Abramed integra o Movimento Empresarial pela Saúde e reforça a Medicina Diagnóstica como pilar da gestão da saúde corporativa

A atuação da entidade no projeto liderado pelo SESI e pela CNI  fortalece a governança corporativa do cuidado, evidenciando a importância da Medicina Diagnóstica para decisões mais qualificadas ao longo da jornada do paciente.

O aumento dos custos assistenciais e o envelhecimento da população colocaram a saúde entre as principais preocupações do setor produtivo. Nos últimos anos, os gastos com assistência médica têm se tornado uma fatia expressiva dos custos de pessoal e benefícios nas empresas, muitas vezes ficando atrás apenas da folha de pagamento, o que torna a gestão da saúde dos trabalhadores um tema cada vez mais estratégico para a competitividade dos negócios.

Desde 2024, a Abramed integra o Conselho Deliberativo do Movimento Empresarial pela Saúde (MES) por meio de uma contribuição técnica para uso adequado de exames clínicos. A iniciativa é liderada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e foi criada em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para reunir empresas, entidades setoriais, Governo e especialistas, construir soluções para a saúde no Brasil e responder a demandas crescentes relacionadas ao cuidado dos colaboradores, ao bem-estar no ambiente de trabalho e à manutenção dos custos assistenciais.

A centralidade das empresas nesse debate é justificada por dados objetivos. Segundo dados do SESI, atualmente, 13,1% da folha de pagamento das indústrias é destinada a gastos com planos de saúde, o que faz da assistência médica um dos principais custos corporativos, atrás apenas da folha salarial. Além disso, 10,8 milhões de pessoas estão vinculadas a planos coletivos sob responsabilidade da indústria, o que comprova o peso desses players como principais financiadores da saúde suplementar no país.

Mas, apesar desse papel determinante, por muitos anos a governança da gestão do cuidado esteve concentrada principalmente em operadoras e intermediários.. O MES nasceu justamente para alterar esse cenário, reposicionando as organizações como protagonistas da governança da saúde corporativa, com maior capacidade de influenciar modelos assistenciais, políticas de promoção da saúde e mecanismos de incentivo à qualidade.

Para Emmanuel Lacerda, gerente executivo de Saúde e Segurança na Indústria da CNI, a iniciativa representa uma mudança concreta na forma como o setor produtivo se posiciona diante do tema.
 “Construímos um movimento de empresas para melhorar a saúde do ponto de vista do acesso, da qualidade, da eficiência e da sustentabilidade. Isso passa pelos planos de saúde, mas também por uma melhoria da saúde pública, já que nem todas as companhias conseguem prover esse benefício aos seus trabalhadores”.

O MES está estruturado em dois níveis principais — Conselho Estratégico, formado por lideranças empresariais, representantes institucionais e Governo, e Comitê Executivo, composto por gestores das companhias —, além de Grupos Temáticos que organizam a atuação em frentes como sustentabilidade do sistema, saúde mental, dados e inteligência em saúde. Esse desenho permite às organizações acompanhar de forma mais ativa a gestão do cuidado dos seus colaboradores e alinhar decisões a objetivos de longo prazo.

Ao longo de suas reuniões, o MES tem promovido um diálogo estruturado entre diferentes atores do setor, reunindo representantes da indústria farmacêutica, entidades setoriais, dirigentes das indústrias-membro do movimento, associações médicas, executivos de planos de saúde e especialistas do ecossistema. Em agendas específicas, também há interlocução com órgãos públicos e reguladores, como Ministério da Saúde, Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fortalecendo o debate sobre sustentabilidade, eficiência e qualidade na saúde.

São encontros que permitem alinhar diagnósticos, debater o aumento dos custos assistenciais, discutir caminhos regulatórios e firmar agendas de trabalho integradas, reforçando o papel do movimento como espaço de convergência entre empresas e formuladores de políticas públicas.

Para a Abramed, a participação no MES é estratégica justamente porque conecta esse debate estrutural ao papel da Medicina Diagnóstica na gestão da saúde. “Ao trazer as empresas para o centro da discussão, o MES contribui para uma mudança de foco: da simples mensuração de utilização para a avaliação da qualidade e do valor entregue”, afirma Milva Pagano, diretora executiva da Abramed.

Nesse contexto, discutir o uso adequado dos exames — o exame certo, no momento certo e com a finalidade correta — torna-se essencial para reduzir desperdícios, qualificar desfechos e apoiar decisões baseadas em evidências ao longo da jornada do paciente, reforçando o papel da Medicina Diagnóstica como ferramenta essencial desse processo.

De acordo com Milva Pagano, esse é um dos principais avanços do movimento. “Diagnóstico não é um evento isolado nem restrito ao momento da doença. Não existe promoção de saúde, prevenção ou tratamento sem diagnóstico. Ele sustenta decisões clínicas e a coordenação do cuidado. Quando utilizado de forma adequada, o diagnóstico empodera a empresa, otimiza a gestão e contribui para um sistema mais sustentável”, conclui.

29 de janeiro de 2026.

Comitê de Radiologia da Abramed reuniu representantes da indústria e associados para debater inovação e sustentabilidade

Mesa-redonda realizada na sede da GE HealthCare explorou a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

A busca pelo equilíbrio entre inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência assistencial em exames radiológicos pautou a mesa-redonda realizada pelo Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed na sede da GE HealthCare, em São Paulo.

Juntos, representantes da indústria e associados exploraram a necessidade de ações estruturadas e métricas claras para o avanço sustentável do diagnóstico por imagem no país.

O encontro foi conduzido por Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, e pelos líderes do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem: Alexandre Marconi, coordenador de Radiologia Abdominal do Hospital Sírio-Libanês, e Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

Sustentabilidade além do discurso

A sustentabilidade foi tratada como eixo estratégico do diagnóstico por imagem, com a importância de indicadores mensuráveis sendo colocada no centro da discussão. Para João Paulo Souza, CEO da GE HealthCare Brasil, a sustentabilidade já é um pilar de mercado.

“O debate já está na sociedade. O desafio é transformar o discurso em ações tangíveis, com números efetivos. Para fazê-lo avançar, nós olhamos para o conceito de economia circular e para o lançamento contínuo de novas tecnologias de foco sustentável. Mais do que uma boa intenção, essa é uma exigência do mercado diagnóstico: qualidade técnica e sustentabilidade são pilares de sobrevivência”.

Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês, reforçou a necessidade de atuação conjunta para o avanço da sustentabilidade. “Na Abramed, pensamos no setor como um todo, indústria, prestadores, academia, governo e associações. Esse olhar conjunto é fundamental: entre nossos associados, por exemplo, já temos relatórios indicando redução no consumo de água em exames laboratoriais na casa de 20%”.

Inteligência artificial como vetor de práticas sustentáveis

Dentro do contexto de integração entre tecnologia e sustentabilidade, a IA apareceu como uma das principais alavancas para ganhos simultâneos de eficiência, melhores práticas e experiência do paciente. Os participantes compartilharam casos de redução de tempo de exames, otimização de fluxos e melhor aproveitamento da capacidade instalada com o apoio da inteligência artificial

Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, ressaltou os ganhos operacionais. “Cada vez mais, médicos e profissionais veem a IA como aliadas da produção radiológica, ela ajuda o radiologista nos relatórios, na identificação de lesões, no suporte diagnóstico e no ganho de eficiência diária”, afirmou, indicando que ainda há muito espaço para avanço da tecnologia no Brasil.

Angela Caiado, head de Radiologia e Diagnóstico por Imagem do Grupo Fleury, destacou iniciativas práticas da integração entre tecnologia e sustentabilidade. “Com apoio da inovação e da IA, já conseguimos reduzir em quase 50% o tempo dos exames. Há ganhos em redução de energia elétrica, de água e de emissões: mas é preciso demonstrá-los em métricas que sustentem essa jornada.”

Eficiência operacional e consumo energético

Outro ponto central foi a incorporação do consumo energético e do custo total de propriedade (TCO) como fatores centrais na aquisição de equipamentos. Alexandre Marconi, líder do Comitê, chamou atenção para a ausência de métricas padronizadas. “Ainda há um espaço importante para avançar em critérios objetivos de eficiência energética no setor, o que pode orientar melhores decisões de investimento”, afirmou.

Marcos Queiroz, também líder do Comitê , reforçou a importância de decisões baseadas em dados. “Quando olhamos para o ciclo dos equipamentos, eficiência operacional e sustentabilidade devem caminhar juntas e os dados precisam demonstrar isso”.

Boas práticas assistenciais, educação e próximos passos

A discussão também abordou estratégias para reduzir no-show, evitar exames desnecessários e melhorar a gestão da demanda. Algoritmos preditivos, confirmação ativa de agendamentos e maior integração entre sistemas foram apontados como caminhos para ganhos assistenciais e operacionais. Nesse contexto, a interoperabilidade dos sistemas de informação em saúde foi destacada como elemento-chave para evitar repetições de exames e promover integração.

O papel do radiologista como protagonista foi outro ponto de consenso. Mais do que emitir laudos, o profissional é um agente ativo na definição de protocolos, uso racional da tecnologia e na orientação de equipes multiprofissionais. Assim, a educação continuada apareceu como condição essencial para que os avanços tecnológicos se traduzam em benefícios clínicos, operacionais e de sustentabilidade.

Ao final, o Comitê definiu como próximos passos o mapeamento de boas práticas de sustentabilidade, a avaliação de indicadores mensuráveis, a integração dos debates à agenda ESG da Abramed e o aprofundamento das discussões sobre capacitação e uso efetivo da tecnologia. E a Abramed reforçou seu compromisso pelo diálogo estruturado com todo o ecossistema de Medicina Diagnóstica, avançando na construção de soluções alinhadas à realidade do país.

29 de janeiro de 2026

Plano de Ação em Saúde coloca setor no centro da agenda climática e reforça caráter estratégico da Medicina Diagnóstica

Lançado na COP30, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos.

Que o setor de saúde tem um papel central para o enfrentamento da crise climática, não há dúvidas. Afinal de contas, a intensificação de ondas de calor favorece, por exemplo, o aumento de vetores infecciosos e a incidência de doenças respiratórias, metabólicas e cardiovasculares. Essa importância foi reforçada na COP30, com o lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, que conecta, de modo pioneiro, os impactos das mudanças climáticas nos sistemas hospitalares e propõe respostas para a adaptação e proteção das populações mais vulneráveis.

O plano parte de um diagnóstico claro: eventos extremos já são um dos principais desafios para os serviços de saúde e para a segurança sanitária no século XXI, especialmente de países em desenvolvimento, como o Brasil.

Diante desse cenário, o documento afirma que os sistemas de saúde são parte essencial da solução e devem fortalecer seus mecanismos de governança e integração para que possam prevenir, detectar e responder às crescentes exigências do novo contexto climático global.

Objetivos e princípios do Plano de Ação em Saúde

O Plano de Ação em Saúde estabelece diretrizes para fortalecer a resiliência dos sistemas de saúde frente às mudanças climáticas, com foco em adaptação, prevenção de riscos e preparação para emergências, a partir de dois princípios transversais:

  • Fortalecimento da equidade em saúde e do conceito de justiça climática
  • Liderança e governança em saúde com participação social.

Para responder a esses princípios, foram definidas linhas de ação que dialogam diretamente com a Medicina Diagnóstica, incluindo o avanço da capacidade de vigilância e monitoramento de riscos ligados ao clima, o desenvolvimento de uma lista prioritária de doenças relacionadas às mudanças climáticas, a promoção de políticas de adaptação voltadas a populações vulneráveis e o incentivo à inovação sustentável nos sistemas de saúde.

Desafios para a implementação no sistema de saúde

Embora o plano represente um avanço institucional significativo, sua implementação traz desafios concretos. Um deles é a necessidade de articulação entre governo e ecossistemas público e privado de saúde, além do alinhamento entre políticas, meio ambiente e desenvolvimento.

Outro ponto sensível é a desigualdade regional. O próprio documento reconhece que a capacidade de adaptação varia entre estados e municípios, exigindo estratégias diferenciadas, investimentos direcionados e apoio técnico para evitar que as mudanças climáticas ampliem ainda mais as disparidades no atendimento à população.

O papel da Medicina Diagnóstica

O Plano de Ação em Saúde reforça o caráter estratégico da Medicina Diagnóstica. Laboratórios e prestadores são fundamentais tanto na vigilância epidemiológica quanto no monitoramento de agravos relacionados ao clima, como doenças respiratórias e infecciosas.

Além disso, o plano estimula práticas mais sustentáveis de todo o setor de saúde, incluindo soluções para uma maior eficiência energética, gestão de resíduos e uso racional de recursos. Nesse contexto, é positivo observar que o segmento diagnóstico vem avançando em práticas sustentáveis.

Dados da 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram, por exemplo, que 61% das empresas associadas já mantêm iniciativas socioambientais de voluntariado, evidenciando o engajamento do setor em agendas de impacto social e ambiental. O painel também aponta que, entre 2023 e 2024, o setor teve uma diminuição significativa de 25,6% no consumo de energia por exame realizado e de 7,1% no uso de água.

E a gestão de resíduos laboratoriais aparece como outro ponto de convergência entre o Plano de Ação em Saúde e as ações do segmento diagnóstico: segundo o Painel Abramed, 93% das empresas realizam coleta seletiva, 88% promovem campanhas de conscientização, 87% adotam inspeções ou auditorias internas e 86% oferecem treinamentos específicos sobre o tema.

Esses indicadores reforçam que a Medicina Diagnóstica já possui uma base concreta para contribuir com a agenda climática, oferecendo evidências, escala e capacidade técnica para apoiar políticas mais eficazes e integradas em toda a cadeia de saúde do país.

Além disso, a Abramed tem atuado fortemente na agenda ESG, com um Comitê dedicado ao tema que, anualmente, discute o assunto em um simpósio exclusivo para associados. Além disso, a pauta fez parte das últimas edições do FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde e também estará na programação deste ano.

E, reforçando o papel da Associação para transformar o setor de Medicina Diagnóstica em um dos protagonistas desse debate, durante a COP30, Cesar Nomura e Claudia Cohn, respectivamente presidente e membro do Conselho de Administração da entidade, participaram de um debate na EY House para discutir a integração entre ciência, governança e políticas climáticas. A reflexão foi aprofundada posteriormente no painel da Câmara de Assuntos Políticos e Estratégicos (Cape), organizada pela Fesaúde, com apoio da Arca.

Segundo Nomura, quando a saúde mede o impacto climático, cria-se a base para o cuidado. E, no enfrentamento da crise climática, o diagnóstico é, mais do que nunca, o primeiro passo.

Saúde como parte da solução climática

Com o lançamento do Plano de Ação em Saúde na COP30, o setor passa, definitivamente, a ser reconhecido como eixo estruturante da adaptação climática. Para a Medicina Diagnóstica, o momento abre espaço para que seu protagonismo avance por meio da integração entre dados, eficiência operacional e práticas sustentáveis que devem favorecer a população e o futuro do país.

29 de janeiro de 2026

FILIS 2025: onde os grandes debates da Saúde acontecem. Veja a agenda completa

Está chegando a hora! No dia 21 de agosto, o Teatro B32, em São Paulo, será palco da 9ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), promovido pela Abramed.

O evento reunirá especialistas, autoridades e executivos do Brasil para discutir alguns dos temas mais estratégicos para o setor: impactos climáticos na saúde, qualidade assistencial, inovação, interoperabilidade e perspectivas para o futuro da Saúde no país.

A programação inclui a entrega da 7ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, a apresentação dos dados inéditos do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico (que neste ano traz pela primeira vez um capítulo especial sobre interoperabilidade).

Confira a agenda completa do FILIS 2025:

21 de agosto de 2025 | Teatro B32 – São Paulo

Abertura e Prêmio Dr. Luis Gastão Rosenfeld
Entrega da 7ª edição do prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld – uma homenagem que reconhece profissionais cuja trajetória contribuem de forma significativa para o desenvolvimento e a melhoria do sistema de saúde brasileiro.

Apresentação do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico.

Esta publicação anual é amplamente aguardada pelo setor e reúne dados estratégicos e atualizados do mercado de medicina diagnóstica. A edição deste ano traz, ainda, um capítulo especial sobre Interoperabilidade na Saúde, tema fundamental para o avanço da integração e da eficiência no cuidado em saúde no Brasil.

Eixo ESG

Palestra “Desafios da Saúde em Tempos de Mudanças Ambientais” com Paulo Saldiva (Médico Patologista, Professor e Pesquisador da USP)

Debate com o tema “Do Clima à Saúde: Os Desafios de um Mundo em Transformação” e participação de:

  • Pedro Westphalen – Deputado Federal (PP/RS)
  • Paulo Saldiva – USP
  • Mediação: Claudia Cohn – Membro do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Alta Diagnósticos.

Eixo Qualidade na Saúde

Momento Transformação – com a apresentação de case internacional sobre soluções digitais que trazem impacto clínico na gestão e qualidade do cuidado em saúde, com Iván Mojica, Patologista Clínico e Líder em Medicina Diagnóstica.

Palestra “O Futuro do Diagnóstico e a Segurança do Paciente” – com Nelson Teich – Ex-Ministro da Saúde e Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde.

Debate com o tema “A Importância da Qualidade para a Eficiência do Sistema de Saúde” e participação de:

  • Anderson Nascimento – CEO da Rede Total Care
  • Jeane Tsutsui – CEO do Grupo Fleury
  • Nelson Teich, Ex-Ministro da Saúde e atual Consultor Sênior na Teich Gestão em Saúde
  • Marcos Queiroz – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein e Membro do Conselho de Administração da Abramed
  • Mediação: Wilson Shcolnik – Membro do Conselho de Administração da Abramed e Gerente de Relações Institucionais do Grupo Fleury.

Eixo Inovação

Apresentação do Projeto de Interoperabilidade do InovaHC com Marco Bego – Diretor Executivo do Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da FMUSP

Momento Transformação – com apresentação de case sobre Interoperabilidade com Paula Xavier – Diretora do Departamento de Informação e Informática do SUS (DATASUS).

Debate final com o tema “Interoperabilidade na Saúde: Oportunidades e Caminhos para o Futuro”, e participação de:

  • Ana Estela Haddad – Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde
  • Carlos Marinelli – Diretor Presidente da Bradesco Saúde
  • Rafael Lucchesi – CEO da Dasa Diagnósticos
  • Cesar Nomura – Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês
  • Mediação: Ademar Paes Jr. – Sócio da Clínica Imagem e Membro do Conselho de Administração da Abramed

Encerramento – com participação da Vice-Presidente do Conselho de Administração da Abramed, Lídia Abdalla.

Ainda dá tempo de participar! Acesse www.abramed.org.br/filis e faça a sua inscrição!

Abramed alerta sobre a falta de segurança nos diagnósticos e atendimentos médicos fora do ambiente laboratorial

Em matéria publicada pelo portal Saúde Business, a Abramed esclareceu, com responsabilidade e respaldo técnico, a equívoca e preocupante ideia de dispor o setor farmacêutico como polo de diagnóstico e atendimento médico, cumprindo uma função que vai além do seu relevante papel na assistência e ampliação do acesso da população a medicamentos.

A entidade destaca que, de acordo com a RDC nº 978/2025 da Anvisa, em vigor desde 10 de junho, as farmácias podem realizar apenas exames simples de triagem, sem finalidade diagnóstica, e sob condições técnicas e sanitárias específicas.

“Não se faz diagnóstico em farmácia nem por meio de testes rápidos. O que pode ser feito ali são triagens muito pontuais, e mesmo assim com restrições claras”, afirma Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed. A posição da Associação se baseia na necessidade de garantir segurança, qualidade e rastreabilidade — pilares que exigem infraestrutura e controle de processos, características próprias do ambiente laboratorial.

Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, acrescenta que “não é sequer viável tecnicamente transformar o espaço de uma farmácia em um posto de coleta ou em um centro diagnóstico. Testes pontuais, de triagem, são bem-vindos; agora exames que exigem coleta e armazenagem de material biológico demandam infraestrutura tecnológica, supervisão e rigor. Não atender a esses pilares é algo que vai contra toda a busca por mais precisão do setor de Medicina Diagnóstica”.    

Como representante de associados responsáveis por mais de 80% dos exames da saúde suplementar, a Abramed reafirma o seu compromisso de ampliar o acesso à Medicina Diagnóstica de qualidade com base na legalidade, nas boas práticas clínicas e na segurança do paciente e segue atuando para que isso aconteça da melhor forma possível.

Confira o posicionamento completo da entidade: https://www.saudebusiness.com/laboratorios/abramed-alerta-sobre-falta-de-seguranca-nos-diagnosticos-e-atendimentos-medicos-fora-do-ambiente-laboratorial.

Diagnóstico em Pauta: evento antecipa dados da 7ª edição do Painel Abramed e promove debate entre CEOs sobre o valor da medicina diagnóstica

A Abramed reuniu jornalistas dos principais veículos do país — entre eles Agência Estado, Folha de S. Paulo, Veja Saúde, Valor Econômico, Terra e Consumidor Moderno — para a primeira edição do Diagnóstico em Pauta, encontro exclusivo com a imprensa para debater o valor da Medicina Diagnóstica e divulgar, em primeira mão, dados estratégicos publicados na 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico, uma publicação anual já aguardada pelo setor.

No evento, realizado no Instituto de Estudo e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês, Ademar Paes Jr., CEO Lifes Hub e membro do Conselho de Administração da Abramed, apresentou os dados de destaque da publicação, que será lançada ao mercado ainda neste mês, com informações atualizadas e detalhadas sobre o desempenho, os desafios e as tendências do setor no Brasil.

Segundo o levantamento, o número total de exames realizados em 2024 ultrapassou a marca de 1 bilhão, um crescimento de 15,7% em relação a 2023. As análises clínicas seguem como a principal modalidade, representando 94% do volume total, seguidas pelo diagnóstico por imagem. As associadas da Abramed foram responsáveis por 86,8% desse total na Saúde Suplementar.

O faturamento também cresceu de forma expressiva: as associadas registraram R$ 33,9 bilhões de receita bruta em 2024, alta de 28,6% sobre o ano anterior. Para Ademar, esse avanço ganha ainda mais relevância diante de um cenário macroeconômico marcado por inflação médica, aumento no custo de insumos e pressões de demanda no pós-pandemia. O setor, pontuou ele, não apenas cresceu: demonstrou resiliência e capacidade de adaptação.

Os números também mostram uma área em plena transformação. Em 2024, 61% das associadas investiram em novos modelos de negócios, incluindo abertura de unidades, soluções digitais, centros de pesquisa, incorporação de inteligência artificial e parcerias com empresas e startups. Parte desses investimentos tem foco em expandir o acesso a regiões que historicamente contavam com menor oferta de serviços, descentralizando a rede de atendimento.

Já no campo dos recursos humanos, o segmento registrou um aumento de 21,7% no número de colaboradores, totalizando 116.247 profissionais. Para Rafael Lucchesi, CEO da Dasa Diagnósticos, o resultado reflete ganhos de produtividade que beneficiam todo o mercado: “É um impacto positivo para a economia, com redução do absenteísmo e manutenção da força de trabalho ativa. Nós crescemos e o Brasil também cresce”.

Na segunda parte do evento, ocorreu um debate com o tema “Eficiência em Saúde começa com Diagnóstico”. A discussão, moderada por César Nomura (presidente do Conselho de Administração da Abramed), teve a participação de Jeane Tsutsui (CEO do Grupo Fleury), Lídia Abdalla (CEO do Grupo Sabin e vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed), Henrique Neves (Diretor Geral do Hospital Israelita Albert Einstein) e Rafael Lucchesi (CEO da Dasa Diagnósticos) para falar sobre o equilíbrio entre o uso excessivo (overuse) e o uso insuficiente (underuse) de exames, interoperabilidade, sustentabilidade e inovação.

Foi consenso entre os participantes que o desafio não está apenas em otimizar o volume, mas garantir que cada exame realizado tenha valor clínico, contribuindo para decisões mais assertivas e desfechos mais positivos para os pacientes.

Jeane Tsutsui destacou a importância do setor para todo o ecossistema de Saúde: “No diagnóstico, entregamos dados precisos e com qualidade. São informações valiosas, que devem ser utilizadas pelos profissionais para melhores tomadas de decisão e o desfecho da jornada do paciente adequado.”, afirmou.

A executiva enfatizou ainda que esses dados sobre diagnóstico precoce quando devidamente encaminhados reduzem efetivamente o custo total. “O valor gasto com o tratamento de uma paciente com câncer de mama, conduzida em um protocolo pertinente, pode resultar em uma economia de 18%”, concluiu.

O tema também foi abordado pela CEO do Grupo Sabin, que ressaltou a importância dos veículos de comunicação para que as informações cheguem à população, gerando maior conscientização e mudanças nos cuidados com a Saúde.

Nomura observou que, mesmo com mais investimentos em tecnologia, é possível entregar mais qualidade sem aumentar os custos para as operadoras: “Estamos fazendo ressonâncias com mais agilidade, oferecendo experiências melhores. Os exames de sangue, por sua vez, são muito mais acurados com uso de algoritmos de inteligência artificial e, apesar do aumento da utilização, não há impacto para as Operadoras de Planos de Saúde”.

Da perspectiva hospitalar, a integração entre atenção primária, especialidades e Medicina Diagnóstica foi apontada como determinante para melhores desfechos e para reduzir desigualdades de acesso. Henrique Neves resumiu o ponto:


“A coordenação do cuidado, aliada à integração de dados e protocolos claros de comunicação, encurta o caminho do paciente, reduz desperdícios e melhora desfechos. A tecnologia também está transformando o perfil do paciente, que chega mais informado e exigente, e requer um médico mais preparado, que saiba usar as ferramentas disponíveis para melhorar o seu atendimento”, refletiu.

A interoperabilidade, aliás, foi destacada como essencial para reduzir desperdícios, integrar dados clínicos e otimizar a jornada do paciente. Pela primeira vez, o Painel Abramed dedica um capítulo exclusivo ao tema, reforçando que essa integração evita repetições desnecessárias de exames, agiliza diagnósticos e garante a continuidade do cuidado, além de ampliar o acesso a informações críticas para decisões clínicas mais assertivas.

Inclusive, esse será um dos eixos de debate do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), que será realizado pela Abramed no dia 21 de agosto, no Teatro B32, em São Paulo.

Se você quer conhecer essas e outras transformações fundamentais para enfrentar os desafios da Saúde, confira a programação completa do evento e inscreva-se: https://www.abramed.org.br/filis

O valor estratégico da Medicina Diagnóstica

Durante o debate, os participantes ressaltaram que cerca de 70% das decisões médicas dependem de exames complementares — dado que evidencia o papel central da Medicina Diagnóstica para condutas mais precisas, tratamentos personalizados, prevenção de agravamentos clínicos e redução de custos evitáveis.

Para exemplificar o impacto do setor em diferentes frentes, Rafael Lucchesi lembrou o início da pandemia de Covid-19: “Naquele momento, todas as decisões eram tomadas com base em diagnóstico. Isso mostra o quanto o setor é essencial para a saúde e para a sociedade”.

Jeane Tsutsui reforçou que a sustentabilidade do sistema de Saúde não pode ser discutida sem considerar a contribuição do diagnóstico. “Esse é um processo que envolve toda a cadeia do cuidado e complementa o raciocínio clínico com resultados de qualidade, garantindo desfechos adequados para o paciente e benefícios para todos os players”, afirmou.

O caráter contínuo do diagnóstico foi enfatizado por Lídia Abdalla: “Os exames acompanham o indivíduo em toda a sua jornada, mesmo antes do nascimento, e sua realização precisa ser entendida como investimento em qualidade de vida, não apenas como despesa”. Ela destacou que testes simples e de baixo custo, como o de glicemia, podem evitar doenças crônicas e gastos mais elevados com tratamentos.

A redução das desigualdades de acesso também foi apontada como prioridade. Henrique Neves ilustrou com a realidade de dois contextos distintos: “Há hospitais em que os pacientes chegam com câncer no estágio 1 ou 2 e outros onde eles já chegam com a doença no estágio 3 ou 4. Isso significa 50% a mais ou a menos de cura — e mostra a urgência de garantir acesso equitativo ao diagnóstico”.

Ao final, a mensagem foi unânime: a Medicina Diagnóstica não é apenas um elo da cadeia assistencial, mas um pilar que sustenta qualidade, eficiência e sustentabilidade no sistema de Saúde. Da prevenção à conduta terapêutica, atua como parceira clínica, incorporando tecnologias com responsabilidade, apoiando médicos solicitantes e assegurando que cada exame contribua para decisões mais seguras e efetivas.

O valor econômico da Medicina Diagnóstica: muito além do laudo

Por César Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed

Quando se pensa em um exame médico, normalmente se foca apenas no resultado, que chega em formato de um laudo — dando pouca atenção às imagens e gráficos indecifráveis para os leigos, mas que já são sinal inequívoco da complexidade da Medicina Diagnóstica.

Por trás de cada exame, existe uma profunda inteligência em saúde, movida por uma engrenagem complexa que movimenta bilhões de reais, sustenta milhares de empregos e impulsiona a inovação no Brasil.

A Medicina Diagnóstica não é apenas uma etapa do cuidado. É um motor silencioso que conecta ciência, tecnologia, indústria e desenvolvimento econômico.

Em 2024, as empresas associadas à Abramed realizaram cerca de 1 bilhão de exames. Esse número, por si só, impressiona. Mas o que ele representa vai muito além do volume: cada exame envolve insumos adquiridos, equipamentos em funcionamento, profissionais qualificados e cadeias de serviços que se movimentam.

Um simples teste de sangue mobiliza fornecedores de reagentes, fabricantes de materiais de coleta, empresas de logística, energia, tecnologia da informação e até empresas de descarte seguro de resíduos.

O impacto econômico é concreto. Em 2024, o consumo de produtos e equipamentos médico-laboratoriais cresceu 11,5%. O uso de reagentes subiu 28,4% e as importações, 19,4%. São recursos que irrigam o mercado, geram empregos e sustentam empresas de diversos segmentos.

Além de ser parte essencial das demandas geradas pelo setor de Saúde, que responde por cerca de 10% do PIB brasileiro, a Medicina Diagnóstica é também um vetor de inovação. A busca por precisão, agilidade e confiabilidade estimula investimentos constantes da indústria nacional e internacional em novas tecnologias.

O setor ainda possui um ativo de grande valor, mas pouco visível: a informação. Cada exame gera dados clínicos que, quando integrados e compartilhados com segurança, podem transformar o cuidado no país.

Esse, aliás, é o princípio da interoperabilidade, assunto tão debatido em nossa área por evitar exames repetidos, reduzir desperdícios, acelerar diagnósticos e liberar recursos para atender mais pacientes. Na prática, interoperabilidade é eficiência — e eficiência significa economia.

Toda essa engrenagem também está conectada a outro tema que dialoga diretamente com o impacto econômico do setor: a sustentabilidade.

Quando reduzimos o uso de filmes e papéis em exames de imagem e migramos para formatos digitais, estamos diminuindo nosso impacto ambiental e impulsionando um novo mercado de soluções sustentáveis. Isso envolve fornecedores de tecnologia, empresas de armazenamento seguro em nuvem, softwares de visualização, equipamentos de digitalização e serviços de descarte adequado.

Ou seja, até na busca por práticas ambientalmente responsáveis, a Medicina Diagnóstica continua sendo uma grande compradora, geradora de serviços e um setor que impulsiona a inovação. Um movimento que cria uma cadeia de valor que une eficiência operacional, responsabilidade ecológica e dinamismo econômico.

É por isso que defendo que a Medicina Diagnóstica seja vista e tratada como um pilar econômico e social do Brasil. Investir no nosso setor não é gasto — é estratégia. Cada real aplicado em diagnóstico de qualidade significa decisões clínicas mais assertivas, tratamentos mais eficazes, menos desperdício de recursos e mais vidas salvas.

O desafio agora é consolidar essa visão na formulação de políticas públicas, na regulação e no próprio planejamento das empresas.

Precisamos garantir um ambiente sustentável para que o setor continue crescendo, inovando e integrando a saúde do país. Porque fortalecer a Medicina Diagnóstica não é apenas cuidar melhor das pessoas — é fortalecer o Brasil.

Agentes de IA para otimizar a jornada do paciente no laboratório

Na Medicina Diagnóstica, cada minuto conta — não apenas para agilizar o resultado de um exame, mas para melhorar a experiência do paciente e garantir decisões clínicas mais rápidas e seguras. Nesse contexto, os agentes de Inteligência Artificial (IA) têm se consolidado como aliados estratégicos para reduzir gargalos operacionais e aumentar a eficiência em todas as etapas do atendimento, do agendamento à entrega do laudo.

Segundo o Dr. Marcos Queiroz, diretor de Medicina Diagnóstica no Hospital Israelita Albert Einstein, conselheiro e líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed, algumas aplicações já atingiram alto nível de maturidade para uso nos laboratórios.

“Na etapa analítica, as aplicações mais maduras estão associadas ao reconhecimento de padrões de imagens, à aceleração da leitura microscópica e à interpretação de exames complexos, como os exames genéticos”, afirma.

Essas soluções, já são implementadas em hospitais como o Albert Einstein, por exemplo, permitindo que exames como hemogramas, análises de sedimento urinário ou interpretações genéticas sejam processados com mais agilidade e acurácia.

Isso significa menos tempo de espera para o paciente, diagnósticos mais rápidos para o médico e maior capacidade operacional para o laboratório — sem abrir mão da qualidade.

O impacto também é sentido antes e depois da análise propriamente dita. Agentes de IA podem ajudar a reconhecer automaticamente problemas em amostras logo na coleta, evitando retrabalhos e convocações desnecessárias. No pós-análise, sistemas inteligentes geram alertas em prontuários eletrônicos para prevenir exames repetidos ou destacar resultados críticos, acelerando a tomada de decisão clínica.

Apesar dos grandes benefícios, a adoção de IA nos serviços de diagnóstico exige mais tecnologia avançada e compromisso com a segurança do paciente e com princípios éticos sólidos.

De acordo com o Dr. Marcos, os algoritmos precisam ser validados considerando a realidade populacional local, evitando o simples uso de soluções genéricas importadas. Essa validação demanda investimentos financeiros, tempo e treinamento especializado, mas é o que garante que as respostas geradas sejam adequadas e seguras para cada perfil de paciente atendido.

Outro ponto essencial é o olhar final do corpo clínico. Mesmo com a automação, a interpretação médica continua sendo decisiva: apenas o profissional, com visão integral do histórico e do quadro clínico, pode identificar possíveis erros ou inconsistências nas conclusões da IA.

Como os agentes de IA dependem de grandes volumes de dados para funcionar, a privacidade e a proteção dessas informações são pilares inegociáveis. A adoção de políticas rigorosas de cibersegurança e a criação de barreiras para impedir a entrada de sistemas sem todos os requisitos de proteção são medidas indispensáveis.

Além disso, o treinamento contínuo das equipes é fundamental para que se extraiam o máximo das soluções e para que se identifiquem eventuais quedas de performance dos algoritmos — o que pode ocorrer, por exemplo, com mudanças nos perfis epidemiológicos.

“A IA é uma aliada indispensável dos médicos, não uma substituta. Seu valor está no potencial de análise integrada e no suporte para decisões mais seguras e personalizadas”, conclui o Dr. Marcos.

O futuro do diagnóstico passa, inevitavelmente, pela capacidade de integrar inteligência artificial e sensibilidade humana. Quando aplicados com responsabilidade e supervisão clínica, os agentes de IA não apenas otimizam processos: eles redefinem o papel da Medicina Diagnóstica no cuidado à saúde, encurtando jornadas, ampliando acesso, preservando recursos e salvando vidas.

É nesse ponto de encontro entre dados precisos e olhar clínico que nasce o verdadeiro avanço: uma Medicina Diagnóstica mais ágil, precisa e centrada no paciente.

Vieses algorítmicos na Saúde: a IA na Medicina Diagnóstica precisa de contexto, não só de dados

Por Tatiana Almeida, Gerente Médica da área de dados do laboratório clínico no Hospital Israelita Albert Einstein e membro do Comitê de Análises Clínicas e Interoperabilidade da Abramed

A promessa de uma revolução na Medicina impulsionada pela Inteligência Artificial é real. A imagem de um “Waze da Saúde”, capaz de indicar as melhores rotas para diagnóstico e tratamento, já deixou de ser ficção científica e está sendo construída em hospitais, laboratórios e startups.

Mas por trás dessa inovação, esconde-se um desvio perigoso: o risco de transformar desigualdades históricas em verdades matemáticas. Não há dúvidas de que o debate em torno dos vieses algorítmicos ganhou escala com o avanço da inteligência artificial e do aprendizado de máquina a partir de grandes bases de dados, porém, já de início, é importante esclarecer que estamos diante de um desafio que tem raízes mais profundas.

Os vieses não nascem da IA — eles refletem um mundo construído com recortes sociais, culturais e econômicos que agora são aprendidos pelas máquinas. A medicina baseada em evidências tenta reduzir esses efeitos com ensaios clínicos e amostragens controladas. A IA, no entanto, aprende com o que existe — e o que existe, muitas vezes, é desigual.

Seja cognitivo ou algorítmico, o viés distorce decisões. E quando um algoritmo é treinado com bases incompletas ou enviesadas — o que infelizmente não é raro — ele tende a replicar e amplificar esses desvios, com aparência de neutralidade, sobretudo em um cenário de (hiper) digitalização.

Na Medicina Diagnóstica, isso é ainda mais sensível: decisões orientam condutas e definem desfechos. Os exemplos são sutis e, ao mesmo tempo, alarmantes.

Um algoritmo pode diagnosticar pneumonia em pessoas negras com uma frequência maior do que a real — mas o que ele lê, na verdade, são as consequências de uma vulnerabilidade social, que muitas vezes recaem em moradias precárias, falta de acesso ao saneamento básico e alimentação inadequada. Em outro caso, um sistema otimizou a fila de ressonâncias magnéticas ao separar meninos “mais agitados” das meninas “mais calmas”. A eficiência operacional cresceu. Mas a que custo? O de reforçar um estereótipo cultural e institucionalizar, sem perceber, uma lógica de segregação de gênero.

Os algoritmos não produzem causalidade, apenas reconhecem padrões. E padrões podem ser perigosos se não forem avaliados com senso crítico, responsabilidade e contexto. O maior risco, porém, é a invisibilidade do viés. Um ciclo se instala: diagnósticos excessivos em populações vulneráveis geram tratamentos desnecessários, que levam a efeitos adversos e reforçam a falsa ideia de que aquele grupo é “mais doente”.

A estatística final apenas confirma o erro — e ele vira política pública, decisão médica, critério de triagem. E, nesse cenário, a regulação atual — centrada na eficácia técnica — não consegue identificar distorções éticas ou sociais.

Esse, aliás, é um ponto central: a IA é ferramenta, não agente decisório. O profissional de saúde precisa manter sua autoridade crítica, interpretando os dados com conhecimento clínico, a partir de exames precisos e de sensibilidade.

Como virar esse jogo?

A primeira resposta está na base: os dados. Modelos treinados a partir de bases limitadas — como de um único hospital público ou privado — não são aplicáveis em outros contextos. Criar bases diversas, testar o desempenho dos modelos com rigor e cruzar variáveis socioculturais é uma exigência ética.

O case do modelo de risco metabólico desenvolvido pelo Hospital Israelita Albert Einstein para os seus pacientes é ilustrativo: baseado em check-ups clínicos, ele indica alterações com potencial de agravamento ou melhora, de forma individual, sem generalizar e sem prescrever condutas, preservando o papel do médico. É o tipo de IA que alerta, mas não decide.

Outras boas práticas já estão descritas, como mostram as diretrizes do Departamento de Medicina Laboratorial (DLM, 2024): divisão clara de dados em treino, teste e validação; reprodutibilidade e explicabilidade — ou seja, a capacidade de compreender por que determinada decisão foi tomada  — precisam se tornar regra.

Além disso, a regulação, nesse cenário, precisa acompanhar o ritmo da inovação. Modelos validados tecnicamente ainda podem ser falhos do ponto de vista ético ou social. Relatórios de equidade e diversidade devem deixar de ser exceção e se tornar parte obrigatória da governança algorítmica, especialmente em soluções para a Saúde.

O futuro da inteligência artificial no setor não pode ser construído apenas por engenheiros ou desenvolvedores. É preciso reafirmar o papel do profissional de saúde como intérprete crítico e reforçar o protagonismo e a responsabilidade da área para propor seus próprios padrões e colaborar com a construção de diretrizes claras que garantam o olhar humano no centro de toda decisão automatizada.

A inteligência artificial pode, sim, levar a Saúde a um novo patamar de precisão e eficiência. Mas, como no Waze, nem todo caminho mais rápido é o mais seguro. Se não estivermos atentos ao destino, podemos acabar reforçando os becos mais escuros das desigualdades sociais.

Afinal, não basta inovar. É preciso inovar com responsabilidade.

Hepatites Virais: Brasil quer diagnosticar 90% dos casos até 2030. Como avançar?

Julho marca o mês de conscientização sobre as hepatites virais — infecções silenciosas, muitas vezes assintomáticas, que podem evoluir para cirrose e câncer hepático. Nos últimos anos, o Brasil intensificou sua mobilização sobre o tema e assumiu, junto à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), o compromisso de eliminar as hepatites como problema de saúde pública até o fim da década.

Para apoiar esse objetivo, o Governo federal lançou o Guia de Eliminação de Hepatites Virais, que propõe uma resposta nacional integrada, com foco em testagem, tratamento e prevenção, especialmente em populações vulnerabilizadas.

A meta é ambiciosa: diagnosticar 90% dos casos, tratar ao menos 80% das pessoas diagnosticadas e reduzir em 65% a mortalidade pela doença. Isso exige uma articulação efetiva entre diferentes esferas do sistema de saúde.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a taxa de incidência da hepatite A subiu 325% entre 2022 e 2024 — sendo 54,5% apenas no último ano. Os casos concentram-se em homens de 20 a 39 anos, com maior incidência nas capitais do Sul e Sudeste. O perfil da doença mudou: menos transmissão na infância e mais associação a relações sexuais desprotegidas.

Em contrapartida, a vacinação infantil contra hepatite A tem mostrado impacto positivo. Entre 2014 e 2024, a incidência entre crianças de 0 a 9 anos caiu 99,9%, evidenciando a força da imunização como política pública e apontando caminhos para ampliar a cobertura em outras faixas etárias.

Hoje, os principais obstáculos estão no combate às desigualdades de acesso e na organização das redes de cuidado em contextos de vulnerabilidade. A hepatite B, por exemplo, ainda é comumente transmitida de mãe para filho durante o parto ou a amamentação, exigindo qualificação do pré-natal. Já a hepatite C segue avançando entre adultos.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), as hepatites virais causam cerca de 1,4 milhão de mortes por ano, entre infecções agudas, câncer hepático e cirrose.

Apesar dos avanços, o diagnóstico precoce ainda é um dos principais desafios. “O acesso à testagem é fundamental para que os médicos possam identificar os pacientes que já estão imunes, os que estão em curso de uma infecção aguda e aqueles que apresentam quadros crônicos de hepatites e necessitam de tratamento e acompanhamento. Para isto os testes diagnósticos são fundamentais, sejam eles sorológicos (para hepatites A, B ou C) utilizados como triagem;  ou moleculares, que são mais úteis na confirmação diagnóstica e seguimento dos pacientes que iniciaram tratamento específico”, explica Carlos Eduardo Ferreira, Líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed.

Para ele, neste cenário de ampliação da testagem para a população brasileira, a iniciativa privada da Medicina Diagnóstica pode se unir com o setor público para buscar parcerias que permitam que os pacientes possam ter um maior acesso ao exame.

Além do rastreamento e da testagem, é essencial fortalecer o papel dos serviços diagnósticos no mapeamento da doença e no apoio à decisão clínica. Interoperabilidade entre sistemas, qualificação das informações e capilaridade dos laboratórios são pontos-chave para respostas ágeis, sobretudo em surtos ou em áreas com baixa cobertura.

Neste Julho Amarelo, a Abramed reafirma seu compromisso com a saúde preventiva e com o acesso a exames de qualidade, contribuindo para o alcance das metas de eliminação das hepatites virais no Brasil.