FILIS 2021 – Palestrantes internacionais confirmados na programação

5ª edição do fórum será 100% digital e gratuita; inscrições estão abertas

6 de agosto de 2021

A 5ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), marcada para 13 e 14 de outubro, já tem palestrantes internacionais confirmados em sua programação. Duas grandes personalidades do setor no mundo confirmaram presença neste evento que é reconhecido por promover debates extremamente relevantes sobre o setor de saúde. Este ano, o encontro será 100% digital e gratuito e terá, como tema principal, “A medicina diagnóstica de hoje na construção do sistema de saúde do amanhã”.

No dia 13 de outubro, Paul Epner será o responsável pela palestra de abertura do módulo de Economia. Epner é diretor-executivo e co-fundador da Society to Improve Diagnosis in Medicine (SIDM) e preside a Coalition to Improve Diagnosis, uma coalizão com mais de 60 sociedades profissionais, sistemas de saúde, organizações de pacientes e entidades focadas na melhoria da qualidade da assistência.

Para o FILIS, Epner, que é membro do National Steering Committee for Patient Safety e já se apresentou em todo o mundo, trará sua vasta expertise na busca pela melhoria da medicina diagnóstica sempre focada na segurança do paciente. Logo após a apresentação de Epner, executivos de grandes empresas brasileiras do setor de saúde debaterão o futuro e os impactos econômicos no pós-pandemia.

Já no dia 14, Andrew Morris abrirá o módulo Inovação e Futuro. Morris é diretor do Health Data Research UK (HDR UK), instituto britânico da ciência de dados em saúde que tem, como missão, promover descobertas que tragam melhorias para a vida das pessoas e reúne 38 instituições acadêmicas do Reino Unido. Um dos projetos atuais da HDR UK envolve a criação de um ecossistema aberto de pesquisa de dados em saúde, interoperável e confiável para os 66 milhões de habitantes do Reino Unido.

Na sequência da apresentação de Morris, especialistas em atuação no mercado brasileiro debaterão sobre a transformação e o futuro da medicina diagnóstica.

Warm up FILIS – No dia 14 de setembro, a partir das 17h30, a Abramed realizará o Warm Up FILIS, um encontro online com o objetivo de promover um aquecimento para a 5ª edição do FILIS. Com abertura de Milva Pagano, diretora-executiva da entidade, o evento trará uma apresentação de Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração, com dados setoriais que compõem o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. Na sequência, parceiros e associados debaterão sobre os movimentos empresariais que vêm transformando a medicina diagnóstica. Acompanhe a Abramed nas redes sociais (Instagram + Facebook + LinkedIn) para ficar por dentro.

Inscrições abertas para o FILIS – A 5ª edição do FILIS será 100% digital e gratuita. As inscrições estão abertas e podem ser feitas em www.abramed.org.br/filis. Neste portal também é possível conferir a programação completa. Inscreva-se!

Testagem diária nos Jogos Olímpicos 2020 reforçou importância da medicina diagnóstica para controle da pandemia

No Japão, atletas, comissões técnicas e organizadores passaram por triagem diária; objetivo era identificar rapidamente pessoas infectadas – mesmo que assintomáticas – para isolá-las e evitar a disseminação do novo coronavírus entre os participantes

6 de agosto de 2021

Adiada por um ano, a edição 2020 dos Jogos Olímpicos do Japão foi iniciada em 20 de julho, ainda sob a pandemia de COVID-19. Para ampliar a segurança das provas e permitir que a competição fosse realizada, muitas medidas não farmacológicas para evitar a disseminação do novo coronavírus foram tomadas. Além de extinguir o público das provas, foram implementados rígidos protocolos de proteção. A máscara facial devia ser usada por todos os participantes que foram, também, instruídos a reduzir a interação física. Além disso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) apostou na medicina diagnóstica para identificar o mais rápido possível qualquer participante infectado, garantindo o seu isolamento e o rastreio de seus contatos.

“O sistema de testagem aplicado pelo COI soava muito eficiente, pois utilizava testes com bastante sensibilidade e especificidade, sempre processados dentro dos ambientes altamente controlados dos laboratórios clínicos”, explica Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Antes mesmo de embarcar para a jornada competitiva, os atletas tiveram de apresentar dois testes negativos para coronavírus nas 96 horas que antecediam o voo. Os testes válidos para essa etapa eram aqueles capazes de identificar a doença na fase ativa, ou seja, testes de anticorpos não eram aceitos. Na lista divulgada pelo Japão, constavam apenas os testes realizados com amostras nasofaríngeas, orofaríngeas e de saliva, entre eles o RT-PCR, padrão ouro para detecção da infeção pelo novo coronavírus, e o RT-LAMP.

Na chegada ao Japão, ainda no aeroporto, todos realizavam um novo exame, desta vez um teste de antígeno do SARS-CoV-2 feito com amostra de saliva. Se o resultado fosse positivo, os responsáveis realizavam um novo exame com a mesma amostra para confirmação do diagnóstico.

Mas a testagem não parava por aí. Durante os jogos, todos os participantes foram submetidos à triagem diária feita com o mesmo teste aplicado no aeroporto: detecção qualitativa de antígenos em amostras de saliva. A logística para que essa triagem funcionasse foi muito bem planejada, visto que eram cerca de 11 mil atletas, suas comissões técnicas e mais uma grande leva de profissionais que atuavam para que os jogos pudessem acontecer.

Dessa forma, todos os participantes receberam recipientes com códigos de barra que os identificavam. Todos os dias eles deviam depositar, nesses frascos, uma amostra de saliva, entregando essa amostra nos locais previamente indicados pela organização. Essas amostras eram recolhidas e transferidas para um laboratório que processava o exame em aproximadamente 12 horas. “A identificação das amostras com códigos de barras representa parte crítica do processo pré-analítico, pois contribui para evitar trocas e dar credibilidade aos resultados. Esse processo já está bastante consolidado aqui no Brasil e é amplamente utilizado pelos melhores laboratórios brasileiros”, comenta Shcolnik.

Com o resultado negativo, o participante seguia normalmente na competição. Porém, se o resultado fosse positivo, ele era notificado e o laboratório reanalisava a mesma amostra. Quando o resultado da nova análise também era positivo, o atleta era convocado para realização de um RT-PCR com amostra nasofaríngea. O prazo máximo para a entrega desse laudo era de cinco horas.

Na Internet, o atleta Douglas Souza, da equipe masculina de vôlei de quadra, foi um dos responsáveis por divulgar a exigência. Em seu perfil no Instagram, Douglas mostrou, por diversas vezes, a realização cotidiana dos testes enquanto esteve no Japão.

Segundo Shcolnik, a testagem durante a competição envolvia duas metodologias diagnósticas muito eficientes. “Primeiramente eles investiam no teste por amostra de saliva, visto que isso facilita a logística, já que o próprio participante podia coletar e entregar sua amostra para a avaliação laboratorial. Caso o resultado desse exame fosse positivo ou suspeito, eles seguiam com o cronograma podendo solicitar ao participante a realização de um RT-PCR com amostra nasofaríngea, tipo de exame e de amostra mais certeiros para a confirmação diagnóstica”, explica.

Além da triagem diária, os atletas também eram instruídos a ficarem atentos a qualquer mínimo sintoma de COVID-19, comunicando a organização para que o melhor teste fosse aplicado.

Em lista divulgada pelo COI, ao longo dos jogos foram realizados mais de 571 mil testes de triagem para COVID-19 com uma taxa de positividade de 0,02%. No geral, 198 pessoas tiveram diagnóstico confirmado para COVID-19 durante a realização dos Jogos Olímpicos de 2020.

Abramed atua em prol da telessaúde no país

Entidade está envolvida nos debates quanto ao projeto de lei 1998/20

5 de agosto de 2021

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) está atuando em conjunto com a Saúde Digital Brasil (SDB) e a Associação Nacional dos Hospitais Privados (Anahp) em prol do projeto de lei 1998/20, que autoriza e define a prática da telemedicina em todo o território nacional.

Em análise na Câmara dos Deputados, a proposta prevê a realização dos atendimentos remotos, sendo que o Conselho Federal de Medicina poderá regulamentar os procedimentos mínimos para a prática. De acordo com o texto do projeto de lei, telemedicina é a transmissão segura de dados e informações médicas, por meio de texto, som, imagens ou outras formas necessárias para prevenção, diagnóstico, tratamento (incluindo prescrição medicamentosa) e acompanhamento de pacientes.

Na opinião de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed, esse debate é de extrema importância. “Precisamos trabalhar pelo futuro da telessaúde no Brasil, atividade presente em muitas das nossas empresas associadas e que auxilia na ampliação de acesso ao diagnóstico de qualidade em todo o país”, pontua.

O projeto sugere que a telemedicina deve ser realizada por livre decisão do paciente ou de seu representante legal e sob responsabilidade do médico. Além disso, enfatiza que o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) devem ser respeitados.

Em 13 de julho, Shcolnik esteve em Brasília (DF) para uma reunião com a deputada estadual Aline Gurgel (Republicanos/AP), que se declarou a favor do projeto em seu formado original; Eduardo Cordioli, presidente da SDB; e Marco Aurélio, diretor de Relações Governamentais da Anahp. Dois dias depois, a Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados promoveu uma audiência pública para ampliar a discussão quanto ao projeto de lei 1998/20 (é possível assistir AQUI).

Importante lembrar que, devido à pandemia de COVID-19, em abril do ano passado a telemedicina foi autorizada em caráter temporário no Brasil.

Wilson Shcolnik palestra sobre relevância da medicina laboratorial para o futuro do diagnóstico

Presidente do Conselho de Administração da Abramed fez apresentação no Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico

02 de agosto de 2021

Na tarde de quarta-feira, 28 de julho, Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), ministrou uma palestra sobre as contribuições da medicina laboratorial ao futuro do diagnóstico na primeira edição do Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico. Durante a apresentação o executivo abordou temas bastante atuais sobre o desenvolvimento do setor.

Um dos assuntos debatidos foi a importância da coleta de dados para a formação do raciocínio clínico. Reunir essas informações envolve obter detalhes sobre o histórico do paciente – o que é uma tarefa árdua diante de um mercado de trabalho onde os médicos estão a cada dia mais sobrecarregados – mas também dados advindos dos exames físicos, que podem evidenciar importantes sinais, e aqueles contidos nos resultados dos exames complementares. “Assim o profissional encarregado do diagnóstico pode tirar suas conclusões e seguir com o ciclo de cuidado”, pontuou o presidente.

Durante os primeiros meses de pandemia de COVID-19, o setor assistiu a uma diminuição drástica do número de exames realizados no país, já que as pessoas se sentiram ameaçadas e deixaram de comparecer a consultas e exames eletivos. Porém, o segmento já vem se recuperando e, na visão de Shcolnik, o número de solicitação de exames tende a aumentar nos próximos anos.

Esse aumento não está relacionado à crise do novo coronavírus, mas sim a outros fatores. A população está envelhecendo e cada dia mais atenta aos cuidados. “Vivemos um momento que valoriza a prevenção e a promoção da saúde. Paralelamente, continuamos convivendo com doenças crônicas e degenerativas que exigem exames rotineiros para gerenciamento e controle dos tratamentos”, esclareceu o palestrante.

Outro ponto que leva a um potencial aumento do número de exames realizados está nas conquistas obtidas pela exploração do genoma humano, que abriram novos horizontes para a medicina diagnóstica. “Graças a esses avanços, agora contamos com a medicina de precisão, a medicina personalizada e outras abordagens que partem de dados da saúde populacional”, disse.

Como forma de consolidar a percepção de que a cada dia temos mais exames relevantes para a saúde humana e mais pessoas necessitando desses testes, o presidente da Abramed mencionou a publicação, há três anos, por parte da Organização Mundial da Saúde (OMS), de uma lista com mais de uma centena de exames considerados essenciais. Essa lista passou por duas atualizações e, hoje, envolve também um conjunto de testes para doenças infecciosas e evitáveis por vacinas, além de exames para detecção de doenças não transmissíveis como câncer e diabetes.

Os 4 P’s da medicina

Em sua palestra, Shcolnik também falou sobre os quatro P’s da medicina: preditiva, preventiva, personalizada e participativa. Em sua explanação, o executivo enfatizou a importância do diagnóstico em cada uma delas. “O primeiro P, de preditividade, reforça a relevância dos dados preditivos trazidos pelos exames genéticos e que, feitos logo após o nascimento, podem orientar a gestão de saúde quanto a predisposições a doenças e nos levam justamente ao segundo P, de prevenção. Além disso, temos a medicina personalizada (terceiro P) que também acontece graças aos exames genéticos, e o quarto e último P, de medicina participativa, que coloca o paciente no centro do cuidado e permite, inclusive, que ele mesmo realize alguns exames por meio de autotestes”, declarou.

Para consolidar todo esse cenário, o presidente mencionou os significativos avanços obtidos no setor ao longo do tempo. Apontou melhorias que otimizaram o diagnóstico, como os painéis de biologia molecular que são capazes de identificar muitos patógenos diferentes responsáveis por infecções de corrente sanguínea, gastrointestinais, respiratórias, encefalites e meningites. “Pense em uma mãe que está com seu filho com suspeita de uma meningite bacteriana, como ela fica ansiosa com a confirmação do diagnóstico. Os métodos tradicionais envolviam recursos como análise citológica, análise bioquímica do liquor, exames demorados e que podem levar até dias para serem concretizados como as culturas, a microscopia e a bacterioscopia. Testes inseguros, limitados e inespecíficos”, pontua. “Agora temos esses painéis, um recurso fundamental sobretudo nos prontos-socorros”, complementa.

Mostrou, também, como os testes podem contribuir com a definição do melhor tratamento, impactando inclusive no prognóstico. Para isso, trouxe um excelente exemplo que já está, inclusive, disponível no Brasil: exame capaz de identificar, através de marcadores laboratoriais e mutações genéticas, se aquela mulher que acabou de ser diagnosticada com um câncer de mama de fato será beneficiada pela quimioterapia, um tratamento bastante agressivo. “Esse é um tipo de teste que auxilia muitas pacientes e traz um enorme valor ao diagnóstico dessa patologia”, completou.

Essencial para a gestão da pandemia

Shcolnik também abordou a importância dos laboratórios clínicos para o melhor controle da pandemia. “Essa área tem sido essencial não somente para a confirmação dos diagnósticos, mas também para a tipagem dos agentes etiológicos, visto que estamos convivendo com diferentes cepas do novo coronavírus”, esclareceu.

Mudança de paradigma

Por fim, um dos pontos bastante relevantes apresentados por Shcolnik em sua palestra do Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico foi uma mudança de percepção dos conceitos e missões dos laboratórios. “Pensávamos que o nosso papel era fornecer resultados exatos, precisos, oportunos, no tempo certo e com o menor custo possível. Hoje acreditamos que nossa missão é fornecer resultados de forma rápida e eficiente, sem descuidar dos custos dos exames, para possibilitar um diagnóstico exato e preciso, a seleção de um tratamento apropriado, e um monitoramento correto do status da saúde ou de uma doença”, finalizou.

O I Congresso Brasileiro de Raciocínio Clínico: O Futuro do Diagnóstico foi realizado entre os dias 27 e 29 de julho de 2021 e contou com apoio da Abramed.

A importância do diagnóstico sindrômico na tomada de decisão clínica

Pandemia de COVID-19 demonstrou a necessidade de novas ferramentas que possibilitem o tratamento certo, na hora certa, para o paciente certo

25 de julho de 2021

O diagnóstico clínico tem sofrido modificações ao longo do tempo, incluindo o uso de raciocínio hipotético-dedutivo, também conhecido como abordagem sindrômica, para a proposição de uma hipótese da etiologia da doença infecciosa. Entretanto, a pandemia de COVID-19 demonstrou a importância dos testes diagnósticos e a necessidade do uso de novas ferramentas que possibilitem o tratamento certo, na hora certa, para o paciente certo.

Os recentes avanços trazidos pelos testes moleculares multiplex levaram a uma mudança de paradigma no diagnóstico de doenças infecciosas. Em vez de solicitar uma série de exames individuais específicos para cada patógeno, os médicos têm a opção de solicitar um único teste projetado para detectar um número de organismos associados a uma síndrome infecciosa e, ainda, dependendo do painel, seus mecanismos de resistência à agentes antimicrobianos.

Os painéis multiplex sindrômicos são ferramentas novas e poderosas que podem ajudar no diagnóstico oportuno de doenças infecciosas, suportando a conduta médica e impactando a assistência e economia em saúde, além da epidemiologia. Entretanto, há uma preocupação sobre quais os casos que o uso dos painéis multiplex seriam adequados.

Os testes tradicionais são baseados em uma busca ampla, e os médicos raramente solicitam culturas para organismos específicos. Além disso, em muitos casos, não é clinicamente possível restringir um diagnóstico diferencial a uma ou duas possibilidades devido à sobreposição significativa nas apresentações clínicas da infecção. A falha em detectar o agente causador devido à confiança em métodos insensíveis pode levar à atrasos no início do tratamento adequado e à propagação da doença na comunidade (especialmente relevante em caso dos painéis respiratório e GI), prejudicando assim os pacientes e a comunidade. Em cenários em que os médicos normalmente solicitariam vários testes individuais, realizar um painel multiplex pode ser mais econômico. Além disso, a disponibilidade dos painéis, que são fáceis de usar e não exigem grande estrutura laboratorial, pode ajudar a padronizar o atendimento ao paciente, particularmente em hospitais e clínicas menores. Além disso, algoritmos claros e diretrizes para solicitar e interpretar esses painéis, desenvolvidos por profissionais de laboratório e clínicos, podem apoiar o uso mais eficiente desse tipo de exame.

A medicina do futuro será mais humanizada e baseada em dados

Assinado por Renato Casarotti, presidente da Abramge, artigo aborda coordenação do cuidado como ferramenta da medicina

25 de julho de 2021

* Por Renato Casarotti

coordenação do cuidado é uma ferramenta da medicina que auxilia os pacientes a navegar pelo sistema de saúde de forma mais eficaz e eficiente, de acordo com as suas necessidades clínicas e em sintonia com a evolução do conhecimento sobre doenças crônicas e as diversas formas de prevenção.

Diante da mudança no perfil demográfico e epidemiológico da população, sujeita a enfermidades que se desenvolvem ao longo do tempo e podem ser evitadas ou amenizadas por diagnósticos precoces, não faz mais sentido insistir em um modelo de oferta de tratamento focado quase que exclusivamente em situações críticas ou quadros agudos, adotado pela saúde suplementar no século passado.

Nesse contexto, ganha importância o acompanhamento constante dos usuários dos planos de saúde por médicos da família, com o compartilhamento de prontuários, históricos e exames, quando realmente for preciso encaminhá-los a especialistas. A gestão integrada de recursos e informações economiza tempo, evita desperdícios e proporciona um entendimento da saúde global do paciente, que não pode mais ser tratado de forma fragmentada.

De acordo com pesquisa recente do Conselho Federal de Medicina (CFM), o número de profissionais dedicados à Medicina da Família e Comunidade cresceu, no Brasil, 30% em dois anos e 171% na última década. Esses índices têm correspondência com os investimentos em atenção primária (o atendimento inicial dos pacientes) feitos pelos planos de saúde e healthtechs. A mesma pesquisa aponta que 80% dos casos dos pacientes podem ser solucionados por esse tipo de atendimento, evitando hospitalizações e exames desnecessários.

O modelo baseado na atenção primária concentra-se no cuidado ao longo da vida e não quando o paciente já está em uma fase aguda. Assim, o médico da família e comunidade é protagonista da manutenção da saúde e do bem-estar. Diante do melhor uso da rede assistencial, os beneficiários e toda a cadeia produtiva ganham com a otimização de exames e procedimentos.

O médico da família é mais do que aquele profissional que acompanha o paciente em todas as fases da vida: trata-se de um especialista em pessoas, pois possui um amplo conjunto de informações, que vão muito além dos dados exigidos para um prontuário comum.

Assim, conhece as emoções, a rotina, as dificuldades e os sonhos de cada um, com capacidade para fazer uma avaliação mais aprofundada do quadro clínico, que nem sempre requer o direcionamento para especialistas. Por manter um acompanhamento frequente, ele mesmo pode pedir exames ou apontar tratamentos de diferentes especialidades pela vasta compreensão que tem de seu paciente.

No entanto, isso não exclui o direcionamento e o trabalho em parceria com especialistas. A diferença é que, com o acompanhamento do médico da família, as pessoas são orientadas a procurá-los em situações mais complexas. A partir da necessidade de encaminhamento, os profissionais trocam informações para a realização de exames e a escolha do tratamento mais indicado para o caso em questão.

Atualmente, com base em dados divulgados pela plataforma de inovação aberta Distrito, há 747 healthtechs no Brasil. Parte delas vem investindo na oferta de atendimento primário digital a partir do médico de família e comunidade, reflexo de como a transformação digital das empresas e da sociedade tem impactado a medicina.

Segundo a Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde), desde abril de 2020, foram feitas mais de 3 milhões de teleconsultas entre as operadoras filiadas, que atendem quase 9 milhões de beneficiários no país. Pode-se dizer que o sucesso da telessaúde impulsionou não apenas o modelo de atendimento focado na atenção primária, mas também o comportamento das pessoas quanto à adoção da saúde digital.

A chegada iminente da internet 5G, aliada à Internet das Coisas (IoT) e à inteligência artificial, resultará em um salto na digitalização da saúde, com a integração de dispositivos e máquinas. Haverá maior armazenamento de dados em nuvem, mais velocidade na transmissão desses registros e eficiência no cruzamento de informações para a definição de protocolos de tratamento ainda mais precisos.

Esse movimento também impactará o setor de medicina diagnóstica a partir da realização de exames inovadores, como aqueles via telecomando, em que uma equipe opera o aparelho remotamente e especialistas trabalham no laudo e pós-laudo. Tais avanços tornarão factível a chamada Medicina 4P (preditiva, preventiva, personalizada e participativa) em um curto espaço de tempo.

As operadoras de planos de saúde caminham para esse futuro cada vez mais próximo. O envolvimento dos médicos nesse processo é fundamental para facilitar o acesso aos beneficiários e lhes proporcionar um tratamento mais completo, eficiente e humanitário.

* Renato Casarotti é presidente da Abramge (Associação Brasileira de Planos de Saúde)

Warm Up FILIS – Abramed realiza evento online com debate sobre os movimentos setoriais que estão transformando a medicina diagnóstica

Marcado para 14 de setembro, warm up também trará uma prévia das informações da nova edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico

14 de julho de 2021

Em 14 de setembro, a partir das 17h30, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) realizará o Warm Up FILIS, um encontro online com o objetivo de promover um aquecimento para a 5ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), marcada para 13 e 14 de outubro.

Com abertura de Milva Pagano, diretora-executiva da Associação, o evento trará uma apresentação inicial de Leandro Figueira, vice-presidente do Conselho de Administração da entidade. Na ocasião, Figueira apresentará uma atualização dos principais dados setoriais que compõem o Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico.

“Chegando à quinta edição, o FILIS já é reconhecido por promover debates extremamente importantes sobre o setor de saúde, com participação de palestrantes internacionais. O Warm Up trará, assim como o FILIS, lideranças do setor para discussão de temas atuais e relevantes, uma amostra ao público do que será o nosso evento em outubro”, explica Milva.

Além dos dados trazidos pelo vice-presidente da Abramed, que remontam um panorama da medicina diagnóstica nacional, o encontro também receberá parceiros e associados para um debate sobre os movimentos empresariais que vêm transformando a medicina diagnóstica.

“Temos assistido a uma grande movimentação no setor privado de saúde onde muitas fusões e aquisições vêm se concretizando, tanto na área de operadoras dos planos de saúde quanto nos vários segmentos de prestação de serviços. Nesse sentido, o setor de medicina diagnóstica também está se movimentando e para tratar de todo esse cenário, traremos ao Warm Up FILIS alguns dos agentes envolvidos nessa movimentação para discutir quais as principais estratégias adotadas”, comenta Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed. Reserve sua agenda para 14 de setembro e acompanhe-nos nas redes sociais (Instagram + Facebook + LinkedIn), pois as inscrições serão abertas em breve.

Cultura acolhedora das lideranças contribui para o crescimento das empresas

Líder deve atuar com empatia para a construção de um ambiente de confiança, visando ao bem-estar dos colaboradores

13 de julho de 2021

O líder tem papel fundamental como facilitador e tradutor da cultura organizacional para os liderados, é responsável por conduzir a equipe para atingir os objetivos da companhia. E a liderança que atua na área de saúde trabalha com algo muito valioso que é a vida das pessoas, o que traz responsabilidade ainda maior e aumenta os desafios na busca contínua por melhorias.

Como o mundo mudou, evoluiu e ficou mais dinâmico, os responsáveis por liderar as equipes nas organizações atualmente têm de ter um diferencial que pouco se via antigamente: a diversidade na era da tecnologia, em que as informações chegam de forma rápida e que os times exigem mais transparência e participação nas decisões.

“O líder do século passado, muitas vezes, era autoritário o que hoje dificilmente funciona. A liderança deve atuar com muito mais empatia e democratização do conhecimento, participação ativa das equipes e como facilitadora nos processos de trabalho”, explica Lucilene Costa, gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury e diretora do Comitê de RH da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed).

Em um cenário de pandemia, algumas características de gestão de pessoas são importantes e precisam ser valorizadas. Segundo Lucilene, diante de tanta incerteza e insegurança, o líder precisa ter humildade para assumir quando não tem as respostas e a algumas características são fundamentais para enfrentar qualquer tipo de crise.

A especialista lista como iniciativas mais importantes: a comunicação clara e realista do momento; manter a serenidade e otimismo para equipe entender que sempre haverá caminhos a serem percorridos, mas que todos estão ligados ao mesmo propósito; buscar e se apoiar em ações conforme os problemas forem surgindo; ser empático, entendo que cada um reage à crise de uma forma; não adiar decisões, mesmo que difíceis; revisar os objetivos e metas traçados anteriormente; cortar custos; e manter o olhar no longo prazo

“Enfim, é estar aberto para o novo, entender que a crise, na maioria das vezes, tira as pessoas da zona de conforto e que novas ideias surgem, assim como muitos processos precisam ser revisados”, ressalta Lucilene.

Também é preciso lembrar que o líder é humano e não um super-herói, então, diante dos problemas que afetam um colaborador ou a equipe, a gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury sugere mapear a situação, dividi-la em fases e buscar apoio de áreas especialistas, como RH, Departamento Médico, ou fóruns e grupos que tratem do tema na organização.

“As questões geralmente são deflagradas por fatores multicausais, por isso, o líder não deve apostar numa fórmula mágica. São diversos desafios e para cada um cabe uma série de ações, desde iniciativas de cuidado à saúde do colaborador até outras ações governamentais de apoio ao trabalhador, como orientação jurídica e financeira”, diz Lucilene, para quem a construção de um ambiente seguro e empático é tão importante quanto a promoção de ações de bem-estar ou o estabelecimento da confiança como base para todas as relações nas empresas.

As organizações, para a especialista, precisam dar atenção ao clima organizacional, serem claras em suas comunicações e, na medida do possível, garantir flexibilidade e autonomia ao trabalho na rotina diária.

“Essas são algumas ações práticas que podem ajudar na redução do estresse e para que as pessoas se sintam mais compreendidas e dispostas a falar sobre seus sentimentos”, afirma Lucilene.

Saúde mental

A pandemia mudou a realidade, os aspectos sociais, pessoais e a relação com o trabalho. O novo cenário fez surgir também um outro ponto de atenção aos gestores: a saúde mental dos colaboradores e como mantê-la em dia.

O acolhimento e o pertencimento nunca foram pontos tão importantes de união da gestão e da cultura empresarial nos cuidados com os aspectos emocionais e mentais dos trabalhadores.

Nesse contexto, segundo Lucilene Costa, cada indivíduo deve ser visto e entendido como biopsicossocial e o desafio para o líder está em gerir pessoas em diferentes estágios, sabendo escutar, orientar, dar feedback e apoiar de forma a tornar o indivíduo cada vez mais autônomo.

“Isso gera um ambiente agradável, sentimento de trabalho em equipe, desperta a humanidade, estimula a capacidade analítica, traz reflexões e tomadas de decisões mais assertivas. Sendo o resultado benéfico para todos”, esclarece a gerente de Saúde Corporativa do Grupo Fleury.

Para as empresas de medicina diagnóstica, que assim como outros setores da saúde também vêm tendo papel fundamental na luta contra a Covid-19, com um trabalho contínuo, equipes de forma geral se desdobrando para atender à enorme demanda de casos, e não só o volume, mas o tempo que já perdura a pandemia, o agravo para a saúde mental dos trabalhadores também tem acontecido.

“Por um lado, esses profissionais têm o propósito legítimo do cuidado e do outro, o cansaço e o estresse de também ter o incerto em sua frente, familiares em casa com medo de contaminação, perdendo entes queridos e se expondo aos riscos do dia a dia”, alerta Lucilene.

A situação dos agravos em saúde mental não é uma situação nova. A cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem divulgando o elevado número de casos de suicídio, pessoas com depressão e estresse generalizado e, por consequência, aumento no número de afastamentos previdenciários e de pessoas impossibilitadas de retornarem aos seus postos de trabalho por doenças mentais. A síndrome de Burnout (distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema relacionada ao trabalho) tornou-se uma das causas recorrentes de dias de trabalho perdidos.

“Vemos hoje alta carga horária, dupla jornada de trabalho, esgotamento físico e mental. A durabilidade da pandemia e a incapacidade do governo em estruturar políticas públicas claras e falíveis também têm gerado o esgotamento dos trabalhadores”, lamenta a especialista.

Outro obstáculo quando o tema é a saúde mental é o preconceito. Procurar um psicólogo ou um psiquiatra ainda é um tabu muito grande, mesmo dentro do setor da saúde, e isso aumenta a gravidade da doenças emocionais e mentais.

“Profissionais de saúde são educados nos bancos das universidades ou durante seus cursos técnicos a cuidar e olhar a saúde do outro, pouco consideram olhar sua própria saúde. A automedicação ou tratamento no corredor, com algum colega próximo, impera na maioria das vezes”, adverte Lucilene.

Por isso, ela afirma ser fundamental que as lideranças, frente aos problemas de saúde mental nas organizações, hajam com humanidade, entendendo que hoje o sofrimento é de determinado colaborador e amanhã pode ser deste líder.  

“A empatia é o melhor remédio para a quebra do preconceito, assim como as rodas de conversas falando sobre as fragilidades das situações e aflições que acontecem com todos, lembrando que cada pessoa é única e enfrenta as intempéries de forma particular. Então, observar a equipe, conversar, entender as fraquezas e fortalezas para apoio mútuo é a melhor forma de agir”, acredita a gerente de Saúde do Grupo Fleury.

O impacto da cultura acolhedora das lideranças, na opinião de Lucilene, é benéfico e mútuo e ainda contribui para o crescimento das empresas.

“Pensemos nas organizações como organismos vivos que cada um é uma parte do todo. Empresas que trabalham com esta cultura crescem e são duradoras. No fim todos aprendem, crescem e ganham”, destaca Lucilene.

Ela ainda salienta ser importante que as instituições conheçam seus colaboradores, avaliando o perfil demográfico, epidemiológico e cultural, para que, com olhar mais amplo para o cuidado dos seus trabalhadores, adote políticas de benefícios mais claras e coordenadas com o seu público. “A recomendação é atenção holística à saúde do colaborador”, finaliza.

11 anos de Abramed – Dedicação e fortalecimento do diagnóstico no Brasil

Entidade reúne associados que representam 56% dos exames da saúde suplementar e atua na construção da valorização da medicina diagnóstica no setor de saúde brasileiro

13 de julho de 2021

Em 14 de julho de 2021 a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) completa 11 anos de atuação em prol do setor de medicina diagnóstica no Brasil. Em mais de uma década de dedicação, a entidade acumula vitórias e enxerga que existem ainda muitos desafios pela frente. Vivenciando uma pandemia infecciosa como a de COVID-19, que torna o diagnóstico rápido e preciso ainda mais fundamental para a contenção da crise – a Associação aproveita esse momento para enfatizar ainda mais a importância do segmento para a saúde da população e a economia do país.

“A medicina diagnóstica ganhou ainda mais protagonismo no último ano. Continuamos sendo indispensáveis para a gestão da pandemia. O reconhecimento, que se tornou ainda maior quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) apontou que o melhor caminho para reduzir a disseminação do novo coronavírus era ‘testar, testar e testar’, é justo e necessário e soma-se a contribuição dos exames no monitoramento de pacientes hospitalizados para tratamento da COVID-19, assim como de pacientes portadores de outras doenças”, comenta Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Para o executivo, a crise vivenciada nos últimos meses mostrou a importância da união setorial, uma das metas da entidade. “Como associação nacional, trabalhamos para que as necessidades da medicina diagnóstica brasileira sejam identificadas e levadas aos tomadores de decisão. Buscamos, sempre, garantir que todos os nossos associados que compõem essa complexa cadeia sejam valorizados, independentemente da região em que atuam ou do público atendido”, completa.

Hoje, a Abramed reúne empresas que são responsáveis pela realização de 56% dos exames da saúde suplementar, representando o setor de forma bastante abrangente, mas muitas atendem também a área pública. “A Abramed reúne empresas com diferentes portes que atuam com diagnósticos de diferentes níveis de complexidade em todas as regiões do país. Defendemos e representamos, incansavelmente, os interesses do setor, buscando contribuir com a qualidade dos serviços prestados e a gestão da saúde”, pontua Milva Pagano, diretora-executiva.

Para compreender todos os desafios do segmento, a entidade conta com comitês específicos para entendimento de cada área, compostos por executivos das associadas que se reúnem – agora, na pandemia, virtualmente – todos os meses colocando em debate as principais notícias e buscando soluções para os entraves que surgem diante de uma economia dinâmica e instável.

Além disso, a Abramed constituiu, ao longo de todos esses anos, um excelente relacionamento com tomadores de decisão. Está presente nas principais conversas que ocorrem no âmbito legislativo e também no executivo, levando avaliações relativas a um mercado com receita bruta de mais de R$ 44 bilhões e responsável pela manutenção de 265 mil postos de trabalho.

Esses dados, inclusive, são anualmente atualizados e compilados no Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, uma publicação que traz um panorama completo da medicina diagnóstica no país. O documento é fonte de pesquisa para que empresas que atuam no setor possam enxergar o atual cenário e tomar decisões estratégicas com base em informações relevantes e atualizadas.

O reconhecimento da entidade também veio por parte da mídia. Sempre disposta a compartilhar dados e informações confiáveis sobre a medicina diagnóstica, a Abramed passou a ser fonte de informação direta para os principais veículos de comunicação do país, situação que vem se fortalecendo dia após dia e leva informações seguras e corretas aos cidadãos. “Estamos vivendo uma das piores crises de saúde no mundo e estamos totalmente dedicados para contribuir com o cuidado da população e para a superação da pandemia de COVID-19.  Comemoramos os nossos onze anos, reforçando o nosso compromisso com a saúde dos brasileiros, com as empresas responsáveis pelo diagnóstico rápido e preciso que salva vidas, e com o poder público a fim de contribuir com o acesso a serviços de qualidade”, finaliza Milva.

Confira depoimento de Wilson Shcolnik, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Cultura da saúde corporativa deve ser iniciada na alta liderança

Especialistas debateram o tema em novo episódio da série Diálogos Digitais Abramed

07 de julho de 2021

O segundo episódio da temporada 2021 de #DiálogosDigitais Abramed trouxe um tema novo para debate: Gestão da Saúde Corporativa e Medicina Diagnóstica. Moderado pela diretora-executiva da entidade, Milva Pagano, o encontro virtual recebeu Adriano Londres, empreendedor na Arquitetos da Saúde; Jacques Chicourel, head of Digital Services da Siemens Healthineers; e Fernando Akio, sênior medical manager na Procter & Gamble. Realizado dia 22 de junho e disponível para visualização no canal do YouTube da Abramed (clique AQUI para acessar), o bate-papo alavancou discussões extremamente relevantes sobre o papel das corporações na saúde populacional.

Para dar boas-vindas aos participantes, Wilson Shcolnik, presidente da Abramed, foi o responsável por abrir a sessão. “Esse é um tema importante, contemporâneo e que dá margem para muitos debates. A saúde corporativa tem ampla representação no sistema de saúde nacional e relação íntima com a medicina diagnóstica”, pontuou.

Na sequência, Milva falou um pouco sobre sua experiência nesse segmento. “Sabemos que a maior parcela dos beneficiários da saúde suplementar está em planos coletivos. E sabemos, também, que, infelizmente, grande parte dos contratantes desses planos não estão devidamente empoderados, instrumentalizados para realizar uma efetiva gestão da saúde”, declarou.

Partindo desse pressuposto, o debate foi desencadeado por Londres. “Dois terços do mercado suplementar estão em planos coletivos e precisamos fazer um corte para analisar qual perfil de empresa de fato poderia ter uma atuação mais forte”, relata enfatizando que é sabido que empresas pequenas acabam reféns do mecanismo e do mercado, deixando de cuidar da saúde de seus colaboradores até por limitação de recursos, mas que as empresas grandes poderiam – e deveriam – fazer algo mais concreto.

Questionado sobre os motivos que levam a essa apatia das corporações no que tange ao envolvimento com a saúde corporativa, o executivo mencionou que é uma questão cultural e que ainda há falta de conhecimento, o que leva a uma necessidade de capacitação dos profissionais envolvidos.

Na Procter & Gamble, quatro pilares foram apontados como estratégicos: atenção primária e cuidado com a saúde; atenção secundária e rastreamento seguido de diagnóstico precoce; atenção terciária com tratamento e reabilitação, e atenção quaternária evitando a iatrogenia.

Por lá, a cultura já foi implementada e segue priorizada, como relata Akio. “A P&G sempre pensou em saúde em todos os aspectos, tanto dos trabalhadores quanto dos consumidores. Por isso temos uma diretoria médica que responde diretamente ao CEO da companhia. Essa estrutura faz com que toda a cadeia de liderança entenda o que é saúde suplementar, quais os custos e como diferenciá-los”, afirmou.

Um dos pontos mais importantes, segundo ele, é que a cultura precisa ser implementada verticalmente, ou seja, iniciar na alta direção e seguir sendo disseminada ao longo da hierarquia total. “Não podemos educar os trabalhadores sobre o uso correto dos planos de saúde se a alta liderança não nos apoia”, esclareceu.

Milva concordou com a construção de uma cadeia de conhecimento envolvendo todos os níveis da corporação e apontou como muito eficaz a estratégia adotada pela P&G. “Se você não tem uma área de saúde reportando diretamente ao CEO, dependendo da distância entre essa área e a alta cúpula da empresa, o foco se perde”, disse.

Empoderamento do paciente

“O usuário não vê o valor da saúde suplementar”, pontuou Akio, enfatizando que o colaborador pode enxergar o plano de saúde como um “cheque em branco”. Além da conscientização, o empoderamento desse paciente se faz necessário. É o que defende Chicourel. “Precisamos enxergar a experiência e o empoderamento do paciente. Acreditamos que saúde e bem-estar vêm do acesso e desse empoderamento”.

Para Milva, até mesmo a nomenclatura “paciente” se mostra equivocada quando o assunto é colocá-lo no centro da atenção. “O nome ‘paciente’ nos coloca em uma posição de passividade. Porém as pessoas estão e devem estar cada vez mais empoderadas ao autocuidado, ao conhecimento. E é por isso que precisamos investir cada vez mais em educação e conscientização. Aqui vemos, novamente, a importância das empresas empregadoras educando seus colaboradores”, completou.

Medicina Diagnóstica

A medicina diagnóstica tem papel fundamental dentro do contexto da saúde corporativa, atuando principalmente na prevenção. “Em nossa carteira, os custos com exames são em torno de 16%”, disse Akio sobre como a P&G enxerga os investimentos em exames laboratoriais e de imagem. “Entendemos que exames de rastreamento são investimento. Vamos diagnosticar de forma precoce para iniciar mudanças no estilo de vida ou, em caso de algum diagnóstico, terapias rápidas para que a doença não se agrave”, complementou.

O debate abordou também a eficiência da saúde, mencionando inclusive os conceitos de overuse e underuse, respectivamente quando há uma solicitação extra de exames e quando há a ausência de exames que se fazem necessários e importantes para o cuidado. “O problema não está na realização dos exames, os testes preventivos são necessários. O problema está, muitas vezes, na solicitação incorreta”, disse Akio.

Interoperabilidade e compartilhamento de dados

Assim como em outros setores da saúde, a interoperabilidade surge como desafio. “Como fazer com que as informações das redes de laboratórios fiquem mais acessíveis?”. O questionamento feito pelo executivo da P&G foi lançado para os outros participantes.

Chicourel concorda que essa é uma área que precisa de movimentação ágil. “Como compartilharemos os dados gerados pelos prestadores e pela empresa de maneira simples, para que o colaborador não precise carregar um monte de documentos, exames, papeis em suas consultas, é assunto complexo”, declarou. Para ele, a tecnologia está pronta para contribuir e viabilizar esse acesso aos dados.

“Vemos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) como um grande marco no tratamento dos dados da saúde do ponto de vista externo, porém nos questionamos como as informações serão armazenadas. Como daremos, ao paciente, o poder de acesso às suas informações e, de maneira consciente, dar consentimento para que outro provedor possa visualizá-las? Tudo isso está envolto nas plataformas de saúde digital”, afirmou ao trazer, para o debate, um exemplo da Áustria onde uma plataforma foi instalada para padronizar todo o sistema de saúde, fazendo com que o paciente tivesse acesso a qualquer informação de qualquer lugar.

Concluindo a temática, Milva pontuou que a navegação do paciente através dos dados é, de fato, um desafio enorme. “Seja na esfera pública, seja na privada, as informações seguem espalhadas em cada player”, afirmou.

Envolvimento de todos os players para sustentabilidade

Na visão de Londres, mais do que sustentabilidade, é preciso buscar eficiência. “Precisamos ver que cuidar da saúde é o melhor caminho. Abandonamos a percepção da prevenção, da relação próxima entre médico e paciente, da atenção primária como orquestradora do ciclo de cuidado”, disse. Para ele “cuidar de saúde pode dar muito lucro”, o que estimularia uma visão mais consolidada entre todos os players, das operadoras às empresas contratantes.

“Todos os elos da cadeia estão correndo nessa direção, mas é um movimento que leva tempo”, completou ao falar sobre a mudança nos modelos de remuneração, permitindo o pagamento pelo desfecho positivo, e não pela quantidade de procedimentos realizados.

Na P&G, por exemplo, há uma parceria muito próxima entre a empresa e a operadora de saúde contratada. “A gente trabalha em conjunto com a operadora. Tudo o que vamos decidir, eles participam. Assim como nosso vínculo com os fornecedores de serviços de checkup médico, educação física, nutrição e etc”, comentou Akio.

Por fim, os participantes concordaram que esse é um mundo em construção, que depende do empenho e da motivação conjunta de todos os elos da complexa cadeia de saúde, para que as empresas empregadoras possam investir na saúde corporativa, garantindo times mais saudáveis, motivados e tendo, como retorno, um investimento mais eficaz e um retorno ainda mais próspero.

Confira o segundo episódio dessa temporada de #DiálogosDigitais Abramed na íntegra clicando AQUI.