Diretora-executiva da entidade aborda a organização da rede diagnóstica e os modelos que ajudam a ampliar o acesso a exames em diferentes regiões do país.
Em matéria publicada pelo Futuro da Saúde, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, fala sobre os desafios para ampliar a oferta de serviços de saúde no interior do país, considerando diferentes perspectivas como a distância dos grandes centros, a menor escala de atendimento e a escassez de profissionais que afeta as organizações do setor.
Milva mostra como as características econômicas e demográficas de cada região influenciam a oferta de serviços diagnósticos. Enquanto o Centro-Oeste e o interior das regiões Sul e Sudeste vêm atraindo investimentos impulsionados pelo agronegócio e pelo crescimento de cidades de médio porte, outras áreas ainda apresentam lacunas de cobertura.
Outro ponto abordado pela executiva é o modelo de apoio lab-to-lab, que permite a terceirização de exames e contribui para a sustentabilidade dos laboratórios regionais. “Enquanto as grandes centrais e laboratórios de apoio absorvem a alta complexidade e os custos de processamento em escala, os locais mantêm o foco no atendimento direto, na acolhida e na coleta na ponta. Trata-se de uma relação ganha-ganha que fortalece a sustentabilidade do laboratório regional”, pontua Pagano.
Presidente do Conselho de Administração da Abramed integra publicação que reúne profissionais que contribuem para a evolução do diagnóstico e da saúde no Brasil.
O presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, Cesar Nomura, é um dos profissionais destacados pelo Labornews no especial “Protagonistas da Medicina Laboratorial: Homens que fazem História!”. A publicação reúne lideranças do setor para compartilhar experiências, perspectivas e reflexões sobre os caminhos da medicina diagnóstica no país.
A participação de Nomura reforça uma trajetória marcada pela atuação médica, acadêmica e institucional e pelo envolvimento em discussões estratégicas para o desenvolvimento da medicina diagnóstica. À frente do Conselho de Administração da Abramed, ele tem participado de debates relacionados à inovação, integração do diagnóstico, incorporação de novas tecnologias e construção de um sistema de saúde mais eficiente e sustentável.
Diretora-executiva da Abramed aborda a importância da transparência, da imparcialidade e da responsabilidade para a credibilidade das instituições.
Em artigo publicado pelo JOTA, Milva Pagano propõe uma reflexão sobre confiança institucional, ética e segurança jurídica a partir dos recentes debates envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
No texto, intitulado “Crise no STF: quando a confiança também está em julgamento”, ela destaca que a credibilidade das instituições está diretamente relacionada à percepção de que decisões e procedimentos são conduzidos com imparcialidade, coerência e transparência. Para Milva
Pagano, quanto maior a responsabilidade associada ao exercício de uma função pública, maior também deve ser o compromisso com os princípios que legitimam essa atuação.
O artigo chama atenção para os impactos da segurança jurídica e da previsibilidade sobre contratos, investimentos, relações econômicas e decisões que fazem parte da rotina de empresas, profissionais e famílias.
Pela primeira vez com programação própria de conteúdo no congresso, entidade reuniu lideranças do setor para discutir aplicações e desafios da Inteligência Artificial e ampliou o relacionamento com diferentes públicos em seu estande.
Sustentabilidade no diagnóstico por imagem não se resume a reduzir custos. Ela envolve decisões sobre tecnologia, uso de recursos, eficiência operacional, segurança do paciente e capacidade de manter serviços de qualidade em diferentes realidades assistenciais.
Foi a partir dessa perspectiva que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do CBR26 – 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizado em Recife. A entidade promoveu uma programação dedicada a temas estratégicos para o setor, que incluiu o lançamento de uma iniciativa voltada ao uso consciente de impressões, um painel sobre sustentabilidade econômica e uma palestra sobre biossegurança em sistemas multipacientes.
Na abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, trouxe indicadores da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico e reforçou a relevância do diagnóstico por imagem na jornada do paciente. Um dos destaques foi o lançamento do movimento pelo uso consciente de impressões de exames, iniciativa que incentiva, sempre que possível e adequado, o acesso e o compartilhamento digital de imagens e laudos para reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.
Ao apresentar a proposta, ela destacou que a mudança já faz parte da rotina do setor, no qual os resultados são cada vez mais acessados digitalmente. Dados apresentados pela Abramed mostram que mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados, contrariando a percepção de que exames não retirados fisicamente deixam de ser utilizados.
Para a diretora-executiva, a mudança depende de uma mobilização que envolva toda a cadeia. “Queremos gerar um movimento maior de conscientização de todos os players — médicos, pacientes e laboratórios — para reduzir a impressão dos exames”, afirmou. “É uma mudança de hábito que pode diminuir a geração de resíduos, sem comprometer o acesso às informações necessárias para o cuidado”, complementou.
A ação ganhou o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Durante o debate, Hélio Vieira Braga, 1º vice-presidente da entidade no biênio 2025/2026 e presidente eleito para o biênio 2027-2028, chamou a atenção para outro aspecto: uma impressão representa apenas uma seleção limitada das imagens produzidas em determinados exames. Em alguns casos, as imagens selecionadas para impressão representam menos de 10% do total gerado no exame.
De acordo com ele, a redução das impressões depende de condições adequadas de acesso remoto às imagens. “Quando o acesso remoto funciona bem, entendo que a impressão de imagens se torna desnecessária”, ponderou.
O tema também envolve diferenças de infraestrutura e de perfil dos pacientes. Conectividade limitada, sistemas pouco integrados e dificuldades de pessoas idosas no uso de ferramentas digitais ainda precisam ser consideradas para que a transição aconteça sem comprometer o acesso.
Sustentabilidade econômica exige visão de longo prazo
Moderado por Milva Pagano, o painel “Sustentabilidade econômica do Diagnóstico por Imagem” contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Gileno Portugal, vice-presidente do Grupo Meddi; Hélio Vieira Braga; e Silvio Braga, diretor de Negócios Brasil da Siemens Healthineers.
Para Nomura, decisões de investimento precisam considerar todo o ciclo de vida da tecnologia. “Precisamos olhar qualquer projeto por pelo menos dez anos”, ressaltou. Isso significa avaliar não apenas o preço de aquisição, mas consumo de energia, infraestrutura necessária, manutenção, perfil dos exames realizados, disponibilidade do equipamento e capacidade da equipe.
Um dos exemplos apresentados foi o uso de Inteligência Artificial embarcada em equipamentos de ressonância magnética. Segundo ele, essas soluções vêm proporcionando ganhos de produtividade entre 20% e 30% em determinadas aplicações. No Hospital Sírio-Libanês, a atualização tecnológica de um equipamento já instalado permitiu ampliar sua produtividade sem a necessidade de substituí-lo integralmente.
O raciocínio reforça a ideia de que inovação não deve ser incorporada apenas porque é nova. Silvio Braga acrescentou que o custo real de um equipamento também passa por sua disponibilidade ao longo do tempo. Manutenção, acesso a peças, capacidade técnica do fornecedor e tempo de máquina parada podem ter impacto maior do que o investimento inicialmente previsto.
Por isso, defendeu que a avaliação do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) seja complementada pela análise do custo por exame realizado, considerando a produtividade, a eficiência operacional e a disponibilidade dos sistemas.
Novos modelos para ampliar acesso e previsibilidade
Outro eixo do debate foi a busca por modelos de negócio capazes de ampliar acesso e reduzir a dependência de uma única fonte de receita.
Gileno Portugal apresentou diferentes experiências de parceria, incluindo contratos com cooperativas, parcerias público-privadas e acordos com prefeituras. O ponto comum entre os modelos é a tentativa de gerar maior previsibilidade financeira e combinar eficiência operacional, volume assistencial e qualidade. Segundo ele, a sustentabilidade também depende da capacidade de adaptar soluções às diferentes realidades regionais do país.
A experiência do paciente apareceu, ainda, como componente econômico. Segurança, presença médica, treinamento das equipes e qualidade do atendimento influenciam diretamente a percepção de valor e a capacidade de fidelização.
Uso de recursos e impacto ambiental
O consumo de energia também fez parte do debate. Nomura destacou que centros de diagnóstico demandam uso intensivo de energia elétrica. No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, o centro de diagnóstico responde por cerca de 20% da energia elétrica utilizada pela instituição.
Ao abordar especificamente a impressão de exames, relatou a experiência de redução do uso de filmes e de investimento em infraestrutura digital para disponibilizar resultados remotamente. A instituição mantém a possibilidade de impressão para quem necessita, mas alterou o padrão de entrega depois de um processo de adaptação de médicos e pacientes.
O debate reforçou que medidas ambientais nem sempre representam economia imediata. Algumas escolhas podem até elevar custos no curto prazo, mas sinalizam compromissos institucionais e reduzem impactos que não aparecem diretamente no balanço financeiro.
Segurança como condição para eficiência
Encerrando a programação da Abramed, Marcela Padilha Facetto Azevedo, coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da Alko do Brasil, apresentou a palestra “Biossegurança em injetoras de contraste: avaliação microbiológica de sistemas multipacientes”.
Ela apresentou estudos sobre a avaliação microbiológica desses sistemas e abordou o funcionamento de válvulas antirrefluxo, o tempo de utilização e os protocolos de manuseio. A palestra ressaltou a necessidade de validar materiais e processos com base em evidências científicas e em conformidade com as normas sanitárias vigentes.
A participação da Abramed no CBR26 fortaleceu o diálogo com a comunidade radiológica sobre os desafios que afetam a oferta e a qualidade dos serviços. Ao contribuir com dados e experiências das associadas, a entidade ampliou a discussão sobre o papel da medicina diagnóstica na construção de um sistema de saúde mais integrado, eficiente e centrado no paciente.
Programação da Associação no 55º Congresso Brasileiro de Radiologia reuniu dados do setor, debate sobre eficiência, parcerias e incorporação tecnológica e palestra sobre biossegurança em injetoras de contraste
Sustentabilidade no diagnóstico por imagem não se resume a reduzir custos. Ela envolve decisões sobre tecnologia, uso de recursos, eficiência operacional, segurança do paciente e capacidade de manter serviços de qualidade em diferentes realidades assistenciais.
Foi a partir dessa perspectiva que a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) participou do CBR26 – 55º Congresso Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, realizado em Recife. A entidade promoveu uma programação dedicada a temas estratégicos para o setor, que incluiu o lançamento de uma iniciativa voltada ao uso consciente de impressões, um painel sobre sustentabilidade econômica e uma palestra sobre biossegurança em sistemas multipacientes.
Na abertura, Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, trouxe indicadores da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico e reforçou a relevância do diagnóstico por imagem na jornada do paciente. Um dos destaques foi o lançamento do movimento pelo uso consciente de impressões de exames, iniciativa que incentiva, sempre que possível e adequado, o acesso e o compartilhamento digital de imagens e laudos para reduzir consumo de materiais e geração de resíduos.
Ao apresentar a proposta, ela destacou que a mudança já faz parte da rotina do setor, no qual os resultados são cada vez mais acessados digitalmente. Dados apresentados pela Abramed mostram que mais de 96% dos resultados foram acessados ou retirados, contrariando a percepção de que exames não retirados fisicamente deixam de ser utilizados.
Para a diretora-executiva, a mudança depende de uma mobilização que envolva toda a cadeia. “Queremos gerar um movimento maior de conscientização de todos os players — médicos, pacientes e laboratórios — para reduzir a impressão dos exames”, afirmou. “É uma mudança de hábito que pode diminuir a geração de resíduos, sem comprometer o acesso às informações necessárias para o cuidado”, complementou.
A ação ganhou o apoio do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Durante o debate, Hélio Vieira Braga, 1º vice-presidente da entidade no biênio 2025/2026 e presidente eleito para o biênio 2027-2028, chamou a atenção para outro aspecto: uma impressão representa apenas uma seleção limitada das imagens produzidas em determinados exames. Em alguns casos, as imagens selecionadas para impressão representam menos de 10% do total gerado no exame.
De acordo com ele, a redução das impressões depende de condições adequadas de acesso remoto às imagens. “Quando o acesso remoto funciona bem, entendo que a impressão de imagens se torna desnecessária”, ponderou.
O tema também envolve diferenças de infraestrutura e de perfil dos pacientes. Conectividade limitada, sistemas pouco integrados e dificuldades de pessoas idosas no uso de ferramentas digitais ainda precisam ser consideradas para que a transição aconteça sem comprometer o acesso.
Sustentabilidade econômica exige visão de longo prazo
Moderado por Milva Pagano, o painel “Sustentabilidade econômica do Diagnóstico por Imagem” contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Gileno Portugal, vice-presidente do Grupo Meddi; Hélio Vieira Braga; e Silvio Braga, diretor de Negócios Brasil da Siemens Healthineers.
Para Nomura, decisões de investimento precisam considerar todo o ciclo de vida da tecnologia. “Precisamos olhar qualquer projeto por pelo menos dez anos”, ressaltou. Isso significa avaliar não apenas o preço de aquisição, mas consumo de energia, infraestrutura necessária, manutenção, perfil dos exames realizados, disponibilidade do equipamento e capacidade da equipe.
Um dos exemplos apresentados foi o uso de Inteligência Artificial embarcada em equipamentos de ressonância magnética. Segundo ele, essas soluções vêm proporcionando ganhos de produtividade entre 20% e 30% em determinadas aplicações. No Hospital Sírio-Libanês, a atualização tecnológica de um equipamento já instalado permitiu ampliar sua produtividade sem a necessidade de substituí-lo integralmente.
O raciocínio reforça a ideia de que inovação não deve ser incorporada apenas porque é nova. Silvio Braga acrescentou que o custo real de um equipamento também passa por sua disponibilidade ao longo do tempo. Manutenção, acesso a peças, capacidade técnica do fornecedor e tempo de máquina parada podem ter impacto maior do que o investimento inicialmente previsto.
Por isso, defendeu que a avaliação do custo total de propriedade (TCO, na sigla em inglês) seja complementada pela análise do custo por exame realizado, considerando a produtividade, a eficiência operacional e a disponibilidade dos sistemas.
Novos modelos para ampliar acesso e previsibilidade
Outro eixo do debate foi a busca por modelos de negócio capazes de ampliar acesso e reduzir a dependência de uma única fonte de receita.
Gileno Portugal apresentou diferentes experiências de parceria, incluindo contratos com cooperativas, parcerias público-privadas e acordos com prefeituras. O ponto comum entre os modelos é a tentativa de gerar maior previsibilidade financeira e combinar eficiência operacional, volume assistencial e qualidade. Segundo ele, a sustentabilidade também depende da capacidade de adaptar soluções às diferentes realidades regionais do país.
A experiência do paciente apareceu, ainda, como componente econômico. Segurança, presença médica, treinamento das equipes e qualidade do atendimento influenciam diretamente a percepção de valor e a capacidade de fidelização.
Uso de recursos e impacto ambiental
O consumo de energia também fez parte do debate. Nomura destacou que centros de diagnóstico demandam uso intensivo de energia elétrica. No Hospital Sírio-Libanês, por exemplo, o centro de diagnóstico responde por cerca de 20% da energia elétrica utilizada pela instituição.
Ao abordar especificamente a impressão de exames, relatou a experiência de redução do uso de filmes e de investimento em infraestrutura digital para disponibilizar resultados remotamente. A instituição mantém a possibilidade de impressão para quem necessita, mas alterou o padrão de entrega depois de um processo de adaptação de médicos e pacientes.
O debate reforçou que medidas ambientais nem sempre representam economia imediata. Algumas escolhas podem até elevar custos no curto prazo, mas sinalizam compromissos institucionais e reduzem impactos que não aparecem diretamente no balanço financeiro.
Segurança como condição para eficiência
Encerrando a programação da Abramed, Marcela Padilha Facetto Azevedo, coordenadora de Desenvolvimento de Produtos e Suporte Clínico da Alko do Brasil, apresentou a palestra “Biossegurança em injetoras de contraste: avaliação microbiológica de sistemas multipacientes”.
Ela apresentou estudos sobre a avaliação microbiológica desses sistemas e abordou o funcionamento de válvulas antirrefluxo, o tempo de utilização e os protocolos de manuseio. A palestra ressaltou a necessidade de validar materiais e processos com base em evidências científicas e em conformidade com as normas sanitárias vigentes.
A participação da Abramed no CBR26 fortaleceu o diálogo com a comunidade radiológica sobre os desafios que afetam a oferta e a qualidade dos serviços. Ao contribuir com dados e experiências das associadas, a entidade ampliou a discussão sobre o papel da medicina diagnóstica na construção de um sistema de saúde mais integrado, eficiente e centrado no paciente.
Reunião da Abramed discutiu aplicações na rotina dos serviços, avaliação de benefícios clínicos e operacionais e condições para ampliar o uso da tecnologia com segurança.
À medida que o uso de Inteligência Artificial avança na medicina diagnóstica, uma nova questão ganha espaço: como transformar o potencial da tecnologia em valor efetivo para pacientes, profissionais, empresas e para o sistema de saúde?
Esse foi o tema do debate da Reunião Mensal de Associados (RMA) de setembro da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), realizada na sede da Roche Diagnóstica Brasil, em São Paulo. A abertura reuniu Ana Tuñón Orrico, diretora comercial de Lab na Roche Diagnóstica Brasil; Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; e Milva Pagano, diretora-executiva da Associação.
Ao receber os associados, Ana chamou a atenção para uma etapa decisiva da inovação: fazer com que os avanços desenvolvidos pela indústria efetivamente cheguem à população.
Esse ponto vai ao encontro dos resultados da pesquisa realizada na 10ª edição do FILIS sobre as prioridades do setor para os próximos anos. Nas respostas, as menções ao paciente vieram acompanhadas de temas como acesso e equidade, interoperabilidade, inovação, segurança, sustentabilidade, formação dos profissionais, confiança e transparência.
Aplicações na rotina e avaliação de resultados
Com mediação de Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita, o painel “Como transformar inteligência artificial em valor para a medicina diagnóstica” reuniu Lucas Santana, CIO do DB Diagnósticos; Luciana Hadade, gerente de Desenvolvimento de Soluções Digitais da Roche Diagnóstica Brasil; e Rafael Jácomo, diretor técnico do Grupo Sabin.
Na experiência do DB Diagnósticos, Santana mostrou que alguns dos ganhos mais imediatos aparecem em operações de grande escala, com alto volume de informações e processos repetitivos. Entre os exemplos está a distribuição inteligente de lâminas na patologia, em que algoritmos apoiam a definição de qual patologista receberá cada caso, em que momento e em qual volume.
Modelos e agentes de IA também podem apoiar etapas pré-analíticas, validação de informações, expedição de exames e relacionamento com clientes. “Gosto muito da etapa de orquestração no meio do processo, em que temos um grande volume de dados, processos repetitivos e muitas oportunidades de capturar valor”, afirmou.
A discussão avançou então para outra questão fundamental: como medir esse valor?
Para Luciana Hadade, a avaliação de uma solução de IA deve considerar tanto o retorno financeiro quanto os benefícios clínicos. A economia diretamente obtida pela empresa que investiu, segundo ela, não representa todo o impacto que a tecnologia pode gerar ao longo da jornada do paciente.
Isso significa considerar impactos ao longo da jornada, como antecipação de diagnósticos, melhor direcionamento do paciente e redução de intervenções futuras. O desafio é que esse benefício nem sempre fica concentrado em quem realizou o investimento: uma solução incorporada pelo laboratório pode gerar economia posteriormente para a operadora, outro prestador ou para o próprio paciente.
Luciana também defendeu modelos de contratação de soluções de IA que relacionem o pagamento ao uso, aos resultados e aos benefícios gerados. Na avaliação dela, esses formatos podem favorecer a adoção de aplicações com potencial clínico relevante.
Validação e governança acompanham a inovação
Se a busca por valor pode acelerar a adoção da IA, Rafael Jácomo reforçou a necessidade de manter os critérios que historicamente sustentam a qualidade da medicina laboratorial. “Um novo instrumento, tecnologia ou método não exige reinventar os processos existentes. Ele precisa passar por uma validação semelhante à que já realizamos nos testes habituais”, afirmou.
O desafio, segundo ele, não termina na avaliação inicial. É preciso acompanhar o desempenho dos modelos ao longo do tempo, uma vez que algoritmos podem sofrer deterioração e exigir revalidações. A discussão foi ampliada por participantes da plateia, que lembraram que os sistemas de qualidade não devem ser vistos como barreiras à inovação, mas como instrumentos para garantir sua incorporação segura.
Outra pauta que ganhou espaço foi a velocidade com que as próprias equipes estão adotando ferramentas de IA. Se, em ciclos anteriores de automação, as empresas precisavam estimular o uso da tecnologia, agora colaboradores experimentam ferramentas e criam aplicações antes mesmo da existência de políticas corporativas estruturadas.
É o fenômeno conhecido como shadow AI — o uso de soluções não homologadas ou fora do ambiente controlado da organização. Além da exposição de informações sensíveis, esse movimento pode gerar impactos para determinados processos sem documentação, gestão ou preservação do conhecimento desenvolvido.
“Não vamos inibir o desenvolvimento de soluções de IA na ponta, mas precisamos garantir a governança dessas iniciativas”, resumiu Jácomo.
Uma questão relevante é preservar a experimentação sem abrir mão de segurança, compliance e controle de custos. O próprio consumo das ferramentas adiciona uma dimensão econômica à governança, exigindo critérios sobre quais soluções utilizar, para quais finalidades e por quais profissionais.
Na segurança da informação, Santana falou sobre a necessidade de observar riscos tanto “de fora para dentro” quanto “de dentro para fora”, com monitoramento contínuo, controle de acessos e mecanismos capazes de identificar comportamentos suspeitos.
Interoperabilidade para ampliar o valor
A geração de valor também depende da capacidade de conectar equipamentos, sistemas e informações que ainda funcionam em ecossistemas distintos.
Segundo Luciana, a indústria tem um papel importante nessa integração, inclusive no desenvolvimento de conectores entre soluções de diferentes fabricantes. A lógica deve ser reduzir etapas entre o dado produzido e sua utilização, sem transferir para laboratórios e profissionais a complexidade necessária para fazer os sistemas conversarem.
“Não devemos nos ver apenas como concorrentes, porque o cliente precisa estar no centro do que fazemos”, afirmou. Ressaltou, porém, que a integração ainda esbarra na falta de colaboração entre fabricantes. Quanto mais qualificados e conectados os dados ao longo da jornada, maior a possibilidade de transformar informações isoladas em conhecimento útil para a tomada de decisão.
Da eficiência à medicina preditiva
Ao final do debate, Marcos Queiroz perguntou aos participantes qual seria a prioridade para um projeto de IA nos próximos 12 meses. Para Santana, uma das frentes mais promissoras está no cruzamento de informações clínicas para enriquecer laudos e ampliar o apoio à decisão médica. Já processos transacionais de grande volume continuam oferecendo oportunidades mais imediatas de retorno, com redução de etapas operacionais e do tempo necessário para concluir processos.
Luciana apontou a prevenção e a medicina preditiva como áreas promissoras para a aplicação de IA. Para avaliar os ganhos de um projeto-piloto, destacou a necessidade de comparar os indicadores anteriores e posteriores à implementação. Citou ainda o potencial de algoritmos que combinam grandes volumes de informações para identificar precocemente riscos que poderiam passar despercebidos em uma análise convencional.
Jácomo, por sua vez, levou o olhar para o pré-analítico. Para ele, aplicativos, canais digitais, tokens e ferramentas capazes de interpretar automaticamente pedidos e documentos podem reduzir digitação, esperas e etapas manuais na chegada do paciente à unidade. “As ferramentas já disponíveis permitem melhorar muito essa experiência e superar as dificuldades atuais”, concluiu.
Participação da Abramed no 8º CIMES destacou a importância de orientar a adoção de tecnologias pelas necessidades dos pacientes, com segurança, sustentabilidade e ampliação do acesso
Integrar informações clínicas, laboratoriais e de imagem pode ampliar a contribuição do diagnóstico para as decisões médicas e a continuidade do cuidado. Para que esse potencial se traduza em benefícios aos pacientes, é necessário superar barreiras de confiança, padronizar dados e definir com clareza os objetivos da incorporação tecnológica. Esses desafios estiveram no centro da participação de Cesar Higa Nomura, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), no 8º Congresso de Inovação em Materiais e Equipamentos para Saúde (CIMES).
Organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (Abimo), o encontro ocorreu em 16 de setembro, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, com o tema “Soluções Inovadoras na Saúde: Como e para quem desenvolver?”.
Nomura participou do painel “A velocidade da inovação em soluções digitais na saúde: quais preocupações devemos ter?”, ao lado de Giovanni Cerri, presidente do Instituto de Radiologia (InRad) e do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), com moderação de Denizar Vianna, superintendente do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS).
Incorporar tecnologia com objetivos definidos
Para Nomura, tanto a interoperabilidade quanto o uso da inteligência artificial precisam partir de uma definição sobre o que se pretende alcançar. “Se sei onde quero chegar, é mais fácil desenhar a solução”, afirmou. Ele alertou que incorporar uma ferramenta apenas porque ganhou visibilidade pode adicionar custos sem responder às necessidades da organização e do cuidado, em um contexto de pressão sobre as margens dos diferentes segmentos da saúde.
A escolha também exige planejamento de longo prazo. “Na saúde, não é fácil trocar sistemas e plataformas”, observou, ao comparar a adoção de uma solução tecnológica a um compromisso duradouro.
Na avaliação de Cerri, a distância entre o desenvolvimento de uma tecnologia e sua aplicação em benefício da população demanda maior capacidade de avaliação e implementação. “A inovação não precisa ser mais lenta. A governança precisa ser mais rápida”, afirmou. Para ele, gerar valor depende de associar inovação, evidências, validação, segurança e implementação em escala.
Ao contextualizar o debate, Vianna citou a experiência do UK Biobank, banco de dados e amostras biológicas do Reino Unido, como exemplo do potencial da integração de informações genômicas, clínicas e de acompanhamento dos pacientes para apoiar pesquisas e decisões. Também ressaltou o papel da regulação na segurança das tecnologias e a necessidade de proteger informações que, embora valiosas para o cuidado, podem ser utilizadas inadequadamente.
OpenCare Interop e o compartilhamento centrado no paciente
A interoperabilidade foi um dos principais pontos da discussão. Nomura identificou a desconfiança sobre o uso dos dados e os custos de infraestrutura entre os obstáculos à conexão entre instituições. As dúvidas envolvem quem terá acesso às informações, para quais finalidades e como será financiada a operação.
Como exemplo de iniciativa para enfrentar essas barreiras, apresentou o OpenCare Interop, projeto de interoperabilidade com participação da Abramed, de instituições de saúde e do InovaHC, Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Segundo explicou, o piloto em São Paulo prevê a consulta às informações mantidas nas instituições de origem, mediante autorização do paciente, sem a formação de um grande repositório central.
“Quem terá o poder de autorizar ou não o compartilhamento é o paciente”, destacou. A possibilidade de consultar exames já realizados pode apoiar a avaliação médica e evitar repetições desnecessárias. Para Nomura, colocar o paciente no centro ajudou a aproximar instituições que tinham expectativas distintas sobre o uso dos dados.
Cerri acrescentou que o projeto conta com a participação da B3 — Brasil, Bolsa, Balcão — e aproveita a experiência de interoperabilidade e cibersegurança do sistema financeiro. Vianna ressaltou que essa organização em torno do paciente pode contribuir para enfrentar o desalinhamento de incentivos entre os diferentes atores da saúde.
Padronização como base para integrar informações
Outro requisito apontado por Nomura é a padronização dos dados. Exames semelhantes podem receber nomenclaturas e códigos diferentes, dificultando sua identificação e integração.
Nesse contexto, ele mencionou o trabalho da Abramed e de suas associadas na padronização da codificação dos exames e na interlocução com o Ministério da Saúde para o envio de informações sobre doenças de notificação compulsória à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
Na sua avaliação, iniciativas do setor privado e a estruturação da rede pública podem avançar de forma complementar. O objetivo é criar condições para que as informações acompanhem o paciente e possam ser utilizadas ao longo de sua jornada de cuidado.
Segurança e avaliação contínua dos algoritmos
A segurança da transformação digital exige acompanhamento permanente. Cerri destacou a necessidade de avaliar o desempenho dos algoritmos, identificar vieses, rastrear incidentes e analisar os resultados clínicos e econômicos após a implantação. “Não basta validar antes da implantação. É preciso garantir o monitoramento contínuo”, afirmou.
Ele também chamou atenção para a proteção da privacidade, a cibersegurança, a transparência e a definição das responsabilidades de médicos, instituições e desenvolvedores. A dependência excessiva de fornecedores e de soluções fechadas foi apontada como outro risco, por limitar a integração entre sistemas e a autonomia das organizações.
A adequação das ferramentas à população atendida também foi discutida. Cerri relatou que, durante a pandemia, algoritmos desenvolvidos em outros países para identificar alterações pulmonares associadas à covid-19 nem sempre apresentavam o desempenho esperado na população local, o que motivou o desenvolvimento de uma solução própria. “Os algoritmos precisam funcionar, de fato, na população que atendemos”, ressaltou.
Acesso e sustentabilidade na adoção de tecnologias
Ao abordar o acesso, Cerri destacou o potencial da telessaúde para aproximar pacientes de profissionais especializados, da interoperabilidade para disponibilizar informações em diferentes pontos de atendimento e da inteligência artificial para apoiar o planejamento em saúde. “A transformação digital pode trazer mais equidade e mais acesso”, afirmou.
Vianna acrescentou à discussão o desafio do financiamento. Segundo ele, os custos de pesquisa, desenvolvimento e incorporação tecnológica precisam ser considerados diante de orçamentos que não crescem na mesma proporção. A avaliação da viabilidade econômica e de modelos de financiamento integra, portanto, a busca por acesso com qualidade e sustentabilidade.
Integração diagnóstica e oportunidades na patologia digital
Na medicina diagnóstica, Nomura destacou que a automação e o uso de algoritmos já fazem parte da rotina laboratorial há décadas. A evolução da contagem manual de células para processos automatizados exemplifica ganhos de escala e agilidade que apoiam o atendimento em diferentes ambientes assistenciais.
Para o presidente do Conselho de Administração da Abramed, uma das principais oportunidades está em combinar os resultados laboratoriais com informações clínicas, genômicas e de imagem. Ele citou aplicações na avaliação do risco cardiovascular e na investigação de doenças hepáticas como exemplos do potencial dessa integração para qualificar a avaliação dos pacientes.
Nomura também apontou a patologia digital como uma área que demanda avanço, especialmente diante da escassez de especialistas em determinadas regiões. A digitalização pode ampliar o acesso à análise especializada e apoiar a medicina de precisão, com impacto tanto na saúde pública quanto na privada.
Nesse processo, voltou a destacar a importância de padrões comuns. Segundo ele, o uso de linguagens e sistemas proprietários dificultou a evolução da integração na anatomia patológica, enquanto a adoção de uma linguagem padronizada favoreceu o desenvolvimento de soluções na radiologia.
Informação associada ao julgamento clínico
Ao encerrar o painel, Vianna reforçou que a ampliação do acesso à informação precisa ser acompanhada de julgamento clínico. As condições de saúde, as comorbidades e o contexto social e cultural de cada paciente exigem interpretação individualizada e decisões compartilhadas.
“Estamos avançando muito no acesso ao conhecimento, mas precisamos agregar sabedoria ao processo diagnóstico”, concluiu.
Da regulação e consolidação de mercado às discussões sobre Inteligência Artificial, interoperabilidade, valor e governança, trajetória do Fórum ajuda a revelar como as perguntas da saúde mudaram em uma década
Se um evento pode funcionar como um arquivo das perguntas que um setor faz sobre si mesmo, os dez anos do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) oferecem uma boa medida do quanto a saúde mudou desde 2016.
Na primeira edição, então apresentada como 1º Congresso Internacional de Gestão em Saúde ICOS – Abramed, a programação foi organizada em quatro grandes temas: relações de trabalho no setor de saúde; agendas regulatórias e seus impactos; tendências em concorrência e consolidação de mercado; e perspectivas futuras da saúde.
Realizado em conjunto pela Abramed e pelo Instituto Coalizão Saúde (ICOS), o encontro teve entre suas lideranças Giovanni Guido Cerri, então vice-presidente do Instituto, que dez anos depois voltaria ao palco do FILIS para discutir inteligência artificial na saúde.
Em 2026, o 10º FILIS chegou com outro vocabulário. Sob o conceito “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, colocou lado a lado regulação, valor da Medicina Diagnóstica, ESG e Inteligência Artificial.
A diferença entre as duas agendas não significa que os problemas de 2016 tenham sido resolvidos ou substituídos. Na maior parte dos casos, eles ganharam novas camadas. Regulação continua em pauta. Sustentabilidade também. Tecnologia e futuro nunca deixaram o Fórum. O que mudou foi o tipo de pergunta feita a cada um desses temas.
O futuro deixou de ser uma discussão abstrata
Nos primeiros anos, parte importante das discussões estava concentrada em compreender como novas tecnologias chegariam à saúde e quais impactos provocariam no mercado. Incorporação tecnológica, sustentabilidade, compliance e inovação em diagnósticos foram ganhando espaço progressivamente.
A Inteligência Artificial, inclusive, não surgiu agora na história do evento. Em 2018, ela já provocava perguntas. Em uma enquete realizada com participantes do 3º FILIS, 51% disseram confiar em laudos produzidos com apoio da IA por considerarem esse o caminho do futuro, enquanto 47% confiavam nos resultados, mas ainda atribuíam maior importância à interação humana.
Naquele momento, a questão era, em grande medida, até onde confiar na tecnologia. Oito anos depois, a IA ganhou um eixo inteiro da programação. Mas a pergunta mudou. No FILIS 2026, o debate passou por qualidade dos dados, interoperabilidade, avaliação de risco, validação clínica, responsabilidade profissional e critérios para decidir quando uma aplicação realmente deve ser incorporada.
A coincidência de datas ajuda a dimensionar essa mudança: a décima edição do fórum aconteceu em 26 de agosto, justamente quando entraram em vigor as regras da Resolução CFM nº 2.454/2026 para o uso da IA na medicina, com parâmetros sobre classificação de risco, governança, proteção de dados e responsabilidade médica
A discussão deixou de ser apenas sobre o potencial da tecnologia para tratar das condições necessárias para utilizá-la com segurança e utilidade.
A pandemia acelerou mudanças que já estavam em curso
Em 2019, transformação digital, healthtechs, proteção de dados e o papel da Medicina Diagnóstica no ciclo de cuidado já faziam parte da agenda. No ano seguinte, a pandemia interrompeu a realização do Fórum e, ao mesmo tempo, acelerou muitas dessas transformações.
Quando o FILIS voltou, em 2021, pela primeira vez totalmente digital, a programação carregava marcas daquele período: impactos econômicos do pós-pandemia, telemedicina, LGPD, ciência de dados, exames fora do ambiente laboratorial e o papel da Medicina Diagnóstica diante de uma emergência sanitária.
A partir dali, digitalização deixou de significar apenas modernização de processos. Dados passaram a ser tratados como parte da assistência; integração entre instituições ganhou urgência; e tecnologia passou a conviver cada vez mais com discussões sobre acesso, segurança, qualidade e sustentabilidade.
Nas edições seguintes, esses temas foram se aproximando. Disrupção, integração, gestão, inovação e tecnologia deixaram de aparecer como movimentos isolados e passaram a compor uma discussão mais ampla sobre como organizar um sistema de saúde cada vez mais complexo.
Integração deixou de ser conceito e virou infraestrutura
Talvez a interoperabilidade seja um dos exemplos mais claros desse amadurecimento. Em 2023, a integração dos sistemas estava entre os desafios discutidos no FILIS. Uma das pautas avançou no ano seguinte, quando Abramed e Ministério da Saúde formalizaram, durante o evento, uma cooperação para padronização e integração de dados de exames de notificação compulsória à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS).
Em 2025, a interoperabilidade permaneceu entre os temas principais e ganhou um capítulo específico no Painel Abramed. Na mesma edição do fórum, foi firmado o Memorando de Intenções entre ANS, Ministério da Saúde, Abramed e HCFMUSP/InovaHC para avançar com o projeto OpenCare Interop.
Um ano depois, o projeto retornou ao FILIS com arquitetura desenvolvida, visualizador clínico funcional e em etapa de prova de conceito para testar a circulação segura de informações entre instituições. Ao apresentar essa evolução, Marco Bego, diretor-executivo do InRad-HCFMUSP e diretor de Inovação do InovaHC, resumiu o problema que o projeto busca enfrentar: “Hoje o nosso paciente é interoperável, mas os dados ainda não”.
Em poucos anos, portanto, a pergunta evoluiu de “como integrar?” para “como colocar essa integração para funcionar, medir resultados e ganhar escala?”.
Temas não desaparecem, eles mudam de lugar
Ao olhar a década, é difícil encontrar uma preocupação que tenha simplesmente sumido. Relações de trabalho, um dos quatro módulos de 2016, deixaram de ocupar um eixo próprio, mas continuam presentes diante da escassez de profissionais especializados, da necessidade de capacitação contínua e das novas competências exigidas pela automação e pela IA.
Concorrência e consolidação de mercado também perderam espaço como discussão isolada, mas o movimento empresarial continua acontecendo. A 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostra R$ 2,93 bilhões movimentados em operações de fusões e aquisições nos últimos três anos. Hoje, porém, essa discussão está mais conectada à capacidade de investimento, eficiência e sustentabilidade das organizações.
Outros assuntos praticamente não faziam parte do vocabulário da primeira edição. Proteção e governança de dados ganharam relevância com a LGPD. Interoperabilidade passou de aspiração tecnológica a projeto de infraestrutura. Mudanças climáticas entraram formalmente na programação. E sustentabilidade ampliou seu significado, incorporando qualidade assistencial, governança, ética, impacto ambiental e resiliência das instituições.
Talvez a principal mudança esteja no lugar ocupado pela própria Medicina Diagnóstica. Ao longo dos anos, o debate foi deixando de tratar o diagnóstico apenas como uma etapa anterior ao tratamento para discutir sua contribuição em toda a jornada: prevenção, rastreamento, estratificação de risco, escolha terapêutica, monitoramento, avaliação de desfechos e utilização mais eficiente dos recursos.
Esse movimento chegou ao FILIS 2026 sintetizado pelo Diagnóstico 5.0. A programação foi construída como uma sequência: as condições regulatórias para que o setor avance; o valor gerado pelo diagnóstico; a governança e a ética que sustentam as organizações; e, por fim, inteligência artificial, dados e plataformas digitais.
O ponto de encontro entre esses temas é a capacidade de transformar informação em decisões melhores para o paciente e para o sistema. É uma mudança importante em relação a 2016. Naquele momento, “perspectivas futuras da saúde” cabiam em um módulo específico. Dez anos depois, o futuro está espalhado pela programação inteira.
E o que os próximos dez anos tendem a trazer?
Se a trajetória do FILIS serve como indicador, o próximo ciclo deve ser menos marcado pela chegada fragmentada de novas tecnologias e mais pela capacidade de incorporá-las ao sistema de forma coordenada.
Na Inteligência Artificial, a discussão tende a avançar da experimentação para validação, acompanhamento de resultados, governança, segurança e definição de responsabilidades. Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP, do InovaHC e do Conselho de Administração do ICOS, situou essa evolução em diferentes estágios durante o FILIS 2026: enquanto o uso de IA no back office já está mais estabelecido, aplicações clínicas começam a avançar de forma pontual. Uma transformação mais profunda, segundo ele, ainda está por vir, incluindo a radiômica, capaz de extrair das imagens dados que não são identificados pela observação humana.
Em interoperabilidade, o desafio será sair de conexões pontuais para uma infraestrutura capaz de acompanhar o paciente entre diferentes instituições e entre os sistemas público e privado.
Já na Medicina Diagnóstica, biologia molecular, genética, biomarcadores, imagem avançada e novas formas de análise de dados devem ampliar a capacidade de identificar riscos e orientar condutas mais individualizadas. Ao mesmo tempo, crescerá a necessidade de demonstrar valor: não apenas se uma tecnologia funciona, mas para quem deve ser utilizada, em que momento, que decisão pode modificar e qual resultado é capaz de produzir.
Outro sinal do que pode ganhar espaço no próximo ciclo veio da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). No FILIS 2026, Raquel Medeiros Lisbôa, gerente de Estímulo à Inovação e Avaliação da Qualidade dos Prestadores de Serviços (GEIQP), da DIDES/ANS, informou que a agência está em tratativas para ampliar seu programa de monitoramento da qualidade e incluir a Medicina Diagnóstica entre os próximos segmentos com indicadores disponibilizados à sociedade, com expectativa de avanços já no próximo ano.
Após dez anos, o histórico do FILIS mostra menos uma sucessão de modismos e mais uma evolução das perguntas. Em 2016, o desafio era compreender para onde a saúde estava caminhando. Em 2026, boa parte desse futuro já chegou. A questão para a próxima década será como conectá-lo, regulá-lo, financiá-lo e transformá-lo em melhores decisões e melhores resultados para as pessoas.
8ª edição reúne indicadores sobre acesso, qualidade e inovação e evidencia a contribuição do setor para decisões clínicas e continuidade do cuidado
O envelhecimento da população e a maior preocupação com a saúde podem ampliar a demanda por serviços diagnósticos, tanto para a prevenção e a identificação precoce de doenças quanto para o acompanhamento de condições crônicas. Nesse cenário, o desafio é assegurar que o acesso aos exames se traduza em informação de qualidade para orientar decisões e melhorar o cuidado.
A 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico contribui para compreender como o setor responde a essas necessidades. A publicação anual da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) reúne indicadores sobre capacidade assistencial, acesso aos resultados, inovação, profissionais e sustentabilidade econômica das empresas associadas.
“O valor da medicina diagnóstica está nas decisões que ela torna possíveis. Diante do envelhecimento da população, ampliar o acesso ao diagnóstico com qualidade é essencial para identificar doenças em tempo oportuno, orientar tratamentos e utilizar melhor os recursos da saúde”, afirma Cesar Higa Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.
Com novo formato editorial e metodologia de coleta revisada, a publicação amplia o espaço dedicado à interpretação dos resultados, oferecendo subsídios ao planejamento das organizações e ao debate sobre políticas de saúde.
Informação que apoia o cuidado
Mais de 96% dos resultados de exames foram acessados ou retirados, e as associadas registraram 90,4 milhões de acessos eletrônicos a resultados. Os indicadores mostram o alcance da informação diagnóstica e a importância dos canais digitais na relação dos pacientes com seus dados de saúde.
O próximo passo é ampliar a integração dessas informações às demais etapas da assistência. A conexão entre laboratórios, clínicas, hospitais e profissionais de saúde favorece a continuidade do cuidado e permite que os resultados estejam disponíveis para apoiar decisões, com segurança e proteção de dados.
Entre as associadas participantes, 47,1% já integram seus sistemas de informação laboratorial ou de radiologia ao sistema de informação hospitalar. O dado aponta avanços e oportunidades para ampliar a interoperabilidade no setor.
“Nunca se produziu tanta informação diagnóstica. O desafio é fazê-la circular com segurança e colocá-la a serviço das decisões que acompanham o paciente ao longo do cuidado”, acrescenta Nomura.
Capacidade assistencial para responder à demanda
Em 2025, as associadas realizaram aproximadamente 1,13 bilhão de exames. Esse volume dimensiona a estrutura mobilizada para atender às necessidades de diagnóstico e acompanhamento da saúde, em um contexto de transformação do perfil demográfico e assistencial do país.
As empresas participantes mantêm 5.312 postos de coleta, 365 centrais de imagem, 145 centrais laboratoriais e 174 laboratórios instalados em hospitais, com presença em 23 estados. A rede combina atendimento distribuído e processamento especializado, dando suporte à oferta de serviços em diferentes regiões.
Essa contribuição também alcança outras instituições de saúde. Entre os exames classificados como produção própria ou apoio prestado, 54,3% foram processados tanto para o setor privado, quanto para o público. O indicador evidencia o papel dos laboratórios de referência e das centrais de processamento no suporte a hospitais, clínicas e laboratórios de diferentes portes.
As análises clínicas representam 93,2% do volume de exames, com papel central na prevenção, na investigação diagnóstica e no acompanhamento de doenças crônicas e tratamentos. No diagnóstico por imagem, as associadas realizaram 22,8 milhões de exames em 2025. Foram 10,9 milhões de ultrassonografias e, somadas, 5,9 milhões de ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas. Esses métodos ampliam a capacidade de investigação clínica e de acompanhamento terapêutico, oferecendo informações que apoiam decisões em diferentes especialidades e níveis de complexidade.
Inovação conectada às necessidades dos pacientes
Em 2025, 52,9% das associadas investiram em novos modelos de negócio, enquanto 35,3% mantiveram parcerias ou investimentos em startups. Entre as iniciativas relatadas estão inteligência artificial, automação, algoritmos de apoio à decisão clínica, telerradiologia, plataformas digitais e soluções voltadas à experiência do paciente.
A presença dessas tecnologias abre possibilidades para aprimorar processos, ampliar a capacidade assistencial e apoiar os profissionais de saúde. Seu valor está relacionado à capacidade de responder a necessidades concretas, com qualidade, segurança e benefícios para o cuidado.
Os investimentos em expansão, infraestrutura e atualização tecnológica somaram R$ 933,4 milhões no período. São recursos destinados à manutenção e ao desenvolvimento da estrutura necessária para a prestação dos serviços diagnósticos.
Profissionais e qualidade sustentam a assistência
A capacidade de transformar tecnologia em assistência depende de equipes qualificadas. As associadas reúnem 91.602 colaboradores, dos quais cerca de 80% atuam nas áreas operacional e técnica. Aproximadamente 43% possuem formação técnica ou superior, evidenciando a importância da qualificação em um ambiente de crescente automação e incorporação tecnológica.
A escuta do paciente também integra a avaliação dos serviços: 100% das associadas que realizam atendimento direto ao público adotam pesquisas de satisfação. Essa prática oferece subsídios para identificar necessidades e aperfeiçoar a experiência de atendimento.
Os indicadores ajudam a compreender que a qualidade da medicina diagnóstica resulta de um conjunto de fatores, incluindo profissionais, infraestrutura, processos e acompanhamento da experiência do paciente.
Sustentabilidade para manter e ampliar o acesso
A continuidade dos investimentos exige condições econômicas que sustentem a operação. Por isso, o Painel também analisa modelos de remuneração e desafios nas relações com as operadoras de saúde, como glosas e critérios de reajuste contratual.
Segundo a publicação, o trabalho das equipes permite reverter cerca de 70% dos cortes inicialmente aplicados pelas operadoras. Embora essa recuperação reduza as perdas, o processo demanda recursos administrativos e financeiros que poderiam ser direcionados a outras necessidades da assistência.
O conjunto dos indicadores evidencia que o valor da medicina diagnóstica vai além da realização dos exames: envolve a capacidade de produzir informações confiáveis, disponibilizá-las no momento oportuno e integrá-las às decisões sobre a saúde de cada paciente. Preservar essa capacidade exige investimentos contínuos em profissionais, tecnologia e qualidade, aliados a condições que sustentem a oferta e a ampliação do acesso.
A saúde vive um momento de profunda transformação. Se durante décadas a comunicação foi tratada principalmente como uma ferramenta de relacionamento, hoje ela precisa ser reconhecida como parte integrante do cuidado. Na medicina diagnóstica, em especial, a qualidade da comunicação influencia diretamente a adesão do paciente, a segurança assistencial, a compreensão dos resultados e a continuidade da jornada de saúde.
No livro “Experiência do Paciente: Na Teoria e Muita Prática” (Rokkets Editora), do qual sou coautor, defendi que a confiança é um dos ativos mais valiosos das organizações de saúde e que ela se constrói a partir da combinação entre segurança do paciente, qualidade assistencial e empatia ao longo de toda a jornada.
O desafio contemporâneo é ampliar essa reflexão: não basta oferecer excelência técnica. É necessário garantir que cada informação chegue ao paciente de forma compreensível, relevante e aplicável. A comunicação deixou de ser apenas uma camada da experiência para tornar-se um componente do próprio cuidado.
Na minha visão, a comunicação deve ser considerada parte da jornada de cuidado porque a qualidade clínica, por si só, não garante desfechos positivos. O paciente precisa, com orientação do seu médico, compreender o que fazer, quando fazer e por que fazer.
Em outras palavras, as pessoas precisam ser capazes de acessar, compreender, avaliar e utilizar informações para promover sua saúde. Mais importante ainda, a responsabilidade por isso não é apenas do indivíduo, mas também de todos os agentes de saúde, que devem tornar a informação clara e aplicável.
Quando um paciente não entende adequadamente o preparo de um exame, deixa de comparecer a uma consulta ou recebe um resultado sem saber qual o próximo passo, estamos diante de falhas de comunicação que afetam diretamente a efetividade do cuidado.
Por isso, comunicar não é apenas informar. Comunicar é reduzir dúvidas, orientar decisões, gerar segurança e promover adesão.
Onde a comunicação faz maior diferença na medicina diagnóstica
Na medicina diagnóstica, existem momentos críticos em que uma comunicação clara e proativa pode produzir enorme valor.
1) O primeiro deles é o preparo para exames. Orientações inadequadas podem comprometer a qualidade diagnóstica, provocar remarcações e gerar ansiedade. Informações simples, objetivas e enviadas no momento correto aumentam significativamente a aderência às recomendações.
2) O segundo momento é a realização do exame. O acolhimento, a explicação sobre o procedimento e a gestão das expectativas ajudam a reduzir receios e fortalecem a confiança do paciente na instituição.
3) O terceiro é a entrega dos resultados. O acesso rápido é importante, mas não suficiente. De forma inequívoca, a comunicação tempestiva de resultados diagnósticos é fundamental para a segurança do paciente e para evitar perdas de seguimento assistencial.
Finalmente, existe a etapa da continuidade do cuidado. O exame é apenas um elo de uma jornada maior, que inclui consultas, tratamentos, monitoramento ou ações preventivas. Uma comunicação bem estruturada pode conectar esses pontos e evitar que o paciente interrompa seu acompanhamento.
O papel dos canais digitais na adesão ao cuidado
Os recursos digitais ampliaram significativamente a capacidade de comunicação das organizações de saúde. Aplicativos, portais, SMS, WhatsApp e notificações permitem interações mais personalizadas e oportunas.
O potencial dessas ferramentas vai muito além da confirmação de agenda. Elas permitem orientar preparos, notificar a disponibilidade de resultados, reforçar ações preventivas e incentivar o acompanhamento clínico posterior. Quando utilizadas com inteligência, transformam-se em instrumentos de navegação da jornada de saúde.
Nesse sentido, as instituições de medicina diagnóstica exercem um papel relevante ao reforçarem o estímulo para que o paciente procure o seu médico para entender o significado daquele resultado e quais são os próximos passos recomendados.
Em outras palavras, uma boa comunicação não termina na entrega da informação. Ela termina quando a pessoa sabe o que fazer com aquela informação.
Personalização com responsabilidade
A personalização representa uma enorme oportunidade para melhorar a experiência do paciente, mas exige rigor absoluto em privacidade e proteção de dados.
No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) classifica informações de saúde como dados sensíveis, demandando cuidados adicionais na sua utilização. Além disso, o ambiente da saúde também é regulado por normas do Conselho Federal de Medicina (CFM) e por requisitos cada vez mais rigorosos de governança e segurança da informação.
As organizações precisam adotar critérios claros de consentimento, governança, controle de acesso, segurança cibernética e transparência sobre a utilização dos dados. A confiança digital deve acompanhar a confiança assistencial. Uma não existe sem a outra.
Por fim, é fundamental reconhecer que nem todos os pacientes possuem o mesmo nível de acesso à tecnologia ou o mesmo grau de familiaridade com ferramentas digitais. Isso significa que a transformação digital não pode substituir totalmente os canais tradicionais. Ela deve ampliá-los.
O futuro da comunicação em saúde é omnicanal e inclusivo. A assimetria geracional vai existir sempre e isso exige atenção a todos os diferentes perfis e suas necessidades.
William Malfatti – Colíder do Comitê de Comunicação da Abramed e Diretor de Comunicação, Relacionamento com Clientes e Relações Institucionais do Grupo Fleury