Inteligência artificial, interoperabilidade e valor em saúde pautam debate da Abramed na Hospitalar 2026

Entre equipamentos em fim de vida útil, excesso de informação e modelos de remuneração, lideranças discutiram os desafios de sustentar a evolução da medicina diagnóstica no Brasil. 

Temas como inteligência artificial, interoperabilidade de dados, sustentabilidade financeira e a relação entre inovação e acesso à saúde conduziram o primeiro debate promovido pela Abramed durante a 31ª edição da Hospitalar. A discussão mostrou como a medicina diagnóstica vem passando por uma transformação acelerada, ao mesmo tempo em que precisa enfrentar desafios relacionados à eficiência operacional, integração de informações e sustentabilidade do sistema de saúde.

Com esse foco, a entidade reuniu lideranças do setor no painel “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, moderado por Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Rodrigo Lorenzo, diretor de diagnóstico por imagem da Siemens Healthineers para a América Latina.

Marcos Queiroz iniciou o debate chamando atenção para a pressão crescente sobre a medicina diagnóstica, impulsionada pelo envelhecimento populacional, pelo aumento do volume e da complexidade dos exames e pela incorporação de tecnologias voltadas à medicina preditiva e personalizada.

A trajetória do Grupo Sabin foi um dos pontos de partida desse debate. Lídia Abdalla compartilhou como a empresa conseguiu crescer de forma expressiva, mantendo seus padrões de excelência e qual o papel da tecnologia nesse processo. 

“Integramos todos os nossos sistemas para ter uma visão única do paciente. O cliente valoriza muito o histórico dos exames e hoje conseguimos entregar um diferencial enorme para médicos e pacientes”, afirmou. Para ela, no entanto, ferramentas são meio, não fim: “Nossos pilares são tecnologia, qualidade e gente. Gente é sempre o principal”.

Um dos principais paradoxos atuais da medicina diagnóstica também foi debatido: a abundância de dados que ainda não se traduz em inteligência aplicada. “Geramos muitos dados, mas ainda não usamos todos eles. O desafio é ter dados mais estruturados para trazer insights e tomar decisões, rumo a uma medicina de precisão cada vez mais personalizada”, destacou Douglas Penha. 

Ele também apontou a patologia digital e o conceito de analisador digital como as próximas fronteiras de inovação, além da inteligência artificial como ferramenta para democratizar o acesso a especialistas em regiões de escassez de profissionais. 

Essa visão foi endossada por Cesar Nomura, que ressaltou que o setor ainda utiliza pouco o potencial da jornada integrada do paciente: “As informações ainda estão muito segmentadas. Enquanto não integrarmos tudo isso com custo adequado, não conseguiremos entregar valor”.

Lídia Abdalla complementou com um questionamento que resume bem o desafio coletivo: “Temos ilhas de excelência no Brasil. Como conectá-las para que isso vire valor para o sistema como um todo? Como propor melhorias sem dados e sem informação?”.

A fragilidade econômica do setor, a relação com operadoras e os modelos de remuneração também foram discutidos. Com cerca de 35% dos equipamentos no Brasil em fim de vida útil e ausência de remuneração por qualidade, o risco de sucateamento é real. “Você usa um tomógrafo que projeta menos radiação no paciente e não será melhor remunerado por isso”, alertou Cesar Nomura. 

Para Douglas Penha, a saída rumo ao próximo estágio passa por mostrar números que comprovem que as novas tecnologias reduzem custos no longo prazo — uma mudança que, conforme adiantou a CEO do Grupo Sabin, exigirá coragem e disposição de ambos os lados para manter o equilíbrio e o benefício para todos.

Na plateia, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, levantou a questão da confiança e do prazo necessário para que investimentos em saúde gerem retorno, especialmente diante da rotatividade dos beneficiários nos planos. Rodrigo Lorenzo destacou o papel das empresas contratantes na valorização da qualidade assistencial durante as negociações com operadoras, para ajudar a minimizar as perdas.

Ele também trouxe a perspectiva da indústria e explicou o desafio de incorporar tecnologia em um setor de alto custo, especialmente na área de imagem. Em sua opinião, a solução passa por parcerias de valor, que considerem a venda de equipamentos e todo o ciclo de vida da tecnologia. A visão de um hub integrado de soluções diagnósticas, inspirado em modelos como o do Salesforce, foi apresentada como caminho para reduzir custos e ampliar o acesso à inovação.

Ao final, Cesar Nomura reforçou que a interoperabilidade pode ajudar o setor a operar com mais eficiência e gerar valor real ao paciente. “Ninguém quer ganhar em cima de algo que não é necessário. A interoperabilidade nos permite olhar para o setor com mais eficiência e levar valor ao paciente: fazer o que precisa ser feito”, concluiu.

O debate deixou evidente que a transformação da medicina diagnóstica não depende apenas da incorporação de novas tecnologias, mas da capacidade do setor de reorganizar relações, integrar informações e construir modelos sustentáveis de financiamento e remuneração.

Em um ambiente cada vez mais pressionado por eficiência, envelhecimento populacional e expansão da demanda, inovação isolada já não basta. O desafio agora é fazer com que avanço tecnológico, qualidade assistencial e viabilidade econômica consigam evoluir no mesmo ritmo.

Confira aqui o painel “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, que também foi realizado pela Abramed durante a Hospitalar 2026.

Qualidade e segurança na medicina diagnóstica: cultura, dados e o desafio da melhoria contínua

Da acreditação à interoperabilidade, debate da Abramed na Hospitalar mostrou os desafios de sustentar a excelência laboratorial em um cenário de maior complexidade diagnóstica e pressão financeira.

A qualidade e a segurança vêm ganhando centralidade nas discussões sobre o futuro da medicina diagnóstica, especialmente diante do avanço tecnológico, das novas exigências regulatórias e da crescente complexidade da assistência à saúde. Garantir processos seguros, rastreáveis e resultados confiáveis tornou-se um desafio estratégico para o setor.

Com esse foco, a Abramed promoveu, durante a Hospitalar, o painel “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, moderado por Milva Pagano, diretora-executiva da entidade. A sessão reuniu Luiza Bottino, gerente de P&D da Controllab; Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed e gerente médico do Laboratório Clínico do Einstein Hospital Israelita; e Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML), para debater os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos na melhoria contínua dos serviços diagnósticos e na segurança do paciente.

O encontro se iniciou com a palestra de Luiza Bottino, que apresentou o papel do controle externo da qualidade na segurança do paciente e mostrou como o erro laboratorial pode impactar diretamente a vida do paciente, a reputação do laboratório e a cadeia de fornecedores. 

Conforme explicou, o controle externo funciona como antídoto para a miopia da gestão: ao comparar o desempenho com outros players do mercado, o laboratório consegue monitorar tendências, imprecisões e falhas antes que elas cheguem à rotina clínica.

Luiza também ressaltou que, além da função regulatória, os dados gerados por esses programas apoiam decisões estratégicas das instituições, incluindo avaliação de metodologias, desempenho de equipamentos e identificação de oportunidades de melhoria.

“O controle externo entrega dados de forma rápida para a sociedade”, reforçou, apontando que laboratórios com participação contínua em programas de controle externo apresentam melhoria de 8% no desempenho.

De acordo com sua apresentação, o futuro passa pela automação, para que a ferramenta seja incorporada à rotina sem impactar o fluxo operacional, e por um ecossistema integrado de qualidade, com painéis que reúnam desempenho de controle interno, externo e comparativo entre unidades de uma mesma rede.

No debate, realizado durante a segunda parte do encontro, Guilherme Ferreira de Oliveira lembrou que 70% das decisões médicas são baseadas em resultados laboratoriais e que a medicina diagnóstica brasileira não deve nada a nenhuma outra no mundo. Apesar disso, provar esse valor com dados objetivos ainda é um desafio. 

“O laboratório provoca desfechos intermediários, o que dificulta a medição. Depositamos na interoperabilidade a esperança de medir isso de forma mais sólida”, afirmou.

Carlos Eduardo Ferreira complementou, destacando a crescente complexidade do cenário: a medicina caminha para painéis com 50 a 100 indicadores integrados, e o desafio de garantir qualidade se amplifica nessa escala. “Estamos saindo da era do achismo para uma era em que implementamos a cultura de dados. É importante ter informação, mas também conduta e tomada de ação diante de resultados inadequados”, pontuou.

Qualidade como cultura, não como obrigação

Um dos momentos mais ricos do debate foi a discussão sobre o que sustenta a qualidade no longo prazo. Para Guilherme, qualidade, resultados confiáveis e segurança do paciente não podem ser tratados como caixas separadas. Além disso, tudo começa no topo. “Se a alta direção não estiver comprometida, haverá muitas barreiras. As pessoas precisam comprar esse discurso e entender que o problema não é errar, mas não descobrir a não conformidade”. 

Luiza acrescentou que um dos maiores desafios para sustentar programas de qualidade está na gestão de pessoas e na disseminação da cultura organizacional. “Se a qualidade não estiver incorporada na cultura da empresa, ela não ganha tração”.

Entre os temas abordados, os participantes comentaram as contradições do setor. As certificações ainda se concentram nos grandes laboratórios, em um percentual considerado baixo diante do universo total do setor. O presidente da SBPC/ML apontou o fator financeiro como determinante: enquanto a inflação acumulou 154% em determinado período, a remuneração dos laboratórios cresceu apenas 10%.

“A remuneração não acompanhou a escala de realização de exames. Precisamos dar condições para que todos os laboratórios invistam em qualidade. A qualidade tem preço, mas ela é um investimento”, alertou.

Carlos Eduardo apontou outra distorção que afeta diretamente o acesso: um laboratório pode realizar o mesmo exame com tecnologias completamente diferentes e receber a mesma remuneração.

Na etapa final, os debatedores falaram sobre soluções diagnósticas mais avançadas, como testes moleculares e tecnologias ômicas. O líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed destacou que boa parte dessas soluções ainda permanece restrita a poucos centros no Brasil e que o setor precisa avançar também em técnicas essenciais que ainda não chegam de forma adequada a toda a população.

Outra provocação trazida por Milva para a mesa foi que, embora a qualidade esteja no centro da operação laboratorial, grande parte desse trabalho permanece invisível para o paciente, que percebe o atendimento e a experiência final, enquanto boa parte da construção da qualidade acontece nos bastidores. 

A discussão terminou com uma reflexão sobre o próprio modelo da saúde suplementar. Muitas vezes, o paciente sequer consegue escolher o laboratório que deseja utilizar, já que essa decisão costuma estar vinculada às operadoras e aos contratos corporativos. Para Guilherme, essa desconexão entre paciente, assistência e decisão sobre o cuidado também é um dos desafios que o setor precisará enfrentar.

Confira aqui o debate “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, também promovido durante a Hospitalar 2026 pela Abramed.

Abramed debaterá inovação, qualidade e inteligência de dados em programação especial na Hospitalar 2026

Com dois painéis que reúnem lideranças de referência na medicina diagnóstica, a entidade participa da maior feira de saúde da América Latina. Associados e parceiros têm 15% de desconto no ingresso.

A Hospitalar, principal evento de saúde da América Latina, reunirá entre os dias 19 e 22 de maio de 2026, no São Paulo Expo, lideranças, empresas e especialistas para debater os caminhos da transformação do setor. Em sua 31ª edição, a feira deve repetir o alto volume de negócios e a presença internacional, consolidando-se como um dos principais espaços de discussão técnica e estratégica do tema no país.

Na edição deste ano, o Summit Abramed será realizado no dia 19 de maio, das 14h30 às 17h40, e terá uma programação especial na Arena 3 da Plaza Hospitalar, sob o macrotema “Inovação, Qualidade e Inteligência de Dados: O Futuro da Medicina Diagnóstica”. 

A proposta reflete a atuação da entidade na articulação de temas centrais para o setor, ao conectar o avanço tecnológico — como inteligência artificial e soluções digitais — com a garantia de qualidade e segurança dos serviços e o uso estratégico de dados para apoiar decisões clínicas e de gestão, reforçando o papel da medicina diagnóstica como base para um cuidado mais integrado, eficiente e orientado a valor.

“Falar sobre inovação, qualidade e inteligência de dados é tratar dos elementos que, juntos, orientam a evolução do cuidado em saúde. Na medicina diagnóstica, essa integração permite transformar informação em decisão, com mais precisão, segurança e impacto real na jornada do paciente”, comenta Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, que fará a abertura do Summit.

Debates

O primeiro debate abordará “Tecnologia e Inovação na Medicina Diagnóstica: Tendências Estratégicas para Crescimento Sustentável”, sob moderação de Marcos Queiroz, líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e diretor do Hospital Israelita Albert Einstein.

O painel reunirá Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Douglas Penha, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Soluções Digitais na Roche Diagnóstica; Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin; e Rodrigo Lorenzo, managing director de Imagem Diagnóstica para a América Latina da Siemens Healthcare.

A sessão abordará as principais tendências e inovações que estão redesenhando o setor e explorará como a tecnologia pode apoiar decisões mais precisas, ampliar a eficiência dos serviços e sustentar o crescimento das organizações. 

O segundo bloco será dedicado à “Qualidade e Segurança na Medicina Diagnóstica”, com moderação de Milva Pagano. A sessão começa com palestra de Luiza Bottino, gerente de P&D da Controllab, sobre o papel do controle externo da qualidade na segurança do paciente.

Ela também compõe a mesa de debate, com Carlos Eduardo Ferreira, líder do Comitê Técnico de Análises Clínicas da Abramed, e Guilherme Ferreira de Oliveira, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML). O foco serão os desafios regulatórios, operacionais e tecnológicos envolvidos na garantia de processos seguros, resultados confiáveis e melhoria contínua dos serviços diagnósticos.

A edição 2026 da Hospitalar contará ainda com múltiplos espaços de conteúdo, incluindo arenas temáticas sobre Inteligência Artificial, gestão, regulação e experiência do paciente, ampliando o debate sobre os desafios e oportunidades do setor.

“Participar deste evento é uma oportunidade de contribuir com discussões que estão no centro das transformações da saúde, ao lado de lideranças que têm papel ativo na construção de soluções para o setor no Brasil”, afirma Milva.

Condições especiais para associados

A Abramed também terá um estande próprio no espaço B-137 — no mesmo local da edição anterior. Associados e parceiros da entidade poderão usar o cupom ABRAMED15 para obter 15% de desconto nos ingressos de visitante e congressista. O benefício não é válido para a categoria Visitante Lounge. Inscrições e programação completa em https://www.hospitalar.com.

Abramed na Hospitalar 2026