A Pandemia e os aprendizados da telemedicina são tema de Painel no 5°FILIS

Regulamentação, formação dos médicos, exemplos reais, uso de dados do paciente e mundo “phygital” estiveram entre os tópicos abordados

A regulamentação da telemedicina como caminho para garantir o acesso amplo e rápido a saúde, bem como todos os aprendizados que a pandemia trouxe no uso da tecnologia para transformar o sistema de saúde brasileiro, foram temas da discussão mediada por Eduardo Cordioli, presidente da Saúde Digital Brasil, durante na 5ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (Filis), promovido pela Abramed. Adriana Ventura, Deputada Federal e presidente da Frente Parlamentar em Telemedicina; Caio Soares, diretor médico da TelaDoc Health; e  Clara Rodrigues Alves de Oliveira, coordenadora Clínica do Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC- UFMG), debateram o tema e trouxeram suas visões a respeito de como enxergam o cenário em um futuro próximo.

Eduardo Cordioli abriu o painel apresentando dados da Saúde Digital Brasil que mostram que, entre 2020 e 2021, foram mais de 7,5 milhões e meio de pessoas atendidas na modalidade de pronto atendimento, sendo que em 6,5 milhões deles os pacientes tiveram seus casos resolvidos totalmente no digital, ou seja, evitando idas desnecessárias ao pronto atendimento. No mesmo período, foram cerca 75 mil vidas salvas graças ao uso da telemedicina. 

Ele enfatizou ainda que existem muitas oportunidades a serem exploradas no mundo da telemedicina. “Não podemos ser dicotômicos. Precisamos eliminar a ideia de que o que se começa no físico, tem que seguir exclusivamente no físico, assim como o digital deve ser 100% digital. Ou então que, o que é realizado no Sistema Único de Saúde (SUS) tem que ficar só no SUS, e o que é do segmento privado, no privado. O sistema de saúde é um só e se convergir pode ganhar sinergia e todo mundo ganha com isso”, complementa.

Adriana Ventura, autora da lei que garantiu a plenitude da telessaúde durante a pandemia, reforçou que a COVID-19 só acelerou algo que, apesar de já existir, estava bastante atrasado. Ela reiterou ser um momento de evolução que deve ser usado para aprimorar o que deu errado. Sobre a regulamentação definitiva, salientou que os trâmites estão avançando, assim como outros projetos de telessaúde de sua autoria, no Congresso Nacional, e foi enfática em dizer que embora existam divergências que precisam ser discutidas entre todos os envolvidos de maneira bastante objetiva, é fato que não se pode retroceder. “O Brasil não pode ser a eterna lanterninha do mundo. Queremos para nós uma telemedicina que proporcione dignidade, respeito, traga rapidez, dê acesso e seja simples”, reforçou. 

Clara de Oliveira contou um pouco da trajetória e apresentou os números do projeto da Rede de Telessaúde de Minas Gerais (RTMG). Chamada inicialmente Minas Telecárdio e que hoje atende mais de 1.020 municípios no Brasil, desde 2006, o projeto já realizou mais de 5,5 milhões tele-eletrocardiograma, o que faz da rede o maior serviço de telediagnóstico e tele-eletrocardiografia do mundo. 

Caio Soares ressaltou que a pandemia provocou uma transformação imensa, derrubando todos os planos previstos e provocando um novo e acelerado curso para disponibilizar tecnologias capazes de suportar o atendimento digital. Segundo ele, existem muitos aspectos positivos para o paciente, que têm um acesso muito mais amplo aos players do sistema de saúde (médicos, nutricionistas, enfermeiras, psicólogos), com segurança e protegidos inclusive pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). 

“No começo da pandemia realizávamos 35 atendimentos médicos em média, e isso acabou sendo multiplicado por 10. Foi preciso reorganizar essa estrutura em menos de um mês, sempre tomando cuidado para não colocar a tecnologia na frente do atendimento médico. Mais do que colocar o paciente no centro do sistema, queremos que ele seja parte dele. E telemedicina construiu essa mensagem para aumentar a nossa participação como paciente, nesse ecossistema”, pontua. 

Quando indagado sobre o futuro da saúde ser “phygital” (integração entre o mundo físico, com o mundo digital), Soares explicou que em sua visão, o presente já é digital, mas ressaltou que não se pode  esperar que o digital resolva 100% dos casos. “Quando um médico atende um paciente, independente do meio e do local onde ele está, ele tem uma capacidade de resolver até um certo limite. Alguns casos podem ser resolvidos na hora, outros requerem encaminhamentos. Sempre será preciso de um sistema”, ressalta o executivo que complementa: “A telessaúde faz parte de um sistema que, se bem utilizado, no momento adequado, com amplo acesso, com alta capacidade técnica,  maior resolução, maior qualidade, trará um melhor desfecho clínico, com menos desperdício”.

A necessidade de investir na formação dos médicos e a inclusão da disciplina de saúde digital nos cursos de medicina também foi apontada como uma estratégia importante a ser adotada daqui para frente para garantir esse amplo acesso. Além disso, também foi abordada brevemente a necessidade de ampliar a discussão a respeito sobre a propriedade dos dados dos pacientes e como eles podem ser usados a favor da humanidade e no avanço da ciência e tecnologia. 

O 5º FILIS foi realizado de forma totalmente digital, em dois dias com intensa programação. Confira aqui a gravação completa deste debate e de todas as palestras e painéis concretizados nesta edição. O conteúdo gravado ficará disponível até o final do mês de outubro.

Pesquisas comprovam a importância do diagnóstico na geração do valor em saúde

Especialista internacional em medicina diagnóstica ministra palestra no 5° FILIS

A Saúde baseada em valor foi abordada por diferentes ângulos e ferramentas na palestra “Maximizando o Valor do Diagnóstico no Período Pós-Pandemia, ministrada pelo co-fundador da Society to Improve Diagnosis in Medicine (SIDM), Paul Epner no primeiro dia da 5ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), evento organizado pela Associação Brasileira e Medicina Diagnóstica (Abramed).

Para Epner, o trabalho de diagnóstico é fundamental para os resultados que trazem valor na área da saúde e para a sustentabilidade dos tratamentos. “Sabemos quais são os geradores de custos, mas se o diagnóstico estiver errado, muito possivelmente todo o cuidado que segue será sem propósito, ineficaz ou até prejudicial”, explicou ele, que também preside a Coalition to Improve Diagnosis, uma coalizão com mais de 60 sociedades profissionais, sistemas de saúde, organizações de pacientes e entidades focadas na melhoria da qualidade da assistência.

O palestrante internacional apresentou dados da indústria norte-americana de saúde e diagnóstico, incluindo causas e números referentes a erros médicos e seus principais danos. “100 mil pessoas morrem todos os anos nos Estados Unidos em hospitais devido a erros de diagnósticos”, disse.

Entre as causas que podem levar ao avanço do câncer, por exemplo, foi citada a não realização de exames de maneira preventiva. Epner apresentou um estudo realizado pelo grupo Kaiser Permanente (plano de saúde norte-americano sem fins lucrativos) que mostrou como as colonoscopias em pacientes com anemia levaram ao diagnóstico precoce de câncer e outras doenças, como diverticulite e hemorroidas. Nos cinco anos de pesquisa (de 2015 a 2020) foram contatadas 2.288 pessoas com deficiência de ferro, 561 delas foram submetidas a colonoscopias e 24 destes pacientes (4%) estavam com câncer.

Já outro estudo que analisou as principais reclamações de práticas médicas no Johns Hopkins Hospital, nos Estados Unidos, mostrou que três causas no ranking das top 5 estavam relacionadas ao diagnóstico, incluindo a primeira delas: falha ou atraso em pedir o teste diagnóstico. Falha em apreciar sintomas relevantes ou resultados de testes aparece como terceira causa e a interpretação equivocada dos estudos diagnósticos, patologias, exames de imagem como o quinto motivo que levou a reclamações litigiosas sobre cuidados médicos.

De acordo com Epner, existem boas medidas para garantir a excelência diagnóstica no mundo, citando o Fórum de Qualidade Nacional (NQF, sigla em inglês para National Quality Forum), que disponibiliza diferentes pesquisas em seu site; ação focada em segurança, qualidade e relação custo-benefício do atendimento em todos os ambientes de saúde global. Citou ainda que há empresas de diagnóstico nos Estados Unidos que utilizam algoritmos para contabilizar quais exames levam a quais tipos de diagnóstico com maior precisão e rapidez.

Em relação ao período pós-pandemia, o palestrante lembrou os desafios futuros. Segundo ele, o atraso em tratamentos e diagnósticos porque os pacientes evitaram ir aos hospitais durante a pandemia de Covid-19 criou mais danos e custos aos pacientes e ao sistema.

O 5º FILIS foi realizado de forma totalmente digital, em dois dias com intensa programação. Confira aqui, a cobertura completa deste e das demais palestras e painéis concretizados nesta edição. A gravação estará disponível até o final do mês de outubro.

Anvisa e ANS tratam dos desafios regulatórios da saúde no 5º FILIS

Diretores de ambas as agências participaram de debate moderado por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed

Logo após a apresentação do Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, realizada na primeira hora de programação da 5ª edição do FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde), Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, recebeu Cristiane Jourdan, diretora da terceira diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e Paulo Rebello Filho, diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), para tratar dos atuais pleitos regulatórios da saúde. 

Durante o debate “Desafios Regulatórios para o desenvolvimento do sistema de saúde”, o trio tratou da revisão de algumas RDCs  (Resolução de Diretoria Colegiada) que impactam diretamente a rotina dos provedores de serviços de medicina diagnóstica e reforçou a atuação de ambas as agências durante a gestão da pandemia no país.

“A revisão da RDC 302, que dispõe sobre Regulamento Técnico para funcionamento de Laboratórios Clínicos, é algo que nos preocupa. O texto proposto em agosto de 2020 desagradou o setor regulado e houve grande reação de várias entidades – entre elas a Abramed”, comentou Shcolnik.

Trazendo um parecer da Anvisa, Cristiane confirmou estar atenta a toda a movimentação em torno dessa revisão. “Venho acompanhando a revisão pessoalmente e no momento a área está trabalhando para que a norma proposta garanta a execução de exames com qualidade, segurança e eficácia indispensáveis a um diagnóstico correto”, disse.

Ainda abordando processos de alteração de normas em vigor, a diretora também foi questionada sobre a revisão da RDC 25, que trata do recondicionamento de produtos para saúde usados e que, ao ser reestruturada, pode ampliar o acesso da população brasileira a exames mais tecnológicos e de qualidade. 

“Compreendemos que a possibilidade do comércio de produtos usados é uma pauta necessária. Vamos permitir o acesso aos equipamentos garantindo segurança e eficácia e ampliando o acesso de toda a população a tecnologia de ponta”, disse. Segundo ela, o uso de equipamentos fora dos parâmetros definidos pelo fabricante pode impactar o diagnóstico e o tratamento, levando a danos e eventos adversos. Por isso é necessário instituir mecanismos para mitigação de riscos.

Na visão do presidente da Abramed, essa revisão é importantíssima para o país. “Muitas das nossas empresas têm interesse em fazer doações de equipamentos para Santas Casas e para o Sistema Único de Saúde (SUS), mas com a regulamentação vigente isso ainda não é possível. Esperamos que com a revisão possamos reverter o quadro”, apontou.

Outro ponto relevante do debate foi a exímia atuação da ANS na rápida e emergencial incorporação de exames para detecção da Covid-19 no rol de procedimentos obrigatórios dos planos de saúde. “No dia 11 de março de 2020 foi decretada a pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e no dia 19 já tínhamos incorporado o RT-PCR, padrão ouro para detecção da doença”, contou Rebello Filho que aproveitou para relembrar o setor que a Agência também reduziu de dois anos para no máximo 18 meses a atualização desse rol de procedimentos. “Isso demonstra que estamos acompanhando todas as alterações que a vida cotidiana impõe à saúde”, completou.

Ainda falando sobre testes de Covid-19, Shcolnik aproveitou a presença do diretor para perguntar como a Agência lida com as reclamações de beneficiários com dificuldades em conseguir realizar os testes pelos planos de saúde. Segundo Rebello Filho, a ANS tem tido um empenho fantástico nesse sentido. “Foram 284 mil reclamações entre janeiro de 2020 e setembro de 2021 e a nossa resolutividade supera a casa dos 90%. Isso significa que 9 a cada 10 reclamações são sanadas”, disse enfatizando que a Agência tem canais para receber reclamações e contestações tanto por parte dos beneficiários quanto por parte dos prestadores de serviço.

Preocupação com qualidade

Tanto a Anvisa quanto a ANS têm um compromisso com a qualidade. Ao ser questionada, por Shcolnik, se há movimentação na Agência para maior rigor no momento dos registros de produtos para a saúde a fim de mitigar o risco em sua utilização, Cristiane enfatizou que “proteger a população é a grande missão da Anvisa, reconhecida internacionalmente como uma das principais autoridades regulatórias do mundo”.

Rebello Filho também foi questionado sobre as preocupações da ANS com a qualidade do setor. “Há um foco na qualificação apenas entre os hospitais. Já seria hora da Agência se preocupar também com a qualidade dos serviços oferecidos por outros prestadores de serviços não hospitalares? Na medicina diagnóstica, por exemplo, já temos programas de acreditação para análises clínicas e diagnóstico por imagem, mas não vemos um estímulo concreto para que esses prestadores se insiram nos programas”, perguntou Shcolnik.

Segundo o diretor da ANS, esse é um tema que está em pauta na entidade. “Programas de acreditação colaboram de maneira indutiva para garantir resultados qualitativos. Temos que avançar nessas discussões e a Câmara Técnica de Contratualização e Relacionamento com Prestadores (CATEC) é um dos espaços que estão abertos a esse diálogo”, disse. Importante enfatizar que a ANS retomou as atividades da CATEC em agosto deste ano.

O 5º FILIS foi realizado de forma totalmente digital, em dois dias com intensa programação. Confira aqui a cobertura desta e das demais palestras e painéis desta edição.

Programação do 5º FILIS começa com palestra do Ministro da Saúde

Na manhã do dia 13 de outubro, primeiro dia de programação da 5ª edição do FILIS (Fórum Internacional de Lideranças da Saúde), logo após a abertura conduzida por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, o evento recebeu Marcelo Queiroga, Ministro da Saúde, para falar sobre a importância do diagnóstico na coordenação da pandemia e como as relações entre os sistemas público e privado de saúde são indispensáveis para a melhor sustentabilidade do setor. 

Marcelo Queiroga atualizou o cenário brasileiro da pandemia e enfatizou a relevância da medicina diagnóstica para melhor gestão da crise

Traçando um panorama atual da crise de covid-19, o ministro elencou três prioridades de sua gestão: acelerar a vacinação, garantir assistência aos infectados pelo novo coronavírus e reforçar a implementação de medidas de higiene e saúde pública, com foco especial em um programa de testagem ampla e sistemática. 

Enfatizando que o Governo Federal adotou a estratégia de diversificar a compra das vacinas e já contratou mais de 550 milhões de doses a serem entregues até o final do ano, Queiroga pontuou que, até o momento, já são mais de 150 milhões de brasileiros com ao menos uma dose do imunizante. Além disso, deu amplo destaque ao lançamento do Programa Nacional de Testagem para o coronavírus. “Ampliaremos, de forma sistemática, a testagem da população brasileira para continuidade segura de nossas atividades”, declarou. Segundo ele, o programa define critérios e parâmetros objetivos para os testes, com foco em populações vulneráveis e setores essenciais como educação, comércio e transporte público.

Parcerias entre os setores público e privado

Assim como muitos líderes do setor têm enfatizado, o ministro declarou ser preciso encarar com unicidade o sistema de saúde brasileiro considerando que fazem parte dele a área pública e a área suplementar. Para iniciar essa discussão, trouxe dados relevantes sobre os gastos da pasta.

“O Brasil destina 9,2% do seu PIB à saúde. Desse total, os gastos públicos representam 3,8% do PIB e os privados 5,4%. Apesar de proporcionalmente menores, os gastos públicos com a saúde representam parcela significativa do orçamento do Governo Federal e crescem a taxas mais elevadas do que a arrecadação fiscal”, declarou. Segundo o ministro, para que o Sistema Único de Saúde (SUS) possa responder a futuras emergências, é preciso obter mais investimentos, mas, principalmente, melhorar o uso dos recursos existentes.

Entre os principais desafios elencados por Queiroga durante sua apresentação no FILIS estão: ineficiência na prestação de serviços, fragmentação dos cuidados com a saúde com pouca coordenação entre os níveis de atenção e entre os provedores, e limitada ou inexistente integração do SUS com a Saúde Suplementar.

“Reforçar o sistema de saúde brasileiro passa necessariamente por formular políticas públicas que enfrentem esses desafios e melhorem a qualidade dos gastos”, pontuou. Para ele, as mudanças devem envolver alteração nos modelos de remuneração substituindo o atual modelo de pagamento por volume por um novo modelo de pagamento por desfecho, incentivo às práticas inovadoras de gestão através de parcerias público-privadas que garantam acesso a serviços gratuitos e de qualidade a toda a população, fortalecimento da regulação da saúde suplementar de modo a estimular a competitividade e potencializar sinergias com o setor público, e investimento no complexo econômico industrial da saúde, motor indiscutível da economia e com amplo potencial de crescimento.

Como exemplo de uma parceria exitosa, o ministro apresentou o case da Fiocruz/Biomanguinhos com a Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca diante do contrato de encomenda tecnológica e posterior transferência de tecnologia na fabricação das vacinas contra a covid-19. “Essa aposta bem-sucedida, que já resultou na entrega de mais de 78 milhões de doses, foi possível graças ao investimento de R$ 1,9 bilhão em agosto de 2020. A parceria permitirá a produção de uma vacina 100% nacional e o Brasil passará de importador para exportador, ajudando a população além de suas fronteiras”, disse.

Medicina diagnóstica como protagonista

O ministro Queiroga aproveitou a oportunidade para destacar a relevância da medicina diagnóstica no combate à covid-19 e pontuar a representatividade das associadas à Abramed no mercado, já que essas empresas são responsáveis pela realização de 516 milhões de exames, o que representa 56% do total de exames concretizados na saúde suplementar. 

“Esses números deixam claro a importância de o Brasil buscar a sustentabilidade tecnológica e econômica do SUS a curto, médio e longo prazos por meio da promoção de condições estruturais para aumentar a capacidade produtiva e de inovação do país, resultando na redução do déficit comercial do setor e na garantia do direito à saúde de todos os brasileiros”, finalizou.

O 5º FILIS foi realizado de forma totalmente digital, em dois dias com intensa programação. Confira, no site da Abramed, a cobertura completa de todas as palestras e painéis concretizados nesta edição.

Lidando diariamente com dados sensíveis, medicina diagnóstica avalia os impactos da LGPD

Lei Geral de Proteção de Dados está em vigor; bate-papo na Digital Journey trouxe importantes apontamentos sobre o que merece mais atenção

31 de agosto de 2021

A participação da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) na Digital Journey, evento virtual promovido pelo time da Feira Hospitalar, foi iniciada com uma entrevista sobre proteção de dados no setor de medicina diagnóstica. O encontro, realizado na tarde de 30 de agosto, contou com a participação de Milva Pagano, diretora-executiva da entidade, direcionando perguntas à Rogéria Leoni Cruz, diretora jurídica e Data Protection Officer do Hospital Israelita Albert Einstein.

Na visão de Milva, esse é um dos assuntos mais importantes para serem debatidos agora no setor de diagnóstico, visto que é um segmento que lida diariamente com dados sensíveis. “Há sempre uma grande preocupação do setor de saúde quanto ao manejo desses dados. Antes mesmo da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrar em vigor, já existia um tratamento repleto de cuidado, proteção e confidencialidade. Mas agora novas regras foram criadas despertando muitos pontos de atenção”, esclareceu.

Para detalhar quais esses pontos, Rogéria – que também é a diretora do Grupo de Trabalho (GT) de Proteção de Dados da Abramed – enfatizou que inicialmente é preciso reconhecer que a implementação da lei no Brasil ocorreu de forma um tanto quanto atípica, já que primeiro veio a legislação e somente depois foi criada a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). “Tivemos um gap grande nesse sentido e, consequentemente, uma demora razoável”, pontuou.

Dando sequência ao debate, Rogéria listou alguns pontos que merecem destaque:

  • Portabilidade
  • Posição do controlador e operador
  • Definição de qual o limite da tutela da saúde para a segurança de dados
  • Transferência internacional de dados

“Esses são alguns dos pontos críticos para a nossa atividade dentro da medicina diagnóstica”, disse a especialista. Para ela, essas questões em breve serão regulamentadas, mas há uma preocupação maior até mesmo porque a medicina diagnóstica também foi muito afetada pela pandemia de COVID-19, o que pode ter atrasado os investimentos em proteção de dados nas corporações. “Alguns programas talvez tenham sido freados, principalmente de conscientização e treinamento, já que todos estavam focados na linha de frente no combate ao novo coronavírus”, complementou.

Autoridade Nacional de proteção de Dados (ANPD) e punições

Na visão de Rogéria, a ANPD tem desempenhado uma função crítica em um curto espaço de tempo, mas aparentemente as fiscalizações serão responsivas. “Até mesmo pelas atitudes da agência, vejo um trabalho focado em diálogo e transparência somado à uma forte participação social”. A executiva diz perceber que a ANPD está ouvindo os setores e acredita que em breve chegará a hora da medicina diagnóstica ser recebida para tratar de suas demandas.

Para Milva, um dos pontos que merece muita atenção da ANPD é, mesmo, a tutela da saúde. “Um tema delicado e esperamos poder discutir com eles o assunto para abordar conceitos, limitações e as linhas muito tênues que existem entre os elos da cadeia”, comentou.

Passando para a percepção de quais faltas serão consideradas graves, Rogéria foi bastante enfática ao dizer que acredita que as punições severas estarão atreladas à falta de responsabilidade. “Vejo que nossa legislação está muito próxima ao que vem sendo feito na Europa. Então acredito que faltas graves serão aquelas aliadas a ambientes com inconsistências técnicas grandes e a falta de evidência de boas práticas”. Entre os erros por ela mencionados estariam a permissão de acessos indevidos por falta de controle, falhas que atinjam muitas pessoas dentro do ambiente e que tragam desconforto e contrariedade aos princípios da lei, e vazamentos irresponsáveis.

Especificamente dentro da medicina diagnóstica, os erros mais comuns podem envolver os cuidados com acessos indevidos, compartilhamentos desnecessários de informações e falta de transparência.

Ao mesmo tempo, Milva aproveitou a oportunidade para reforçar que existe um atenuante e que as empresas devem ficar atentas a isso. “A partir do momento em que a empresa mostra um cuidado, a implementação de um sistema de controle, seguido da orientação dos colaboradores, há a percepção de que acidentes acontecem e que houve empenho e dedicação em evitá-los”.

Próximos passos e preparação

Para que estejam preparadas para cumprir as obrigatoriedades da LGPD, as empresas devem, na opinião de Rogéria, iniciar um bom programa de proteção de dados. “O que temos visto é uma abordagem muito grande nas organizações em programas de conscientização, apresentando as armadilhas que existem no ambiente digital. Assim é importante evitar a coleta de informações desnecessárias, estruturar bem os sistemas de segurança da informação e investir em ciberseguros. Essa é a nossa nova realidade”, declarou. A especialista mencionou, também, que já vínhamos trilhando esse caminho, mas a pandemia o acelerou trazendo mais conectividade no ambiente de saúde.

Para auxiliar as empresas a compreender os desafios da LGPD enfrentando as mudanças, a Abramed em breve lançará uma Cartilha de Boas Práticas em Proteção de Dados. O guia, que está sendo finalizado pelo GT de Proteção de Dados coordenado por Rogéria, trará desde questões relacionadas ao departamento de Recursos Humanos até detalhes sobre o relacionamento com as operadoras de planos de saúde.

“Esse é, de fato, um trabalho de formiguinha, assim como toda mudança cultural. Mas eu vejo a LGPD com bons olhos, como uma vantagem competitiva. É uma boa lei e os associados à Abramed estarão bem amparados”, finalizou a especialista.

Quatro prismas sobre ética e compliance para 2019

*Por Matheus Sabbag Leonel

Janeiro de 2019

O que todos ouvimos falar por compliance eu prefiro aqui denominar como integridade. Afinal, aquele que é íntegro consequentemente estará em compliance, termo proveniente do inglês to comply – estar em conformidade com algo.

Para fazer uma análise do nosso atual momento, é interessante considerarmos o tema em quatro prismas distintos: a visão macro de um país que está em pleno processo de mudança; o recorte do setor de saúde; a visão das instituições e empresas; e a perspectiva individual do ser humano.

Olhando pelo aspecto macro do Brasil, o que movimentou todo o processo de renovação recente do Governo foi a expectativa de mudança na forma de fazer política. Uma consolidação da visão voltada à meritocracia, com a ética acima de tudo, somada ao combate à corrupção e à valorização dos “bons costumes” e de visões mais conservadoras – mesmo que, muitas vezes, tenhamos a percepção de que a mudança não foi tão drástica quanto a esperada.

Esses primeiros movimentos, após a definição do processo eleitoral, mostram-nos que essa perspectiva ainda existe principalmente no que diz respeito à continuidade do combate ostensivo a práticas de corrupção e ao fortalecimento do ambiente regulatório que constrói instituições mais independentes e fortes. Talvez o que se espere agora seja uma maior evolução na eficiência da aplicação de penalidades a todos que transgredirem a lei, incluindo aperfeiçoamentos institucionais que podem ser feitos para implementar medidas estruturais que tragam resultados de longo prazo capazes de influenciar mudanças na educação e na cultura da população.

Como exemplo, temos o novo pacote de medidas anticorrupção proposto com apoio de diversas organizações, que, desde a campanha eleitoral, vem sendo amplamente debatido.

Trazendo a questão do compliance para o prisma da saúde, os desafios não são muito diferentes, mas estão em outro estágio. O setor evoluiu em alguns aspectos de integridade e viveu algumas “dores” que despertaram iniciativas de autorregulação em entidades setoriais como a Abimed, a Abraidi, a Abimo e a própria Abramed.

Uma iniciativa mais ampla e intersetorial existente é o Ética Saúde. Criado em 2014 como um movimento voluntário de empresas, é liderado pela Abraidi e pelo Instituto Ethos e, desde 2016, teve seu escopo de atuação ampliado para congregar os demais atores do segmento de saúde, sendo disponibilizado como uma importante ferramenta para a mobilização e a transformação do mercado.

Porém, o mercado de saúde é muito amplo e tem relações acontecendo nos mais diversos cantos do país, inclusive em locais onde a maior parte dessas iniciativas não chega para evitar que práticas antiéticas sigam destruindo valores e vidas todos os dias. E é justamente nesse ponto que encontramos nossos grandes desafios, que abrangem desde o desenvolvimento de regulamentações, até a sensibilização e a criação de iniciativas, ferramentas e medidas que possam efetivamente alcançar todas as práticas e localidades, fazendo com que as relações do setor deixem os interesses escusos de lado para retomar seu objetivo central, que é o cuidado com o paciente. Isso contribuirá fortemente com um dilema discutido há anos por todos no setor: a sustentabilidade e a eficiência na utilização dos recursos da saúde.

Olhemos, agora, para as instituições que têm papel importante em todo esse processo e, justamente por isso, deveriam ter maior interesse em alavancar as construções internas e externas de ambientes de negócios cada vez mais íntegros. A ACFE (Association of Certified Fraud Examiners) estima que as empresas perdem, anualmente, o equivalente a 5% de seu faturamento com fraudes. O que, por si só, já seria motivo para que se dedicassem às iniciativas de integridade.

O que temos visto até o momento é um movimento das empresas na implantação de programas de compliance em maior ou menor grau de complexidade. Porém, o problema não está nessa complexidade, mas no que costumo chamar de “grau de verdade”. Muitas companhias encaram esses programas como uma mera questão de conformidade sob o pensamento de que “se todos têm, também precisamos ter”. Elaboram códigos de conduta, políticas internas, criam áreas de compliance, mas, na verdade, não incorporam as questões de integridade em suas práticas de negócios.

Outras empresas até enxergam nessas ferramentas algo positivo para identificar e punir transgressões que lesem a companhia, mas essa preocupação não alcança as decisões pouco íntegras ou mesmo ilegais tomadas conscientemente pela administração em favor dos interesses do negócio, de seus executivos ou proprietários. Nesses casos, os programas são implantados para que a administração seja capaz de controlar os outros, mas não para se autorregular.

O grande paradoxo é que os maiores escândalos estão em companhias as quais vivenciam este último modelo e contam com programas formais de compliance e integridade. Porém, são as decisões da alta administração que levam suas organizações a caminhos equivocados que destroem o valor de suas empresas.

Por fim, em meio a todos esses aspectos, estamos nós, seres humanos que respondem por uma parcela importante de todo esse contexto. De forma geral, todos concordam ser necessário implementar medidas e aprimorar o controle e a punição a condutas inadequadas, visto que existem pessoas que não são íntegras e que vão transgredir. Mas nós mesmos nunca nos enxergamos nessa situação.

É como indica em seus estudos o Professor Doutor Alexandre Di Miceli. Ele diz que o ser humano em geral tem uma visão superestimada da sua própria ética, o que nos faz crer que somos mais éticos do que a média e provoca o que ele denomina como “cegueira ética”. Esse cenário, aliado ao ambiente em que vivemos, muitas vezes contribui com incentivos inadequados, fazendo com que as pessoas tomem atitudes acreditando, realmente, que não estão cruzando o limite do legal ou mesmo que aquela atitude é totalmente justificável (Silveira, 2018).

Esse cenário nos indica que temos um trabalho importante a ser feito junto aos indivíduos. No fim do dia são as pessoas físicas os agentes executores de ações que podem ou não ser corruptivas. O trabalho com as pessoas para melhorar suas percepções, capacidades de escolha e de tomada de decisões, somado a uma forte atuação na educação e na disponibilidade de informações, poderá construir um panorama mais positivo.

Diante de tudo isso há um otimismo e uma expectativa muito grandes de que tudo continue a evoluir com mais celeridade no próximo ano. A eleição foi uma demonstração dessa vontade e expectativa. O desafio, em todos esses prismas, é a execução. De fazer as coisas efetivamente acontecerem. Todos sinalizam que querem e precisam de um ambiente mais íntegro e saudável, onde a confiança se estabeleça, os negócios possam fluir de maneira transparente e, no caso do setor de saúde, possamos sempre manter o foco exclusivamente no cuidado com o paciente.

*Matheus Sabbag Leonel atua na área de Gestão de Riscos e Compliance do Grupo Fleury e integra o grupo de trabalho de Compliance da Abramed.

¹ Silveira, A. D. M. (2018). Ética empresarial na prática: soluções para gestão e governança no século XXI. Alta Books.

Qualidade dos testes diagnósticos é primordial durante pandemia

Especialistas estiveram reunidos em webinar realizado pela Roche Diagnóstica Brasil para tratar da relevância dos exames durante a crise de COVID-19

3 de junho de 2020

Promovido pela Roche Diagnóstica Brasil e dedicado a jornalistas e profissionais de comunicação, o webinar “A Tecnologia por trás dos testes de COVID-19” reuniu, na tarde de 3 de junho, especialistas para falar sobre a importância do diagnóstico seguro durante a pandemia de COVID-19. Com Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed); Gonzalo Vecina, sanitarista, ex-presidente da Anvisa e ex-secretário municipal de Saúde; e Antonio Vergara e Micha Nussbaun, respectivamente presidente e diretor de Valor Médico e Acesso da Roche Diagnóstica Brasil; o encontro virtual promoveu um debate didático sobre as diversas perspectivas dos testes disponíveis para diagnóstico da infecção pelo novo coronavírus.

Moderado pelo jornalista especializado em saúde, Andre Biernath, o webinar foi iniciado com uma fala de Vergara sobre o valor do diagnóstico e a importância da qualidade em um momento de pandemia. “A testagem para COVID-19 é extremamente importante, bem como é imprescindível contar com um laboratório de qualidade, seguir os protocolos dos exames, entender qual tipo de teste deve ser realizado em cada etapa e prezar pela segurança desses procedimentos”, declarou.

Depois de Nussbaun explicar as diferenças entre o teste molecular RT-PCR, considerado o padrão ouro para diagnóstico da infecção na fase aguda da doença, e os testes sorológicos, capazes de identificar os anticorpos em amostras sanguíneas dos pacientes, Shcolnik destacou que os testes de anticorpos serão importantes em uma segunda fase para que o país possa entender a extensão da epidemia em seu território.

“Sabemos que existem preocupações econômicas e estamos vivenciando as notícias da retomada, então será muito importante termos real compreensão de qual parcela da população já foi exposta ao patógeno”, comentou o presidente da Abramed que reforçou que essas respostas serão ainda mais confiáveis quando obtidas pelos exames convencionais, realizados nos laboratórios, em ambientes controlados que seguem as boas práticas, contam com técnicos qualificados e utilizam dispositivos validados. “Assim, teremos uma quantificação dos anticorpos e poderemos prover uma solução em escala”, completou.

Ao falar em qualidade dos exames, Nussbaun reforçou a importância da especificidade dos kits nos resultados positivos e da sensibilidade deles em caso de resultados negativos: “quando faço o teste, preciso ter certeza de que aquele resultado é exato. Um teste que gera dúvidas não agrega”.

Valorização do diagnóstico e logística afetada

Gonzalo Vecina foi prático ao afirmar que antigamente os laboratórios eram comprovadores de uma hipótese diagnóstica, mas que, agora, diante da COVID-19, são o único caminho possível para dizer se o paciente está ou não contaminado e se poderá desenvolver a doença. “Temos que testar muito para que possamos identificar os contaminantes e, na sequência, testar as pessoas que tiveram contato com esse indivíduo para isolar o maior número possível de diagnósticos positivos. Não basta, inclusive, testarmos apenas os sintomáticos. Precisamos lembrar que 40% das pessoas infectadas são assintomáticas. E que esses assintomáticos também transmitem a doença”, declarou.

Garantir maior capacidade de testagem em todo o território nacional tem sido um dos desafios do Brasil durante a pandemia, e a crise trouxe empecilhos logísticos, como mencionado por Shcolnik. “As companhias aéreas foram as primeiras vítimas da crise. Com a falta de passageiros para viabilizar voos, encontramos problemas para transportar as amostras entre as regiões, o que se tornou um fator crítico”, disse. O executivo também mencionou que a Abramed chegou a contatar o Ministério da Infraestrutura para destravar essa questão.

Outras doenças durante a COVID-19 e uso racional de exames

Tema do último webinar promovido pela Abramed (clique AQUI para acessar), o impacto das outras doenças durante a pandemia de COVID-19 também foi abordado neste encontro realizado pela Roche. Sobre esse assunto, Vecina reforçou a necessidade de o sistema de saúde retomar a assistência principalmente a pacientes crônicos.

“Nos EUA já vimos aumento de 30% nas mortes de cardiopatas em casa que, com medo do novo coronavírus, não buscaram atendimento”, disse enfatizando que todos estão cientes que as intervenções que exigem internação ainda estarão prejudicadas devido à ocupação dos leitos para casos de COVID-19, mas que outros atendimentos como atividades ambulatoriais, consultas, exames e tratamentos precisam ocorrer.

Ao relembrar que o sistema de saúde não deve entender o diagnóstico como alta despesa ou desperdício, Shcolnik disse: “Um atraso no diagnóstico pode atrasar um tratamento e até mesmo uma alta hospitalar, visto que muitos médicos aguardam resultados de exames para então liberar os pacientes”. Para o executivo, o uso racional de exames é prioridade, até por isso a Abramed é apoiadora da iniciativa Choosing Wisely. “Temos que fazer as escolhas certas para não desperdiçar recursos, promovendo um exame bem indicado, no momento certo, para o paciente certo”, complementou.

Inovação e pesquisa

No Brasil, conforme mencionado por Shcolnik, os laboratórios privados foram imprescindíveis atuando de forma prioritária logo no começo da pandemia para confeccionar, in house, os exames de RT-PCR que ainda não eram comercializados pela indústria. Esse pioneirismo somado à rápida ação do setor privado foi fundamental para que os testes pudessem ser iniciados o quanto antes. Na sequência, com o fornecimento da indústria, esses laboratórios passaram a processar os exames focando, inclusive, na ampliação de suas capacidades.

Na Roche, a inovação também é frequente. Tanto que, segundo Vergara, a empresa dedica 20% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. “O que representa mais de 11 bilhões de francos suíços ao ano”, completou.

Informação clara para a sociedade

A moderação de André Biernath foi muito importante para que os temas mais complexos fossem “traduzidos” de uma forma compreensível para a maior parte da população. Ao pedir explicações sobre termos técnicos como, por exemplo, a eletroquimioluminescência – método diagnóstico apontado tanto pelos especialistas da Roche quanto por Shcolnik como um dos sistemas com melhor desempenho para a COVID-19 – , o jornalista proporcionou um maior entendimento do público que acompanhou o webinar.

Durante toda a apresentação, os participantes se mostraram abertos a discorrer, de forma clara e facilitada, sobre o atual cenário de diagnóstico na pandemia, sempre priorizando a informação de que a segurança da população está diretamente atrelada à realização adequadas de testes validados e com eficácia e qualidade comprovadas.

Ao encerrar, inclusive, Vergara reforçou a importância dos jornalistas e profissionais de comunicação na conscientização da população quanto a necessidade de exigir exames de qualidade para diagnostico da COVID-19. “A população tem que pensar nisso para garantir a própria saúde”, declarou.

Negligenciar manifestações neurológicas associadas à COVID-19 nos coloca em uma rota errada

* Por Carlos Senne, presidente do Conselho do Senne Liquor Diagnóstico

3 de junho de 2020

Vivemos um momento de inúmeros desafios gerados pela disseminação mundial de um patógeno ainda pouco conhecido. Por isso, surgem desafios multidisciplinares que abrangem especialidades diversas e chegam, inclusive, à neurologia, já que possivelmente estamos falando de um vírus neurotrópico.

Em um primeiro momento, especialistas enxergavam a COVID-19 como uma afecção pulmonar. Posteriormente, foram apontados problemas de coagulação e vimos os pacientes infectados pelo novo coronavírus com sintomas renais. Na sequência, observaram-se manifestações neurológicas associadas à infecção. Nenhuma dessas constatações pode ser negligenciada.

Em fevereiro, antes mesmo de a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus, surgiram estudos internacionais – muitos deles na China, primeiro país fortemente afetado pelo patógeno – apontando relações entre sintomas neurológicos e COVID-19. Um deles, por exemplo, afirmava que 36,4% dos 214 pacientes internados com infecção causada pelo novo coronavírus apresentavam sintomatologia neurológica, entre elas tontura, cefaleia e mialgia com aumento das enzimas musculares.

Além disso, verificamos que anosmia e ageusia, respectivamente perda do olfato e do paladar, poderiam aparecer em até 85% dos pacientes com diagnóstico confirmado, enquanto somente 18% deles desenvolviam obstrução nasal e rinorreia, indicando que esses sintomas não estão associados ao acometimento das mucosas, mas sim de nervos cranianos como, por exemplo, o nervo olfatório.

Comum em outras infecções graves, a encefalopatia também pode acometer pacientes infectados pelo novo coronavírus, gerando agitação psicomotora, confusão mental e rebaixamento do nível de consciência causada por hipóxia, produção exagerada de mediadores inflamatórios com efeitos em SNC e até mesmo como resultado de medicações depressoras do SNC e crises epilépticas subclínicas.

Reforçamos: não podemos negligenciar e deixar de diagnosticar corretamente pacientes com suspeita de COVID-19 e manifestações neurológicas.

Estudos internacionais também destacam outras condições possivelmente associadas à COVID-19, como encefalopatia necro-hemorrágica, síndrome de Guillain-Barré, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e encefalite. Esta última, por sua vez, foi primeiramente apontada em um paciente chinês de 56 anos de idade com rebaixamento de consciência. Nesse caso, o exame do líquido cefalorraquidiano (LCR) não mostrou alterações na celularidade e bioquímica, mas no RT-PCR foi identificado o novo coronavírus.

Na sequência, outro paciente analisado apresentou encefalite associada à COVID-19 com crises epilépticas refratárias após nove dias de sintomas respiratórios. Na ocasião, a ressonância magnética mostrou lesão compatível com encefalite. Em um terceiro caso estudado de paciente com encefalite, o LCR não foi coletado, mas a autópsia identificou o coronavírus no tecido cerebral.

Diante desse panorama, o acompanhamento neurológico é fundamental em pacientes acometidos pela COVID-19, com os médicos responsáveis sempre avaliando a necessidade de submeter essas pessoas a exames de LCR e de imagem, além de avaliações cognitivas e biomarcadores liquóricos como, por exemplo, o neurofilamento de cadeia leve (NfL).

Outro fato que precisa ser estudado emergencialmente e que nós, como especialistas em diagnósticos neurológicos, já estamos investindo em pesquisa, está nas consequências da COVID-19 durante a gestação e na saúde dos recém-nascidos. Estudos chineses mostram que as mulheres que contraíram a infecção no último terço da gestação tiveram bebês predominantemente saudáveis, nos quais não foi identificado o novo coronavírus, nem no líquido amniótico, nem no sangue. Porém, de que forma a COVID-19 pode afetar mulheres que engravidaram agora, durante a pandemia, e que, portanto, estão expostas ao patógeno nos primeiros meses de gravidez? A nossa experiência com o Zika Vírus associado à microcefalia nos obriga a ficar atentos a essa situação.

Em seis meses de convivência com o novo coronavírus, com toda a comunidade científica mundial debruçada em pesquisas e estudos para melhor compreensão de como o patógeno afeta o corpo humano, concluímos que se trata de uma doença multidisciplinar e que nenhum sintoma deve ser negligenciado, muito menos suas manifestações neurológicas.

* Carlos Senne é médico, especialista em patologia clínica e presidente do Conselho do Senne Liquor Diagnóstico

Pandemia de COVID-19 gera mudanças nas relações e enfatiza importância da prevenção e da tecnologia

Temas foram debatidos por especialistas durante webinar promovido pela Feira Hospitalar; Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, foi uma das convidadas

22 de maio de 2020

A rápida disseminação do novo coronavírus pelo mundo exigiu medidas emergenciais em todos os setores da economia, derrubando mitos enraizados e despertando novas tendências comportamentais. O assunto foi abordado no webinar “O Futuro do Sistema de Saúde Brasileiro”, evento virtual promovido pela Feira Hospitalar na noite de 21 de maio que recebeu grandes líderes da saúde. Representando o setor de diagnóstico, Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, enfatizou a relevância da prevenção, da digitalização e da tecnologia neste cenário de crise.

O encontro mediado por Vitor Asseituno, da Saúde Business, também recebeu Ary Costa Ribeiro, CEO do Hospital Infantil Sabará; José Augusto Ferreira, diretor de Provimento de Saúde da Unimed BH; e René Parente, diretor-executivo da Accenture.

A telemedicina foi um dos assuntos de destaque da discussão. Para Priscilla, a aprovação em caráter emergencial dos atendimentos virtuais mostrou que a relação médico e paciente pode ocorrer de forma segura no ambiente digital e que inclui, ao contrário do que muitos pensavam, a população mais idosa.

Reforçando que o telediagnóstico já estava consolidado no país, a executiva destacou a interoperabilidade como um gargalo a ser resolvido. “Neste momento de pandemia vemos que o compartilhamento de informações é, de fato, um desafio. A subnotificação é uma realidade e está muito fundamentada em entraves tecnológicos e operacionais”, declarou relembrando que a Abramed se mantém em contato frequente com o governo a fim de facilitar a notificação de casos de COVID-19 diagnosticados na rede privada.

Falando em entraves, Parente concordou que houve uma rápida evolução tecnológica nos últimos meses e declarou que muitas das barreiras de transformação digital caíram de uma hora para a outra. “De repente, tudo o que era apontado como um entrave, foi resolvido em questão de dias”, disse ao citar, por exemplo, a adesão ao home office. “Continuamos tendo uma relação saudável dentro de casa como tínhamos dentro do ambiente de trabalho”, comentou.

Essa busca rápida por solucionar pendências precisa permanecer na visão de Priscilla. “Não podemos esperar outra pandemia para acelerarmos novos processos de transformação e melhorias. Temos que seguir em frente, sem retornar ao lugar que estávamos antes”, pontuou. Com positividade, Ferreira acredita que essa imersão tecnológica veio para ficar. “A tecnologia gera mais conveniência para todos. Sou muito otimista com relação ao futuro. A pandemia surgiu como um momento preditor da transformação”, disse.

Dividindo o atual cenário em fases, Ary Ribeiro acredita que estamos em um momento de transição. Para o executivo, até o final de 2020 seguiremos em modo de sobrevivência. E isso impacta diretamente os relacionamentos tanto entre as pessoas quanto entre as corporações. “Temos que analisar essas relações em um ambiente de instabilidade. A humanidade tem uma enorme oportunidade de repensar e se reposicionar, revendo valores. Temos todas essas mudanças nas relações entre médicos e pacientes, também nas relações de trabalho, e muita coisa boa está surgindo”, afirmou.

Diagnóstico e prognóstico

O fato de que o receio da COVID-19 fez com que muitos pacientes adiassem seus exames preventivos e seus tratamentos também veio à tona durante o webinar. Lembrando que prevenção é o caminho, Priscilla traçou um paralelo com as recomendações de distanciamento social. “Prevenção é uma atitude primária, não secundária. E vemos isso com as pessoas que ficam em casa a fim de evitar a infecção pelo novo coronavírus. A quarentena é um ato de prevenção”, disse.

Considerando que, no momento, há uma queda nos sinistros das operadoras, o que levaria a uma adimplência nos próximos meses devido ao represamento de procedimentos eletivos, Ribeiro reforça que neste cenário não há ganhadores. “O que faremos com a maior gravidade dos pacientes com acometimentos de infecções agudas e que não estão procurando atendimento a tempo?”, questionou.

Para o executivo que comanda o Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, é preciso enfatizar para a população que tratamentos necessários não devem ser postergados. Para isso, os hospitais precisam garantir a segurança de todos os pacientes criando processos e fluxos separados para atender aqueles com suspeita de COVID-19 e outros pacientes com outras patologias e necessidades. Além disso, acredita que é equivocado pensar no curto prazo. “Este é um filme de longa duração. Daqui dois anos que poderemos entender se as estratégias adotadas foram boas ou ruins, quem ganhou e quem perdeu”, argumentou.

Ferreira acredita em um reflexo positivo deste atual cenário. “As pessoas terão uma visão diferente a respeito da saúde, darão mais importância ao sistema – seja o SUS seja o suplementar – e investirão em novos hábitos de vida”, disse. Para ele, o atual formato de busca assistencial deve mudar. “Os pacientes entenderão quando devem acionar o sistema de saúde, onde o atendimento é mais seguro, se o pronto-socorro é o local adequado ou se compromete a sua segurança. E a saúde passa a ser um assunto de debate mais universal”, completou.

Essa mudança também parece impactar a saúde corporativa, como especulou Parente. “Um dos aspectos que despertou a atenção foi uma mudança dentro das organizações e uma maior preocupação com o monitoramento. Muitas empresas não sabiam quantas pessoas estavam em casa, quantas tinham sintomas, quem estava trabalhando. Isso acelerou novas políticas de recursos humanos para maior controle, uma demanda que seguirá também para os prestadores de saúde”, finalizou.

Outras doenças não esperam a pandemia de COVID-19 passar para se manifestarem

Webinar promovido pela Abramed reuniu médicos especialistas para alertar sobre a importância de manter as rotinas de prevenção e o tratamento de doenças crônicas durante a crise gerada pelo novo coronavírus

13 de Maio de 2020

O mundo inteiro está mergulhado em assuntos relacionados à COVID-19, mas é preciso enfatizar que outras doenças não esperarão a pandemia passar para se manifestarem. Foi com esse intuito que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu especialistas de áreas clínicas e do setor de diagnóstico para o webinar “A sua saúde pode esperar? Em tempos de pandemia, não podemos deixar de lado a prevenção e o tratamento de outras doenças”. O objetivo foi reforçar a importância da prevenção e da manutenção de tratamentos mesmo diante da crise de saúde vivida atualmente.

Mediado por Priscilla Franklim Martins, diretora-executiva da Abramed, o encontro teve o formato de mesa-redonda virtual e contou com a expertise de Clarissa Mathias, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC); Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD); Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente; e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Com as recomendações de distanciamento social e as diretrizes amplamente divulgadas para que as pessoas evitassem ao máximo procurar o hospital para prevenir exposições desnecessárias ao coronavírus, a população deixou de buscar assistência médica mesmo em casos extremamente importantes.

Algumas cidades como São Paulo vivenciam o distanciamento social há dois meses e um atraso de sessenta dias no diagnóstico de alguma patologia oncológica pode ser fatal. É o que explica Clarissa ao lembrar que quanto mais tarde for descoberta a doença, menores as chances de recuperação e a eficiência dos tratamentos. “Existem neoplasias com atividade muito acelerada e um retardo de dois meses no diagnóstico pode fazer com que o paciente saia de um cenário onde haveria cura para um cenário voltado apenas ao tratamento paliativo”, declarou.

Essa é uma preocupação mundial e um estudo inglês recentemente publicado pelo The BMJ e mencionado por Clarissa durante o debate constrói um cenário preocupante: a mortalidade por câncer pode aumentar 20% por causa da pandemia.

Segundo o estudo, parte desse aumento está diretamente atrelado às pessoas com câncer que são infectadas pelo novo coronavírus e, por serem grupo de risco, chegam ao óbito; mas outra parte relevante ocorre pois, por conta da crise, o diagnóstico foi atrasado ou o tratamento, como a quimioterapia, interrompido.

Com muito receio de ir a um pronto atendimento e, assim, contrair a infecção, os pacientes deixam de procurar os médicos mesmo em situações em que, em sua rotina pré-pandemia, naturalmente procurariam. “Hoje mesmo eu atendi um paciente que estava com a pressão 18/10 e não queria ir à emergência por não se sentir seguro”, pontuou Clarissa retratando uma situação muito clara de como doenças crônicas, como a hipertensão, por exemplo, podem se tornar uma questão grave durante crises de saúde que assustam a população.

Para entrar nessa área e falar sobre cardiologia, o webinar recebeu Marcelo Queiroga, da SBC, que trouxe dados sobre a alta taxa de mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis no mundo, situação compartilhada também pelos brasileiros. “São cerca de 18 milhões de mortes ao ano por doenças cardiovasculares. Somente no Brasil, 380 mil óbitos anualmente”, comentou.

Para o presidente da SBC, a drástica redução de atendimentos cardiovasculares na emergência é sinônimo de alerta. “No Incor, que em São Paulo é o serviço de referência em angioplastia primária como tratamento para o infarto, em março deste ano verificamos uma redução de 50% no número de atendimentos quando comparamos com março de 2019. Na SBC vemos dados que mostram redução de até 70% no número de intervenções coronárias percutâneas na primeira semana de maio de 2020 no comparativo com o mesmo período do ano passado”, apontou enfatizando que ainda não é possível afirmar que a letalidade aumentou, já que os dados de óbitos não estão disponíveis.

Mesmo sem as informações precisas para conclusões, é possível que o Brasil esteja vivenciando o mesmo que os EUA já divulgaram: aumento significativo de mortes súbitas detectadas pelas ambulâncias locais. “É preciso que o sistema de saúde crie rotas alternativas para assegurar o atendimento à população tanto dessas doenças prevalentes quanto das crônicas”, disse Queiroga.

Essa “rota alternativa” mencionada por Queiroga já é apontada por Juan José Cevasco Junior, diretor-médico da Alliar Médicos à Frente, como uma realidade em alguns locais. “Claro que existem cidades onde os sistemas estão super lotados, mas o paciente não pode achar que vai procurar o pronto socorro e sairá de lá infectado. Existem rotas especiais para suspeitas de COVID-19 e rotas para outros pacientes, além das unidades hospitalares trabalharem com isolamento entre as equipes”, explicou dizendo que alguns estudos mostram que a taxa de contaminação de profissionais de saúde em atuação nas áreas de atendimento à COVID-19 é similar às taxas de contaminação de profissionais de outras áreas, o que leva a uma compreensão de que a infecção pode estar ocorrendo de forma ainda mais relevante na comunidade do que nos equipamentos de saúde.

Essa falta de assistência também afeta os diabéticos. “Com a orientação de que não devem ir ao pronto-socorro, as pessoas com diabetes estão aguardando em casa sem controle adequado. Aqueles que precisavam retornar ao médico após dois meses, não o fizeram. Lembrando que 40% das pessoas que morreram de COVID-19 eram pacientes diabéticos”, afirmou Fadlo Fraige Filho, presidente da ANAD, reforçando que a patologia piora o prognóstico de outras doenças, inclusive da infecção pelo novo coronavírus.

Diagnóstico

Com os pacientes deixando de comparecer às consultas, eles também desaparecem dos laboratórios e das clínicas de imagem. Hoje, segundo Cevasco Junior, os exames que estão sendo realizados mostram patologias em níveis bem mais avançados. “O que vemos, do ponto de vista da radiologia, são casos muito mais graves do que a média. As pessoas deixam de realizar seus exames no momento indicado para fazê-los somente quando a resolução já será muito mais complexa”, declarou.

Para o especialista, comparecer a uma unidade de diagnóstico hoje pode ser mais seguro do que ir ao mercado. “Muitas unidades oferecem o teste de diagnóstico de COVID-19, o RT-PCR, no formato drive-thru para evitar que pessoas que estão no local para outros exames não relacionados ao novo coronavírus tenham contato com esses pacientes com suspeita da doença. Além disso, quando um paciente potencialmente infectado pelo novo coronavírus vai a uma clínica para uma tomografia de tórax, por exemplo, ele tem um acesso separado dos outros cidadãos. Isso sem falar no reforço com a higienização dos equipamentos, que está muito mais intensa”, explicou.

Telemedicina

Aprovada em caráter emergencial para suprir demandas geradas pela pandemia de COVID-19, a telemedicina também foi pauta no webinar. Clarissa enfatizou que a SBOC montou uma plataforma de telemedicina que está sendo utilizada por até 30% dos pacientes que estão em atendimento oncológico.

Na cardiologia, evidências científicas sugerem que a telemedicina pode salvar vidas. “O telemonitoramento da insuficiência cardíaca pode ajudar na redução da mortalidade. Essa é uma ferramenta que deve ser utilizada dentro ou fora de uma pandemia”, disse Queiroga.

Para Cevasco Junior, a telemedicina já era uma realidade que vem sendo confirmada durante a crise do novo coronavírus, podendo inclusive auxiliar nesse controle para que eventos evitáveis recebam o atendimento devido. “Com medo de se expor ao risco, o paciente pode fazer uma primeira avaliação via telemedicina e o médico saberá quais as suas limitações, a qual tipo de risco ele pode estar sujeito e se é melhor que ele seja examinado naquele momento, encaminhando-o ao consultório se julgar necessário”, disse. Quanto ao futuro da telemedicina no país, o especialista declarou: “Espero que esse acesso remoto faça parte do ‘novo normal’ que vivenciaremos em breve”.

Para encerrar o debate, Priscilla questionou os participantes sobre o Brasil entrar em uma situação grave já vivida por países europeus e que exigirá, dos médicos, a tomada de decisões sobre quem terá acesso ou não aos equipamentos e leitos hospitalares. Cenário que já está sendo cogitado em estados como o Rio de Janeiro.

“Quando a pandemia extrapola a capacidade dos sistemas, as decisões passam a ser mais radicais. É um cenário de guerra, bastante complicado. E é difícil escrever um mesmo protocolo que atenda a todas as especialidades médicas”, pontuou Cevasco Junior.

Para que seja possível evitar que essa hipótese se torne realidade, é ainda mais necessário que as pessoas mantenham seus tratamentos em dia e não deixem de procurar assistência caso tenham sintomas que possam indicar outras patologias, assim como todos os que estão com alguma investigação de saúde em curso devem manter seus exames e consultas. “É a hora de se cuidar ainda mais. Procurar os serviços de saúde, fazer os exames periódicos e seguir com os controles. Caso contrário teremos uma terceira onda da pandemia, focada na mortalidade das doenças crônicas, ainda mais devastadora”, concluiu Fraige Filho.