Letramento digital: a base da inovação responsável na Medicina Diagnóstica

Aumento dos investimentos em tecnologia e dados deve vir acompanhado da capacidade crítica para extrair valor de novas soluções na saúde 

O ecossistema de saúde global atravessa uma era de investimentos sem precedentes em inovação. Só o mercado de inteligência artificial em healthcare foi estimado em mais de US$ 36 bi em 2025 e deve crescer próximo da casa de 40% ao ano até 2033. Nesse mesmo sentido, espera-se que os investimentos em dados na saúde superem US$ 193 bi nos próximos 5 anos, também acelerados pelo direcionamento de recursos para sistemas de análise de informações clínicas.   

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) junto aos seus associados — que representam mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar no país —, as empresas do setor destinam até 30% do orçamento anual a iniciativas de inovação tecnológica.

No entanto, há um gargalo desafiador no segmento entre a velocidade da corrida tecnológica e o déficit de maturidade digital de profissionais e organizações.Sem o devido letramento digital, corremos o risco de automatizar a desinformação em escala, pondo em risco a segurança dos pacientes e deixando de usufruir dos benefícios de uma saúde informatizada.

O que é letramento digital e os desafios para seu avanço no Brasil

Antes de aprofundarmos o debate sobre letramento digital na saúde, é importante definirmos esse conceito, que não se resume a treinamentos técnicos para operar sistemas ou navegar em dashboards. Hoje, isso é o básico para qualquer organização.

O verdadeiro letramento é a capacidade crítica de compreender o que os dados dizem, o que não dizem e o que jamais poderão dizer sozinhos. Envolve entender vieses algorítmicos, limitações de base informacional e também avaliar implicações éticas e assistenciais das decisões orientadas pela tecnologia. Pressupõe reconhecer que algoritmo não é neutro, que dados não são verdade absoluta e que decisões baseadas em sistemas cuja lógica não é compreendida representam risco institucional.

Sem essa maturidade, delega-se decisões clínicas complexas a sistemas que muitas vezes não são plenamente explicáveis, criando um ambiente em que a tecnologia é tratada como verdade incontestável — quando deveria ser instrumento de apoio crítico.

No Brasil, esse desafio é especialmente agudo quando consideramos que, segundo pronunciamento recente do Ministério das Comunicações, falta letramento digital para cerca de 70% dos brasileiros, índice que se reflete também na capacidade de operadores do ambiente de saúde em se integrar a uma cultura de base tecnológica e orientada por dados.

É nesse cenário que o gap de letramento se torna uma das principais barreiras para que a inovação entregue ovalor prometido. Isso vale, por exemplo, para a IA: sem maturidade crítica, a inteligência artificial torna-se apenas uma “vitrine tecnológica” que impressiona no piloto, mas enfrenta dificuldades na rotina assistencial, especialmente quando cobrada por impacto clínico mensurável, eficiência sustentável ou melhoria concreta de desfechos. Sem perguntas bem formuladas e critérios claros de validação, soluções sofisticadas podem se tornar tecnicamente avançadas e, ainda assim, clinicamente irrelevantes.

Profissionais híbridos e uma agenda de transformação

Para superar esse cenário, especialidades como a Medicina Diagnóstica precisam trabalhar na formação de profissionais híbridos. O fato é que hoje já contamos tanto com excelentes cientistas de dados quanto com clínicos brilhantes, mas poucos conseguem transitar com fluidez entre esses dois universos. 

E a realidade atual da saúde demanda profissionais que, além do conhecimento médico, saibam trabalhar com estatística, arquitetura de dados e machine learning – e entendam como esses pilares, integrados, influenciam na jornada do paciente, sendo ainda capazes de avaliar riscos clínicos, fatores regulatórios e ambientes informatizados. Mais do que novos cargos, é necessário reconhecer que dados deixaram de ser um tema exclusivo da TI e passaram a ocupar papelcentral nas decisões clínicas, estratégicas e institucionais.

Afinal de contas, a falta de letramento digital tem consequências diretas no cuidado. Quando a tecnologia avança mais rápido que a compreensão humana, o resultado é o aumento de algoritmos mal interpretados e decisões automatizadas sem contexto clínico. Isso pode se traduzir em atrasos diagnósticos ou intervenções desnecessárias, comprometendo a segurança do paciente e a própria sustentabilidade dos sistemas de saúde. Amplificam-se vieses, consolidam-se decisões opacas e eleva-se a exposição regulatória e reputacional das organizações.

Nesse novo panorama, os dados não são mais apenas um tema de TI, mas um instrumento clínico, estratégico e institucional que devolve ao médico o controle sobre a tecnologia, inclusive sobre quando utilizá-la ou não. 

Diante de tudo isso, a agenda do letramento digital deve unir os atores da saúde e da Medicina Diagnóstica. As organizações – com o apoio de entidades e do próprio poder público –, devem investir em capacitação contínua e criar ambientes onde a maturidade crítica é incentivada, de modo que o uso de tecnologias complexas venha acompanhado de formação, tempo e contexto para sua aplicação adequada.

Pois, em última análise, o letramento é o que diferencia a inovação responsável de uma automação sem governança e controle, colocando-se como uma base decisiva para que os dados se transformem, de fato, em ativos de valor capazes de melhorar a jornada de pacientes e o dia a dia dos profissionais.

Pedro Vieira é Líder do Comitê de Interoperabilidade da Abramed

27 de fevereiro de 2026.

Levantamento da Abramed aponta 1,8 milhão de testes de HIV realizados no Brasil em 2025

País amplia testagem na rede privada enquanto mortes por Aids caem 12,8% entre 2023 e 2024 e atingem menor patamar histórico 

A rede privada ampliou de forma significativa o acesso ao diagnóstico do HIV em 2025. Levantamento da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que reúne empresas responsáveis por mais de 85% do volume de exames realizados na saúde suplementar, indica que suas associadas realizaram 1.841.628 testes de HIV no país ao longo do ano.  

Esse avanço na testagem contribui para a consolidação de um cenário epidemiológico mais favorável. Dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o país registrou queda de 12,8% nas mortes por Aids entre 2023 e 2024, passando de 10,5 mil para cerca de 9,1 mil óbitos — o menor índice da série histórica e o menor patamar em mais de três décadas. 

No mesmo período, o Brasil recebeu a certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela eliminação da transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública.  

Para especialistas, a redução da mortalidade e o avanço no controle da transmissão vertical estão diretamente associados à expansão da testagem, ao fortalecimento do diagnóstico precoce e ao início imediato do tratamento no país. 

“A ampla cobertura de testagem associada à identificação precoce e ao início oportuno do tratamento trouxe impactos relevantes na qualidade de vida das pessoas e na redução da transmissão do HIV, posicionando o Brasil como referência internacional na resposta à doença”, afirma Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed. 

Testagem amplia diagnóstico precoce e estratégias de prevenção 

O crescimento do volume de exames evidencia o papel estratégico dos laboratórios como porta de entrada para o cuidado em saúde. A ampliação da testagem permite identificar a infecção em fases iniciais, acelerar o encaminhamento para acompanhamento médico e garantir maior efetividade das terapias antirretrovirais. 

“Com diagnóstico oportuno e acompanhamento adequado, o HIV é hoje uma condição crônica controlável”, explica Galoro. 

Além do tratamento, a testagem também é fundamental para viabilizar o acesso às estratégias de prevenção combinada, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), incluindo as versões injetáveis recentemente incorporadas ao SUS. O rastreamento regular permite identificar pessoas elegíveis para a PrEP, orientar o uso adequado da medicação e monitorar a segurança clínica, ampliando a proteção de populações com maior risco de exposição ao vírus. 

Exames laboratoriais acompanham toda a jornada do paciente 

Além do diagnóstico inicial, os exames laboratoriais seguem sendo fundamentais ao longo de toda a jornada do paciente. 

“Eles garantem a qualidade dos testes de triagem e confirmação, além do monitoramento contínuo da resposta ao tratamento, da carga viral e do sistema imunológico, permitindo intervenções mais rápidas e um controle mais eficiente da infecção”, destaca Galoro. 

Para a Abramed, o cenário atual reforça a importância de manter e ampliar os investimentos em testagem, diagnóstico precoce e monitoramento laboratorial, como parte de uma estratégia integrada que une prevenção, cuidado contínuo e redução das desigualdades em saúde. 

Perfil da epidemia muda no Brasil 

Os dados oficiais mais recentes também indicam mudanças importantes no perfil da epidemia no país, como o crescimento proporcional de casos entre pessoas acima de 50 anos, o maior impacto da infecção na população negra e os avanços sustentados no controle da transmissão vertical, resultado da ampliação do pré-natal, da testagem precoce e do início oportuno da terapia antirretroviral. 

27 de fevereiro de 2026.

Atualizações do Padrão TISS e TUSS 38 da ANS trazem mudanças em terminologias, glosas e segurança da informação para 2026

Revisão reduziu cerca de 20% o número de mensagens e visa eliminar redundâncias e qualificar a comunicação entre prestadores e operadoras


A agenda regulatória da Saúde Suplementar avançou com duas atualizações estruturantes para o setor: a nova versão do Padrão TISS, com vigência prevista para junho de 2026, e a revisão da TUSS 38, fruto de um processo técnico conduzido no âmbito do Comitê de Padronização das Informações em Saúde Suplementar (COPISS) ao longo de cerca de dois anos.

As mudanças reforçam um movimento de amadurecimento do sistema com impacto direto na interoperabilidade, na segurança da informação e na eficiência da troca de dados entre prestadores e operadoras.

São alterações que alcançam os componentes Organizacional, de Comunicação e de Conteúdo e Estrutura, que também promovem uma ampla revisão da terminologia de mensagens vinculadas a glosas, negativas e retornos assistenciais.

Entre os principais pontos está a atualização do Componente de Segurança e Privacidade, construída a partir de grupos técnicos realizados ao longo de 2025. O trabalho resultou na consolidação de requisitos, na alteração de quatro deles para a condição “Obrigatório” e na inclusão de novos itens com recomendação formal de adoção, ampliando o escopo institucional e fortalecendo os mecanismos de integridade e rastreabilidade das informações.

Em relação à parte de Comunicação, a adequação da Mensagem de Envio de Documentos estabelece a obrigatoriedade de assinatura digital institucional, com certificado ICP-Brasil do tipo e-CNPJ (ou e-CPF, quando aplicável), vedando a substituição por envio em papel. A medida fortalece a autenticidade, a integridade e o princípio do não repúdio nas trocas eletrônicas entre prestadores e operadoras.

Outro ponto de atenção é a adequação do CNPJ ao padrão alfanumérico, conforme Instrução Normativa da Receita Federal, com vigência a partir de julho de 2026. Embora sem impacto no componente de Conteúdo e Estrutura, a alteração exige ajustes na parte de Comunicação, demonstrando alinhamento regulatório interinstitucional.

A atualização também torna obrigatória a mensagem de comunicação de internação e alta, consolidando o processo como parte dos fluxos padronizados de troca eletrônica. A formalização desse procedimento contribui para maior transparência assistencial e previsibilidade na relação entre os atores do sistema.

No campo estrutural, destacam-se ainda:

  • Inclusão do campo “Caráter do Atendimento” na Guia do tipo Honorário, com terminologia própria, distinguindo atendimentos eletivos de urgência/emergência;
  • Criação do campo “Centro de Consumo” nas guias de resumo de internação, anexo outras despesas, demonstrativo de análise de contas e recurso de glosas;
  • Alteração da condição de preenchimento para “Condicionado” em todas as mensagens e guias do Plano de Contingência;
  • Inclusão de campo de observação no Demonstrativo de Análise de Conta, no nível das guias.

“A Segurança da Informação tem sido um tema recorrente na pauta do COPISS e as mudanças implementadas contribuem diretamente para a mitigação de vulnerabilidades, representando importantes evoluções para a TISS”, afirma Claudio Laudeauzer, membro do Comitê Padão TISS da Abramed.

TUSS 38: padronização e redução de complexidade

Paralelamente, a atualização da TUSS 38 – Terminologia de Mensagens representou um dos movimentos técnicos mais estruturantes da agenda recente da COPISS.

Conduzido ao longo de aproximadamente dois anos, com participação ativa do Comitê Padrão TISS da Abramed e de diversas entidades do setor, o processo partiu de 608 termos originais e promoveu uma revisão ampla que resultou na inativação, unificação e criação de novos códigos.

O trabalho levou à criação de 136 novos códigos, à padronização de 84 termos e à consolidação final de 441 termos organizados de forma mais coerente, reduzindo cerca de 20% no número de mensagens, com eliminação de redundâncias, termos genéricos e sobreposições conceituais.

A revisão também substituiu descrições excessivamente específicas por terminologias mais abrangentes e organizadas, especialmente nos casos de glosas e negativas. Mensagens que antes tratavam situações de forma fragmentada passam a adotar lógica padronizada baseada em “procedimento/item assistencial”, aumentando a compreensão e a aplicabilidade.

“Foi um longo trabalho de unificação e padronização da Tabela TUSS 38, que também demandou um esforço significativo da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na convergência das diferentes opiniões das diversas entidades envolvidas. Esse avanço representa um passo importante para o aprimoramento do entendimento das glosas e negativas”, explica Claudio Laudeauzer.

Impactos para a Medicina Diagnóstica

Para a Medicina Diagnóstica, os efeitos dessas mudanças são diretos. A qualificação da terminologia, o fortalecimento da assinatura digital institucional, a formalização de fluxos obrigatórios e a estruturação de novos campos reduzem ruídos, retrabalhos administrativos e riscos de inconsistência.

Além disso, a atualização contribui para maior previsibilidade regulatória, alinhando o setor às exigências de segurança da informação, governança de dados e interoperabilidade — pilares essenciais em um ambiente cada vez mais orientado por integração digital.

A participação ativa do Comitê Padrão TISS da Abramed ao longo das discussões reforça o papel da entidade na qualificação técnica das decisões adotadas no âmbito da Saúde Suplementar, especialmente em temas que impactam diretamente a rotina da Medicina Diagnóstica.

27 de fevereiro de 2026.

ABRAMED: Com trajetória de crescimento nos últimos 15 anos, Medicina Diagnóstica chega a 2026 com expectativa de expansão sustentada por investimentos em tecnologia

Com retomada da saúde financeira de operadoras e olhar para tendências como IA e interoperabilidade, Abramed projeta aumento da receita de inovação no setor laboratorial

A Medicina Diagnóstica consolida sua posição como um dos pilares estruturantes do sistema de saúde brasileiro, sustentando uma trajetória de crescimento contínuo ao longo da última década. Esse avanço tem sido impulsionado pela incorporação de novas tecnologias que propiciam ganhos relevantes de produtividade e eficiência, não gerando assim aumento proporcional de custos para as fontes pagadoras. Nesse sentido, uma pesquisa da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) com seus associados aponta que as empresas consultadas direcionam até 30% do seu orçamento anual em inovações que incluem equipamentos para automação de processos, IA e sistemas analíticos.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed, analisa os benefícios dessa jornada de digitalização para a Medicina Diagnóstica.  “O setor vem em alta nos últimos 15 anos e não deve ser diferente em 2026. Esse crescimento é sustentado por investimentos relacionados à inovação que permitem o avanço em novas tecnologias e oferta de mais exames. Com isso, clínicas e pacientes são beneficiados com mais eficácia, acurácia diagnóstica e redução de custos”.

E esse movimento se reflete diretamente na qualidade dos exames, com equipamentos cada vez mais precisos, rápidos e com melhor capacidade de visualização, permitindo identificar alterações com maior clareza, beneficiando pacientes e médicos sem pressionar o custo assistencial.

Além da evolução tecnológica, o ambiente econômico do setor dá sinais positivos. A melhora da saúde financeira do ecossistema suplementar ao longo de 2025 é vista como fator relevante para toda a cadeia de prestadores. Segundo dados da ANS, nos primeiros 9 meses do ano, as operadoras tiveram variação positiva de 10% na receita em 2025 que deve se manter este ano. A expectativa é que esse cenário se traduza em fluxos de pagamento otimizados, redução de glosas e menor restrição na autorização de exames, fortalecendo a relação entre laboratórios e planos.  

Assim, muitos associados da Abramed veem 2026 como uma janela para retomar aportes mais robustos em tecnologias emergentes com foco em mais eficiência e qualidade para os pacientes.

Desafios e tendências

Diante do protagonismo da tecnologia, o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico aponta as principais tendências que devem moldar a Medicina Diagnóstica em 2026, incluindo Big Data e IA na personalização do cuidado; fortalecimento da cibersegurança e a consolidação de plataformas únicas de dados interoperáveis.

“O diagnóstico correto, na hora certa e com suporte de tecnologias avançadas leva a um tratamento clínico mais preciso e no melhor momento para o paciente. Tudo isso se traduz em menos custo para a sociedade”, destaca Cesar Nomura.

E esse ganho de eficiência pode ser impulsionado, justamente, pela interoperabilidade de dados. No Brasil, já temos exemplos positivos nesse sentido, como o caso do Hospital Israelita Albert Einstein, que participa da Mayo Clinic Platform Connect, plataforma federada que aumenta o potencial de integração de um dos principais polos clínicos do país.

Modelos de interoperabilidade federada com dados protegidos desde a origem despontam, segundo a Abramed, como alternativas para garantir integração sem compartilhamento indevido de informações sensíveis, diante de exigências regulatórias impostas por normas como a LGPD.

“O crescimento da Medicina Diagnóstica em 2026 depende dessa capacidade de integração. A jornada do paciente deve ser composta por cuidados contínuos e constantes, sem fragmentação”, reforça Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Nesse cenário, a definição de um marco regulatório para a IA aplicada à saúde ganha importância estratégica, enquanto iniciativas como os projetos de interoperabilidade do SUS Digital e do OpenCare Interop, dos quais a Abramed é uma parceira importante, aparecem como vetores fundamentais para elevar a qualidade e a segurança do cuidado.

“É muito importante trazermos sempre o olhar para a interoperabilidade como o caminho para termos a interconexão de dados e informações, independentemente de onde o paciente está. Ela é recurso efetivo e indispensável para a promoção da saúde”, acrescenta Pagano.

Ao mesmo tempo em que enxerga oportunidades, a Abramed avalia que 2026 trará desafios do ponto de vista político, regulatório e econômico, com a alta do dólar e a tributação de Pessoas Jurídicas como questões sensíveis. O calendário marcado por eventos como as eleições e a Copa do Mundo também pode impactar a tramitação de pautas relevantes no Congresso, como a execução da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL).

“O ano de 2026 vai ser desafiador. Para conseguirmos aprovar um Projeto de Lei, precisamos da disponibilidade de congressistas, que estarão em campanha. Tudo isso exige muita articulação institucional das entidades representativas da saúde, como a Abramed”, diz Milva Pagano.

Mesmo com estes pontos de atenção, a avaliação da Abramed é que a Medicina Diagnóstica entra em 2026 com bases sólidas e apoiada em inovação. O desafio do próximo ciclo será equilibrar investimentos, avanço tecnológico e sustentabilidade econômica, mantendo o foco na qualidade do diagnóstico e na integração do cuidado como pilares centrais para o sistema de saúde.

29 de janeiro de 2026.

Radar normativo: o que vem por aí em 2026 que dialoga com a Medicina Diagnóstica

Entre Inteligência Artificial, novas exigências trabalhistas, Reforma Tributária e proteção de dados, 2026 inaugura uma agenda regulatória complexa que impacta a operação do setor.

O ano de 2026 promete ser decisivo para o ambiente regulatório da Saúde no Brasil. Nesse contexto, entre definições sobre governança da tecnologia, exigências trabalhistas e o início efetivo da Reforma Tributária, os prestadores de serviços de Medicina Diagnóstica precisarão acompanhar e se adaptar a uma agenda que afeta diretamente o dia a dia operacional do setor.

Confira, a seguir, um panorama com as principais mudanças normativas previstas para 2026 no País!

Marco Legal da Inteligência Artificial

O Projeto de Lei que institui o Marco Legal da Inteligência Artificial no Brasil teve sua votação adiada para fevereiro, após intensos debates no Senado envolvendo temas como a criação de um sistema gerido pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) que irá fiscalizar o uso de IA. A proposta estabelece regras para o desenvolvimento, uso e governança de sistemas de IA, incluindo soluções usadas em saúde, diagnóstico e apoio à decisão clínica.

Para a Medicina Diagnóstica, o avanço do Marco Legal reforça a necessidade da governança de dados, a integração segura e padronizada de prontuários e sistemas clínicos e a gestão do ciclo de vida das tecnologias de IA.

A Abramed acompanha o tema de perto e tem defendido um modelo regulatório que incentive inovação, mas preserve segurança, avaliações contínuas de impacto algorítmico nos sistemas, transparência e responsabilidade no uso dessas tecnologias no setor.

NR-1 e os riscos psicossociais no trabalho

A Norma Regulamentadora nº 1 entra em uma nova fase, com a inclusão dos riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). A mudança, que passa a valer já a partir de maio, exige que as empresas passem a identificar, avaliar e mitigar fatores como sobrecarga de trabalho, estresse crônico, assédio e impactos na saúde mental dos colaboradores.

No contexto da Medicina Diagnóstica, a atualização da NR-1 dialoga diretamente com rotinas intensas, pressão por produtividade e ambientes altamente regulados. A Abramed tem reforçado a importância da adaptação dos laboratórios a partir, principalmente, do mapeamento de riscos psicossociais com consistência técnica, atuação multidisciplinar e uma visão de que o bem-estar profissional é decisivo na redução de custos e sustentabilidade dos sistemas de saúde.

Reforma Tributária: a implementação já começou!

A Reforma Tributária entra em sua fase efetiva de implementação, com testes operacionais dos novos tributos sobre consumo (CBS e IBS). Embora a transição vá até 2033, este ano será crucial para ajustes sistêmicos e até para adequação de contratos, preços e processos financeiros.

Para a Medicina Diagnóstica, os impactos vão além da carga tributária em si. Mudanças na forma de creditamento fiscal, na tributação de serviços e na apuração dos tributos exigem planejamento para o fluxo de caixa das empresas.

Mesmo com desafios, o protagonismo de entidades como a Abramed foi decisivo para garantir que as especificidades do ecossistema de saúde fossem consideradas na transição tributária, contribuindo para a redução de 60% das alíquotas do IBS e da CBS para o setor.

ECA Digital e a proteção de dados de crianças e adolescentes

O ECA Digital também ganha um novo capítulo em 2026: a partir de fevereiro, as empresas afetadas pela regulação precisarão encaminhar informações sobre as medidas técnicas que vêm sendo implementadas para a sua adequação à nova legislação, voltada à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. 

Laboratórios que realizam exames pediátricos ou lidam com dados sensíveis desse público precisarão reforçar práticas de governança, consentimento e segurança da informação. Além disso,  qualquer serviço digital com “acesso provável” por crianças e adolescentes — como portais de exames, agendamento online, telemedicina, chatbots e sites institucionais — deve implementar salvaguardas específicas, inclusive sob o regime de responsabilidade solidária. A Abramed segue debatendo o tema em seus comitês Jurídico e de Proteção de Dados, buscando orientar os associados sobre caminhos de conformidade e redução de riscos.

Outros temas que seguem no radar

Além desses pontos, outras pautas seguem relevantes para 2026. Entre elas, a discussão sobre a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL), a padronização de dados laboratoriais, em iniciativa conjunta da Abramed e do Ministério da Saúde, e a revisão da Tabela TUSS 38 pela ANS, tema sensível para o aprimoramento da classificação de glosas.

Com tantas mudanças previstas, acompanhar a legislação deixou de ser apenas uma obrigação jurídica e passou a ser um fator estratégico para as lideranças da Medicina Diagnóstica. A Abramed segue acompanhando de perto essa agenda e apoiando seus associados na interpretação e nos desdobramentos práticos das alterações normativas que irão moldar o setor no presente e no futuro.

29 de janeiro de 2026.

Dengue: positividade começa 2026 em patamar mais baixo, mas exige atenção

Índice é quase a metade do registrado em janeiro de 2025, quando a taxa chegou a 17,7%; ações preventivas contribuem para o cenário mais favorável, mas o clima ainda inspira cautela

Dados da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) indicam que a taxa de positividade para dengue no Brasil está abaixo do esperado para este início de ano. Até a segunda semana de janeiro de 2026, o índice gira em torno de 9,4%. Em 2025, no mesmo período, a taxa era de 17,7%.

A leitura dos dados laboratoriais consolidados até a 3º semana de janeiro de 2026 mostra que a média móvel das últimas cinco semanas ainda aponta tendência de queda, reflexo de uma redução pontual registrada no fim de dezembro.

Ao mesmo tempo, as semanas mais recentes já indicam retomada da positividade, com aproximação aos níveis tradicionalmente observados neste momento do calendário epidemiológico.

Apesar do cenário inicial mais favorável, a Abramed alerta que, historicamente, a segunda semana de janeiro costuma representar um ponto de inflexão, antecedendo a elevação dos casos de dengue. Por isso, o acompanhamento das próximas semanas é considerado essencial.

Segundo o patologista clínico Alex Galoro, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, o momento exige cautela na leitura dos dados.

“A taxa de positividade permanece abaixo do que normalmente observamos em janeiro quando analisamos a média móvel. No entanto, os dados mais recentes já mostram retomada após uma queda pontual, em linha com o comportamento histórico deste início de ano. Por isso, o monitoramento atento nas próximas semanas é fundamental”, afirma Galoro.

Cenário inicial favorável não afasta risco de aumento nos próximos meses

Ainda de acordo com o especialista, fatores como ações preventivas mais intensas, maior conscientização da população e o início de estratégias de vacinação contra a dengue em alguns municípios brasileiros podem ajudar a explicar o comportamento observado nas primeiras semanas do ano. Ainda assim, a dinâmica da doença permanece fortemente associada a fatores climáticos e ambientais.

“A dengue apresenta um padrão bem definido, relacionado ao regime de chuvas, à temperatura e à circulação do vetor. Um começo de ano com taxa de positividade mais baixa não afasta a possibilidade de crescimento sustentado nas semanas seguintes”, explica o patologista.

Diagnóstico laboratorial é fundamental para a vigilância epidemiológica

Para a Abramed, o cenário reforça a importância da vigilância contínua apoiada pela medicina diagnóstica, especialmente em momentos de transição epidemiológica.

“Os dados laboratoriais funcionam como um termômetro quase em tempo real da circulação do vírus. Eles permitem identificar mudanças de comportamento com antecedência, apoiar decisões em saúde pública e orientar a prática clínica de forma mais precisa”, destaca Galoro.

29 de janeiro de 2026.

Abramed integra o Movimento Empresarial pela Saúde e reforça a Medicina Diagnóstica como pilar da gestão da saúde corporativa

A atuação da entidade no projeto liderado pelo SESI e pela CNI  fortalece a governança corporativa do cuidado, evidenciando a importância da Medicina Diagnóstica para decisões mais qualificadas ao longo da jornada do paciente.

O aumento dos custos assistenciais e o envelhecimento da população colocaram a saúde entre as principais preocupações do setor produtivo. Nos últimos anos, os gastos com assistência médica têm se tornado uma fatia expressiva dos custos de pessoal e benefícios nas empresas, muitas vezes ficando atrás apenas da folha de pagamento, o que torna a gestão da saúde dos trabalhadores um tema cada vez mais estratégico para a competitividade dos negócios.

Desde 2024, a Abramed integra o Conselho Deliberativo do Movimento Empresarial pela Saúde (MES) por meio de uma contribuição técnica para uso adequado de exames clínicos. A iniciativa é liderada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e foi criada em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para reunir empresas, entidades setoriais, Governo e especialistas, construir soluções para a saúde no Brasil e responder a demandas crescentes relacionadas ao cuidado dos colaboradores, ao bem-estar no ambiente de trabalho e à manutenção dos custos assistenciais.

A centralidade das empresas nesse debate é justificada por dados objetivos. Segundo dados do SESI, atualmente, 13,1% da folha de pagamento das indústrias é destinada a gastos com planos de saúde, o que faz da assistência médica um dos principais custos corporativos, atrás apenas da folha salarial. Além disso, 10,8 milhões de pessoas estão vinculadas a planos coletivos sob responsabilidade da indústria, o que comprova o peso desses players como principais financiadores da saúde suplementar no país.

Mas, apesar desse papel determinante, por muitos anos a governança da gestão do cuidado esteve concentrada principalmente em operadoras e intermediários.. O MES nasceu justamente para alterar esse cenário, reposicionando as organizações como protagonistas da governança da saúde corporativa, com maior capacidade de influenciar modelos assistenciais, políticas de promoção da saúde e mecanismos de incentivo à qualidade.

Para Emmanuel Lacerda, gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria da CNI, a iniciativa representa uma mudança concreta na forma como o setor produtivo se posiciona diante do tema.
 “Construímos um movimento de empresas para melhorar a saúde do ponto de vista do acesso, da qualidade, da eficiência e da sustentabilidade. Isso passa pelos planos de saúde, mas também por uma melhoria da saúde pública, já que nem todas as companhias conseguem prover esse benefício aos seus trabalhadores”.

O MES está estruturado em dois níveis principais — Conselho Estratégico, formado por lideranças empresariais, representantes institucionais e Governo, e Comitê Executivo, composto por gestores das companhias —, além de Grupos Temáticos que organizam a atuação em frentes como sustentabilidade do sistema, saúde mental, dados e inteligência em saúde. Esse desenho permite às organizações acompanhar de forma mais ativa a gestão do cuidado dos seus colaboradores e alinhar decisões a objetivos de longo prazo.

Ao longo de suas reuniões, o MES tem promovido um diálogo estruturado entre diferentes atores do setor, reunindo representantes da indústria farmacêutica, entidades setoriais, dirigentes das indústrias-membro do movimento, associações médicas, executivos de planos de saúde e especialistas do ecossistema. Em agendas específicas, também há interlocução com órgãos públicos e reguladores, como Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fortalecendo o debate sobre sustentabilidade, eficiência e qualidade na saúde.

São encontros que permitem alinhar diagnósticos, debater o aumento dos custos assistenciais, discutir caminhos regulatórios e firmar agendas de trabalho integradas, reforçando o papel do movimento como espaço de convergência entre empresas e formuladores de políticas públicas.

Para a Abramed, a participação no MES é estratégica justamente porque conecta esse debate estrutural ao papel da Medicina Diagnóstica na gestão da saúde. “Ao trazer as empresas para o centro da discussão, o MES contribui para uma mudança de foco: da simples mensuração de utilização para a avaliação da qualidade e do valor entregue”, afirma Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Nesse contexto, discutir o uso adequado dos exames — o exame certo, no momento certo e com a finalidade correta — torna-se essencial para reduzir desperdícios, qualificar desfechos e apoiar decisões baseadas em evidências ao longo da jornada do paciente, reforçando o papel da Medicina Diagnóstica como ferramenta essencial desse processo.

De acordo com Milva Pagano, esse é um dos principais avanços do movimento. “Diagnóstico não é um evento isolado nem restrito ao momento da doença. Não existe promoção de saúde, prevenção ou tratamento sem diagnóstico. Ele sustenta decisões clínicas e a coordenação do cuidado. Quando utilizado de forma adequada, o diagnóstico empodera a empresa, otimiza a gestão e contribui para um sistema mais sustentável”, conclui.

29 de janeiro de 2026.

Comitê de Radiologia da Abramed reuniu representantes da indústria e associados para debater inovação e sustentabilidade

Mesa-redonda realizada na sede da GE HealthCare explorou a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

A busca pelo equilíbrio entre inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência assistencial em exames radiológicos pautou a mesa-redonda realizada pelo Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed na sede da GE HealthCare, em São Paulo.

Juntos, representantes da indústria e associados exploraram a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

O encontro foi conduzido por Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e pelos líderes do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem: Alexandre Marconi, coordenador de Radiologia Abdominal do Hospital Sírio-Libanês, e Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Sustentabilidade além do discurso

A sustentabilidade foi tratada como eixo estratégico do diagnóstico por imagem, com a importância de indicadores mensuráveis sendo colocada no centro da discussão. Para João Paulo Souza, CEO da GE HealthCare Brasil, a sustentabilidade já é um pilar de mercado.

“O debate já está na sociedade. O desafio é transformar o discurso em ações tangíveis, com números efetivos. Para fazê-lo avançar, nós olhamos para o conceito de economia circular e para o lançamento contínuo de novas tecnologias de foco sustentável. Mais do que uma boa intenção, essa é uma exigência do mercado diagnóstico: qualidade técnica e sustentabilidade são pilares de sobrevivência”.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, reforçou a necessidade de atuação conjunta para o avanço da sustentabilidade. “Na Abramed, pensamos no setor como um todo, indústria, prestadores, academia, governo e associações. Esse olhar conjunto é fundamental: entre nossos associados, por exemplo, já temos relatórios indicando redução no consumo de água em exames laboratoriais na casa de 20%”.

Inteligência artificial como vetor de práticas sustentáveis

Dentro do contexto de integração entre tecnologia e sustentabilidade, a IA apareceu como uma das principais alavancas para ganhos simultâneos de eficiência, melhores práticas e experiência do paciente. Os participantes compartilharam casos de redução de tempo de exames, otimização de fluxos e melhor aproveitamento da capacidade instalada com o apoio da inteligência artificial

Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, ressaltou os ganhos operacionais. “Cada vez mais, médicos e profissionais veem a IA como aliadas da produção radiológica, ela ajuda o radiologista nos relatórios, na identificação de lesões, no suporte diagnóstico e no ganho de eficiência diária”, afirmou, indicando que ainda há muito espaço para avanço da tecnologia no Brasil.

Angela Caiado, head de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Grupo Fleury, destacou iniciativas práticas da integração entre tecnologia e sustentabilidade. “Com apoio da inovação e da IA, já conseguimos reduzir em quase 50% o tempo dos exames. Há ganhos em redução de energia elétrica, de água e de emissões: mas é preciso demonstrá-los em métricas que sustentem essa jornada.”

Eficiência operacional e consumo energético

Outro ponto central foi a incorporação do consumo energético e do custo total de propriedade (TCO) como fatores centrais na aquisição de equipamentos. Alexandre Marconi, líder do Comitê, chamou atenção para a ausência de métricas padronizadas. “Ainda há um espaço importante para avançar em critérios objetivos de eficiência energética no setor, o que pode orientar melhores decisões de investimento”, afirmou.

Marcos Queiroz, também líder do Comitê , reforçou a importância de decisões baseadas em dados. “Quando olhamos para o ciclo dos equipamentos, eficiência operacional e sustentabilidade devem caminhar juntas e os dados precisam demonstrar isso”.

Boas práticas assistenciais, educação e próximos passos

A discussão também abordou estratégias para reduzir no-show, evitar exames desnecessários e melhorar a gestão da demanda. Algoritmos preditivos, confirmação ativa de agendamentos e maior integração entre sistemas foram apontados como caminhos para ganhos assistenciais e operacionais. Nesse contexto, a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde foi destacada como elemento-chave para evitar repetições de exames e promover integração.

O papel do radiologista como protagonista foi outro ponto de consenso. Mais do que emitir laudos, o profissional é um agente ativo na definição de protocolos, uso racional da tecnologia e na orientação de equipes multiprofissionais. Assim, a educação continuada apareceu como condição essencial para que os avanços tecnológicos se traduzam em benefícios clínicos, operacionais e de sustentabilidade.

Ao final, o Comitê definiu como próximos passos o mapeamento de boas práticas de sustentabilidade, a avaliação de indicadores mensuráveis, a integração dos debates à agenda ESG da Abramed e o aprofundamento das discussões sobre capacitação e uso efetivo da tecnologia. E a Abramed reforçou seu compromisso pelo diálogo estruturado com todo o ecossistema de Medicina Diagnóstica, avançando na construção de soluções alinhadas à realidade do país.

29 de janeiro de 2026

Plano de Ação em Saúde coloca setor no centro da agenda climática e reforça caráter estratégico da Medicina Diagnóstica

Lançado na COP30, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos.

Que o setor de saúde tem um papel central para o enfrentamento da crise climática, não há dúvidas. Afinal de contas, a intensificação de ondas de calor favorece, por exemplo, o aumento de vetores infecciosos e a incidência de doenças respiratórias, metabólicas e cardiovasculares. Essa importância foi reforçada na COP30, com o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que conecta, de modo pioneiro, os impactos das mudanças climáticas nos sistemas hospitalares e propõe respostas para a adaptação e proteção das populações mais vulneráveis.

O plano parte de um diagnóstico claro: eventos extremos já são um dos principais desafios para os serviços de saúde e para a segurança sanitária no século XXI, especialmente de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Diante desse cenário, o documento afirma que os sistemas de saúde são parte essencial da solução e devem fortalecer seus mecanismos de governança e integração para que possam prevenir, detectar e responder às crescentes exigências do novo contexto climático global.

Objetivos e princípios do Plano de Ação em Saúde

O Plano de Ação em Saúde estabelece diretrizes para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde frente às mudanças climáticas, com foco em adaptação, prevenção de riscos e preparação para emergências, a partir de dois princípios transversais:

  • Fortalecimento da equidade em saúde e do conceito de justiça climática
  • Liderança e governança em saúde com participação social.

Para responder a esses princípios, foram definidas linhas de ação que dialogam diretamente com a Medicina Diagnóstica, incluindo o avanço da capacidade de vigilância e monitoramento de riscos ligados ao clima, o desenvolvimento de uma lista prioritária de doenças relacionadas às mudanças climáticas, a promoção de políticas de adaptação voltadas a populações vulneráveis e o incentivo à inovação sustentável nos sistemas de saúde.

Desafios para a implementação no sistema de saúde

Embora o plano represente um avanço institucional significativo, sua implementação traz desafios concretos. Um deles é a necessidade de articulação entre governo e ecossistemas público e privado de saúde, além do alinhamento entre políticas, meio ambiente e desenvolvimento.

Outro ponto sensível é a desigualdade regional. O próprio documento reconhece que a capacidade de adaptação varia entre estados e municípios, exigindo estratégias diferenciadas, investimentos direcionados e apoio técnico para evitar que as mudanças climáticas ampliem ainda mais as disparidades no atendimento à população.

O papel da Medicina Diagnóstica

O Plano de Ação em Saúde reforça o caráter estratégico da Medicina Diagnóstica. Laboratórios e prestadores são fundamentais tanto na vigilância epidemiológica quanto no monitoramento de agravos relacionados ao clima, como doenças respiratórias e infecciosas.

Além disso, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos. Nesse contexto, é positivo observar que o segmento diagnóstico vem avançando em práticas sustentáveis.

Dados da 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram, por exemplo, que 61% das empresas associadas já mantêm iniciativas socioambientais de voluntariado, evidenciando o engajamento do setor em agendas de impacto social e ambiental. O painel também aponta que, entre 2023 e 2024, o setor teve uma diminuição significativa de 25,6% no consumo de energia por exame realizado e de 7,1% no uso de água.

E a gestão de resíduos laboratoriais aparece como outro ponto de convergência entre o Plano de Ação em Saúde e as ações do segmento diagnóstico: segundo o Painel Abramed, 93% das empresas realizam coleta seletiva, 88% promovem campanhas de conscientização, 87% adotam inspeções ou auditorias internas e 86% oferecem treinamentos específicos sobre o tema.

Esses indicadores reforçam que a Medicina Diagnóstica já possui uma base concreta para contribuir com a agenda climática, oferecendo evidências, escala e capacidade técnica para apoiar políticas mais eficazes e integradas em toda a cadeia de saúde do país.

Além disso, a Abramed tem atuado fortemente na agenda ESG, com um Comitê dedicado ao tema que, anualmente, discute o assunto em um simpósio exclusivo para associados. Além disso, a pauta fez parte das últimas edições do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde e também estará na programação deste ano.

E, reforçando o papel da Associação para transformar o setor de Medicina Diagnóstica em um dos protagonistas desse debate, durante a COP30, Cesar Nomura e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração da entidade, participaram de um debate na EY House para discutir a integração entre ciência, governança e políticas climáticas. A reflexão foi aprofundada posteriormente no painel da Câmara de Assuntos Políticos e Estratégicos (Cape), organizada pela Fesaúde, com apoio da Arca.

Segundo Nomura, quando a saúde mede o impacto climático, cria-se a base para o cuidado. E, no enfrentamento da crise climática, o diagnóstico é, mais do que nunca, o primeiro passo.

Saúde como parte da solução climática

Com o lançamento do Plano de Ação em Saúde na COP30, o setor passa, definitivamente, a ser reconhecido como eixo estruturante da adaptação climática. Para a Medicina Diagnóstica, o momento abre espaço para que seu protagonismo avance por meio da integração entre dados, eficiência operacional e práticas sustentáveis que devem favorecer a população e o futuro do país.

29 de janeiro de 2026

Inteligência Artificial no Brasil: como o setor da Saúde contribui para a construção do novo marco regulatório

Propostas da Abramed orientam a construção de um marco regulatório que concilie proteção ao paciente, segurança jurídica e desenvolvimento tecnológico.

O Projeto de Lei nº 2.338/2023, que estabelecerá as diretrizes para o desenvolvimento, o fomento e o uso ético e responsável da Inteligência Artificial no país, tem avançado no Congresso Nacional. Em um momento decisivo para a definição de parâmetros de inovação, segurança e responsabilidade, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) tem atuado de forma estratégica para assegurar que a futura legislação considere as especificidades da saúde e garanta equilíbrio regulatório.

Ao lado da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), Saúde Digital Brasil e outras entidades, a Abramed enviou contribuições que foram apresentadas pela Frente Parlamentar Mista de Saúde ao relator do PL, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), um documento técnico estruturado: o Decálogo de Regulação de IA para o Setor da Saúde, que consolida entendimentos e propõe ajustes fundamentais para que o Brasil avance com segurança e sem criar barreiras desnecessárias à inovação.

De acordo com o advogado Lucas Bonafé, do escritório Machado Nunes, a atuação institucional concentrou-se em qualificar o debate e mitigar generalizações que poderiam dificultar a adoção de novas tecnologias no setor, apresentando propostas concretas de alteração legislativa baseadas em 10 pilares estratégicos. Destacamos abaixo algumas das contribuições apresentadas.

O primeiro trata da definição precisa de alto risco, com a proposta de que o enquadramento de sistemas seja competência do Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), considerando probabilidade e gravidade dos impactos adversos. Outro ponto-chave aborda a responsabilidade proporcional e não duplicada, especialmente relevante em saúde, onde uma mesma instituição pode ser desenvolvedora e usuária: defendemos que a responsabilização recaia sobre quem efetivamente exerce controle sobre o sistema.

Também reforçamos a necessidade de proteger a Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), recomendando que aplicações exclusivamente dedicadas à pesquisa fiquem fora do escopo da lei até sua entrada no mercado, garantindo liberdade para etapas iniciais de experimentação. Por fim, enfatizamos a harmonização regulatória entre o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que estrutura a visão estratégica, e o PL 2.338/2023, que deve oferecer segurança jurídica para a aplicação da IA em saúde.

As propostas foram apresentadas diretamente à liderança parlamentar, em nome de entidades representativas da Saúde Suplementar, e seguimos monitorando sua incorporação à versão final do relatório.

A aprovação do Marco Legal trará novos requisitos para empresas e prestadores de serviços de Saúde, entre eles a obrigatoriedade de avaliações de impacto algorítmico que contenham informações técnicas e operacionais sobre riscos potenciais aos direitos fundamentais, medidas adotadas para mitigá-los, etapas de supervisão humana e métricas utilizadas para aferir acurácia e desempenho. A Abramed entende que a regulação é necessária para fortalecer a segurança jurídica, proteger pacientes e promover boas práticas no ciclo de vida dos modelos, sem impor barreiras que inviabilizem a inovação responsável.

Para apoiar o setor nesse processo de transição, recomendamos que os associados iniciem a adoção de boas práticas em três frentes essenciais:

  • Governança de Dados: garantia de qualidade, completude e proteção dos dados utilizados no treinamento de algoritmos;
  • Interoperabilidade: adoção de padrões internacionais que permitam integração com prontuários, sistemas clínicos e repositórios nacionais;
  • Gestão do ciclo de vida da IA: monitoramento contínuo para evitar degradação de desempenho, vieses discriminatórios e perda de acurácia ao longo do tempo.

Nos próximos meses, nossas prioridades incluem a participação ativa em Grupos de Trabalho, contribuindo tecnicamente para a implementação da lei; a capacitação de equipes em temas como transparência, explicabilidade e mitigação de vieses; e o diálogo permanente com legisladores e reguladores para garantir que a regulamentação setorial da saúde seja convergente com o Marco Legal da IA.

A Abramed reafirma seu compromisso em representar o setor com responsabilidade, antecipar tendências regulatórias e contribuir para um ambiente que combine segurança, inovação e qualidade assistencial.