O desafio de regular uma saúde em transformação sem perder segurança

Enquanto novas tecnologias transformam a medicina diagnóstica,  reguladores, empresas e profissionais de saúde trabalham para  construir regras que garantam qualidade, segurança e previsibilidade. 

Nunca a inovação avançou tão rapidamente na saúde. Ferramentas de inteligência artificial apoiam médicos na interpretação de exames, identificam padrões associados a doenças, ampliam o uso da medicina personalizada e, juntamente com a integração de dados, tornam a jornada do paciente mais conectada.

Ao mesmo tempo em que essas transformações ampliam a capacidade diagnóstica e tornam o cuidado mais preciso, elas desafiam um modelo regulatório historicamente construído para um ritmo muito mais lento.

Tecnologias digitais evoluem em meses, enquanto processos regulatórios, modelos de incorporação e adaptações normativas costumam demandar anos. Esse descompasso reforça a necessidade de um diálogo permanente entre os diferentes atores do ecossistema da saúde.

Em áreas como a medicina diagnóstica, na qual aproximadamente 70% das decisões clínicas são apoiadas por exames, esse equilíbrio torna-se ainda mais necessário. Mais do que impor exigências, a regulação tem papel essencial para garantir que novas tecnologias cheguem à população com qualidade, segurança, previsibilidade e responsabilidade.

Como o Brasil começa a responder

Em fevereiro deste ano, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, estabelecendo regras para o uso de inteligência artificial na prática médica. A norma formaliza que a IA atua como ferramenta de apoio, mas a responsabilidade final pelas decisões clínicas permanece com o médico. Transparência, rastreabilidade e supervisão humana passam a ser requisitos inegociáveis.

Apesar de importante, esse marco também revela o tamanho do desafio que ainda está pela frente. A Anvisa trabalha na revisão de sua regulamentação para softwares médicos, buscando incluir conceitos como o de algoritmo adaptativo — sistemas que continuam aprendendo e evoluindo após a aprovação.

Esse é um dos pontos mais críticos, visto que a lógica regulatória tradicional foi construída para produtos estáticos. Para tecnologias que se modificam continuamente com o uso, esse modelo ainda precisa ser reinventado.

“Diante do ritmo acelerado da inovação em saúde, não considero suficiente escolher entre velocidade e segurança, mas construir uma regulação adaptativa, baseada em risco e em evidências, capaz de evoluir junto com a inovação”, avalia Wilson Shcolnik, membro do Conselho de Administração da Abramed.

Para ele, nem toda inovação representa o mesmo potencial de dano. Tecnologias de maior impacto sobre decisões clínicas, como sistemas de inteligência artificial para diagnóstico, devem ser submetidas a exigências mais rigorosas do que soluções administrativas ou de apoio.

“Uma regulação adaptativa, em vez de normas de longa duração, que permitam revisões periódicas, atualização contínua e incorporação rápida de novas evidências científicas e sandboxes regulatórios, onde existam ambientes controlados para empresas e instituições testarem novas tecnologias sob supervisão do regulador, também seriam bem-vindos”, completa.

Interoperabilidade e dados: o próximo desafio regulatório

A integração de dados clínicos apresenta dilema semelhante. A interoperabilidade entre sistemas reduz repetições desnecessárias, acelera decisões médicas e melhora a utilização dos recursos disponíveis. Contudo, essa circulação de informações exige critérios bem definidos de governança, proteção de dados e padronização, algo que o ambiente regulatório ainda está construindo.

O PL 2.338/2023, que cria o marco legal de inteligência artificial no Brasil, ainda tramita no Congresso. Enquanto isso, empresas que precisam decidir sobre investimentos em sistemas de IA operam sem clareza sobre as obrigações que serão impostas, o prazo de adequação e a autoridade responsável pela fiscalização. Para o setor diagnóstico, essa incerteza tem custo.

Wilson Shcolnik reforça que o setor privado de medicina diagnóstica não deve ser apenas destinatário da regulação; ele tem uma responsabilidade ativa na sua construção. Em áreas de rápida evolução tecnológica, uma regulação eficaz depende do diálogo permanente entre reguladores, prestadores de serviços, indústria, academia, sociedades científicas e representantes dos pacientes.

Nesse sentido, o membro do Conselho de Administração da Abramed destaca que a atuação da entidade nas discussões regulatórias ocorre de forma técnica, transparente e orientada pelo interesse público, contribuindo para a construção de normas que conciliem inovação, segurança e qualidade assistencial.

Regulação como o motor da inovação

A experiência internacional mostra que marcos regulatórios claros aceleram a inovação ao reduzir a insegurança jurídica, aumentar a confiança de médicos e pacientes e criar condições para que boas tecnologias cheguem ao mercado.

Esses temas estarão na agenda do FILIS 2026 — Fórum Internacional de Lideranças da Saúde. Na sua 10ª edição, o fórum reúne o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde” e organiza os debates em quatro eixos complementares ao longo do dia.

O Eixo Regulatório abre a programação discutindo como construir um ambiente capaz de acompanhar a velocidade das transformações na saúde sem abrir mão da inovação, da segurança e da sustentabilidade. Na sequência, o Eixo Valor da Medicina Diagnóstica mostrará como dados e precisão diagnóstica contribuem para modelos assistenciais mais eficientes e orientados a desfechos.

Para adquirir o seu ingresso e participar, acesse www.abramed.org.br/filis.

Confiança será o principal ativo da saúde digital 

À medida que a transformação digital avança, a confiança passa a depender da forma como organizações de saúde protegem dados, comunicam suas decisões e utilizam novas tecnologias.

Inteligência Artificial e automação de processos ampliam a capacidade de gerar informações, apoiar decisões clínicas e tornar a assistência mais eficiente. Mas, à medida que essas tecnologias ganham espaço, cresce um desafio igualmente importante: garantir que elas sejam confiáveis.

Na saúde, inovar não significa apenas desenvolver novas soluções. Diferentemente de outros setores, em que eventuais falhas podem representar prejuízos financeiros ou operacionais, um dado inconsistente, um algoritmo pouco transparente ou uma informação sem rastreabilidade podem comprometer diagnósticos, tratamentos e a própria segurança do paciente.

A medicina diagnóstica está entre os segmentos que mais incorporam novas tecnologias e, por isso, enfrenta o desafio de equilibrar inovação e governança. Dados sensíveis circulam em plataformas cada vez mais integradas, algoritmos auxiliam profissionais na interpretação de exames e automações tornam processos mais ágeis e precisos.

Por isso, antes de falar em Inteligência Artificial preditiva ou telemedicina avançada, é preciso lembrar que existe um alicerce para toda essa transformação: a confiança. Sem ela, a inovação perde legitimidade, encontra barreiras para ganhar escala e pode gerar resistência, riscos regulatórios e perda de credibilidade entre pacientes, profissionais de saúde e fontes pagadoras.

Nesse contexto, a construção da confiança não depende apenas da tecnologia. A forma como as organizações comunicam essas mudanças também influencia a percepção dos pacientes e fortalece sua participação na própria jornada de cuidado.

Para Andrea Pinheiro, líder do Comitê de Comunicação da Abramed, a comunicação exerce papel fundamental nesse processo. “A construção de elos de confiança por meio da comunicação está relacionada a como as empresas podem apoiar o letramento dos pacientes sobre as novas tecnologias, com informações e orientações claras, precisas e acessíveis. Quando a inovação é acompanhada de educação e diálogo, fortalecemos a credibilidade das instituições e contribuímos para que essa evolução aconteça de forma segura e responsável”, afirma.

Governança de dados fortalece a confiança digital

À medida que a saúde amplia o uso de dados, proteger essas informações torna-se uma condição para a própria sustentabilidade da transformação digital. Incidentes de vazamento ou manipulação podem comprometer não apenas a privacidade individual, mas também a confiança necessária para a adoção de novas tecnologias.

Por isso, investimentos em criptografia, controles de acesso, auditorias permanentes e conformidade com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) são parte de uma estratégia mais ampla de governança.

Mais do que incorporar tecnologias de ponta, laboratórios e serviços de medicina diagnóstica precisarão fortalecer padrões consistentes de gestão dos dados, desde a coleta até seu uso analítico, garantindo informações íntegras, atualizadas, rastreáveis e auditáveis.

Esse desafio ganha novos contornos com a expansão da Inteligência Artificial generativa. O aumento da circulação de conteúdos produzidos artificialmente, incluindo desinformação e deepfakes, reforça a necessidade de que as organizações de saúde atuem como fontes confiáveis de informação.

Andrea Pinheiro destaca que a credibilidade também será construída pela capacidade das instituições de oferecer informações qualificadas e confiáveis, apoiando pacientes na compreensão das novas tecnologias e fortalecendo sua autonomia ao longo da jornada de cuidado.

“As instituições que se destacarão nos próximos anos serão aquelas capazes de oferecer experiências fluidas, eficientes e seguras em todos os pontos de contato, reforçando as relações de confiança com serviços e profissionais de saúde”, avalia.

Essa discussão fará parte da programação do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed, que será realizado em 26 de agosto. Entre outros temas, o encontro mostrará como governança, ética, segurança da informação e comunicação contribuem para fortalecer a confiança nas organizações e criar condições para que a inovação tecnológica gere valor para pacientes, profissionais e para todo o sistema de saúde.

Mais informações sobre a programação e as inscrições estão disponíveis em www.abramed.org.br/filis.

O novo profissional de saúde: entre a prática clínica, os dados e a Inteligência Artificial 

A incorporação da Inteligência Artificial amplia as competências que são exigidas dos profissionais de saúde e reforça a importância de uma cultura orientada por inovação e integração. 

Por muito tempo, a régua que media a excelência de um profissional de saúde foi quase inteiramente clínica: raciocínio diagnóstico apurado, precisão técnica e boa relação com o paciente. Essa base permanece essencial, mas passou a ser complementada por novas competências.

Médicos, gestores e equipes multiprofissionais também precisam compreender dados, interpretar sistemas e incorporar ferramentas de inteligência artificial à rotina assistencial, integrando esses recursos ao cuidado, e não como uma atividade paralela.

“O profissional de saúde não precisa se tornar um cientista de dados, mas precisa compreender como essas informações são produzidas, quais são seus limites e de que forma podem apoiar a decisão clínica. A inteligência artificial amplia a capacidade de análise, mas não substitui o raciocínio clínico, o olhar sobre o paciente nem a responsabilidade pela conduta”, afirma Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da entidade.

Quando bem integrada aos processos, a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas e de organização da informação, liberando tempo para atividades que dependem do julgamento humano, como a interpretação dos casos, a comunicação com os pacientes e a tomada de decisões fundamentadas no contexto clínico de cada pessoa.

Esse avanço, porém, não depende apenas da adoção de novas ferramentas. Exige revisão de processos, integração entre equipes e qualificação contínua dos profissionais

Da adoção pontual à estratégia institucional

Um dos principais desafios do setor é transformar iniciativas pontuais de inteligência artificial em uma estratégia institucional. Muitas organizações incorporam ferramentas capazes de ampliar a produtividade sem revisar processos, integrar sistemas ou preparar as equipes. Esse descompasso limita os resultados e transfere novos problemas para a rotina assistencial.

Na prática, os profissionais convivem com processos em mudança e com um número crescente de sistemas, ferramentas e soluções de inteligência artificial que nem sempre fazem parte de uma estratégia comum. Sem integração, recursos criados para simplificar o trabalho podem aumentar a carga operacional e fragmentar a assistência.

Integração é condição para gerar valor

Essa fragmentação torna-se evidente quando múltiplas iniciativas de inteligência artificial são implementadas simultaneamente no diagnóstico, na triagem ou na automação de laudos. Os profissionais passam a consultar sistemas paralelos, confrontar resultados de diferentes fontes e identificar quando a falta de integração compromete o fluxo de cuidado.

Para o gestor, o desafio é articular essas iniciativas em uma estratégia única, garantir que diferentes sistemas e soluções adotados pela instituição conversem entre si e assumir a responsabilidade de formar equipes capazes de operar nesse ambiente.

Por isso, o investimento em tecnologia precisa ser acompanhado pela qualificação de médicos, gestores e equipes multiprofissionais. A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas a responsabilidade pelas decisões clínicas continua sendo dos profissionais.

Sem coordenação institucional, iniciativas isoladas geram retrabalho, dificultam a interoperabilidade e reduzem os benefícios para profissionais, instituições e pacientes.

“A adoção da inteligência artificial precisa ser uma decisão institucional, com governança, integração e acompanhamento de resultados. Não faz sentido ganhar eficiência em uma etapa e criar retrabalho em outra. O valor aparece quando tecnologia, processos e equipes avançam na mesma direção”, acrescenta Marcos Queiroz.

O tema integra a agenda do FILIS 2026

Os impactos da inteligência artificial sobre a atuação dos profissionais e a organização dos serviços estarão no eixo de Inteligência Artificial do FILIS 2026, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo.

Marcos Queiroz irá moderar o debate “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”. Participam Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud; Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC); e Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions.

Mais do que apresentar tendências, o FILIS reunirá diferentes perspectivas para transformar desafios já presentes na rotina assistencial em pautas propositivas para o setor.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

A inovação em saúde começa pelo diagnóstico: o papel dos exames na pesquisa clínica 

Da geração de evidências ao desenvolvimento de novas soluções, a medicina diagnóstica é essencial para que a inovação chegue ao paciente.  

Toda inovação em saúde depende de evidências. Elas são construídas muito antes de um medicamento chegar ao mercado. Por trás de cada nova terapia existe uma etapa indispensável para transformar conhecimento científico em cuidado: a medicina diagnóstica.  

Por meio dos exames laboratoriais, genéticos e de imagem, pesquisadores identificam biomarcadores, selecionam pacientes para estudos clínicos, acompanham a resposta aos tratamentos e produzem evidências que sustentam a incorporação de novas tecnologias à prática médica. 

Esse papel ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional, do aumento das doenças crônicas e do avanço da medicina de precisão. Hoje, terapias personalizadas dependem da capacidade de identificar características específicas de cada paciente, permitindo indicar o tratamento mais adequado e evitar intervenções desnecessárias. 

Fortalecer essa capacidade também é estratégico para ampliar a competitividade do Brasil na pesquisa clínica. Atualmente o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial e tem potencial para figurar entre os dez principais nesse segmento. Para que isso aconteça, o setor de diagnóstico brasileiro precisa estar à altura em tecnologia, em padronização e em capacidade de integração de dados. 

“O laboratório deixou de ser apenas o lugar onde se processa uma amostra. Hoje, ele também é um gerador de conhecimento. Cada exame produz um dado que pode alimentar pesquisas, ampliar o entendimento sobre as doenças e acelerar o desenvolvimento de novas terapias”, explica Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

Mais do que apoiar a pesquisa clínica, a medicina diagnóstica produz conhecimento capaz de acelerar a inovação em saúde.  

O diagnóstico como infraestrutura da pesquisa 

A participação da medicina diagnóstica começa antes mesmo do primeiro paciente ser incluído em um estudo clínico. O desenvolvimento de novas tecnologias e novos indicadores permite identificar quais pessoas apresentam determinadas características biológicas, aumentando a precisão das pesquisas e tornando possível avaliar, com maior confiabilidade, a eficácia e a segurança de novas terapias.  

Exames laboratoriais, testes moleculares e métodos de imagem acompanham continuamente a evolução dos participantes, monitorando respostas ao tratamento, possíveis eventos adversos e indicadores clínicos que servirão de base para a geração de evidências científicas. Sem essa infraestrutura funcionando com qualidade, agilidade e rastreabilidade, os estudos podem perder precisão e credibilidade científica. 

Os biomarcadores têm papel duplo nesse processo: funcionam como critérios de seleção de pacientes, identificando quem tem maior probabilidade de responder a um tratamento, e como endpoints dos ensaios, facilitando a avaliação dos resultados. 

Tecnologias voltadas à medicina de precisão já crescem a dois dígitos no Brasil, impulsionadas pelo aumento da incidência de doenças complexas, especialmente em oncologia, neurologia e doenças autoimunes. 

Com os avanços da biologia molecular e do sequenciamento de nova geração, o mapeamento genético tende a ocupar espaço cada vez maior na prática clínica, ampliando a capacidade de identificar riscos, apoiar diagnósticos mais precisos e orientar terapias personalizadas.  

“A incorporação da genômica mostrou que a inovação não acontece apenas quando uma nova terapia é desenvolvida, mas também quando ampliamos nossa capacidade de compreender a biologia das doenças. Quanto melhor entendermos cada paciente, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos mais assertivos e acelerar a produção de conhecimento científico”, afirma Lídia. 

Dados que alimentam a inovação 

Os dados gerados pelos exames ajudam a compreender a evolução das doenças, identificar tendências epidemiológicas, desenvolver novos indicadores e apoiar pesquisas capazes de acelerar a chegada de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Para que esse potencial se concretize, é fundamental que essas informações possam ser compartilhadas de forma padronizada e segura. É a interoperabilidade que permite a circulação desses dados entre laboratórios, prontuários e sistemas de saúde, fortalecendo a integração entre pesquisa, assistência e inovação em saúde.  

Além de reduzir tentativas sucessivas de tratamento e favorecer melhores desfechos clínicos, esse processo contribui para o uso mais racional dos recursos disponíveis e acelera o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Na visão de Lídia Abdalla, os dados gerados pela medicina diagnóstica representam um patrimônio científico para o país. “Transformar esse volume de informações em conhecimento exige interoperabilidade, qualidade e responsabilidade no uso dos dados. É isso que fortalece a pesquisa clínica, amplia nossa capacidade de inovação e gera valor para o paciente e para  todo o sistema de saúde”, analisa. 

Essa transformação, que consolida a medicina diagnóstica como elemento essencial da inovação em saúde, será um dos fios condutores do FILIS 2026, que reunirá líderes do setor para discutir como a inteligência artificial, a medicina de precisão e a transformação digital estão redesenhando o futuro da saúde. 

A discussão reforça um princípio cada vez mais evidente: toda inovação começa com conhecimento e, na saúde, esse conhecimento frequentemente nasce a partir do diagnóstico. 

Para participar do FILIS 2026, acesse o site oficial do evento e adquira o seu ingresso: https://www.abramed.org.br/filis. 

Abramed destaca desafios e perspectivas da Medicina Diagnóstica em reportagem do Valor Econômico

Matéria analisa como envelhecimento da população, doenças crônicas e inovação tecnológica estão transformando o setor e ampliando seu papel na jornada do cuidado.

A Abramed participou de reportagem publicada pela Revista Saúde, do Valor Econômico, que analisa os fatores que vêm impulsionando a expansão da Medicina Diagnóstica no Brasil. A publicação aborda como o envelhecimento populacional, o crescimento das doenças crônicas e a busca por modelos de cuidado mais preventivos têm ampliado a demanda por exames e acelerado investimentos em tecnologia, automação, inteligência artificial e infraestrutura diagnóstica.

Com base em dados da Abramed, a reportagem mostra a evolução da capacidade instalada do setor, a ampliação da oferta de serviços e o avanço da digitalização dos exames, evidenciando a crescente relevância da Medicina Diagnóstica para a tomada de decisão clínica e a gestão da saúde.

Na matéria, a diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, destaca que o diagnóstico deixou de ocupar uma posição complementar para assumir papel central ao longo de toda a jornada do paciente. A executiva também chama atenção para os desafios que acompanham essa evolução, como a necessidade de garantir sustentabilidade econômica diante do aumento da demanda, da incorporação contínua de novas tecnologias e da defasagem na remuneração dos exames.

Além da visão da Abramed, a reportagem reúne especialistas e lideranças do setor para discutir como inovação, integração de dados e medicina de precisão estão redefinindo a assistência em saúde, ao mesmo tempo em que reforçam a importância de ampliar o acesso e preservar a qualidade dos serviços diagnósticos.

Confira a reportagem completa na Revista Saúde, do Valor Econômico.

Como a medicina diagnóstica protege e recupera atletas da Seleção durante a Copa?

A estrutura de “SAMU ambulante” reflete a evolução da medicina do esporte, onde exames de imagem e diagnósticos precisos em tempo real definem o futuro de jogadores como Neymar e Raphinha

Enquanto milhões de torcedores acompanham o desempenho da Seleção dentro de campo, existe uma equipe que trabalha longe dos holofotes para que cada atleta esteja apto a competir. A delegação brasileira viajou para a Copa do Mundo 2026 com aproximadamente 10 toneladas de carga destinadas ao suporte médico, formando o que a imprensa rapidamente apelidou de “SAMU ambulante”.

Para alguns, pode parecer exagero, mas são equipamentos essenciais para monitorar a saúde dos jogadores antes, durante e após cada partida, avaliar alterações musculares e indicadores bioquímicos que podem comprometer a performance ou aumentar o risco de lesões, que representam entre 30% e 50% de todas as ocorrências relacionadas ao esporte. Sendo assim, a velocidade do diagnóstico é determinante para o desfecho clínico e para a continuidade do atleta na competição.

“No esporte de alto rendimento, cada decisão precisa ser baseada em evidências. Os exames laboratoriais não servem apenas para confirmar um diagnóstico, mas para acompanhar a evolução da recuperação e verificar se o organismo está preparado para suportar novamente o nível máximo de exigência física. O objetivo, mais do que acelerar o retorno do atleta, é garantir que essa volta aconteça com segurança e menor risco de lesões”, explica Alex Galoro, médico patologista clínico, líder do Comitê de Análises Clínicas da Abramed.

A rotina de exames antes de cada jogo

Ao contrário do que muitos imaginam, a medicina diagnóstica no esporte não atua apenas diante de uma contusão. Jogadores de alto rendimento passam por avaliações frequentes que incluem exames laboratoriais, testes cardiológicos, exames de imagem, monitoramento hormonal e marcadores inflamatórios.

Essas informações permitem ajustar cargas de treino, identificar sinais precoces de sobrecarga e tomar decisões baseadas em dados objetivos antes que uma lesão aconteça.

Se ainda assim ela ocorrer, o tempo se torna o principal adversário. Por isso, na medicina esportiva de alto rendimento, atletas passam por exames de imagem avançados — ultrassom point-of-care em campo ou vestiário, ressonância magnética e tomografia para lesões musculoesqueléticas — e por monitoramento em tempo real com sensores vestíveis, análise de biomarcadores e dados de carga de treinamento.

O acesso a diagnósticos instantâneos é imprescindível para determinar se um jogador continuará na partida ou precisa ser substituído para evitar danos maiores.

“A medicina esportiva é um excelente exemplo de como diferentes áreas da medicina diagnóstica atuam de forma complementar. Enquanto os exames de imagem identificam e caracterizam uma lesão, as análises clínicas mostram como o organismo está respondendo a esse processo. A integração dessas informações oferece mais segurança para que a equipe médica decida o momento ideal para manter um atleta em campo, afastá-lo ou autorizar seu retorno às competições”, avalia Galoro.

Raphinha, Neymar e o diagnóstico em tempo real

Casos recentes da própria Seleção ilustram essa realidade. Às vésperas da Copa, Neymar foi submetido a uma ressonância magnética que detectou lesão grau 2 na panturrilha direita. O diagnóstico preciso permitiu um plano de reabilitação milimétrico e exames subsequentes confirmaram a boa evolução da cicatrização, orientando o momento exato em que o atleta poderia intensificar os treinos sem risco de recidiva.

Já a situação de Raphinha revelou outra função do diagnóstico: o monitoramento de lesões recorrentes. Durante o segundo jogo da Seleção, exames de imagem confirmaram lesão muscular na região posterior da coxa direita – a quarta na região em doze meses.

Devido à recorrência, o caso exige investigação aprofundada: a ressonância magnética, muitas vezes potencializada por algoritmos de inteligência artificial para evidenciar alterações mínimas, permite avaliar não apenas a nova lesão, mas o tecido cicatrizado das anteriores. Esse nível de detalhamento é fundamental para definir o plano de reabilitação com segurança.

Para além dos gols e das escalações, a Copa do Mundo mostra que o desempenho em campo depende de uma estrutura diagnóstica invisível ao torcedor, mas absolutamente decisiva para o resultado.

E, embora a realidade da Seleção Brasileira envolva tecnologias altamente especializadas, muitos avanços desenvolvidos para o esporte acabam sendo incorporados à prática clínica.

Para o setor de saúde, a medicina esportiva de elite funciona como laboratório de inovação, testando tecnologias e protocolos que, em breve, estarão disponíveis para o público geral, democratizando o acesso a técnicas avançadas de diagnóstico.

Abramed lança Cartilha sobre NR-1 e riscos psicossociais no trabalho

Guia prático oferece orientações para que serviços de medicina diagnóstica implementem a gestão de fatores psicossociais de forma alinhada à realidade operacional do setor.

A Portaria MTE nº 1.419/2024 trouxe uma mudança histórica na legislação trabalhista brasileira: pela primeira vez, os riscos psicossociais foram equiparados aos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR). Em vigor desde maio de 2026, a norma exige que as empresas identifiquem, avaliem e implementem medidas preventivas relacionadas à organização do trabalho e às relações interpessoais.

Diante dessa transformação regulatória, a Abramed reconheceu a necessidade de oferecer orientações estruturadas e específicas para o setor. “A cartilha foi elaborada para apoiar os serviços de medicina diagnóstica na compreensão das mudanças regulatórias e na organização de práticas estruturadas de identificação, avaliação e gestão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho”, explica Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados e uma das revisoras técnicas do projeto.

O material foi desenvolvido ao longo de aproximadamente um ano e meio de debates internos no Comitê de Recursos Humanos da entidade e contou com contribuições de especialistas em medicina do trabalho, direito e ergonomia.

Uma abordagem flexível e contextualizada

Um dos diferenciais da cartilha é que ela foi concebida deliberadamente sem indicar uma metodologia única de avaliação. Essa escolha reflete a própria discussão tripartite no âmbito do Ministério do Trabalho, que caminhou no sentido de não engessar as empresas em um único método.

“O que funciona para uma grande empresa com presença nacional pode não funcionar para uma clínica de pequeno porte no interior”, destaca Daniela. Essa flexibilidade permite que cada organização adote a abordagem mais adequada à sua realidade operacional, tamanho, estrutura e capacidade institucional.

A cartilha está organizada em 11 capítulos, que cobrem:

Apresentação: contextualização da importância do tema

Contexto regulatório: histórico e marcos legais da NR-1

•Conceitos fundamentais: entendendo os riscos psicossociais relacionados ao trabalho

O que a NR-1 exige das organizações: identificar, avaliar, implementar medidas, monitorar

Implementação: estratégias para gestão desses riscos

Integração com NR-17: como articular riscos psicossociais com ergonomia e acompanhamento da saúde ocupacional

Especificidades da medicina diagnóstica: riscos psicossociais particulares do setor

Documentação e evidências: como registrar e manter registros das ações

Preparação: checklist para se preparar

Perguntas frequentes: dúvidas comuns respondidas

Referências: fontes e materiais complementares

Baixe a cartilha

A Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho está disponível para download gratuito e pode ser acessada por todas as empresas da área da saúde que desejam estruturar suas práticas de gestão de riscos psicossociais de forma alinhada às novas exigências regulatórias.

O material é um convite à ação não apenas para cumprir obrigações legais, mas também para construir ambientes de trabalho mais seguros, saudáveis e sustentáveis, algo indispensável para a qualidade de vida dos profissionais de saúde e para a excelência na prestação de serviços à população.

Baixar a Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho

Abramed debate implementação da NR-1 e riscos psicossociais em reunião do Comitê de RH

A adequação às novas exigências regulatórias, que entraram em vigor em maio, foi o tema do encontro, que reuniu especialistas e líderes do setor para discutir estratégias de implementação.

A reunião de junho do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, realizada no Grupo Fleury, em São Paulo, foi marcada pelo lançamento da Cartilha Abramed NR-1 e Riscos Psicossociais no Trabalho: Guia Prático para Serviços de Medicina Diagnóstica, seguido de uma importante discussão sobre as novas exigências regulatórias e estratégias de implementação no setor.

Na abertura da reunião, Afranio Haag, diretor de Recursos Humanos do Grupo Fleury, destacou que as transformações sociais têm ampliado a atenção das organizações para a saúde dos trabalhadores e reforçado a importância de discutir os riscos psicossociais de forma estruturada.

Já Lucilene Costa, Head de Gestão de Saúde, Segurança e Bem-Estar no Grupo Fleury e líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed, destacou a importância do preparo das instituições de medicina diagnóstica diante do novo cenário regulatório.

Em vigor desde maio de 2026, a norma passou a ser fiscalizada em caráter orientativo, sem aplicação de penalidades. Pela primeira vez, os riscos psicossociais passaram a integrar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes.

“Essa cobrança já está acontecendo, seja via ações trabalhistas, seja via Ministério Público do Trabalho. Não dá para ficar inerte”, alertou Daniela de Andrade Bernardo, sócia e diretora jurídica da Andrade Mariano Advogados.

Contexto e urgência: dados que reforçam a necessidade de ação

Flávia Vianna, gerente de Saúde e Trabalho do Pacto Global da ONU Rede Brasil, apresentou o Guia Prático de NR-1 elaborado no âmbito do Movimento Mente em Foco — iniciativa lançada em 2020, no auge da pandemia, e que integra a estratégia Ambição 2030 do Pacto Global.

Ela trouxe números que reforçam a urgência do tema: mais de 546 mil afastamentos por transtornos mentais foram registrados no Brasil em 2024, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. No setor de saúde, entre 2012 e 2024, o salto foi de 750% na participação proporcional dos afastamentos por transtornos mentais: o maior crescimento relativo entre todos os setores analisados.

O Movimento Mente em Foco propõe seis compromissos públicos que as empresas signatárias assumem perante a ONU: ter um profissional de referência para escuta e encaminhamento; oferecer orientação e manejo de crises; garantir avaliação permanente dos fatores de risco; manter lideranças engajadas e treinadas; criar um programa antiestigma; e promover ações de incentivo à saúde mental baseadas nas demandas reais dos colaboradores.

A discussão avançou para a aplicação prática da norma com a participação de Paulo Leal, consultor médico em saúde ocupacional do Grupo Fleury, que compartilhou como a organização atua na gestão dos fatores psicossociais.

Com metodologia baseada na identificação de áreas críticas a partir de indicadores como afastamentos, atestados, banco de horas e passivos trabalhistas, seguida da aplicação de instrumentos validados para avaliação dos fatores de risco, o programa utiliza inteligência artificial para o processamento de dados e mapeamento das dimensões de risco em três categorias: condições favoráveis, intermediárias e desfavoráveis. 

A experiência mostra que a IA ajuda a organizar grandes volumes de dados, mas a análise humana continua insubstituível para captar as nuances de cada contexto e construir planos de ação efetivos, com participação ativa das lideranças e acompanhamento contínuo dos resultados.

Segurança jurídica, cultura organizacional e o papel da liderança

O debate final foi mediado por Lucilene Costa e reuniu Daniela Bernardo, Flávia Vianna, Paulo Leal, Leandro Romani, diretor médico da Lockton, e Luiz Massad, médico do trabalho e diretor da Massad Perícias Judiciais e Consultoria.

Ao abrir o debate, Lucilene destacou que um dos principais desafios das organizações é avançar de um modelo reativo para uma gestão preventiva dos fatores psicossociais, reforçando a importância da troca de experiências para apoiar as empresas nessa transição. 

Os números trazidos por Romani revelaram o tamanho do desafio: uma pesquisa da Lockton com 174 empresas mostrou que apenas 3% a 5% já mapearam os riscos psicossociais com programas consolidados, enquanto 40% sequer iniciaram.

Na dimensão jurídica, Massad alertou que questionários assinados pelos trabalhadores são documentos que podem ser utilizados em processos judiciais, e a ausência deles pode gerar prova contra a empresa. Ao abordar a prevenção, reforçou: “é preciso ir ao local de trabalho, ver o que o trabalhador faz, como faz e em que condições faz”, destacando que esse acompanhamento é essencial para identificar riscos e preservar a saúde dos profissionais.

Sobre a principal barreira para a implementação da NR-1, Flávia apontou a mudança de mindset. “Enquanto não colocarmos as pessoas trabalhadoras na centralidade da tomada de decisão, vamos continuar gerindo de forma inadequada”, afirmou. No papel da liderança, os especialistas convergiram que gestores precisam aprender a diferenciar limitação de adoecimento.

Um aspecto crítico enfatizado pelos participantes foi que a avaliação de riscos psicossociais incide sobre as condições e a organização do trabalho, não sobre o diagnóstico individual de saúde mental dos trabalhadores. Essa distinção é necessária para evitar que os programas se tornem apenas ferramentas de triagem individual, sem endereçar as causas estruturais do adoecimento.

Conforme destacado, a gestão desses riscos exige o envolvimento de diferentes áreas da empresa, combinando aspectos jurídicos, assistenciais e de gestão de pessoas. Não é uma responsabilidade isolada de um departamento, mas um esforço integrado e multidisciplinar. Nesse contexto, Leal destacou que “conhecer o trabalho, conhecer o trabalhador e ouvi-lo” é o caminho para compreender a realidade das equipes e construir intervenções efetivas.

Romani ressaltou que sensibilizar a alta gestão com argumentos como penalidades jurídicas, custos dos afastamentos, perda de produtividade e impactos financeiros é fundamental para viabilizar o avanço das ações de gestão da saúde corporativa. Já Daniela salientou que as empresas precisam demonstrar, por meio de ações concretas e registros consistentes, que atuaram para promover um ambiente de trabalho saudável. 

Encerrando o debate, Flávia propôs uma reflexão: “Como esperamos que uma pessoa entregue algo que ela não está sendo capaz, porque o trabalho está distorcendo a sua identidade por fatores que podem ser identificados, mapeados, controlados, tratados e monitorados?”.

Ao final, Lucilene reforçou que, mesmo em um cenário de crescente automação e transformação tecnológica, as organizações continuam sendo formadas por pessoas. “Lidamos com a saúde. Então, não podemos deixar de olhar que, como estamos entre seres humanos, precisamos ter cuidado uns com os outros”, afirmou. 

Manter a saúde e o bem-estar dos profissionais de saúde é fundamental não apenas para a qualidade de vida desses trabalhadores, mas também para garantir a excelência na prestação de serviços e a segurança do paciente — aspectos indissociáveis da medicina diagnóstica.

Com essa visão, a Abramed reforça seu compromisso em apoiar o setor nessa transição, promovendo a troca de conhecimentos para o desenvolvimento de ambientes de trabalho cada vez mais seguros e saudáveis.

Diagnóstico 5.0: líderes discutem os desafios da medicina diagnóstica em uma era de mudanças exponenciais

Debate organizado pela Abramed promoveu reflexões sobre inovação, inteligência artificial e os desafios de adaptar as organizações a um cenário de transformações rápidas. 

A Abramed reuniu líderes de grandes instituições da saúde para debater os desafios e as oportunidades da transformação tecnológica no setor. O debate “Diagnóstico 5.0: inovação, inteligência artificial e os novos rumos da medicina diagnóstica” foi realizado em 19 de junho durante a Reunião Mensal de Associados (RMA), na sede administrativa da Dasa, em São Paulo.

Ao longo do encontro, ficou evidente que o principal desafio das organizações deixou de ser apenas adotar novas tecnologias e passou a ser desenvolver modelos de gestão capazes de acompanhar a velocidade das transformações. 

A abertura foi conduzida pelo CEO da Dasa, Rafael Lucchesi, que enfatizou que as lideranças enfrentam um momento sem precedentes. “Vocês lideram empresas no momento mais volátil e desafiador da história da humanidade. Não só pela questão de países e de geopolítica, mas também pela questão tecnológica”, afirmou. 

Lucchesi ressaltou que, nesse cenário, a Abramed tem um papel estratégico. “A entidade precisa estar no centro da discussão sobre regulação, tecnologia, dados e interoperabilidade, e como isso será feito com responsabilidade.” Segundo ele, o modelo de inovação em saúde deve sempre equilibrar velocidade e segurança do paciente. 

“Nem sempre é possível aplicar o modelo de startup no mercado de saúde, pois, para não levar risco ao paciente, o setor tem uma velocidade diferente de aceite e de teste para inovar”, explicou.

Na sequência, Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretora-executiva da Dasa, moderou o debate. Participaram Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da entidade e diretor de Medicina Diagnóstica do Hospital Sírio-Libanês; Leonardo Vedolin, diretor vice-presidente médico e de produção da Dasa; e Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e diretor de Medicina Diagnóstica do Einstein Hospital Israelita.

O desafio da inovação organizacional

Marcos Queiroz iniciou sua participação defendendo que as organizações precisam evoluir. O grande desafio atual é que as inovações deixem de ser pontuais e passem a ser organizacionais. “Dentro das  empresas existem muitas iniciativas de inteligência artificial, algoritmos e até de agentes. Só que, muitas vezes, são ações desconectadas”, pontuou.

Para ele, a transformação exige investimentos robustos em infraestrutura de dados, pessoas e tecnologia. Como exemplo, comentou sua experiência no Einstein: “Se no passado não tivéssemos constituído um banco de dados muito bom, nada do que a gente faz hoje seria possível”. A instituição utiliza modelos de linguagem para integrar dados de pacientes e fornecer resumos automáticos aos médicos.

Além da integração de ações, um ponto recorrente no debate foi a importância da educação e da mudança cultural.  Segundo Queiroz, o desafio agora é preparar as pessoas para acompanhar o crescimento. 

“Precisamos capacitar as pessoas em IA, em agentes, em inovação como um todo, para conseguir suportar o crescimento que está por vir. Profissionais têm que estudar para construir uma organização melhor. No final, nós somos a instituição, cada um de nós a representa”, afirmou.

Ao abordar o papel da cultura organizacional, Cesar Nomura apontou que enquanto a China e o Japão têm culturas fortemente focadas em trabalho e produção, o Brasil caminha em direção contrária e sem uma educação que ajude as pessoas a evoluírem.

A tensão entre tradição e agilidade

Nomura também refletiu sobre o desafio de inovar em uma instituição centenária em um momento de transformação acelerada. Em sua análise, a chave para a sobrevivência é manter um olhar de startup mesmo dentro de uma grande organização tradicional. “Se nós não conseguirmos implementar algumas iniciativas com agilidade, creio que vai ser difícil sobreviver.”

Como referência, comentou a decisão do Sírio-Libanês de montar seu próprio laboratório de análises clínicas, contrariando a prática comum do mercado. O resultado foi revolucionário: hemogramas que saem em até 10 minutos, eliminando erros humanos. Essa transformação só foi possível porque a instituição conseguiu olhar para o problema com outra mentalidade.

A lição da China: velocidade e escala

Recém-chegado de uma viagem ao gigante asiático, Leonardo Vedolin compartilhou impressões sobre o país que, em sua visão, está cerca de um século à frente do Brasil em transformação tecnológica. 

Ele destacou a alta interoperabilidade que a China tem entre seus sistemas, a quantidade de empresas locais que oferecem energia limpa e a disciplina de planejamento e execução, que permite implementar mudanças em velocidade incomparável. 

Apesar das diferenças entre os países, Vedolin demonstrou otimismo em relação ao potencial de transformação da saúde. “A setor tem um ambiente de transformação muito propício para que as tecnologias de verdade causem impacto”, afirmou. Dados mostram que a produtividade da área pouco evoluiu nos últimos 40 anos, o que revela um amplo espaço para avanços impulsionados pela inovação. 

Na visão de Nomura, dois fatores travam esse desenvolvimento no Brasil: custo-efetividade de incorporação tecnológica ainda desfavorável em comparação com os EUA e China e uma cultura de busca por consenso antes de experimentar, oposto do modelo asiático, que experimenta primeiro e debate depois. “Enquanto o uso das novas tecnologias não for simples e o custo não for barato, isso irá nos limitar”, constatou, com exemplos de hospitais digitais chineses que, apesar de tecnologicamente avançados, apresentam processos mais lentos do que os analógicos.

O debate deixou claro que a medicina diagnóstica brasileira está em um momento de mudanças. As organizações que conseguirem equilibrar inovação com responsabilidade, agilidade com governança, e visão de futuro com execução presente estarão melhor posicionadas para avançar na era do Diagnóstico 5.0.

Participe da 10ª edição do FILIS

Neste ano, o FILIS 2026 – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde terá como macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”. O fórum será realizado em 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo. As inscrições estão abertas em https://www.abramed.org.br/filis/.

FILIS 2026 celebra 10 anos de diálogo estratégico para o futuro da saúde

Fórum da Abramed reunirá lideranças para discutir como regulação, valor, governança e inteligência artificial se conectam na construção do Diagnóstico 5.0. 

Estão abertas as inscrições para a 10ª edição do Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS), que será realizada em 26 de agosto de 2026. Desta vez, o evento acontecerá no Teatro Santander, em São Paulo, ampliando a capacidade de receber participantes e acompanhando o crescimento que o Fórum registrou nos últimos anos.

Ao longo de uma década, o FILIS consolidou-se como um importante espaço gerador de pautas propositivas para o setor de saúde, reunindo gestores, executivos e representantes de diferentes segmentos para discutir os desafios e as transformações que impactam o sistema de saúde.

Com o macrotema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”, a edição de 2026 propõe uma reflexão integrada sobre os fatores que vêm redefinindo a medicina diagnóstica e seu papel na sustentabilidade, na eficiência e na qualidade da assistência. 

“O FILIS é, acima de tudo, um espaço de diálogo e construção conjunta. A cada edição, reforçamos nosso compromisso em fomentar discussões e ações que impulsionam a medicina diagnóstica a um patamar cada vez mais estratégico. O Diagnóstico 5.0 não é apenas uma visão, mas um caminho que estamos trilhando coletivamente para um sistema de saúde mais robusto e centrado no paciente”, afirma Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

A estrutura do evento foi cuidadosamente planejada com eixos temáticos sequenciais e complementares, que guiam os participantes por uma compreensão abrangente dos desafios e oportunidades do setor.

Os eixos que orientam a edição de 2026 

O Fórum começa com o eixo Regulatório, que terá como tema “Segurança regulatória, inovação e sustentabilidade na saúde”. O debate abordará os fundamentos necessários para o desenvolvimento sustentável do setor em um cenário marcado pela inovação tecnológica, pela transformação digital e pela crescente complexidade assistencial.

Entre os assuntos em destaque estarão a modernização regulatória, a integração entre os setores público e privado e os desafios para a construção de um ambiente capaz de acompanhar a velocidade das mudanças sem comprometer a segurança e a qualidade dos serviços.

Na sequência, o eixo Valor discutirá o tema “Dados, precisão e valor: os novos desafios do diagnóstico”. O foco estará na contribuição da medicina diagnóstica para a melhoria dos desfechos clínicos, o apoio à tomada de decisão médica e o uso mais eficiente dos recursos.

O debate destacará como a utilização estratégica de dados e a precisão diagnóstica podem ampliar a eficiência assistencial e reforçar o papel do diagnóstico ao longo da jornada do paciente.

O terceiro eixo será sobre ESG, focando em “Governança, ética e compliance: os pilares da sustentabilidade institucional”. Em pauta, estarão os mecanismos que contribuem para a solidez das organizações, como integridade, transparência e fortalecimento da cultura organizacional.

A discussão evidenciará como esses elementos apoiam a sustentabilidade institucional e fortalecem a capacidade das organizações de responder aos desafios de um ambiente em constante transformação.

Encerrando a programação, o eixo Inteligência Artificial abordará o tema “IA como estratégia para eficiência e qualidade na saúde”. O debate discutirá como a IA, a interoperabilidade e a inteligência de dados estão ampliando as possibilidades de integração de informações, apoio à decisão e geração de conhecimento para profissionais e organizações.

O eixo também mostrará como essas tecnologias estão transformando processos, redefinindo modelos de trabalho e criando oportunidades para uma saúde mais conectada, eficiente e orientada por dados.

“Os desafios da saúde não podem mais ser analisados de forma isolada. Regulação, valor, governança e inteligência artificial são temas interdependentes e fundamentais para a evolução da medicina diagnóstica e do sistema de saúde. O FILIS foi concebido justamente para promover essa visão integrada entre os diferentes atores do setor e direcionar iniciativas concretas”, destaca Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed.

Reconhecimento e conexão entre lideranças

Além dos quatro eixos temáticos, a edição de 2026 contará com a entrega da 8ª edição do Prêmio Dr. Luiz Gastão Rosenfeld, que reconhece contribuições relevantes para a medicina diagnóstica. O evento também promoverá os tradicionais momentos de Leaders Connection, voltados à troca de experiências e ao relacionamento entre lideranças do setor. 

A expectativa é que ao final do encontro fique reforçado o conceito de Diagnóstico 5.0, que representa a convergência entre todos os eixos para construir um sistema de saúde mais integrado, sustentável, inteligente e centrado no paciente — uma síntese que traduz também os dez anos de trajetória do FILIS.

Participe da 10ª edição do FILIS

As inscrições para o FILIS 2026 estão abertas. Garanta sua participação neste marco de uma década de discussões estratégicas para o futuro da saúde: https://www.abramed.org.br/filis.

* Programação preliminar sujeita a alterações.