ABRAMED: Com trajetória de crescimento nos últimos 15 anos, Medicina Diagnóstica chega a 2026 com expectativa de expansão sustentada por investimentos em tecnologia

Com retomada da saúde financeira de operadoras e olhar para tendências como IA e interoperabilidade, Abramed projeta aumento da receita de inovação no setor laboratorial

A Medicina Diagnóstica consolida sua posição como um dos pilares estruturantes do sistema de saúde brasileiro, sustentando uma trajetória de crescimento contínuo ao longo da última década. Esse avanço tem sido impulsionado pela incorporação de novas tecnologias que propiciam ganhos relevantes de produtividade e eficiência, não gerando assim aumento proporcional de custos para as fontes pagadoras. Nesse sentido, uma pesquisa da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) com seus associados aponta que as empresas consultadas direcionam até 30% do seu orçamento anual em inovações que incluem equipamentos para automação de processos, IA e sistemas analíticos.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, analisa os benefícios dessa jornada de digitalização para a Medicina Diagnóstica.  “O setor vem em alta nos últimos 15 anos e não deve ser diferente em 2026. Esse crescimento é sustentado por investimentos relacionados à inovação que permitem o avanço em novas tecnologias e oferta de mais exames. Com isso, clínicas e pacientes são beneficiados com mais eficácia, acurácia diagnóstica e redução de custos”.

E esse movimento se reflete diretamente na qualidade dos exames, com equipamentos cada vez mais precisos, rápidos e com melhor capacidade de visualização, permitindo identificar alterações com maior clareza, beneficiando pacientes e médicos sem pressionar o custo assistencial.

Além da evolução tecnológica, o ambiente econômico do setor dá sinais positivos. A melhora da saúde financeira do ecossistema suplementar ao longo de 2025 é vista como fator relevante para toda a cadeia de prestadores. Segundo dados da ANS, nos primeiros 9 meses do ano, as operadoras tiveram variação positiva de 10% na receita em 2025 que deve se manter este ano. A expectativa é que esse cenário se traduza em fluxos de pagamento otimizados, redução de glosas e menor restrição na autorização de exames, fortalecendo a relação entre laboratórios e planos.  

Assim, muitos associados da Abramed veem 2026 como uma janela para retomar aportes mais robustos em tecnologias emergentes com foco em mais eficiência e qualidade para os pacientes.

Desafios e tendências

Diante do protagonismo da tecnologia, o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico aponta as principais tendências que devem moldar a Medicina Diagnóstica em 2026, incluindo Big Data e IA na personalização do cuidado; fortalecimento da cibersegurança e a consolidação de plataformas únicas de dados interoperáveis.

“O diagnóstico correto, na hora certa e com suporte de tecnologias avançadas leva a um tratamento clínico mais preciso e no melhor momento para o paciente. Tudo isso se traduz em menos custo para a sociedade”, destaca Cesar Nomura.

E esse ganho de eficiência pode ser impulsionado, justamente, pela interoperabilidade de dados. No Brasil, já temos exemplos positivos nesse sentido, como o caso do Hospital Israelita Albert Einstein, que participa da Mayo Clinic Platform Connect, plataforma federada que aumenta o potencial de integração de um dos principais polos clínicos do país.

Modelos de interoperabilidade federada com dados protegidos desde a origem despontam, segundo a Abramed, como alternativas para garantir integração sem compartilhamento indevido de informações sensíveis, diante de exigências regulatórias impostas por normas como a LGPD.

“O crescimento da Medicina Diagnóstica em 2026 depende dessa capacidade de integração. A jornada do paciente deve ser composta por cuidados contínuos e constantes, sem fragmentação”, reforça Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Nesse cenário, a definição de um marco regulatório para a IA aplicada à saúde ganha importância estratégica, enquanto iniciativas como os projetos de interoperabilidade do SUS Digital e do OpenCare Interop, dos quais a Abramed é uma parceira importante, aparecem como vetores fundamentais para elevar a qualidade e a segurança do cuidado.

“É muito importante trazermos sempre o olhar para a interoperabilidade como o caminho para termos a interconexão de dados e informações, independentemente de onde o paciente está. Ela é recurso efetivo e indispensável para a promoção da saúde”, acrescenta Pagano.

Ao mesmo tempo em que enxerga oportunidades, a Abramed avalia que 2026 trará desafios do ponto de vista político, regulatório e econômico, com a alta do dólar e a tributação de Pessoas Jurídicas como questões sensíveis. O calendário marcado por eventos como as eleições e a Copa do Mundo também pode impactar a tramitação de pautas relevantes no Congresso, como a execução da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL).

“O ano de 2026 vai ser desafiador. Para conseguirmos aprovar um Projeto de Lei, precisamos da disponibilidade de congressistas, que estarão em campanha. Tudo isso exige muita articulação institucional das entidades representativas da saúde, como a Abramed”, diz Milva Pagano.

Mesmo com estes pontos de atenção, a avaliação da Abramed é que a Medicina Diagnóstica entra em 2026 com bases sólidas e apoiada em inovação. O desafio do próximo ciclo será equilibrar investimentos, avanço tecnológico e sustentabilidade econômica, mantendo o foco na qualidade do diagnóstico e na integração do cuidado como pilares centrais para o sistema de saúde.

29 de janeiro de 2026.

Radar normativo: o que vem por aí em 2026 que dialoga com a Medicina Diagnóstica

Entre Inteligência Artificial, novas exigências trabalhistas, Reforma Tributária e proteção de dados, 2026 inaugura uma agenda regulatória complexa que impacta a operação do setor.

O ano de 2026 promete ser decisivo para o ambiente regulatório da Saúde no Brasil. Nesse contexto, entre definições sobre governança da tecnologia, exigências trabalhistas e o início efetivo da Reforma Tributária, os prestadores de serviços de Medicina Diagnóstica precisarão acompanhar e se adaptar a uma agenda que afeta diretamente o dia a dia operacional do setor.

Confira, a seguir, um panorama com as principais mudanças normativas previstas para 2026 no País!

Marco Legal da Inteligência Artificial

O Projeto de Lei que institui o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil teve sua votação adiada para fevereiro, após intensos debates no Senado envolvendo temas como a criação de um sistema gerido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que irá fiscalizar o uso de IA. A proposta estabelece regras para o desenvolvimento, uso e governança de sistemas de IA, incluindo soluções usadas em saúde, diagnóstico e apoio à decisão clínica.

Para a Medicina Diagnóstica, o avanço do Marco Legal reforça a necessidade da governança de dados, a integração segura e padronizada de prontuários e sistemas clínicos e a gestão do ciclo de vida das tecnologias de IA.

A Abramed acompanha o tema de perto e tem defendido um modelo regulatório que incentive inovação, mas preserve segurança, avaliações contínuas de impacto algorítmico nos sistemas, transparência e responsabilidade no uso dessas tecnologias no setor.

NR-1 e os riscos psicossociais no trabalho

A Norma Regulamentadora nº 1 entra em uma nova fase, com a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A mudança, que passa a valer já a partir de maio, exige que as empresas passem a identificar, avaliar e mitigar fatores como sobrecarga de trabalho, estresse crônico, assédio e impactos na saúde mental dos colaboradores.

No contexto da Medicina Diagnóstica, a atualização da NR-1 dialoga diretamente com rotinas intensas, pressão por produtividade e ambientes altamente regulados. A Abramed tem reforçado a importância da adaptação dos laboratórios a partir, principalmente, do mapeamento de riscos psicossociais com consistência técnica, atuação multidisciplinar e uma visão de que o bem-estar profissional é decisivo na redução de custos e sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Reforma Tributária: a implementação já começou!

A Reforma Tributária entra em sua fase efetiva de implementação, com testes operacionais dos novos tributos sobre consumo (CBS e IBS). Embora a transição vá até 2033, este ano será crucial para ajustes sistêmicos e até para adequação de contratos, preços e processos financeiros.

Para a Medicina Diagnóstica, os impactos vão além da carga tributária em si. Mudanças na forma de creditamento fiscal, na tributação de serviços e na apuração dos tributos exigem planejamento para o fluxo de caixa das empresas.

Mesmo com desafios, o protagonismo de entidades como a Abramed foi decisivo para garantir que as especificidades do ecossistema de saúde fossem consideradas na transição tributária, contribuindo para a redução de 60% das alíquotas do IBS e da CBS para o setor.

ECA Digital e a proteção de dados de crianças e adolescentes

O ECA Digital também ganha um novo capítulo em 2026: a partir de fevereiro, as empresas afetadas pela regulação precisarão encaminhar informações sobre as medidas técnicas que vêm sendo implementadas para a sua adequação à nova legislação, voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. 

Laboratórios que realizam exames pediátricos ou lidam com dados sensíveis desse público precisarão reforçar práticas de governança, consentimento e segurança da informação. Além disso,  qualquer serviço digital com “acesso provável” por crianças e adolescentes — como portais de exames, agendamento online, telemedicina, chatbots e sites institucionais — deve implementar salvaguardas específicas, inclusive sob o regime de responsabilidade solidária. A Abramed segue debatendo o tema em seus comitês Jurídico e de Proteção de Dados, buscando orientar os associados sobre caminhos de conformidade e redução de riscos.

Outros temas que seguem no radar

Além desses pontos, outras pautas seguem relevantes para 2026. Entre elas, a discussão sobre a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL), a padronização de dados laboratoriais, em iniciativa conjunta da Abramed e do Ministério da Saúde, e a revisão da Tabela TUSS 38 pela ANS, tema sensível para o aprimoramento da classificação de glosas.

Com tantas mudanças previstas, acompanhar a legislação deixou de ser apenas uma obrigação jurídica e passou a ser um fator estratégico para as lideranças da Medicina Diagnóstica. A Abramed segue acompanhando de perto essa agenda e apoiando seus associados na interpretação e nos desdobramentos práticos das alterações normativas que irão moldar o setor no presente e no futuro.

29 de janeiro de 2026.

Dengue: positividade começa 2026 em patamar mais baixo, mas exige atenção

Índice é quase a metade do registrado em janeiro de 2025, quando a taxa chegou a 17,7%; ações preventivas contribuem para o cenário mais favorável, mas o clima ainda inspira cautela

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue no Brasil está abaixo do esperado para este início de ano. Até a segunda semana de janeiro de 2026, o índice gira em torno de 9,4%. Em 2025, no mesmo período, a taxa era de 17,7%.

A leitura dos dados laboratoriais consolidados até a 3º semana de janeiro de 2026 mostra que a média móvel das últimas cinco semanas ainda aponta tendência de queda, reflexo de uma redução pontual registrada no fim de dezembro.

Ao mesmo tempo, as semanas mais recentes já indicam retomada da positividade, com aproximação aos níveis tradicionalmente observados neste momento do calendário epidemiológico.

Apesar do cenário inicial mais favorável, a Abramed alerta que, historicamente, a segunda semana de janeiro costuma representar um ponto de inflexão, antecedendo a elevação dos casos de dengue. Por isso, o acompanhamento das próximas semanas é considerado essencial.

Segundo o patologista clínico Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, o momento exige cautela na leitura dos dados.

“A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram retomada após uma queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano. Por isso, o monitoramento atento nas próximas semanas é fundamental”, afirma Galoro.

Cenário inicial favorável não afasta risco de aumento nos próximos meses

Ainda de acordo com o especialista, fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início de estratégias de vacinação contra a dengue em alguns municípios brasileiros podem ajudar a explicar o comportamento observado nas primeiras semanas do ano. Ainda assim, a dinâmica da doença permanece fortemente associada a fatores climáticos e ambientais.

“A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor. Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes”, explica o patologista.

Diagnóstico laboratorial é fundamental para a vigilância epidemiológica

Para a Abramed, o cenário reforça a importância da vigilância contínua apoiada pela medicina diagnóstica, especialmente em momentos de transição epidemiológica.

“Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica de forma mais precisa”, destaca Galoro.

29 de janeiro de 2026.

Abramed integra o Movimento Empresarial pela Saúde e reforça a Medicina Diagnóstica como pilar da gestão da saúde corporativa

A atuação da entidade no projeto liderado pelo SESI e pela CNI  fortalece a governança corporativa do cuidado, evidenciando a importância da Medicina Diagnóstica para decisões mais qualificadas ao longo da jornada do paciente.

O aumento dos custos assistenciais e o envelhecimento da população colocaram a saúde entre as principais preocupações do setor produtivo. Nos últimos anos, os gastos com assistência médica têm se tornado uma fatia expressiva dos custos de pessoal e benefícios nas empresas, muitas vezes ficando atrás apenas da folha de pagamento, o que torna a gestão da saúde dos trabalhadores um tema cada vez mais estratégico para a competitividade dos negócios.

Desde 2024, a Abramed integra o Conselho Deliberativo do Movimento Empresarial pela Saúde (MES) por meio de uma contribuição técnica para uso adequado de exames clínicos. A iniciativa é liderada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e foi criada em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para reunir empresas, entidades setoriais, Governo e especialistas, construir soluções para a saúde no Brasil e responder a demandas crescentes relacionadas ao cuidado dos colaboradores, ao bem-estar no ambiente de trabalho e à manutenção dos custos assistenciais.

A centralidade das empresas nesse debate é justificada por dados objetivos. Segundo dados do SESI, atualmente, 13,1% da folha de pagamento das indústrias é destinada a gastos com planos de saúde, o que faz da assistência médica um dos principais custos corporativos, atrás apenas da folha salarial. Além disso, 10,8 milhões de pessoas estão vinculadas a planos coletivos sob responsabilidade da indústria, o que comprova o peso desses players como principais financiadores da saúde suplementar no país.

Mas, apesar desse papel determinante, por muitos anos a governança da gestão do cuidado esteve concentrada principalmente em operadoras e intermediários.. O MES nasceu justamente para alterar esse cenário, reposicionando as organizações como protagonistas da governança da saúde corporativa, com maior capacidade de influenciar modelos assistenciais, políticas de promoção da saúde e mecanismos de incentivo à qualidade.

Para Emmanuel Lacerda, gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria da CNI, a iniciativa representa uma mudança concreta na forma como o setor produtivo se posiciona diante do tema.
 “Construímos um movimento de empresas para melhorar a saúde do ponto de vista do acesso, da qualidade, da eficiência e da sustentabilidade. Isso passa pelos planos de saúde, mas também por uma melhoria da saúde pública, já que nem todas as companhias conseguem prover esse benefício aos seus trabalhadores”.

O MES está estruturado em dois níveis principais — Conselho Estratégico, formado por lideranças empresariais, representantes institucionais e Governo, e Comitê Executivo, composto por gestores das companhias —, além de Grupos Temáticos que organizam a atuação em frentes como sustentabilidade do sistema, saúde mental, dados e inteligência em saúde. Esse desenho permite às organizações acompanhar de forma mais ativa a gestão do cuidado dos seus colaboradores e alinhar decisões a objetivos de longo prazo.

Ao longo de suas reuniões, o MES tem promovido um diálogo estruturado entre diferentes atores do setor, reunindo representantes da indústria farmacêutica, entidades setoriais, dirigentes das indústrias-membro do movimento, associações médicas, executivos de planos de saúde e especialistas do ecossistema. Em agendas específicas, também há interlocução com órgãos públicos e reguladores, como Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fortalecendo o debate sobre sustentabilidade, eficiência e qualidade na saúde.

São encontros que permitem alinhar diagnósticos, debater o aumento dos custos assistenciais, discutir caminhos regulatórios e firmar agendas de trabalho integradas, reforçando o papel do movimento como espaço de convergência entre empresas e formuladores de políticas públicas.

Para a Abramed, a participação no MES é estratégica justamente porque conecta esse debate estrutural ao papel da Medicina Diagnóstica na gestão da saúde. “Ao trazer as empresas para o centro da discussão, o MES contribui para uma mudança de foco: da simples mensuração de utilização para a avaliação da qualidade e do valor entregue”, afirma Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Nesse contexto, discutir o uso adequado dos exames — o exame certo, no momento certo e com a finalidade correta — torna-se essencial para reduzir desperdícios, qualificar desfechos e apoiar decisões baseadas em evidências ao longo da jornada do paciente, reforçando o papel da Medicina Diagnóstica como ferramenta essencial desse processo.

De acordo com Milva Pagano, esse é um dos principais avanços do movimento. “Diagnóstico não é um evento isolado nem restrito ao momento da doença. Não existe promoção de saúde, prevenção ou tratamento sem diagnóstico. Ele sustenta decisões clínicas e a coordenação do cuidado. Quando utilizado de forma adequada, o diagnóstico empodera a empresa, otimiza a gestão e contribui para um sistema mais sustentável”, conclui.

29 de janeiro de 2026.

Comitê de Radiologia da Abramed reuniu representantes da indústria e associados para debater inovação e sustentabilidade

Mesa-redonda realizada na sede da GE HealthCare explorou a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

A busca pelo equilíbrio entre inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência assistencial em exames radiológicos pautou a mesa-redonda realizada pelo Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed na sede da GE HealthCare, em São Paulo.

Juntos, representantes da indústria e associados exploraram a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

O encontro foi conduzido por Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e pelos líderes do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem: Alexandre Marconi, coordenador de Radiologia Abdominal do Hospital Sírio-Libanês, e Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Sustentabilidade além do discurso

A sustentabilidade foi tratada como eixo estratégico do diagnóstico por imagem, com a importância de indicadores mensuráveis sendo colocada no centro da discussão. Para João Paulo Souza, CEO da GE HealthCare Brasil, a sustentabilidade já é um pilar de mercado.

“O debate já está na sociedade. O desafio é transformar o discurso em ações tangíveis, com números efetivos. Para fazê-lo avançar, nós olhamos para o conceito de economia circular e para o lançamento contínuo de novas tecnologias de foco sustentável. Mais do que uma boa intenção, essa é uma exigência do mercado diagnóstico: qualidade técnica e sustentabilidade são pilares de sobrevivência”.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, reforçou a necessidade de atuação conjunta para o avanço da sustentabilidade. “Na Abramed, pensamos no setor como um todo, indústria, prestadores, academia, governo e associações. Esse olhar conjunto é fundamental: entre nossos associados, por exemplo, já temos relatórios indicando redução no consumo de água em exames laboratoriais na casa de 20%”.

Inteligência artificial como vetor de práticas sustentáveis

Dentro do contexto de integração entre tecnologia e sustentabilidade, a IA apareceu como uma das principais alavancas para ganhos simultâneos de eficiência, melhores práticas e experiência do paciente. Os participantes compartilharam casos de redução de tempo de exames, otimização de fluxos e melhor aproveitamento da capacidade instalada com o apoio da inteligência artificial

Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, ressaltou os ganhos operacionais. “Cada vez mais, médicos e profissionais veem a IA como aliadas da produção radiológica, ela ajuda o radiologista nos relatórios, na identificação de lesões, no suporte diagnóstico e no ganho de eficiência diária”, afirmou, indicando que ainda há muito espaço para avanço da tecnologia no Brasil.

Angela Caiado, head de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Grupo Fleury, destacou iniciativas práticas da integração entre tecnologia e sustentabilidade. “Com apoio da inovação e da IA, já conseguimos reduzir em quase 50% o tempo dos exames. Há ganhos em redução de energia elétrica, de água e de emissões: mas é preciso demonstrá-los em métricas que sustentem essa jornada.”

Eficiência operacional e consumo energético

Outro ponto central foi a incorporação do consumo energético e do custo total de propriedade (TCO) como fatores centrais na aquisição de equipamentos. Alexandre Marconi, líder do Comitê, chamou atenção para a ausência de métricas padronizadas. “Ainda há um espaço importante para avançar em critérios objetivos de eficiência energética no setor, o que pode orientar melhores decisões de investimento”, afirmou.

Marcos Queiroz, também líder do Comitê , reforçou a importância de decisões baseadas em dados. “Quando olhamos para o ciclo dos equipamentos, eficiência operacional e sustentabilidade devem caminhar juntas e os dados precisam demonstrar isso”.

Boas práticas assistenciais, educação e próximos passos

A discussão também abordou estratégias para reduzir no-show, evitar exames desnecessários e melhorar a gestão da demanda. Algoritmos preditivos, confirmação ativa de agendamentos e maior integração entre sistemas foram apontados como caminhos para ganhos assistenciais e operacionais. Nesse contexto, a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde foi destacada como elemento-chave para evitar repetições de exames e promover integração.

O papel do radiologista como protagonista foi outro ponto de consenso. Mais do que emitir laudos, o profissional é um agente ativo na definição de protocolos, uso racional da tecnologia e na orientação de equipes multiprofissionais. Assim, a educação continuada apareceu como condição essencial para que os avanços tecnológicos se traduzam em benefícios clínicos, operacionais e de sustentabilidade.

Ao final, o Comitê definiu como próximos passos o mapeamento de boas práticas de sustentabilidade, a avaliação de indicadores mensuráveis, a integração dos debates à agenda ESG da Abramed e o aprofundamento das discussões sobre capacitação e uso efetivo da tecnologia. E a Abramed reforçou seu compromisso pelo diálogo estruturado com todo o ecossistema de Medicina Diagnóstica, avançando na construção de soluções alinhadas à realidade do país.

29 de janeiro de 2026

Plano de Ação em Saúde coloca setor no centro da agenda climática e reforça caráter estratégico da Medicina Diagnóstica

Lançado na COP30, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos.

Que o setor de saúde tem um papel central para o enfrentamento da crise climática, não há dúvidas. Afinal de contas, a intensificação de ondas de calor favorece, por exemplo, o aumento de vetores infecciosos e a incidência de doenças respiratórias, metabólicas e cardiovasculares. Essa importância foi reforçada na COP30, com o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que conecta, de modo pioneiro, os impactos das mudanças climáticas nos sistemas hospitalares e propõe respostas para a adaptação e proteção das populações mais vulneráveis.

O plano parte de um diagnóstico claro: eventos extremos já são um dos principais desafios para os serviços de saúde e para a segurança sanitária no século XXI, especialmente de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Diante desse cenário, o documento afirma que os sistemas de saúde são parte essencial da solução e devem fortalecer seus mecanismos de governança e integração para que possam prevenir, detectar e responder às crescentes exigências do novo contexto climático global.

Objetivos e princípios do Plano de Ação em Saúde

O Plano de Ação em Saúde estabelece diretrizes para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde frente às mudanças climáticas, com foco em adaptação, prevenção de riscos e preparação para emergências, a partir de dois princípios transversais:

  • Fortalecimento da equidade em saúde e do conceito de justiça climática
  • Liderança e governança em saúde com participação social.

Para responder a esses princípios, foram definidas linhas de ação que dialogam diretamente com a Medicina Diagnóstica, incluindo o avanço da capacidade de vigilância e monitoramento de riscos ligados ao clima, o desenvolvimento de uma lista prioritária de doenças relacionadas às mudanças climáticas, a promoção de políticas de adaptação voltadas a populações vulneráveis e o incentivo à inovação sustentável nos sistemas de saúde.

Desafios para a implementação no sistema de saúde

Embora o plano represente um avanço institucional significativo, sua implementação traz desafios concretos. Um deles é a necessidade de articulação entre governo e ecossistemas público e privado de saúde, além do alinhamento entre políticas, meio ambiente e desenvolvimento.

Outro ponto sensível é a desigualdade regional. O próprio documento reconhece que a capacidade de adaptação varia entre estados e municípios, exigindo estratégias diferenciadas, investimentos direcionados e apoio técnico para evitar que as mudanças climáticas ampliem ainda mais as disparidades no atendimento à população.

O papel da Medicina Diagnóstica

O Plano de Ação em Saúde reforça o caráter estratégico da Medicina Diagnóstica. Laboratórios e prestadores são fundamentais tanto na vigilância epidemiológica quanto no monitoramento de agravos relacionados ao clima, como doenças respiratórias e infecciosas.

Além disso, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos. Nesse contexto, é positivo observar que o segmento diagnóstico vem avançando em práticas sustentáveis.

Dados da 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram, por exemplo, que 61% das empresas associadas já mantêm iniciativas socioambientais de voluntariado, evidenciando o engajamento do setor em agendas de impacto social e ambiental. O painel também aponta que, entre 2023 e 2024, o setor teve uma diminuição significativa de 25,6% no consumo de energia por exame realizado e de 7,1% no uso de água.

E a gestão de resíduos laboratoriais aparece como outro ponto de convergência entre o Plano de Ação em Saúde e as ações do segmento diagnóstico: segundo o Painel Abramed, 93% das empresas realizam coleta seletiva, 88% promovem campanhas de conscientização, 87% adotam inspeções ou auditorias internas e 86% oferecem treinamentos específicos sobre o tema.

Esses indicadores reforçam que a Medicina Diagnóstica já possui uma base concreta para contribuir com a agenda climática, oferecendo evidências, escala e capacidade técnica para apoiar políticas mais eficazes e integradas em toda a cadeia de saúde do país.

Além disso, a Abramed tem atuado fortemente na agenda ESG, com um Comitê dedicado ao tema que, anualmente, discute o assunto em um simpósio exclusivo para associados. Além disso, a pauta fez parte das últimas edições do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde e também estará na programação deste ano.

E, reforçando o papel da Associação para transformar o setor de Medicina Diagnóstica em um dos protagonistas desse debate, durante a COP30, Cesar Nomura e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração da entidade, participaram de um debate na EY House para discutir a integração entre ciência, governança e políticas climáticas. A reflexão foi aprofundada posteriormente no painel da Câmara de Assuntos Políticos e Estratégicos (Cape), organizada pela Fesaúde, com apoio da Arca.

Segundo Nomura, quando a saúde mede o impacto climático, cria-se a base para o cuidado. E, no enfrentamento da crise climática, o diagnóstico é, mais do que nunca, o primeiro passo.

Saúde como parte da solução climática

Com o lançamento do Plano de Ação em Saúde na COP30, o setor passa, definitivamente, a ser reconhecido como eixo estruturante da adaptação climática. Para a Medicina Diagnóstica, o momento abre espaço para que seu protagonismo avance por meio da integração entre dados, eficiência operacional e práticas sustentáveis que devem favorecer a população e o futuro do país.

29 de janeiro de 2026

Ministério da Saúde e Abramed: Renovação do acordo de cooperação técnica potencializa integração laboratorial privada com SUS

Além da ampliação do acesso, aliança fortalece a saúde digital e vigilância epidemiológica

Na última segunda-feira, 24/11, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) realizou uma edição especial da sua Reunião Mensal de Associados (RMA), em Brasília, para celebrar os 15 anos da entidade e oficializar a renovação do Acordo de Cooperação Técnica – que avança para seu segundo ciclo (2025-2027). 

Além de reforçar o propósito de integrar o sistema de saúde brasileiro por meio de dados qualificados, o acordo também estabelece a interoperabilidade laboratorial como prioridade central e política de Estado. E propõe ainda o avanço na construção de um modelo informacional comum para exames laboratoriais no país, capaz de superar a fragmentação histórica entre o setor público, a saúde suplementar e as diversas redes de laboratórios, passo fundamental para fortalecer a saúde digital e a vigilância epidemiológica. 

O evento contou com a participação do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da Secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, além de representantes da Anvisa: Diogo Soares, Daniela Marreco Cerqueira e Marcia Gonçalves de Oliveira.

Os Deputados Federais Ismael Alexandrino e Pedro Westphalen, e o Secretário-Executivo da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética, Carlos Diego, participaram dos debates. 

Resultados Alcançados e Próximos Passos

O trabalho conjunto, que nasceu de uma interlocução com a Secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad, e o então Ex-Presidente e atual membro do Conselho de Administração Abramed, Dr. Wilson Shcolnik, já gerou importantes entregas. 

A iniciativa alcançou a padronização nacional com a conclusão da tradução de todos os códigos dos exames constantes na Lista Nacional de Notificação Compulsória, garantindo a padronização e permitindo a harmonização entre diferentes sistemas e padrões utilizados pelos laboratórios clínicos. 

O modelo de Resultado de Exames Laboratoriais (REL) da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) também foi revisado e modernizado (conhecido como HELP na transcrição da fala), consolidando um modelo informacional capaz de atender às necessidades do SUS, da saúde suplementar e da vigilância epidemiológica. 

Validado e incorporado à RNDS, esse modelo já tornou possível a interoperabilidade de 204 exames, incluindo todos os relacionados às arboviroses (dengue, zika, Chikungunya e febre amarela). 

A cooperação está permitindo ainda a expansão contínua para doenças respiratórias, como febre do Nilo, mayaro, e futuramente, para toda a linha de cuidado da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). 

Dessa forma, a renovação amplia por mais 24 meses o escopo do acordo, permitindo aperfeiçoar fluxos de notificação, modernizar a infraestrutura de comunicação com a RNDS e priorizar novas doenças e agravos para integração. 

Benefícios para o Cidadão e para o Sistema de Saúde

Esse esforço conjunto traz benefícios diretos ao cidadão, que pode acessar resultados de exames de forma padronizada no Meu SUS Digital. Já para os profissionais de saúde, a integração dessas informações no SUS Digital Profissional favorece a continuidade, a segurança clínica e a resolutividade. 

A federalização do modelo já está em curso, ampliando o alcance da iniciativa para estados e municípios, o que é essencial para fortalecer a vigilância em saúde e possibilitar respostas mais rápidas a surtos, epidemias e emergências sanitárias. 

“A continuidade demonstra a confiança mútua construída ao longo do processo e reafirma que essa cooperação vai muito além da digitalização de processos: ela qualifica o cuidado, fortalece políticas públicas e aproxima o cidadão das informações que lhe pertencem”, declara Dr. Cesar Nomura, Presidente da Abramed. 

Mais sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de Medicina Diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da Medicina Diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da Medicina Diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 80% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

Abramed e Novembro Azul: sem preconceito e com mais tecnologia, não há motivos para não prevenir o câncer de próstata

Da ressonância à imuno-histoquímica, novas ferramentas permitem identificar tumores mais cedo e orientar tratamentos personalizados

O movimento Novembro Azul reforça, ano após ano, a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata — um dos tumores mais incidentes entre os homens. Em um cenário de modernização acelerada da Medicina Diagnóstica, a Abramed destaca que, hoje, o país dispõe de um arsenal tecnológico robusto, acessível e capaz de identificar alterações prostáticas com precisão cada vez maior.

Mais do que discutir números ou volumes de exames, a mensagem deste ano é clara: a combinação de tecnologia avançada, métodos complementares e cuidado contínuo elimina qualquer motivo para adiar a prevenção.

Entre os principais recursos usados na prática clínica estão exames laboratoriais e de imagem, como PSA, testes de imuno-histoquímica, ultrassom, ressonância magnética multiparamétrica, biópsia dirigida, além da análise anátomo-patológica, etapa decisiva para confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento. Esse conjunto de ferramentas representa um ecossistema integrado capaz de detectar tumores em estágios cada vez mais iniciais — aumentando as chances de sucesso terapêutico e reduzindo impacto para o paciente.

Para o Dr. Marcos Queiroz, líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein, a evolução tecnológica transformou profundamente o diagnóstico do câncer de próstata:

“A imuno-histoquímica, além de auxiliar o diagnóstico nos casos duvidosos, tem a capacidade de detectar variantes histológicas e padrões especiais, fornecendo dados prognósticos que direcionam o tratamento. Esse avanço representa uma revolução silenciosa, que torna o tratamento mais eficaz e reduz a mortalidade”, explica.

Ele também destaca o papel da imagem na prevenção:

“A ressonância magnética tem altíssima acurácia para detectar tumores prostáticos e se tornou mais acessível nos últimos anos. Equipamentos modernos de 1,5 Tesla já permitem diagnósticos de grande qualidade, ampliando o acesso e fortalecendo a prevenção”, complementa.

O especialista reforça que a união entre tecnologia e cuidado contínuo coloca o Brasil em um cenário favorável:

“Temos um arsenal diagnóstico amplo — exames de sangue como PSA, testes de imunoquímica, ressonância magnética e o exame clínico. Não há motivo para que o câncer de próstata não seja diagnosticado precocemente. A mensagem central deste Novembro Azul é: o cuidado contínuo com a saúde masculina salva vidas.”

A Abramed destaca que o avanço dos métodos diagnósticos, somado à ampliação do acesso e à integração entre equipes clínicas, fortalece o combate ao câncer de próstata em todas as regiões do país. A prevenção segue como a principal aliada da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes — e a tecnologia, como um pilar fundamental para tornar esse cuidado cada vez mais preciso.

Diagnóstico precoce e inovação em imagem fortalecem o cuidado com a saúde da mulher

No mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, a Abramed reforça o papel da Medicina Diagnóstica na detecção precoce da doença — um avanço que depende tanto de políticas públicas inclusivas quanto do acesso a tecnologias de imagem de alta precisão.

Um estudo conduzido pelo Instituto Karolinska, na Suécia, e publicado no JAMA Network Open, demonstrou que mulheres que deixaram de realizar mamografias anteriores apresentaram tumores maiores, maior envolvimento linfonodal e menor sobrevida específica. A pesquisa analisou mais de 8,6 mil mulheres e mostrou que aquelas que não compareceram ao rastreamento anterior tinham 1,5 vez mais chance de tumores acima de 20 mm e quase cinco vezes mais risco de metástase à distância. O estudo reforça a importância da regularidade dos exames para evitar atrasos no diagnóstico e aumentar as chances de cura.

No Brasil, o câncer de mama segue como o de maior incidência entre as mulheres, com 73,6 mil novos casos estimados em 2025, segundo o Ministério da Saúde e o INCA. Apesar de o SUS ter realizado 4 milhões de mamografias em 2024, a cobertura nacional ainda é de apenas 24% das mulheres elegíveis — bem abaixo da meta de 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

Para reverter esse cenário, o Ministério da Saúde ampliou o acesso à mamografia no SUS para mulheres a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas da doença. Essa faixa etária representa 23% dos casos de câncer de mama e agora poderá realizar o exame sob demanda, em decisão compartilhada com o profissional de saúde. A medida integra o programa Agora Tem Especialistas, que prevê unidades móveis em 22 estados, aquisição de equipamentos de biópsia e imagem de última geração e a incorporação de novos medicamentos para o tratamento do câncer de mama avançado.

“Garantir o acesso regular aos exames de imagem e investir nas tecnologias mais avançadas é essencial para que o diagnóstico precoce deixe de ser exceção e se torne regra no cuidado à saúde da mulher”, afirma Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed.

O diagnóstico por imagem — especialmente por meio da mamografia digital e da tomossíntese 3D — é decisivo para identificar lesões em estágios iniciais, quando o tratamento é mais eficaz e menos invasivo. Para a Abramed, ampliar o rastreamento e investir em inovação diagnóstica são passos complementares para transformar o Outubro Rosa em um movimento permanente de cuidado e prevenção.

Global Forum discute inovação e cuidado em meio a desafios econômicos da Saúde Suplementar

Durante evento, líderes do setor alertam para pressões estruturais e defenderam uma transformação baseada em tecnologia, valorização profissional e centralidade de pacientes

Em sua sétima edição, o Global Forum Fronteiras da Saúde — organizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida — foi sediado em Brasília, reuniu especialistas de todo o país em busca de caminhos de transformação da saúde, tanto na esfera pública quanto na privada.

Entre os debates de maior destaque, o painel “Saúde Suplementar: Dores e Soluções para Construir a Sustentabilidade Necessária” contou com a participação de Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed; Edivaldo Bazilio, Diretor Executivo do Saúde Global; Helena Maria Romcy, Presidente da Associação Brasileira dos Enfermeiros Auditores; e Helaine Capucho, Diretora de Acesso da Interfarma.

Abordando desde o aumento de custos e a consequente pressão sobre as operadoras até o equilíbrio entre inovação e viabilidade financeira, o painel teve como propósito discutir os desafios econômicos e estruturais do ecossistema privado e apontar soluções para a sustentabilidade do setor. Os participantes reforçaram o papel dos diferentes atores da Saúde Suplementar na construção de estratégias integradas que beneficiem pacientes, empresas e profissionais.

Milva Pagano destacou que o uso da inovação deve estar diretamente alinhado à redução de gargalos e desperdícios, com foco em uma jornada de cuidados que coloque o paciente no centro.

“Tomando a Inteligência Artificial como exemplo, precisamos ter em mente que a IA é uma ferramenta e, como toda ferramenta, pode ser usada para o bem ou para o mal. Para que seu propósito seja positivo, ela deve ser direcionada para reduzir desperdícios e melhorar a jornada do paciente — nunca para excluir ou substituir o olhar humano”.

Ao falar sobre gargalos e desperdícios, Edivaldo Bazilio apresentou um panorama detalhado da Saúde Suplementar, hoje sob forte pressão econômica. Segundo o executivo, o sistema passou de 1.700 para cerca de 600 operadoras nos últimos 20 anos, enquanto as margens seguem mínimas ou negativas, especialmente em tratamentos oncológicos e de infusão.

A pressão se agrava com glosas médias de 15%, inadimplência e contratos defasados, que não acompanham a inflação médica, já corrigida 50% abaixo do ritmo de incorporação de novas tecnologias. Bazilio também destacou que o ciclo de depreciação de equipamentos caiu de 10–15 anos para apenas 2–3, dificultando o retorno sobre investimento.

“As margens da saúde hoje são margens de varejo. Para superar esses desafios, é preciso desromantizar o setor. A área da Saúde é um negócio com missão, mas que também precisa de equilíbrio econômico para sobreviver”, sintetizou.

Complementando o diagnóstico, Helena Maria Romcy defendeu que os modelos de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) precisam ganhar dinamismo, acompanhando o ritmo das inovações.

“Por que não olhar o processo de ATS de avaliação de tecnologias? E por que não inovarmos em nossos processos? A inovação, sem uma abertura para que se aprenda a lidar com a tecnologia, passa a ser um problema — e deixamos de explorar seu potencial em exames, diagnósticos e na jornada do paciente como um todo”, provocou.

A discussão também abordou o papel dos profissionais e a qualidade do atendimento médico, questões diretamente afetadas pela fragmentação e pela pressão financeira do sistema.
Helaine Capucho, ao focar na gestão do cuidado e na formação médica, criticou a perda da essência humanista da profissão: “O que mais incomoda as pessoas não é esperar por um médico, é o médico não olhar para elas. A saúde não pode perder a essência do cuidado”.

Concordando com essa perspectiva, Milva Pagano destacou que a desvalorização profissional precariza a consulta médica, compromete a anamnese e afeta a qualidade do diagnóstico. Conforme ela pontuou: “Se o paciente não estiver realmente no centro, estamos todos no lugar errado. A inovação precisa ser acompanhada por empatia e responsabilidade. Os problemas aqui apontados são bem-vindos, porque eles nos tiram da zona de conforto”.

O debate deixou claro que sustentabilidade e humanização precisam caminhar juntas.
Para os participantes, o futuro da Saúde Suplementar depende de uma mudança de mentalidade que uma inovação tecnológica, equilíbrio econômico e valorização das pessoas.

Novas tecnologias vs. Acesso dos pacientes

Durante o evento, Milva Pagano também participou do painel “As novas tecnologias frente ao cenário da saúde: como fica o acesso dos pacientes?”. O debate foi moderado por Marlene Oliveira, fundadora e Presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, e contou com participação de Rodrigo Cruz, Diretor Executivo de policy da MSD Brasil, Artur Brito, Líder de Acesso Público da Novartis,
Humberto Izidoro, CEO da VARIAN América Latina e Anderson Fernandes, Gerente de Acesso ao Mercado da Strattner.

A Abramed reforça, com sua participação no Global Forum, o compromisso de promover debates francos e colaborativos sobre o futuro do setor, estimulando a integração entre os diferentes elos da cadeia, a governança de dados e a humanização do cuidado como bases de um sistema mais eficiente, inclusivo e sustentável.