Continuar as discussões sobre saúde mental nas empresas é a chave para uma sociedade mais saudável

Participação do trabalhador nesse processo é essencial, destacaram as executivas Milva Pagano e Cláudia Morgental, no 3º episódio do podcast Medtronic Cast

“Saúde vem de dentro” foi o mote do podcast da Medtronic, o Medtronic Cast, que reuniu, em seu terceiro episódio, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e Cláudia Morgental, diretora de Recursos Humanos da Medtronic Brasil – líder mundial em tecnologias, serviços e soluções médicas, para tratar de temas como equidade de gênero, bem-estar e saúde mental, os quais se tornaram cada vez mais importantes para os funcionários de uma empresa e fundamentais para garantir um ambiente saudável. Elas compartilharam experiências positivas, bem como discorreram sobre desafios que envolvem o cotidiano de uma gestão preocupada em manter esses valores.

A primeira abordagem neste novo episódio do Medtronic Cast ressaltou o fato da pandemia ter afetado a saúde mental das pessoas de muitas formas e aumentando várias doenças relacionadas a isso, como ansiedade (TheBlueDoveFoundation), depressão e Síndrome de Burnout, exigindo um novo olhar por parte das organizações, dado que as pessoas tiveram que se adequar a trabalhar em casa sem o convívio com os colegas, entre outras situações atípicas no mundo do trabalho tradicional.

Essa dinâmica suscitou a importância de entender a situação dos funcionários e oferecer alternativas para eles. Nesse contexto, Claudia contou sobre a experiência da Medtronic, e lembrou que a discussão sobre saúde mental vem evoluindo há um bom tempo, pois o tema já vinha ocupando espaço nos ambientes de trabalho antes da pandemia e, agora, em janeiro de 2022, em decorrência das discussões que aconteceram neste âmbito e devido ao agravamento que a crise da Covid-19 causou no quadro de saúde mental dos trabalhadores, o Burnout, por exemplo, como uma das consequências, passou a ser considerada uma doença ocupacional. “É mais uma das demonstrações do quanto esse tema foi significativo, é, e continuará sendo para todos nós daqui em diante”, salienta.

Claudia conta que na Medtronic, mesmo acompanhando seus profissionais no modelo virtual, foi dada uma grande atenção a todas as diferentes adaptações que os funcionários necessitaram passar. “É importante lembrar que as soluções não são iguais para todos e precisamos entender que as pessoas foram impactadas por diferentes realidades”, atentou, entre outras considerações, por exemplo, no que tange ao papel dos gestores e das empresas em tratar a saúde e segurança dos funcionários em primeiro lugar e vencer vários desafios gerados com a crise sanitária global. “Isso sempre foi muito importante para a Medtronic e conseguimos, desde o início da pandemia, nos posicionar muito bem em relação às questões de bem-estar e saúde”.

Para Milva, a questão da saúde mental dos funcionários está sendo discutida com mais ênfase nas empresas, pois a pandemia abriu espaço para se conversar mais sobre o assunto e, como observado por Cláudia, mostrou os diferentes níveis e momentos vividos pelas pessoas, além de que o nível de maturidade nas empresas também tem suas diferenças e exige um tipo diferenciado de interação com os líderes, muitas vezes sendo necessário um movimento maior de apoio e espaço para diálogo.

“Nesse período de dois anos de pandemia vivemos situações totalmente atípicas. E somado ao fato de que antes dela já tínhamos um quadro de adoecimento mental da sociedade na totalidade, isso foi agravado diante do sentimento de medo, do luto por entes queridos, pelas perdas de emprego, das inconstâncias socioeconômicas e de saúde em geral e da luta pela sobrevivência e subsistência das famílias, além de outros fatores cruciais”, pondera a diretora-executiva da Abramed.

De certa forma, conforme expôs Milva, a pandemia humanizou um pouco mais as pessoas, colocando todas no mesmo nível de fragilidade, tendo que conciliar diversos aspectos pessoais e profissionais nesta nova dinâmica de trabalho, mas com o viés emocional mais latente, demonstrando a necessidade de verbalizar seus medos e angústias. “Todo esse cenário já existia antes da pandemia, mas podemos considerar que seu advento trouxe a permissão para falar sobre essas aflições”, assinala.

Falar sobre saúde mental nesse momento de transição pós-pandemia é essencial, devido ao seu caráter extenso e complexo, mas que já mostra avanços. Segundo Milva, deixar esse assunto vir à tona nos ambientes de trabalho e ver que as pessoas estão mais atentas para essa questão é um divisor de águas, pois só assim será possível olhar e transformar esse processo para termos um ser humano mais equilibrado e uma sociedade mais saudável.

“Temos que colocar atenção, e não tensão e nem preocupação, para continuar a tratar desse assunto, possibilitando espaços de conversas nas empresas, abrindo portas entre as empresas, verificando cases que já têm resultados, com um benchmarking efetivo”, orienta a diretora-executiva da Abramed.

Claudia e Milva concordaram sobre a importância do olhar humanizado neste novo cenário, com uma postura mais madura por parte das empresas, construindo ambientes seguros para estimular a interação entre as pessoas e visando o bem-estar dos funcionários, alinhado com a visão de negócios e a sustentabilidade a longo e médio prazo.

Milva completou que estamos no momento de volta ao trabalho presencial, lembrando a expectativa que vinha sendo alimentada com o novo normal, esperando que voltemos para a mesma vida, mas, é importante frisar que a vida de todos foi transformada nesse processo. “Essa readaptação requer certos cuidados e um olhar para as pessoas de uma maneira diferente, tratando-as conforme as suas peculiaridades. Isso é exercer a justiça de fato porque ninguém é igual, essa é a realidade”, pontuou a diretora-executiva da Abramed.

Entre os temas pautados no podcast, o bate-papo tratou também sobre os desafios das empresas do setor de saúde em serem catalisadoras de boas práticas nesse novo contexto do trabalho. Para ouvir o terceiro episódio do Medtronic Cast na íntegra, clique aqui.

Abramed se posiciona sobre Projeto de Lei que define piso da enfermagem

A entidade é favorável à valorização do profissional, mas entende que o caminho deve ser percorrido com sustentabilidade

O Projeto de Lei (PL 2564/2020), que fixa o piso salarial dos profissionais de enfermagem, foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 4 de maio e agora depende de sanção presidencial.

Foi fixado o piso do enfermeiro em R$ 4.750; 70% do piso dos enfermeiros para os técnicos de enfermagem (R$ 3.325); e 50% para os auxiliares de enfermagem e as parteiras (R$ 2.375). A decisão é válida para os contratos regidos pelos setores público e privado nas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

É prevista também a atualização monetária anual do piso da categoria com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e assegurada a manutenção de salários eventualmente superiores ao valor inicial sugerido, independentemente da jornada de trabalho para a qual o profissional tenha sido contratado.

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) é favorável à valorização do profissional de enfermagem, mas entende que esse caminho deve ser percorrido com sustentabilidade. “É complexo estabelecer um piso nacional de salários, pois implica em nivelar realidades muito distintas. Os fortes impactos ocorrem, primeiramente, na região Sudeste, pela grande quantidade de profissionais concentrados. Nas regiões Norte e Nordeste, o maior problema é o gap na diferença de salários”, comenta Milva Pagano, diretora executiva da instituição.

Com a aprovação do PL, a estimativa de aumento dos custos com medicina é de 9,5%. Segundo Armando Monteiro, assessor parlamentar da Abramed, os impactos são enormes, tanto para o setor público quanto para o privado. “A grande dificuldade que o setor público enfrenta hoje é encontrar orçamento para custear esse aumento. Já o privado vive um momento de custos sem precedentes. Ou seja, a população será afetada. O ideal seria que o governo desonerasse a folha de pagamento da área de saúde, mas, por enquanto, essa medida não está sendo discutida de forma concreta”, expõe.

Entenda

A aprovação do PL ainda depende de acordo sobre fontes de financiamento. Há diversas propostas que ampliam receitas ou desoneram encargos; além da ampliação de recursos a serem repassados pelo Fundo Nacional de Saúde para reforçar as transferências aos entes federados.

Segundo o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR), o governo está empenhado em buscar fontes de financiamento para o piso salarial. Uma opção pode ser a legalização dos jogos de azar no país.

Tendo em vista a Câmara não ter alterado o texto aprovado no Senado, o projeto deveria seguir para sanção presidencial. A praxe no Congresso é enviar propostas para sanção depois de aprovadas, mas não há prazo para isso ser feito. Enquanto isso, a situação atual dos enfermeiros e hospitais não se altera.

Portanto, o envio para sanção será retardado, pois dependerá do resultado da votação da PEC 122/15 no Senado, que proíbe a União de criar despesas aos demais entes federativos sem prever a transferência de recursos para o custeio.

Segundo o Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados sobre Piso de Enfermagem, R$ 16,3 bilhões é o impacto anual do piso salarial da enfermagem (PL 2564/20), com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) 2020. No setor privado, são R$ 10,5 bilhões e, no público, R$ 5,8 bilhões. Há 1,07 milhão de enfermeiros, técnicos e auxiliares no Brasil, de acordo com estimativa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) baseada na Rais 2019.

Empresas devem ser protagonistas na promoção do cuidado integral dos seus colaboradores

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, moderou o debate sobre promoção da saúde e Gestão de Pessoas no evento digital #ComMeet, na FISWeek

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) promoveu, no dia 3 de maio, durante o #ComMeets, um dos eventos digitais da FISWeek — encontro virtual que reúne lideranças, empresas e entidades para compartilhar conteúdos e experiências para transformar o ecossistema da saúde —, o painel Promoção da Saúde na Gestão de Pessoas.

Com a participação de Lucilene Costa, gerente de Saúde e Segurança Corporativa no Grupo Fleury e diretora do Comitê de RH da Abramed; Cesar Izique, gerente-executivo da Dasa e também membro do Comitê de RH da Abramed, e moderação da diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, o debate destacou que as empresas vêm passando por um processo de transformação nos últimos anos no que se refere à gestão e promoção da saúde de seus colaboradores e beneficiários, acelerado ainda mais nos últimos dois anos pela pandemia de Covid-19.

Os especialistas ressaltaram que, por isso, cada vez mais é importante que as organizações sejam protagonistas do cuidado integral desses profissionais, inclusive de seus familiares, pensando no ecossistema da saúde como um bem maior.

“É importante que a empresa cuide dos seus colaboradores indo além da oferta de planos de saúde, completando esse ciclo com a gestão e a promoção da saúde, inclusive para haver o autocuidado”, afirmou Lucilene.

Para tanto, é fundamental um processo de mudança das instituições em que o ponto de partida deixe de ser a doença para dar lugar à saúde. Segundo Milva, trata-se de uma nova perspectiva em que as organizações passam a acompanhar de perto o histórico clínico dos seus colaboradores e fazer a coordenação do cuidado para que esses profissionais tenham mais qualidade de vida, ao mesmo tempo, em que sejam evitados desperdícios de recursos financeiros.

A resposta para esse desafio passa pela formação de ecossistemas. Na prática, é o desenvolvimento de soluções integradas que viabilizam enxergar todos os aspectos relacionados à saúde de cada indivíduo para fazer a efetiva coordenação de cuidados.

“É uma nova forma de observar a saúde, de maneira mais ampla, com atenção aos cuidados preventivos e preditivos, trabalhando com dados para evitar desperdícios, visto que o custo  hoje relacionado às doenças é altíssimo”, ponderou Izique, que salientou ser importante que se avalie também porque as pessoas estão precisando cuidar da saúde física e mental e como está a cultura de saúde dentro dessas organizações.

Na visão de Milva, a ideia da linha de cuidado no ecossistema, com a atuação primária, secundária e terciária efetivamente mostra essa transformação da saúde ocupacional e da medicina do trabalho, saindo da esfera meramente burocrática, muitas vezes de somente cumprir legislação, fazer exames admissionais e demissionais, para muito além.

“As empresas com a área da saúde ocupacional envolvida estão implantando os programas mais bem-sucedidos em gestão da saúde ou até mesmo liderando essas ações. Isso representa um forte indicador de sucesso nos programas de gestão de saúde corporativa”, afirmou a executiva.

O empoderamento das pessoas, enquanto pacientes, também foi destacado pela  diretora da Abramed.

“Hoje ele dialoga com o médico, discute os diagnósticos, ou seja, atua sob uma nova postura. Para nós, esse empoderamento representa vantagens e diversas oportunidades, pois estamos falando de pessoas e a pandemia revisitou a importância das pessoas, suas forças e fraquezas. Essa transformação pela qual o setor passa e que na saúde ocupacional também foi intensificada, trouxe mudanças positivas e vejo isso com bons olhos, como a telemedicina e a telessaúde, que com a eficácia dos atendimentos a distância, conseguiram promover a jornada do ciclo do cuidado com muito mais efetividade”, pontuou.

Saúde mental

Se hoje a saúde ocupacional tem uma atuação muito mais protagonista e relevante na gestão de saúde corporativa, liderando ou co-liderando a jornada do cuidado, também é necessário, segundo Milva, que as organizações estejam atentas às questões da saúde mental dos profissionais, pois antes mesmo do novo coronavírus já se vivia uma epidemia, com muitos afastamentos do trabalho em decorrência desse tipo de doença.

Saber como as pessoas estão sendo cuidadas nas corporações, com atenção ao tipo de ambiente, clima e cultura organizacionais ofertados, para identificar o que está adoecendo as pessoas, ou mantendo a saúde delas é papel da Gestão de Pessoas.

Para Lucilene, é muito importante a diretoria entender que os departamentos da empresa não são ilhas, que todas as informações recebidas a partir da operadora de plano de saúde, das gerências de RH, incluindo dados sobre turnover (taxa de rotatividade de funcionários), absenteísmo, presenteísmo e afastamento de trabalho, são necessárias para se entender como área de apoio.

“No Fleury, assim como em outras organizações, temos setores e negócios com as suas peculiaridades e entender que as necessidades de quem atua no laboratório, no administrativo, no home office, e no hospital diferem é fundamental. Essa delicadeza e pesquisa são importantes, assim como avaliar os dados com continuidade, pois darão insumos para analisar as necessidades de cada população. É entender no perfil epidemiológico qual é a sua população e criar programas específicos para ela, conforme o que precisa, inclusive com o olhar para a saúde mental”, explicou Lucilene.

É um trabalho dinâmico, segundo Izique, para entender se a linha do cuidado da sua população de colaboradores está no caminho certo. Ele ressaltou ser muito importante a integração entre a medicina assistencial, ocupacional e a segurança do trabalho, estruturas que não podem atuar em áreas e conceitos diferentes.

“A atuação do médico do Trabalho é relevante para direcionar as atuações nas companhias. Eles são os captadores das informações nos exames periódicos  para direcionar os cuidados que os colaboradores precisam”, justificou o gerente-executivo da Dasa.

Já para a segurança psicológica inclusive de líderes e gestores, ele informou ser preciso realizar treinamento e prepará-los para identificar quem está doente e necessita de acolhimento, por questionários, e contribuir para haver uma relação de confiança, algo tão importante em qualquer relação.

“Quando se  traz isso diminui-se turnover, absenteísmo, presenteísmo e de fato se consegue enxergar o cuidado que a empresa tem com o colaborador e com sua família”, finalizou Izique. 

Abramed participa da Hospitalar 2022

Entidade promoverá, no primeiro dia do evento, discussões sobre inteligência artificial e o papel da medicina diagnóstica na Gestão da Saúde

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) estará presente na 27ª edição da Hospitalar, evento promovido pela Informa Markets, que acontece entre 17 e 20 de maio de 2022, no São Paulo Expo, em São Paulo. Como parceira e apoiadora da iniciativa, a entidade promoverá, no dia 17, a partir das 14h30, o Summit Abramed, com dois painéis de discussão sobre as temáticas “Inteligência Artificial e Proteção de Dados” e “Medicina Diagnóstica na Gestão da Saúde”.

Para iniciar o Summit Abramed, o convidado Rony Vainzof, Sócio do Opice Blum, Bruno e Vainzof Advogados e coordenador dos livros Data Protection Officer e Inteligência Artificial – Sociedade, Econômica e Estado, fará uma palestra sobre inteligência artificial. Em seguida, com a palestra LGPD no Mundo, Ricardo Campos, Diretor do Legal Grounds Institute, Mestre em Teoria do Direito pela Goethe Universität e especializado em direito de novas mídias, proteção de dados, direito público e regulatório.

Após as explanações, Rogéria Cruz, diretora do Comitê de Proteção de Dados da Abramed moderará o debate sobre o tema “Inteligência Artificial e Proteção de Dados”, com participação dos palestrantes Rony Vainzof e Ricardo Campos, e Marcos Ottoni, coordenador jurídico da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) e membro do Conselho da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

O segundo painel sobre Medicina Diagnóstica na Gestão da Saúde conta com a participação de Ademar Paes Junior, Sócio da Clínica Imagem e membro do Conselho de Administração da Abramed; Carlos Eduardo Santos Moreira, Managing Director at Quest Diagnostics do Brasil, Caribbean e South America e Leonardo Piovesan, diretor de Saúde Corporativa da Associação Brasileira de Profissionais de Recursos Humanos (ABPRH) e Gestor de Saúde Corporativa do Hospital Oswaldo Cruz. Moderando o debate a diretora executiva da Abramed, Milva Pagano.

Os temas abordados no Summit Abramed são de grande relevância para o ecossistema de saúde. A medicina diagnóstica tem um papel de protagonismo crescente na gestão e na prevenção da saúde, com conhecimentos e tecnologias disponíveis sendo rapidamente adotadas. Como é o caso da inteligência artificial, com os algoritmos e os aprendizados por máquina atuando e que cada vez mais sendo potencializados. Além disso, a LGPD segue sendo um assunto que traz muitas dúvidas em sua aplicação, principalmente no setor de saúde, visto que é um segmento que lida diariamente com dados sensíveis.

A Abramed também estará com estande institucional, localizado na rua B-143, durante os quatro dias de Hospitalar 2022.

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Dedicação e investimento em recursos humanos são essenciais para aumentar competitividade no mercado

Em entrevista à Abramed, Hélio Magarino Torres Filho, diretor médico da Richet, fala sobre o segredo de manter-se há 70 anos no mercado. Laboratório é novo associado da Abramed

O Richet, destaque há 70 anos na área de medicina diagnóstica, é o novo associado da Abramed. Atuando tanto na área hospitalar, como em parceria com clínicas especializadas em fertilidade, check-up executivo, geriatria, medicina esportiva, apoio nutricional e medicina do trabalho. Além disso, também oferece uma estrutura de atendimento laboratorial a centros de pesquisa clínica com apoio técnico, operacional e logístico. 

Em entrevista exclusiva para a Abramed, Hélio Magarino Torres Filho, Diretor Médico do Richet, comentou as mudanças, desafios, perspectivas para o futuro do setor no pós-pandemia e como a empresa tem pautado sua estratégia, aliando atendimento humanizado da medicina ao diagnóstico através de tecnologia de ponta. Confira na íntegra: 

Abramed em Foco: O setor de medicina diagnóstica, sem dúvidas, passou por mudanças substanciais desde a fundação do Richet, há 70 anos. Em sua opinião, quais foram as principais delas?

Penso que as mudanças foram bastante significativas. A principal foi a introdução de tecnologias modernas e algoritmos de inteligência artificial, que modificaram completamente o setor, permitindo o crescimento e evolução dos serviços com maior segurança e precisão técnica. A segunda mudança foi uma consequência da primeira e consiste na consolidação do setor, permitindo a criação de grandes Núcleos Técnicos Operacionais, com alta tecnologia e menor custo. 

Abramed em Foco: Quais são hoje os principais desafios da medicina diagnóstica atualmente?

Os principais desafios correspondem a entrega de resultados cada vez mais preciso e clinicamente úteis a um custo que tem de ser adaptado à situação atual. 

Abramed em Foco: Qual o segredo para conseguir acompanhar essas transformações, unindo inovação, sem perder a tradição?

O segredo é o que todo serviço conceituado faz. Qualidade total, desde o início do atendimento até a entrega do resultado. Atualmente, com alta tecnologia presente nos grandes centros diagnósticos, o que continua fazendo a diferença é o pré e o pós-analítico. O bom atendimento ao paciente, tentando sempre surpreendê-lo e também a interação com o médico prescritor dos exames, também são fundamentais para diferenciar-se no mercado. Além, evidentemente, de conhecimento e expertise técnica. 

Abramed em Foco: Como o Richet enxerga a importância da tecnologia para manter a competitividade? E, como tem investido nisso nos últimos anos?

Ninguém que pretenda manter-se com presença marcante no mercado pode negligenciar o acompanhamento e introdução de novas tecnologias. Hoje esta seja, talvez, uma das principais bases dos bons serviços. Manter-se atualizado requer dedicação, estudo e investimento em capital humano. 

Abramed em Foco: Como equilibrar hoje qualidade e custos em um cenário tão volátil?

Temos que ter bons parceiros comerciais, tanto fornecedores como fontes pagadoras. Para permanecer saudável, o mercado tem que funcionar em perfeita sintonia. 

Abramed em Foco: A pandemia, em sua opinião, veio mais para ensinar ou transformar o setor? Quais as lições que ficaram?

A pandemia realmente trouxe grandes lições. A resiliência, dedicação e conhecimento fizeram a diferença. Acredito que a principal lição foi estarmos predispostos a realizar grandes mudanças, virando todo o cenário da empresa para um objetivo maior, sem perder as diretrizes principais.

Abramed em Foco: Centralidade no paciente e qualidade são realmente aspectos cruciais para manter-se hoje competitivo?

Qualidade é fundamental, não apenas para demonstrar aos médicos e ao público em geral, mas também para manter a equipe estimulada, vivenciando e sendo mais um “fiscal” das boas práticas. Quando a equipe “vive” a qualidade, todos saem ganhando. 

Abramed em Foco: E, as acreditações qual a importância no cenário atual?

As acreditações são os instrumentos para a resposta acima. É o que mantém toda a equipe e demonstra para o público o quanto a empresa investe nas boas práticas. Hoje, podemos dizer que os serviços de diagnósticos brasileiros se equiparam aos dos melhores centros de diagnóstico do mundo, através dos selos de qualidade.  

Abramed em Foco: Como enxerga o futuro da saúde no pós-pandemia? A medicina diagnóstica assume um papel diferente do que tinha anteriormente?

Penso que os serviços diagnósticos saíram fortalecidos após a pandemia, pois foi possível mostrar sua grande importância, não apenas para o diagnóstico da COVID-19, como também para uma infinidade de outras doenças e também a prevenção delas. 

Abramed em Foco: Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

A Abramed é muito importante para podermos discutir os desafios e chegarmos a decisões importantes para o setor. Sentimo-nos bem mais integrados ao mercado e com a segurança de ter um fórum permanentemente atualizado sobre tudo de importante que está acontecendo. 

Comitê de RH aborda reflexos da pandemia na nova configuração do trabalho híbrido e saúde mental

Grupo discute a importância de “dar sentido para o que se faz no trabalho” alinhando propósitos pessoais com o das empresas

As mudanças trazidas para a adaptação ao novo normal advindas com a pandemia da Covid-19 ainda trarão profundos reflexos no mundo do trabalho. O sistema home office e seu dinamismo na nova configuração empresarial é um dos temas mais latentes nesse âmbito. Apesar de não ser uma ferramenta nova no universo trabalhista, o trabalho online tem sido motivo de debates e várias ações na área de Recursos Humanos para gerir essa atual realidade nos negócios. Para tratar essa questão sob a ótica do setor da saúde, o Comitê de RH da Abramed, convidou Marcelo Cardoso, presidente do Instituto Integral Brasil, para discutir o tema, no último dia 12 de abril.

O executivo compartilhou um pouco da sua vivência nesses novos tempos à frente do Integral Brasil, entidade que atua na disseminação da Abordagem Integral, fomentando sua aplicação no desenvolvimento pessoal, organizacional e social, através de estudos, cursos, práticas e compartilhamento de experiências. ​

Diante da sua expertise no setor empresarial, Cardoso trouxe um panorama do contexto atual que as empresas estão vivendo no que tange a adoção do trabalho híbrido neste momento de transição pós-pandemia. “Essa nova realidade traz diversas questões sensíveis ao RH, que vão além de encarar somente a proposta do trabalho híbrido, mas também de investigar se quando nos encontramos na empresa, o porquê de estarmos nos encontrando e quais são as implicações do ponto de vista de conexão e cultura que tem o trabalho remoto e o híbrido a partir de agora?”, questiona o executivo. 

Cardoso fez considerações sobre a mudança do trabalho presencial para o sistema remoto e suas implicações psicoemocionais nas pessoas, que causou em um primeiro momento um sentimento de felicidade por “estar em casa”, mas temporalmente causou um certo nível de estresse, revisitando sintomas como ansiedade e acelerando o quadro de doenças mentais.

“Estamos vivendo em um processo de ansiedade permanente. Do ponto de vista da curva emocional é como se bilhões de pessoas estivessem vivendo permanentemente essa angústia muito ligada ao sistema de trabalho, com sobrecargas que estão levando os profissionais a tomar atitudes e fazer renúncias muitas vezes impulsivas e com repercussões negativas nas suas vidas em todos os níveis”, pontua Cardoso.

Ele usou como exemplo o “The Great Resignation”, movimento que surgiu nos Estados Unidos e gerou uma onda de demissões voluntárias desde o início da pandemia da covid-19.  Só entre abril e setembro do ano passado, 25 milhões de pessoas (cerca de 4 milhões por mês) disseram adeus aos seus empregos nos EUA, muitas vezes sem ter ainda uma nova possibilidade em vista. E o que era um movimento local se espalhou para outros lugares, inclusive no Brasil.

O especialista trouxe outros exemplos práticos vivenciados em diversos países pelas mudanças acarretadas por este fenômeno causado pela pandemia no mundo empresarial e citou algumas ações das organizações para enfrentar as dificuldades e encontrar soluções, mas que nem sempre são conduzidas de formas condizentes com os resultados esperados.

“As empresas vivem essa disfunção de cultura há um bom tempo e na pandemia, com o home office, elas foram trazidas para dentro das nossas casas o que agrava esse cenário. Por isso, é importante tratarmos desse tema em reuniões como essa do Comitê de RH da Abramed”, expressa Cardoso.

Para o executivo, a questão é abrangente, tem várias ramificações e suscita muitas dúvidas e considerações que devem ser levadas em conta pelos profissionais de Recursos Humanos neste momento em que as empresas estão adotando o sistema de trabalho híbrido.

“É um movimento novo que estamos vivendo no mundo trabalhista e, que apesar da insegurança financeira, as pessoas estão mais propensas a tomar a decisão de sair do trabalho. É um sinal para ficarmos em alerta e atentos, e exercitarmos mais o olhar sistêmico para entender e gerir melhor as circunstâncias que propiciam a adesão da renúncia profissional”, frisa Cardoso.

Sobre este “movimento da grande renúncia”, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, questionou se esse fenômeno surgiu por conta da pandemia ou foi potencializado por ela. Cardoso assegurou que a pandemia tem efeito crucial, mas é algo muito complexo, que exige um aprofundamento de análise para seu entendimento das suas causas e raízes.

“Nem sempre é só a remuneração que causa esse efeito, mas muitas vezes está associada às questões de convivência com uma cultura tóxica nas empresas. Isso nos leva a constatar que o ambiente organizacional é tóxico faz tempo, então a minha hipótese é que a pandemia acelerou algo que já estava latente e insuportável para as pessoas”, respondeu Cardoso.

Ele ainda fez analogias com base em estudos que tratam das doenças mentais e sua correlação com o ambiente do trabalho e seu crescimento no mundo, afetando a população em geral, com sintomas que vão de depressão a síndrome do pânico e todas as consequências que acarretam para o trabalhador.

“No Brasil não é diferente. Atualmente, doença mental já é o segundo maior ofensor no que diz respeito ao afastamento de trabalhadores e de sinistralidade nas empresas. Um fator que interfere bastante nisso é que, ao longo dos anos, não existiu um esforço de saúde e segurança do trabalho para tratar a doença psíquica e o ambiente organizacional de alguma forma favorece esse aumento”, aponta o especialista.

Para Cardoso, isso também está ligado às características da personalidade sociopata e narcisista que influencia a forma de gestão dos líderes, executivos da alta direção, entre outros tipos de gestores, que nem sempre estão preparados para lidar com as questões emocionais dos colaboradores.

O presidente do Instituto Integral Brasil observa que do jeito que a sociedade se organizou nos últimos 100 anos, tratando as pessoas como recursos e valorizando a construção da lógica de que é preciso atingir as metas de produção é um fator que propicia em potencial a exposição dos trabalhadores aos mecanismos que criam a doença mental.

“Acredito que apesar dessa situação ser preexistente, a pandemia agravou e meio que nos arremessou nessa realidade. Ela não é a causa, mas é um grande agravante dessa situação que estamos vivendo nos ambientes corporativos”, avalia.

Milva, por sua vez, lembrou que a pandemia impulsionou mudanças em torno do isolamento social nas empresas e trouxe à tona para as pessoas uma vulnerabilidade que colocou todos na mesma linha como seres mortais, do CEO ao chão de fábrica, e, talvez, isso tenha feito as pessoas repensarem o que é de fato importante em suas vidas e o que elas querem e o que estão dispostas a se sujeitar ou não em termos profissionais.

A executiva fez as observações levando em conta a dinâmica dos profissionais do setor da saúde, considerados exemplos de pessoas mais propensas a cuidar do próximo. “Em vista disso, sempre me questiono sobre a importância do propósito pessoal e do seu alinhamento com o propósito da corporação onde a pessoa está inserida”, salienta.

Além disso, Milva destacou que vale refletir sobre o quanto o profissional da saúde está sendo influenciado por esses reflexos psicológicos gerados pela pandemia. Se o comportamento deles também difere em algum grau dos outros profissionais, por ter o lado do propósito pessoal mais aguçado. “Por ver valor no que está fazendo ao cuidar das pessoas, o profissional da saúde consegue agregar esse valor ao seu objetivo pessoal”, exemplifica a diretora-executiva da Abramed.

A observação de Milva alimentou o bate-papo entre Cardoso e demais participantes da reunião. Diante dos reflexos causados pela pandemia na saúde mental das pessoas, a questão vem ganhando espaço nas discussões de RH e a busca para atender essa nova configuração organizacional trazida com o sistema de trabalho híbrido. O grupo falou, especialmente, sobre o que essas mudanças refletem nos interesses acerca dos propósitos pessoais, uma vez que os profissionais almejam dar sentido para o que se faz no trabalho, e como alinhá-los aos objetivos das organizações. Eles destacaram experiências vivenciadas nesse período, os desdobramentos que as questões de saúde mental vêm repercutindo na área da saúde e quais ações devem ser encaminhadas pelos profissionais do setor de RH dessas empresas.

Painel Abramed na JPR 2022 discute tendências do mercado de Saúde na visão de CEOs que atuam no setor

Entidade também participou com estande institucional que recebeu associados e parceiros durante os quatro dias de evento

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esteve na 52ª Jornada Paulista de Radiologia (JPR), evento organizado pela Sociedade Paulista de Radiologia (SPR), que ocorreu entre os dias 28 de abril a 01 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Em Painel promovido pela entidade e que compôs a programação oficial do evento, executivos discutiram as principais tendências do setor de medicina diagnóstica. O objetivo foi evidenciar os movimentos mais atuais, em curso em hospitais e em grupos de medicina diagnóstica e trazer subsídios para um maior entendimento do caminho para o qual o futuro aponta, especialmente na radiologia. 

Conduzida por Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, o bate-papo contou com a participação de Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; Fernando Ganen, Diretor Geral do Hospital Sírio Libanês; e Lídia Abdalla, CEO do Grupo Sabin. Fragmentação do setor, digitalização, interoperabilidade, qualidade e a importância da educação continuada e da formação de profissionais foram tópicos abordados e apontados como desafios importantes pelos executivos.

“A JPR é um evento com foco em temas científicos e cumpre essa missão com muito brilhantismo. Mas, complementar a programação com discussões de cunho mercadológico, como a que estamos promovendo, é bastante importante para que os radiologistas conheçam o seu ambiente de trabalho”, iniciou Shcolnik, ao agradecer o espaço e também enfatizar a necessidade de que cada vez mais pautas como essas façam parte da grade de eventos para especialistas.

O setor de saúde, sem dúvidas, é um dos mais visados do ponto de vista de investimentos e de crescimento. Trata-se do 8º maior mercado de saúde globalmente, 6º mercado farmacêutico mundial e o 3º maior privado de saúde do mundo. São mais de 6,2 mil hospitais, 20 mil Centros de Diagnóstico e 300 mil entidades de saúde.

Entre os maiores desafios, segundo Ganen, que abriu o painel trazendo números sobre o setor, estão os movimentos cada vez mais intensificados de verticalização e consolidação e também um nível muito baixo de integração e conectividade. Tudo isso potencializado pela alta da inflação no pós-pandemia e pelo processo eleitoral para a Presidência da República e outros importantes cargos públicos. 

Fragmentação

A alta fragmentação do ecossistema, com múltiplas regiões, perfis diferentes de pagadores e provedores, foi também outro aspecto salientado por Ganen. Para ele, nesse cenário, é ainda mais importante para que o cuidado centrado no paciente seja o ponto inicial para qualquer discussão em saúde e que todos os stakeholders trabalhem em alinhamento. Sem isso, o sistema torna-se insustentável. “É preciso colocar a fonte pagadora, os contratantes da fonte pagadora e os prestadores de serviços para pensarem em soluções conjuntas e, desta forma, entregarem um melhor cuidado ao paciente”, enfatizou.

Segundo Jeane Tsutsui, esta fragmentação e a formação de diversos ecossistemas acaba atingindo todo setor de uma forma geral no Brasil. Mesmo quando se olha para o diagnóstico, os quatro maiores players do setor, correspondem a 30% do market share. A executiva lembrou durante a sua explanação que a própria jornada de cuidado do paciente é fragmentada e que, durante sua trajetória, não é incomum que o paciente se sinta perdido e seja deslocado de um local para outro, sem nenhuma conexão. Mas, destacou a importância da medicina diagnóstica tanto para integrar, como para respaldar todas essas etapas do cuidado.

“O diagnóstico está presente em todas as etapas do cuidado, seja na atenção primária ou no suporte para questões mais simples, até a alta complexidade. Ela acaba sendo a espinha dorsal. Por isso, ela traz uma vantagem: o paciente pode ser conduzido no cuidado na saúde, englobando o diagnóstico de uma maneira integrada e indo além, conseguindo completar a jornada de cuidado mesmo em um ambiente outpatient e com parcerias com hospitais de maior complexidade”.

A CEO do Grupo Sabin, Lidia Abdalla, também reforçou a ideia de o Brasil ser um país heterogêneo e com muitas diferenças de uma estrutura para outra. É evidente, na opinião da executiva, que olhar para a sustentabilidade do setor da saúde e também dos negócios para seguir sendo competitivo no mercado, seja algo complexo no atual cenário. Mas, atentou também para o fato que, embora essa estrutura traga os desafios da fragmentação, ela cria, em simultâneo, oportunidades para o setor e possibilidades de solucionar problemas que ocorrem já há algum tempo.

“Temos que estruturar novos serviços e inseri-los no fluxo para termos de fato uma presença maior na jornada do paciente, pensando em como podemos nos diferenciar e entregar mais valor ao cliente. A medicina diagnóstica tem uma característica muito importante, como já foi dito, e não podemos deixar de lado esse foco central: tudo começa por ela e tudo continuará passando independente do modelo verticalizado ou de consolidações.”, enfatizou Lídia. 

Ainda sobre a crucialidade do setor de medicina diagnóstica, o presidente do Conselho de Administração da Abramed, reforçou o seu papel na prevenção, que, no que lhe concerne, é ainda uma forte aliada para a redução dos custos totais na saúde. “Um diagnóstico errado, compromete todos os passos que se sucedem no cuidado à saúde. A medicina diagnóstica pode contribuir muito para trazer eficiência ao sistema de saúde. E, o nosso desafio é comprovar isso”, complementa Shcolnik.

Interoperabilidade

Emendando o tema aumento de eficiência, os CEOs foram indagados a respeito da importância da digitalização e da interoperabilidade nesse sentido. A inovação e o uso da tecnologia foram apontados como inegociáveis para o setor de radiologia, em especial com a chegada do 5G, inteligência artificial, entre outros avanços. Os radiologistas são afeitos a tecnologias e em alguns casos pioneiros em sua utilização. Muitos aspectos relacionados à digitalização e à interoperabilidade na saúde começam na medicina diagnóstica, área onde também muitos dados médicos são gerados. Inclusive, elas já são uma realidade e devem ser pensadas para agregar valor aos negócios e aos pacientes, sempre considerando os aspectos relacionados à segurança.

Porém, Lídia Abdalla, chamou a atenção para um ponto, enfatizando que existe uma certa ambiguidade nesse tema: de um lado a necessidade e do outro, a manutenção da privacidade. Ter dados e informações integradas de todos os exames, sejam eles de análises clínicas ou de imagem, é uma tendência. Como solução, a LGPD emerge como algo bastante positivo que norteia como trabalhar essa questão do compartilhamento de dados e destacou ainda que “muitas pessoas falam que a interoperabilidade é complicada e ela é. Mas, ela acontecerá de qualquer forma”, ressalta a executiva.

Fora a adequação, Jeane, apontou que a tecnologia tem que ser usada a favor da medicina e da prática médica para aumentar a produtividade. Segundo a presidente do Grupo Fleury, isso é crucial em um país de muita carência em saúde e de sobrecarga de trabalho.  “Existe diferença entre teoria e prática e uma lacuna grande entre o que é possível e o que é necessário. É importante pensar em como fazer isso, na prática. Olhando o futuro, o equilíbrio está em nossas mãos, e precisamos incorporar a tecnologia, porque o mundo será cada vez mais digital. Se somos organizações focadas no cliente, temos por obrigação aderir ao digital, pois isso já faz parte da vida dele e a área da saúde também pede isso”.

Porém, Ganen ressaltou que a despeito da tecnologia ser crucial, a humanização segue sendo um fator de extrema importância. “Diante de um achado crítico, por exemplo, é importante que o radiologista pegue esse exame e vá até à sala ao lado discutir esse caso com o seu colega. Isso muda a vida do paciente. Falo isso como clínico e não como gestor”.

A mudança nos modelos de remuneração e a continuidade ou não do modelo fee service também foram abordados durante a discussão. E, os painelistas chegaram à conclusão de que a complexidade da saúde não permite que se tenha um único modelo. O setor está tentando buscar alternativas sustentáveis, mas o fator crítico de sucesso desse negócio é ter pessoas preparadas, capacitadas e sendo desenvolvidas continuamente. Por isso, qualidade e educação continuada também foram aspectos abordados pelos CEOs durante diversos momentos do painel.

“O paciente é dono de seus dados e também de escolhas. Por isso temos que trabalhar para ter melhor serviço, pelo atendimento humanizado e sim olhando para a sustentabilidade financeira dos nossos negócios”, finaliza Lídia a respeito da questão.

Abramed participa do Fórum ABRAIDI e discute a saúde financeira dos fornecedores da área

Wilson Shcolnik destacou que vem assistindo grandes transformações no sistema de saúde há anos, inclusive como personagem dessa história

O Fórum ABRAIDI 2002, realizado de forma híbrida (online e presencial), em São Paulo, no dia 26/4, debateu “O presente e o futuro do setor de produtos para saúde no Brasil”. Durante o evento, o atual presidente executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), Bruno Boldrin, mencionou os 30 anos da entidade e o lançamento da campanha publicitária pública, que divulgará a importância da cadeia para qualidade da saúde. Representando Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração, participou do Painel que discutiu a financeirização em saúde, o fenômeno da verticalização e consolidações no setor de saúde e os desafios decorrentes.

Dentro da ótica dos prestadores, profissionais e operadoras, acerca dos benefícios, dilemas e desafios do fenômeno da financeirização da saúde, Shcolnik destacou que vem assistindo grandes transformações no sistema de saúde há anos, inclusive como personagem dessa história, quando 20 anos atrás o laboratório de análise de sua família foi adquirido pelo Grupo Fleury.

O presidente da Abramed apresentou um cenário que continua favorável para verticalização, assunto que já foi temido pelo setor e a consolidação horizontal, mas que se mantém mesmo depois da pandemia, “mesmo com um mercado aparentemente paralisado, houve um crescimento no setor de 30%. As consolidações continuam, como a Rede D’Or, a SulAmérica Saúde, o Fleury que está adquirindo clínicas oftalmológicas e de ortopedia, o Sabin, de Brasília, que comprou CML, além de vários hospitais adquirindo Centros de Imagens”, comenta.

Shcolnik contextualizou em sua apresentação os números do setor, como os de empreendimentos no país. “É importante entender que quando há uma base estrutural correta, todos ganham. Precisa haver um maestro para conduzir a jornada do paciente, que se puder encontrar em um mesmo espaço tudo ou quase tudo que necessita para manutenção ou socorro da sua saúde, através de uma prestação de serviço de qualidade, terá prazer de ser cliente desse sistema privado. É necessário saber reger, ter colaboradores de qualidade e oferta de tecnologia avançada. Cada setor é um elo de uma corrente que deve ser perfeita”, finalizou.

Dividindo o painel com Shcolnik, estava Miyuki Goto, assessora da Associação Médica Brasileira (AMB), que falou do papel das agências reguladoras e suas falhas em não colocar na mesa de negociação fornecedores junto com as operadoras de saúde, entre outros itens.

Sergio Rocha, presidente do Conselho de Administração da ABRAIDI, aproveitou o momento para apresentar os dados do anuário lançado, trazendo alguns números que vem acender sinais de alerta, como a comparativo entre exportação de produtos médicos, que teve um crescimento de 4,8% em contraponto de 7,3% de importação. Os valores de R$ 1.3 bilhões gastos com Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME´s) pelo Sistema Único de Saúde (SUS) se mantém o mesmo há anos, com o agravante do longo prazo para pagamento estar a cada dia mais estendido, além de uma série de produtos que não são reajustados há duas décadas.

No painel de discussão sobre a complexidade da cadeia de valor do fornecedor de produtos para saúde, com foco no desequilíbrio de responsabilidades entre os players da cadeia que oneram o fornecedor de produtos para saúde, Felipe Barreiro, general manager da Medtronic do Brasil, fez ressalvas importantes para o setor.

“Embora o Brasil tenha um sistema único que atende toda a população, a falta de uma política de longo prazo resulta em uma incerteza constante para as empresas globais. A Medtronic está no Brasil há 50 anos, temos duas fábricas no país, mas lamentavelmente deparamos com um cenário desfavorável devido as constantes incertezas do cenário político e econômico”, comenta Barreiro, que conclui quanto ao setor: “Temos um imenso leque de produtos, R$ 13 bilhões em estoques e com lead time de mais de 79 dias, o que nos dá uma margem corroída, uma conta que não fecha e um sistema perto de travar. A solução tem que ser construída além das fronteiras de nossas organizações, é hora de pararmos de nos enxergar como concorrentes, passando a ter uma visão mais geral para encontrarmos soluções transversais”.

Doutor em Economia, Roberto Luís Troster trouxe informações sobre contexto macroeconômico, alertando, inclusive, sobre o posicionamento do dólar no cenário mundial, que vem perdendo frente cada vez mais para o Euro e para as criptomoedas – uma luz para as informações trazidas por Patricia Marrone, sócia-diretora da Websetorial Consultoria Econômica, que afirmou que 37% dos produtos do setor, comercializados no mercado, são importados e vêm sofrendo variação de custos. “Em dezembro devemos ter o dólar estável em R$ 4,50, mas devemos ter atenção a cinco fatores de risco: Ucrânia, eleições no Brasil, fatores energéticos, pandemia, economia da China e questões fiscais mundiais, além do nosso maior monstro – a inflação”, apontou Troster.

Fechando o evento, os painéis sobre e-commerce e doenças cardiovasculares, ministrados por Rodrigo Correia da Silva, CEO da Suprevida, e Sergio Madeira, Diretor Técnico ABRAIDI, respectivamente, levantaram pontos essenciais para o setor, como o debate sobre a importância da telemedicina, inteligência artificial, robótica e o avanço das tecnologias de ponta como um todo.

Assista ao Fórum Abraidi 2022 na íntegra AQUI.

ESG – pilar estratégico para gestões mais responsáveis

Na medicina diagnóstica, especificamente, aplicação do conceito exige diálogo consistente com todos os stakeholders, devendo ser parte da ideologia empresarial

Considerando que a disseminação da cultura ESG (Environmental, Social and Corporate Governance), sigla em inglês para ambiental, social e governança corporativa, é uma das missões que as empresas têm, a colaboração é um aspecto primordial. Organizações mais maduras na adoção de estratégias nesse contexto podem direcionar e apoiar as que estão ingressando. Exatamente enxergando a relevância e poder do compartilhamento de conteúdo e de melhores práticas, que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) estruturou o Comitê ESG, com o desafio de desmitificar a relação que o tema possui com práticas exclusivamente voltadas às questões ambientais, trazendo a discussão para o contexto da área da saúde.

A conexão da sustentabilidade com a saúde, especialmente a medicina diagnóstica, já é antiga. Em 2000, quando as Nações Unidas estabeleceram, na Cúpula do Milênio, oito objetivos de desenvolvimento, três deles estavam ligados diretamente à saúde: reduzir a mortalidade na infância; melhorar a saúde materna e combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças.  Em 2015, quando se estruturou uma nova agenda para ser alcançada até 2030, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos, dois deles dedicados à nutrição e à saúde e bem-estar, que aborda os desafios e riscos no ciclo de vida das crianças, cuidados com a saúde para o seu pleno desenvolvimento, bem como a necessidade de fortalecimento dos sistemas de saúde e redes de segurança social.

Além disso, como parte e seus impactos. O setor está vivendo um intenso processo de transformação digital e de inovação com foco na ampliação do acesso à saúde. A medicina diagnóstica contribui diretamente para a crescente do ecossistema empresarial e pode contribuir com outros objetivos de desenvolvimento sustentável que abrangem as temáticas voltadas ao crescimento econômico e emprego; padrões de produção e consumo sustentáveis, e as medidas para combater a mudança do clima dinâmica econômica e social do país e tem também uma responsabilidade grande na redução e neutralização dos impactos das suas atividades no planeta.

De acordo com Andrea Pinheiro, que é membro do Comitê ESG e diretora de Relações Institucionais e Comunicação Corporativa do Grupo Sabin, atualmente se tem o ESG incluindo os aspectos ambientais, sociais e de governança no mesmo nível e sendo incorporados pelos mais diferentes atores. Isso torna cada vez mais pertinente estabelecer um diálogo consistente com todos os stakeholders. Cabe salientar que a cultura ESG precisa ser genuína. Para ter consistência, o compromisso não pode ficar apenas no discurso. Tem que ser autêntico e engajador, além de fazer parte da ideologia empresarial, não apenas como compromisso empresarial, mas como mindset.

O conceito ESG foi abordado na edição 2005 da conferência das Organizações das Nações Unidas, quando Kofi Annan – naquele momento, líder da entidade – apresentou o relatório “Who Cares Win, Connecting Financial Markets to a Changing World”. O relatório foi a semente para as reflexões sobre a incorporação de fatores ambientais, sociais e de governança ao mercado de capitais.

“Com a pandemia e a crise global em 2020, o conceito ganhou destaque, ressaltando o papel fundamental das organizações no desenvolvimento da sociedade, e os aspectos ambientais, sociais e de governança como uma nova referência para a entrega de valor. A pandemia foi um divisor de águas neste sentido. A crise foi propulsora para que o conceito de ESG retomasse de forma intensa no contexto corporativo, inclusive com diversos rankings empresariais de avaliação desses aspectos tanto para empresas de capital aberto quanto fechado”, fala Andrea.

Segundo Meire Ferreira, que é membro do Comitê de ESG da Abramed e gerente-executiva de Sustentabilidade na Beneficência Portuguesa, a sigla ficou mais famosa a partir do ano passado devido ao movimento do mercado financeiro e de investidores, que ao realizar grandes investimentos já avaliam a partir de uma ordem de risco de modo geral. Por isso, o Comitê recém-criado também irá considerar a dimensão econômico-financeira para se trabalhar uma agenda de sustentabilidade mais integral, sistêmica e completa.

Para Andrea, a criação do Comitê de ESG da Abramed chega para somar na governança da entidade e, em consequência, contribuir para o setor. É um espaço muito rico para o encontro de ideias e convidativo para um debate central. Ele tem potencial grande de contribuir para outros comitês temáticos da entidade. “A visão da sustentabilidade é 360 e o Comitê permite que sejamos também um elo de apoio para o fortalecimento desta agenda e das práticas para os associados e para a própria associação”, enfatiza.

Caminhos para o ESG

Muitos laboratórios associados à Abramed já trilham o caminho da sustentabilidade, outros estão iniciando. Segundo Andrea, a pauta ESG tem potencial incrível para o setor, mas ainda há, sim, muito a evoluir. É necessário provocar uma mudança no mindset dos líderes.

“Ainda temos uma parcela de gestores entendendo que para implementar ESG é preciso um grande investimento e que esse papel cabe às grandes empresas, às companhias com orçamentos mais robustos. Mas quando falamos de ESG, nos referimos essencialmente à cultura e aos princípios da empresa. Os aspectos de ESG estão presentes na gestão mais responsável de recursos, nas práticas de menor impacto no meio ambiente, nas diversas iniciativas que impactam não só a empresa, mas também a sociedade. São práticas que podem ser implementadas em organizações de todos os portes. É natural que algumas ações já aconteçam dentro das empresas, mas muitas vezes não estão alinhadas e não são acompanhadas de forma efetiva para que alcancem um patamar que impacte mais as pessoas, as organizações e o planeta”, atesta Andrea.

“O Comitê de ESG da Abramed tem dois papéis. O primeiro é apoiar todos os outros comitês e a própria entidade com essa agenda, porque não é um Comitê de ESG que viabiliza ESG para todos os associados isoladamente. Para se conseguir fazer com que ele seja parte dos processos de gestão das organizações que integram a Abramed, precisa estar na pauta de todos os outros grupos. O Comitê de ESG tem o papel de influenciar os demais e trazê-los para essa agenda’, explica Meire.

Ela destaca que o outro papel é o de ajudar a Abramed entender o tamanho da influência que pode exercer em relação às empresas de medicina diagnóstica. Quando a entidade compreender essa dimensão poderá direcionar para os associados pautas no Conselho de Administração com uma gestão mais responsável e mais sustentável para as empresas, contribuindo com o processo de tomada de decisão das organizações.

“Penso que o Comitê de ESG tem que de fato possuir uma estratégia para poder viabilizar ações que impactem a todos os stakeholders das empresas de medicina diagnóstica. Certamente o viés da comunicação interna ganhará uma força muito relevante. Tudo que fizermos deverá considerar o olhar de criação de valor compartilhado. Sem uma comunicação estruturada não será possível”, ressalta Meire.

“Vivemos em um mundo onde temos acesso a um grande volume e diversidade de informações, então acredito que compartilhar conhecimento de qualidade será mais desafiador. A produção de conteúdos relevantes, com credibilidade e consistência demandarão um maior empenho. Algumas das sugestões que apresentei ao comitê preveem ampliarmos a pesquisa anual para termos uma visão mais holística dos aspectos que estão sendo trabalhados nas companhias associadas à Abramed. São informações de extrema importância para identificar como podemos apoiar as empresas associadas dos mais diferentes portes, fortalecer o nosso setor e também contribuir com nosso perfil, estreando um novo capítulo neste material de referência setorial”, antecipa Andrea.

“Gostaria de frisar que o grupo que participou da instituição do Comitê de ESG está com uma energia muito alta, muito positiva. São pessoas que querem fazer a diferença setorialmente falando. O maior ativo desse Comitê é o interesse em comum dessas pessoas e das organizações que elas representam”, finaliza Meire.

Abramed marca presença em webinar sobre Saúde Ocupacional e as transformações trazidas pela pandemia

Olhar para além da gestão da medicina diagnóstica tem sido um dos focos da entidade, ressaltou a diretora executiva, Milva Pagano 

Em celebração ao Dia Mundial da Saúde, o PK Pinhão e Koiffman Advogados realizou, no dia 7 de abril, o evento “Saúde Ocupacional: Viabilização jurídica e benefícios aos colaboradores e à empresa”, com a proposta de discutir a importância da gestão da saúde, principalmente no cenário atual no qual prevalece a preocupação dos gestores em razão das demandas criadas pela pandemia, como o isolamento social, a instabilidade emocional, entre outros, bem como em razão do crescimento dos índices de doenças que demandam cuidado de longo prazo. A programação mostrou como viabilizar essas questões do ponto de vista dos negócios e do caráter jurídico, destacando os reflexos no contexto trabalhista e da tecnologia digital com o incremento, por exemplo, da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Moderado por Hélio Moraes, sócio responsável pelas áreas de Contratos, Proteção de Dados, Tecnologia e Compliance do PK Pinhão e Koiffman Advogados; e Diogo Marzzoco – DPO e coordenador da equipe de Proteção de Dados pessoais no PK Advogados, a programação contou com os painelistas: Vanessa Ziggiatti, sócia responsável pela área trabalhista do PK Pinhão e Koiffman Advogados; Milva Pagano, diretora executiva na Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed); e Luis Augusto Pilan, diretor médico na Mantris.

As abordagens trazidas pelos especialistas destacaram os papéis das empresas de saúde ocupacional e dos colaboradores como centro dos cuidados. Eles discorreram sobre temas atuais para o setor, como a MP 1.108 (que determina regras específicas sobre o modelo de trabalho home office), conceito ESG, eSocial, os desafios operacionais e trabalhistas ligados à proteção de dados pessoais trazida pela LGPD, e orientações para os gestores conseguirem operacionalizar suas estratégias em gestão de saúde atendendo às mudanças do arcabouço normativo e da pandemia.

Com um panorama sobre a área da saúde e suas demandas atuais, Milva Pagano abordou alguns dos desafios que permeiam o setor nesse período de transição pós-pandemia, destacando a visão que a Abramed vem alimentando para além da medicina diagnóstica, com um olhar para a gestão da medicina como um todo.

“Isso nos remete à importância da medicina diagnóstica dentro dessa cadeia, uma vez que não dá para falar em gestão, promoção e tratamentos de saúde sem diagnósticos. Com isso, o diagnóstico acaba sendo o começo, meio e fim de tudo. Daí a importância de alinharmos todos os elos dessa cadeia para um trabalho em conjunto”, salientou Milva.

Na sequência, Luís Pilan comunicou a aquisição da Mantris pelo Grupo Dasa, agregando, assim a medicina assistencial ao trabalho da Mantris na área ocupacional, destacando que o mercado de saúde no Brasil está aquecido com novas aquisições, investimentos por parte de empresas financeiras e desenvolvimento tecnológico e, portanto, vê com relevância a parte diagnóstica para a gestão da saúde. “Esse movimento é bem promissor e só tem a agregar para o paciente e, consequentemente, para os gestores de saúde das empresas”, frisou.

Saúde ocupacional é o tema do dia a dia de trabalho da advogada Vanessa Ziggiatti. A especialista destacou o apoio em dirimir as dúvidas em relação à transformação que a área de saúde ocupacional tem tido ao longo do tempo. “As relações de trabalho refletem nas relações sociais e vão se aperfeiçoando. Com isso as empresas estão adquirindo novos deveres, mas também novos poderes e o advogado trabalhista pode contribuir para ajudá-las nessas questões”, ressaltou.

No decorrer do webinar, Milva Pagano fez considerações sobre a problemática atual da saúde ocupacional no Brasil, informando que o setor da saúde como um todo está passando por transformações intensas. “E, como uma forte tendência de mercado, temos visto a concentração de empresas que compõem todos os elos da cadeia dentro de um mesmo grupo o que significa a busca pela consolidação de um ecossistema da saúde”, observou. Ela lembrou ainda que a verticalização dos serviços é um movimento que tende a se expandir no País.

Levando em conta esses aspectos, Milva fez observações competentes à área da saúde ocupacional que vem vivendo um processo de transformação ao longo dos anos tendo que sair da esfera meramente burocrática que o Médico do Trabalho exercia, muitas vezes de somente cumprir legislação, fazer exames admissionais e demissionais, e hoje vai muito além. “As empresas estão implantando os programas mais bem-sucedidos em gestão da saúde que tem a área da saúde ocupacional envolvida ou até mesmo liderando as ações. Isso representa um forte indicador de sucesso nos programas de gestão de saúde corporativa”, afirmou a executiva.

O empoderamento dos pacientes também foi destacado na fala da diretora da Abramed. “Hoje ele dialoga com o médico, discute os diagnósticos, ou seja, atua sob uma nova postura e diante desse empoderamento, o setor da saúde tem discutido se isso é uma ameaça ou traz oportunidades. Para nós, representa vantagens e diversas oportunidades, pois estamos falando de pessoas e a pandemia trouxe à tona a importância das pessoas, suas forças e fraquezas. Essa transformação pela qual o setor da saúde passa e o da saúde ocupacional também foi intensificada e trouxe mudanças positivas e vejo isso com bons olhos. Para mim, hoje, a saúde ocupacional tem uma atuação muito mais protagonista e relevante. Não dá para se falar em gestão de saúde corporativa sem a saúde ocupacional estar liderando ou co-liderando esse processo”, pontuou.

Para assistir o webinar na íntegra, clique aqui