiente, reduzindo o desperdício de tempo, esforços e dinheiro. Essa busca tem movimentado grandes grupos e tem servido como mola propulsora para a criação de incontáveis healthtechs – startups focadas em saúde, geralmente apoiadas em inovações tecnológicas. O setor também observa atentamente a movimentação da economia de forma mais ampla. “A saúde privada depende diretamente da situação econômica e da geração de empregos para crescer. Quando a economia vai bem, aumenta o acesso aos hospitais, que é feito principalmente por usuários de planos de saúde”, explica Ary Ribeiro, ice-presidente do Conselho de Administração da Anahp, entidade de classe que tem 118 associados, entre eles os maiores hospitais do país.

Segundo Ribeiro, em 2018, os hospitais geraram 96 mil empregos, o que representa um crescimento de 81% em relação ao ano anterior. Somente nas atividades de atendimento foram criados 37 mil empregos.

Para a indústria farmacêutica, outro aspecto da economia que pesa na balança é a carga tributária, pois ela tem impacto no acesso da população aos medicamentos. “O desenvolvimento de um produto farmacêutico demora de oito a 12 anos, com investimentos que podem chegar a USS 1,5 bilhão. Em nosso setor, a carga tributária é de 33%, ou seja, de cada RS 100 que custa um produto, RS 33 vão para o governo, quando ele é que deveria fomentar o acesso da população aos medicamentos”, diz Nelson Mus-solini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), que representa 370 empresas nacionais e internacionais. Seus associados detêm mais de 95% do mercado de medicamentos do país e geram cerca de 90 mil empregos dire-tos e 500 mil indiretos.

A conjuntura também é motivo de preocupação para Paulo Henrique Fraccaro, superintendente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), que representa 315 empresas de um universo de 600. “Há muito tempo reivindicamos uma política setorial específica para repensar aspectos como tributação, apoio à inovação, fomento e financiamentos, que não existem para a área de equipamentos e produtos descartáveis”, argumenta.

Regulação é um grande desafio para os prestadores de serviços de exames de imagem e análises clínicas, afirma Claudia Cohn, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnostica (Abramed). “As agências reguladoras da saúde e o próprio Ministério deveriam examinar os impactos na saúde privada antes de publicar novas regulamentações”, explica. Não são raros os casos em que normas são modificadas porque causaram um efeito mais negativo do que positivo. Na tentativa de minimizar esse tipo de problema, sociedades de especialidades médicas e entidades de classe, como a Abramed, oferecem seus especialistas para auxiliar na regulamentação.

À parte essas queixas, o setor de medicina diagnostica no país é imenso. Em 2017 foram realizados 2 bilhões de exames de imagem e análises clínicas – 817 milhões deles foram feitos na rede suplementar ou privada. No mesmo ano, o mercado de medicina diagnostica no Brasil gerou receita bruta de RS 35,4 bilhões.

Diretamente ligadas à medicina diagnostica estão 45 empresas associadas da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), que fornecem produtos e equipamentos para laboratórios clínicos. “Nosso principal desafio é oferecer produtos cada vez mais inovadores para diagnóstico”, diz Carlos Eduardo Gouvêa, presidente executivo da CBDL. O setor cresceu 8,8% nos últimos 12 meses em consumo aparente (produção industrial doméstica mais importações menos exportações), chegando a cerca de USS 2 bilhões.

Para as farmácias, o maior desafio, dentro da onda global de priorizar a prevenção de doenças, tem sido melhorar a participação desses estabelecimentos nos cuidados com a saúde dos clientes e ampliar a oferta de serviços. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, “até 2013, casos simples como gripes ou intoxicação alimentar demandavam atendimento em postos de saúde e hospitais”.

Barreto explica que o orçamento público não consegue arcar sozinho com todos os gastos. É essa lacuna que as farmácias tentam preencher, ao oferecer serviços de revisão de medicamentos, acompanhar o tratamento indicado pelo médico, medir pressão e níveis de colesterol e glicose, além de aplicar vacinas. Esse atendimento é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Abrafarma reúne 25 grandes redes de farmácias no Brasil que, juntas, geram 129 mil empregos diretos. C) varejo farmacêutico soma 78 mil estabelecimentos e movimenta R$ 100 bilhões.

INOVAÇÃO

Inteligência artificial, machine learning, realidade aumentada… O setor de saúde no Brasil tenta acompanhar o acelerado movimento de transformação tecnológica que permeia produtos e processos ao redor do mundo. Nas páginas a seguir, você conhecerá um pouco da história e das aplicações de avanços como a telemedicina, entre várias outros avanços e novas ferramentas. Outra dessas ferramentas – e que tem se mostrado extremamente útil no universo da medicina – é a realidade virtual (ou realidade aumentada). Equipamentos de realidade virtual permitem a médicos e enfermeiros praticar procedimentos em um ambiente de total imersão.

É o que tem feito desde o ano passado a Johnson & Johnson Medical Devices em suas unidades de São Paulo e Recite. Como o projeto começou dentro da área de ortopedia da empresa, o foco da plataforma, por enquanto, ainda está centrado nessa especialidade. “Fazemos treinamentos para cirurgias de artrosplatia de joelho, em que a articulação é substituída por uma prótese, e de quadril, além de procedimentos em trauma com fratura de quadril e cirurgia ortognática, para os maxilares”, explica Elisabete Murara, diretora sênior de educação para América Latina. Em breve, a empresa iniciará treinamentos em cirurgia geral.

NA PRÁTICA

Um caso real ilustra esse cenário de inovação aplicada. Preocupada com os problemas de fala da filha Sofia, que nasceu com síndrome de Down e aos 3 anos ainda apresentava dificuldades, a cientista de computação Marinalva Soares procurou ajuda da amiga e pesquisadora Alessandra Macedo na USP de Ribeirão Preto. Depois de muita pesquisa, nasceu o aplicativo SofiaFala, que usa inteligência artificial para interpretar e avaliar a qualidade da fala de crianças com Down. O programa capta o som emitido e, por uma interface que incentiva a criança a participar, como se fosse uni jogo, ajuda-a a pronunciar corretamente as palavras. Ao mesmo tempo, envia as informações ao fonoaudiólogo para que ele possa acompanhar a evolução do aprendizado.

O app recebeu financiamento do CNPq e começou a ser desenvolvido em 2016. O trabalho reuniu uma equipe multidisciplinar da universidade, formada por profissionais de áreas de ciência da computação, fonoaudiologia, engenharia e psicologia. Foi lançado este ano.

A SAÚDE DO C-LEVEL EM PERIGO

Pressão por resultados e hábitos ruins aumentam riscos de AVC e infarto em executivos – e executivas

Se, como dizia o filósofo Jean-Jacques Rousseau, o homem é produto do meio, o ambiente em que o brasileiro vive está bastante nocivo. É o que se deduz dos resultados de milhares de check-ups realizados pela clínica Med-Rio Check-up, especializada em executivos e profissionais liberais.

“Temos visto, por exemplo, um aumento de casos de depressão. Eles passaram de 8% para 11% do total de 2017 para 2018”, ilustrou o médico especializado em medicina preventiva e CEO da clínica, Gilberto Ururahy. Ele cita ainda o aumento de casos de estresse, excesso de peso, sedentarismo, insónia (Ognomy), hipercolesterolemia, hipertensão e diabetes nos mais de 10 mil exames realizados anualmente.

As incertezas da economia e o acúmulo de tarefas, de responsabilidades e de metas agressivas – além da sensação de responsabilidade sobre o destino dos colaboradores e de suas famílias – ajudam a desarmar as defesas do organismo dos profissionais no alto da pirâmide. As portas se abrem perigosamente para problemas graves – como AVC e infarto do miocárdio, além da já citada depressão.

De modo geral, há carência de levantamentos sobre a saúde do brasileiro, incluindo as principais causas de morte no país. Por isso, levantamentos como o da Med-Rio servem como baliza para enxergar o cenário e traçar ações preventivas. “Além de aspectos físicos, fazemos várias avaliações no campo emocional: estresse, ansiedade e depressão. No âmbito cardiológico, constatamos que 22% da população examinada é hipertensa; 50% têm alta taxa de colesterol ruim (LDL); e a insónia aumentou de 18% para 25% do universo pesquisado de 2017 para 2018”, diz o CEO da clínica – que já realizou cerca de 140 mil check-ups desde o início das atividades.

SEXO MAIS FRÁGIL

Em 1990, quando a empresa começou a operar, apenas 10% do público era do sexo feminino. Hoje representa 40%, em razão da maior inserção da mulher no mercado de trabalho e da adoção de hábitos que até então eram mais característicos do sexo masculino, como fumar e beber.

“Em 1990, de cada nove infartos, um acontecia em mulher. Hoje, a cada três, um é no sexo feminino”, alerta Ururahy, ao lembrar da jornada dupla ou até tripla das mulheres. “Infartos e AVCs já matam duas vezes mais mulheres do que os tipos de câncer que só acometem o sexo feminino.”

Como melhorar esse quadro? Para o especialista, pela educação e pelo comprometimento – a transformação só pode ocorrer se o indivíduo quiser e agir para isso. A começar pela alimentação: maus hábitos alimentares têm contribuído não só para a epidemia de obesidade como também para o aumento dos casos de esteatose hepática (gordura no fígado) não alcoólica.

Um fator que tem contribuído para a melhora do quadro geral é justamente o avanço dos check-ups, que tempos atrás eram considerados um benefício exclusivo, que a empresa dava a poucos executivos, e hoje se transformou numa ferramenta de segurança empresarial.

O processo de contratação de um C-level custa caro para a empresa. Por isso, é melhor contar com seus altos executivos em plena forma desde o início. “O check-up se incorpora cada vez mais ao mundo empresarial”, destaca o médico – que prevê crescimento anual de até 15% nesses procedimentos para os próximos anos. (CV)

TELEMEDICINA

Novo “conjunto de ferramentas” revoluciona o setor e deve movimentar R$ 12,2 bilhões

A telemedicina é um conjunto de ferramentas que permitem maior integração no sistema de saúde, como conectar hospitais, médicos e serviços de saúde. A explicação é do cirurgião cardiovascular Edmo Gabriel, que ensina essa disciplina na Faculdade Unilagos, em São José do Rio Preto (SP). Em abril, ela foi tema do Global Summit Telemedicine & Digital Health, em São Paulo. No evento, chegou-se à conclusão de que a telemedicina é um caminho sem volta e que sua tendência é ganhar adesão de todas as especialidades médicas, com uma taxa de crescimento de 20% ao ano – até 2022, deve movimentar R$ 12,2 bilhões.

No início do ano, o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou uma resolução que detalhava os requisitos para telemedicina e temas relacionados, como teleconsulta, telediagnóstico, telecirurgia, teleconferência, teletriagem médica, telemonitoramento, teleorientação e teleconsultoria. O documento foi motivo de polémica. Diante da repercussão, o CFM suspendeu temporariamente sua validade para analisar os pontos que geraram discussão. A atualização de normas que regulem a telemedicina e o que ela compreende já deveria ter acontecido. As regras em vigor são antigas (de 2002) e genéricas. Muita coisa mudou, como mostra uma pesquisa da Associação Paulista de Medicina (APM) divulgada em abril. Segundo o estudo, 82,5% dos médicos paulistas afirmaram que utilizam tecnologias no dia a dia para assistência aos pacientes, entre elas os aplicativos de mensagens. Quase 85% dos entrevistados defenderam que as informações de saúde dos pacientes estejam disponíveis em nuvem, com proteção dos dados mas com acesso permitido aos médicos. A maioria dos entrevistados também disse acreditar que esse compartilhamento beneficia profissionais, pacientes e o sistema de saúde. Em São Paulo, o Hospital Albert Einstein usa a telemedicina síncrona, que conecta médicos e pacientes em videoconferências. Outros recursos incluem reuniões virtuais, em que médicos discutem casos, e a tele-UTI, em que os especialistas “visitam” os pacientes à distância, acompanhados de um plantonista no local e à beira do leito. Hospitais do Grupo Le-forte, também na capital paulista, usam o recurso no atendimento de emergências em neurologia, como AVCs, crises convulsivas e traumatismos cranianos.

Segundo o médico César Biselli, coordenador de Inovação e Tecnologia do Hospital Sírio-Libanês (SP), a telemedicina representa mudanças “que desafiam os médicos e os conselhos profissionais a se adaptarem de modo a integrar essas soluções em sua rotina, compartilhar decisões com outros profissionais à distância, sem perder a qualidade e a confiabilidade das relações entre profissionais e pacientes”.

O cardiologista Roberto Botelho, membro-fundador da Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde ao lado de nomes como Adib Jatene, Raul Cutait e Gyorgy Bohm (criador da disciplina de informática médica no Brasil), é um dos pioneiros da prática no país. No início das pesquisas, conheceu um especialista da Nasa que queria levar para a prática clínica o que já fazia com astronautas em órbita: monitorar sinais vitais à distância. “Ele transformava um eletrocardiograma em sinal de modem; o exame era transmitido por telefone fixo e depois decodificado na outra ponta”, lembra.

Botelho e sua equipe aprimoraram a tecnologia da Nasa e a aplicaram na América Latina. Com a ajuda de inteligência artificial e da nuvem de dados, eles ajudam centros que não têm cardiologistas (como inúmeras UPAs pelo Brasil) a fazer diagnósticos de infarto nos pacientes que dão entrada com sintomas característicos, como dores no peito. O paciente é imediatamente submetido a um eletrocardiograma; os dados são enviados para uma central remota que, em três minutos, devolve o diagnóstico, indica os procedimentos e faz os encaminhamentos necessários, além de alertar os hospitais especializados envolvidos no programa para a chegada iminente de um infartado. Em quatro anos, o programa atendeu 800 mil pessoas com sintomas suspeitos e diagnosticou 8 mil infartos. “Reduzimos a mortalidade em 50%”, comemora Botelho. Os custos também caíram pela metade – estudos indicam que o Brasil gasta anualmente R$ 22 bilhões com essa doença. “O próximo passo da telemedicina é chegar ao cidadão onde ele estiver, via celular e smartwatches, por exemplo. Basta a regulamentação sair para isso se tornar realidade.” (RD)

DOENÇAS CRÔNICAS

Incidência cresce entre jovens e crianças; recursos tecnológicos permitem diagnóstico precoce

Um fenômeno que vem se tornando preocupante-mente comum é a incidência cada vez maior de doenças crónicas em adultos jovens, crianças e adolescentes. Segundo o cardiologista e clínico geral Marcelo Sampaio, há algumas décadas eram muito raros os casos de infarto em pessoas com menos de 35 anos. A situação mudou. O médico diz que vê pacientes ainda na adolescência, dos 13 aos 17 anos, infartando. Para ele, parte desse problema é resultado de nosso estilo de vida atual, em que as pessoas estão sujeitas aos chamados fatores de risco, como fumo, álcool, uso de drogas, obesidade, sedentarismo e elevados níveis de estresse.

As principais doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) que afetam a população brasileira são as cardiovasculares, como hipertensão arterial, doença arterial coronariana – que pode provocar infarto agudo do miocárdio -, insuficiência cardíaca congestiva, acidente vascular cerebral (AVC), doenças respiratórias crónicas, diabetes e tumores. Estes, em alguns casos, já podem ser considerados crónicos graças aos recursos tecnológicos, que permitem um diagnóstico precoce, e aos novos medicamentos.

A hipertensão arterial é uma doença silenciosa, não apresenta sintomas visíveis. De acordo com Sampaio, um em cada cinco brasileiros é hipertenso. “A pessoa pode passar muitos anos sem saber que sofre de hipertensão arterial, sem fazer exames nem se tratar. Quando descobre, já está com os rins prejudicados – a lesão renal é uma das consequências dos níveis elevados de pressão”, alerta o cardiologista, que é coordenador do pronto atendimento da Beneficência Portuguesa de São Paulo. (RD)

DIABETES

A doença vem crescendo de forma alarmante e já pode ser considerada um problema de saúde pública – afeta de 8% a 9% da população brasileira. As duas formas da doença são o tipo 1 – conhecido com diabetes infanto-juvenil – e o tipo 2, que afeta adultos. Este é provocado em grande parte pela obesidade e sedentarismo, sendo um fator de risco para infarto e AVC. “O diabetes tipo 2 é outra doença silenciosa, porque os níveis elevados de açúcar não provocam nenhum sinal nem sintoma no início, mas ao longo dos anos isso vai afetar diversos órgãos. Às vezes, o primeiro sinal de diabetes pode ser um derrame”, explica Sampaio.

PREVENIR E CONTROLAR

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças crónicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por 71% das mortes no mundo. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, a proporção é ainda maior: 74%. Apesar desses altíssimos índices, a maioria dessas doenças pode ser prevenida ou controlada, o que permite manter boa qualidade de vida.

INFLUÊNCIA GENÉTICA

As doenças crónicas são resultado de uma interação entre a carga genética do indivíduo e fatores ambientais, ou fatores de risco – fumo, alcoolismo, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, estresse. A carga genética pode ser herdada, mas também pode decorrer de mutações ou alterações nos genes. Daí a importância de manter hábitos saudáveis e fazer exames regulares para medir a pressão, o colesterol e a glicose e controlar o peso. “No Brasil é comum a pessoa ir ao médico somente quando sente alguma coisa”, diz Sampaio. “É preciso mudar essa cultura e fazer avaliações regulares para se conhecer por dentro, sentindo-se bem ou não”, diz Sampaio.

COMBATE AO CÂNCER

Biópsia líquida detecta células ou fragmentos de DNA de tumores que circulam no sangue, na urina ou na saliva

Novas técnicas que analisam mutações nos genes dos tumores têm permitido aos médicos obter diagnósticos mais precoces e precisos e, assim, direcionar melhor o tratamento. “Nas últimas décadas, o conceito de medicina personalizada vem ganhando cada vez mais força na oncologia, e os testes moleculares são ferramentas para essa prática”, explica a oncologista clínica Marcela Grosara, coordenadora médica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Alterações ou mutações anormais no DNA de um gene podem levar ao surgimento de um tumor. A análise das células em nível molecular permite identificar a mutação do gene, mapear alterações individuais daquele tipo de câncer e, até mesmo, determinar qual é a medicação mais adequada, o que aumenta as chances de o tratamento ser bem-sucedido, ao mesmo tempo que evita o uso de terapias desnecessárias ou que não seriam benéficas ao paciente, segundo Grosara.

Uma técnica empregada recentemente é a biópsia líquida, que detecta células ou fragmentos de DNA de tumores que circulam no sangue, na urina ou na saliva. Ela tem sido aplicada para rastreamento precoce de câncer, de modo menos invasivo, para estudar as características moleculares do tumor e avaliar a resposta ao tratamento.

No entanto, de acordo com o oncologista Fernando Santini, médico titular do Centro de Oncologia do Sírio-Libanês, o uso da biópsia líquida ainda não é tão amplo porque sua indicação é mais comprovada para tumor de pulmão, tanto para o diagnóstico inicial quanto para a detecção de resistência ao primeiro tratamento.

“Para diagnosticar o tumor de um modo geral, ainda precisamos retirar e analisar uma amostra do tecido desse tumor para saber seu ’nome’ e ’sobrenome’, isto é, se é um adenocarcinoma, um tumor escamoso ou outro tipo”, esclarece Santini, que também é médico titular do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

Ele explica que a biópsia de tecidos também utiliza métodos de análise molecular e, dependendo do tipo de câncer, é realizada por meios relativamente simples. “Para um tumor de pulmão, por exemplo, é feito um procedimento minimamente invasivo, em que se introduz uma agulha que é guiada

pela tomografia para coletar uma amostra do tecido. Da mesma forma isso é feito para o fígado”, diz o oncologista. Caso o material retirado não seja suficiente para fazer a pesquisa molecular, então pode ser usada a biópsia líquida. (RD)

VIDA MAIS SAUDÁVEL

Estudo feito em conjunto pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade de Harvard (EUA), publicado em abril na revista científica Câncer Epidemiology, concluiu que adoção de hábitos de vida saudáveis poderia evitar 63 mil mortes por ano no Brasil devido ao câncer, O trabalho utilizou dados da OMS e de instituições brasileiras de pesquisas. Os resultados mostram que tabagismo, álcool, sedentarismo, obesidade e consumo de alimentos muito industrializados estão relacionados a 20 tipos de câncer. Hábitos saudáveis ajudariam a evitar 114 mil novos casos a cada ano.

DOENÇAS INFECTOCONTAGIOSAS

Democráticas, elas afetam todas as classes socioeconômicas; laboratórios brasileiros usam técnicas de Primeiro Mundo

Ele mede apenas l centímetro de comprimento, tem o corpo facilmente identificado por listras e se tornou o grande vilão dos centros urbanos. É o famosíssimo Aedes aegypti, mosquito transmissor das principais doenças infectocontagiosas que afetam a população brasileira, classificadas como arboviroses -dengue, chikungunya, zika e, mais recentemente, febre amarela, depois que esta deixou de ser uma doença exclusiva das matas e se disseminou por capitais, inclusive na populosa e urbanizada região Sudeste.

Segundo o infectologista Alberto Chebabo, do laboratório Alta Diagnósticos, teoricamente as arboviroses são mais frequentes em áreas de baixa renda, em locais que geralmente favorecem a proliferação do mosquito. “Mas como há cidades em que populações de diferentes classes socioeconômicas vivem muito próximas, no mesmo bairro ou até na mesma rua, a doença afeta todo mundo”, diz. Nessas condições, o mosquito não escolhe suas vítimas para a próxima refeição. As arboviroses se tornaram um problema de saúde pública também em países desenvolvidos da Europa e nos EUA. (RD)

FÍGADO NA MIRA

Hepatite é uma doença que provoca a inflamação do fígado e pode ser causada pelo uso de alguns remédios, por alcoolismo, por outras doenças e também por vírus. As virais são classificadas pelas letras A, B, C, D e E. No Brasil, mais de 70% das mortes por hepatites virais são consequência da C, seguida da B (21,8%) e da A (1,7%). A D é mais frequente na região Norte. Muitos têm o vírus da B ou da C e não sabem. Assim como as arboviroses, elas também não escolhem suas vítimas. Em maio, um campus da UniRio foi interditado após diversos casos de hepatite A. A vigilância sanitária concluiu que as cisternas da universidade foram contaminadas durante os temporais que alagaram o Rio de Janeiro em abril.

PRINCIPAIS SINTOMAS

As arboviroses apresentam sintomas muito parecidos e incluem febre, mal-estar, dor de cabeça, nas articulações, nas costas ou em todo o corpo, manchas vermelhas e erupções na pele, além de náuseas, vómitos, fadiga e fraqueza. O paciente com hepatite pode sentir cansaço, febre, mal-estar, tontura, náuseas, vómitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

DIAGNOSTICO AVANÇADO

Muitos laboratórios clínicos brasileiros já utilizam técnicas avançadas, como os métodos moleculares de diagnóstico, que permitem detectar a doença com mais rapidez e precisão. “Temos na rede privada uma estrutura para diagnóstico ’up to date’ muito semelhante à que se encontra nos países desenvolvidos”, diz Chebabo. Arboviroses e hepatites virais fazem parte da lista de doenças de notificação compulsória do Ministério da Saúde. Sempre que diagnosticarem um caso, médicos e serviços de saúde públicos e privados devem obrigatoriamente informar as autoridades. Os dados são importantes para determinar ações de combate a essas doenças.

DORES CRÓNICAS

Mal afeta mais mulheres que homens; um único remédio rende quase R$ 500 milhões às farmácias

Pesquisa da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED) entrevistou recentemente 990 pessoas, entre homens e mulheres. Do total, 42% das pessoas ouvidas relataram sentir algum tipo de dor, enquanto 37% responderam que vivem com dor há mais de seis meses. Outro dado obtido no levantamento: as mulheres são mais afetadas (56%) do que os homens (44%). As dores mais comuns são as lombares, nas articulações, no rosto, na boca, pescoço e cabeça. Tem crescido também o diagnóstico de fïbromialgia.

Para alívio do incómodo, de forma geral os médicos indicam exercícios físicos, correção postural, reeducação alimentar, vacinação (como contra herpes-zóster) e controle de diabetes e hipertensão.

“A dor constante e persistente pode causar depressão e ansiedade e interferir em quase todas as atividades. Os pa-

cientes podem se tornar inativos, socialmente afastados e preocupados com sua saúde física”, explica o reumatolo-gista Dante Bianchi, do Hospital Copa D’Or, do Rio de Janeiro. A condição pode ainda prejudicar o sono, provocar irritabilidade, perda de interesse sexual, abuso de álcool e drogas e até mesmo levar a pensamentos suicidas.

“Por isso, a intervenção e seu tratamento são fundamentais”, alerta o anestesiologista Fábio Curtis, do Departamento de Anestesiologia e Dor da Faculdade Unilagos de São José do Rio Preto (SP). Ele explica que existem várias causas para a dor crónica, como artrite, lombalgia (costas), cefaleia (cabeça), lesão de um nervo, câncer, refluxo gastro–esofágico, fïbromialgia, endometriose e cirurgia. O importante, segundo os especialistas, é procurar um médico e não aceitar “diagnósticos” ou sugestões de tratamento de parentes ou amigos, tampouco se automedicar. (RD)

FÏBROMIALGIA

Em muitos casos, o médico chega ao diagnóstico de fibromialgia depois de realizar exame físico específico, de laboratório e de imagem e descartar outras doenças com sintomas parecidos. Ela não tem cura, suas causas são desconhecidas e afeta mais as mulheres, principalmente entre 25 e 65 anos. “Como a dor não tem uma origem definida, nem sempre analgésicos e anti-inflamatórios ajudam. Em muitos casos, os medicamentos que surtem algum efeito são os da classe dos antidepressivos, neuromodu-ladores e relaxantes musculares”, diz Bianchi. Há casos em que a dor diminui e quase desaparece, mas depois volta sem motivo aparente. Em maio foi anunciado um novo método para alívio do problema: um aparelho que une laser e ultrassom (foto) desenvolvido pelo Instituto de Física de São Carlos, da USP. Aplicado na mão do paciente por três minutos, diminuiu os sintomas em 90% deles após dez sessões.

NOVOS TRATAMENTOS

A chamada “indústria da dor” movimenta desde terapias alternativas (como homeopatia, florais, acupuntura, hipnoterapia, hidroterapia, ayurveda e medicamentos à base de Cannabis) até o remédio convencional mais consumido pêlos brasileiros – o Dorflex (da Sano-fi), que rende anualmente R$ 470 milhões às farmácias. “Hoje há centros especializados no tratamento da dor crónica, com abordagem multidisciplinar e profissionais habituados a esse tipo de atendimento, como anestesiologistas, neurologistas, reumatologistas, fisiote-rapeutas, psicólogos, psiquiatras e terapeutas ocupacionais”, afirma Fábio Curtis. Uma das novidades é a medicina regenerativa, que usa células-tronco retiradas do próprio paciente.

FONTE: Revista Forbes

FILIS 2019 recebe secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde

16 de Setembro de 2020

A participação de Francisco de Assis Figueiredo, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, na abertura do 4° FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, no dia 30 de agosto, em São Paulo, foi destaque em matéria do site do Jornal Valor Econômico. Presente no evento, a jornalista Beth Koike salientou o discurso do secretário, exaltando a importância da união dos setores público e privado. A matéria, para assinantes e cadastrados, está disponível em: https://mla.bs/871f2829

4º FILIS recebe Shafi Ahmed, premiado cirurgião, para tratar do futuro da saúde

Shafi Ahmed, cirurgião oncológico, professor da Bradford University e da Singularity University e um dos principais influenciadores mundiais em saúde digital e realidade virtual, falará sobre o futuro da saúde e como o setor deve se preparar para mudanças

O Fórum, realizado pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), está sem sua quarta edição e já faz parte da agenda das lideranças da saúde, reunindo, além de CEOs, presidentes e diretores, gestores, especialistas e influenciadores diretos na tomada de decisão.

Neste ano, com o tema “Medicina Diagnóstica: Mais valor para um sistema de saúde em transformação”, o evento trará assuntos que envolvem desde questões regulatórias, passando por inovação, valor da medicina diagnóstica dentro do ciclo de cuidados do paciente, até futuro da saúde, e será encerrado por Shafi Ahmed, professor e premiado cirurgião, que falará sobre o futuro da saúde e como o setor deve se preparar para mudanças.

Em 2014, Shafi usou um Google Glass para filmar em primeira pessoa uma cirurgia. Dois anos mais tarde, fez a primeira transmissão ao vivo, em realidade virtual, de um procedimento cirúrgico, para retirada de câncer de cólon de um paciente e alcançou vários dos maiores reconhecimentos da indústria, incluindo o Future NHS Award e o Webit International Award de Melhor uso de inovação digital em saúde.

Shafi é considerado um futurista que é o decano associado do Bart’s Royal London Hospital, o maior hospital da Europa ocidental e um dos hospitais mais antigos do mundo, fundado em 1123.

4º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde destaca a importância da união do setor Compartilhe

Na abertura, Claudia Cohn e Francisco de Assis Figueiredo abordaram os desafios da medicina diagnóstica

02 de Setembro de 2019

Durante a abertura, Claudia Cohn, presidente do Conselho de Administração da Abramed 2016-2019,destacou a contribuição do evento para a saúde do país. “Hoje, temos aqui pessoas se dedicando a aprender, discutir, trocar experiências, ensinar e sair daqui com as mãos e a mente mais aptas a melhorar a saúde do brasileiro. A saúde não é pública, tampouco é privada. Não é só do médico, do farmacêutico, do biomédico ou de quem trabalha com diagnóstico. Ela é de todos nós. Tudo o que foi programado para o FILIS é para que possamos pensar na saúde mais integrada”, disse.

Francisco de Assis Figueiredo, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, por sua vez, destacou em seu discurso a importância da união dos setores e os desafios da medicina diagnóstica. “Juntos aqui, Abramed, Anvisa, ANS e o SUS, temos a capacidade de entregar uma saúde melhor para os brasileiros”, ressaltou, afirmando que o governo precisa trabalhar em parceria com o segmento privado de medicina diagnóstica para atenção primária e secundária no SUS.

“Se falarmos em escala, a medicina diagnóstica tem, hoje, as maiores expertisespor atendimento. Além disso, se falarmos em evitar desperdícios, vocês também têm experiência”, enalteceu o secretário.

Para a CEO da Abramed, Priscilla Franklim Martins, receber o Ministério da Saúde na abertura do evento reforça a importância que a medicina diagnóstica tem na cadeia produtiva da saúde. “A Abramed tem exercido um papel importante na liderança de discussões com seus associados e com todos os elos desta engrenagem, na busca de soluções para o desenvolvimento sustentável do setor como um todo, não somente na área privada”, diz. “Influenciar a melhoria da saúde no Brasil é o nosso propósito e esse evento tangibiliza o nosso trabalho”, afirma a CEO.

Inovação traz melhorias no serviço oferecido ao paciente | pauta 4º FILIS

Influências e gargalos das novas tecnologias na saúde foram pauta do painel “Impacto das inovações setoriais” no 4º FILIS

2 de Setembro de 2019

A inovação é uma temática imprescindível a um setor como o de saúde, que caminha em busca de melhorias, tanto para garantir a total segurança dos pacientes quanto para prover uma gestão mais eficiente e sua sustentabilidade.

Essas tecnologias já são realidade, como prontuário eletrônico e ultrassom fetal impresso em 3D, bem como instigam cada vez mais a mudança no perfil de atuação dos profissionais. Por isso, elas foram pauta do primeiro painel de discussões do 4º FILIS (Fórum de Lideranças em Saúde), evento promovido pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica).

Roberto Godoy, general manager da Guerbet Brasil, palestrou sobre o tema e destacou que o paciente deve estar no centro das decisões médicas e na sustentabilidade do sistema como um todo. Para ele, é necessário trabalhar o modelo mental das pessoas, a cultura organizacional e o cuidado com o ambiente. Ressaltou ainda a tendência de integração entre exames genéticos, de imagem e tratamento do paciente.

“A medicina de precisão visa tratar a saúde do paciente de maneira exclusiva, levando em conta todo o seu histórico e analisando cada caso individualmente em relação a dados clínicos, genéticos e estilo de vida”, afirmou.

Convidada para fazer parte do time de debatedores, Lídia Abdalla, CEO do Sabin Medicina Diagnóstica, disse que as inovações de impacto são aquelas que conseguem oferecer saúde de qualidade, com acesso, que chegam a todos os lugares, uma vez que o “Brasil tem vários países dentro de um só”. Ela avaliou também que a tecnologia vem trazer melhorias, só que deve contribuir para a eficiência do setor.

“Precisamos ser uma saúde de qualidade não só curativa, mas também preventiva. O paciente está empoderado de informações. Isso se torna um desafio para os centros de diagnóstico. Inovar é incorporar soluções que passem para a medicina personalizada e, ao mesmo tempo, possam trazer redução de custos para a empresa”, explicou.

O debate levantou os desafios da telemedicina no Brasil. Segundo Giovanni Guido Cerri, vice-presidente do Conselho de Administração do Instituto Coalizão Saúde, a modalidade vem sendo usada amplamente há pelo menos 15 anos. “Telemedicina representa acesso, e é isso que a população precisa. Nossa preocupação tem que estar ligada à qualidade, por ser um instrumento útil. Todos que trabalham na área têm o direito de reivindicar um conjunto normativo mais favorável às inovações que estimulem o desenvolvimento seguro e sustentável do setor”, disse Cerri.

Leandro Fonseca, diretor-presidente da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), pontuou como a inovação pode ser uma ferramenta para racionalizar recursos. E ratificou a necessidade de mudanças a fim de termos soluções para uma assistência que hoje é fragmentada. “A ANS tem trabalhado no aprimoramento da sua regulação para que possa diminuir custos de transação. Podemos destacar que hoje os ofícios são eletrônicos, não são mais de papel. E vamos avançar mais ainda nesta ANS digital”, afirmou. “No meu ponto de vista, demos um salto qualitativo muito importante na forma como a ANS analisa as novas tecnologias”, finalizou.

Ainda no âmbito das agências reguladoras, quando questionada sobre como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) lida com a inovação, Mônica Luz de Carvalho Soares, gerente-geral de Conhecimento, Inovação e Pesquisa, falou sobre a criação do LAB-i VISA, espaço colaborativo da Anvisa para criação e compartilhamento de ideias e práticas – a partir dos pilares disseminar, fomentar, conectar e acelerar –, que surgiu de uma iniciativa implantada em 2016, quando a Agência deu início ao projeto-piloto da Fábrica de Ideias, voltado a promover a cultura de inovação no âmbito do setor público. “A Anvisa tem apenas 20 anos, e a criatividade é um desafio que nos persegue, que no serviço público concorre com a rotina”, afirmou. “Mas sabemos que é necessário inovar e que existe a velocidade da informação que as empresas e as indústrias nos cobram diariamente.”

Para Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Albert Einstein, a visão da transformação digital deve ser uma questão muito mais cultural do que tecnológica. “E a vejo sob alguns aspectos, como trazer benefício da informação correta ao paciente, para que ele tenha responsabilidade sobre a própria saúde”, disse. Para ele, regulações são, sim, fundamentais e, no caso da saúde, estabelecem regras importantíssimas para assegurar benefícios aos pacientes e evitar práticas que possam resultar em danos, porém precisam manter-se em sintonia com as transformações do mundo. Como exemplo, ele citou a telemedicina, com seu potencial para vencer barreiras logísticas, ampliando o acesso ao atendimento, agilizando tratamentos e reduzindo custos, transcorrendo bem em países como os Estados Unidos.

4º FILIS recebe Shafi Ahmed, premiado cirurgião, para tratar do futuro da saúde

Shafi Ahmed, cirurgião oncológico, professor da Bradford University e da Singularity University e um dos principais influenciadores mundiais em saúde digital e realidade virtual, falará sobre o futuro da saúde e como o setor deve se preparar para mudanças

02 de Setembro de 2019

O Fórum, realizado pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), está sem sua quarta edição e já faz parte da agenda das lideranças da saúde, reunindo, além de CEOs, presidentes e diretores, gestores, especialistas e influenciadores diretos na tomada de decisão.

Neste ano, com o tema “Medicina Diagnóstica: Mais valor para um sistema de saúde em transformação”, o evento trará assuntos que envolvem desde questões regulatórias, passando por inovação, valor da medicina diagnóstica dentro do ciclo de cuidados do paciente, até futuro da saúde, e será encerrado por Shafi Ahmed, professor e premiado cirurgião, que falará sobre o futuro da saúde e como o setor deve se preparar para mudanças.

Em 2014, Shafi usou um Google Glass para filmar em primeira pessoa uma cirurgia. Dois anos mais tarde, fez a primeira transmissão ao vivo, em realidade virtual, de um procedimento cirúrgico, para retirada de câncer de cólon de um paciente e alcançou vários dos maiores reconhecimentos da indústria, incluindo o Future NHS Award e o Webit International Award de Melhor uso de inovação digital em saúde.

Shafi é considerado um futurista que é o decano associado do Bart’s Royal London Hospital, o maior hospital da Europa ocidental e um dos hospitais mais antigos do mundo, fundado em 1123.

Mayana Zatz recebe Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld

Homenagem é um reconhecimento da Abramed a profissionais que fomentam o desenvolvimento e a melhoria da saúde no Brasil

02 de Setembro de 2019

O Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld é um reconhecimento a profissionais que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira, e acontece durante o FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde. A vencedora de 2019 foi a bióloga molecular e geneticistaMayana Zatz, que recebeu a premiação das mãos de Priscilla Franklim Martins, CEO da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica).

Mayana é docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências de Universidade de São Paulo e exerceu o cargo de Pró-reitora de Pesquisa da universidade de 2005 a 2009. Realiza pesquisas em genética humana, com pioneirismo no campo de doenças neuromusculares. Atualmente, seu laboratório do genoma humano também realiza relevantes pesquisas no campo de células-tronco.

A homenageada foi a fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular e é Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, além de ter publicado centenas de trabalhos científicos e ganhado inúmeros prêmios nacionais e internacionais.

“Quero agradecer à Abramed ao receber esta homenagem. O Dr. Gastão era uma pessoa fantástica e tive o prazer de conhecê-lo. Nós, geneticistas, sempre temos projetos associados à medicina do futuro, sempre com a preocupação de diminuir os custos”, falou Mayana.

“Para a Abramed, é uma imensa honra resgatar a memória do Dr. Gastão com esta singela homenagem e relembrar com carinho características marcantes do nosso amigo e eterno inspirador”, lembrou Priscilla, ressaltando que alguns dos traços de personalidade do Dr. Gastão servem de parâmetro para que a entidade escolha quem vai receber o prêmio. “Este ano, quatro características foram sobressalentes: perseverança, conhecimento técnico-científico, caráter visionário e, exatamente como o Dr. Gastão, fazer história no mercado diagnóstico”, reforçou a CEO da Abramed.

O Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld é uma homenagem a este renomado profissional do setor de medicina diagnóstica, que faleceu em março de 2018, após décadas de empenho em tornar o segmento de diagnóstico mais unido.

Tecnologia de ponta e procedimentos de saúde foram assuntos do 4º FILIS

Shafi Ahmed, um dos principais influenciadores mundiais em saúde digital e realidade virtual, abordou o tema “Transformando a saúde”

02 de Setembro de 2019

O mundo passa pela quarta revolução industrial e vive a “época mais empolgante da biomedicina”. Esse é a ótica de Shafi Ahmed, cirurgião oncológico dos hospitais The Royal London e St. Bartholomew, professor das universidades Bradford e Singularity, e um dos principais influenciadores mundiais em saúde digital e realidade virtual. Sua palestra encerrou o 4º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, evento promovido pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica).

Em 2014, usando o Google Glass, Ahmed removeu um câncer de um paciente sob os olhares de centenas de universitários, em mais de 100 países. À medida que as perguntas surgiam na lente do seu Glass, ele respondia às dúvidas como se as pessoas que o questionavam estivessem ao seu lado. O procedimento transmitido ao vivo, em realidade virtual, tornou-se um novo paradigma de aprendizagem. Além disso, o cirurgião alcançou vários reconhecimentos relevantes da indústria, incluindo o Future NHS Award e o Webit International Award de Melhor Uso de Inovação Digital em Saúde.

No FILIS, ele ressaltou que o dinheiro disponível no mundo é escasso e que é preciso estabelecer metas sustentáveis para os novos desafios tecnológicos. “Precisamos mudar os currículos das universidades e ensinar os médicos a serem empreendedores. As inovações vão ocorrer em um ritmo mais acelerado e os centros de ensino precisam acompanhar. Estamos mais conectados do que nunca”, reforçou.

Para o médico, as altas tecnologias de baixo custo estarão cada vez mais acessíveis. “Sou consultor de cirurgias que ocorrem em diferentes lugares do mundo: Londres, Índia, Estados Unidos. Eu não vou a esses lugares, mas a tecnologia me leva até eles”, afirmou Ahmed, que deve lançar um novo livro em novembro sobre o tema.

Entre os exemplos de lugares que estão passando por transformação tecnológica na área da saúde, ele citou Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. “É um país rico e pequeno, com apenas três milhões de habitantes. Lá existem cerca de 50 hospitais e estão todos conectados por meio de tecnologia de ponta”, afirma, lembrando que o país investiu US$ 5,5 bilhões no sistema de saúde.

Ao final da palestra, o presidente do Conselho de Administração da Abramed 2019-2022, Wilson Shcolnik, encerrou o evento fazendo um balanço do evento e seus principais destaques. E aproveitou para convidar a todos para o 5° FILIS, que tem data marcada para o dia 28 de agosto de 2020.

Medicina diagnóstica é fundamental no ciclo de cuidados

Com a participação de palestrantes internacionais, painel discutiu assuntos relacionados à aplicação da tecnologia na melhoria do atendimento

02 de Setembro de 2019

Debater a relevância da medicina diagnóstica dentro de uma cadeia de saúde complexa foi um dos focos da 4ª edição do FILIS – Fórum de Lideranças da Saúde, evento realizado pela Abramed, no dia 30 de agosto, em São Paulo. Como macrotema, o 4º FILIS trouxe a “Medicina Diagnóstica: mais valor para um sistema de saúde em transformação” e mesclando experiências nacionais e internacionais, o painel “O papel da Medicina Diagnóstica e a sua participação no ciclo de cuidados” discutiu assuntos relacionados à aplicação da tecnologia na melhoria do atendimento – e consequentemente em melhores desfechos clínicos – sem abrir mão da humanização do sistema.

Entre os palestrantes internacionais, Khosrow Shotorbani, CEO Lab 2.0 Strategic Services e presidente do Projeto Santa Fe Foundation, mostrou que exames laboratoriais podem contribuir para a estratificação de riscos em diferentes fases da assistência ou do cuidado em saúde. O Projeto Santa Fé foi lançado com o intuito de discutir novas fronteiras que definirão a avaliação econômica futura e a colocação de serviços de diagnóstico.

Shotorbani demonstrou que exames custam muito pouco em relação ao que podem trazer de benefícios. “A cada US$ 1 dólar gasto na saúde, US$ 0,03 vão para diagnóstico e 70% dessas informações são usadas para as decisões clínicas. Logo, se uma decisão clínica custa três centavos, o custo deveria reduzir em pelo menos 30%”, detalhou.

Para o CEO, é preciso que a medicina diagnóstica “tome o seu lugar à mesa”. “Informamos ao profissional de saúde o que vem pela frente. Fazemos uma estratificação dos riscos e o que vai acontecer. Um laboratório clínico pode fazer muito, desde conectar o paciente ao gestor de saúde, até ajudar a criar um modelo de saúde do futuro. Qual o nosso papel nesses 97 centavos de dólar?”, questionou.

O painel recebeu também John Mattison, CMIO e Strategy Advisor da Kaiser Permanente, principal plano de saúde dos Estados Unidos, que mostrou várias aplicações e novos conhecimentos de genômica que vão modificar a assistência à saúde, destacando diagnóstico, tratamento do câncer e o que acontece na medicina personalizada: “O futuro já está aqui. Treinamos como repensar e atender os pacientes de maneira digital”.

Após as palestras, o debate contou com a presença de Gustavo Fernandes, Oncologista e Vice-presidente de Relações Nacionais e Internacionais da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica; Paulo Chapchap, Diretor-Geral do Hospital Sírio-Libanês; Roberto Santoro, CEO do Hermes Pardini, e Robson Miguel, Diretor de Serviços Profissionais LATAM e Canadá da Abbott Diagnostics. Discutiu-se a importância do cuidado pessoal com educação médica, bem como a necessidade de redução de desperdícios no setor.

Chapchap falou da necessidade de uma equipe de especialistas em diagnóstico dentro de um hospital, ajudando médicos a tomar decisões em situações clínicas distintas. “Se o médico tem mais informações sobre o paciente, ele vai pedir os exames que são realmente necessários. Temos vários gaps(lacunas) de diagnósticos em um hospital. Precisamos da integração entre patologia, radiologia clínica e medicina nuclear com os médicos clínicos”, afirmou, ressaltando que a consciência social do médico é fundamental. “E a consciência de valor para economizar em saúde populacional é fazer mais por aquele indivíduo que está na frente dele. A medicina está cada vez mais personalizada”, frisou.

Gustavo Fernandes lembrou da expectativa dos pacientes no consultório sobre a realização de exames e que o médico precisa de tempo para explicar o que pode ser útil. “Precisamos trazer o médico e o paciente para a prevenção através da educação, para que o especialista compreenda a pertinência daquilo que ele está pedindo”, considerou.

Reafirmando a urgência da necessidade do uso racional de recursos e a integração entre prestadores de serviços e operadoras de plano de saúde no Brasil, Roberto Santoro, CEO do Hermes Pardini, ressaltou que é preciso trazer o desfecho clínico para ma realidade da operadora. “E remunerar o médico a partir disso”, completou.

A ideia foi corroborada por Robson Miguel, da Abbot Diagnostics: “Esse processo de engajamento é onde acreditamos que vamos conseguir extrair melhores resultados”.

Healthtechs brasileiras apresentam soluções tecnológicas para saúde no 4° FILIS

CUCOhealth, GlucoGear e Neoprospecta participaram do painel “Healthtechs: transformando o acesso à saúde”

02 de Setembro de 2019

As healthtechs – empresas com propostas inovadoras e disruptivas na área da saúde – têm mudado, em todo o mundo, a maneira com que muitos pacientes vêm interagindo com os serviços de saúde.

Três startups brasileiras apresentaram suas soluções para o mercado durante o 4º FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde), evento promovido pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), que aconteceu em São Paulo, dia 30 de agosto. Entre os cases apresentados estavam um aplicativo para engajar os pacientes em tratamentos médicos, outro que ajuda a controlar o diabetes e entender melhor como a glicemia se comporta, e o diagnóstico microbiológico digital, que utiliza marcadores genéticos para a identificação de micro-organismos.

A CEO e fundadora da CUCOhealth, Lívia Cunha, foi a primeira a apresentar sua solução. Fundada em 2015, a healthtech trouxe para o mercado um aplicativo gratuito de engajamento de pacientes em tratamentos médicos. Funciona como um enfermeiro digital na vida dos pacientes em tempo integral, oferecendo conteúdo segmentado para educá-los sobre a condição crônica, alertas para lembrança dos compromissos de saúde como medicamentos e medições, além de trabalhar com gamificação para beneficiar os pacientes mais engajados.

Lívia ressaltou que a empresa ajuda os pacientes a aderirem ao tratamento médico, uma vez que a cada 100 diagnósticos, somente 20 voltam na farmácia para comprar remédios. “A não adesão gera mais custos na saúde. Nós trabalhamos com hospitais e temos o paciente no centro do processo”, afirmou. A empresa atende mais de 100 mil pessoas no Brasil e outros países da América Latina, além de Estados Unidos e Alemanha.

Já o fundador e CEO da GlucoGear, Yuri Matsumoto – startup que utiliza inteligência artificial para controle do diabetes – apresentou a estratégia da empresa de oferecer tecnologias preditivas como informações para bomba de insulina. Segundo o empresário, foram desenvolvidos algoritmos para produção de canetas inteligentes de insulina com um ecossistema integrado a outras empresas para garantir um sistema 100% autônomo para as pessoas com diabetes.

Seu primeiro produto é um aplicativo chamado GlucoTrends, que tem como objetivo ajudar pacientes a controlar o diabetes e entender melhor como a glicemia deles se comporta. “Utilizando inteligência artificial, a tecnologia consegue prever a curva glicêmica futura de cada usuário e alertar para possíveis eventos de hipo ou hiperglicemia, bem como recomendar ações preventivas”, disse. “Além disso, oferece um histórico digital de glicemia, medicamentos administrados, calculadora de insulina, tabela de alimentos com contagem nutricional e registro de atividades físicas com estimativa de consumo energético.” O aplicativo traz ainda conteúdo publicado por experts em diabetes para orientar os usuários sobre os desafios do dia a dia, e também uma interação social para que usuários encontrem outros com perfil similar para compartilhar momentos, experiências e suporte emocional.

A Neoprospecta foi a última startup a se apresentar no 4º FILIS. O CEO Luiz Felipe Oliveira iniciou ressaltando que o corpo humano produz milhões de bactérias a partir do intestino e que a solução da empresa é realizar testes para saber se a microbiota do paciente está ligada à situação diagnosticada. Isso acontece através do diagnóstico microbiológico digital, que utiliza marcadores genéticos para a identificação de micro-organismos, utilizando como base as novas tecnologias de sequenciamento de DNA em larga escala. “Trabalhamos a estratégia B2B com principais players do mercado, como Dasa e Albert Einstein”, afirmou Oliveira.

Segundo ele, esse pipeline tecnológico possui duas etapas principais: a laboratorial, que compreende a purificação e extração do DNA, o preparo molecular da amostra e o sequenciamento do DNA; as etapas computacionais, que consistem em análises de bioinformática; e a implementação dos dados na plataforma de visualização.

Após a apresentação das healthtechs, Antônio Vergara, CEO da Roche Diagnóstica Brasil; iniciou o debate ressaltando que a contribuição das startups é bem-vinda, uma vez que traz interação com modelos de negócios inovadores. “Essa cooperação entre healthtechs e grandes empresas é importante, pois o setor de saúde está em constante busca de melhorias, seja para garantir a segurança dos pacientes quanto para prover uma gestão mais eficiente e sustentável”.

Pedro de Godoy Bueno, presidente da Dasa, mencionou que as grandes empresas têm processos mais lentos e atuações em diversas áreas, enquanto as startups conseguem mirar em um problema específico. “Essa cooperação é um caminho sem volta”, afirmou. “Trazer cultura de startup para dentro das empresas é um desafio. Temos várias que funcionam dentro da Dasa, e essa parceria é importante para nós e para elas também, já que é uma possibilidade de escalar. Unir é o caminho”, defendeu.

Para convergir com as grandes e garantir as parcerias, as healthtechs precisam ter, segundo ele, persistência, ciclo comercial largo e defensor interno dentro das grandes empresas. Bueno defendeu também que o capital precisa migrar para onde há mais retorno e lembra que os médicos não estão 100% prontos para o que está vindo.

Durante a discussão, Rodrigo Aguiar, Diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), lembrou que a Agência precisa tratar a inovação dentro da regulação, porém sem inibir os avanços. “Se conseguirmos não atrapalhar, já ajudamos, uma vez que a regulação é muitas vezes a antítese da inovação”, afirmou. Dessa forma, ele considera que é papel também da ANS fomentar o ambiente para novas healthtechs. “Queremos que floresçam a inovação e novas plataformas de cuidado. Temos que evitar as más práticas, sem brecar as novas”, resumiu.

Carlos Marinelli, CEO do Grupo Fleury, reforçou que as soluções oferecidas precisam estar casadas com as intenções do médico. Ele avalia, no entanto, que o momento atual oferece muitos recursos, mas não novas ideias. “Temos o big data, mas não a big idea. Há ideias muito segmentadas, que não são escaláveis”, provocou.

Renato Buselli, head LATAM da Siemens Healthineers, indicou que há verbas disponíveis no fundo de pensão do governo federal e que vivemos um momento de transformação cultural. “Precisamos de novas práticas para construir essa história de transformação”, avaliou. Ele indica, ainda, que as novas empresas devem buscar inovações disruptivas, mas também adaptar soluções que já existem, contribuindo para a evolução do mercado.