Healthtechs brasileiras apresentam soluções tecnológicas para saúde no 4° FILIS

CUCOhealth, GlucoGear e Neoprospecta participaram do painel “Healthtechs: transformando o acesso à saúde”

As healthtechs – empresas com propostas inovadoras e disruptivas na área da saúde – têm mudado, em todo o mundo, a maneira com que muitos pacientes vêm interagindo com os serviços de saúde.

Três startups brasileiras apresentaram suas soluções para o mercado durante o 4º FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde), evento promovido pela Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica), que aconteceu em São Paulo, dia 30 de agosto. Entre os cases apresentados estavam um aplicativo para engajar os pacientes em tratamentos médicos, outro que ajuda a controlar o diabetes e entender melhor como a glicemia se comporta, e o diagnóstico microbiológico digital, que utiliza marcadores genéticos para a identificação de micro-organismos.

A CEO e fundadora da CUCOhealth, Lívia Cunha, foi a primeira a apresentar sua solução. Fundada em 2015, a healthtech trouxe para o mercado um aplicativo gratuito de engajamento de pacientes em tratamentos médicos. Funciona como um enfermeiro digital na vida dos pacientes em tempo integral, oferecendo conteúdo segmentado para educá-los sobre a condição crônica, alertas para lembrança dos compromissos de saúde como medicamentos e medições, além de trabalhar com gamificação para beneficiar os pacientes mais engajados.

Lívia ressaltou que a empresa ajuda os pacientes a aderirem ao tratamento médico, uma vez que a cada 100 diagnósticos, somente 20 voltam na farmácia para comprar remédios. “A não adesão gera mais custos na saúde. Nós trabalhamos com hospitais e temos o paciente no centro do processo”, afirmou. A empresa atende mais de 100 mil pessoas no Brasil e outros países da América Latina, além de Estados Unidos e Alemanha.

Já o fundador e CEO da GlucoGear, Yuri Matsumoto – startup que utiliza inteligência artificial para controle do diabetes – apresentou a estratégia da empresa de oferecer tecnologias preditivas como informações para bomba de insulina. Segundo o empresário, foram desenvolvidos algoritmos para produção de canetas inteligentes de insulina com um ecossistema integrado a outras empresas para garantir um sistema 100% autônomo para as pessoas com diabetes.

Seu primeiro produto é um aplicativo chamado GlucoTrends, que tem como objetivo ajudar pacientes a controlar o diabetes e entender melhor como a glicemia deles se comporta. “Utilizando inteligência artificial, a tecnologia consegue prever a curva glicêmica futura de cada usuário e alertar para possíveis eventos de hipo ou hiperglicemia, bem como recomendar ações preventivas”, disse. “Além disso, oferece um histórico digital de glicemia, medicamentos administrados, calculadora de insulina, tabela de alimentos com contagem nutricional e registro de atividades físicas com estimativa de consumo energético.” O aplicativo traz ainda conteúdo publicado por experts em diabetes para orientar os usuários sobre os desafios do dia a dia, e também uma interação social para que usuários encontrem outros com perfil similar para compartilhar momentos, experiências e suporte emocional.

A Neoprospecta foi a última startup a se apresentar no 4º FILIS. O CEO Luiz Felipe Oliveira iniciou ressaltando que o corpo humano produz milhões de bactérias a partir do intestino e que a solução da empresa é realizar testes para saber se a microbiota do paciente está ligada à situação diagnosticada. Isso acontece através do diagnóstico microbiológico digital, que utiliza marcadores genéticos para a identificação de micro-organismos, utilizando como base as novas tecnologias de sequenciamento de DNA em larga escala. “Trabalhamos a estratégia B2B com principais players do mercado, como Dasa e Albert Einstein”, afirmou Oliveira.

Segundo ele, esse pipeline tecnológico possui duas etapas principais: a laboratorial, que compreende a purificação e extração do DNA, o preparo molecular da amostra e o sequenciamento do DNA; as etapas computacionais, que consistem em análises de bioinformática; e a implementação dos dados na plataforma de visualização.

Após a apresentação das healthtechs, Antônio Vergara, CEO da Roche Diagnóstica Brasil; iniciou o debate ressaltando que a contribuição das startups é bem-vinda, uma vez que traz interação com modelos de negócios inovadores. “Essa cooperação entre healthtechs e grandes empresas é importante, pois o setor de saúde está em constante busca de melhorias, seja para garantir a segurança dos pacientes quanto para prover uma gestão mais eficiente e sustentável”.

Pedro de Godoy Bueno, presidente da Dasa, mencionou que as grandes empresas têm processos mais lentos e atuações em diversas áreas, enquanto as startups conseguem mirar em um problema específico. “Essa cooperação é um caminho sem volta”, afirmou. “Trazer cultura de startup para dentro das empresas é um desafio. Temos várias que funcionam dentro da Dasa, e essa parceria é importante para nós e para elas também, já que é uma possibilidade de escalar. Unir é o caminho”, defendeu.

Para convergir com as grandes e garantir as parcerias, as healthtechs precisam ter, segundo ele, persistência, ciclo comercial largo e defensor interno dentro das grandes empresas. Bueno defendeu também que o capital precisa migrar para onde há mais retorno e lembra que os médicos não estão 100% prontos para o que está vindo.

Durante a discussão, Rodrigo Aguiar, Diretor de Desenvolvimento Setorial da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), lembrou que a Agência precisa tratar a inovação dentro da regulação, porém sem inibir os avanços. “Se conseguirmos não atrapalhar, já ajudamos, uma vez que a regulação é muitas vezes a antítese da inovação”, afirmou. Dessa forma, ele considera que é papel também da ANS fomentar o ambiente para novas healthtechs. “Queremos que floresçam a inovação e novas plataformas de cuidado. Temos que evitar as más práticas, sem brecar as novas”, resumiu.

Carlos Marinelli, CEO do Grupo Fleury, reforçou que as soluções oferecidas precisam estar casadas com as intenções do médico. Ele avalia, no entanto, que o momento atual oferece muitos recursos, mas não novas ideias. “Temos o big data, mas não a big idea. Há ideias muito segmentadas, que não são escaláveis”, provocou.

Renato Buselli, head LATAM da Siemens Healthineers, indicou que há verbas disponíveis no fundo de pensão do governo federal e que vivemos um momento de transformação cultural. “Precisamos de novas práticas para construir essa história de transformação”, avaliou. Ele indica, ainda, que as novas empresas devem buscar inovações disruptivas, mas também adaptar soluções que já existem, contribuindo para a evolução do mercado.

Entidades debatem os rumos do Brasil para 2020

Evento destacou a importância da união e sustentabilidade para o setor de saúde

06 de dezembro de 2019

A Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), em parceria com Abramed, Abiis, Abimed, Abimo, Abraidi, CNSaúde, Instituto Ética Saúde (IES), Fehoesp, Sbac e SBPC/ML, realizou no dia 5 de dezembro, no auditório do Grupo Fleury, em São Paulo, o encontro “Brasil 2020 – Quebrando barreiras e estabelecendo novos paradigmas para o crescimento sustentável”. Wilson Shcolnik e Claudia Cohn, respectivamente, presidente e membro do Conselho de Administração da Abramed, bem como Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva, estiveram presentes. Líderes de todas as entidades realizadoras também participaram do evento.

Na abertura do encontro, o presidente do Grupo Fleury, Carlos Iwata Marinelli, disse que é o momento de todos do setor unirem-se em um compromisso em prol da saúde. “Vivemos um momento de retomada da atenção à saúde primária e de pacientes cada vez mais participativos. Cabe às lideranças buscar conhecimento para conquistar a sustentabilidade e a excelência do setor. Temos que acreditar que em 2020 viveremos momento melhores.”

Fábio Accury, presidente da CBDL, falou que os tempos são difíceis mais que a troca de experiências pode ajudar na busca por soluções para a saúde. “Os desafios são grandes, principalmente no que se refere ao acesso a novas tecnologias e convergências regulatórias, num cenário político e econômico difícil. Precisamos ser otimistas e entender que juntas, as entidades representantes da saúde são mais fortes, até porque sozinho não se chega a lugar algum.”

A primeira palestra do evento foi do economista, empresário do ramo imobiliário e montanhista Juarez Gustavo Pascoal Soares, 24° brasileiro a atingir o cume do Monte Everest, o topo do mundo, em 2019.  Ele falou sobre “Estresse, auto sabotagem, burnout e superação: do Everest para as empresas”, em que faz uso de suas experiências em escaladas para discutir a importância do planejamento e autoconhecimento para definição de estratégias para ajudar pessoas e empresas.

“Minha atuação junto às companhias, entidades e conselhos é marcada pela busca de convergência entre os interesses dos diversos profissionais que os compõem. Meu trabalho é construir pontes, definir propósitos e estratégicas, estabelecer vínculos de confiança e prevenir danos”, explicou, comentando a importância da tomada de decisão. “Num ambiente de extrema pressão e risco, quando se precisa tomar decisões responsáveis, é necessária autoconfiança na dose certa. Em um ambiente corporativo, por exemplo, onde boa parte das decisões têm consequências significativas, em geral, não se pode ter muita tolerância com desempenhos ruins. Confiar na capacidade de tomar boas escolhas passa pelos nossos dilemas éticos, que nos irão proporcionar resultados mais seguros.”

Soares também disse que ser agente de mudanças significa compartilhar aprendizado, experiências e conhecimento. Nesse ponto, as habilidades emocionais podem ajudar em questões cruciais, como decisões sob pressão, estratégia flexível, performance e mudanças. “Contribuir na maneira como um líder enfrenta os desafios relacionados à mudança, sejam elas desejáveis ou inevitáveis, tendo por princípios o resultado, a segurança e a ética, bem como ajudá-lo a conciliar seus objetivos profissionais e seus sonhos pessoais, é pré-requisito para se alcançar o cume, o topo do reconhecimento pessoal ou profissional”, garantiu.  

Também alertou que é preciso estar preparado para o empoderado, porque é a partir dos medos que superamos as dificuldades e alcançamos o sucesso. “A provação que deixo é: como queremos que nossas empresas sejam lembradas depois dessa jornada?”, concluiu Soares. 

A segunda palestra foi do economista sênior do Banco Mundial, Edson Araújo, sobre “Desafios para sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro – perspectivas do BM”. 

Nos últimos 30 anos, o Brasil fez progressos notáveis na construção e expansão do Sistema Único de Saúde (SUS), que contribuiu para melhorar os resultados de saúde da população, a proteção financeira e reduzir as desigualdades na distribuição e acesso dos recursos de saúde em todo o país, exemplificou Araújo. No entanto, ainda existem desafios para consolidar essas conquistas e responder às pressões existentes e crescentes, como o envelhecimento da população e o crescimento de doenças não transmissíveis. 

Outro ponto destacado pelo economista do BM foi sobre a questões do subfinanciamento relativo do SUS. “Existe consenso de que há escopo claro para alcançar melhores resultados com o nível atual de gastos. O Brasil, como a maioria dos países ao redor do mundo, enfrenta desafios relativos à sustentabilidade do sistema tendo em vista que os gastos em saúde frequentemente aumentam a taxas superiores às taxas de crescimento do produto interno bruto (PIB). Mantido o padrão atual de crescimento nominal dos gastos, os custos com o SUS chegarão R$ 700 bilhões em 2030.”

 A melhoria da eficiência poderia resultar em ganhos (nominais) de até R$115 bilhões em 2030 (ou aproximadamente R$ 989 bilhões no período). Conquistas essas que, segundo Araújo, poderiam amenizar os impactos e possibilitar a consolidação do sistema. Na opinião dele, para lidar com a expansão necessária na demanda por serviços de saúde, esperada a partir da transição demográfica, o sistema de saúde do Brasil precisa de reformas estratégicas: consolidação da atenção  hospitalar para maximizar escala, qualidade e eficiência; melhorar o desempenho da força de trabalho em saúde, com expansão da oferta de profissionais e a introdução de incentivos para aumentar a produtividade; e integrar melhor os vários níveis de prestação de serviços, por meio de redes integradas de atenção à saúde, incluindo a saúde suplementar. “A experiência dos países que consolidaram seus sistemas de saúde, com reformas periódicas, mostra que a consolidação do SUS depende da capacidade de adotar medidas avançadas para sua modernização”, justificou. 

Na visão de Araújo, para se alcançar mais qualidade, com melhor experiência ao paciente e mais eficiência, com foco nos resultados e melhorar o acesso e a proteção financeira, é preciso fazer reformas de gestão do sistema, de demanda, da oferta e do financiamento. “O sistema de saúde como um todo exigirá um redesenho dos modelos de prestação, gestão e financiamento dos serviços do SUS, assim como melhorar a coordenação com o setor privado, expandir a cobertura e os recursos para a atenção primária em 100% e racionalizar a oferta de serviços ambulatoriais e hospitalares”, finalizou.

Abramed participa de debate sobre certificação digital

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, esteve no eSaúde & PEP 2019, em 2 de dezembro 

05 de dezembro de 2019

A Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (Sbis) promoveu o Congresso eSaúde & PEP 2019, entre os dias 2 e 4 de dezembro, em São Paulo, para debater os aspectos práticos de temas como certificação digital, papel dos profissionais da área da saúde na era de transformação digital e diversos aspectos para garantir a segurança dos dados de pacientes com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), por meio de discussões com a participação do púbico, além de encontros voltados a médicos, enfermeiros e farmacêuticos envolvidos com saúde digital.

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, participou do painel “Certificação digital – desafios e alternativas para implantação em laboratórios”, que discutiu as formas de autenticação e assinatura bem como as legislações sobre digitalização dos documentos na saúde. 

Ele comentou que a assinatura com certificação digital nos laudos laboratoriais exigida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio da resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 30/2015, foi o que assustou o segmento, pelo fato de a maioria dos laboratórios brasileiros serem de pequeno e médio portes. “O impacto do custo seria grande, e essa exigência seria insuportável economicamente. Mas numa ação conjunta do setor conseguimos que o órgão regulador revogasse essa RDC em 2017.”

Shcolnik informou que fraudes não têm sido registradas em virtude da utilização de sistemas que asseguram a autenticidade da certificação digital. Porém, o que está preocupando o setor é a questão da interoperabilidade dos sistemas de modo a garantir que, apesar de suas particularidades, interajam para trocar informações de maneira eficaz e eficiente. “O que vejo é que há uma grande expectativa de que garantir o compartilhamento dos dados entre prestadores de serviços, operadoras e instituições será benéfico aos pacientes e a toda cadeia da saúde, uma vez que evitaria o desperdício de recursos, o que impacta diretamente os custos operacionais no setor..” 

Mas ressalta que, para isso, será necessário que todos do sistema de saúde tornem seus processos mais ágeis e eficientes, usando de soluções que possibilitam uma atuação integrada. “Ainda que a interoperabilidade garanta que mais seja feito com investimentos menores, ainda está longe de ser unanimidade no mercado”, afirmou Shcolnik.

Na visão de Marcelo Botelho, da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (Sbac), para a interoperabilidade sair do discurso e ir para a prática é preciso que hospitais, laboratórios, clínicas, operadoras e demais agentes de saúde incorporem protocolos e padrões a fim de que todos os sistemas se conversem automaticamente. “Se não houver interoperabilidade, é preciso copiar os dados manualmente, de um sistema a outro, e o padrão é complexo. Pergunto sempre se há interesse que tudo isso e a certificação digital de fato funcionem”, questionou. 

Contundente na questão do compartilhamento de informações, Botelho ainda afirmou que não há dúvidas de que ele trará mais agilidade e qualidade para a saúde brasileira. No entanto, os desafios para que isso se torne algo real são grandes e envolvem questões tecnológicas, legais, econômicas e administrativas. “Para deixar de ser algo incipiente, é necessária uma mudança gradual envolvendo governo, instituições de saúde e empresas”, afirmou. 

Para Carlos Eduardo Ferreira, presidente da SBPC/ML na gestão 2020-2021, o desafio da certificação digital está na garantia da qualidade dos serviços prestados e na questão da interoperabilidade para que de fato seja implementado o prontuário eletrônico do paciente (PEP) em todo o sistema de saúde. “Um dos maiores desafios da transformação digital no Brasil, em todas as instâncias governamentais (federal, estadual e municipal), pode, a partir dos prontuários eletrônicos, ser resolvido com o emprego gradativo, em toda a rede pública, da tecnologia de certificação digital.” 

Já testada em hospitais privados e em alguns públicos, a tecnologia dos prontuários a partir da certificação digital, segundo Ferreira, amplia a percepção de eficiência por parte dos pacientes e profissionais. “Quando pensamos no envelhecimento da população e no natural crescimento demográfico, dar maior celeridade e eficiência às formas de atendimento é sem dúvida uma medida de extrema relevância”, destacou.

O cenário de aumento do custo assistencial, envelhecimento populacional, fragmentação dos serviços de atendimento e ampla difusão de tecnologias de informação, bem como a integração das informações de saúde entre toda a linha de cuidado, para Ruy Ramos, assessor técnico do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), pode propiciar maior valor a todos da cadeia de saúde. Mas, para isso, é preciso reorganizar a área de tecnologias de informação em saúde (TIS). “Reconhecendo a obsolescência das tecnologias empregadas atualmente e os problemas decorrentes do modelo vigente de produção de informações, as instituições precisam buscar modelos, experiências, padrões tecnológicos e de informação que possam ajudar na reformulação da área da saúde e garantir a interoperabilidade no sistema.”

Wilson Shcolnik encerrou o painel afirmando que é preciso surgir uma liderança para tomar a frente das discussões sobre o compartilhamento de informações na saúde e na implantação do prontuário eletrônico. “Na esfera pública, o governo já gastou muito do nosso dinheiro com o PEP. Acredito que na área privada precisa surgir uma liderança para integrar os sistemas, porque se depender unicamente do prestador de serviço não haverá compartilhamento.”

Abramed apoia diagnóstico preciso e de qualidade para geração de valor aos pacientes

ema foi debatido por Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, em talk show realizado no Congresso Nacional de Hospitais Privados

29 de novembro de 2019

Com uma programação voltada para o conhecimento, inovação e relacionamento, a sétima edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), realizado pela Anahp, entre 26 e 28 de novembro, em São Paulo, trouxe o tema “Saúde Baseada na Entrega de Valor: o papel do hospital como integrador do sistema”, que foi debatido a partir das perspectivas de experiência do paciente, modelos assistenciais, informação e tecnologia.

Representando a Abramed, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração, participou do talk show “Experiência do paciente: muito além do cuidado humanizado e da hotelaria, as diferentes dimensões de atuação para a geração de valor aos pacientes”, no dia 28, e defendeu o diagnóstico preciso e de qualidade para tornar a experiência do paciente mais positiva. “Temos que ter a responsabilidade e a consciência para saber que o diagnóstico interfere no cuidado. E quando o paciente está no hospital ou no ambulatório, todos os pontos de contato são diferentes, por isso precisamos pensar efetivamente de forma multidisciplinar. Levar em consideração a expectativa de quem está sendo cuidado é fator fundamental.”

Marcelo Alvarenga, chief experience office do Hospital Sírio-Libanês e coordenador do painel, provocou os participantes comentando que “o ponto de vista individual do paciente sobre o cuidado está relacionado à expectativa de cada um”. 

Para Lucas Andrade, CEO da Clínica Florence, ao longo de uma jornada de assistência, o paciente pode ter expectativas diferentes, mas existe um elemento que não pode deixar de estar no centro do cuidado. “Não existe experiência positiva se não oferecermos segurança”, ressaltou, lembrando que quando se trata de pacientes no fim da vida o cuidado tem de ser maior. “É preciso olhar esse processo como nossa razão de existir para entendermos que seu sofrimento é intenso e nos colocarmos no lugar de quem está precisando de assistência.”

Outro ponto abordado no debate foi o engajamento da equipe e a importância do treinamento para as lideranças, o que impacta diretamente na experiência de quem é atendido por esses profissionais. Para Vania Rohsig, superintendente assistencial do Hospital Moinhos de Vento, “o colaborador é parte importante da entrega do cuidado e é preciso que haja desenvolvimento das lideranças para esse olhar.  Avançar na satisfação do paciente é evoluir no modelo assistencial. Temos um caminho grande para o desenvolvimento dos líderes para prepará-los para essa entrega de cuidado e esse novo cenário da assistência.”

Florentino Cardoso, diretor-executivo médico do Hospital Care, ressaltou que é preciso debater a educação em saúde. “Há muitos anos defendo não falar apenas de diagnóstico e tratamento. Temos de instruir a população sobre direitos e deveres”. Para ele, o profissional que está na ponta, no atendimento, deve sempre perguntar ao paciente se há dúvidas em relação ao seu cuidado. “É necessário ouvir muito, praticar empatia e buscar a qualidade da assistência.”

Alvarenga comentou ainda a importância de se olhar para o colaborador e dar condições para que ele atue da melhor forma no atendimento ao paciente. “Autocuidado é algo que devemos dar aos nossos colaboradores para que eles possam desenvolver ferramentas de empatia, por exemplo.”

A mudança no comportamento do paciente, na visão de Andrade, também deve ser levada em conta. “Ele não aceita mais o cuidado paternalista, que dita o que fazer. O paciente hoje quer ser ouvido, ter uma participação mais ativa no tratamento.”

Para isso, na opinião de Claudia, é necessária uma nova cultura. “A propaganda induziu o paciente a crer que valor em saúde é contar com alta tecnologia, equipamentos de alto custo. Investir na mudança de hábito desse paciente é uma forma de mudar a visão dele”, disse. E para que ele seja mais saudável, o estímulo à prevenção, fazer exames e tratar as doenças antes que elas se agravem são fundamentais. “O desafio de todos do setor de saúde é a geração de valor para a população, medindo de forma eficiente os desfechos clínicos”, finalizou.

Abramed participa do lançamento dos Resultados Laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde-2013,

26 de novembro de 2019

Nosso presidente do Conselho de Administração, Wilson Shcolnik, participou hoje do lançamento dos Resultados Laboratoriais da Pesquisa Nacional de Saúde-2013, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Ministério da Saúde, no Salão Internacional da Escola Nacional de Saúde Pública, no campus Manguinhos/Fiocruz.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) é o mais amplo inquérito em saúde no Brasil realizada pelo IBGE em parceria com o MS e em colaboração com instituições de ensino e pesquisa. Além de ser um estudo abrangente em relação à população estudada e aos temas abordados, a PNS é inovadora na incorporação da coleta de material biológico (sangue e urina) em uma subamostra, contemplando aproximadamente 9 mil adultos nas cinco grandes regiões do país.

O evento incluiu o lançamento de suplemento temático da Revista Brasileira de Epidemiologia, que contém artigos baseados em resultados inéditos dos exames laboratoriais da PNS, representando seu potencial de produção de conhecimentos sobre características e condições de saúde da população brasileira e de aprimoramento da vigilância das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e dengue no país. Os laboratórios associados da Abramed participaram do estudo auxiliando na coleta e realização de exames.

Os autores dos artigos do suplemento promoveram um debate sobre os resultados encontrados. À tarde, pesquisadores convidados apresentaram trabalhos com proposições de inovações metodológicas em inquéritos de saúde.

O laboratório da PNS constitui um marco para a saúde pública brasileira e fez uma homenagem a Luiz Gastão Mange Rosenfeld, consultor da Câmara Técnica de Análises Clínicas e outros grupos de trabalho da Abramed, falecido em 2018, pelo seu valoroso trabalho e sua luta incansável para a coleta dos dados do laboratório.

Abramed recebe Sindhosp para debate sobre desafios e oportunidades do sindicalismo

Em encontro realizado com os associados, vice-presidente do sindicato falou sobre as mudanças trazidas pela reforma trabalhista ao sistema sindical

20 de novembro de 2019

A reforma trabalhista aprovada em 2017 modificou as obrigações das empresas em relação aos sindicatos. Em função disso, cada empresa tem definidas políticas diferentes de relacionamento com essas entidades. Por esse motivo, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) recebeu, no dia 19 de novembro, em sua sede, Luiz Fernando Ferrari Neto, vice-presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (Sindhosp) para falar sobre o trabalho que vem realizando e os benefícios que uma empresa obtém quando se relaciona com um sindicato da categoria.

Ferrari informou que o Sindhosp está buscando ouvir as necessidades dos segmentos da saúde para atender aos anseios do setor. “Somos a entidade sindical mais estruturada da saúde no Brasil, por isso nos coube o papel de nos reinventarmos após a reforma trabalhista, que acabou com as contribuições sindicais. Nossa proposta é ofertar mais serviços para juntos podermos enfrentar os problemas, buscar as soluções e dialogar com o setor.”

A entidade tem sete regionais no interior do estado e com outros cinco sindicatos compõe a Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estados de São Paulo (Fehoesp), que possui assento na Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) para debater assuntos importantes do setor na esfera federal e com as agências nacionais de Saúde Suplementar (ANS) e de Vigilância Sanitária (Anvisa). O sindicato oferece assessoria jurídica e contábil; comitês; comissões de Recursos Humanos, de clínicas, de segurança e saúde ocupacional; além de cursos e treinamentos para aperfeiçoamento e qualificação profissional, visando ao fortalecimento do setor. “Com a reforma, o que prevalece é o negociado sobre o legislado. Por isso, precisamos de segurança nas negociações com mais de 50 categorias profissionais para que tenhamos força no processo negocial, que está cada vez mais difícil. Não podemos enfraquecer”, destacou Ferrari.

Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, comentou que o segmento de medicina diagnóstica tem dificuldades específicas, bem como que o período é de transição e de tomada de decisões. “É necessário clareza nas ações e pontuarmos nossas necessidades ao sindicato. Precisamos de soluções e para isso temos de decidir se queremos um setor forte ou enfraquecido.”

A questão da perda do poder de negociação com os sindicatos de empregados também foi lembrada no encontro. Associados disseram que, como essas entidades estão enfraquecidas, não há apoio nem força para que o negociado sobre o legislado seja satisfatório ao setor. A sugestão de Shcolnik foi que se promovam encontros com os sindicatos das categorias ao longo do ano, e não somente na data-base da negociação coletiva. “Podemos nos aproximar deles mostrando quão difícil está o cenário, contextualizá-los das dificuldades do segmento para termos um bom diálogo no processo negocial. Nesse ponto o Sindhosp pode nos ajudar. Precisamos ser mais unidos.”

Ferrari concluiu dizendo que é preciso também melhorar a troca de informação na saúde suplementar para que a interação entre os atores do setor de saúde seja maior. “Com vontade política é possível fazer acontecer. Estamos no mesmo barco, por isso é importante estarmos coesos num sindicato forte.”

Em summit sobre ética, Abramed defende educação médica e papel das associações no fomento a políticas de integridade

Wilson Shcolnik e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração da Abramed, participaram do encontro realizado dia 7 de novembro

08 de novembro de 2019

Incorporar a ética como uma ação rotineira em todos os elos da complexa cadeia de saúde foi um dos pontos defendidos pela Abramed durante participação no Ética Saúde Summit 2019, evento organizado dia 7 de novembro pelo Instituto Ética Saúde para promover reflexões sobre a sustentabilidade do setor. Representando a Associação, Wilson Shcolnik e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração, reforçaram a importância de investir na educação médica para banir, desde a formação, práticas ilegais e em como as entidades podem contribuir para disseminar a cultura da transparência.

Participando da mesa-redonda “Os desafios das Sociedades Médicas e Operadoras de Planos de Saúde; Sensibilidade, Modelos Comportamentais e Dilemas Éticos do Profissional de Saúde”, Shcolnik, que também preside a SBPC/ML (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial), foi incisivo ao mencionar a relevância da ética médica. 

Para o executivo, é fundamental investir na educação dos profissionais. “Os médicos precisam conhecer as questões éticas que envolvem a cadeia, entendendo o custo dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos que prescrevem. Hoje, infelizmente, isso ainda não é uma realidade”, pontuou.

Para Fernando Costa, que é diretor de promoção de saúde cardiovascular da SBC/Funcor (Fundo de Aperfeiçoamento e Pesquisa em Cardiologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia) e estava presente no debate, é preciso integrar ética e compliance no currículo das universidades. “Essas deveriam ser matérias obrigatórias em todos os cursos, inclusive em mestrados e doutorados. Quem não pauta a vida inteira em comportamentos éticos está mais propenso a escapar”, declarou.

Corroborando com essa necessidade latente de rever as salas de aula, Myiuki Goto, membro da Comissão de Defesa Profissional da AMB (Associação Médica Brasileira), trouxe dados importantes. Segundo a especialista, nas últimas duas décadas o número de faculdades de medicina no país dobrou. “Em nosso cenário, o aluno já sai da faculdade de medicina com um passivo de financiamento em torno de R$ 700 mil, ou seja, ele já se forma devendo”, mencionou fazendo uma indicação de que a realidade do jovem profissional no país já o encaminha a um teste sobre suas atitudes. 

Além de Shcolnik e dos representantes da AMB e da SBC/Funcor, também participaram da mesa-redonda Simone Parré, da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde); José Rodrigues Laureano Filho, da CBCTBMF (Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial); Diego Falcochio, da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia); e Anderson Mendes, da Unidas Autogestão em Saúde. 

Papel das Associações – Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, esteve presente no summit e reforçou o papel das entidades na construção de uma cultura que preza pela transparência. 

Participando da mesa-redonda “Fornecedores de Produtos e Serviços de Saúde; Inovação, Incorporação Tecnológica, Sustentabilidade Sistêmica, Valor ao Paciente e Dilemas Éticos da Atividade Econômica”, Claudia, que também atua como diretora-executiva do Alta Excelência Diagnóstica, afirmou que a ética é a melhor ferramenta para a garantia da sustentabilidade do sistema de saúde.

“A ética está em nosso dia a dia”, disse. Reforçando que desenvolver o assunto de forma unificada é fundamental, pontuou que é preciso dar o exemplo. “Nas empresas e associações, os líderes devem comprar essa causa para, então, apoiar as iniciativas. Somente assim será possível contaminar até as pequenas atitudes rotineiras com a vestimenta da transparência”, completou a executiva.

Falando sobre o papel das associações neste cenário que carece de atitudes mais corretas e justas, Claudia reforçou que é preciso apoiar todo o complexo, dando atenção especial às pequenas empresas que muitas vezes não têm estrutura para investir em comitês e grupos de compliance. 

“Nós, na Abramed, temos como responsabilidade fomentar essa cultura de ética nas empresas. Para isso, é benéfico trabalhar atitudes mais lúdicas, com menos ‘juridiquês’, para torna-las práticas do dia a dia”, disse sobre como tangibilizar as ações pode aproximar os atores dessa nova cultura. A Abramed disponibiliza, aos seus associados, uma cartilha de compliance (clique AQUI para baixar) e conta com um grupo de trabalho dedicado à debater o assunto. Além disso, publica mensalmente na Abramed em Foco uma matéria sobre o tema.

Ao lado de Claudia no debate estavam Fabrizio Signorin, da Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde); Patricia Braile, da ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios); Sergio Rocha, da Abraidi (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde); Eduardo Amaro, da Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados); Yussif Ali Mere Júnior, da Fehoesp (Federação dos Hospitais, Clínicas, Casas de Saúde, Laboratórios de Pesquisas e Análises Clínicas e Demais Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado de São Paulo); e Marcos Moreto, do Ibross (Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde).

Wilson Shcolnik fala sobre os desafios da medicina diagnóstica para a sustentabilidade do sistema de saúde privada

Apresentação ocorreu durante primeiro dia do 22º Congresso Internacional Unidas, em Atibaia (SP)

25 de Outubro de 2019

A sustentabilidade do sistema de saúde privada no Brasil foi o tema do primeiro painel do 22º Congresso Internacional Unidas (União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde) – A Importância das Autogestões na Transformação do Setor de Saúde do Brasil, evento que ocorreu em 24 de outubro, no Hotel Bourbon, Atibaia (SP), e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da Abramed, Wilson Shcolnik. Em sua apresentação ele falou sobre os desafios no contexto da medicina diagnóstica, que estão relacionados à incorporação do que tem valor no sistema; ao monitoramento do desempenho das empresas; à contenção de desperdícios; à saúde digital; às novas formas de remuneração; e as questões éticas. 

“Os impactos na subutilização são enormes, mas o compartilhamento de informações no sistema fragmentado que temos hoje precisa ser superado, e isso só acontecerá com a interoperabilidade”, disse Shcolnik. O presidente falou também sobre os modelos de remuneração diferentes do fee for service – cujo pagamento é feito por procedimento – e sobre a medicina especializada: “A medicina personalizada é a realidade, e precisamos lidar com essa integração de dados para oferecer uma racionalidade no cuidado médico focado em cada pessoa”. 

Em seguida foi a vez do presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS), Leandro Fonseca da Silva, falar sobre a sustentabilidade do mercado de saúde suplementar. “O mercado cresceu 50% desde o início da regulação, ou marco regulatório. Nesse mesmo período, a população brasileira cresceu 20%. Ou seja, tivemos uma inclusão real no sistema de saúde suplementar”, acrescentou. 

Ele também comentou sobre a necessidade de integração entre o setor público e o privado. “Claro que o modelo que nos trouxe até aqui não é o mesmo que vai nos levar para o futuro, porque estamos tendo uma grande evolução tecnológica. Temos que pensar como um sistema único, sobretudo como integrar esses sistemas para que a população tenha uma saúde melhor.”

“Não temos um cuidado com o resultado. A saúde hoje está fragmentada, e isso é reforçado pelo fee for service. A ANS quer que a operadora faça gestão de saúde populacional”, completa Leandro Fonseca. 

Para finalizar, Bruno Toldo, médico e diretor médico da unidade Vergueiro do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, também abordou os desafios para a sustentabilidade do sistema de saúde privado no Brasil, o cenário da saúde suplementar e os altos custos do sistema. 

O presidente da Unidas, Anderson Mandes, conta que essa edição do evento teve o maior número de filiadas e participantes de todos os congressos da entidade, bem como falou sobre o futuro: “Revimos as crenças e os valores que permeiam a nossa instituição e construímos um planejamento estratégico que vai criar uma entidade mais forte. Compartilhamento e colaboração farão parte da Unidas do futuro”, finaliza.

Mayana Zatz recebe Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld

Homenagem é um reconhecimento da Abramed a profissionais que fomentam o desenvolvimento e a melhoria da saúde no Brasil

O Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld é um reconhecimento a profissionais que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira, e acontece durante o FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde. A vencedora de 2019 foi a bióloga molecular e geneticistaMayana Zatz, que recebeu a premiação das mãos de Priscilla Franklim Martins, CEO da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica).

Mayana é docente do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências de Universidade de São Paulo e exerceu o cargo de Pró-reitora de Pesquisa da universidade de 2005 a 2009. Realiza pesquisas em genética humana, com pioneirismo no campo de doenças neuromusculares. Atualmente, seu laboratório do genoma humano também realiza relevantes pesquisas no campo de células-tronco.

A homenageada foi a fundadora da Associação Brasileira de Distrofia Muscular e é Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, além de ter publicado centenas de trabalhos científicos e ganhado inúmeros prêmios nacionais e internacionais.

“Quero agradecer à Abramed ao receber esta homenagem. O Dr. Gastão era uma pessoa fantástica e tive o prazer de conhecê-lo. Nós, geneticistas, sempre temos projetos associados à medicina do futuro, sempre com a preocupação de diminuir os custos”, falou Mayana.

“Para a Abramed, é uma imensa honra resgatar a memória do Dr. Gastão com esta singela homenagem e relembrar com carinho características marcantes do nosso amigo e eterno inspirador”, lembrou Priscilla, ressaltando que alguns dos traços de personalidade do Dr. Gastão servem de parâmetro para que a entidade escolha quem vai receber o prêmio. “Este ano, quatro características foram sobressalentes: perseverança, conhecimento técnico-científico, caráter visionário e, exatamente como o Dr. Gastão, fazer história no mercado diagnóstico”, reforçou a CEO da Abramed.

O Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld é uma homenagem a este renomado profissional do setor de medicina diagnóstica, que faleceu em março de 2018, após décadas de empenho em tornar o segmento de diagnóstico mais unido.

Primeiro Congresso Nacional de Executivos da Saúde discutiu transformação do sistema de saúde

Evento tratou de como o trabalho colaborativo entre players pode evitar colapso no sistema de saúde

16 de outubro de 2019

“O novo executivo da saúde: lideranças para evitar o colapso” foi tema de debate do Congresso Nacional de Executivos da Saúde (CONEXs). O evento, realizado pelo Colégio Brasileiro de Executivos da Saúde (CBEXs) no dia 15 de outubro, em São Paulo, contou com a presença do presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik; de membros do Conselho, Lídia Abdlala e Claudia Cohn; e da diretora executiva da entidade, Priscilla Franklim Martins.

“Temos aqui mais uma oportunidade de unir integrantes de toda a cadeia da saúde, em prol da discussão de soluções possíveis que possam transformar nosso sistema de saúde e a Abramed não poderia deixar de participar deste momento”, salientou Shcolnik durante o evento.

O aumento das despesas com tratamentos de saúde, os modelos de remuneração, o uso da tecnologia e as divergências, os prós e os contras do Sistema Único de Saúde (SUS) e do setor privado foram alguns dos temas abordados no debate “Colapso, fato ou narrativa”, que teve a participação de Claudia Cohn na discussão. Para ela, que também é conselheira do CBEXs, a forma mais adequada de evitar o colapso e transformar essa narrativa também é “partir para a prática”. “Existem prioridades, e colaboração é o primeiro ponto. Precisamos deixar de olhar cada um para o seu umbigo. O setor caminhou nesse sentido, mas está longe do que precisa”, completando que, além da colaboração, é preciso que haja integração. “A jornada do paciente não é a hora em que ele está no hospital ou no laboratório. É quando ele acorda”, destacando a importância de modelos e processos que tratem de prevenção. “Temos que cuidar da saúde, e não da doença”, explicou.

Junto a ela nesta discussão estiveram o CEO da Amil, Daniel Coudry, o diretor-presidente da Central Nacional da Unimed, Alexandre Ruschi e a professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Lígia Bahia.

Para Coudry, a área da saúde vive um momento de completa reinvenção, focado em empoderamento de pacientes, direitos e deveres. “Olham muito para os direitos e pouco para os deveres. O avanço concreto depende do alinhamento entre os players. É preciso olhar para o coletivo; o direito coletivo tem que prevalecer sobre o individual. Precisamos de um desenvolvimento colaborativo”, defendeu. 

Alinhado a esse discurso, Alexandre Ruschi, afirmou que a evolução da saúde privada precisa sair do campo teórico para o prático. “Não há dúvidas do grande avanço que foi o SUS, mas a sociedade brasileira não soube cobrar e orientar o sistema público de saúde”, lamentando o contingenciamento de recursos públicos que a saúde sofreu nos últimos anos. Crítica do atual modelo assistencial, Lígia Bahia exigiu mais transparência em termos de atuação e em relação a projetos de lei sobre o tema que tramitam no Congresso de maneira secreta. Ela lembrou ainda que há casos de gestão eficiente e ineficiente tanto no SUS quanto nas instituições privadas. “Nós queremos que esse momento seja olhado com responsabilidade. Não adianta dizer que o médico é o corrupto. Existem outras soluções mais inteligentes do que acusar os médicos de conluios”, concluiu.

AUTORIDADES ESTIVERAM PRESENTES NA ABERTURA 

A abertura do Conexs recebeu autoridades da esfera governamental e regulatória. Entre os temas citados na cerimônia e de forma geral abordados ao longo do dia estiveram os desafios para com o envelhecimento da população, financiamento, modelo de gestão e legislação do segmento, além da formação de profissionais da área e da inteligência artificial, com tecnologias para teleatendimento e medicina remota.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Leandro Fonseca, destacou a importância de iniciativas que incentivem a troca de ideias em um dos setores mais pujantes da economia. “Somos responsáveis por 9% do PIB e empregamos mais que a construção. A ANS está com a agenda e o diálogo abertos sobre proteção regulatória. Estamos dispostos a ouvir críticas, sugestões e participar do debate. Todo líder deve estar aberto a isso”, pontuou.

“Temos projetos de inteligência artificial pensando em mudar a realidade deste país, mas esse é um desafio de todos nós”, afirmou o secretário de Assistência Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Francisco de Assis Figueiredo, que destacou avanços no aumento de vagas de emergência e na redução de custos dos hospitais que adotaram a metodologia lean de gestão. “Já são 60 hospitais e estamos indo para cem nos próximos meses”, contabilizou. 

Em nível estadual, o secretário de Saúde de São Paulo, José Henrique Germann, destacou mazelas e êxitos da saúde paulista, como o número dos casos de dengue e sarampo entre os problemas e os avanços conquistados no diagnóstico de melanomas por meio do projeto de teledermato desenvolvido em Catanduva, no interior do estado. Germann criticou ainda a divisão de despesas entre as três esferas públicas. “Há distorção, porque o município traz sob sua responsabilidade 30% dos gastos com saúde. A discussão da divisão de gestão municipal, estadual e federal pode trazer evolução para área da saúde”, disse. 

Para ajudar na solução desse e de outros impasses, o deputado federal Pedro Westiphalem (PP-RS), destacou a importância das reformas políticas. “Temos obrigação de superar as ideologias e usar a razão, cumprir a agenda e a pauta econômica. A reforma tributária nos atinge diretamente. É importante que as reformas sejam feitas”, lembrou o deputado, que é ginecologista e cirurgião vascular e representou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM- RJ).

O Conexs contou ainda com as apresentações de nomes interacionais, como do global chairman da KPMG International, Mark Britnell e do presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço.

“Um desafio que enfrentamos diariamente em nosso setor é a oportunidade de diálogo entre todos os players, e um evento como esse, que coloca todo mundo para falar, torna-se um ambiente de fomento à saúde, aos debates e que reúne, oportunamente, os líderes de agora e do futuro”, reforça Priscilla, diretora executiva da Abramed. 

De acordo com o presidente do CBEXs, Francisco Balestrin, o congresso integrou pessoas que compartilham o mesmo propósito, de servir e liderar mudanças em prol de uma saúde melhor. “São homens e mulheres com larga força de serviços prestados ao setor público e empresarial no mundo e no Brasil”.