Abramed fortalece articulação internacional da medicina diagnóstica no ADLM 2026

Como uma das entidades organizadoras da 3ª Missão Brasileira, a entidade participou de uma agenda de conteúdo científico, articulação internacional e visitas técnicas nos Estados Unidos

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) integrou a organização da 3ª Missão Brasileira no ADLM 2026, realizada entre 27 e 30 de julho, na Califórnia, nos Estados Unidos. Representada por Lidia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração, a entidade participou da iniciativa liderada pela Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), voltada a ampliar a presença institucional do setor brasileiro e o intercâmbio com referências internacionais da medicina laboratorial.

A Missão ocorreu durante o ADLM, o maior congresso mundial do segmento laboratorial, promovido pela Association for Diagnostics & Laboratory Medicine, em Anaheim. Com mais de 250 atividades educacionais e a participação de mais de 700 empresas, a edição reuniu especialistas de diferentes países para debater inovações em exames laboratoriais e diagnóstico clínico. 

Na abertura, representantes de entidades brasileiras e internacionais dividiram o palco. Paul Jannetto, presidente da ADLM 2026, e Stan Lo, presidente eleito da organização, deram as boas-vindas aos participantes, ao lado de Carlos Gouvêa, presidente executivo da CBDL. Fúlvio Facco, presidente do Conselho de Administração da entidade, destacou a união dos stakeholders brasileiros naquele momento.

Lidia Abdalla defendeu uma agenda consistente junto às agências reguladoras, voltada às políticas públicas e ao fortalecimento da medicina laboratorial. “Estamos aqui buscando, cada vez mais, qualidade, melhor assistência, segurança do paciente em um setor que passa por grandes transformações”, afirmou durante a abertura.

Representantes de outras entidades também subiram ao palco. Leonardo Vasconcellos, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), associou o laboratório atual à gestão de big data e citou a Inteligência Artificial como tema central do congresso da própria sociedade neste ano.

Maria Elizabeth Menezes, da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), tratou da regulação do setor e do papel dos pequenos e médios laboratórios no acesso da população ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Ainda na noite de abertura, a sessão científica seguiu com dois painéis dedicados a mostrar como o diagnóstico avança do exame à inteligência integrada em saúde e a debater a interoperabilidade e a necessidade de padrões comuns para o uso de IA na rotina laboratorial. 

A contribuição institucional da Abramed para essas agendas foi ressaltada durante os debates. Rafael Jácomo, do Grupo Sabin, citou uma colaboração da Associação com a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), do Ministério da Saúde, entre as iniciativas em curso no país para ampliar a integração das informações em saúde. Linaldo Vilar, da Dasa, também destacou o papel da entidade no avanço de iniciativas de interoperabilidade. 

Imersão em operações de referência

Nos demais dias, a Missão seguiu para San Juan Capistrano, na Califórnia, para uma visita técnica exclusiva ao campus da Quest Diagnostics, associada da Abramed no Brasil. A delegação brasileira acompanhou uma operação que funciona 24 horas por dia, recebe mais de 100 mil requisições diárias e processa hoje mais de 80% dos exames de apoio enviados do Brasil para a Quest Diagnostics.

Os participantes tiveram contato com áreas como biologia e genética molecular, doenças infecciosas, espectrometria de massas, hematologia, oncologia, química clínica e sorologia. A experiência mostrou como automação, gestão da informação e diferentes competências laboratoriais podem ser articuladas em uma operação de grande escala.

O encerramento ocorreu em 30 de julho, com uma visita técnica à Hologic, em San Diego, um dos principais centros mundiais de inovação voltados à saúde da mulher e ao diagnóstico molecular. A delegação conheceu suas plataformas, a linha de manufatura da empresa e o Centro de Inovação, que reúne tecnologias de citologia digital e inteligência artificial aplicada ao rastreamento do câncer.

Cooperação que ultrapassa o congresso

Além da agenda científica e técnica, a Missão também aproximou o Brasil de outras entidades internacionais. Tomris Özben, presidente da International Federation of Clinical Chemistry and Laboratory Medicine (IFCC), esteve presente, reforçando a conexão global da medicina laboratorial. A agenda internacional também incluiu a discussão de uma possível cooperação com Debi Boeras para cursos sobre resistência aos antimicrobianos (RAM), envolvendo CBDL, SBAC, SBPC/ML, Abramed e outras entidades.

Para as próximas edições, a organização já projeta um modelo permanente de relacionamento entre entidades brasileiras e ADLM.

A experiência reforça uma agenda que seguirá além do congresso: criar condições para que inovação e novas tecnologias possam ser incorporadas à medicina diagnóstica com qualidade, segurança e previsibilidade, conectadas às necessidades do cuidado e aos desafios do sistema de saúde brasileiro.