Medicina diagnóstica também terá espaço no Medical Conecta

Plataforma exclusiva da Medical Fair Brasil reunirá saúde, tecnologia, conteúdo e networking para conectar players e permitir o fechamento de negócios, de 10 a 14 de agosto. Abramed é apoiadora institucional do evento

A medicina diagnóstica é uma das áreas da saúde mais essenciais no enfrentamento da pandemia de Covid-19 e precisou reorganizar infraestruturas e fluxos de atendimento quando a saída, inicialmente, era a testagem em massa da população. Os laboratórios se reinventaram e passaram a ser ainda mais valorizados, assumindo protagonismo em um momento de crise. Essa relevância também será pauta no Medical Conecta, solução digital da Medical Fair Brasil (MFB) para a geração de negócios, que acontece de 10 a 14 de agosto, com apoio institucional da Abramed.

“Como ainda não é possível realizar feiras físicas, criamos esse mecanismo simples e de fácil interação e sem necessidade de estandes virtuais. As empresas se cadastram em um catálogo online, os compradores acessam e, havendo interesse, abrem uma sala virtual pelo Zoom ou fazem contato direto pelo WhatsApp para negociações. Estamos muito animados com essa possibilidade de movimentarmos o mercado”, fala a CEO da Emme Brasil e diretora da MFB, Malu Sevieri.

Gestores de laboratórios terão à disposição um catálogo de soluções de centenas de empresas expositoras e poderão contatar a indústria diretamente, via plataforma, caso se interessem por algum produto ou serviço e queiram adquiri-lo para o seu empreendimento.

Além do encontro de vendedores e compradores, o Medical Conecta será uma oportunidade para que os players do setor saúde se encontrem, se atualizem, conversem e se preparem juntos para o retorno das atividades em seu estágio normal.

Iniciativas como essa são fundamentais no atual contexto, permitindo aprendizado coletivo, em um momento em que informação e conhecimento, mais do que nunca, fazem a diferença e salvam vidas.

Uma programação de conteúdo exclusiva e dedicada à retomada do segmento médico-hospitalar está sendo desenvolvida. Inscrições gratuitas aqui: www.medicalconecta.com.br.

“O Medical Conecta é uma oportunidade neste momento sem eventos, que, consequentemente, dificulta a criação de novas vendas. As empresas apresentarão seu portfólio de produtos e serviços e estarão diante de novos clientes e fornecedores”, destaca Malu.

Veja 6 motivos para participar do Medical Conecta

  1. Programação de conteúdos exclusivos para o segmento médico-hospitalar;
  2. Uma nova conexão entre saúde, tecnologia, conteúdo e networking. Tudo em um único lugar;
  3. Formato virtual em uma plataforma fácil e com acesso gratuito;
  4. Catálogos digitais com mais de 400 fotos de produtos e equipamentos;
  5. Ampliação de banco de dados. É inconteste que manter um banco de dados é uma decisão inteligente, pois, quando tratados e analisados, se transformam em informações que servem de base para a tomada de decisões, e
  6. Fazer parte de um novo movimento que conecta profissionais, empresas e entidades representativas em prol de um único objetivo: o desenvolvimento e fortalecimento do setor da saúde.

Além da Abramed, são apoiadores institucionais e de conteúdo do Medical Conecta: ABCCOM Marketing Community; ABIMO; ABRAIDI; Aging2.0; AMECH; Ativen; CEHIM; Dehlicom – Soluções em Comunicação Empresarial; CMSS; Ebert Comunicação; FBAH; ILC; Revista Laes&Haes; Pharmaceutical Technology Brasil; SBLMC – Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia; Expo Silver Care; SECHAT; Sonorabiz Producoes Artisticas; Sucesso Médico, Unidas Autogestão e USP 60+.

Mais informações e inscrições gratuitas aqui: www.medicalconecta.com.br.

Com retomada econômica após COVID-19, setor de diagnóstico por imagem conta com a tecnologia para se desenvolver

Irineu Monteiro, da Carestream Brasil, fala sobre como a inovação pode ajudar a sanar os desafios que estão por vir

7 de julho de 2021

Em entrevista exclusiva à Abramed em Foco, Irineu Monteiro, CEO da Carestream Brasil, reconhece o grande sofrimento que a pandemia de COVID-19 vem gerando desde que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo no início de 2020. Porém, com a imunização que está avançando, o executivo é otimista ao falar do período pós-pandemia, que deve envolver uma boa recuperação econômica para o setor de diagnóstico por imagem, fundamental para que a sociedade possa retomar os cuidados preventivos.

Confira o papo na íntegra.

Abramed em Foco – Quais foram os principais desafios da Carestream ao longo da pandemia? E como a empresa atuou para vencê-los?

Irineu Monteiro – Já estamos em julho de 2021 e temos a impressão, pelo menos aqui no Brasil, que o ano de 2020 teima em não acabar. Desde o início de 2020 o mundo está sendo desafiado a superar o sofrimento, a dor e as sequelas deixadas por um cenário desolador decorrente da pandemia do novo coronavírus. As pessoas, as famílias, os negócios, a sociedade em geral, estão enfrentando uma realidade diferente da qual estavam acostumadas a encarar até o final de 2019. Estamos sendo obrigados a encontrar novas formas de trabalho, soluções criativas, diferentes maneiras de fazer negócios e flexibilizações que pareciam impossíveis pouco tempo atrás. Esta é a nova realidade a qual todos nós estamos expostos e para a Carestream não tem sido diferente.

Desde o ano passado, as funções administrativas e de suporte, passaram a operar de forma remota no modelo home office. As atividades que requerem presença física dos nossos colaboradores, caso de Manufatura e Logística, se adaptaram aos procedimentos sanitários recomendados pelas autoridades e especialistas da área. Os times de Engenheiros de Campo e Gerentes de Contas, continuam a atender nossos clientes, visitando clínicas, hospitais e laboratórios, porém seguindo protocolos rígidos de higiene e proteção pessoal para evitar contaminação.

Abramed em Foco – A divisão de diagnóstico da empresa teve um desempenho muito diferente das outras áreas?

Irineu Monteiro – A pandemia de COVID-19 atraiu muito interesse da área de radiologia e dos profissionais do segmento de Diagnóstico por Imagem, pois a radiografia torácica é um dos primeiros e mais econômicos exames feitos em pacientes com dificuldade respiratória. Muitos serviços de radiologia sofreram uma redução significativa nos exames quando a infecção pela COVID-19 atingiu seu pico. A queda na receita afetou as equipes, assim como o resultado dos departamentos de radiologia. A grande maioria dos hospitais e clínicas de imagem por diagnostico precisaram adotar soluções criativas e versáteis para superar os novos desafios.

A Carestream vem inovando no desenvolvimento das suas soluções, não só na parte física (hardware) mas principalmente na parte de inteligência (software), como por exemplo a solução Smart Grid, que acompanha a recém lançada sala de Raios X, o DRX Compass, que simula o efeito da grade, trazendo uma imagem melhor definida, a qual permite a realização de exames em pacientes acamados e/ou com limitações de movimentação, sem a necessidade de uma grade física e proporciona uma melhor resolução de imagem e comodidade ao paciente sem a necessidade de remoção para exames na mesa.

O setor de saúde demanda e a Carestream está sempre buscando e desenvolvendo soluções para tornar o atendimento aos pacientes mais eficaz; este cenário se tornou ainda mais crítico durante a pandemia de COVID-19 que estamos enfrentando desde o início de 2020.

No âmbito da obtenção de imagens médicas, isso significa aprimorar o diagnóstico utilizando a menor dose possível, mantendo o nível de qualidade diagnóstica das imagens. E a Carestream entende que existem quatro fatores críticos para aprimorar o diagnóstico por imagem, mantendo a menor dose possível:

  1. A aquisição mais rápida das imagens permite melhor qualidade das mesmas para um diagnóstico acurado
  2. Ganhos em eficiência de dose ideal
  3. Captura de imagens em 2D evoluindo para 3D
  4. Inteligência Artificial como ferramenta auxiliar para a análise de imagens médicas

Abramed em Foco – Quais as perspectivas da Carestream para o pós-pandemia no Brasil? Há potencial para crescimento?

Irineu Monteiro – A Carestream enxerga o pós pandemia com muito otimismo. Acreditamos em uma retomada robusta econômica no Brasil, especialmente para o setor de saúde, pois haverá o retorno vigoroso de exames e procedimentos eletivos que foram praticamente paralisados ou sofreram uma redução significativa devido ao temor das pessoas em seguir com estes exames e procedimentos ou ainda por limitação das entidades de saúde que estão com maior prioridade no tratamento de pacientes contaminados pelo coronavírus.

Além destes fatores, outra tendência que moldará o futuro da radiologia será o aumento das doenças crônicas, tais como doenças cardíacas, câncer e diabetes. As estimativas é que estas doenças crescerão de forma exponencial nos próximos anos, demandando exames de imagens para o diagnóstico e prevenção.

Abramed em Foco – A pandemia bloqueou – ou atrasou – os investimentos em tecnologia, automatização e inteligência artificial do setor de diagnóstico por imagem? Ou mesmo diante da crise os projetos conseguiram avançar?

Irineu Monteiro – A pandemia trouxe muito sofrimento e desafios, mas ao mesmo tempo criou oportunidades e pressionou a sociedade, empresas e governos a encontrarem soluções para o diagnóstico de doenças de forma mais rápida, com maior precisão e maior segurança para os pacientes.

A Carestream está comprometida em trazer ao mercado soluções aos nossos clientes, disponibilizando um portifólio de produtos com recursos avançados que superem suas expectativas a um custo competitivo. Em meados de 2021, lançou o Detector Focus 35 C e 43 C, que fornecem alternativa acessível e econômica para que nossos clientes possam realizar upgrade das suas operações de exames de radiologia baseadas em filme de Raio – X ou de Radiologia Computadorizada, para um modelo de operação de diagnóstico por imagem totalmente digital.

Abramed em Foco – Sabemos que a COVID-19 trouxe uma necessidade emergencial de otimizar os processos de diagnóstico a fim de expor o paciente ao menor risco possível. Quais os caminhos para que consigamos tornar os exames mais eficazes, principalmente no setor de imagem?

Irineu Monteiro – Para atender a demanda de exames para pacientes em centro de terapia intensiva ou com limitação de movimentação, a Carestream expandiu a produção e aprimorou a sua solução de Raio-X Móvel, DRX Revolution, que produz imagens de radiografia digital de alta qualidade em tempo real para auxiliar no diagnóstico do paciente quando e onde for necessário.

Estas soluções estão suportadas por recursos de softwares desenvolvidos pela Carestream, habilitados por inteligência artificial e algoritmos avançados que tornam os departamentos de radiologia mais produtivos e eficientes.

Abramed em Foco – Temos, hoje, um cenário que mescla uma população em envelhecimento, aquelas pessoas acometidas pela COVID-19 e que podem sofrer com algumas sequelas relativas à infecção, e um grupo grande de pessoas que deixaram de realizar seus exames de rotina ou de diagnosticar diversas doenças por medo de sair, ir ao médico e se expor. Como a medicina diagnóstica, com foco no setor de imagem, poderá trabalhar para reverter um cenário complicado de diagnósticos mais urgentes e atrasados?

Irineu Monteiro – O rápido crescimento da população idosa alcançará cifras recordes no Brasil nos próximos 40 anos, com isso o país terá que lidar com uma estrutura etária desfavorável do ponto de vista econômico e de produtividade e precisa se preparar para lidar com esta realidade e as consequências deste novo cenário demográfico. A tecnologia e a inovação são aliadas fundamentais para que possamos superar as dificuldades e os desafios apresentados por esta nova realidade.

Dentro disso, a Carestream está comprometida em trazer ao mercado soluções aos nossos clientes, disponibilizando um portfólio de produtos com recursos avançados que superem suas expectativas a um custo competitivo.

O setor de saúde tem buscado há anos, focar mais na prevenção do que no tratamento de pacientes com enfermidades, entretanto esta tendência foi duramente impactada com a chegada do coronavírus. Estamos otimistas que em breve as instituições de saúde voltarão a expandir o foco na realização de exames para prevenção das doenças e estarão trabalhando com os pacientes para ajudá-los a manter uma vida saudável.

Abramed em Foco – Por sua vasta extensão territorial, temos muitos vazios assistenciais no Brasil. Locais onde ainda faltam equipamentos para diagnósticos que são rotineiros nas grandes capitais. Como a indústria do diagnóstico por imagem pode auxiliar na ampliação do acesso? Existem, por exemplo, ferramentas que estão sendo testadas e implementadas para garantir o telediagnóstico seguro?

Irineu Monteiro – O processo de urbanização no mundo é caracterizado pela transformação dos espaços rurais em espaços urbanos. No Brasil, o processo de urbanização aconteceu com a maior parte das grandes formações urbanas localizada nas zonas litorâneas, mas entendemos que seguiremos ainda por muitos anos com uma densidade demográfica elevada nos principais centros urbanos do país, demandando aumentos constantes de serviços médicos que poderão ser supridos de forma mais adequada através da retomada do crescimento econômico, expansão do emprego formal e políticas de proteção social.

As regiões mais remotas e com menor densidade demográfica apresentam um enorme desafio para que a população destas geografias possa ter acesso a serviços de saúde de qualidade a um custo adequado. Também nestas regiões, a retomada do crescimento econômico, a redução do desemprego e políticas sociais customizadas são fatores críticos para equacionar e endereçar a demanda por serviços de saúde que atendam a população.

A tecnologia e a inovação são ferramentas de vital importância para solucionar a escassez de serviços médicos, tanto nas áreas urbanas como nas regiões mais remotas do nosso país. Inteligência Artificial em conjunto com “machine learning” e outros aspectos tecnológicos, potencializam o telediagnóstico seguro e tem causado uma revolução em muitos aspectos das nossas vidas e não é diferente no segmento de imagens médicas de diagnóstico.

Estas ferramentas têm ajudado os radiologistas a acelerar a triagem de pacientes, otimizar fluxos de trabalho, reduzir desperdícios e especialmente aprimorar o processo de diagnóstico. Empresas como a Carestream estão se tornando cada vez mais flexíveis e adaptáveis a fim de criar soluções eficazes para atender as várias regiões geográficas no Brasil e no mundo. Ocupamos uma posição de liderança no mercado de filmes médicos e temos expandido nossa atuação oferecendo soluções de Radiologia Computadorizada (CR), Radiologia Digital (DR), Equipamentos de Raio-X Móveis e Detectores.

Abramed em Foco – Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

Irineu Monteiro – É um orgulho para nós da Carestream estarmos em associação com a Abramed. Esta entidade tem demonstrado elevada relevância na cadeia de saúde no nosso país e em especial na medicina diagnóstica. Seus dirigentes e associados são expoentes do setor de saúde no Brasil, com reconhecida capacidade de articulação, diálogo e apoio ao setor.

A edição anual do Painel ABRAMED tem sido uma base importante de informações sólidas e estratégicas para planejamentos de ações futuras e de entendimento de resultados de anos anteriores no mercado de medicina diagnóstica. Estamos ansiosos pela retomada dos eventos presenciais promovidos pela Associação, pois propiciam excelentes ambientes para troca de experiências e de desenvolvimento para todos os participantes.

Saúde no Brasil depois da Pandemia – Provocações para uma agenda de debate

Assinado por Antônio Britto, diretor-executivo da Anahp, artigo reflete sobre os principais pleitos do setor

* Antônio Britto, diretor-executivo da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp)

Depois de 500 mil mortes, milhões de famílias destroçadas financeira ou emocionalmente e um país paralisado há ano e meio, o que pedir, além de uma imediata superação da pandemia?

Pessoalmente, tenho um sonho: que passado isso tudo o Brasil faça a mais efetiva e produtiva homenagem às vítimas da Covid e inicie, de forma construtiva e séria, uma grande revisão do nosso sistema de saúde.

Os problemas que a pandemia evidenciou, sabemos, existiam antes dela. O que ocorreu foi uma dolorida e intensa demonstração deles – das consequências da desigualdade social à má distribuição de nossos recursos humanos e tecnológicos; da falta de coordenação entre entes públicos ao desperdício na integração destes com o setor privado; da insuficiência de nossa pesquisa, por falta de políticas sustentáveis, a desestruturação do Ministério da Saúde.

A questão é: vamos virar a página, depois que a pandemia se for e não refletir nem mudar nada? Precisaremos esperar pela próxima pandemia? A Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, na permanente parceria com entidades como a Abramed, tem reunido seu Conselho, seus associados, dialogado com médicos, profissionais de saúde, acadêmicos, representantes de pacientes, pagadores e fornecedores de serviços. E discutido muito alguns temas que não sendo uma agenda completa e extensiva ao menos indicam pontos que não deveriam estar fora de mudanças que precisamos encarar com seriedade e em respeito a tudo que todos nós, nossos familiares e nosso País está sofrendo. Apresento aqui, com visão pessoal, uma breve síntese desses pontos.

1. MAIS FORÇA, GESTÃO E RECURSOS PARA O SUS. Deve começar, sim, pela saúde suplementar, da qual fazemos parte, o respeito à organização ditada pela Constituição e a solidariedade com o Brasil mais profundo e mais pobre. Vale dizer: como a pandemia mostrou, por maiores que sejam suas dificuldades, viva o SUS. Não são mais adiáveis a discussão sobre fontes novas de financiamento e uma urgente revisão da forma como ele é gerido e, principalmente, é coordenado entre os governos federal, estaduais e municipais, problema que a pandemia transformou em festivais diários de idas e vindas, conflitos e ineficiência entre autoridades ao longo desses últimos meses.

2. PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E PRODUÇÃO. A pandemia popularizou expressões como o insumo farmacêutico ativo, o IFA, e ao fazer isto denunciou o que se vive há anos: o Brasil consegue conciliar excelentes cientistas com, na média (como sempre) péssimas políticas de inovação. As boas, não se prolongam no tempo. Algumas bem-intencionadas acabam sendo dominadas por outros interesses. Então, passamos a ter dois tipos de cientistas brasileiros: os que fogem para o exterior na busca de condições à altura de seus talentos e os teimosos que insistem em aqui permanecer sem verbas, sem bolsas, sem segurança.  Quando descobrimos nossa constrangedora dependência de insumos farmacêuticos ou mesmo equipamentos hospitalares, estamos apenas reproduzindo o que já era o dia a dia do setor de saúde.  Por isso, repensar pesquisa, desenvolvimento e produção de forma moderna, integrada às melhores cadeias mundiais de produção, mas com forte estímulo ao nacional já era uma necessidade. Agora é uma emergência.

3. O PAPEL FUNDAMENTAL DA SAÚDE SUPLEMENTAR. A participação decisiva de hospitais privados, filantrópicos ou não; a intensa contribuição da rede de diagnósticos, liderada pela Abramed; o pagamento de serviços por empresas e cidadãos, através de operadoras de planos de saúde – tudo isto, espero, deve ter contribuído para que definitivamente tiremos do cenário o maniqueísmo entre os poucos que ainda defendem um País “só com SUS ou sem SUS.”  A mesma Constituição Federal de 1988 e a realidade brasileira – de interação e interdependência entre serviços públicos e facilidades privadas – deveria nos enviar à agenda real: como melhor integrar esses serviços. O que se fez no desespero com a falta de UTIS, nós deveríamos transformar agora em um construtivo exercício para evitar redundância, retrabalho e desperdício de profissionais e equipamentos em algumas regiões e escassez extrema em outras.

4. REDISCUTIR A FORMAÇÃO DOS MÉDICOS E DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE. De forma heroica, os recursos humanos do setor de saúde tiveram que aprender sobre a doença, enfrentar turbilhões de filas desesperadas e aprender a trabalhar de uma forma mais integrada. Revelou-se, pela milésima vez, a péssima distribuição dos recursos humanos pelo País e o caminho cada vez perigoso seguido na formação de médicos – o abandono, por falta de estímulos, dos generalistas, médicos de família, pediatras. Uma proliferação de cursos desacompanhados de qualificação mínima. A formação de quantidade de médicos mais que de médicos em condições de um exercício hoje exigido da profissão. Aqui, como em outros temas, a aumentar quantidade (desejável) não ser feita ao preço do abandono da qualidade e do rigor na formação.

5. DEFINIR BASES QUALIFICADAS PARA APOIAR ACESSO COM TECNOLOGIA. A pandemia teve minoradas algumas de suas consequências graças à vigorosa ampliação da utilização de tecnologia para tele consultas, telediagnósticos, enfim os benefícios da telemedicina. Vamos agora, através do exercício do papel regulador do Conselho Federal de Medicina e do poder legislativo do Congresso Nacional regulamentar essa questão. Temos aí chance extraordinária de ampliar acesso, aproximar o Brasil dos rincões desassistidos com o Brasil de excelência. Como fazer isso estabelecendo um equilíbrio realista entre a preservação do papel do médico e a necessidade de aumentar a presença da medicina? Como evitar que a telemedicina tenha como eixo a simples redução de custos em vez de ser acima de tudo ampliação qualificada de acesso integrado ao menor custo. Vale dizer: pela ordem acesso coordenado e com qualidade/dignidade depois o custo e não o contrário.

6. DAR SUSTENTABILIDADE A QUALIDADE. Não é privilégio do setor de saúde. No Brasil, dadas as médias precárias em setores como o nosso, mas também em educação, segurança, e tantos outros cria-se uma espécie de “ciúme” do que está bem-organizado, oferecendo qualidade, olhando e comparando-se aos melhores padrões mundiais. No jargão da retórica nacional, fala-se que isso “é coisa de Suécia”. Na pandemia, nosso lado “sueco”, através de hospitais e laboratórios acreditados ofereceu saber, distribuiu conhecimento e equipamentos de forma solidária, acelerou com eficiência pesquisas para vacinas, estabeleceu padrões e disseminou condutas ainda que em meio ao turbilhão causado pela Covid-19 e aos períodos de perda de receita e de recursos humanos. Os melhores resultados no tratamento vieram claramente de hospitais privados e públicos de excelência, com recursos tecnológicos atualizados, equipamentos sofisticados e gente, gente capacitada. Esses mesmos hospitais e laboratórios continuarão sendo penalizados pela obsessão de seguirem trabalhando atualização tecnológica e qualificação acreditada e certificada de pessoas, processos e gestão? Queremos estar mais próximos ou ainda mais distantes da “Suécia”?

7. O FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES PRIVADAS. Uma síntese muito precária do que ocorre hoje mostra um esgotamento do sistema previsto para estimular e financiar a saúde suplementar. Um país que oferece níveis baixíssimos de empregos qualificados e renda média retira boa parte das possibilidades de adesão a planos de saúde. Estes, concentram-se então em uma fonte pagadora essencial – as empresas que por sua vez, pressionadas pela crise econômica, reduzem seus aportes. O sistema fica então girando em torno de 45 a 50 milhões de vidas, mais ao sabor dos soluços para cima ou para baixo da economia do que de crescimento orgânico, números muito abaixo do que podemos e necessitamos. Em vez de rompermos os limites, os planos de saúde (ou na feliz expressão do Adriano Londres, “planos de doença”) pressionam por redução de custos (o que é saudável) em grande parte às custas de cortes de qualidade (o que é inaceitável). Os prestadores de serviços médico-hospitalares, elo seguinte da pressão, reduzem sua segurança financeira, mesmo muitos dos maiores, e passam a depender de fontes como o trabalho de ministrar medicamentos. Ao fim desse carrossel de responsabilidades transferidas sem o efetivo endereçamento das causas, fica o paciente…

8. OS ELOS PARTIDOS DA CADEIA DE SAÚDE. Se pacientes, profissionais de saúde, operadoras de planos de saúde, prestadores de serviços médico-hospitalares, fornecedores, contratantes de planos de saúde etc. – se todos estão insatisfeitos não seria isto sinal mais que evidente que o problema está no sistema como um conjunto e, portanto, a solução deveria depender de uma revisão do todo? Não no Brasil. Os elos da cadeia de saúde têm se dedicado, como mostra o noticiário, à tentativa inútil de salvar o seu terreno sem se darem conta que vivem em um condomínio sem cercas nem muros… Parece uma obviedade desmentida pelo dia a dia, mas ainda assim repetida cansativamente que, por exemplo, aumentar a receita de planos de saúde com planos populares não adianta se estes não permitirem acesso. O que os planos de “uma só consulta/um só exame” respondem se o cliente/paciente precisar de mais? Ao contrário de outros setores da vida brasileira, a cadeia da saúde tem claras dificuldades em atuar como tal e tentativas nesse sentido em geral mostram-se no máximo anêmicas, vitimadas pelo vírus das individualidades ou da visão apenas segmentada. A cadeia da saúde acaba se apresentando como uma sucessão de elos partidos.

9. CUIDA-SE DA SAÚDE? NÃO, DA DOENÇA. Como referido antes, uma obviedade exaustivamente repetida por qualquer iniciante em políticas públicas de saúde, no Brasil é fato raro: nenhum sistema no mundo torna-se justo, eficiente e sustentável se não intervier fortemente na prevenção e proteção à saúde. O país que um dia combateu o tabagismo e registrou sucesso exemplar, dá as costas à atenção primaria à saúde. Prefeitos não gostam de inaugurar “equipes de saúde de família”. Preferem dar início às obras inacabadas e tecnicamente inviáveis de prédios que chamam de hospitais e que são insustentáveis em todos os sentidos. Perguntem a ANS quantos produtos registrados contêm efetiva atuação na proteção à saúde, no combate a obesidade, hipertensão, diabetes. Ou seja: entre nós a atenção primaria à saúde NÃO CONQUISTOU STATUS POLÍTICO NEM RECEBE ESTÍMULOS FINANCEIROS. Resultado: próximo de zero. Nossa cultura, nossos produtos e principalmente nossos estímulos apontam na direção oposta e errada: tentar cuidar da doença em um País com longevidade cada vez maior.

10. NÃO HÁ SAÚDE NA DESIGUALDADE. Os primeiros estudos e a própria observação cotidiana apontam outro fato que, não sendo novo, ficou “escancarado” pela pandemia: a doença, entre nós, é filha, acima de tudo, da desigualdade.

As mortes anônimas diárias por desnutrição, falta de saneamento, violência, miséria, enfim, não mudaram na pandemia. Apenas chegaram às televisões. Um sistema de saúde sustentável, pós pandemia, não pode dar as costas as discussões gerais sobre a economia, a geração de emprego e de renda. Ou seguiremos enxugando gelo e contando mortos que mereciam e poderiam estar entre nós.

Novo padrão TISS traz mais segurança na troca de informações na saúde suplementar

Atualização apresenta melhorias importantes para adequação dos agentes da saúde à LGPD

09 de junho de 2021

Estar dentro das leis e das normas específicas do setor é essencial para o bom funcionamento de todos os estabelecimentos e empresas da área da saúde. São elas que garantem o andamento saudável de laboratórios, clínica e hospitais, um atendimento de qualidade e facilitam para que todos os documentos estejam em dia.

Uma dessas regras é o Padrão TISS (Troca de informações na Saúde Suplementar), da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), criado em 2005 e que se tornou obrigatório a partir de 2012, para ajudar na padronização e gestão das atividades burocráticas relacionadas à saúde suplementar. 

Além de guiar a maneira como o conteúdo é transmitido e explicado, a TISS, que engloba todos os formulários essenciais para o envio de informação à agência reguladora, permitiu maior facilidade na comunicação entre operadoras, prestadores e ANS; e a redução de erros, fraudes, visto que todo o processo é eletrônico. Trouxe também maior agilidade na assistência à saúde, com aumento da qualidade e integridade das informações essenciais para os processos de prestação de serviços da saúde suplementar, como solicitações de autorizações, faturamento, gestão de glosas e auditoria; além de permitir a fiscalização do setor pelo órgão regulador.

A ANS publicou no último dia 25 de março uma nova versão da TISS e as operadoras de planos de saúde e as empresas prestadoras de serviços do setor têm até o próximo dia 30 de junho para implantar as melhorias.

Esta última versão traz duas alterações principais: atualizações nas tabelas de procedimentos (Terminologia de Procedimentos e Eventos em Saúde), em atendimento à Resolução Normativa nº 465, de 24/2/2021, da agência reguladora, que dispõe sobre o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que estabelece a cobertura assistencial obrigatória a ser garantida nos planos privados de assistência à saúde; e atualização dos componentes de segurança, publicados originalmente em dezembro de 2017.

Mas a principal mudança será publicada ainda neste mês, com prazo de implantação nos próximos 18 meses.

Versão 4.0

A versão 4.0 da TISS trará nova mensagem de anexos digitalizados e as atualizações decorrentes dos estudos de adequação do padrão à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). De acordo com Bruno Pimentel Maciel, superintendente de Tecnologia do Grupo Dasa e diretor do Comitê Padrão TISS da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), esta atualização traz melhorias importantes para adequar a troca de informações entre os agentes da saúde com a LGPD e os componentes de segurança necessários para a garantia da proteção das informações dos beneficiários da saúde suplementar. Também apresenta uma nova estrutura de mensagem para padronizar a troca de arquivos digitalizados entre prestadores e operadoras, acompanhando o movimento de digitalização dos processos de faturamento e gestão de glosas acelerado pela pandemia da Covid-19.

“Esta nova versão traz mais segurança para a troca de mensagens no setor, com olhar atento a proteção de dados e privacidade dos usuários dos serviços de saúde. Acompanha também a modernização dos processos, permitindo que prestadores e operadoras avancem nos programas de transformação digital com segurança e controles necessários para evitar desperdícios e combate às fraudes na saúde suplementar”, afirma Maciel.

Ele explica que a informação, ferramenta fundamental para o setor, norteia avaliações clínicas, epidemiológicas e gerenciais, orienta decisões e planejamentos, embasa as estatísticas da ANS e de outros órgãos governamentais. “Por isso, é tão importante para o sistema de saúde brasileiro que as empresas que atuam nesta área implementem as atualizações da TISS”, destaca o superintendente de Tecnologia do Grupo Dasa.

Os prestadores de serviços de medicina diagnóstica terão ainda outro benefício adicional proporcionado pela última atualização do Padrão, além da segurança jurídica para o envio das informações dos usuários pelos prestadores de serviços e operadoras de planos e saúde. A nova versão inclui uma mensagem que permite o envio de documentos digitalizados, que acompanha as transformações digitais dos processos de faturamento, gestão de glosas e cobrança. Esse avanço permitirá que os laboratórios enviem para as operadoras de planos de saúde os pedidos médicos de forma digitalizada, reduzindo o tempo de faturamento e evitando os custos de gestão da documentação física.

Segundo Maciel, essa novidade ajuda ainda no processo de gestão de glosas, que solicita com frequência o envio de documentos para comprovação dos serviços faturados, reduzindo também o tempo de processamento e análise dos recursos de faturamentos não recebidos ou recusados pelas instituições saúde e eventuais perdas por falta de documentação que comprove os serviços. 

Importante destacar que essa mensagem se dedica apenas a documentos de suporte ao faturamento, não permitindo o envio de laudos e resultados de exame por se tratar de informações sensíveis do paciente.

“Esses dados possuem acesso restrito do usuário, médicos prescritores e a quem o beneficiário conceda acesso por consentimento específico e de livre vontade, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos pacientes”, esclarece Maciel. 

Desafios da implementação

Mas ainda há quem tenha dificuldade de implementar as atualizações da TISS. Na versão atual, os principais desafios estão relacionados à implantação dos componentes de segurança, publicados desde dezembro/2017, mas ainda com baixa adoção pelos prestadores e operadoras. De acordo com o superintendente de Tecnologia do Grupo Dasa, a principal novidade desse item é a obrigatoriedade de manutenção de registros de logs de acessos e trocas de informação (registros eletrônicos de acessos e das transações de troca de dados entre prestadores e operadoras) para permitir rastreabilidade para auxiliar nas análises e investigações de eventuais incidentes de segurança ou privacidade, extremamente importante para cumprimento de um dos requisitos da LGPD.

“A adesão e adoção do novo padrão torna-se importante para mitigar os riscos de segurança na troca de informação na saúde suplementar, além de adequar o fluxo de dados à LGPD, evitando incidentes e eventuais multas por não cumprimento da legislação em vigor. Além disso, os atrasos na implantação das novas versões geram custos internos adicionais, pois os processos precisam ser preparados para trabalhar com múltiplas atualizações, trazendo desperdícios para todo o setor”, alerta Bruno Maciel.

Segundo o Radar TISS – estudo periódico realizado pela ANS –, podem ser percebidos progressos cada vez mais na implementação dos processos exigidos pela padronização, com grandes avanços principalmente nos processos de elegibilidade, autorização e faturamento.

No entanto, ainda existem questões relevantes que precisam ser consideradas para que o modelo proposto pela agência reguladora possibilite ainda mais melhorias na prestação de serviços de assistência à saúde brasileira.

“Os investimentos tecnológicos continuam sendo obstáculos para os prestadores de menor porte, mas os benefícios superam esses custos e podem trazer um retorno rápido dos investimentos”, afirma Maciel.

É neste contexto que a Abramed tem atuado ativamente no Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS), da ANS, para indicar as melhorias necessárias para aumentar a eficiência e segurança nos processos. “O Comitê Padrão TISS da Abramed dissemina o conhecimento do atual formato da TISS, o compartilhamento das experiências e de todas as novidades das versões e seus benefícios. O propósito é buscar pontos de sinergia e melhorias, visando aperfeiçoar a comunicação, mitigar os riscos para suas associadas e, assim, assegurar mais qualidade aos serviços de saúde”, conclui Maciel.

Abramed em Foco está de cara nova

Novo layout da newsletter mensal da Abramed traz mais detalhes sobre os pleitos setoriais

09 de junho de 2021

Após 34 edições trazendo informações relevantes sobre o mercado de medicina diagnóstica e compartilhando as realizações da entidade, o principal informativo da Associação passou por uma reformulação a fim de atender à novas demandas.

A partir de junho de 2021, o informativo traz ainda mais ênfase à atuação dos comitês e grupos de trabalho da Abramed com uma seção exclusiva para compartilhamento de algumas discussões e resoluções que são geradas dentro de cada área específica de atuação da entidade.

“A Abramed tem muito orgulho dos seus Comitês e grupos de trabalho que, através da dedicação dos executivos de suas empresas associadas, constituem verdadeiros fóruns de debate e desenvolvimento, promovendo a melhoria contínua e sistemática da qualidade dos serviços de medicina diagnóstica”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

A cada edição, a Abramed em Foco trará uma matéria de destaque com o assunto de maior relevância de um Comitê ou Grupo de Trabalho (GT). A edição de junho apresenta um conteúdo elaborado com informações coletadas junto aos integrantes do Comitê Padrão TISS, responsável pela disseminação de conhecimentos quanto às definições da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e por ações que visam a sinergia e a melhoria da comunicação a fim de mitigar potenciais riscos (clique AQUI para ler).

Logo abaixo do destaque, a newsletter também traz uma sequência com os principais highlights de todos os grupos. Além do Comitê Padrão TISS mencionado acima, hoje a Abramed conta com outros oito comitês: Jurídico; Técnico de Análises Clínicas; Técnico de Anatomia Patológica; Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem; Comunicação; Governança, Ética e Compliance; Recursos Humanos; e Dados Setoriais. A estrutura ainda conta com o grupo de trabalho de Proteção de Dados. Nesta edição apresentamos cada um dos comitês.

Essa nova seção dedicada aos comitês e grupos de trabalho se soma às outras tantas notícias do setor de medicina diagnóstica mensalmente compartilhadas na Abramed em Foco. Clicando AQUI você confere as edições anteriores da publicação.

4PL: Inovação e sustentabilidade na cadeia de suprimentos

Mais agilidade e eficiência com globalização e uso de dados cibernéticos

09 de junho de 2021

Você consegue perceber as mudanças que vem ocorrendo na Cadeia de Suprimentos? Se a empresa que você trabalha entrega produtos ou se você consome produtos on-line, com certeza já percebeu inúmeros avanços nessa área. Pois bem, nos últimos anos a logística das empresas tem recebido muitos investimentos em tecnologia. Com a globalização e o uso de dados cibernéticos, as cadeias de distribuição estão muito mais ágeis e eficientes. Além disso, práticas mais sustentáveis estão sendo solicitadas pelos clientes, e isso reflete a tomada de consciência para com a sociedade, natureza e economia.

Toda essa evolução também realçou a importância do 4PL, fourth part logistics, um novo modelo que atende as demandas do cliente de forma integrada e customizada. O 4PL faz parte de uma nova estratégia logística que a partir da integração de tecnologias, sinergia entre todas as etapas da cadeia, habilita a otimização do tempo, gastos e rastreamento dos recursos dos seus parceiros. O 4PL atua em parceria com seus clientes desenvolvendo projetos e gerindo os mesmos, ele desenvolve a solução integrando a ação do 3PL (operadores logísticos), transportadoras e todos os outros elos da cadeia.

Quando olhamos para o setor da saúde, em que minutos podem salvar vidas, a logística rápida e eficiente é imprescindível. O papel do 4PL, como gestor de toda a cadeia de distribuição, é também pensar no paciente para poder agregar valor, qualidade e bem-estar.  

Outro ponto importante, quando falamos deste novo modelo, é sua participação no desenvolvimento de soluções sustentáveis. Hoje em dia é preciso estar atento as novas necessidades e tendências do mundo. O desenvolvimento de embalagens refrigeradas retornáveis e frotas verdes, já fazem parte do portfólio de diversas empresas.

Cada vez mais, exigências ecológicas farão parte de contratos e parcerias, além de uma interação maior entre cliente final e empresa, abrindo espaço a uma compensação e benefício social, ambiental e econômico. Neste cenário o 4PL assume um papel-chave como empresa “asset light” que, por não dispor de ativos, está livre para buscar sempre a melhor solução para a cadeia de maneira transparente e neutra.

Abramed participa de lançamento do Índice de Serviços (ISe)

Indicador econômico reúne dados estratégicos para valorização do segmento

09 de junho de 2021

Em um webinar realizado na manhã de 8 de junho e transmitido ao vivo pelo YouTube, a Frente Parlamentar do Setor de Serviços (FPS) lançou o Índice de Serviços (ISe), indicador econômico que surge como um grande avanço para o acompanhamento de dados do segmento no país. A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) apoia o projeto e Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração, marcou presença no encontro representando a entidade.

Ao iniciar a apresentação, o deputado Laércio Oliveira (PP-SE), coordenador da FPS, trouxe um breve panorama. “O nosso setor de serviços foi o mais penalizado pela pandemia, mas sustentou a empregabilidade e a renda e continua sendo o fio condutor da recuperação econômica pós-COVID-19. O ISe vai nos permitir demonstrar a nossa realidade, principalmente para que haja mais clareza na valorização da importância desse segmento em várias frentes”, disse.

De fato, o setor de serviços tem alta relevância para a economia no país. Representa 70% do PIB Nacional e tem grande poder de empregabilidade. Na saúde, o setor de medicina diagnóstica representado pela Abramed também tem grande desempenho no contexto socioeconômico. Segundo dados do último Painel Abramed, o segmento foi responsável pela manutenção de 264,2 mil postos de trabalho em 2019. Somente as empresas associadas à Abramed empregam mais de 66 mil pessoas.

A participação da Abramed nos debates promovidos pela FPS leva os pleitos do setor que coincidem com as demandas de tantos outros subsetores. São debatidos, por exemplo, os impactos da Reforma Tributária, bem como questões trabalhistas, econômicas e de gerenciamento de dados.

Participaram do webinar, além de Oliveira, Rafael Sampaio, secretário executivo da Secretaria de Governo, representando a ministra Flávia Arruda; e Jorge Luiz de Lima, secretário de Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação (SDIC/SEPEC).

Além da Abramed, outras 10 entidades do setor de serviços apoiam o projeto: Instituto Gestão de Excelência Operacional em Cobrança (GEOC), Associação Nacional de Segurança e Transporte de Valores (ANSEGTV), Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC), Associação Nacional de Fomento Comercial (ANFAC), Associação Nacional dos Profissionais e Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes no País (ANEPS), Associação Nacional das Universidades Particulares (ANUP), Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt), Federação Nacional de Instalação e Manutenção de Infraestrutura de Redes de Telecomunicações e de Informática (FENINFRA) e Associação de Marketing Promocional (AMPRO).

Com tecnologia como aliada, medicina diagnóstica vislumbra futuro próspero

Marcelo Lorencin, da Shift, fala sobre a gestão da crise e as possibilidades do setor no pós-pandemia

08 de junho de 2021

São 15 meses de pandemia. O setor de medicina diagnóstica, que ganhou protagonismo diante da crise, sentiu os efeitos negativos do novo coronavírus – que afastou os pacientes dos laboratórios e clínicas de imagem, reduzindo as atividades drasticamente durante alguns meses – mas já entrou em rota de recuperação. Segundo Marcelo Lorencin, CEO da Shift, empresa especializada em Tecnologia da Informação (TI) para medicina diagnóstica, houve um aumento significativo das vendas da companhia nesse primeiro semestre de 2021.

Em entrevista exclusiva para a Abramed em Foco, o executivo fala sobre como a adesão tecnológica pode auxiliar o setor a expandir; a relevância da ciência de dados e da humanização, colocando o paciente sempre no centro do cuidado; a tendência de ampliação de portfólio dos laboratórios clínicos e as boas perspectivas da empresa para o futuro.

Confira entrevista completa.

Abramed em Foco – Quais foram as principais dificuldades enfrentadas pela Shift na pandemia e como a companhia trabalhou para vencer esses desafios?

Marcelo Lorencin – Ao longo destes mais de 15 meses de pandemia, experimentamos diferentes desafios, em diversas fases. Os primeiros meses, por exemplo, foram marcados por uma queda significativa na demanda de nossos clientes. Laboratórios chegaram a registrar uma redução superior aos 75% da demanda nas primeiras semanas de pandemia. Diante desse cenário, foi fundamental nos posicionarmos como parceiros dos nossos clientes e fornecedores, adotando uma estratégia voltada para um olhar sistêmico. Algumas negociações foram necessárias de todos os lados. Levando em consideração que todos estavam enfrentando o mesmo desafio, não cabiam decisões individuais. Sabíamos que somente uma visão do todo seria capaz de manter todos vivos e isso era fundamental para a sustentabilidade de toda cadeia. Nossos clientes, por sua vez, tiveram o mesmo olhar.

Do ponto de vista interno, mantivemos todos os colaboradores, pois diminuir custos seriam desligamentos, o que teria resultados desastrosos a longo prazo. Usamos nossa equipe para apoiar os clientes remotamente, capacitamos à distância, e assim mantivemos toda nossa estrutura.

Já no segundo semestre, houve a retomada e crescimento da demanda de exames, impulsionados tanto pela maior consciência da importância da saúde e crescente busca pela prevenção, quanto pelo adoecimento da população, além do elevado número de exames de COVID. Neste momento, o grande desafio foi o trabalho remoto junto aos clientes, o que aos poucos foi se adaptando.

Em 2021, muitos Centros de Diagnósticos retomaram seus investimentos e já vínhamos em constante preparação para um aumento da demanda por serviços de TI. O desafio hoje é outro: a escassez da mão de obra de TI, que está em déficit, e a locomoção das equipes para implantação e treinamento de novos clientes, mas temos administrado isto e retomamos agora no final deste semestre ao ritmo anterior a pandemia, buscando alternância de entrega dos projetos entre serviços remoto e local.

A pandemia de COVID-19 afetou todos os setores da economia. Porém, com a mudança de hábitos e as novas necessidades que surgiram, algumas atividades se desenvolveram. Os laboratórios e clínicas de imagem aproveitaram esse momento para investir em tecnologia?

No ano de 2020, nossa base de clientes demandou muitos serviços para atendimento remoto, customizações, automatização e projetos utilizando o nosso aplicativo mobile para agendamento, pré-atendimento de pacientes e coleta domiciliar. Entretanto, no primeiro semestre e início do segundo semestre de 2020, as vendas de novos projetos inevitavelmente desaceleraram, pois muitos laboratórios e clínicas de imagem optaram por preservar seu caixa. Porém, aos poucos, com o aumento da demanda e os desafios operacionais, muitos conscientizaram-se da importância do investimento em tecnologias de amplo escopo, capazes de atuar nas frentes de eficiência operacional, gestão, qualidade e jornada do paciente, que são diretrizes de nossas soluções. Isso provocou um aumento significativo nas vendas de 2021.

Como a ciência de dados pode auxiliar o crescimento do setor de medicina diagnóstica, principalmente no período pós-pandemia?

É sabido da importância dos dados para tomada de decisões, seja do ponto de vista operacional, gestão e/ou geração de informação de saúde. Os laboratórios e clínicas de imagem são responsáveis por 70% das decisões médicas e isto é algo inegável e com um valor inestimável. Ainda existe muito espaço para esta evolução, em especial por sabermos da fragmentação dos dados. Os centros diagnósticos são detentores de apenas uma parte das informações disponíveis do “prontuário”, ou seja, do histórico de um paciente. No entanto, mesmo assim, podem trazem muitos insights, conhecimentos. Transformando dados em informação de valor e gerando conhecimento científico a partir disso.

A medicina diagnóstica brasileira vem batalhando para ampliar o acesso aos exames. E sabemos que a tecnologia tem papel fundamental nessas estratégias. Quais os desafios, na sua visão, para que consigamos aplicar a tecnologia na expansão do setor?

Temos um grande desafio para garantir o acesso à saúde, de um modo geral. Existe uma demanda crescente por conta do envelhecimento da população, da própria pandemia e dos avanços da tecnologia na nossa área de atuação, tanto as tradicionais, com o surgimento de novos exames e perfis, bem como de novos formatos, sejam de TLR (testes laboratoriais remotos) ou de exames digitais.

O laboratório e a clínica de imagem podem, se souberem aproveitar, ter uma expansão considerável neste sentido, inclusive navegando mais para a medicina preventiva, sendo um parceiro do setor. A tecnologia, não só da informação, mas de todas as frentes – as já citadas e outras, como por exemplo, devices, wearables, ciência de dados, inteligência artificial – poderão potencializar a expansão do setor. Mas, como sabemos, é fundamental trabalharmos no acesso, visto que, grande parte da população, encontra-se dependente do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, segundo estudos, mais de 45% delas não possuem acesso pleno à internet. Ainda que a teleconsulta gratuita seja liberada, por exemplo, para todo o Brasil, temos um desafio de logística, e isto tem que ser pensado de forma ampla.

A jornada do paciente, com a tecnologia, estende-se muito além da visita aos laboratórios e clínicas de imagem e a obtenção de resultados pela internet e/ou aplicativos. Esta é uma transformação que veremos rapidamente nos próximos anos e isto tem sido potencializado pela necessidade da conveniência de serviços remotos, ágeis e personalizados.

Pensando nas empresas de pequeno e médio porte da área de medicina diagnóstica, enxerga como tendência de mercado a ampliação do portfólio de serviços dos laboratórios? Eles começaram a ofertar uma gama mais variada de exames?

Sim, a oferta de novos exames não é uma exclusividade das grandes redes. Os centros diagnósticos têm buscado diferenciação e ampliação de seu portfólio, seja com investimentos em novos equipamentos ou por meio de parcerias com laboratórios de apoio. Neste aspecto, inclusive, alguns já estão se movimentando para TLR e, alguns poucos, para oferta de serviços digitais.

O setor de medicina diagnóstica sempre teve muito foco em qualidade. Com a pandemia, quando surgiram alguns testes pouco confiáveis e houve um movimento grande para garantir que entrassem no mercado apenas testes validados, essa busca tornou-se ainda mais visível. Você enxerga um movimento dos laboratórios para ampliar o reconhecimento de seus serviços e a qualidade dos atendimentos?

Não há dúvidas com relação a isso. A Shift tem um portfólio de clientes que são referências em todo o Brasil e dos quais temos muito orgulho. Pelo menos 75% de nossos clientes dispõem de uma ou mais certificações e/ou acreditações, seja ela PALC, DICQ, PADI, ONA, ISO ou até mesmo internacionais como o CAP, e isso tem aumentado a cada dia. Vemos muita procura e resultados, pois a qualidade traz robustez aos clientes, não só do ponto de vista técnico, como também de processo e até gestão. Por conta disso, eles perceptivelmente destacam-se no mercado, com eficiência operacional, pouco retrabalho e impactando positivamente na vida dos pacientes, o que acaba sendo valorizado pelo mercado (pacientes, médicos e fontes pagadoras). Os próprios programas de acreditação têm avançado em várias frentes. Indo muito além da qualidade dos exames, trazendo uma visão ampla e sistêmica para os laboratórios. E isso não é diferente nas clínicas de imagem.

Vivemos uma era da humanização em saúde?

A tecnologia e seu desenvolvimento devem estar centrados no lado humano, esse é o mundo ideal em todos os setores e, no caso da saúde, que a tecnologia ajude a colocar cada vez mais o paciente no centro dos cuidados. Meu sonho é que em um futuro muito próximo ela seja capaz não só de proporcionar um aumento na gama de serviços oferecidos, mas também de ampliar e democratizar o acesso à saúde.

Quais as perspectivas de negócios da Shift para os próximos meses?

As perspectivas são muito boas. As vendas estão acontecendo e os projetos sendo entregues, ajudando os laboratórios a avançarem com seu processo de expansão e performance. A Shift também tem ampliado seu escopo de atuação. Acabamos de disponibilizar para o mercado um módulo completo de anatomia patológica e temos investido na consolidação do RIS para clínicas de imagem. Buscaremos alcançar essa mesma referência que somos em laboratórios, nestas outras frentes. Outras iniciativas, relacionadas à transformação digital estão em fase final de amadurecimento.

Como enxerga a atuação da Abramed na medicina diagnóstica? O que espera da entidade como parceira para melhoria do setor?

A Abramed, por sua representatividade e atuação exponencial, tem um papel fundamental no setor exatamente por sua capacidade de unir todos os elos dessa importante cadeia da saúde, que é a medicina diagnóstica. Estamos falando de uma entidade com uma abrangência muito significativa em todo país, conduzida por time de peso que ao longo desses anos tem atuado com pulso firme e muita competência para construir um grande legado de apoio, seja nos diálogos com as organizações governamentais e regulatórias, parceria com a comunidade científica, e na geração de conteúdo e conhecimento, entre outras frentes que ajudam a fortalecer o protagonismo e sustentabilidade do setor de medicina diagnóstica. Além de todos os anos trazerem um cenário muito sólido do setor, com o Painel Abramed, que traz dados que ajudam a direcionar o trabalho de todos os stakeholders e players do mercado.

FILIS – Edição de 2021 será totalmente digital

Fórum Internacional de Lideranças da Saúde acontecerá nos dias 13 e 14 de outubro

1º de junho de 2021

A quinta edição do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde será realizada pela primeira vez em um formato integralmente digital. Promovido anualmente pela Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), o evento traz uma programação dinâmica e enriquecedora, com debates altamente relevantes sobre os principais pleitos, desafios e tendências da saúde no país.

Com tema central “A Medicina Diagnóstica de hoje na construção do sistema de saúde do amanhã”, o FILIS mantém seu formato interativo com participação ativa do público em tempo real, além de palestrantes nacionais e internacionais discutindo as vertentes mais urgentes não somente da medicina diagnóstica, mas da saúde como um todo.

“Depois de quatro edições de sucesso, o FILIS se consolidou como um importante evento do setor por reunir líderes e gestores responsáveis pelas tomadas de decisões estratégicas no setor de saúde. Entendemos que, devido à instabilidade ainda gerada pela disseminação do novo coronavírus, não seria o momento de organizar um evento presencial. Porém, cientes de que o setor carece desse encontro até mesmo para ampliar o diálogo sobre a gestão da crise, optamos pela realização virtual do fórum”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

A edição virtual traz algumas novidades. Serão dois dias de evento, das 9h até às 12h, com salas paralelas, das 12h às 13h, para apresentação de temas mais fechados e específicos relacionados a Telemedicina, LGPD e COVID-19.

Além disso, esse ano o FILIS começará antes mesmo da data oficial com a realização, em setembro, de um evento de aquecimento para debater os movimentos empresariais da medicina diagnóstica e apresentar dados setoriais.

Com uma agenda bastante relevante, a quinta edição do FILIS abordará os temas:

  • Desafios regulatórios para o desenvolvimento do sistema de saúde
  • Futuro da saúde e os impactos econômicos no pós-pandemia
  • Vigilância sanitária na medicina diagnóstica
  • Ciência de Dados e tecnologia em medicina diagnóstica
  • A transformação e o futuro da medicina diagnóstica

Premiação – Desde 2018, o FILIS entrega o Prêmio Doutor Luiz Gastão Rosenfeld como reconhecimento a profissionais que estimulam o desenvolvimento e a melhoria da saúde brasileira. Na edição de 2021 a premiação será mantida. O prêmio é uma homenagem ao doutor Rosenfeld, renomado profissional de medicina diagnóstica que faleceu em março de 2018 após décadas de empenho para maior união do setor.

Em breve as inscrições para participar da quinta edição do FILIS estarão abertas. Acompanhe a Abramed nas redes sociais (Instagram | Facebook | Linkedin | YouTube) e fique por dentro.

Todo o reconhecimento aos profissionais dos Laboratórios Clínicos

Assinado por Luiz Fernando Barcelos, presidente da SBAC, artigo homenageia os trabalhadores da medicina diagnóstica

* Por Luiz Fernando Barcelos

Como não enfatizar a atuação incansável dos profissionais dos Laboratórios Clínicos ao longo da pandemia de COVID-19? Esses trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente, assim como nos demais Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento (SADT), dentro ou fora dos hospitais, merecem todo o nosso reconhecimento.

A infecção pelo novo coronavírus reforçou a competência das nossas equipes laboratoriais. Quando um indivíduo começa a apresentar febre, tosse seca, cansaço ou outros sintomas sugestivos, é o teste RT-PCR, apontado como padrão ouro para detecção da COVID-19, que indicará se ele está ou não infectado. Somado a exames de imagem como a tomografia computadorizada do tórax capaz de apontar alterações típicas dessa infecção.

Em tantos casos em que a doença se agrava e acarreta internação, novamente são os exames laboratoriais responsáveis pelo monitoramento daquele paciente durante todo o período em que está hospitalizado. Entre os exames laboratoriais relevantes em casos de COVID-19 estão hemograma, gasometria arterial, coagulograma, proteína C-reativa, perfil metabólico, glicemia, ferritina, desidrogenase lática, biomarcadores cardíacos, hemoculturas, entre tantos outros. Quantos profissionais estão envolvidos e dedicados às análises dessas amostras? São, inclusive, os resultados desses exames os responsáveis também por basear a tomada de decisões médicas para que aquele paciente tenha alta assim que estiver estabilizado e pronto para ir para casa.

No processo de recuperação, esse paciente também será acompanhado por exames diversos para analisar possíveis sequelas da COVID-19 e checar a evolução de seu quadro clínico.

Enfim, sistematicamente, o Laboratório Clínico é essencial no diagnóstico, no acompanhamento, nos critérios de alta e cura dos pacientes em todas as patologias.

E não podemos nos esquecer que esses profissionais que se dedicam as análises clínicas também alimentam um banco de dados epidemiológicos extremamente importante para que governantes possam adotar medidas sanitárias, políticas e sociais para controle da pandemia. Sem saber se os casos estão aumentando ou diminuindo – por meio dos exames que são notificados – não há como traçar uma estratégia.

Precisamos colocar os profissionais dos Laboratórios Clínicos e dos Serviços Auxiliares de Diagnóstico lado a lado com todos os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e demais profissionais envolvidos na linha de frente prestando uma assistência incansável e impecável diante de um cenário de pressão, estresse e cansaço. Esses trabalhadores da saúde estão dando suporte para que todas as outras especialidades possam compreender as condições clínicas de cada indivíduo infectado, garantindo um melhor prognóstico.

Devemos reconhecer e homenagear os profissionais dos Laboratórios Clínicos por toda dedicação ao sistema de saúde brasileiro.

* Luiz Fernando Barcelos é presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas