Mulheres são as mais afetadas por transtornos mentais no trabalho; revisão da NR-1 pode trazer avanços neste cenário

NR-1, medida vem na esteira do crescimento de 68% nos transtornos mentais em um ano;  afastamentos do trabalho bateram recorde e mulheres são maioria

Em alusão ao Mês das Mulheres, é importante destacar um dado preocupante: o Brasil registrou, em 2024, o maior número de afastamentos por transtornos mentais dos últimos dez anos. Foram 472 mil licenças concedidas, um aumento de 68% em relação a 2023 — entre as pessoas impactadas, mulheres representaram 64% dos casos, segundo o Ministério da Previdência Social. 

Fatores como pressão por resultados, jornadas exaustivas, assédio e falta de suporte emocional têm contribuído para o aumento de transtornos como ansiedade, depressão e burnout, especialmente no público feminino, que enfrenta desafios adicionais, como duplas ou triplas jornadas (profissional e doméstica) e desigualdades de gênero, tornando-se mais vulnerável a esses problemas.

“Esse padrão social sobre as mulheres gera sobrecarga. Ao mesmo tempo, elas têm salários menores e são, muitas vezes, as responsáveis financeiras pela casa. Ou seja, ainda tem toda essa pressão, que foi ampliada com toda a crise na pandemia”, explica o psiquiatra Arthur Danila, pesquisador sobre ansiedade na Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o Dr. Paulo R. Leal, membro do Comitê de RH da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Coordenador Médico do Trabalho no Grupo Fleury, “a manutenção da saúde mental depende tanto de fatores individuais quanto de condições extrínsecas, como aspectos sociais, econômicos e ambientais. No ambiente de trabalho, fatores psicossociais, como gestão organizacional inadequada, assédio e jornadas exaustivas, podem agravar esses transtornos”.

As organizações precisam estar atentas a como esses fatores podem afetar de

maneira distinta homens e mulheres para implementar medidas preventivas e de apoio que levem em conta essas particularidades, condição fundamental para promover um ambiente de trabalho saudável e equitativo para todos.

Novas regras para um ambiente mais saudável

Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), a partir de 26 de maio de 2025 todas as organizações deverão identificar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Entre as medidas essenciais para as empresas se adequarem à NR-1 e evitarem riscos legais e trabalhistas, será preciso investir em políticas estruturadas de saúde mental e adotar programas de suporte psicológico, criar canais de atendimento para que os funcionários busquem ajuda, revisar metas e práticas de gestão para evitar pressão psicológica desmedida, reduzir cargas excessivas de trabalho e treinar gestores para a escuta ativa, acolhimento e prevenção de conflitos.

O Ministério do Trabalho e Emprego já estabeleceu que, em caso de diagnóstico de doenças mentais decorrentes do ambiente profissional, as empresas que não estiverem em conformidade estarão sujeitas a multas, autuações e indenizações trabalhistas e ações civis públicas movidas pelo Ministério Público do Trabalho.

Ações a serem implantadas pelas empresas

Dr. Paulo destaca que a preservação da saúde mental e a sensação de bem-estar são indispensáveis para que todas as pessoas tenham uma vida com qualidade, desenvolvam seu máximo potencial criativo e produtivo, contribuam para o desenvolvimento da sociedade e convivam felizes em família.

De acordo com o médico, para atender às novas exigências da NR-1, as empresas devem implementar políticas de bem-estar e preservação da saúde mental, que incluam medidas de prevenção, identificação precoce e acolhimento dos colaboradores com indícios de sofrimento mental. 

“Adoção de pausas regulares durante o expediente, promoção de atividades que reduzam o estresse, estímulo à prática de atividades físicas e bons hábitos alimentares são essenciais”, afirma.

Além disso, aderir a políticas de trabalho flexível e estabelecer parcerias com profissionais de saúde mental e instituições especializadas pode contribuir para o bem-estar dos colaboradores.

Segundo o especialista, a saúde mental não é apenas uma questão individual, mas um desafio coletivo. Empresas que investirem em bem-estar e qualidade de vida colherão os frutos de um time mais engajado, produtivo e saudável.

“As alterações na NR 1 não são somente uma obrigação legal. São, também, uma oportunidade para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a sua capacidade produtiva”, conclui.

Como a nuvem está transformando o setor de Medicina Diagnóstica?

Com investimentos robustos em todo o mundo, tecnologia cloud fortalece a integração no setor de saúde

24 de março de 2025 – Quando pensamos no movimento de transformação digital que impulsiona a economia contemporânea, não há maiores dúvidas de que a computação na nuvem é um dos pilares dessa revolução que alcança também o setor de saúde e de medicina diagnóstica.

Para termos uma ideia desse cenário, só no ano passado, US$ 53,8 bilhões foram investidos globalmente em infraestrutura e soluções cloud para o segmento de healthcare global, segundo dados da consultoria Markets and Markets. E a expectativa é que a presença dessa tecnologia cresça 17,5% ao ano até 2029 no setor, gerando cerca de US$ 120,6 em direcionamento de recursos no mercado.     

Diante de tais indicadores, é possível afirmar que a Medicina Diagnóstica já está vivenciando uma mudança de paradigmas na forma como os dados médicos são armazenados, compartilhados e analisados, trazendo consigo uma série de benefícios que impactam diretamente a eficiência, a segurança e a qualidade dos serviços de saúde. 

As possibilidades abertas em termos de escalabilidade e acessibilidade são  ganhos primordiais dessa tecnologia para o setor, conforme explica Rafael Jácomo, membro do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) e Diretor Técnico do Grupo Sabin. 

“A principal vantagem da nuvem para os serviços de saúde é a alta disponibilidade que os sistemas em nuvem disponibilizam e seu consequente acesso independente da estrutura física. Juntos, estes dois benefícios se traduzem em facilidade para médicos e pacientes em conseguir as informações necessárias para tomada de decisões”, afirma. 

Rogéria Cruz, Líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed e Diretora-Executiva Jurídica da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, complementa essa visão, “Os profissionais de saúde podem acessar prontuários, laudos e exames de qualquer lugar, o que facilita o atendimento e a tomada de decisão. Além disso, a nuvem permite um compartilhamento seguro entre instituições”.

Redução de riscos e sustentabilidade

A transição para esse novo ecossistema tem como trunfo outro pilar decisivo na gestão de informações clínicas: a segurança de dados.

Um primeiro ponto mais evidente diz respeito à redução dos riscos associados à gestão de mídias físicas, como danos causados por incêndios, inundações ou mesmo a perda de documentos. A nuvem oferece ainda recursos avançados de segurança, como criptografia de ponta a ponta, monitoramento contínuo contra ataques cibernéticos e backups automáticos, dentro de um panorama em que os provedores investem de modo robusto em medidas de proteção e atualizações constantes para mitigar riscos.

Nesse mesmo sentido, a nuvem é um vetor de maior desempenho que aumenta a eficiência, precisão e produtividade nas rotinas de diagnóstico e na oferta de serviços de saúde de modo geral.

A capacidade de processar e compartilhar exames e laudos em tempo real, por exemplo, acelera o encaminhamento de diagnósticos e tratamentos, ao passo que a integração de sistemas na nuvem contribui para uma maior colaboração entre diferentes profissionais de saúde, tornando a distância física um fator irrelevante. 

Rogéria Cruz exemplifica esse contexto ao mencionar que “um paciente que realiza um exame de imagem pode ter seus resultados acessados instantaneamente por médicos de diferentes especialidades, possibilitando um diagnóstico mais rápido e preciso. Além disso, sistemas de telemedicina integrados à nuvem estão revolucionando o atendimento, permitindo consultas e laudos à distância sem comprometer a segurança dos dados”.

Finalmente, do ponto de vista financeiro e ambiental, a migração para a nuvem pode gerar tanto economia – ao reduzir a necessidade de investimento em data centers e aumentar o acesso a soluções que poderiam ser inviáveis por meio de aquisição direta – quanto uma maior eficiência energética por parte das empresas, que não dependem mais de infraestruturas físicas para o compartilhamento de arquivos.   

Um olhar para o futuro da Medicina Diagnóstica

Para que as empresas do setor de Medicina Diagnóstica acelerem a implementação da nuvem e absorvam tantos benefícios, é fundamental superar um desafio cultural importante de confiança por parte das equipes, promovendo uma mudança de mentalidade acerca da segurança dos dados na nuvem. 

A escolha de fornecedores cloud que atendam a altos padrões de cibersegurança e a consequente implementação de políticas internas e rigorosas de governança de dados, são passos essenciais para garantir a proteção de informações clínicas sensíveis e o entendimento dos colaboradores sobre as vantagens da nuvem.

Vantagens essas que incluem, por fim, a base para tecnologias mais integradas e um uso ampliado da inteligência artificial na saúde. 

Rafael Jácomo vislumbra um futuro em que “a Medicina Diagnóstica será moldada por tecnologias mais integradas, com uso ampliado da inteligência artificial e acesso mais abrangente. A análise de grandes volumes de dados será facilitada, permitindo a personalização do diagnóstico com um protagonismo sem precedentes”. 

Para que tudo isso seja possível, a ampla adoção da nuvem na Medicina Diagnóstica exige que as instituições do país avancem em sua maturidade digital e dependerá de fatores como regulamentação, custos e adesão das instituições de saúde.

Nesse contexto, a Abramed tem reafirmado seu compromisso em impulsionar um ecossistema mais inovador, alinhado às tendências, que permita a interoperabilidade entre sistemas de saúde para que hospitais, laboratórios e clínicas compartilhem informações de forma mais eficiente e segura e aprimorem a qualidade dos serviços de Medicina Diagnóstica no Brasil.

Dengue: apesar da queda nos índices de positividade, o primeiro trimestre de 2025 já registra o segundo maior número de casos da história

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) segue monitorando a evolução dos casos de dengue no Brasil. Dados recentes indicam que a taxa de positividade dos exames realizados pelos laboratórios associados permanece em níveis elevados, com aumento registrado nas últimas semanas de fevereiro (semanas epidemiológicas 07, 08 e 09), quando a positividade chegou a 19,2% —  o maior índice desde outubro de 2024.

Embora a média móvel aponte uma tendência de queda, essa redução ocorre porque o pico de casos de janeiro não compõe mais a base de comparação. Ao desconsiderar esse período, as taxas até fevereiro foram as mais elevadas desde agosto de 2024 (semana epidemiológica 32).

Dengue atinge níveis históricos no Brasil

Apesar de dados do Ministério da Saúde apontarem uma queda considerável de quase 70% nos casos prováveis de dengue registrados nos dois primeiros meses de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, historicamente, o Brasil enfrenta o segundo ano com mais ocorrências da doença.

Outro ponto que chama a atenção dos especialistas é a circulação do sorotipo 3, que esteve ausente no Brasil por mais de 15 anos e pode aumentar o risco de contágio, já que grande parte da população nunca foi exposta à essa variante e não possui anticorpos específicos.

“Os sintomas da dengue, como febre alta, dor abdominal intensa e vômitos persistentes, podem ser confundidos com outras viroses, dificultando o diagnóstico e diminuindo a atenção a sinais de agravamento, isto reforça a importância dos testes laboratoriais para a detecção da doença”, explica Dr. Alex Galoro, patologista clínico e líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Além disso, mesmo com a adesão de todas as doses disponíveis para 2025, a distribuição ainda é restrita e a vacinação contra a dengue está disponível na rede pública apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos — em algumas regiões, a faixa etária foi estendida até os 16 anos.

Com o aumento histórico de casos, as estratégias de combate à dengue incluem medidas preventivas como eliminação de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, principal transmissor da doença. O Ministério da Saúde alerta que 75% dos focos do mosquito estão dentro de residências, reforçando a necessidade de ações contínuas de conscientização e controle ambiental.

A Abramed reitera a importância da vigilância laboratorial, do diagnóstico precoce e da notificação dos casos para a tomada de decisões estratégicas no enfrentamento da epidemia. O monitoramento contínuo e a atuação conjunta entre governos, setor privado e sociedade são fundamentais para conter o avanço da doença no Brasil.

Monitoramento

Os associados à Abramed são responsáveis por cerca de 80% do volume de exames realizados na Saúde Suplementar no Brasil. Os dados são compilados por meio da plataforma de inteligência de dados METRICARE, desenvolvida e gerenciada pela Controllab, parceira da associação. Essa colaboração tem permitido o acompanhamento de dados relevantes, fornecendo uma visão clara e estratégica para a tomada de decisões em prol da saúde populacional.

Importante ressaltar que as associadas da Abramed enviam os resultados dos exames diretamente à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS/DATASUS), contribuindo para o monitoramento epidemiológico conduzido pelo Ministério da Saúde. Essas informações são essenciais para entender a progressão da dengue no Brasil e embasar medidas de saúde pública voltadas à contenção da doença.

Entidade celebra data com nova logo e iniciativas que destacam seu impacto no setor de saúde

Em 2025, a Abramed completa 15 anos de atuação, um marco que destaca sua trajetória e contribuição essencial para a promoção do diálogo e a defesa de pautas estratégicas no setor de saúde no Brasil.

Ao longo desse período, a entidade tem se dedicado ao desenvolvimento da Medicina Diagnóstica, um elo fundamental da cadeia da saúde. Desde sua fundação, vem ampliando sua representatividade, impulsionando pautas propositivas, fomentando a inovação e a sustentabilidade e fortalecendo parcerias com o governo, empresas e outras instituições – sempre com foco no paciente.

Para marcar esta trajetória, foi criada uma logo especial que estará presente em nossas comunicações ao longo de 2025, celebrando essa história de impacto e transformação.

Também serão preparadas uma série de iniciativas para celebrar essa trajetória, incluindo conteúdos especiais e ações que destacam o papel da entidade na construção de um futuro mais saudável e conectado.

Segundo Milva Pagano, diretora da Abramed, a criação visa destacar em nossas comunicações a importância dessa celebração: “Nestes 15 anos, a Abramed conectou stakeholders, superou desafios e provou que a colaboração constrói um setor de saúde resiliente. Essa trajetória reforça o papel da entidade como articuladora de um sistema integrado — onde qualidade, segurança do paciente e sustentabilidade caminham juntas”.

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Os impactos da Reforma Tributária na Medicina Diagnóstica: avanço ou novos desafios?

Lei Complementar nº 214/15 introduz novos paradigmas fiscais para o setor e exige adaptação

Por Renato Nunes*

Com a recente promulgação, em 16 de janeiro de 2025, da Lei Complementar nº 214/15, a Reforma Tributária deu um significativo passo em sua longa jornada de transição – que deve vigorar até 2032, segundo cronograma estabelecido pelo Governo Federal – estabelecendo a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS), tributos que trarão implicações profundas para diversos setores da economia e da sociedade brasileira, incluindo a Medicina Diagnóstica. 

Tais implicações influenciam tanto na dinâmica da arrecadação – a partir, por exemplo, da instituição do princípio de não cumulatividade para apuração dos valores a serem pagos de IBS e CBS representantes do setor – quanto nos processos de governança e planejamento financeiro das organizações.  

Diante desse cenário, é imprescindível avaliar se tais mudanças trarão avanços ou novos desafios para o já complexo contexto tributário para um segmento crucial do ecossistema de saúde brasileiro.

Uma nova dinâmica tributária

Certamente, o principal efeito sobre o dia a dia das empresas de Medicina Diagnóstica se dará no processo de recolhimento dos tributos instituídos pela Reforma Tributária. Antes de tudo, é importante reforçar que o IBS e a CBS substituirão o ISS e o PIS/COFINS, tributos que hoje incidem sobre o consumo e atualmente são recolhidos pelas organizações do segmento. 

O ISS e o PIS/COFINS são calculados de forma cumulativa – ou seja, sem que haja a possibilidade de compensar tributos pagos em etapas anteriores da cadeia, lembrando que, conforme mencionado anteriormente, com a Reforma Tributária, a nova sistemática passará a ser não cumulativa, permitindo que as empresas abatam créditos dos valores de IBS e CBS pagos nas aquisições de bens e serviços. 

Em tese, esse seria um potencial benefício para as empresas e não há dúvidas de que se trata de uma mudança fundamental de paradigmas tributários. No entanto, ele também traz consigo mais complexidade para a apuração fiscal, exigindo maiores níveis de controle e adaptação operacional por parte das organizações.

Essa complexidade, aliás, ganha uma camada adicional quando levamos em conta que, durante o período de transição da Reforma, as empresas do setor precisarão lidar com a coexistência de dois regimes fiscais, questão que poderá exigir potenciais investimentos extras em capacitação, tecnologia e cumprimento de obrigações – tudo isso considerando ainda complementares regulamentação e debates que seguirão transcorrendo nesta nova página que está se desenhando no sistema tributário nacional. 

Em outras palavras: a possibilidade de abatimento de créditos tributários é uma medida positiva, mas seu impacto real depende da eficiência da sistemática de apuração, do compliance dos fornecedores para fins de tomada de crédito do IBS e da CBS nas aquisições e mesmo do grau de esclarecimento e suporte oferecido pelo Fisco nessa jornada de transição. 

Dentro de todo esse cenário, é preciso considerar também que a discussão hoje existente quanto ao ISS sobre serviços de análises clínicas (quando a coleta se dá em Município distinto daquele onde ocorre o processamento do material biológico) pode continuar nebulosa no âmbito do IBS, já que as disposições da Lei Complementar nº 214/15 sobre o local de ocorrência do fato gerador deste tributo ainda oferecem margem a dúvidas sobre para qual Município ou até mesmo Estado esse último imposto será devido. 

Isso posto, é essencial também citar que o setor de saúde (incluindo o segmento de Medicina Diagnóstica) foi contemplado com uma alíquota reduzida em 60% para os novos tributos do IBS e CBS, o que mitiga o impacto da excessiva carga de 28% projetada pelo Governo Federal, que colocará o Brasil com o IVA mais alto do mundo. 

Se as alíquotas ordinárias do IBS e CBS confirmarem esse montante previsto pelo próprio Governo Federal, as empresas de Medicina Diagnóstica pagarão algo em torno de 11,2%, percentual próximo à carga atual, se considerarmos ISS, PIS/COFINS e os tributos incidentes nas aquisições de bens e serviços.

Daí a necessidade de que se acompanhe com atenção os próximos capítulos da Reforma Tributária, de modo que sejam sanadas dúvidas sobre a regulamentação e implementação das alíquotas – que, aliás, já começarão a ser testadas pelo Fisco em 2026.

Desafios e perspectivas para o futuro da Medicina Diagnóstica

Como é possível notar, ainda há incertezas consideráveis e desafios já previstos para o novo contexto tributário que alcança as empresas de Medicina Diagnóstica.

A falta de maior clareza sobre a incidência do IBS no caso de exames realizados em localidades diferentes daquelas em que os materiais biológicos são processados, por exemplo, pode ser um fator de disputa entre Municípios ou até mesmo entre Estados e, no limite, gerar um ônus tributário para as organizações.

Nesse sentido, a regulamentação da Lei Complementar nº 214/15 será crucial para garantir previsibilidade, segurança jurídica e para que realmente o setor de saúde conviva com uma carga tributária semelhante à atual (um dos objetivos intrínsecos a alíquota reduzida de 60% aplicada ao segmento).

A própria transição complexa para o modelo do IVA Dual poderá afetar operacionalmente o dia a dia da gestão fiscal das empresas e, por isso mesmo, a atuação da Abramed tem sido decisiva tanto no sentido de garantir que a regulamentação da reforma tributária leve em consideração as demandas do setor de Medicina Diagnóstica quanto no esclarecimento e suporte a seus associados por meio de eventos, publicações e atualizações contínuas sobre o andamento da Reforma. 

A efetividade das mudanças propostas pelo novo regime dependerá, por fim, de um diálogo entre governo, setor empresarial e entidades representativas, de modo que elas tragam, de fato, mais justiça e equilíbrio para o nosso desafiador sistema tributário.   

*Renato Nunes é sócio da Machado Nunes Advogados, assessoria jurídica da Abramed

Welcome Saúde 2025 debate inovação, Inteligência Artificial e os desafios da sustentabilidade na saúde

Evento abre o calendário de discussões sobre as perspectivas políticas e econômicas do setor para o ano. A Abramed esteve presente em debate no primeiro dia.

O presidente da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), César Nomura, foi um dos executivos convidados a participar do Welcome Saúde 2025, evento promovido pelo Grupo Mídia, com correalização da Associação Brasileira da Indústria de Tecnologia para a Saúde (Abimed), que reuniu especialistas, líderes e autoridades para discutir desde a aplicação da Inteligência Artificial (IA) até os compromissos necessários para garantir a sustentabilidade e a qualidade do sistema de saúde.

Representando a entidade no painel “Compromissos de Líderes para 2025”, Nomura abordou os desafios e oportunidades do setor, com destaque para a interoperabilidade de dados, Inteligência Artificial e qualidade dos serviços de saúde.

Interoperabilidade, Sustentabilidade Financeira e Qualidade

Ao lado de Allisson Barcelos Borges (diretor-geral do Hospital DF, Rede D’Or) e Nilton Nunes (presidente da Unimed Teresina), sob a moderação de Fernando Silveira Filho, presidente da Abimed,  César Nomura enfatizou a importância da interoperabilidade para evitar a repetição desnecessária de exames e aprimorar o atendimento.

Hoje, o paciente faz um exame em um laboratório, mas, ao ser atendido em outro hospital, precisa repetir tudo. Isso gera custos desnecessários e reduz a eficiência do sistema”, afirmou Nomura.

Ele defendeu um maior diálogo entre os diferentes agentes do setor para garantir avanços concretos. “Precisamos sair do modo reativo e pensar em soluções estruturais. Tomar mais café juntos, fazer menos encontros online e mais presenciais, para construir um setor de saúde mais integrado e eficiente. A judicialização e a fragmentação do sistema só agravam os problemas”, refletiu.

Comentou ainda que a Abramed está trabalhando em parceria com a Secretaria de Informação e Saúde Digigital do Ministério da Saúde (SEIDIGI) em um projeto sobre interoperabilidade, que estabelece um padrão para troca de informações de exames dos exames de notificação compulsória, como os de Covid, Monkeypox e HIV, e ressaltou a necessidade de métricas claras para avaliar os serviços de saúde, mencionando a possibilidade de a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançaro QUALISS para a medicina diagnóstica, similar ao que já existe para hospitais.

Em relação à IA, o presidente da Abramed destacou o grande uso dessa tecnologia na área de medicina diagnóstica e reforçou os dados apresentados anteriormente por Giovanni Guido, Presidente do Conselho Diretor do INRAD e do Conselho de Administração do Instituto Coalizão Saúde:

Em 2024, quase 60% dos algoritmos aprovados para a saúde estavam relacionados à medicina diagnóstica. A regulamentação da IA precisa ser cuidadosa. Se for muito pesada, pode encarecer o que hoje é uma ferramenta de redução de custos e ganho de produtividade”.  Nomura alertou sobre a necessidade de uma regulamentação equilibrada para a inteligência artificial, que não iniba a inovação nem encareça os custos: 

Outro ponto debatido no painel foi a qualidade do serviço prestado. Allisson Barcelos Borges apontou a necessidade de padronização e transparência na avaliação dos serviços de saúde. “Pior que não ter uma informação, é ter uma informação errada. Precisamos de indicadores claros para que o paciente possa escolher onde se tratar com base em dados confiáveis”, opinou.

Já Nilton Nunes trouxe um tom crítico à judicialização da saúde, que, segundo ele, compromete a sustentabilidade do setor. “Hoje, qualquer prescrição pode ser levada à Justiça e, muitas vezes, aprovada sem critérios técnicos sólidos. No momento que eu prescrevo algo que eu não tenho uma relação de custo-eficácia adequada, eu estou onerando toda a cadeia do sistema e não sobra dinheiro para negociar com o prestador hospitalar, não sobra dinheiro para pagar melhor o radiologista nem a melhor clínica”, afirmou.


Reflexões e caminhos para o futuro

O Wellcome Saúde 2025 proporcionou uma discussão necessária sobre os rumos do setor e deixou claro que o futuro da Saúde dependerá da integração, inovação e responsabilidade na aplicação de novas tecnologias para garantir um sistema de saúde mais eficiente, acessível e seguro para todos.

César Nomura  encerrou sua participação com um chamado à ação:
“Precisamos nos colocar no lugar do paciente. Cada pessoa que busca atendimento é o amor da vida de alguém. Se tivermos isso em mente, as decisões serão mais fáceis e mais humanas. A inovação e a tecnologia são ferramentas poderosas, mas só farão sentido se estiverem a serviço das pessoas”.

Embora os desafios sejam grandes, a união de esforços e o foco em soluções práticas podem trazer avanços relevantes para o setor. A Abramed, juntamente com outras entidades e líderes, seguirá trabalhando para promover a interoperabilidade, a qualidade dos serviços e uma regulamentação equilibrada para a Inteligência Artificial, sempre com o objetivo de melhorar a experiência do paciente e garantir a sustentabilidade do sistema de saúde.

Abramed participa do lançamento da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética

Resolução 5/2025 CFF: Abramed defende segurança e qualidade na assistência à saúde com atuação médica

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – Abramed, comprometida com as melhores práticas e a segurança da assistência à saúde no Brasil, manifesta sua preocupação com a Resolução 5/2025, do Conselho Federal de Farmácia, que amplia a atuação dos farmacêuticos para a prescrição de medicamentos.

A recomendação de medicamentos é uma atribuição decorrente de um processo clínico estruturado, que inclui anamnese, diagnóstico e definição de tratamento, bem como acompanhamento da evolução clínica. Essas etapas exigem profundo conhecimento técnico e preparo prático, obtidos ao longo de anos de formação e especialização médica, além da experiência adquirida no atendimento hospitalar e ambulatorial. O exercício do ato médico é indispensável para garantir que a população receba um cuidado qualificado e seguro, pautado pelo rigor científico e pela responsabilidade ética que esse processo exige.

A Abramed reconhece a importância do trabalho dos farmacêuticos e de outros profissionais da saúde dentro de suas competências específicas, sempre em um modelo colaborativo e complementar. No entanto, a ampliação de atribuições deve ocorrer de maneira criteriosa, respeitando a complexidade da assistência e evitando qualquer risco à segurança dos pacientes.

Diante desse cenário, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica – Abramed reforça a necessidade de que todas as decisões regulatórias na área da saúde sejam guiadas pelo compromisso com a excelência, a segurança e a qualidade assistencial, garantindo que cada profissional atue dentro do escopo de sua formação e expertise, sempre em benefício da população.

Abramed promoveu debate sobre a medicina diagnóstica no novo cenário das pesquisas clínicas

O encontro reuniu especialistas para abordar as perspectivas regulatória, médica e da indústria relacionadas à Lei 14.874/2024.

18 de fevereiro de 2025 – A Abramed realizou, em 11 de fevereiro, uma reunião conjunta do Comitê Técnico de Análises Clínicas e do Comitê de Governança, Ética e Compliance (GEC) para debater o papel da medicina diagnóstica no novo cenário das pesquisas clínicas. O evento, realizado em São Paulo, contou com a parceria institucional da Snibe Diagnostic e reuniu especialistas do setor para uma discussão aprofundada sobre as perspectivas regulatória, médica e da indústria.

O encontro contou com as apresentações de Analluza Bolivar Dallari, advogada especialista em Inovação e Tecnologia na Saúde, LGPD e Pesquisa Clínica; Karla Espírito Santo, chefe de Pesquisa Acadêmica de Modelos Descentralizados e Novos Ensaios do Hospital Israelita Albert Einstein; e Lucy Liu, vice-presidente de Negócios Internacionais da Snibe Diagnostic.

Logo após, aconteceu o debate, com Analluza, Karla e Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein. A moderação foi de Sara Cepillo, consultora de Governança Corporativa do Grupo Fleury e líder do Comitê de Governança, Ética e Compliance da Abramed. “Convidamos diversas pessoas para falar de um tema que é multidisciplinar e interdisciplinar. Ficou muito claro que temos desafios regulatórios no Brasil, mas também muitas oportunidades”, disse.

A discussão abordou a regulamentação das pesquisas clínicas no Brasil. A Lei 14.874/2024 introduz um novo marco legal que complementa e atualiza as normas existentes, criando um Sistema Nacional de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e definindo responsabilidades claras para pesquisadores e patrocinadores.

Apesar da sanção da lei, ainda não há mudanças práticas no setor. Segundo Analluza, o Brasil vive um momento de transição complexa, com dois sistemas coexistindo: o Sistema CEP/CONEP – conjunto de Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs) e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) – e o Sistema Nacional de Ética e Pesquisa, previsto na nova legislação, mas sem prazo definido para ser implementado.

“Tecnicamente, nada muda no momento. Estamos convivendo com dois ordenamentos jurídicos simultâneos, o que gera insegurança para a submissão de projetos, contratos e avaliação ética”, explicou. Mesmo com esse cenário de indefinição, a regulamentação plena da nova lei poderá trazer benefícios, como previsibilidade nos prazos e maior agilidade na aprovação de protocolos clínicos, acrescentou a advogada.

Tecnologia

A aplicação da inteligência artificial e o uso de dados coletados por dispositivos já fazem parte da rotina clínica, e sua expansão para a pesquisa é um caminho natural, segundo Carlos Eduardo Ferreira. “A descentralização já acontece na prática, com coleta domiciliar e modelos de devices para micro coletas. Embora haja desafios em relação à precisão dos dispositivos point-of-care, a tecnologia para automonitorização continuará avançando”, disse.

No entanto, ainda há receio em trazer essas inovações para a pesquisa clínica. Já são utilizados dados para identificar riscos cardiovasculares e apoiar diagnósticos na área de urologia, trazendo benefícios diretos aos pacientes. “É claro que garantir a confidencialidade e a precisão dos dados é fundamental. Hoje, a inteligência artificial já permite a leitura e interpretação de textos médicos, extraindo conclusões de artigos científicos de forma automatizada. Os profissionais que não dominarem essas ferramentas correm o risco de ficar para trás”, alerta Ferreira, destacando o desafio de regular um processo que já está sendo aplicado na prática.

Na pesquisa, a questão é um pouco diferente, como expôs Karla. “O paciente é responsabilidade do médico que o incluiu no estudo. Mas quando há a descentralização e ele realiza exames ou consultas sob cuidado de outro profissional, há dúvidas sobre como isso pode impactar na pesquisa”, destacou. O debate sobre essa questão já está sendo tratado por órgãos reguladores, como a FDA, que busca definir diretrizes mais claras para o modelo descentralizado, pensando no conforto para o paciente.

Sobre a inteligência artificial, Karla reforçou que a tecnologia é um caminho sem volta, mas precisa de parcimônia na área de saúde. “Diferentemente de outras áreas, na medicina é preciso validar cada passo antes de seguir adiante”, ressaltou. Ferramentas como ChatGPT já são úteis, mas há limitações. “Já vimos casos de IA inventando artigos e referências inexistentes, por isso, no setor médico, o uso deve ser criterioso e validado por especialistas antes de ser incorporado aos processos clínicos”, afirmou.

Analluza comentou que toda essa disrupção tecnológica é muito nova, tendo sido impulsionada na pandemia de Covid-19. Apesar de toda a tragédia humana vivida no período, a crise sanitária impulsionou a digitalização do setor, integrando novos atores – inclusive aqueles sem licença sanitária – ao ecossistema de saúde digital.

“As bases de dados cresceram e foram digitalizadas de forma acelerada, mas a regulamentação não acompanhou esse ritmo. Hoje, temos mais dados disponíveis, mas o sistema de saúde brasileiro continua fragmentado, o que dificulta a mineração e a transformação dessas informações em funcionalidade”, explicou.

A advogada também chamou atenção para a questão dos wearables (dispositivos vestíveis) e a lacuna regulatória existente. “Nem todos são dispositivos médicos. A própria RDC 657 da Anvisa abriu uma brecha, permitindo que softwares voltados para bem-estar não precisem de notificação nem registro. Isso resultou em milhares de aplicativos disponíveis no mercado sem testes de qualidade, desempenho ou eficácia”, alertou.

Para ela, a pesquisa clínica é essencial nesse cenário, garantindo segurança por meio da avaliação de comitês de ética. “A pesquisa clínica traz respaldo científico e ético para essas inovações. Cada estudo passa pelo crivo de um comitê de ética, que avalia os riscos e assegura o cumprimento das diretrizes de sigilo e consentimento livre e esclarecido”, afirmou.

Por fim, Karla acrescentou que os estudos descentralizados e a coleta por wearable ou aplicativo, bem como o uso da inteligência artificial atrelada a esses dispositivos são o futuro, mas ainda há barreiras, como a dificuldade dos pacientes em usar aplicativos e o tempo de adaptação dos médicos a novas ferramentas. “Essas inovações vieram para ficar, mas estamos na fase de aprendizado e há muitas questões ainda sem resposta”, expôs.

O evento reforçou a necessidade de um arcabouço regulatório mais claro para a pesquisa clínica, bem como a importância de integrar avanços tecnológicos de forma ética e segura. Com a inteligência artificial e os dispositivos vestíveis ganhando espaço, o desafio será equilibrar inovação e regulação, garantindo que os estudos clínicos evoluam sem comprometer a segurança dos pacientes.

“Um ponto importante a se considerar é que, para quem já atua no setor de saúde há algum tempo, não há uma grande necessidade de conscientização sobre a legislação de pesquisas clínicas. No entanto, quem está de fora muitas vezes não percebe o que já existia antes e quais são os desafios práticos e operacionais que enfrentamos. Não se trata apenas da implementação do ponto de vista regulatório, mas também da complexidade de lidar com duas legislações que, teoricamente, estão em vigor ao mesmo tempo”, finalizou Sara.

Nova edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico traz os mais recentes dados da medicina diagnóstica no Brasil

Segundo a publicação, disponível para download gratuito, o segmento é um dos maiores aliados na sustentabilidade do sistema de saúde

18 de setembro de 2024 – As empresas associadas à Abramed realizaram mais de 972 milhões de exames em 2023, representando cerca de 80% do volume total da saúde suplementar no Brasil. Essas empresas geraram um faturamento de mais de R$ 26,4 bilhões e empregaram mais de 107 mil colaboradores. Além disso, 64% delas investiram em novos modelos de negócios, enquanto 69% firmaram parcerias com startups, sinalizando um forte movimento de inovação e adaptação às novas tecnologias.

Estes e outros dados estão na 6ª edição do “Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico”, anuário recém-lançado pela entidade que traz um panorama único da área de medicina diagnóstica nacional, consolidando indicadores que contribuem para a visibilidade do setor e a tomada de decisões estratégicas nas empresas.

“O Painel Abramed é amplamente reconhecido por sua relevância, confiabilidade e consistência, sendo referência para quem busca se manter atualizado sobre o setor de saúde. Ele oferece insights tanto para empresas e prestadores de serviços que desejam desenvolver estratégias alinhadas às necessidades reais do sistema, quanto para investidores que buscam uma compreensão aprofundada do mercado”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Esta edição traz uma importante novidade: um mergulho a fundo no mercado da medicina diagnóstica, com dados e informações que, inclusive, desmistificam a dinâmica de custos do setor. Há um capítulo exclusivo dedicado à análise de mercado, englobando saúde suplementar e pública.

“No mercado de saúde brasileiro, a medicina diagnóstica é frequentemente apontada como um dos principais responsáveis pelo aumento das despesas assistenciais, um ofensor dos custos da saúde suplementar, mas ocorre justamente o oposto. O setor é um dos maiores aliados na sustentabilidade do sistema de saúde”, comenta Ademar Paes Junior, membro do Conselho de Administração da Abramed e coordenador do Painel. Trata-se de uma área estratégica, que prima pela prevenção, pelo diagnóstico precoce e pelos tratamentos personalizados.

De acordo com Ademar, o aumento no número de exames, observado tanto no setor público quanto no privado, reflete não apenas o envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas, mas também a evolução tecnológica e a crescente conscientização da população sobre a importância da saúde preventiva.

“A medicina diagnóstica é uma aliada para uma saúde mais eficaz e acessível, pois além de contribuir para a melhoria da qualidade de vida e para um futuro mais saudável para todos, fornece dados concretos, que permitam a tomada de decisões fundamentadas”, explica.

Mais um destaque desta edição é a inclusão de dados segmentados por estado, algo inédito no Painel Abramed. O estudo apontou que a associação está presente em 17 das 27 Unidades Federativas do Brasil, com uma representatividade expressiva de 63% do mercado nacional. Os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro apresentam as maiores coberturas, com 93%, 57% e 50%, respectivamente.

Outros dados mostraram que o relacionamento com operadoras de saúde melhorou, embora o prazo médio de recebimento tenha subido para 57,4 dias, acompanhado de um aumento nas glosas. As associadas também têm fortalecido seus controles internos, prevenção a fraudes e transparência, com conselhos de administração independentes e canais de comunicação internos.

Já a taxa de no-show, ou seja, quando o paciente não comparece ao exame agendado e não desmarca, aumentou significativamente em relação ao ano passado, de 16% para 19%. “Estamos enfrentando o desafio de reduzir esse número, já que ele tem um impacto financeiro considerável. Além disso, temos nos empenhado nos últimos anos para diminuir a taxa de laudos não acessados. Em 2021, era de 4,1%, e conseguimos reduzi-la a 3,8%, em 2023”, aponta Ademar.

Volumes e despesas

Segundo a sexta edição do Painel Abramed, o custo médio da medicina diagnóstica se manteve praticamente estável ao longo dos últimos cinco anos, o que é um dado relevante para o setor. Em 2023, a participação dos exames nas despesas associadas, que era de 22,9%, em 2018, caiu para 21,1%. Isso mostra que, apesar do aumento no volume de exames, não houve um aumento na participação nas despesas.

Conforme explica Ademar, na composição do aumento de custo da saúde suplementar há basicamente três grandes componentes: o primeiro é a entrada de novos procedimentos, o segundo é o aumento da utilização dos serviços, e o terceiro é a variação do custo unitário desses serviços. “O que está aumentando, de acordo com o levantamento da Abramed, é o volume de utilização dos serviços, e não custo unitário por exame, e isso é um dado extremamente estratégico que mostra, de certa forma, uma contribuição da medicina diagnóstica para a sustentabilidade do setor”, ressalta.

Ele observa que o setor está realizando um maior número de exames pelo mesmo custo, o que contribui para aliviar a pressão financeira sobre o sistema de saúde. “Isso resulta em mais acesso, com um número crescente de pessoas utilizando exames diagnósticos de alta tecnologia, que têm um impacto direto em suas vidas. Naturalmente, isso fortalece ainda mais nosso propósito enquanto setor”, conclui.

A estrutura do 6º painel Abramed é delineada para proporcionar uma perspectiva ampla e detalhada da área. São cinco capítulos: Demografia e Conjuntura Econômica; Panorama do Setor de Saúde; Medicina Diagnóstica no Brasil; o próprio Painel Abramed; e, por fim, ESG e Medicina Diagnóstica, explorando as conexões entre práticas sustentáveis e a entrega de serviços de saúde de alta qualidade. Esses dois últimos trazem dados específicos das associadas.

“A Abramed tem investido em tecnologias avançadas para assegurar a rastreabilidade e segurança dos dados coletados, sempre seguindo princípios éticos e garantindo a privacidade das informações. Com parcerias estratégicas, a associação mantém seu foco em promover decisões informadas que beneficiem tanto o setor de saúde quanto a sociedade como um todo”, finaliza Milva.

O 6º Painel Abramed – o DNA do Diagnóstico pode ser baixado gratuitamente neste link.