Abramed é destaque no LabNetwork com lançamento de cartilha sobre NR-1 e riscos psicossociais no trabalho

Matéria apresenta o novo guia da entidade, desenvolvido para apoiar serviços de medicina diagnóstica na implementação das exigências da NR-1.

O portal LabNetwork destacou o lançamento da Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho, desenvolvida pela Associação para orientar serviços de medicina diagnóstica na adequação às mudanças introduzidas pela Portaria MTE nº 1.419/2024. Em vigor desde maio de 2026, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a exigir que as empresas identifiquem, avaliem e implementem medidas preventivas para os riscos psicossociais relacionados à organização do trabalho e às relações interpessoais.

Desenvolvida ao longo de aproximadamente um ano e meio de debates conduzidos pelo Comitê de Recursos Humanos da Abramed, a cartilha contou com a contribuição de especialistas em medicina do trabalho, direito e ergonomia.

A reportagem também destaca um dos principais diferenciais da solução: a adoção de uma abordagem flexível, que não estabelece uma metodologia única para avaliação dos riscos psicossociais, permitindo que cada organização adapte as orientações à sua realidade operacional, considerando fatores como porte, estrutura e contexto de atuação, em consonância com as discussões conduzidas no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Confira a matéria completa no LabNetwork.

Abramed participa de publicação do JOTA sobre avanço da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial 

Entidade reforça a importância da PNDL para fortalecer a integração entre os setores público e privado e ampliar o acesso ao diagnóstico laboratorial no país.

A Abramed participou de publicação do JOTA sobre a tramitação do Projeto de Lei nº 5.478/2025, que propõe a criação da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL). A matéria aborda as perspectivas para votação da proposta, que já conta com regime de urgência aprovado na Câmara dos Deputados e busca fortalecer a parceria entre a rede privada e o Sistema Único de Saúde (SUS) na realização de exames laboratoriais.

No material, a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, avalia que o projeto reúne condições para avançar ainda este ano, já que a construção do texto ocorreu de forma consensual entre entidades representativas do setor e o relator da proposta, deputado Dr. Ismael Alexandrino, além de ter recebido boa receptividade pelo Ministério da Saúde.

Para a Abramed, a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial representa um passo importante para estruturar o diagnóstico laboratorial no país, promovendo maior integração entre os sistemas público e privado, segurança jurídica e previsibilidade para a organização da rede assistencial.

O conteúdo completo está disponível para assinantes do JOTA PRO.

FILIS chega à 10ª edição transformando debates em propostas para a saúde 

Ao completar uma década, o Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) reunirá dirigentes, executivos e autoridades para transformar os principais desafios do setor em pautas propositivas para a saúde brasileira.

No dia 26 de agosto, o Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Abramed, reunirá líderes da saúde para tratar dos próximos passos do setor diante das escolhas que a transformação da saúde impõe. Como incorporar a inteligência artificial sem abrir mão da segurança? Como fortalecer a governança em organizações que precisam, ao mesmo tempo, inovar e garantir sua sustentabilidade? Como construir um ambiente regulatório capaz de acompanhar a velocidade das mudanças?

Essas são algumas das questões que marcarão a 10ª edição do FILIS, realizada no Teatro Santander, em São Paulo. A nova casa acompanha o crescimento do fórum e marca os dez anos de um encontro que aproxima diferentes setores e transforma os desafios da saúde em pautas propositivas.

“O FILIS é, acima de tudo, um espaço de construção conjunta. A cada edição, reforçamos nosso compromisso em fomentar discussões e iniciativas que impulsionam a medicina diagnóstica. O Diagnóstico 5.0 não é apenas uma visão, mas um caminho que estamos trilhando coletivamente para um sistema centrado no paciente”, afirma Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Com o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, a programação foi organizada em quatro eixos que se complementam: Regulação, Valor da Medicina Diagnóstica, ESG e Inteligência Artificial.

A programação começa às 8h, com o credenciamento. A abertura institucional, às 9h, será conduzida por Cesar Nomura e Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Regulação – segurança regulatória, inovação e sustentabilidade na saúde

O eixo Regulatório abre a programação com foco na regulação sanitária da medicina diagnóstica. As normas que estabelecem os requisitos para o funcionamento dos serviços precisam acompanhar a evolução das práticas e dos processos do setor, com atenção à gestão dos riscos sanitários, à qualidade e à segurança do paciente.

O primeiro debate abordará “Regulação, inovação, agenda regulatória e os impactos para a medicina diagnóstica”, com moderação de Cesar Nomura. Participam Fernando Ganem, CEO do Hospital Sírio-Libanês; Henrique Neves, diretor-geral do Einstein Hospital Israelita; e Julio Vieira, CEO do Hcor e membro do Conselho Fiscal da Abramed.

A programação continua com o debate “Regulação, segurança e qualidade dos serviços oferecidos”. Estão confirmados Rafael Lucchesi, CEO da Dasa; Jeane Tsutsui, CEO do Grupo Fleury; e Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin.

Após os painéis, acontece o primeiro Leaders Connection da programação, intervalo dedicado ao networking executivo e à aproximação entre os participantes.

Valor da Medicina Diagnóstica – dados, precisão e valor na jornada do paciente

No segundo eixo, o valor da medicina diagnóstica é abordado a partir de seu principal propósito: apoiar decisões clínicas mais precisas, qualificar a assistência e fortalecer a segurança do paciente ao longo de toda a jornada de cuidado.

O debate sobre o tema será moderado por Lídia Abdalla, com participação de Daniel Greca, diretor de Novos Negócios de Saúde do Hospital Sírio-Libanês, e Bruno Sobral de Carvalho, diretor-executivo da FenaSaúde.

Após o almoço, a programação será retomada às 14h25 com a entrega do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece profissionais que contribuem para o desenvolvimento da medicina diagnóstica e de todo o setor da saúde.

ESG – governança, ética e compliance como pilares da sustentabilidade institucional

A transformação da saúde não depende apenas da tecnologia que as organizações incorporam. Depende também da qualidade das decisões, dos critérios adotados, da gestão de riscos e da capacidade de conciliar inovação, ética e responsabilidade institucional.

Por isso, o eixo ESG abordará o papel da governança na construção de organizações mais transparentes, resilientes e preparadas para responder a um ambiente marcado por novas tecnologias, mudanças regulatórias e expectativas crescentes da sociedade.

Ives Gandra, advogado, professor, escritor e conferencista, participará do eixo com uma reflexão sobre governança e ética e sua importância para a solidez e a perenidade das instituições.

Em outro momento, serão apresentados os indicadores do Caderno ESG Abramed, que reúnem dados das associadas nos três pilares do ESG — ambiental, social e governança — e evidenciam a contribuição dessas empresas para o avanço de práticas mais responsáveis, éticas e sustentáveis na medicina diagnóstica.

Às 15h55, o segundo Leaders Connection abrirá mais um espaço para relacionamento e troca direta entre os participantes.

Inteligência Artificial – IA como estratégia para eficiência e qualidade na saúde

O último eixo do FILIS será dedicado à inteligência artificial, aos dados e às plataformas digitais. O Momento Transformação apresentará o case “OpenCare Interop”, projeto do InovaHC voltado à interoperabilidade. A apresentação será conduzida por Felipe Grecco, diretor de Relacionamento e Planejamento Comercial da Trillia, e Marco Bego, diretor-executivo do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e diretor de Inovação do InovaHC.

Na sequência, Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions, apresentará a palestra internacional “Como IA, plataformas digitais e dados estão transformando a medicina diagnóstica”. A participação trará ao FILIS uma visão global sobre as mudanças já em curso e as condições necessárias para que a tecnologia gere valor na prática.

Com o tema “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”, o debate deste eixo reunirá diferentes perspectivas sobre o uso dessas ferramentas, sob moderação de Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Participam, além de Moritz Hartmann, Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud, e Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC).

O painel encerrará a programação de conteúdo, conectando a tecnologia aos demais eixos do FILIS. “Os blocos temáticos do FILIS 2026 mostram como regulação, valor, governança e inteligência artificial se complementam na construção de um ecossistema de saúde mais eficiente e ético. Nosso objetivo é transformar conhecimento em decisões capazes de impulsionar o setor”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

O encerramento será conduzido por Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa.

“Essa construção de pautas propositivas só é possível porque quem participa do FILIS também toma decisões no dia a dia. O fórum não é um encontro sobre o futuro da saúde. É um encontro de quem constrói esse futuro”, afirma Milva Pagano.

Ao completar dez anos, o FILIS reafirma sua vocação de antecipar pautas, aproximar diferentes setores e transformar conhecimento em propostas para a saúde brasileira. Se, nas primeiras edições, o desafio era identificar tendências, hoje o fórum amplia essa missão ao articular diferentes perspectivas e transformar inovação em valor para pacientes, organizações e todo o sistema de saúde.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

Diálogo e decisões estratégicas orientam a agenda da saúde no segundo semestre 

Definições regulatórias e a aproximação das eleições exigirão  articulação entre entidades, reguladores e formuladores de políticas públicas para manter o avanço de pautas estruturantes. 

Com a aproximação das eleições, a agenda pública tende a ser marcada por pautas de maior apelo eleitoral, enquanto discussões técnicas e estruturantes podem perder espaço no debate legislativo.

Para a saúde, esse cenário representa um desafio. Temas como regulação, sustentabilidade, transformação do modelo assistencial e governança continuam essenciais e exigirão articulação entre entidades representativas, reguladores e poder público para avançar.

Um tema que deve permanecer na pauta é o Projeto de Lei nº 2.338/2023, que propõe o marco regulatório da inteligência artificial no Brasil. A regulamentação precisa garantir transparência, segurança, supervisão humana e responsabilização, sem impedir o desenvolvimento de ferramentas capazes de apoiar profissionais, qualificar processos e ampliar a capacidade assistencial.

Aprovada pelo Senado e em análise na Câmara dos Deputados, a proposta aguarda parecer na comissão especial e seguirá demandando atenção do setor.

Outro ponto relevante é a Agenda Regulatória 2026–2028 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O planejamento estabelece 14 pautas prioritárias, organizadas em três eixos: proteção dos beneficiários; qualidade do cuidado e transformação assistencial; e sustentabilidade, dados e governança da informação. Entre os assuntos previstos estão o aprimoramento das regras para reajustes coletivos, portabilidade e reembolsos.

Embora muitas dessas iniciativas não sejam direcionadas especificamente à medicina diagnóstica, elas influenciam o ambiente regulatório da saúde suplementar e ajudam a definir as condições para o desenvolvimento do setor nos próximos anos.

“Acompanhar e influenciar esse processo é essencial. Projetos estruturantes não podem depender apenas de questões circunstanciais, e o papel do setor é garantir que o debate técnico aconteça no momento certo e com a profundidade necessária”, avalia Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

A saúde no debate eleitoral

Ao longo do semestre, propostas relacionadas ao financiamento do sistema, à transformação do modelo assistencial, ao acesso e à integração entre os sistemas público e privado devem ganhar espaço nas conversas com candidatos, partidos e formuladores de políticas públicas.

Por estar presente em diversas etapas da jornada do paciente e por conectar o Sistema Único de Saúde (SUS) e a saúde suplementar, a medicina diagnóstica contribui para aproximar diferentes players em torno de desafios que ultrapassam as fronteiras de cada segmento.

Esse período também amplia a responsabilidade das entidades representativas de levar dados, evidências e conhecimento técnico ao debate público, contribuindo para que a saúde seja tratada como uma política estratégica para o desenvolvimento social e econômico do país, e não apenas sob a perspectiva das demandas imediatas.

A Abramed amplia o diálogo e a produção de conhecimento

Os próximos meses reúnem algumas das principais iniciativas da Abramed. Entre elas está a 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), marcada para 26 de agosto.

O encontro reunirá reguladores, gestores e lideranças empresariais para debater temas estratégicos e transformar as discussões em propostas para os desafios e as oportunidades dos próximos anos da saúde brasileira.

“Como costumo dizer, somos vasos comunicantes. Saúde pública, saúde suplementar, reguladores e setor produtivo precisam caminhar de forma integrada. É essa habilidade de construir soluções em conjunto que permitirá à medicina diagnóstica manter sua capacidade de adaptação”, pontua Cesar Nomura.

O FILIS também será o principal momento de divulgação dos dados da 8ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico. A publicação será lançada na noite anterior, durante um jantar exclusivo para convidados, e reunirá os indicadores mais recentes das empresas associadas, acompanhados de análises sobre os resultados apurados.

A agenda do segundo semestre contará ainda com o Simpósio ESG Abramed, que aprofundará temas como responsabilidade ambiental, sustentabilidade econômica, governança e qualidade assistencial, cada vez mais relevantes para a gestão das organizações de saúde.

Na ocasião, a associação lançará, pela primeira vez em edição independente, o Caderno ESG Abramed. Até então, os indicadores e as iniciativas de sustentabilidade integravam o Painel Abramed. A realização de um simpósio e a criação de uma publicação dedicados ao tema refletem o amadurecimento dessa agenda na associação e no setor.

Essas iniciativas reforçam a relevância da medicina diagnóstica nos debates que influenciam a saúde brasileira. Diante das definições regulatórias e das articulações que antecedem um novo ciclo político, o setor precisará levar dados, conhecimento técnico e propostas aos espaços em que as decisões são construídas.

Nova lei amplia o papel das empresas na promoção do diagnóstico

Ao incentivar ações de conscientização sobre vacinação e  rastreamento, a legislação reforça a prevenção e fortalece a presença da medicina diagnóstica nas estratégias corporativas de promoção da saúde. 

A Lei nº 15.377/2026 reforça uma das principais contribuições da medicina diagnóstica para a saúde: o diagnóstico precoce. Ao ampliar o papel das empresas na conscientização sobre vacinação e rastreamento de doenças, a legislação fortalece a prevenção e incentiva a incorporação de exames laboratoriais e de imagem às estratégias permanentes de promoção da saúde.

Essa abordagem favorece a identificação de doenças em fases iniciais, etapa em que as possibilidades de sucesso terapêutico são maiores e os impactos clínicos e econômicos tendem a ser menores.

A efetividade dessa estratégia já encontra respaldo na literatura científica. Revisão sistemática publicada em 2024 na revista BMC Cancer concluiu que programas de rastreamento realizados no ambiente de trabalho aumentam a adesão aos exames e fortalecem a cultura da detecção precoce, com diversos estudos registrando crescimento superior a 30% na participação dos trabalhadores.

A importância de ampliar estratégias de diagnóstico precoce também é reforçada pelos dados epidemiológicos. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano no triênio 2026-2028. Entre eles estão cânceres de mama, próstata e colo do útero, além daqueles relacionados ao HPV, todos contemplados pelas ações de conscientização previstas na nova legislação.

Como a norma se aplica a todas as empresas com empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), independentemente do porte ou segmento de atuação, o potencial de alcance é amplo e distribuído por todo o país, incluindo organizações que historicamente não contam com programas estruturados de promoção da saúde.

O que muda na prática

A nova lei, em vigor desde sua publicação (6 de abril de 2026), inclui o artigo 169-A na CLT e determina que os empregadores disponibilizem aos colaboradores informações sobre campanhas oficiais de vacinação, o papilomavírus humano (HPV) e os cânceres de mama, colo do útero e próstata, em conformidade com as orientações do Ministério da Saúde. Mais do que informar, a norma estabelece que as organizações promovam ações de conscientização e orientem os trabalhadores sobre o acesso aos serviços de diagnóstico.

O artigo 473 da CLT também passa a prever expressamente que o empregador informe aos trabalhadores sobre o direito de se ausentar do trabalho para vacinação e exames preventivos previstos na legislação. O benefício, de até três dias por ano sem prejuízo da remuneração, já existia, mas passa a contar com previsão expressa de comunicação ao empregado.

Embora a lei não determine como essa comunicação deverá ser realizada nem obrigue a contratação direta de serviços diagnósticos, ela cria condições para que laboratórios e redes de diagnóstico atuem como parceiros das organizações na implementação de programas de conscientização. Convênios corporativos, campanhas de rastreamento, iniciativas em conjunto com operadoras de saúde e modelos de encaminhamento facilitado passam a representar possibilidades de atuação alinhadas às novas diretrizes.

“O diagnóstico precoce depende de informação, acesso e conscientização. Quando esses elementos passam a integrar a rotina das organizações, ampliam-se as oportunidades para que os exames cumpram seu papel de apoiar decisões clínicas mais precoces e contribuir para melhores desfechos em saúde”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Segundo ela, mais do que atender a uma exigência legal, essa é uma oportunidade para fortalecer a cultura da prevenção e ampliar a geração de valor proporcionada pela medicina diagnóstica, aproximando empresas, profissionais de saúde e pacientes em torno de um cuidado mais estruturado, eficiente e sustentável.

Um debate estratégico para a saúde

A valorização da medicina diagnóstica como elemento estratégico para a tomada de decisão clínica e para a sustentabilidade do sistema de saúde está no centro das transformações discutidas pelo setor.

Esse é um dos pilares do eixo Valor da Medicina Diagnóstica, que integra a programação do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed, em 26 de agosto, em São Paulo.

Sob o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, o fórum discutirá como a medicina diagnóstica gera valor ao apoiar modelos assistenciais mais eficientes, orientar decisões clínicas mais precisas e contribuir para melhores desfechos e para a sustentabilidade da saúde.

Para adquirir seu ingresso e participar, acesse: https://www.abramed.org.br/filis/

A transformação da saúde será tão sólida quanto suas instituições 

Quando o futuro da saúde entra em debate, as atenções se voltam rapidamente para novas tecnologias, Inteligência Artificial, uso de dados e modelos assistenciais. São mudanças relevantes, mas a transformação do setor depende das organizações responsáveis por incorporá-las à prática e convertê-las em benefícios para pacientes e para o sistema de saúde. 

Essa capacidade está relacionada à qualidade da gestão, à clareza das decisões e à forma como cada instituição se prepara para responder a riscos, pressões e mudanças. Uma organização pode apresentar bons resultados em determinado período e, ainda assim, não estar preparada para atravessar transformações regulatórias, econômicas, tecnológicas ou sociais. 

Na saúde, a sustentabilidade institucional envolve uma responsabilidade adicional. As decisões tomadas pelas organizações repercutem no cuidado das pessoas, na proteção de dados sensíveis, nas condições de trabalho, na relação com profissionais, fornecedores, fontes pagadoras, órgãos reguladores e toda a sociedade. Por isso, a perenidade dos negócios não pode ser separada da ética, da integridade e da confiança. 

É nesse campo que governança, compliance e liderança se encontram. A governança estabelece como as decisões serão tomadas, quais informações deverão fundamentá-las, quem acompanhará seus resultados e quem responderá por suas consequências. O compliance ajuda a identificar riscos, cumprir obrigações e prevenir condutas capazes de comprometer a organização. A ética orienta escolhas diante de interesses distintos e de situações para as quais a norma nem sempre oferece uma resposta completa. 

Esses elementos precisam estar presentes nas decisões reais da organização. Eles influenciam a definição de metas, a aprovação de investimentos, a contratação de parceiros, a condução das relações institucionais, o tratamento de conflitos de interesses e a resposta a falhas ou desvios. 

A gestão de riscos também ganha relevância nesse processo. Identificar ameaças com antecedência permite que a organização se prepare para mudanças regulatórias, incidentes de segurança, crises reputacionais, descontinuidades operacionais e outros acontecimentos que podem afetar sua capacidade de prestar serviços. O risco precisa fazer parte das discussões estratégicas e das decisões de investimento, expansão e inovação. 

A liderança tem uma responsabilidade direta na construção desse ambiente. A cultura de uma organização é formada pelos comportamentos que suas lideranças estimulam, reconhecem, toleram ou corrigem. Códigos de conduta, políticas internas, treinamentos e canais de denúncia são indispensáveis, mas sua credibilidade depende da coerência entre as orientações formais e as atitudes observadas no cotidiano. 

Quando profissionais encontram segurança para comunicar dúvidas e inadequações, os problemas podem ser identificados antes de ganhar proporções maiores. Quando as respostas são consistentes e os critérios são conhecidos, a integridade deixa de ficar restrita aos documentos e passa a orientar a rotina. 

Essa coerência também influencia a reputação. Na medicina diagnóstica, a confiança é construída na qualidade dos resultados, na confidencialidade das informações, na segurança dos processos e na transparência das relações. Ela pode levar anos para se consolidar e ser comprometida por uma única decisão conduzida sem os cuidados necessários. 

A reputação, portanto, deve ser compreendida como um ativo estratégico. Ela interfere na relação com pacientes, profissionais, parceiros, órgãos públicos e reguladores. Também influencia a capacidade de atrair talentos, estabelecer parcerias, incorporar inovações e manter relações duradouras. 

No debate sobre o Diagnóstico 5.0, essas dimensões estão conectadas. A regulação estabelece limites e responsabilidades para a atuação do setor. A sustentabilidade econômica oferece condições para que as organizações continuem investindo, gerando empregos e prestando serviços. A governança orienta como os recursos serão utilizados e como as decisões serão conduzidas. Ética e compliance preservam a integridade desse percurso. 

Nenhuma organização consegue antecipar todas as mudanças que alcançarão a saúde nos próximos anos. É possível, contudo, preparar estruturas de decisão, formar lideranças, fortalecer a cultura interna e desenvolver capacidade para identificar riscos e responder a eles. 

Essa reflexão fará parte do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, em São Paulo, sob o tema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”. Ao discutir os caminhos do setor, o fórum propõe uma questão necessária: que organizações estamos construindo para conduzir essa transformação? 

O futuro da medicina diagnóstica não será definido somente pelos avanços que o setor conseguir incorporar. Também dependerá da solidez, da integridade e da confiança das instituições responsáveis por transformá-los em cuidado. 

Milva Pagano 

Diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

O desafio de regular uma saúde em transformação sem perder segurança

Enquanto novas tecnologias transformam a medicina diagnóstica,  reguladores, empresas e profissionais de saúde trabalham para  construir regras que garantam qualidade, segurança e previsibilidade. 

Nunca a inovação avançou tão rapidamente na saúde. Ferramentas de inteligência artificial apoiam médicos na interpretação de exames, identificam padrões associados a doenças, ampliam o uso da medicina personalizada e, juntamente com a integração de dados, tornam a jornada do paciente mais conectada.

Ao mesmo tempo em que essas transformações ampliam a capacidade diagnóstica e tornam o cuidado mais preciso, elas desafiam um modelo regulatório historicamente construído para um ritmo muito mais lento.

Tecnologias digitais evoluem em meses, enquanto processos regulatórios, modelos de incorporação e adaptações normativas costumam demandar anos. Esse descompasso reforça a necessidade de um diálogo permanente entre os diferentes atores do ecossistema da saúde.

Em áreas como a medicina diagnóstica, na qual aproximadamente 70% das decisões clínicas são apoiadas por exames, esse equilíbrio torna-se ainda mais necessário. Mais do que impor exigências, a regulação tem papel essencial para garantir que novas tecnologias cheguem à população com qualidade, segurança, previsibilidade e responsabilidade.

Como o Brasil começa a responder

Em fevereiro deste ano, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, estabelecendo regras para o uso de inteligência artificial na prática médica. A norma formaliza que a IA atua como ferramenta de apoio, mas a responsabilidade final pelas decisões clínicas permanece com o médico. Transparência, rastreabilidade e supervisão humana passam a ser requisitos inegociáveis.

Apesar de importante, esse marco também revela o tamanho do desafio que ainda está pela frente. A Anvisa trabalha na revisão de sua regulamentação para softwares médicos, buscando incluir conceitos como o de algoritmo adaptativo — sistemas que continuam aprendendo e evoluindo após a aprovação.

Esse é um dos pontos mais críticos, visto que a lógica regulatória tradicional foi construída para produtos estáticos. Para tecnologias que se modificam continuamente com o uso, esse modelo ainda precisa ser reinventado.

“Diante do ritmo acelerado da inovação em saúde, não considero suficiente escolher entre velocidade e segurança, mas construir uma regulação adaptativa, baseada em risco e em evidências, capaz de evoluir junto com a inovação”, avalia Wilson Shcolnik, membro do Conselho de Administração da Abramed.

Para ele, nem toda inovação representa o mesmo potencial de dano. Tecnologias de maior impacto sobre decisões clínicas, como sistemas de inteligência artificial para diagnóstico, devem ser submetidas a exigências mais rigorosas do que soluções administrativas ou de apoio.

“Uma regulação adaptativa, em vez de normas de longa duração, que permitam revisões periódicas, atualização contínua e incorporação rápida de novas evidências científicas e sandboxes regulatórios, onde existam ambientes controlados para empresas e instituições testarem novas tecnologias sob supervisão do regulador, também seriam bem-vindos”, completa.

Interoperabilidade e dados: o próximo desafio regulatório

A integração de dados clínicos apresenta dilema semelhante. A interoperabilidade entre sistemas reduz repetições desnecessárias, acelera decisões médicas e melhora a utilização dos recursos disponíveis. Contudo, essa circulação de informações exige critérios bem definidos de governança, proteção de dados e padronização, algo que o ambiente regulatório ainda está construindo.

O PL 2.338/2023, que cria o marco legal de inteligência artificial no Brasil, ainda tramita no Congresso. Enquanto isso, empresas que precisam decidir sobre investimentos em sistemas de IA operam sem clareza sobre as obrigações que serão impostas, o prazo de adequação e a autoridade responsável pela fiscalização. Para o setor diagnóstico, essa incerteza tem custo.

Wilson Shcolnik reforça que o setor privado de medicina diagnóstica não deve ser apenas destinatário da regulação; ele tem uma responsabilidade ativa na sua construção. Em áreas de rápida evolução tecnológica, uma regulação eficaz depende do diálogo permanente entre reguladores, prestadores de serviços, indústria, academia, sociedades científicas e representantes dos pacientes.

Nesse sentido, o membro do Conselho de Administração da Abramed destaca que a atuação da entidade nas discussões regulatórias ocorre de forma técnica, transparente e orientada pelo interesse público, contribuindo para a construção de normas que conciliem inovação, segurança e qualidade assistencial.

Regulação como o motor da inovação

A experiência internacional mostra que marcos regulatórios claros aceleram a inovação ao reduzir a insegurança jurídica, aumentar a confiança de médicos e pacientes e criar condições para que boas tecnologias cheguem ao mercado.

Esses temas estarão na agenda do FILIS 2026 — Fórum Internacional de Lideranças da Saúde. Na sua 10ª edição, o fórum reúne o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde” e organiza os debates em quatro eixos complementares ao longo do dia.

O Eixo Regulatório abre a programação discutindo como construir um ambiente capaz de acompanhar a velocidade das transformações na saúde sem abrir mão da inovação, da segurança e da sustentabilidade. Na sequência, o Eixo Valor da Medicina Diagnóstica mostrará como dados e precisão diagnóstica contribuem para modelos assistenciais mais eficientes e orientados a desfechos.

Para adquirir o seu ingresso e participar, acesse www.abramed.org.br/filis.

Confiança será o principal ativo da saúde digital 

À medida que a transformação digital avança, a confiança passa a depender da forma como organizações de saúde protegem dados, comunicam suas decisões e utilizam novas tecnologias.

Inteligência Artificial e automação de processos ampliam a capacidade de gerar informações, apoiar decisões clínicas e tornar a assistência mais eficiente. Mas, à medida que essas tecnologias ganham espaço, cresce um desafio igualmente importante: garantir que elas sejam confiáveis.

Na saúde, inovar não significa apenas desenvolver novas soluções. Diferentemente de outros setores, em que eventuais falhas podem representar prejuízos financeiros ou operacionais, um dado inconsistente, um algoritmo pouco transparente ou uma informação sem rastreabilidade podem comprometer diagnósticos, tratamentos e a própria segurança do paciente.

A medicina diagnóstica está entre os segmentos que mais incorporam novas tecnologias e, por isso, enfrenta o desafio de equilibrar inovação e governança. Dados sensíveis circulam em plataformas cada vez mais integradas, algoritmos auxiliam profissionais na interpretação de exames e automações tornam processos mais ágeis e precisos.

Por isso, antes de falar em Inteligência Artificial preditiva ou telemedicina avançada, é preciso lembrar que existe um alicerce para toda essa transformação: a confiança. Sem ela, a inovação perde legitimidade, encontra barreiras para ganhar escala e pode gerar resistência, riscos regulatórios e perda de credibilidade entre pacientes, profissionais de saúde e fontes pagadoras.

Nesse contexto, a construção da confiança não depende apenas da tecnologia. A forma como as organizações comunicam essas mudanças também influencia a percepção dos pacientes e fortalece sua participação na própria jornada de cuidado.

Para Andrea Pinheiro, líder do Comitê de Comunicação da Abramed, a comunicação exerce papel fundamental nesse processo. “A construção de elos de confiança por meio da comunicação está relacionada a como as empresas podem apoiar o letramento dos pacientes sobre as novas tecnologias, com informações e orientações claras, precisas e acessíveis. Quando a inovação é acompanhada de educação e diálogo, fortalecemos a credibilidade das instituições e contribuímos para que essa evolução aconteça de forma segura e responsável”, afirma.

Governança de dados fortalece a confiança digital

À medida que a saúde amplia o uso de dados, proteger essas informações torna-se uma condição para a própria sustentabilidade da transformação digital. Incidentes de vazamento ou manipulação podem comprometer não apenas a privacidade individual, mas também a confiança necessária para a adoção de novas tecnologias.

Por isso, investimentos em criptografia, controles de acesso, auditorias permanentes e conformidade com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são parte de uma estratégia mais ampla de governança.

Mais do que incorporar tecnologias de ponta, laboratórios e serviços de medicina diagnóstica precisarão fortalecer padrões consistentes de gestão dos dados, desde a coleta até seu uso analítico, garantindo informações íntegras, atualizadas, rastreáveis e auditáveis.

Esse desafio ganha novos contornos com a expansão da Inteligência Artificial generativa. O aumento da circulação de conteúdos produzidos artificialmente, incluindo desinformação e deepfakes, reforça a necessidade de que as organizações de saúde atuem como fontes confiáveis de informação.

Andrea Pinheiro destaca que a credibilidade também será construída pela capacidade das instituições de oferecer informações qualificadas e confiáveis, apoiando pacientes na compreensão das novas tecnologias e fortalecendo sua autonomia ao longo da jornada de cuidado.

“As instituições que se destacarão nos próximos anos serão aquelas capazes de oferecer experiências fluidas, eficientes e seguras em todos os pontos de contato, reforçando as relações de confiança com serviços e profissionais de saúde”, avalia.

Essa discussão fará parte da programação do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed, que será realizado em 26 de agosto. Entre outros temas, o encontro mostrará como governança, ética, segurança da informação e comunicação contribuem para fortalecer a confiança nas organizações e criar condições para que a inovação tecnológica gere valor para pacientes, profissionais e para todo o sistema de saúde.

Mais informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis em www.abramed.org.br/filis.

O novo profissional de saúde: entre a prática clínica, os dados e a Inteligência Artificial 

A incorporação da Inteligência Artificial amplia as competências que são exigidas dos profissionais de saúde e reforça a importância de uma cultura orientada por inovação e integração. 

Por muito tempo, a régua que media a excelência de um profissional de saúde foi quase inteiramente clínica: raciocínio diagnóstico apurado, precisão técnica e boa relação com o paciente. Essa base permanece essencial, mas passou a ser complementada por novas competências.

Médicos, gestores e equipes multiprofissionais também precisam compreender dados, interpretar sistemas e incorporar ferramentas de inteligência artificial à rotina assistencial, integrando esses recursos ao cuidado, e não como uma atividade paralela.

“O profissional de saúde não precisa se tornar um cientista de dados, mas precisa compreender como essas informações são produzidas, quais são seus limites e de que forma podem apoiar a decisão clínica. A inteligência artificial amplia a capacidade de análise, mas não substitui o raciocínio clínico, o olhar sobre o paciente nem a responsabilidade pela conduta”, afirma Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da entidade.

Quando bem integrada aos processos, a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas e de organização da informação, liberando tempo para atividades que dependem do julgamento humano, como a interpretação dos casos, a comunicação com os pacientes e a tomada de decisões fundamentadas no contexto clínico de cada pessoa.

Esse avanço, porém, não depende apenas da adoção de novas ferramentas. Exige revisão de processos, integração entre equipes e qualificação contínua dos profissionais

Da adoção pontual à estratégia institucional

Um dos principais desafios do setor é transformar iniciativas pontuais de inteligência artificial em uma estratégia institucional. Muitas organizações incorporam ferramentas capazes de ampliar a produtividade sem revisar processos, integrar sistemas ou preparar as equipes. Esse descompasso limita os resultados e transfere novos problemas para a rotina assistencial.

Na prática, os profissionais convivem com processos em mudança e com um número crescente de sistemas, ferramentas e soluções de inteligência artificial que nem sempre fazem parte de uma estratégia comum. Sem integração, recursos criados para simplificar o trabalho podem aumentar a carga operacional e fragmentar a assistência.

Integração é condição para gerar valor

Essa fragmentação torna-se evidente quando múltiplas iniciativas de inteligência artificial são implementadas simultaneamente no diagnóstico, na triagem ou na automação de laudos. Os profissionais passam a consultar sistemas paralelos, confrontar resultados de diferentes fontes e identificar quando a falta de integração compromete o fluxo de cuidado.

Para o gestor, o desafio é articular essas iniciativas em uma estratégia única, garantir que diferentes sistemas e soluções adotados pela instituição conversem entre si e assumir a responsabilidade de formar equipes capazes de operar nesse ambiente.

Por isso, o investimento em tecnologia precisa ser acompanhado pela qualificação de médicos, gestores e equipes multiprofissionais. A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas a responsabilidade pelas decisões clínicas continua sendo dos profissionais.

Sem coordenação institucional, iniciativas isoladas geram retrabalho, dificultam a interoperabilidade e reduzem os benefícios para profissionais, instituições e pacientes.

“A adoção da inteligência artificial precisa ser uma decisão institucional, com governança, integração e acompanhamento de resultados. Não faz sentido ganhar eficiência em uma etapa e criar retrabalho em outra. O valor aparece quando tecnologia, processos e equipes avançam na mesma direção”, acrescenta Marcos Queiroz.

O tema integra a agenda do FILIS 2026

Os impactos da inteligência artificial sobre a atuação dos profissionais e a organização dos serviços estarão no eixo de Inteligência Artificial do FILIS 2026, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo.

Marcos Queiroz irá moderar o debate “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”. Participam Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud; Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC); e Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions.

Mais do que apresentar tendências, o FILIS reunirá diferentes perspectivas para transformar desafios já presentes na rotina assistencial em pautas propositivas para o setor.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

A inovação em saúde começa pelo diagnóstico: o papel dos exames na pesquisa clínica 

Da geração de evidências ao desenvolvimento de novas soluções, a medicina diagnóstica é essencial para que a inovação chegue ao paciente.  

Toda inovação em saúde depende de evidências. Elas são construídas muito antes de um medicamento chegar ao mercado. Por trás de cada nova terapia existe uma etapa indispensável para transformar conhecimento científico em cuidado: a medicina diagnóstica.  

Por meio dos exames laboratoriais, genéticos e de imagem, pesquisadores identificam biomarcadores, selecionam pacientes para estudos clínicos, acompanham a resposta aos tratamentos e produzem evidências que sustentam a incorporação de novas tecnologias à prática médica. 

Esse papel ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional, do aumento das doenças crônicas e do avanço da medicina de precisão. Hoje, terapias personalizadas dependem da capacidade de identificar características específicas de cada paciente, permitindo indicar o tratamento mais adequado e evitar intervenções desnecessárias. 

Fortalecer essa capacidade também é estratégico para ampliar a competitividade do Brasil na pesquisa clínica. Atualmente o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial e tem potencial para figurar entre os dez principais nesse segmento. Para que isso aconteça, o setor de diagnóstico brasileiro precisa estar à altura em tecnologia, em padronização e em capacidade de integração de dados. 

“O laboratório deixou de ser apenas o lugar onde se processa uma amostra. Hoje, ele também é um gerador de conhecimento. Cada exame produz um dado que pode alimentar pesquisas, ampliar o entendimento sobre as doenças e acelerar o desenvolvimento de novas terapias”, explica Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

Mais do que apoiar a pesquisa clínica, a medicina diagnóstica produz conhecimento capaz de acelerar a inovação em saúde.  

O diagnóstico como infraestrutura da pesquisa 

A participação da medicina diagnóstica começa antes mesmo do primeiro paciente ser incluído em um estudo clínico. O desenvolvimento de novas tecnologias e novos indicadores permite identificar quais pessoas apresentam determinadas características biológicas, aumentando a precisão das pesquisas e tornando possível avaliar, com maior confiabilidade, a eficácia e a segurança de novas terapias.  

Exames laboratoriais, testes moleculares e métodos de imagem acompanham continuamente a evolução dos participantes, monitorando respostas ao tratamento, possíveis eventos adversos e indicadores clínicos que servirão de base para a geração de evidências científicas. Sem essa infraestrutura funcionando com qualidade, agilidade e rastreabilidade, os estudos podem perder precisão e credibilidade científica. 

Os biomarcadores têm papel duplo nesse processo: funcionam como critérios de seleção de pacientes, identificando quem tem maior probabilidade de responder a um tratamento, e como endpoints dos ensaios, facilitando a avaliação dos resultados. 

Tecnologias voltadas à medicina de precisão já crescem a dois dígitos no Brasil, impulsionadas pelo aumento da incidência de doenças complexas, especialmente em oncologia, neurologia e doenças autoimunes. 

Com os avanços da biologia molecular e do sequenciamento de nova geração, o mapeamento genético tende a ocupar espaço cada vez maior na prática clínica, ampliando a capacidade de identificar riscos, apoiar diagnósticos mais precisos e orientar terapias personalizadas.  

“A incorporação da genômica mostrou que a inovação não acontece apenas quando uma nova terapia é desenvolvida, mas também quando ampliamos nossa capacidade de compreender a biologia das doenças. Quanto melhor entendermos cada paciente, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos mais assertivos e acelerar a produção de conhecimento científico”, afirma Lídia. 

Dados que alimentam a inovação 

Os dados gerados pelos exames ajudam a compreender a evolução das doenças, identificar tendências epidemiológicas, desenvolver novos indicadores e apoiar pesquisas capazes de acelerar a chegada de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Para que esse potencial se concretize, é fundamental que essas informações possam ser compartilhadas de forma padronizada e segura. É a interoperabilidade que permite a circulação desses dados entre laboratórios, prontuários e sistemas de saúde, fortalecendo a integração entre pesquisa, assistência e inovação em saúde.  

Além de reduzir tentativas sucessivas de tratamento e favorecer melhores desfechos clínicos, esse processo contribui para o uso mais racional dos recursos disponíveis e acelera o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Na visão de Lídia Abdalla, os dados gerados pela medicina diagnóstica representam um patrimônio científico para o país. “Transformar esse volume de informações em conhecimento exige interoperabilidade, qualidade e responsabilidade no uso dos dados. É isso que fortalece a pesquisa clínica, amplia nossa capacidade de inovação e gera valor para o paciente e para  todo o sistema de saúde”, analisa. 

Essa transformação, que consolida a medicina diagnóstica como elemento essencial da inovação em saúde, será um dos fios condutores do FILIS 2026, que reunirá líderes do setor para discutir como a inteligência artificial, a medicina de precisão e a transformação digital estão redesenhando o futuro da saúde. 

A discussão reforça um princípio cada vez mais evidente: toda inovação começa com conhecimento e, na saúde, esse conhecimento frequentemente nasce a partir do diagnóstico. 

Para participar do FILIS 2026, acesse o site oficial do evento e adquira o seu ingresso: https://www.abramed.org.br/filis.