Reunião conjunta dos Comitês Jurídico e de Proteção de Dados aprofunda debate sobre ECA Digital

Lei traz novos parâmetros para a segurança de crianças e adolescentes no meio virtual que alcança hospitais, laboratórios e reforça a responsabilidade solidária na cadeia de Medicina Diagnóstica

A Abramed reuniu, no último dia 4 de dezembro, seus Comitês Jurídico e de Proteção de Dados para discutir um dos marcos regulatórios que mais mobilizaram a sociedade brasileira contemporânea: o ECA Digital, relacionado ao(Estatuto da Criança e do Adolescente, que foi instituído pela Lei 15.211/2025 e tem como princípio fortalecer os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes em ambientes virtuais. 

A pauta é central para a cadeia de Medicina Diagnóstica pois, além de se referir a um tema com impacto direto na saúde mental de jovens do país, seus efeitos alcançam portais de exames, aplicativos de telemedicina, sistemas de agendamento, chatbots de hospitais e laboratórios e qualquer canal online com acesso eventual desse público, mesmo que não seja a ele direcionado. 

A reunião, realizada virtualmente, contou com palestras de Alessandra Borelli, especialista em Ética, Direito Digital, IA e Proteção de Dados; e Lucas Bonafé, especialista em Direito Digital, Regulatório e Proteção de Dados do Machado Nunes — escritório que representa a Abramed.

Um marco regulatório que muda a governança digital da saúde

Ao apresentar as bases do ECA Digital, Alessandra Borelli ressaltou que o Brasil assume protagonismo regional ao se tornar um dos primeiros países da América Latina a estabelecer um marco regulatório específico para a proteção digital infantojuvenil. 

“Os casos expostos recentemente com o “Efeito Felka” mobilizaram a sociedade e criaram guardiões digitais dentro de um debate fundamental para o futuro da segurança na internet. O ECA Digital é um marco que cobra responsabilidade de empresas, pais, poder público e, do ponto de vista tecnológico, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já está trabalhando para esclarecer pontos sensíveis da nova lei”, disse Borelli. 

Sobre os efeitos da legislação no ecossistema de saúde e de Medicina Diagnóstica, Alessandra Borelli apresentou os nove pilares que impactam diretamente os canais virtuais de hospitais e laboratórios, incluindo a necessidade de verificação etária, de medidas para a proteção contra conteúdo nocivo, publicidade responsável, do design seguro, de políticas claras de governança e transparência,  da responsabilidade solidária na cadeia e prevenção de interações indevidas, além da proteção de dados pessoais e do direito à desconexão com fomento da educação digital.

A especialista enfatizou que esses elementos exigem uma revisão profunda das jornadas digitais, contratos de telemedicina, fluxos de consentimento e políticas internas de comunicação. Como argumentou, “as instituições podem ser responsabilizadas por incidentes mesmo quando ocorrem por meio de terceiros, como agências de marketing ou plataformas tecnológicas” .

Borelli reforçou ainda que crianças e jovens são mais vulneráveis a riscos digitais relacionados a conteúdos, contatos, condutas, contratos e comércio no ambiente virtual. Esses eixos são decisivos para que se formulem estratégias de segurança, permitindo também o dimensionamento de impactos financeiros, operacionais e reputacionais para empresas que não se adequarem à nova lei.

A responsabilidade solidária prevista no ECA Digital alcança todos os integrantes da cadeia, incluindo fornecedores de tecnologia, parceiros terceirizados, provedores de infraestrutura digital e empresas de comunicação. A depender da gravidade da violação, a lei prevê advertência, suspensão de funcionalidades, bloqueio temporário de serviços, obrigação de implementação imediata de medidas corretivas e multas que podem atingir valores significativos, especialmente quando envolvem dados sensíveis de menores. Esse contexto reforça a necessidade de diagnósticos regulatórios, revisão de políticas e implementação de controles digitais adequados para evitar interrupções assistenciais e impactos reputacionais.

Questões regulatórias e o papel da Abramed

Em sua participação Lucas Bonafé trouxe a discussão sobre a Tomada de Subsídios – Consulta Pública aberta recentemente que revisa a agenda regulatória da ANPD – , lembrando que o setor de Medicina Diagnóstica enfrenta nuances específicas e que “há um prazo breve para contribuições dos associados sobre pautas como a definição de acesso a dados em portais de saúde e aplicativos de telemedicina, especialmente quando há a permissão do acesso de adolescentes”. 

Sobre esse ponto, Bonafé debateu o conceito de “acesso provável”, explicando que ele exige atenção, já que portais e aplicativos que não foram concebidos para crianças – mas que podem ser utilizados por adolescentes de forma autônoma – precisam ter “exigências de verificação etária harmonizadas com a importância da continuidade do cuidado, sobretudo quando consideramos ferramentas voltadas a saúde mental e que tem um papel importante, inclusive, no tratamento dos impactos do ambiente digital na vida dos jovens”. 

Também foram apresentadas reflexões sobre aculturamento digital, capacitação das equipes e a necessidade de envolver setores como jurídico, TI, governança, comunicação e pediatria em um esforço integrado. 

O encontro reforçou o papel da Abramed como articuladora setorial, consolidando evidências, levantando dúvidas técnicas e preparando contribuições coordenadas à ANPD sobre temas como: mecanismos adequados de verificação etária em portais de exames; limites para coleta e uso de dados sensíveis de menores na jornada assistencial; critérios de responsabilização quando a interação ocorre via terceiros; e parâmetros mínimos de governança digital para o setor de saúde.

A entidade seguirá apoiando os associados na interpretação das obrigações regulatórias e na implementação de medidas técnicas e organizacionais que garantam conformidade diante da combinação entre LGPD, ECA Digital e normas sanitárias.

Ao comentar a relevância da pauta, Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed, destacou: “O ECA Digital inaugura uma nova fronteira de responsabilidade solidária para o setor de Saúde. Não se trata apenas de cumprir regras, mas de garantir que cada interação digital seja segura, ética e compatível com o cuidado que prestamos. A Abramed seguirá como um ponto de convergência entre reguladores, especialistas e o setor produtivo para apoiar uma adequação madura, responsável e alinhada à proteção integral de crianças e adolescentes”.

Abramed lança Relatório Anual de Atividades 2025

Publicação destaca entregas, avanços regulatórios e fortalecimento institucional da entidade ao longo do ano

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) lançou o Relatório Anual de Atividades 2025, que reúne as principais ações realizadas pela entidade ao longo do ano, reafirmando o compromisso com a sustentabilidade, a qualidade e a inovação na Saúde.

A publicação apresenta um panorama das entregas institucionais, agendas técnicas e relações governamentais, consolidando 2025 como um ano de conquistas concretas e de fortalecimento do papel da Abramed como interlocutora estratégica do setor junto ao poder público e à sociedade.

“Este foi um ano de importantes marcos para a Medicina Diagnóstica. Estivemos presentes em discussões decisivas sobre a Reforma Tributária, a nova RDC 978/2025, o Marco Legal da Inteligência Artificial, a Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PNDL) e o avanço da interoperabilidade, reafirmando nossa missão de contribuir tecnicamente para o desenvolvimento de um Sistema de Saúde mais seguro e sustentável”, destaca Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed.

Entre os temas centrais da publicação estão as ações de Relações Governamentais, com acompanhamento de mais de 30 proposições legislativas, consultas públicas e audiências estratégicas; a cooperação técnica com o Ministério da Saúde e o InovaHC para integração de dados e uso do padrão LOINC; e o fortalecimento de frentes como qualidade e segurança do paciente, ESG e ética na inovação tecnológica.

“Cada capítulo reflete a densidade técnica e o impacto do trabalho coletivo da Abramed — dos comitês temáticos às agendas de representação institucional. Nosso papel é conectar o setor, gerar conhecimento e representar os interesses do setor de Medicina Diagnóstica de forma colaborativa e propositiva”, afirma Milva Pagano, Diretora Executiva da entidade.

O relatório também mostra os eventos realizados e apoiados pela associação — como o Summit Abramed Hospitalar, o Diagnóstico em Pauta, o Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) e as Reuniões Mensais de Associados — além das participações institucionais em fóruns sobre regulação, inovação e sustentabilidade.

“O Relatório Anual é um testemunho do nosso compromisso contínuo com a qualidade, a transparência e o desenvolvimento sustentável do setor. Ele mostra que, juntos, seguimos construindo uma Saúde mais integrada, inovadora e centrada no paciente”, conclui Milva.O Relatório Anual de Atividades 2025 já está disponível no site da Abramed.


Clique aqui para acessar a publicação completa.

Mensagem de fim de ano

Prezado associado,

Ao nos aproximarmos do final de 2025, é tempo de pausar, olhar para trás e celebrar um ciclo verdadeiramente vitorioso para todos nós. Este ano não foi apenas mais um calendário cumprido, mas um marco definitivo em nossa história, onde nossos compromissos estratégicos se transformaram em entregas concretas que fortaleceram a Medicina Diagnóstica em todo o Brasil.

Foi um período em que a materialização dos nossos avanços ampliou a confiança da sociedade e reafirmou a importância do nosso setor. Intensificamos nossa presença institucional em Brasília e junto a órgãos reguladores, construindo pontes sólidas que garantiram que o diagnóstico fosse reconhecido como um componente estratégico e vital para a saúde nacional.

Essa maturidade institucional, fruto dos nossos 15 anos de caminhada, refletiu-se na qualidade dos nossos encontros. Momentos como o FILIS e o lançamento da nova edição do Painel Abramed não foram apenas espaços de debate, mas de construção coletiva de soluções, onde antecipamos tendências e compartilhamos conhecimentos valiosos.

Ao longo do ano, atuamos de forma decisiva na linha de frente das grandes discussões que moldam o futuro do nosso mercado. Desde os debates sobre Inteligência Artificial e a defesa da Política Nacional do Diagnóstico Laboratorial até o acompanhamento minucioso da Reforma Tributária, nosso foco foi garantir segurança, transparência e sustentabilidade. Trabalhamos incansavelmente para traduzir a complexidade desses temas em apoio real e informação clara para o seu dia a dia, ao mesmo tempo em que avançamos nas pautas de inovação e ESG.

Encerramos este ciclo com o coração cheio de gratidão e a convicção de que cada avanço e parceria firmada em 2025 tornou a Abramed um agente de transformação ainda mais forte. Nada disso seria possível sem a sua confiança e participação.

Que as conquistas deste ano sirvam de inspiração para o novo tempo que se aproxima. A Abramed reafirma o compromisso de seguir ao seu lado, apoiando as adaptações necessárias e promovendo a excelência.

Desejamos a você, à sua família e a toda sua equipe um final de ano de paz e alegria, e um 2026 repleto de prosperidade e novas realizações.

Boas festas!

Milva Pagano, Diretora Executiva da Abramed.

Entrevista de Dr. Alex Galoro ao Jornal da Record News esclarece obrigatoriedade do exame toxicológico para primeira habilitação

Em entrevista ao Record News, o Dr. Alex Galoro, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed, esclareceu os principais pontos relacionados à obrigatoriedade do exame toxicológico para a primeira habilitação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todas as categorias. A mudança foi aprovada pelo Congresso após a derrubada do veto presidencial e amplia a exigência que antes se restringia a motoristas profissionais.

Durante a conversa, Galoro detalhou o funcionamento do exame, as substâncias detectadas, os prazos de realização e a dinâmica de envio dos resultados ao sistema nacional de trânsito. O médico explicou que o teste identifica drogas psicoativas ilícitas por meio de amostras de cabelo, pelos ou unhas, com janela de detecção de até 90 dias, e destacou os mecanismos de confirmação que garantem a confiabilidade dos resultados.

O especialista também abordou o debate sobre custos, ressaltando que, apesar do impacto financeiro inicial para alguns candidatos à primeira habilitação, os benefícios superam esse fator ao contribuir para a redução de acidentes, da sinistralidade e dos custos associados à saúde e à segurança viária. Segundo ele, a experiência acumulada com a exigência do exame para as categorias C, D e E já demonstrou efeitos positivos na retirada de motoristas sob efeito de drogas do trânsito.

Confira a entrevista completa.

Abramed celebra 15 anos com Ministério da Saúde, Anvisa, parlamentares e lideranças em Brasília

Reunião Mensal de Associados marcou a renovação do acordo com o governo federal e mostrou o protagonismo da entidade na regulação, interoperabilidade e na agenda estratégica do diagnóstico no Brasil.

A Abramed realizou, em 24 de novembro, uma edição especial da Reunião Mensal de Associados (RMA), que marcou os 15 anos da entidade e reuniu o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a Secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, lideranças da Anvisa, parlamentares, CEOs e diretores das empresas associadas e membros do Conselho.

O encontro foi descrito pelos próprios participantes como um “momento histórico”, que consolidou a relevância da Abramed e o importante papel da medicina diagnóstica para o país. A reunião foi conduzida por Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração, e por Milva Pagano, diretora-executiva, no escritório da Queiroz, Monteiro & Lima, assessoria de Relações Governamentais, em Brasília (DF).

Serviço seguro, regulação viva e diálogo técnico

A primeira parte do evento foi dedicada à Anvisa, evidenciando a maturidade da relação com a Abramed. Nos últimos anos, esse diálogo se tornou fundamental para orientar avanços regulatórios, harmonizar interpretações e construir, de forma conjunta, caminhos que garantam segurança, qualidade e inovação ao setor.

Em sua apresentação, a gerente-geral da Anvisa, Márcia Gonçalves de Oliveira, abordou a estratégia “Serviço Seguro”, um projeto que busca harmonizar a atuação de todas as vigilâncias sanitárias do país, reduzir subjetividades e basear a atuação em risco real. Ela explicou que o Brasil possui cerca de 468 mil serviços de saúde cadastrados e que o grande desafio é construir uma vigilância que amplie acesso com segurança e consistência.

Márcia detalhou o modelo dos Roteiros Objetivos de Inspeção (ROI) e apresentou os índices construídos pela agência a partir de dados de infecção, risco potencial e segurança do paciente. “A vigilância sanitária não pode ser um inibidor do desenvolvimento, mas um indutor de qualidade”, ressaltou. Ao final, citou a necessidade de uma regulação moderna, adaptável e centrada na pessoa.

Na sequência, foram chamados ao palco Diogo Soares, diretor-adjunto da Presidência da Anvisa, e Daniela Marreco, diretora da 3ª Diretoria, para um debate moderado por Cesar Nomura. Soares reforçou a importância do diálogo institucional e da escuta ativa, afirmando que a agência precisa conhecer, com clareza, as situações em que suas normas têm sido aplicadas de modo excessivamente restritivo, para atuar com revisões, notas técnicas e harmonização com vigilâncias locais.

“O setor de medicina diagnóstica é estratégico do ponto de vista regulatório e a terceira diretoria está comprometida em acompanhar as demandas do setor e ajustar pontos críticos sempre que necessário”, expôs.

Por sua vez, Daniela disse que vem estudando profundamente as demandas da área de medicina diagnóstica desde que assumiu a diretoria. Ela comentou que muitas normas da Anvisa foram concebidas para não inviabilizar serviços, mas reconheceu que interpretações divergentes das vigilâncias podem causar distorções.

A diretora também abordou os desafios da RDC 978 e se colocou à disposição para receber dúvidas específicas sobre temas como entrepostos, coleta domiciliar e entrega de amostras. Segundo ela, a equipe está organizando, em parceria com a Abramed, visitas técnicas para entender de perto a realidade. A Anvisa está reunindo todos os pontos sensíveis para decidir se fará ajustes pontuais na resolução ou se publicará uma Nota Técnica, caso uma revisão formal não seja necessária.

Sobre a realização de testes em farmácias, defendeu que a norma precisa ser observada como um experimento regulatório controlado: “É preciso testar, monitorar e avaliar os resultados antes de avançar ou retroceder.” Ela reafirmou a visão de que o diagnóstico realizado em farmácia deve ser entendido como triagem, não como substituto da análise clínica tradicional.

Daniela também agradeceu a Abramed pelo apoio em iniciativas recentes, como a campanha “Com a Visa no Peito”, que fortaleceu a qualidade dos serviços de mamografia no país, e pela contribuição técnica na implementação da RDC 786, especialmente no tema de assinatura eletrônica.

Ela mencionou, ainda, o acompanhamento da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PL 5478/2025) e o debate sobre inteligência artificial, destacando que o Brasil precisa de critérios para garantir seu uso “ético, transparente e responsável”. A diretora concluiu reforçando que novas contribuições são essenciais para priorizar os esforços regulatórios e garantir resoluções efetivas, previsíveis e alinhadas às necessidades do setor.

Interoperabilidade, regulação e cibersegurança

O segundo bloco da RMA reuniu, em mais um debate, os deputados federais Ismael Alexandrino e Pedro Westphalen, além do secretário-executivo da Frente Parlamentar de Cibersegurança e Defesa Cibernética, Carlos Diego de Araújo, sob moderação de Cesar Nomura.

Carlos Diego iniciou com um alerta: o Brasil é o país mais atacado da América Latina em crimes cibernéticos, e o setor de saúde tem sido um dos principais alvos. Ele lembrou que a inteligência artificial e a computação quântica tendem a ampliar a complexidade dos ataques e que o país ainda está “muito incipiente” na defesa cibernética. Em sua fala, apontou a relevância de uma ação conjunta em cibersegurança e convidou a Abramed para integrar o Instituto Brasileiro de Defesa Cibernética (IDCiber).

Já o deputado Ismael Alexandrino discorreu sobre sustentabilidade do SUS, transformação digital e a necessidade de unificação de dados. Ele explicou que a interoperabilidade não diz respeito apenas a prontuário eletrônico, mas à capacidade de coletar informações espontâneas e estruturadas para orientar políticas públicas de longo prazo. “Dados bem padronizados permitem prever sinistros, antecipar riscos e planejar ações que impactam gerações”, disse.

Ismael também abordou desafios regulatórios da inteligência artificial, defendendo um modelo que garanta governança, segurança jurídica, inovação responsável e normas vivas, capazes de evoluir sem engessar o setor.

Sobre a RDC 978, o deputado expressou preocupação com a ampliação do papel das farmácias nas testagens de doenças. “Precisamos ter muito cuidado e olhar para o sistema como um todo. Teste que não muda conduta pode aumentar a porta de entrada das emergências e não necessariamente melhorar a assistência. O país ainda não está maduro para uma expansão abrupta. Podemos usar a telessaúde como aliada, mas temos que aprofundar essa discussão”, expôs Ismael.

O objetivo é que os testes realizados nas farmácias funcionem apenas como triagem, levando o paciente a buscar o laboratório clínico para confirmar o diagnóstico. Só depois dessa confirmação é que se espera o acionamento do serviço de saúde. “A intenção nunca foi que a triagem, por si só, gerasse demanda imediata nos serviços. No entanto, como a prática nem sempre segue exatamente o previsto, será necessário observar os resultados e avaliar qual estratégia regulatória se mostra mais adequada”, complementou.

Em sua participação, o deputado Pedro Westphalen tratou da Política Nacional de Diagnóstico Laboratorial (PL 5478/2025), proposta que visa estabelecer diretrizes técnicas, científicas e regulatórias para o setor de medicina diagnóstica no Brasil, com o objetivo de integrar e fortalecer o papel dos exames laboratoriais na saúde pública e suplementar. 

“Não temos muitos projetos, mas temos bons projetos. A PNDL foi elaborada ao longo de um ano inteiro, com diálogo, avanços e recuos. No Parlamento, quase nada tramita sem modificações, mas quando existe consciência coletiva de que o tema é bom para todos, o caminho fica mais sólido. Conseguimos fazer esse PL avançar de forma adequada, sem atropelos, mostrando a relevância de um segmento que muitas vezes não aparece, mas que é essencial para o Brasil”, disse Westphalen, que entregou o documento ao Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante o evento.

ACT com o Ministério da Saúde

O ponto alto da RMA foi a renovação do Acordo de Cooperação Técnica entre a Abramed e o Ministério da Saúde para a padronização e integração de dados de exames, que agora avança para mais 24 meses. Cesar Nomura abriu a cerimônia destacando a importância do momento e o caráter histórico da iniciativa.

“A cooperação nasceu de forma genuína e estratégica, profundamente conectada ao propósito de integrar o sistema de saúde por meio de dados qualificados”, disse. Ele relembrou que a semente da cooperação surgiu no FILIS de 2023, com a presença da Secretária Ana Estela Haddad, e que o acordo firmado em 2024 já apresentou resultados concretos.

Foram salientados os avanços na tradução e padronização dos códigos de exames de notificação compulsória, conduzidos pelos comitês da Abramed; a revisão do modelo de resultados laboratoriais (REL) da RNDS; e o alcance inédito de interoperabilidade para 204 exames, incluindo arboviroses e doenças respiratórias.

“Essa iniciativa fortalece a vigilância epidemiológica, qualifica políticas públicas e aproxima o cidadão dos dados que são seus por direito”, expôs. A renovação amplia o escopo da cooperação, permitindo aperfeiçoar fluxos de notificação, modernizar a relação com a RNDS e incluir novos agravos prioritários.

Em seu discurso, após a assinatura conjunta da renovação do termo, Alexandre Padilha reconheceu que a cooperação com a Abramed tem valor estratégico e que os resultados apresentados demonstram maturidade técnica, consistência e capacidade de integração do setor. “A presença do setor privado no debate sobre qualidade e estruturação do sistema fortalece o SUS e impulsiona a incorporação tecnológica responsável”, ressaltou, afirmando que a interoperabilidade é central para a política pública de saúde digital.

O Ministro da Saúde também parabenizou o Projeto de Lei sobre a PNDL apresentado pelo deputado federal Pedro Westphalen. “Transformar essa política em lei é fundamental, porque cria um marco que ultrapassa governos e consolida o tema no centro da agenda do setor. Contem com o apoio do Ministério da Saúde para avançarmos e aprovarmos esse projeto o mais rápido possível”, disse.

A Secretária Ana Estela Haddad também assinou o termo e reforçou, em outros momentos, a importância da Abramed para a consolidação da agenda nacional de saúde digital, reconhecendo a entidade como parceira técnica fundamental para a evolução da RNDS, da vigilância e da interoperabilidade.

Um marco para a Abramed e para o setor

Ao final do encontro, Cesar Nomura destacou que cerca de 85% dos exames do setor suplementar passam pelas associadas da Abramed e que o alinhamento entre o setor privado, o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Congresso Nacional permite avanços sistêmicos para a saúde brasileira. Ele mencionou ainda a presença de Giovanni Cerri e Marco Bego, do InovaHC, como demonstração da convergência entre academia, inovação e sistema de saúde.

“O evento consolidou a Abramed como ator institucional de alto nível, capaz de articular agendas estratégicas diretamente com os principais formuladores de políticas públicas da saúde no Brasil”, disse Nomura. Milva complementou que o encontro refletiu a elevação da entidade a um patamar ainda mais estratégico na agenda nacional da saúde, reafirmando seu papel como uma das instituições mais influentes do setor.

Ampliar o acesso só faz sentido quando há garantia de qualidade e segurança, defende Abramed

No Rio Health Forum 2025, a entidade reafirmou que novos modelos de cuidado precisam operar com responsabilidade técnica e rigor sanitário para proteger o paciente.

Em sua participação no Rio Health Forum 2025, a Abramed destacou que ampliar o acesso à saúde só é efetivo quando há garantia de qualidade e segurança em todos os pontos de cuidado, sobretudo com a chegada de novos atores ao sistema, particularmente na área diagnóstica.

A discussão ocorreu no painel “Jornada do Paciente: quando ecossistemas aumentam acesso com qualidade”, que reuniu Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed; Bruno Pipponzi, vice-presidente da RD Saúde; Hellen Miyamoto, superintendente da FenaSaúde; Márcia de Oliveira, gerente da Anvisa; e Tulio Landin, diretor do Mercado Livre, tendo Paula Campoy, presidente da ASAP, como moderadora.

Ao apresentar a visão da Abramed, Milva Pagano salientou que a expansão de pontos de cuidado — do varejo farmacêutico a plataformas digitais — não pode prescindir de critérios técnicos rígidos. Para ela, a questão não é apenas ampliar portas de entrada, mas assegurar que cada uma delas opere com padrões compatíveis com o impacto clínico dos serviços. “Quando falamos em acesso, precisamos falar de acesso com qualidade e segurança. Saúde não é espaço para experimentação baseada em modelo de negócio”, destacou.

A diretora-executiva da Abramed lembrou que o diagnóstico deixou de ser uma etapa pontual da jornada e passou a ocupar papel contínuo na vida das pessoas, presente desde antes da concepção até os cuidados de fim de vida. Ele funciona como um “mapa”, orientando decisões clínicas, prevenindo riscos e melhorando a alocação de recursos. No entanto, para que cumpra esse papel, sua utilização precisa ocorrer no momento certo, dentro de uma jornada coordenada e apoiada por responsabilidade técnica. “Caso contrário, vira apenas custo adicional no sistema”, expôs Milva. Essa visão ecoou em vários momentos do debate, especialmente quando a discussão tocou no uso de testes rápidos em farmácias.

Pipponzi, da RD Saúde, trouxe dados relevantes sobre o potencial da farmácia como ponto de cuidado primário, com alcance territorial e capacidade de promover campanhas de saúde, vacinação, monitoramento de doenças crônicas e serviços de baixa complexidade. A rede RD Saúde conta com 3.500 farmácias, integrando um universo de 90 mil estabelecimentos farmacêuticos em todo o Brasil.

Representando o setor de plataformas digitais, Tulio Landin ressaltou que o Mercado Livre tem atuado para democratizar o acesso a medicamentos, especialmente em municípios onde a população enfrenta barreiras geográficas ou ausência de farmácias locais — uma visão que reforçou a necessidade de integrar inovação com responsabilidade sanitária.

Hellen, da FenaSaúde, expôs entraves históricos à coordenação do cuidado, mostrando como o beneficiário ainda vive uma jornada fragmentada, desorganizada e marcada por incentivos desalinhados. Isso reforçou a provocação de Milva sobre o impacto direto dessa fragmentação na segurança e no desfecho clínico. “Ou paramos de brincar de faz de conta com esse discurso do paciente no centro, ou nada muda. O paciente nunca esteve no centro. A jornada só existe se for segura”, completou a diretora-executiva da Abramed.

A participação da Anvisa trouxe elementos sobre a evolução da regulação sanitária, enfatizando que a agência busca atuar como indutora de boas práticas, sem comprometer a inovação. Márcia ressaltou que o foco regulatório permanece na proteção da população e na garantia de serviços seguros, mesmo em um cenário de novos modelos de negócio. Essa visão foi alinhada pela Abramed, que reforçou o papel da regulação como base para qualquer transformação do sistema.

O debate encerrou com um consenso entre os participantes: nenhum ator conseguirá transformar o sistema de forma isolada. A integração é necessária, mas só será efetiva se sustentada por responsabilidade técnica, governança sólida e decisões orientadas pelo impacto real na vida das pessoas.

Para Milva, isso exige coragem das lideranças para encarar conversas difíceis e colocar a segurança e a qualidade acima das disputas de protagonismo. “Todo mundo precisa ser sustentável, mas sustentabilidade não existe sem coerência técnica ao longo da jornada. Acesso sem qualidade não é acesso — é risco”, finalizou.

Cooperação para sustentabilidade no sistema de saúde

A Abramed também esteve representada no debate “Como a cadeia da saúde pode cooperar para um sistema mais sustentável”, com participação de Cesar Nomura, ao lado de Fernando Silveira Filho, presidente da Abimed; Helaine Capucho, diretora de Acesso ao Mercado da Interfarma; Marcos Novais, diretor-executivo da Abramge, e Paulo Henrique Fraccaro, CEO da Abimo.

O painel reforçou princípios que orientam a agenda institucional da Abramed: colaboração setorial, eficiência sistêmica, sustentabilidade e cuidado de qualidade. As discussões destacaram que modelos centrados exclusivamente em custo não são suficientes — é necessário alinhar incentivos, aprimorar governança e fortalecer práticas baseadas em evidências.

Ambos os debates demonstraram o papel estratégico da medicina diagnóstica como base para decisões clínicas precisas e para a sustentabilidade de longo prazo do sistema de saúde brasileiro.

Ministério da Saúde e Abramed: Renovação do acordo de cooperação técnica potencializa integração laboratorial privada com SUS

Além da ampliação do acesso, aliança fortalece a saúde digital e vigilância epidemiológica

Na última segunda-feira, 24/11, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) realizou uma edição especial da sua Reunião Mensal de Associados (RMA), em Brasília, para celebrar os 15 anos da entidade e oficializar a renovação do Acordo de Cooperação Técnica – que avança para seu segundo ciclo (2025-2027). 

Além de reforçar o propósito de integrar o sistema de saúde brasileiro por meio de dados qualificados, o acordo também estabelece a interoperabilidade laboratorial como prioridade central e política de Estado. E propõe ainda o avanço na construção de um modelo informacional comum para exames laboratoriais no país, capaz de superar a fragmentação histórica entre o setor público, a saúde suplementar e as diversas redes de laboratórios, passo fundamental para fortalecer a saúde digital e a vigilância epidemiológica. 

O evento contou com a participação do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e da Secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, além de representantes da Anvisa: Diogo Soares, Daniela Marreco Cerqueira e Marcia Gonçalves de Oliveira.

Os Deputados Federais Ismael Alexandrino e Pedro Westphalen, e o Secretário-Executivo da Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética, Carlos Diego, participaram dos debates. 

Resultados Alcançados e Próximos Passos

O trabalho conjunto, que nasceu de uma interlocução com a Secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad, e o então Ex-Presidente e atual membro do Conselho de Administração Abramed, Dr. Wilson Shcolnik, já gerou importantes entregas. 

A iniciativa alcançou a padronização nacional com a conclusão da tradução de todos os códigos dos exames constantes na Lista Nacional de Notificação Compulsória, garantindo a padronização e permitindo a harmonização entre diferentes sistemas e padrões utilizados pelos laboratórios clínicos. 

O modelo de Resultado de Exames Laboratoriais (REL) da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) também foi revisado e modernizado (conhecido como HELP na transcrição da fala), consolidando um modelo informacional capaz de atender às necessidades do SUS, da saúde suplementar e da vigilância epidemiológica. 

Validado e incorporado à RNDS, esse modelo já tornou possível a interoperabilidade de 204 exames, incluindo todos os relacionados às arboviroses (dengue, zika, Chikungunya e febre amarela). 

A cooperação está permitindo ainda a expansão contínua para doenças respiratórias, como febre do Nilo, mayaro, e futuramente, para toda a linha de cuidado da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). 

Dessa forma, a renovação amplia por mais 24 meses o escopo do acordo, permitindo aperfeiçoar fluxos de notificação, modernizar a infraestrutura de comunicação com a RNDS e priorizar novas doenças e agravos para integração. 

Benefícios para o Cidadão e para o Sistema de Saúde

Esse esforço conjunto traz benefícios diretos ao cidadão, que pode acessar resultados de exames de forma padronizada no Meu SUS Digital. Já para os profissionais de saúde, a integração dessas informações no SUS Digital Profissional favorece a continuidade, a segurança clínica e a resolutividade. 

A federalização do modelo já está em curso, ampliando o alcance da iniciativa para estados e municípios, o que é essencial para fortalecer a vigilância em saúde e possibilitar respostas mais rápidas a surtos, epidemias e emergências sanitárias. 

“A continuidade demonstra a confiança mútua construída ao longo do processo e reafirma que essa cooperação vai muito além da digitalização de processos: ela qualifica o cuidado, fortalece políticas públicas e aproxima o cidadão das informações que lhe pertencem”, declara Dr. Cesar Nomura, Presidente da Abramed. 

Mais sobre a Abramed

A Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) foi fundada em 2010 como resultado da junção de esforços de empresas de Medicina Diagnóstica do país. Em um momento em que o sistema de saúde brasileiro passava por transformações, tais como a consolidação de um novo perfil empresarial e regulamentações necessárias para o futuro da Medicina Diagnóstica, essas empresas de atuação de ponta no mercado perceberam os benefícios que uma ação integrada poderia trazer para a defesa de suas causas comuns.

Assim, a Abramed tornou-se a voz de seus associados nos diálogos com instituições públicas, governamentais e regulatórias, expressando a visão e os anseios do setor sobre assuntos relacionados à saúde e a adoção de políticas e medidas que considerem a importância da Medicina Diagnóstica para os cuidados da população brasileira.

Ainda traduz sua representatividade através da parceria com a comunidade científica e demais entidades envolvidas com o setor e no diálogo com a sociedade civil.

Seus associados, juntos, respondem por mais de 80% de todos os exames realizados pela saúde suplementar no país. Empresas essas, reconhecidas por sua qualidade na prestação de serviços, excelência tecnológica, práticas avançadas de gestão, inovação, governança e responsabilidade corporativa.

27 de novembro de 2025

Abramed ganha destaque no Portal Gov ao renovar acordo com o Ministério da Saúde para padronização nacional de exames laboratoriai

A matéria publicada pelo Ministério da Saúde destaca a renovação do acordo de cooperação técnica que estabelece a padronização de mais de 290 códigos de exames laboratoriais, fundamentais para o monitoramento de arboviroses como dengue, Zika e chikungunya.

O avanço, construído em colaboração com a Abramed, consolida uma linguagem única entre laboratórios públicos e privados por meio do padrão internacional LOINC, permitindo que resultados de exames tenham o mesmo significado em qualquer unidade do país — e até mesmo em redes globais de saúde. A integração desses dados à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) eleva o padrão de interoperabilidade, qualifica indicadores epidemiológicos e fortalece a capacidade do Brasil de detectar, rastrear e responder a surtos com maior precisão.

Durante a cerimônia em Brasília, o ministro Alexandre Padilha destacou que a iniciativa está alinhada às novas diretrizes da RNDS, hoje garantida por lei, e reforçou a importância de consolidar um ambiente de dados robusto para orientar políticas públicas baseadas em evidências. O novo ciclo da cooperação, que inclui a adoção nacional do Modelo Informacional de Resultados de Exames Laboratoriais (REL), amplia ainda mais a rastreabilidade e a qualidade dos dados do SUS.

A renovação do acordo aconteceu durante a celebração dos 15 anos da Abramed e simboliza o compromisso permanente da Associação com inovação, segurança e excelência diagnóstica. A parceria segue vigente até 2027, consolidando o papel técnico da Abramed como articuladora entre governo, setor privado e ecossistema de ciência de dados em saúde.

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Abramed reforça protagonismo em inovação, IA e interoperabilidade na FISWeek 2025

Presença intensa da entidade evidenciou o compromisso com inovação responsável, eficiência e melhoria contínua do cuidado em saúde.

A Abramed marcou presença na FISWeek 2025, o maior evento de inovação, criatividade e tendências da saúde da América Latina, realizado de 5 a 7 de novembro, no Rio de Janeiro. Com mais de 7 mil participantes e 1.400 executivos C-level, o encontro se consolidou como um dos principais pontos de convergência do ecossistema de saúde no país.

Nesse ambiente altamente qualificado, a Associação ampliou seu protagonismo ao organizar dois painéis, participar de outros dois debates e levar ao palco lideranças que avançam discussões centrais para o futuro da saúde: da adoção responsável da IA à interoperabilidade, passando pela digitalização de dados e pela eficiência assistencial.

O primeiro painel promovido pela Abramed foi “Inovação com Responsabilidade: Desafios para Estruturar o Uso da IA com Segurança, Eficiência e Acesso”. Moderado por Milva Pagano, Diretora Executiva da Associação, o debate reuniu Augusto Antunes, da Axial Inteligência Diagnóstica – Grupo Alliança; Lucas Bonafé, do Machado Nunes Advogados; e Manuel Coelho, da Siemens Healthineers.

Os participantes trouxeram perspectivas complementares sobre governança, validação, segurança e aplicação prática da IA no cotidiano da Medicina Diagnóstica. A conversa evidenciou que inovação só se sustenta quando acompanhada de ética, rigor e impacto assistencial — pilares que orientam a atuação técnica da Abramed.

Dois dias depois, a Associação voltou ao palco com o painel “Interoperabilidade: Pilar da Eficiência e do Cuidado em Saúde”, que também foi moderado por Milva Pagano. Atualpa Aguiar, da MedSênior; Jacqueline Torres, da Agência Nacional de Saúde (ANS); e Jussara Macedo, da HL7 Brasil, discutiram a urgência de padrões nacionais, integração entre sistemas e governança de dados para reduzir desperdícios, apoiar decisões clínicas e aprimorar a coordenação do cuidado. A interoperabilidade foi reafirmada como um dos alicerces da transformação digital no país.

Ainda durante o evento, a entidade participou do painel “Próximos Passos: Digitalizando e Unificando os Dados na Saúde”. Com mediação de Milva Pagano e presença de Alessandra Zanqueta, da ZMed;, Luciana Albuquerque, da Secretaria Municipal de Saúde de Recife; e Victor Hugo Nascimento, integrante do #EcossitemaFIS, a discussão reforçou que a consolidação de padrões de troca de informação, aliada à segurança dos dados, é determinante para uma jornada de cuidado fluida e integrada. 

Já no painel “Reimaginando a Imagem com IA”, realizado no último dia do evento, Cesar Nomura, Presidente do Conselho de Administração da Abramed, participou como speaker ao lado de Daniel Vital, da Harpia AI, e Flavio Carneiro, da MV S/A, sob moderação de Iomani Engelmann, da Pixeon. 

A conversa reforçou o protagonismo da Medicina Diagnóstica na adoção de IA, especialmente na radiologia, área que concentra o maior número de algoritmos aprovados globalmente. 

A participação intensa da Associação na FISWeek 2025 evidencia, mais uma vez, seu compromisso com a construção de um ecossistema de saúde mais integrado, seguro, eficiente e orientado por evidências. Ao liderar debates sobre IA, interoperabilidade e saúde digital e contribuir em discussões de sustentabilidade e acesso, a entidade reafirma seu papel como interlocutora técnica entre setor privado, indústria, formuladores de políticas públicas e sociedade.

Novembro Azul: tecnologia e prevenção ampliam as oportunidades de diagnóstico precoce

Medicina de precisão e avanços em imagem reforçam o papel central da detecção da doença em estágio inicial para o cuidado à saúde masculina.

A campanha Novembro Azul reforça, ano após ano, a importância do cuidado contínuo com a saúde masculina. Ao mesmo tempo, os avanços da Medicina Diagnóstica ampliaram a precisão dos exames voltados à próstata, fortalecendo o debate sobre prevenção e incentivando que mais homens incluam a rotina de cuidado em seu dia a dia. 

Tecnologias como a medicina de precisão e a evolução dos métodos de imagem tornaram a detecção do câncer de próstata mais qualificada, criando novas oportunidades para o diagnóstico precoce.

Entre os destaques, exames como o CA 15-3 e a imuno-histoquímica apresentaram crescimento acima da média. Essa tendência está diretamente associada à evolução da medicina de precisão, que permite identificar subtipos de tumores e orientar tratamentos personalizados.

“A imuno-histoquímica ajuda a determinar o subtipo do tumor de próstata e possibilita terapias mais direcionadas. Esse avanço representa uma revolução silenciosa, que torna o tratamento mais eficaz e reduz a mortalidade”, explica Dr. Marcos Queiroz, líder do Comitê de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da Abramed e Diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Israelita Albert Einstein.

O especialista também destaca o avanço dos exames de imagem, especialmente a ressonância magnética, como ferramenta essencial na detecção precoce:

“A ressonância tem altíssima acurácia para detectar tumores prostáticos e se tornou mais acessível nos últimos anos. Hoje, equipamentos de 1,5 Tesla já permitem diagnósticos de qualidade, o que amplia o acesso e fortalece a prevenção”, complementa.

Para o Dr. Queiroz, o cenário atual é promissor. “Temos um arsenal diagnóstico amplo — exames de sangue como PSA, testes de imunoquímica, ressonância magnética e o exame clínico. Não há motivo para que o câncer de próstata não seja diagnosticado precocemente. A mensagem central deste Novembro Azul é: o cuidado contínuo com a saúde masculina salva vidas”, afirma.

A Abramed reforça que o aumento nos exames voltados à próstata acompanha o movimento de modernização da Medicina Diagnóstica no país, que vem incorporando tecnologias de precisão e práticas integradas de cuidado. O diagnóstico precoce continua sendo o maior aliado da sobrevida e da qualidade de vida dos pacientes oncológicos, além de representar uma estratégia concreta para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso à prevenção.