Abramed lança Cartilha sobre NR-1 e riscos psicossociais no trabalho

Guia prático oferece orientações para que serviços de medicina diagnóstica implementem a gestão de fatores psicossociais de forma alinhada à realidade operacional do setor.

A Portaria MTE nº 1.419/2024 trouxe uma mudança histórica na legislação trabalhista brasileira: pela primeira vez, os riscos psicossociais foram equiparados aos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Em vigor desde maio de 2026, a norma exige que as empresas identifiquem, avaliem e implementem medidas preventivas relacionadas à organização do trabalho e às relações interpessoais.

Diante dessa transformação regulatória, a Abramed reconheceu a necessidade de oferecer orientações estruturadas e específicas para o setor. “A cartilha foi elaborada para apoiar os serviços de medicina diagnóstica na compreensão das mudanças regulatórias e na organização de práticas estruturadas de identificação, avaliação e gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”, explica Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados e uma das revisoras técnicas do projeto.

O material foi desenvolvido ao longo de aproximadamente um ano e meio de debates internos no Comitê de Recursos Humanos da entidade e contou com contribuições de especialistas em medicina do trabalho, direito e ergonomia.

Uma abordagem flexível e contextualizada

Um dos diferenciais da cartilha é que ela foi concebida deliberadamente sem indicar uma metodologia única de avaliação. Essa escolha reflete a própria discussão tripartite no âmbito do Ministério do Trabalho, que caminhou no sentido de não engessar as empresas em um único método.

“O que funciona para uma grande empresa com presença nacional pode não funcionar para uma clínica de pequeno porte no interior”, destaca Daniela. Essa flexibilidade permite que cada organização adote a abordagem mais adequada à sua realidade operacional, tamanho, estrutura e capacidade institucional.

A cartilha está organizada em 11 capítulos, que cobrem:

Apresentação: contextualização da importância do tema

Contexto regulatório: histórico e marcos legais da NR-1

•Conceitos fundamentais: entendendo os riscos psicossociais relacionados ao trabalho

O que a NR-1 exige das organizações: identificar, avaliar, implementar medidas, monitorar

Implementação: estratégias para gestão desses riscos

Integração com NR-17: como articular riscos psicossociais com ergonomia e acompanhamento da saúde ocupacional

Especificidades da medicina diagnóstica: riscos psicossociais particulares do setor

Documentação e evidências: como registrar e manter registros das ações

Preparação: checklist para se preparar

Perguntas frequentes: dúvidas comuns respondidas

Referências: fontes e materiais complementares

Baixe a cartilha

A Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho está disponível para download gratuito e pode ser acessada por todas as empresas da área da saúde que desejam estruturar suas práticas de gestão de riscos psicossociais de forma alinhada às novas exigências regulatórias.

O material é um convite à ação não apenas para cumprir obrigações legais, mas também para construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e sustentáveis, algo indispensável para a qualidade de vida dos profissionais de saúde e para a excelência na prestação de serviços à população.

Baixar a Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho

Abramed debate implementação da NR-1 e riscos psicossociais em reunião do Comitê de RH

A adequação às novas exigências regulatórias, que entraram em vigor em maio, foi o tema do encontro, que reuniu especialistas e líderes do setor para discutir estratégias de implementação.

A reunião de junho do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, realizada no Grupo Fleury, em São Paulo, foi marcada pelo lançamento da Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho: Guia Prático para Serviços de Medicina Diagnóstica, seguido de uma importante discussão sobre as novas exigências regulatórias e estratégias de implementação no setor.

Na abertura da reunião, Afranio Haag, diretor de Recursos Humanos do Grupo Fleury, destacou que as transformações sociais têm ampliado a atenção das organizações para a saúde dos trabalhadores e reforçado a importância de discutir os riscos psicossociais de forma estruturada.

Já Lucilene Costa, Head de Gestão de Saúde, Segurança e Bem-Estar no Grupo Fleury e líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, destacou a importância do preparo das instituições de medicina diagnóstica diante do novo cenário regulatório.

Em vigor desde maio de 2026, a norma passou a ser fiscalizada em caráter orientativo, sem aplicação de penalidades. Pela primeira vez, os riscos psicossociais passaram a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

“Essa cobrança já está acontecendo, seja via ações trabalhistas, seja via Ministério Público do Trabalho. Não dá para ficar inerte”, alertou Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados.

Contexto e urgência: dados que reforçam a necessidade de ação

Flávia Vianna, gerente de Saúde e Trabalho do Pacto Global da ONU Rede Brasil, apresentou o Guia Prático de NR-1 elaborado no âmbito do Movimento Mente em Foco — iniciativa lançada em 2020, no auge da pandemia, e que integra a estratégia Ambição 2030 do Pacto Global.

Ela trouxe números que reforçam a urgência do tema: mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais foram registrados no Brasil em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. No setor de saúde, entre 2012 e 2024, o salto foi de 750% na participação proporcional dos afastamentos por transtornos mentais: o maior crescimento relativo entre todos os setores analisados.

O Movimento Mente em Foco propõe seis compromissos públicos que as empresas signatárias assumem perante a ONU: ter um profissional de referência para escuta e encaminhamento; oferecer orientação e manejo de crises; garantir avaliação permanente dos fatores de risco; manter lideranças engajadas e treinadas; criar um programa antiestigma; e promover ações de incentivo à saúde mental baseadas nas demandas reais dos colaboradores.

A discussão avançou para a aplicação prática da norma com a participação de Paulo Leal, consultor médico em saúde ocupacional do Grupo Fleury, que compartilhou como a organização atua na gestão dos fatores psicossociais.

Com metodologia baseada na identificação de áreas críticas a partir de indicadores como afastamentos, atestados, banco de horas e passivos trabalhistas, seguida da aplicação de instrumentos validados para avaliação dos fatores de risco, o programa utiliza inteligência artificial para o processamento de dados e mapeamento das dimensões de risco em três categorias: condições favoráveis, intermediárias e desfavoráveis. 

A experiência mostra que a IA ajuda a organizar grandes volumes de dados, mas a análise humana continua insubstituível para captar as nuances de cada contexto e construir planos de ação efetivos, com participação ativa das lideranças e acompanhamento contínuo dos resultados.

Segurança jurídica, cultura organizacional e o papel da liderança

O debate final foi mediado por Lucilene Costa e reuniu Daniela Bernardo, Flávia Vianna, Paulo Leal, Leandro Romani, diretor médico da Lockton, e Luiz Massad, médico do trabalho e diretor da Massad Perícias Judiciais e Consultoria.

Ao abrir o debate, Lucilene destacou que um dos principais desafios das organizações é avançar de um modelo reativo para uma gestão preventiva dos fatores psicossociais, reforçando a importância da troca de experiências para apoiar as empresas nessa transição. 

Os números trazidos por Romani revelaram o tamanho do desafio: uma pesquisa da Lockton com 174 empresas mostrou que apenas 3% a 5% já mapearam os riscos psicossociais com programas consolidados, enquanto 40% sequer iniciaram.

Na dimensão jurídica, Massad alertou que questionários assinados pelos trabalhadores são documentos que podem ser utilizados em processos judiciais, e a ausência deles pode gerar prova contra a empresa. Ao abordar a prevenção, reforçou: “é preciso ir ao local de trabalho, ver o que o trabalhador faz, como faz e em que condições faz”, destacando que esse acompanhamento é essencial para identificar riscos e preservar a saúde dos profissionais.

Sobre a principal barreira para a implementação da NR-1, Flávia apontou a mudança de mindset. “Enquanto não colocarmos as pessoas trabalhadoras na centralidade da tomada de decisão, vamos continuar gerindo de forma inadequada”, afirmou. No papel da liderança, os especialistas convergiram que gestores precisam aprender a diferenciar limitação de adoecimento.

Um aspecto crítico enfatizado pelos participantes foi que a avaliação de riscos psicossociais incide sobre as condições e a organização do trabalho, não sobre o diagnóstico individual de saúde mental dos trabalhadores. Essa distinção é necessária para evitar que os programas se tornem apenas ferramentas de triagem individual, sem endereçar as causas estruturais do adoecimento.

Conforme destacado, a gestão desses riscos exige o envolvimento de diferentes áreas da empresa, combinando aspectos jurídicos, assistenciais e de gestão de pessoas. Não é uma responsabilidade isolada de um departamento, mas um esforço integrado e multidisciplinar. Nesse contexto, Leal destacou que “conhecer o trabalho, conhecer o trabalhador e ouvi-lo” é o caminho para compreender a realidade das equipes e construir intervenções efetivas.

Romani ressaltou que sensibilizar a alta gestão com argumentos como penalidades jurídicas, custos dos afastamentos, perda de produtividade e impactos financeiros é fundamental para viabilizar o avanço das ações de gestão da saúde corporativa. Já Daniela salientou que as empresas precisam demonstrar, por meio de ações concretas e registros consistentes, que atuaram para promover um ambiente de trabalho saudável. 

Encerrando o debate, Flávia propôs uma reflexão: “Como esperamos que uma pessoa entregue algo que ela não está sendo capaz, porque o trabalho está distorcendo a sua identidade por fatores que podem ser identificados, mapeados, controlados, tratados e monitorados?”.

Ao final, Lucilene reforçou que, mesmo em um cenário de crescente automação e transformação tecnológica, as organizações continuam sendo formadas por pessoas. “Lidamos com a saúde. Então, não podemos deixar de olhar que, como estamos entre seres humanos, precisamos ter cuidado uns com os outros”, afirmou. 

Manter a saúde e o bem-estar dos profissionais de saúde é fundamental não apenas para a qualidade de vida desses trabalhadores, mas também para garantir a excelência na prestação de serviços e a segurança do paciente — aspectos indissociáveis da medicina diagnóstica.

Com essa visão, a Abramed reforça seu compromisso em apoiar o setor nessa transição, promovendo a troca de conhecimentos para o desenvolvimento de ambientes de trabalho cada vez mais seguros e saudáveis.

Diagnóstico 5.0: líderes discutem os desafios da medicina diagnóstica em uma era de mudanças exponenciais

Debate organizado pela Abramed promoveu reflexões sobre inovação, inteligência artificial e os desafios de adaptar as organizações a um cenário de transformações rápidas. 

A Abramed reuniu líderes de grandes instituições da saúde para debater os desafios e as oportunidades da transformação tecnológica no setor. O debate “Diagnóstico 5.0: inovação, inteligência artificial e os novos rumos da medicina diagnóstica” foi realizado em 19 de junho durante a Reunião Mensal de Associados (RMA), na sede administrativa da Dasa, em São Paulo.

Ao longo do encontro, ficou evidente que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas adotar novas tecnologias e passou a ser desenvolver modelos de gestão capazes de acompanhar a velocidade das transformações. 

A abertura foi conduzida pelo CEO da Dasa, Rafael Lucchesi, que enfatizou que as lideranças enfrentam um momento sem precedentes. “Vocês lideram empresas no momento mais volátil e desafiador da história da humanidade. Não só pela questão de países e de geopolítica, mas também pela questão tecnológica”, afirmou. 

Lucchesi ressaltou que, nesse cenário, a Abramed tem um papel estratégico. “A entidade precisa estar no centro da discussão sobre regulação, tecnologia, dados e interoperabilidade, e como isso será feito com responsabilidade.” Segundo ele, o modelo de inovação em saúde deve sempre equilibrar velocidade e segurança do paciente. 

“Nem sempre é possível aplicar o modelo de startup no mercado de saúde, pois, para não levar risco ao paciente, o setor tem uma velocidade diferente de aceite e de teste para inovar”, explicou.

Na sequência, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, moderou o debate. Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da entidade e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Leonardo Vedolin, diretor vice-presidente médico e de produção da Dasa; e Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

O desafio da inovação organizacional

Marcos Queiroz iniciou sua participação defendendo que as organizações precisam evoluir. O grande desafio atual é que as inovações deixem de ser pontuais e passem a ser organizacionais. “Dentro das  empresas existem muitas iniciativas de inteligência artificial, algoritmos e até de agentes. Só que, muitas vezes, são ações desconectadas”, pontuou.

Para ele, a transformação exige investimentos robustos em infraestrutura de dados, pessoas e tecnologia. Como exemplo, comentou sua experiência no Einstein: “Se no passado não tivéssemos constituído um banco de dados muito bom, nada do que a gente faz hoje seria possível”. A instituição utiliza modelos de linguagem para integrar dados de pacientes e fornecer resumos automáticos aos médicos.

Além da integração de ações, um ponto recorrente no debate foi a importância da educação e da mudança cultural.  Segundo Queiroz, o desafio agora é preparar as pessoas para acompanhar o crescimento. 

“Precisamos capacitar as pessoas em IA, em agentes, em inovação como um todo, para conseguir suportar o crescimento que está por vir. Profissionais têm que estudar para construir uma organização melhor. No final, nós somos a instituição, cada um de nós a representa”, afirmou.

Ao abordar o papel da cultura organizacional, Cesar Nomura apontou que enquanto a China e o Japão têm culturas fortemente focadas em trabalho e produção, o Brasil caminha em direção contrária e sem uma educação que ajude as pessoas a evoluírem.

A tensão entre tradição e agilidade

Nomura também refletiu sobre o desafio de inovar em uma instituição centenária em um momento de transformação acelerada. Em sua análise, a chave para a sobrevivência é manter um olhar de startup mesmo dentro de uma grande organização tradicional. “Se nós não conseguirmos implementar algumas iniciativas com agilidade, creio que vai ser difícil sobreviver.”

Como referência, comentou a decisão do Sírio-Libanês de montar seu próprio laboratório de análises clínicas, contrariando a prática comum do mercado. O resultado foi revolucionário: hemogramas que saem em até 10 minutos, eliminando erros humanos. Essa transformação só foi possível porque a instituição conseguiu olhar para o problema com outra mentalidade.

A lição da China: velocidade e escala

Recém-chegado de uma viagem ao gigante asiático, Leonardo Vedolin compartilhou impressões sobre o país que, em sua visão, está cerca de um século à frente do Brasil em transformação tecnológica. 

Ele destacou a alta interoperabilidade que a China tem entre seus sistemas, a quantidade de empresas locais que oferecem energia limpa e a disciplina de planejamento e execução, que permite implementar mudanças em velocidade incomparável. 

Apesar das diferenças entre os países, Vedolin demonstrou otimismo em relação ao potencial de transformação da saúde. “A setor tem um ambiente de transformação muito propício para que as tecnologias de verdade causem impacto”, afirmou. Dados mostram que a produtividade da área pouco evoluiu nos últimos 40 anos, o que revela um amplo espaço para avanços impulsionados pela inovação. 

Na visão de Nomura, dois fatores travam esse desenvolvimento no Brasil: custo-efetividade de incorporação tecnológica ainda desfavorável em comparação com os EUA e China e uma cultura de busca por consenso antes de experimentar, oposto do modelo asiático, que experimenta primeiro e debate depois. “Enquanto o uso das novas tecnologias não for simples e o custo não for barato, isso irá nos limitar”, constatou, com exemplos de hospitais digitais chineses que, apesar de tecnologicamente avançados, apresentam processos mais lentos do que os analógicos.

O debate deixou claro que a medicina diagnóstica brasileira está em um momento de mudanças. As organizações que conseguirem equilibrar inovação com responsabilidade, agilidade com governança, e visão de futuro com execução presente estarão melhor posicionadas para avançar na era do Diagnóstico 5.0.

FILIS 2026 celebra 10 anos de diálogo estratégico para o futuro da saúde

Fórum da Abramed reunirá lideranças para discutir como regulação, valor, governança e inteligência artificial se conectam na construção do Diagnóstico 5.0. 

Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), que será realizada em 26 de agosto de 2026. Desta vez, o evento acontecerá no Teatro Santander, em São Paulo, ampliando a capacidade de receber participantes e acompanhando o crescimento que o Fórum registrou nos últimos anos.

Ao longo de uma década, o FILIS consolidou-se como um importante espaço gerador de pautas propositivas para o setor de saúde, reunindo gestores, executivos e representantes de diferentes segmentos para discutir os desafios e as transformações que impactam o sistema de saúde.

Com o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, a edição de 2026 propõe uma reflexão integrada sobre os fatores que vêm redefinindo a medicina diagnóstica e seu papel na sustentabilidade, na eficiência e na qualidade da assistência. 

“O FILIS é, acima de tudo, um espaço de diálogo e construção conjunta. A cada edição, reforçamos nosso compromisso em fomentar discussões e ações que impulsionam a medicina diagnóstica a um patamar cada vez mais estratégico. O Diagnóstico 5.0 não é apenas uma visão, mas um caminho que estamos trilhando coletivamente para um sistema de saúde mais robusto e centrado no paciente”, afirma Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

A estrutura do evento foi cuidadosamente planejada com eixos temáticos sequenciais e complementares, que guiam os participantes por uma compreensão abrangente dos desafios e oportunidades do setor.

Os eixos que orientam a edição de 2026 

O Fórum começa com o eixo Regulatório, que terá como tema “Segurança regulatória, inovação e sustentabilidade na saúde”. O debate abordará os fundamentos necessários para o desenvolvimento sustentável do setor em um cenário marcado pela inovação tecnológica, pela transformação digital e pela crescente complexidade assistencial.

Entre os assuntos em destaque estarão a modernização regulatória, a integração entre os setores público e privado e os desafios para a construção de um ambiente capaz de acompanhar a velocidade das mudanças sem comprometer a segurança e a qualidade dos serviços.

Na sequência, o eixo Valor discutirá o tema “Dados, precisão e valor: os novos desafios do diagnóstico”. O foco estará na contribuição da medicina diagnóstica para a melhoria dos desfechos clínicos, o apoio à tomada de decisão médica e o uso mais eficiente dos recursos.

O debate destacará como a utilização estratégica de dados e a precisão diagnóstica podem ampliar a eficiência assistencial e reforçar o papel do diagnóstico ao longo da jornada do paciente.

O terceiro eixo será dedicado à Governança e terá como tema “Governança, ética e compliance: os pilares da sustentabilidade institucional”. Em pauta, estarão os mecanismos que contribuem para a solidez das organizações, como integridade, transparência e fortalecimento da cultura organizacional.

A discussão evidenciará como esses elementos apoiam a sustentabilidade institucional e fortalecem a capacidade das organizações de responder aos desafios de um ambiente em constante transformação.

Encerrando a programação, o eixo Inteligência Artificial abordará o tema “IA como estratégia para eficiência e qualidade na saúde”. O debate discutirá como a IA, a interoperabilidade e a inteligência de dados estão ampliando as possibilidades de integração de informações, apoio à decisão e geração de conhecimento para profissionais e organizações.

O eixo também mostrará como essas tecnologias estão transformando processos, redefinindo modelos de trabalho e criando oportunidades para uma saúde mais conectada, eficiente e orientada por dados.

“Os desafios da saúde não podem mais ser analisados de forma isolada. Regulação, valor, governança e inteligência artificial são temas interdependentes e fundamentais para a evolução da medicina diagnóstica e do sistema de saúde. O FILIS foi concebido justamente para promover essa visão integrada entre os diferentes atores do setor e direcionar iniciativas concretas”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Reconhecimento e conexão entre lideranças

Além dos quatro eixos temáticos, a edição de 2026 contará com a entrega da 8ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece contribuições relevantes para a medicina diagnóstica. O evento também promoverá os tradicionais momentos de Leaders Connection, voltados à troca de experiências e ao relacionamento entre lideranças do setor. 

A expectativa é que ao final do encontro fique reforçado o conceito de Diagnóstico 5.0, que representa a convergência entre todos os eixos para construir um sistema de saúde mais integrado, sustentável, inteligente e centrado no paciente — uma síntese que traduz também os dez anos de trajetória do FILIS.

Participe da 10ª edição do FILIS

As inscrições para o FILIS 2026 estão abertas. Garanta sua participação neste marco de uma década de discussões estratégicas para o futuro da saúde: https://www.abramed.org.br/filis.

* Programação preliminar sujeita a alterações.

IA multimodal: interoperabilidade e governança serão determinantes para transformar a saúde 

A medicina diagnóstica, produtora de informações essenciais, tem a oportunidade e a responsabilidade de assumir um papel integrador. Avançar para um modelo de inteligência diagnóstica compartilhada deixou de ser uma escolha e tornou-se uma necessidade. 

Temos hoje mais dados do que qualquer geração de profissionais de saúde jamais teve acesso e, ainda assim, tomamos decisões olhando para informações fragmentadas. Muitas vezes, a imagem da tomografia chega separada da patologia; o prontuário fica em um sistema, os exames laboratoriais em outro; a genômica, quando disponível, frequentemente é incompreendida por quem precisaria integrá-la à conduta. Esse modelo reflete a forma como os sistemas foram historicamente estruturados, de maneira segmentada por especialidade. 

O que muda não é a quantidade de dados disponível, mas a capacidade de integrá-los em tempo real e identificar relações clínicas que antes permaneciam invisíveis. 

Imagine um paciente oncológico cujo exame de imagem mostra uma lesão pulmonar suspeita. A tomografia, sozinha, diz pouco. Mas quando a IA correlaciona aquela lesão com o padrão histológico da biópsia, os marcadores inflamatórios dos exames laboratoriais e uma mutação identificada na análise genômica, o quadro muda completamente. Deixa de ser apenas uma lesão a ser investigada e se torna uma hipótese diagnóstica com grau de confiança, risco de progressão estimado e, potencialmente, caminhos terapêuticos mais precisos. Esse é o poder da integração multimodal.

É justamente essa capacidade de integrar múltiplas fontes de informação — característica da IA multimodal — que viabiliza o avanço para uma inteligência diagnóstica compartilhada. 

Mas essa integração não acontece espontaneamente. Ela exige que informações produzidas por diferentes sistemas, especialidades e instituições consigam dialogar entre si de forma segura, padronizada e interoperável.

Um ponto importante é que a IA multimodal não precisa ter todos os dados disponíveis ao mesmo tempo para gerar valor clínico. Ela pode trabalhar com achados parciais — imagem e história clínica, ou imagem e laboratório — desde que seja treinada e validada para lidar com a ausência de evidências. O que não pode faltar é transparência: o modelo precisa indicar seu grau de confiança e deixar claro o que está faltando para um diagnóstico correto. Sem isso, o risco de decisões baseadas em certezas falsas é real.

A medicina diagnóstica, que sempre foi produtora de informações essenciais, tem agora a oportunidade — e a responsabilidade — de se tornar a integradora desses dados. Sair do modelo de laudos paralelos para um modelo de inteligência diagnóstica compartilhada não é uma escolha, é uma necessidade. Mais do que isso: vejo o setor ocupando um papel cada vez mais estratégico na jornada completa do paciente, conectando prevenção, diagnóstico, prognóstico, tratamento e monitoramento.

As áreas com maior potencial de impacto imediato são exatamente aquelas que já geram volumes expressivos de evidências clínicas: radiologia, patologia digital, oncologia, cardiologia, neurologia, oftalmologia e medicina de precisão.

Entre o entusiasmo e a responsabilidade, quais os riscos da IA multimodal?

Mesmo diante de tantos benefícios, em todas as transformações, há riscos. Nesse caso, em minha opinião, o maior deles não é a regulação lenta, mas, sim, a adoção desorganizada. Um sistema de IA que gera laudos longos, com correlações estatísticas sem relevância clínica, que o médico aceita sem questionar, se torna uma nova forma de erro sistêmico em vez de evolução. Tecnologia avançando sem governança é perigosa em qualquer setor e na saúde, os efeitos podem ser irreversíveis.

Por isso defendo que a IA multimodal precisa ser explicável, rastreável, validada clinicamente e usada como apoio à decisão médica, jamais como substituta. A regulação brasileira caminha nessa direção, com princípios de autonomia médica, segurança do paciente e primazia do julgamento humano. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) terá papel central nesse processo, especialmente quando esses sistemas passarem a influenciar diretamente o diagnóstico, o prognóstico ou a definição de condutas terapêuticas. 

O que precisamos construir agora

Aproveitar todos esses benefícios não depende do algoritmo mais sofisticado. Quanto mais a IA evolui, mais evidente fica que seu valor depende da qualidade da informação que consegue acessar e integrar. A tecnologia avançará de qualquer forma, porém, hospitais e laboratórios que não investirem hoje em interoperabilidade, padronização e governança de dados verão a IA multimodal ficar restrita a pilotos e apresentações em congressos.

É preciso também enfrentar os desafios que tornam essa construção difícil no Brasil: a fragmentação dos sistemas, a baixa padronização entre instituições, as exigências legítimas da LGPD relacionadas à privacidade e à segurança dos dados dos pacientes e, talvez o mais subestimado, a desigualdade de maturidade digital entre os centros.

Temos hospitais e laboratórios altamente avançados convivendo com instituições que ainda operam com dados não estruturados e sem integração. Qualquer estratégia nacional que ignore essa assimetria está destinada a ampliar as desigualdades que já existem.

Para os profissionais da saúde, o desafio também será grande. É preciso compreender as informações geradas pelos exames, reconhecer os vieses que podem afetar sua interpretação e conhecer as limitações dos modelos de IA utilizados nesse processo. Competências em dados, validação de IA, pensamento crítico e comunicação integrada entre especialidades são pré-requisitos, e não mais diferenciais, para atuar com responsabilidade num ambiente diagnóstico cada vez mais orientado por inteligência artificial.

Acompanho esse processo com a convicção de que a medicina diagnóstica brasileira tem capacidade técnica e institucional para liderar essa transformação. Contudo, isso exigirá o enfrentamento dos desafios de interoperabilidade, avanços na governança de dados, validação clínica rigorosa das ferramentas adotadas e o desenvolvimento dos profissionais que atuarão nesse novo ambiente. Esse é o trabalho que começa hoje.

Daniel Tornielli — Membro do Comitê de Interoperabilidade da Abramed
Coordenador de Desenvolvimento no Hospital Israelita Albert Einstein há 24 anos, Daniel é pioneiro na implantação do primeiro VNA do Brasil. Atualmente coordena as equipes de desenvolvimento, infraestrutura, segurança e datalake do Banco de Imagens — projeto PROADI-SUS nacional de validação de algoritmos de IA em imagem médica. Também é cofundador e CTO da SmartCare AI, startup do InovaHC/HC-USP.

Participe da 10ª edição do FILIS
Temas como interoperabilidade, governança de dados e inteligência artificial estarão em destaque no FILIS 2026 – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, que será realizado em 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo. As inscrições estão abertas em https://www.abramed.org.br/filis/.

INFLUENZA: positividade atinge novo pico no ano e chega a 31,4% no país 

Após semanas de queda, índice salta de 22,9% para 31,4% e atinge o maior patamar de 2026; taxa é quase o dobro da registrada no mesmo período de 2025 

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% dos exames realizados na saúde suplementar no país, mostram que a influenza voltou a avançar no Brasil e atingiu o maior nível do ano em maio.

Após queda entre as semanas epidemiológicas 13 e 19, a taxa de positividade para influenza voltou a crescer no intervalo de 17 a 23 de maio de 2026 (SE 20), saltando de 22,9% para 31,4%. O percentual segue muito acima do observado no mesmo intervalo de 2025, quando a positividade era de 17,0%. 

Embora a média móvel das últimas cinco semanas tenha fechado em 24,2%, refletindo o recuo observado nas semanas anteriores, a alta recente interrompe a trajetória de redução e acende o alerta para uma possível inversão na curva de contágio. 

Segundo Carlos Eduardo Ferreira, médico patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, os números mostram que a circulação do vírus permanece intensa e exige vigilância contínua. “A retomada de crescimento e o novo pico observado agora quebram o ritmo de desaceleração que vinha sendo registrado. É um cenário que demanda atenção das autoridades e da população”, afirma. 

Vacinação e diagnóstico seguem fundamentais

A proximidade do encerramento das campanhas contra a gripe em diversas regiões do país reforça a importância da imunização, especialmente entre os grupos prioritários.

“Quando observamos níveis tão elevados de circulação viral, ganham ainda mais relevância a vacinação, a atenção aos sintomas e a busca por avaliação médica nos casos indicados”, destaca Carlos Eduardo Ferreira.

Para o especialista, a medicina diagnóstica tem papel essencial na resposta assistencial, ao permitir identificar casos com mais rapidez, orientar condutas médicas e apoiar o planejamento dos serviços de saúde. “O diagnóstico no momento adequado contribui para decisões mais assertivas e ajuda o sistema de saúde a responder com mais eficiência”, completa.

Monitoramento

Os dados são compilados pela plataforma de inteligência METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da Abramed. A ferramenta permite acompanhar tendências de forma estratégica e apoiar a tomada de decisões em saúde populacional.

As associadas da Abramed também enviam resultados diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo com o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para compreender a progressão das doenças respiratórias no Brasil e embasar medidas de saúde pública.

PEC que reduz jornada de trabalho avança ao Senado e acende alerta para reflexos na assistência à saúde

Abramed reforça apoio à qualidade de vida dos trabalhadores, mas alerta para a necessidade de considerar as particularidades do setor

A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 27 de maio, a PEC nº 221/2019, que reduz a jornada máxima de trabalho e altera o modelo atual da escala 6×1. Pela proposta, a carga semanal passaria de 44 para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da medida, chegando posteriormente a 40 horas semanais em até 14 meses. O texto também mantém o descanso semanal preferencialmente aos domingos e prevê flexibilizações para acordos coletivos e micro e pequenas empresas.

Para a Abramed, a defesa da qualidade de vida e da sustentabilidade das relações de trabalho é legítima e acompanha uma transformação já observada em diferentes setores da economia. Na saúde, porém, a implementação de mudanças relacionadas à jornada exige atenção às especificidades da assistência, à continuidade do cuidado e à segurança do paciente, especialmente diante do curto prazo previsto para adequação inicial das operações.

Na medicina diagnóstica, por exemplo, a operação funciona de forma ininterrupta e envolve atividades altamente especializadas, suporte à tomada de decisão clínica e atendimento a demandas de urgência e emergência. Nesse cenário, mudanças nas relações trabalhistas precisam avaliar, além dos aspectos operacionais, as particularidades do sistema de saúde e a qualidade dos serviços prestados à população.

“Estamos falando de um segmento que participa de forma decisiva na vida do paciente, com operações que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. É uma atividade que exige precisão, integração entre equipes, capacidade técnica e responsabilidade contínua com a assistência”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

“Todos somos pacientes em algum momento da vida. Ao decidirmos como as atividades no setor devem ser organizadas, estamos decidindo como nós mesmos e nossas famílias seremos atendidos nos momentos de maior vulnerabilidade”, complementa.

A entidade ressalta ainda que a implementação de novos modelos de jornada deve considerar os desafios já enfrentados pelo setor, como a escassez de profissionais especializados, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

O Brasil é um país continental, com realidades muito distintas entre regiões, municípios e tipos de serviço. Modelos rígidos de jornadas, aplicados de forma uniforme, tendem a desconsiderar essas diferenças e os efeitos podem ser sentidos justamente onde a oferta de saúde já é mais frágil.

Uma restrição de jornada sem planejamento pode reduzir ainda mais essa cobertura, criando lacunas assistenciais difíceis de suprir no curto prazo. Andrea Pinheiro, líder do Comitê de Comunicação da Abramed, destaca que os desafios relacionados a esse aspecto já fazem parte da rotina de empresas que atuam em diferentes regiões do país.

“Hoje, a saúde já enfrenta uma assimetria estrutural entre oferta e demanda de profissionais, com grandes desafios na contratação em diversas regiões, especialmente no interior. Em muitas localidades, outros setores econômicos disputam, inclusive, os mesmos talentos. Por isso, é importante que qualquer mudança relacionada à carga horária seja debatida levando em conta também os impactos sobre a sustentabilidade da assistência”, avalia.

Outro ponto que integra esse cenário é o papel da tecnologia e da Inteligência Artificial na reorganização das atividades da saúde. Para a Abramed, inovação e digitalização são aliadas fundamentais, mas não substituem o cuidado humano, que exige julgamento clínico, responsabilidade e contato direto com o paciente.

Esses são aspectos que seguem sendo valorizados pelas pessoas e essenciais para a qualidade da assistência. Diante de uma população que envelhece e demanda cada vez mais atenção, substituir pessoas qualificadas por soluções tecnológicas sem a devida avaliação representa um risco à qualidade dos serviços.

“A segurança do paciente está intrinsecamente ligada à qualificação dos profissionais e à capacidade de manter equipes preparadas para atender uma demanda crescente e cada vez mais complexa”, reforça William Malfatti, também líder do Comitê de Comunicação da Abramed.

Diante desse cenário, a entidade vem acompanhando os desdobramentos da proposta e seus possíveis impactos sobre a operação da saúde e da medicina diagnóstica, mantendo interlocução com entidades do setor, especialistas e representantes do ambiente regulatório e legislativo.

O tema tem mobilizado representantes dos comitês internos da associação e lideranças da saúde, com foco em continuidade assistencial, disponibilidade de profissionais, sustentabilidade operacional e qualidade do atendimento. “É fundamental que a implementação de mudanças considere a realidade dos serviços assistenciais no Brasil. O desafio é promover ambientes de trabalho mais saudáveis sem comprometer a capacidade de atendimento e a eficiência do setor”, conclui Milva Pagano.

Abramed amplia diálogo com ANS e Anvisa sobre soluções regulatórias para a medicina diagnóstica

Aproximação institucional reforça construção conjunta de agendas voltadas à qualidade dos serviços de saúde, segurança do paciente, excelência assistencial e sustentabilidade do setor

Reforçando seu papel na interlocução qualificada entre os prestadores de serviços de saúde e as principais autoridades regulatórias do país, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reuniu, em Brasília, lideranças do setor e representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para debater caminhos que garantam a sustentabilidade, a segurança jurídica e, acima de tudo, a qualidade da assistência prestada ao paciente.

Os debates ocorreram durante a Reunião Mensal de Associados, no dia 27 de maio, e foram pautados em torno da cooperação mútua e do compartilhamento de conhecimento técnico com o poder público. O primeiro painel abordou os desafios regulatórios do ecossistema de serviços de saúde, com participação de Thiago Campos, diretor da 5ª Diretoria da Anvisa, e de Edmilson Diniz Filho, gerente-geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (GGTES) da Agência. A mesa foi moderada pela diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, e contou com a participação do presidente do Conselho de Administração da entidade, Cesar Nomura.

Thiago Campos apresentou um panorama estrutural da agência e reafirmou o compromisso com uma atuação orientada pela responsabilidade regulatória e pela busca de soluções que equilibrem acesso, sustentabilidade e segurança assistencial, destacando a diretriz da atual gestão de manter canais abertos e transparentes para a escuta ativa do setor produtivo.

Também foi abordado o desenvolvimento dos Roteiros Objetivos de Inspeção (ROIs), ferramentas metodológicas que buscam modernizar e uniformizar a linguagem entre quem produz e quem fiscaliza no território nacional, aproximando o setor produtivo das vigilâncias locais com critérios claros e baseados em evidências.

A Abramed reforçou ainda sua atuação próxima no processo de implementação da RDC 978 e reafirmou ainda sua disponibilidade para colaborar tecnicamente com a Anvisa, contribuindo com a experiência acumulada pelos associados na construção de ferramentas regulatórias e processos que fortaleçam o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária.

Diálogo com a ANS: regulação responsiva e equilíbrio na cadeia da saúde suplementar

O segundo bloco foi dedicado à agenda regulatória da saúde suplementar, com participação de Carla Soares, diretora de Gestão Interina da ANS. A mesa foi moderada por Cesar Nomura e contou com a presença de Milva Pagano e da vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.

A diretora da ANS trouxe uma visão integrada do modelo atual, enfatizando o conceito de regulação responsiva e que a maturidade alcançada pela saúde suplementar permite uma atuação mais próxima das práticas do setor, promovendo boas práticas de governança e ampliando o diálogo entre operadoras e prestadores.

Ela também reconheceu a assimetria histórica nessa relação e sinalizou que a ANS tem trabalhado para ampliar sua capacidade de monitoramento e presença ao longo de toda a cadeia assistencial.

Foi consenso entre as lideranças da Abramed e a Agência que a medicina diagnóstica — eixo central da prevenção, do diagnóstico correto e da recuperação do paciente — precisa de previsibilidade, transparência e equilíbrio contratual para continuar investindo em inovação e evolução tecnológica.

Cesar Nomura alertou que cerca de 40% do parque tecnológico de alta complexidade do setor, incluindo tomógrafos, equipamentos de ressonância magnética e PET, entrará em fase de obsolescência nos próximos quatro anos.

Segundo ele, a renovação desse parque depende diretamente de um ambiente de maior previsibilidade e sustentabilidade financeira para o setor, tornando ainda mais relevante o avanço das discussões regulatórias em curso.

Carla Soares afirmou que o espaço de diálogo com as lideranças setoriais permanece aberto, reforçando que o aprimoramento contínuo da regulação é desejável e faz parte do papel institucional das agências reguladoras.

Ao final dos painéis, os participantes ressaltaram uma mensagem convergente entre reguladores, operadoras e prestadores: quando o paciente é colocado no centro das decisões, o diálogo técnico e institucional se fortalece.

Novo modelo de fiscalização da ANS: o que muda para operadoras e prestadores

A regulação responsiva já está em vigor e seus efeitos chegam até laboratórios e serviços de diagnóstico.

Neste mês, entrou em vigor o novo modelo de fiscalização da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que tem potencial para alterar a forma como operadoras, hospitais, clínicas e laboratórios se relacionarão daqui para frente.

O modelo aprovado abandona parte da lógica tradicional baseada apenas em punição e amplia a chamada regulação responsiva. Com isso, a ANS prioriza mecanismos de prevenção de conflitos, monitoramento de condutas e estímulo à autorregulação antes da aplicação direta de sanções.

A mudança também atualiza e reorganiza os tipos infracionais e estabelece reajustes escalonados das multas. Dependendo da infração, os valores podem se tornar significativamente mais altos, sobretudo em situações de reincidência ou falhas consideradas sistêmicas.

Assim, a ANS passa a ter quatro modalidades de ação escalonadas:

  • A Ação Planejada Preventiva de Fiscalização (APP) é a mais leve e tem caráter orientador, sem previsão de sanção, voltada para situações de menor complexidade;
  • Para situações de risco moderado, será adotada a Ação Planejada Focal (APF), ainda sem aplicação de punição, mas com acompanhamento mais próximo; 
  • Em casos mais graves ou em que as duas medidas anteriores não surtirem efeito, a agência entrará com a Ação Planejada Estruturada (APE) e a multa poderá chegar a R$ 1 milhão por determinação descumprida, além da possibilidade de restrição do exercício do cargo para o administrador da operadora;
  • Por fim, a Ação Coercitiva Incidental (ACI) é reservada para casos de descumprimento relevante ou aumento expressivo de reclamações, com multa diária entre R$ 5 mil e R$ 12,5 mil, conforme o porte da operadora.

Em relação aos valores das penalidades, que terão reajuste escalonado em três etapas até 2028, a elevação total chegará a 170% sobre os valores vigentes atualmente. Por exemplo: uma multa que era fixada em R$ 80 mil, hoje passou a ser de R$ 108 mil e chegará a R$ 162 mil em janeiro de 2027 e a R$ 216 mil em janeiro de 2028.

Isso deve aumentar a pressão sobre toda a cadeia. Rastreabilidade, governança, transparência de processos, capacidade de resposta e redução de falhas evitáveis se tornam ainda mais necessárias.

Se antes muitos conflitos acabavam concentrados em glosas, negativas, prazos ou disputas operacionais pontuais, agora cresce a expectativa de que as empresas consigam demonstrar controles internos, fluxos assistenciais organizados, critérios técnicos documentados e mecanismos efetivos de prevenção de inconformidades.

O impacto para laboratórios e hospitais

Na medicina diagnóstica, os efeitos tendem a ser mais complexos. O setor opera com alto volume assistencial, múltiplas integrações tecnológicas, diferentes regras contratuais e crescente digitalização da jornada do paciente. Pequenas inconsistências cadastrais, falhas de autorização, problemas de comunicação entre sistemas ou ausência de rastreabilidade documental podem deixar de ser apenas gargalos administrativos e representar risco regulatório.

Ao mesmo tempo, o novo modelo cria um ambiente que tende a valorizar estruturas mais maduras de compliance, interoperabilidade e governança de dados.

Laboratórios e hospitais precisarão olhar com mais atenção para alguns pontos sensíveis, como documentação assistencial, padronização de fluxos, rastreabilidade de autorizações, registro adequado das interações com operadoras, governança de dados e gestão de indicadores de qualidade.

“O novo modelo da ANS surge em um momento em que o setor já convive com pressão de custos, judicialização crescente, necessidade de ganho de eficiência e incorporação acelerada de tecnologia. A fiscalização, portanto, deixa de ser apenas um tema jurídico ou regulatório e passa a fazer parte da estratégia operacional das instituições de saúde”, avalia Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Inteligência artificial, interoperabilidade e valor em saúde pautam debate da Abramed na Hospitalar 2026

Entre equipamentos em fim de vida útil, excesso de informação e modelos de remuneração, lideranças discutiram os desafios de sustentar a evolução da medicina diagnóstica no Brasil. 

Temas como inteligência artificial, interoperabilidade de dados, sustentabilidade financeira e a relação entre inovação e acesso à saúde conduziram o primeiro debate promovido pela Abramed durante a 31ª edição da Hospitalar. A discussão mostrou como a medicina diagnóstica vem passando por uma transformação acelerada, ao mesmo tempo em que precisa enfrentar desafios relacionados à eficiência operacional, integração de informações e sustentabilidade do sistema de saúde.

Com esse foco, a entidade reuniu lideranças do setor no painel “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, moderado por Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Rodrigo Lorenzo, diretor de diagnóstico por imagem da Siemens Healthineers para a América Latina.

Marcos Queiroz iniciou o debate chamando atenção para a pressão crescente sobre a medicina diagnóstica, impulsionada pelo envelhecimento populacional, pelo aumento do volume e da complexidade dos exames e pela incorporação de tecnologias voltadas à medicina preditiva e personalizada.

A trajetória do Grupo Sabin foi um dos pontos de partida desse debate. Lídia Abdalla compartilhou como a empresa conseguiu crescer de forma expressiva, mantendo seus padrões de excelência e qual o papel da tecnologia nesse processo. 

“Integramos todos os nossos sistemas para ter uma visão única do paciente. O cliente valoriza muito o histórico dos exames e hoje conseguimos entregar um diferencial enorme para médicos e pacientes”, afirmou. Para ela, no entanto, ferramentas são meio, não fim: “Nossos pilares são tecnologia, qualidade e gente. Gente é sempre o principal”.

Um dos principais paradoxos atuais da medicina diagnóstica também foi debatido: a abundância de dados que ainda não se traduz em inteligência aplicada. “Geramos muitos dados, mas ainda não usamos todos eles. O desafio é ter dados mais estruturados para trazer insights e tomar decisões, rumo a uma medicina de precisão cada vez mais personalizada”, destacou Douglas Penha. 

Ele também apontou a patologia digital e o conceito de analisador digital como as próximas fronteiras de inovação, além da inteligência artificial como ferramenta para democratizar o acesso a especialistas em regiões de escassez de profissionais. 

Essa visão foi endossada por Cesar Nomura, que ressaltou que o setor ainda utiliza pouco o potencial da jornada integrada do paciente: “As informações ainda estão muito segmentadas. Enquanto não integrarmos tudo isso com custo adequado, não conseguiremos entregar valor”.

Lídia Abdalla complementou com um questionamento que resume bem o desafio coletivo: “Temos ilhas de excelência no Brasil. Como conectá-las para que isso vire valor para o sistema como um todo? Como propor melhorias sem dados e sem informação?”.

A fragilidade econômica do setor, a relação com operadoras e os modelos de remuneração também foram discutidos. Com cerca de 35% dos equipamentos no Brasil em fim de vida útil e ausência de remuneração por qualidade, o risco de sucateamento é real. “Você usa um tomógrafo que projeta menos radiação no paciente e não será melhor remunerado por isso”, alertou Cesar Nomura. 

Para Douglas Penha, a saída rumo ao próximo estágio passa por mostrar números que comprovem que as novas tecnologias reduzem custos no longo prazo — uma mudança que, conforme adiantou a CEO do Grupo Sabin, exigirá coragem e disposição de ambos os lados para manter o equilíbrio e o benefício para todos.

Na plateia, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, levantou a questão da confiança e do prazo necessário para que investimentos em saúde gerem retorno, especialmente diante da rotatividade dos beneficiários nos planos. Rodrigo Lorenzo destacou o papel das empresas contratantes na valorização da qualidade assistencial durante as negociações com operadoras, para ajudar a minimizar as perdas.

Ele também trouxe a perspectiva da indústria e explicou o desafio de incorporar tecnologia em um setor de alto custo, especialmente na área de imagem. Em sua opinião, a solução passa por parcerias de valor, que considerem a venda de equipamentos e todo o ciclo de vida da tecnologia. A visão de um hub integrado de soluções diagnósticas, inspirado em modelos como o do Salesforce, foi apresentada como caminho para reduzir custos e ampliar o acesso à inovação.

Ao final, Cesar Nomura reforçou que a interoperabilidade pode ajudar o setor a operar com mais eficiência e gerar valor real ao paciente. “Ninguém quer ganhar em cima de algo que não é necessário. A interoperabilidade nos permite olhar para o setor com mais eficiência e levar valor ao paciente: fazer o que precisa ser feito”, concluiu.

O debate deixou evidente que a transformação da medicina diagnóstica não depende apenas da incorporação de novas tecnologias, mas da capacidade do setor de reorganizar relações, integrar informações e construir modelos sustentáveis de financiamento e remuneração.

Em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência, envelhecimento populacional e expansão da demanda, inovação isolada já não basta. O desafio agora é fazer com que avanço tecnológico, qualidade assistencial e viabilidade econômica consigam evoluir no mesmo ritmo.

Confira aqui o painel “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, que também foi realizado pela Abramed durante a Hospitalar 2026.