A transformação da saúde será tão sólida quanto suas instituições 

Quando o futuro da saúde entra em debate, as atenções se voltam rapidamente para novas tecnologias, Inteligência Artificial, uso de dados e modelos assistenciais. São mudanças relevantes, mas a transformação do setor depende das organizações responsáveis por incorporá-las à prática e convertê-las em benefícios para pacientes e para o sistema de saúde. 

Essa capacidade está relacionada à qualidade da gestão, à clareza das decisões e à forma como cada instituição se prepara para responder a riscos, pressões e mudanças. Uma organização pode apresentar bons resultados em determinado período e, ainda assim, não estar preparada para atravessar transformações regulatórias, econômicas, tecnológicas ou sociais. 

Na saúde, a sustentabilidade institucional envolve uma responsabilidade adicional. As decisões tomadas pelas organizações repercutem no cuidado das pessoas, na proteção de dados sensíveis, nas condições de trabalho, na relação com profissionais, fornecedores, fontes pagadoras, órgãos reguladores e toda a sociedade. Por isso, a perenidade dos negócios não pode ser separada da ética, da integridade e da confiança. 

É nesse campo que governança, compliance e liderança se encontram. A governança estabelece como as decisões serão tomadas, quais informações deverão fundamentá-las, quem acompanhará seus resultados e quem responderá por suas consequências. O compliance ajuda a identificar riscos, cumprir obrigações e prevenir condutas capazes de comprometer a organização. A ética orienta escolhas diante de interesses distintos e de situações para as quais a norma nem sempre oferece uma resposta completa. 

Esses elementos precisam estar presentes nas decisões reais da organização. Eles influenciam a definição de metas, a aprovação de investimentos, a contratação de parceiros, a condução das relações institucionais, o tratamento de conflitos de interesses e a resposta a falhas ou desvios. 

A gestão de riscos também ganha relevância nesse processo. Identificar ameaças com antecedência permite que a organização se prepare para mudanças regulatórias, incidentes de segurança, crises reputacionais, descontinuidades operacionais e outros acontecimentos que podem afetar sua capacidade de prestar serviços. O risco precisa fazer parte das discussões estratégicas e das decisões de investimento, expansão e inovação. 

A liderança tem uma responsabilidade direta na construção desse ambiente. A cultura de uma organização é formada pelos comportamentos que suas lideranças estimulam, reconhecem, toleram ou corrigem. Códigos de conduta, políticas internas, treinamentos e canais de denúncia são indispensáveis, mas sua credibilidade depende da coerência entre as orientações formais e as atitudes observadas no cotidiano. 

Quando profissionais encontram segurança para comunicar dúvidas e inadequações, os problemas podem ser identificados antes de ganhar proporções maiores. Quando as respostas são consistentes e os critérios são conhecidos, a integridade deixa de ficar restrita aos documentos e passa a orientar a rotina. 

Essa coerência também influencia a reputação. Na medicina diagnóstica, a confiança é construída na qualidade dos resultados, na confidencialidade das informações, na segurança dos processos e na transparência das relações. Ela pode levar anos para se consolidar e ser comprometida por uma única decisão conduzida sem os cuidados necessários. 

A reputação, portanto, deve ser compreendida como um ativo estratégico. Ela interfere na relação com pacientes, profissionais, parceiros, órgãos públicos e reguladores. Também influencia a capacidade de atrair talentos, estabelecer parcerias, incorporar inovações e manter relações duradouras. 

No debate sobre o Diagnóstico 5.0, essas dimensões estão conectadas. A regulação estabelece limites e responsabilidades para a atuação do setor. A sustentabilidade econômica oferece condições para que as organizações continuem investindo, gerando empregos e prestando serviços. A governança orienta como os recursos serão utilizados e como as decisões serão conduzidas. Ética e compliance preservam a integridade desse percurso. 

Nenhuma organização consegue antecipar todas as mudanças que alcançarão a saúde nos próximos anos. É possível, contudo, preparar estruturas de decisão, formar lideranças, fortalecer a cultura interna e desenvolver capacidade para identificar riscos e responder a eles. 

Essa reflexão fará parte do 10º FILIS – Fórum Internacional de Lideranças da Saúde, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, em São Paulo, sob o tema “Diagnóstico 5.0: impactos e estratégias que transformam a saúde”. Ao discutir os caminhos do setor, o fórum propõe uma questão necessária: que organizações estamos construindo para conduzir essa transformação? 

O futuro da medicina diagnóstica não será definido somente pelos avanços que o setor conseguir incorporar. Também dependerá da solidez, da integridade e da confiança das instituições responsáveis por transformá-los em cuidado. 

Milva Pagano 

Diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed)

O novo profissional de saúde: entre a prática clínica, os dados e a Inteligência Artificial 

A incorporação da Inteligência Artificial amplia as competências que são exigidas dos profissionais de saúde e reforça a importância de uma cultura orientada por inovação e integração. 

Por muito tempo, a régua que media a excelência de um profissional de saúde foi quase inteiramente clínica: raciocínio diagnóstico apurado, precisão técnica e boa relação com o paciente. Essa base permanece essencial, mas passou a ser complementada por novas competências.

Médicos, gestores e equipes multiprofissionais também precisam compreender dados, interpretar sistemas e incorporar ferramentas de inteligência artificial à rotina assistencial, integrando esses recursos ao cuidado, e não como uma atividade paralela.

“O profissional de saúde não precisa se tornar um cientista de dados, mas precisa compreender como essas informações são produzidas, quais são seus limites e de que forma podem apoiar a decisão clínica. A inteligência artificial amplia a capacidade de análise, mas não substitui o raciocínio clínico, o olhar sobre o paciente nem a responsabilidade pela conduta”, afirma Marcos Queiroz, membro do Conselho de Administração da Abramed e líder do Comitê Técnico de Radiologia e Diagnóstico por Imagem da entidade.

Quando bem integrada aos processos, a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas e de organização da informação, liberando tempo para atividades que dependem do julgamento humano, como a interpretação dos casos, a comunicação com os pacientes e a tomada de decisões fundamentadas no contexto clínico de cada pessoa.

Esse avanço, porém, não depende apenas da adoção de novas ferramentas. Exige revisão de processos, integração entre equipes e qualificação contínua dos profissionais

Da adoção pontual à estratégia institucional

Um dos principais desafios do setor é transformar iniciativas pontuais de inteligência artificial em uma estratégia institucional. Muitas organizações incorporam ferramentas capazes de ampliar a produtividade sem revisar processos, integrar sistemas ou preparar as equipes. Esse descompasso limita os resultados e transfere novos problemas para a rotina assistencial.

Na prática, os profissionais convivem com processos em mudança e com um número crescente de sistemas, ferramentas e soluções de inteligência artificial que nem sempre fazem parte de uma estratégia comum. Sem integração, recursos criados para simplificar o trabalho podem aumentar a carga operacional e fragmentar a assistência.

Integração é condição para gerar valor

Essa fragmentação torna-se evidente quando múltiplas iniciativas de inteligência artificial são implementadas simultaneamente no diagnóstico, na triagem ou na automação de laudos. Os profissionais passam a consultar sistemas paralelos, confrontar resultados de diferentes fontes e identificar quando a falta de integração compromete o fluxo de cuidado.

Para o gestor, o desafio é articular essas iniciativas em uma estratégia única, garantir que diferentes sistemas e soluções adotados pela instituição conversem entre si e assumir a responsabilidade de formar equipes capazes de operar nesse ambiente.

Por isso, o investimento em tecnologia precisa ser acompanhado pela qualificação de médicos, gestores e equipes multiprofissionais. A inteligência artificial pode ampliar a capacidade de análise e apoiar decisões, mas a responsabilidade pelas decisões clínicas continua sendo dos profissionais.

Sem coordenação institucional, iniciativas isoladas geram retrabalho, dificultam a interoperabilidade e reduzem os benefícios para profissionais, instituições e pacientes.

“A adoção da inteligência artificial precisa ser uma decisão institucional, com governança, integração e acompanhamento de resultados. Não faz sentido ganhar eficiência em uma etapa e criar retrabalho em outra. O valor aparece quando tecnologia, processos e equipes avançam na mesma direção”, acrescenta Marcos Queiroz.

O tema integra a agenda do FILIS 2026

Os impactos da inteligência artificial sobre a atuação dos profissionais e a organização dos serviços estarão no eixo de Inteligência Artificial do FILIS 2026, promovido pela Abramed no dia 26 de agosto, no Teatro Santander, em São Paulo.

Marcos Queiroz irá moderar o debate “IA como vetor estratégico para a transformação da saúde, com foco em qualidade, inovação e novos modelos de cuidado”. Participam Priscila Cruzatti, especialista em Inovação e Saúde Digital para o Brasil no Google Cloud; Giovanni Guido Cerri, presidente do Conselho Diretor do InRad-HCFMUSP e coordenador da Comissão de Inovação do HCFMUSP (InovaHC); e Moritz Hartmann, diretor global da Roche Information Solutions.

Mais do que apresentar tendências, o FILIS reunirá diferentes perspectivas para transformar desafios já presentes na rotina assistencial em pautas propositivas para o setor.

Mais informações e inscrições em www.abramed.org.br/filis.

A inovação em saúde começa pelo diagnóstico: o papel dos exames na pesquisa clínica 

Da geração de evidências ao desenvolvimento de novas soluções, a medicina diagnóstica é essencial para que a inovação chegue ao paciente.  

Toda inovação em saúde depende de evidências. Elas são construídas muito antes de um medicamento chegar ao mercado. Por trás de cada nova terapia existe uma etapa indispensável para transformar conhecimento científico em cuidado: a medicina diagnóstica.  

Por meio dos exames laboratoriais, genéticos e de imagem, pesquisadores identificam biomarcadores, selecionam pacientes para estudos clínicos, acompanham a resposta aos tratamentos e produzem evidências que sustentam a incorporação de novas tecnologias à prática médica. 

Esse papel ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento populacional, do aumento das doenças crônicas e do avanço da medicina de precisão. Hoje, terapias personalizadas dependem da capacidade de identificar características específicas de cada paciente, permitindo indicar o tratamento mais adequado e evitar intervenções desnecessárias. 

Fortalecer essa capacidade também é estratégico para ampliar a competitividade do Brasil na pesquisa clínica. Atualmente o país ocupa a 12ª posição no ranking mundial e tem potencial para figurar entre os dez principais nesse segmento. Para que isso aconteça, o setor de diagnóstico brasileiro precisa estar à altura em tecnologia, em padronização e em capacidade de integração de dados. 

“O laboratório deixou de ser apenas o lugar onde se processa uma amostra. Hoje, ele também é um gerador de conhecimento. Cada exame produz um dado que pode alimentar pesquisas, ampliar o entendimento sobre as doenças e acelerar o desenvolvimento de novas terapias”, explica Lídia Abdalla, vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed. 

Mais do que apoiar a pesquisa clínica, a medicina diagnóstica produz conhecimento capaz de acelerar a inovação em saúde.  

O diagnóstico como infraestrutura da pesquisa 

A participação da medicina diagnóstica começa antes mesmo do primeiro paciente ser incluído em um estudo clínico. O desenvolvimento de novas tecnologias e novos indicadores permite identificar quais pessoas apresentam determinadas características biológicas, aumentando a precisão das pesquisas e tornando possível avaliar, com maior confiabilidade, a eficácia e a segurança de novas terapias.  

Exames laboratoriais, testes moleculares e métodos de imagem acompanham continuamente a evolução dos participantes, monitorando respostas ao tratamento, possíveis eventos adversos e indicadores clínicos que servirão de base para a geração de evidências científicas. Sem essa infraestrutura funcionando com qualidade, agilidade e rastreabilidade, os estudos podem perder precisão e credibilidade científica. 

Os biomarcadores têm papel duplo nesse processo: funcionam como critérios de seleção de pacientes, identificando quem tem maior probabilidade de responder a um tratamento, e como endpoints dos ensaios, facilitando a avaliação dos resultados. 

Tecnologias voltadas à medicina de precisão já crescem a dois dígitos no Brasil, impulsionadas pelo aumento da incidência de doenças complexas, especialmente em oncologia, neurologia e doenças autoimunes. 

Com os avanços da biologia molecular e do sequenciamento de nova geração, o mapeamento genético tende a ocupar espaço cada vez maior na prática clínica, ampliando a capacidade de identificar riscos, apoiar diagnósticos mais precisos e orientar terapias personalizadas.  

“A incorporação da genômica mostrou que a inovação não acontece apenas quando uma nova terapia é desenvolvida, mas também quando ampliamos nossa capacidade de compreender a biologia das doenças. Quanto melhor entendermos cada paciente, maiores são as possibilidades de oferecer tratamentos mais assertivos e acelerar a produção de conhecimento científico”, afirma Lídia. 

Dados que alimentam a inovação 

Os dados gerados pelos exames ajudam a compreender a evolução das doenças, identificar tendências epidemiológicas, desenvolver novos indicadores e apoiar pesquisas capazes de acelerar a chegada de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Para que esse potencial se concretize, é fundamental que essas informações possam ser compartilhadas de forma padronizada e segura. É a interoperabilidade que permite a circulação desses dados entre laboratórios, prontuários e sistemas de saúde, fortalecendo a integração entre pesquisa, assistência e inovação em saúde.  

Além de reduzir tentativas sucessivas de tratamento e favorecer melhores desfechos clínicos, esse processo contribui para o uso mais racional dos recursos disponíveis e acelera o desenvolvimento de novas soluções diagnósticas e terapêuticas.  

Na visão de Lídia Abdalla, os dados gerados pela medicina diagnóstica representam um patrimônio científico para o país. “Transformar esse volume de informações em conhecimento exige interoperabilidade, qualidade e responsabilidade no uso dos dados. É isso que fortalece a pesquisa clínica, amplia nossa capacidade de inovação e gera valor para o paciente e para  todo o sistema de saúde”, analisa. 

Essa transformação, que consolida a medicina diagnóstica como elemento essencial da inovação em saúde, será um dos fios condutores do FILIS 2026, que reunirá líderes do setor para discutir como a inteligência artificial, a medicina de precisão e a transformação digital estão redesenhando o futuro da saúde. 

A discussão reforça um princípio cada vez mais evidente: toda inovação começa com conhecimento e, na saúde, esse conhecimento frequentemente nasce a partir do diagnóstico. 

Para participar do FILIS 2026, acesse o site oficial do evento e adquira o seu ingresso: https://www.abramed.org.br/filis. 

Regulação, jornada de trabalho e agenda econômica marcam reunião da Abramed com associados

Encontro reuniu lideranças para alinhar posicionamentos e avançar em temas que impactam diretamente a operação e a sustentabilidade do setor.

A Reunião Mensal de Associados (RMA) da Abramed de abril evidenciou o papel ativo da entidade na condução das principais agendas que impactam o setor. Realizado em São Paulo, na sede da Roche, o encontro reuniu lideranças para alinhamento de temas regulatórios, econômicos e institucionais, com foco na construção de um ambiente mais previsível e sustentável para a medicina diagnóstica e toda a cadeia de saúde no país.

Entre os destaques, esteve a Consulta Pública nº 170/2026 da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que propõe avanços na relação entre prestadores e operadoras. O tema foi apresentado sob a perspectiva de fortalecimento de um marco regulatório mais equilibrado e transparente, com incentivo à participação ativa dos associados e à construção de uma contribuição técnica qualificada em conjunto à agência.

A reunião também abordou a proposta de redução da jornada de trabalho, tema que vem ganhando espaço no debate público e exige atenção do setor. A discussão reforçou a necessidade de uma análise cuidadosa dos reflexos operacionais e assistenciais, diante de um segmento intensivo em mão de obra qualificada e essencial à continuidade do cuidado em saúde.

Os associados destacaram os desafios já existentes na reposição de profissionais especializados, o que limita a capacidade de substituição. Nesse contexto, foi enfatizada a preocupação com a segurança do paciente, considerando que a eventual recomposição de equipes com mão de obra não qualificada pode comprometer a qualidade dos serviços e das decisões clínicas. Também foram apontadas as diferenças regionais, especialmente em pequenas cidades, onde a escassez desses profissionais é ainda mais acentuada e demanda uma abordagem compatível com as realidades locais.

Na agenda econômica, a reunião trouxe atualizações sobre o imposto de importação, com destaque para a inclusão de parte relevante de itens médicos na lista de ex-tarifários. A medida contribui para preservar o acesso a insumos e tecnologias estratégicas, enquanto a entidade segue acompanhando a evolução do tema junto às autoridades.

Outro ponto de atenção foi a interlocução com a Anvisa em torno da RDC nº 978/2025. A Abramed mantém diálogo contínuo com o regulador, buscando aprimoramentos que considerem as particularidades operacionais do setor e promovam maior segurança jurídica e regulatória, ao mesmo tempo em que consolida e representa tecnicamente as contribuições das associadas nesse processo.

“Esse conjunto de agendas mostra que estamos diante de decisões que impactam diretamente a forma como o setor opera e entrega cuidado. O papel da Abramed é organizar tecnicamente essas pautas, consolidar a visão do setor e qualificar o diálogo com os tomadores de decisão. Estamos falando de um segmento essencial, que sustenta decisões clínicas e precisa de condições adequadas para continuar operando com qualidade, segurança e previsibilidade, sempre em prol do paciente”, declara Milva Pagano, diretora-executiva da entidade.

CID-11: impactos operacionais, tecnológicos e regulatórios para a Medicina Diagnóstica

A nova classificação exige adaptação de sistemas, capacitação e revisão de processos, com impacto direto na prática clínica e na gestão.

A Classificação Internacional de Doenças (CID) é o sistema utilizado globalmente para padronizar o registro de diagnósticos e condições de saúde. Presente em prontuários, exames, autorizações e bases de dados, ela organiza a informação clínica e permite que profissionais, instituições e gestores falem a mesma “linguagem” ao descrever doenças e procedimentos.

A transição da CID-10 para a CID-11 marca uma mudança relevante na forma como essa informação é estruturada e utilizada no dia a dia. Mais do que uma atualização de códigos, trata-se de uma nova lógica de registro clínico, alinhada a um ambiente cada vez mais digital, interoperável e orientado por dados.

Nesse novo cenário, a classificação deixa de ser apenas um instrumento de catalogação e passa a influenciar diretamente a prática clínica, os modelos de remuneração, a regulação e a análise epidemiológica.

A lógica que sustenta a CID-11

Desenvolvida e atualizada anualmente pela Organização Mundial da Saúde, a CID sempre foi a principal referência global para padronização de diagnósticos e sustenta diversas dimensões do sistema de saúde, incluindo estatísticas oficiais, vigilância epidemiológica, regulação sanitária, modelos de financiamento e integração entre sistemas de informação.

A décima primeira revisão passa a organizar os dados de forma diferente, permitindo combinar informações clínicas e detalhar melhor cada diagnóstico. Esse modelo, pensado para uso digital, com atualização contínua e integração entre sistemas, viabiliza aplicações como auditorias automatizadas, análises preditivas, avaliação de risco e avanços em medicina de precisão. Ao mesmo tempo, exige maior maturidade na governança e no uso responsável dessas informações.

Isso porque um único diagnóstico pode gerar um código composto por múltiplos elementos encadeados — como anatomia, lateralidade, histopatologia, severidade, etiologia e confirmação genômica. Um código como 2C6Z&XK9K&XH7KH3&XS7Z, por exemplo, deixa de ser exceção e passa a representar a lógica da classificação.

Os serviços de Medicina Diagnóstica terão grande impacto resultante dessas mudanças. Pedidos de exames, autorizações, laudos, documentação, armazenamento e pagamentos passam a exigir uma lógica de processamento mais complexa, dentro de uma plataforma digital. 

“Em muitos casos, será necessário demonstrar, de forma estruturada, a justificativa clínica para exames mais complexos, com base na evolução do caso e nos testes já realizados. O que irá requerer maior coerência entre a indicação clínica, a execução do exame e o registro das informações ao longo da jornada do paciente”, explica Nelson Akamine, membro do comitê de Recursos Humanos da Abramed.

Para Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed, essa é uma transformação que amplia a relevância da Medicina Diagnóstica ao reforçar seu papel na produção, qualificação e integração das informações que sustentam a tomada de decisão ao longo da jornada do paciente.

Cronograma e implementação no Brasil

A adoção da CID-11 no Brasil segue as diretrizes da Nota Técnica nº 91/2024 do Ministério da Saúde. Atualmente, o país permanece utilizando a CID-10 (versão 2019), enquanto se prepara para a implementação completa prevista para janeiro de 2027. 

Este intervalo é um período crítico para testes de campo, tradução do sistema para o português (finalizada em 2024 pela UFMG em parceria com a OPAS), ajustes tecnológicos e operacionais do ambiente de saúde nacional.

Para laboratórios e serviços de diagnóstico por imagem, os impactos são amplos e se concentram em três frentes principais:

  • Sistemas de TI e Interoperabilidade: a transição exige que sistemas como LIS, RIS, PACS, ERPs e prontuários eletrônicos sejam atualizados. A CID-11 requer também a integração com a API oficial da OMS e deve interoperar com padrões como FHIR, SNOMED e LOINC. 
  • Planos de saúde e remuneração: haverá mudanças diretas na codificação para planos de saúde e nos padrões TISS/TUSS. Novos modelos de remuneração e auditorias automatizadas baseadas em IA poderão ser viabilizados visando maior qualidade dos dados gerados.
  • Saúde do Trabalho e Previdência: a CID-11 traz uma camada inédita de registro formal de nexo ocupacional que influenciará na responsabilização trabalhista, concessão de benefícios previdenciários e na vigilância epidemiológica.

Para que a implementação seja bem-sucedida, o setor precisará avançar na capacitação contínua de médicos, codificadores e gestores para o uso da nova lógica semântica na classificação de doenças, além da adaptação tecnológica das infraestruturas de dados.

A Abramed acompanha essa evolução por meio de três Comitês: Padrão TISS, RH e Interoperabilidade, compartilhando informações e apoiando seus associados na preparação para essa nova etapa.

Liderança feminina na saúde: mais que diversidade, um alicerce para a transformação estratégica

Depoimentos de líderes da Abramed mostram como a presença feminina fortalece a qualidade, a gestão e a sustentabilidade na Medicina Diagnóstica.

A presença feminina na liderança da saúde é uma realidade que vem se consolidando ano após ano. Dados do Atlas CBEXS 2024 mostram, por exemplo, que 51% das posições de presidência, direção, gerência, supervisão ou coordenação no setor já são ocupadas por mulheres. O contraste com o mercado geral é evidente: no Brasil, mulheres ocupam cerca de 35% dos cargos C-Level, segundo estudo da Diversitera.

Esse cenário é fruto de um processo orgânico de crescimento profissional e que também alcança a Medicina Diagnóstica. Números da 7ª edição do Painel Abramed mostram que 100% das associadas têm mais de 50% do quadro de colaboradores formado por mulheres e 65% dessas instituições possuem metade dos cargos de liderança ocupados por mulheres.

Mais do que uma questão de representatividade, esse avanço implica diretamente eficiência, capacidade estratégica e geração de resultados nas organizações. Para termos uma ideia desse cenário, uma pesquisa publicada pela Harvard Business Review aponta que líderes femininas pontuam mais alto em 17 de 19 competências de liderança avaliadas no comparativo com homens.

No mês das mulheres, convidamos nossas líderes para compartilhar suas trajetórias, experiências e comentar sobre o cenário na Medicina Diagnóstica.

“É preciso garantir participação feminina sem a pressão pela escolha entre carreira e família.”

Andrea Pinheiro, Líder do Comitê de Comunicação da Abramed

A saúde trabalha, tradicionalmente, com grandes contingentes de mulheres, mas elas ainda possuem baixa representatividade nos espaços de poder. É preciso garantir condições reais para sua participação em todas as esferas, respeitando as diferentes fases da vida e sem a pressão pela escolha entre carreira e família.

Um dos maiores desafios em minha trajetória foi assumir a liderança ainda jovem, em um ambiente com pouquíssimas mulheres nesses cargos. Isso exigiu determinação, coragem, disciplina, resiliência e pragmatismo, mas também trouxe aprendizados importantes sobre o valor das diferentes competências no ambiente de trabalho.

Ao longo dessa jornada, encontrei mulheres exemplos de força, dedicação e competência técnica, o que contribuiu para fortalecer a minha identidade profissional, marcada por visão de contexto aguçada, autenticidade, empatia, equilíbrio, adaptabilidade e um espírito criativo e construtor.

Nesse percurso, meus valores inegociáveis: ética, responsabilidade, respeito e honestidade funcionaram como bússola para decisões na vida pessoal e profissional. Além disso, ter vivido espaços de escuta e posicionamento, e poder contribuir para o desenvolvimento de outras mulheres, foi fundamental na minha caminhada.

“Cuidar também é inspirar e formar líderes.”

Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed

O setor de saúde, por ter muitas mulheres — especialmente na base da assistência —, formou ao longo do tempo uma grande quantidade de profissionais com conhecimento técnico e de operação, que se tornaram potenciais gestoras. Tenho muito orgulho de fazer parte desse grupo, ao lado de gestoras e colaboradoras excepcionais que impactam a Medicina Diagnóstica e a saúde no Brasil.

Nessa jornada, desenvolvi características que norteiam minha identidade profissional: adaptabilidade, resiliência, espírito empreendedor e inovador, disciplina, colaboração e, principalmente, o compromisso de formar pessoas. Sempre tive uma “vontade de gente”, de construir, desenvolver e crescer junto. E isso foi moldando a forma como atuo e lidero.

Um caminho que está conectado a valores que considero inegociáveis: amor por cuidar, de várias formas, não como negócio, mas como uma missão que carrego desde cedo, e ser justa, porque a ética é uma premissa que orienta minhas decisões.

Como executiva, sigo cuidando de diferentes maneiras, porque acredito que cada decisão na Medicina Diagnóstica pode encurtar o caminho entre a dúvida, a ansiedade e o cuidado — e melhorar a saúde das pessoas é o que dá sentido ao meu trabalho.

“Humildade e integridade são essenciais para um legado positivo que impacte a vida do próximo.”

Isadora Bittar, membro do Conselho Fiscal da Abramed

A presença feminina na Medicina Diagnóstica, diferentemente de outros setores, é resultado, em grande parte, de um crescimento orgânico profissional das mulheres dentro da operação. Contudo, há vários níveis de liderança e nem todos refletem essa realidade — especialmente quando olhamos para cargos de alta direção e conselhos.

Na minha trajetória, enfrentei desafios que foram fundamentais para o meu amadurecimento profissional e aprendi que a qualidade das decisões está diretamente ligada à capacidade de reconhecer fragilidades e potencialidades, agindo com a humildade e integridade necessárias para sustentar ações.  Como aprendizado, sempre digo que “as pedras” do caminho podem deixar marcas, mas também nos tornam mais sábios e fortes.

Para mim, esses são os aspectos que nos permitem construir um legado para impactar positivamente na vida do próximo.

“O poder da escolha pertence a nós e é preciso exercê-lo sem culpa”

Lídia Abdalla, Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed

É inegável o avanço da presença feminina na liderança, ainda assim, quando olhamos para os cargos C-Level, somos poucas. Existe um “teto de vidro” que ainda limita essa ascensão e o desafio agora é garantir que mais mulheres ocupem os lugares onde as decisões são tomadas. A participação e intencionalidade dos homens é fundamental nesse movimento.

Minha trajetória foi construída com muito estudo, preparo, autoconhecimento e confiança e, em parte, isso se deve ao apoio e referência que sempre encontrei na minha base familiar e profissional. Aprendi cedo que as oportunidades surgem para quem já está em construção e que nada é mais forte do que o exemplo. 

A experiência também me ensinou que nós, mulheres, precisamos nos apropriar das nossas decisões e parar de sofrer e carregar culpa por elas. Quando entendemos que decidir é abrir mão de algo e que temos o direito de fazer essas escolhas, a jornada se torna mais leve. nossa autoconfiança é fortalecida e ganhamos mais impulso para enfrentar novos desafios e sermos referência para outras mulheres que estão construindo o seu caminho.

Ética, integridade, transparência e relações de confiança são valores inegociáveis que sustentam a minha atuação. Porque, no fim, liderar é influenciar e transformar pessoas e, na saúde, esse alcance vai ainda mais longe: cada decisão tem o poder de impactar a vida de alguém no que ela tem de mais precioso.

“Cuidar de quem cuida é a forma mais profunda de transformar a saúde.”

Lucilene  Costa, líder do Comitê de Recursos Humanos da Abramed

Minha experiência na área, ao longo de mais de 30 anos, passou por diferentes frentes — do atendimento hospitalar às áreas administrativas, indústria farmacêutica, laboratórios e, mais recentemente, à gestão de Saúde, Segurança, Qualidade de Vida e Benefícios. Sempre fui movida pelo cuidado centrado nas pessoas e, nos últimos anos, aprofundei esse olhar para o cuidado com quem cuida. 

Ao longo desse percurso, vivi de perto como mudanças sociais, endemias e pandemias geram instabilidade na saúde das pessoas, mas também impulsionam adaptações contínuas e a busca por melhoria. Soma-se a isso o desafio dos custos e suas inconstâncias, exigindo um olhar conectado ao propósito de cuidar, sem perder a sustentabilidade.

Minhas decisões e a forma como lidero sempre foram orientadas por valores como integridade, respeito, transparência, ética e empatia. Em um mundo globalizado, dinâmico e em contínua ebulição, essa base me provoca a evoluir constantemente, pois acredito que a busca por conhecimento e partilha é parte do que dá sentido à nossa atuação e à nossa vida.

O protagonismo feminino na saúde, nesse sentido, representa não apenas força numérica, mas um diferencial qualitativo. As mulheres trazem um olhar integral no cuidado, com atenção multifatorial e centralidade no paciente. Contribuir para essa jornada, para mim, é orientar pessoas e a sociedade na busca por cuidado e longevidade de forma sustentável, mesmo diante dos desafios e de um caminho importante a ser percorrido na luta contra as desigualdades entre gêneros.

“Precisamos ampliar a presença feminina onde as decisões são tomadas.”

Milva Pagano, diretora-executiva da Abramed

A saúde sempre foi um campo onde nós, mulheres, estivemos muito presentes — especialmente nas áreas ligadas ao cuidado, à pesquisa e ao diagnóstico. Com o tempo, vejo que desenvolvemos uma liderança mais integradora e colaborativa, algo essencial em um setor que depende da articulação entre diferentes atores. Ainda assim, existem vieses inconscientes e menor acesso aos espaços estratégicos. Por isso, acredito que o próximo passo é ampliar a presença feminina justamente onde as decisões são tomadas.

Minha trajetória começou no campo jurídico, em uma seguradora de saúde, em um momento de intensas transformações regulatórias. Essa experiência me deu uma visão ampla sobre a complexidade do sistema e sobre como cada decisão impacta toda a cadeia de cuidado. Ao assumir a diretoria-executiva da Abramed em 2021, em plena pandemia, se consolidou em mim uma convicção muito forte: nenhuma transformação acontece sozinha. A saúde é construída em rede, e é preciso dialogar, construir pontes e manter o foco no que realmente importa: a jornada do paciente.

Na vida e no trabalho, levo valores inegociáveis: ética, responsabilidade e respeito pelas pessoas. A Medicina Diagnóstica acompanha o ser humano ao longo de toda a vida e isso nos lembra que, por trás de cada exame, existe uma história. Se olharmos para cada paciente como alguém que poderia ser um de nós — ou alguém que amamos —, nossas decisões serão sempre mais responsáveis e humanas para transformar informação em cuidado e em esperança para quem mais precisa.

“Ser mulher na Medicina Diagnóstica é transformar conhecimento em decisões que mudam vidas.”

Renata Coudry, líder do Comitê de Anatomia Patológica da Abramed

A Medicina Diagnóstica valoriza o conhecimento técnico, a formação científica e a dedicação ao paciente — características que muitas mulheres cultivam ao longo de suas trajetórias. Por isso, temos visto um avanço de diversidade na gestão, mas é preciso ampliar a presença feminina em posições decisórias e fortalecer ambientes que incentivem esse desenvolvimento.

Minha atuação esteve sempre conectada à inovação e à construção de novos caminhos dentro da patologia. São processos que exigem técnica, liderança, diálogo multidisciplinar e visão estratégica — principalmente para transformar inovação em prática clínica segura e sustentável. Foi isso que moldou minha forma de atuar. 

Integridade, responsabilidade científica, colaboração e respeito pelas pessoas são valores que considero inegociáveis. Na Medicina Diagnóstica, cada decisão impacta diretamente o paciente. Contribuir para o sucesso dessa jornada é, para mim, transformar conhecimento e tecnologia em decisões que garantam o tratamento mais adequado no momento certo.

“A liderança feminina é resultado de preparo, resiliência e transformação.”

Rogéria Cruz, líder do Comitê de Proteção de Dados da Abramed

Desde cedo, precisei desenvolver resiliência, adaptabilidade e amadurecimento profissional para atuar em um setor altamente regulado, complexo e sensível, que exige decisões de grande impacto e um equilíbrio constante entre técnica, ética, gestão de riscos e visão estratégica. Essa postura foi importante especialmente para construir credibilidade em ambientes muitas vezes hierarquizados e predominantemente masculinos. 

E também me fez ter a consciência de que cada decisão, mesmo nos bastidores, influencia a segurança do paciente e a confiança no sistema de saúde —  é isso que orienta minha forma de liderar, de conduzir as atividades e reflete os valores que são a base da minha atuação: ética, respeito, responsabilidade e compromisso com a qualidade e a sustentabilidade. 

Hoje, vejo o avanço da presença feminina no setor como resultado de uma maior formação técnica, mudanças culturais e novos modelos de gestão. Mas ainda é preciso aumentar o reconhecimento de trajetórias técnicas como caminho para que, nós mulheres, consigamos chegar nos órgãos de decisão máxima. 

Mais do que uma tendência, acredito que essa é uma evolução necessária para uma área que demanda alta performance aliada à sustentabilidade humana, flexibilidade e cuidado — dimensões em que temos muito a contribuir. 

O Imposto de Importação não pode virar custo assistencial: Resolução GECEX nº 852 é debatida entre associados da Abramed

Alta da alíquota do imposto pressiona custos, expõe fragilidades do setor e evidencia a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento industrial, inovação e acesso à saúde.

A recente movimentação do Governo Federal em torno da recomposição tarifária de itens importados colocou a saúde em um estado de alerta. A Resolução GECEX nº 852/2026, que elevou o Imposto de Importação (II) para mais de mil itens – muitos dos quais utilizados pela cadeia do setor – pode também atingir o núcleo da infraestrutura tecnológica da Medicina Diagnóstica no Brasil.

Embora o Governo busque estimular a indústria nacional por meio da norma, a medida não considera toda a complexidade de uma cadeia altamente dependente de tecnologias sem equivalentes produzidos no país, gerando um efeito cascata que ameaça a sustentabilidade assistencial e o acesso dos pacientes.

Esse tema foi o centro do debate da última Reunião Mensal de Associados (RMA) da Abramed, que contou com a participação de Cesar Nomura, presidente do Conselho de Administração da Abramed; Milva Pagano, diretora-executiva da entidade; Julio Aderne, gerente geral de diagnósticos laboratoriais e líder da Abbott Brasil; e Lucas Barducco, sócio do escritório Machado Nunes, especialista em Direito Tributário. O encontro aconteceu na Abbott, em São Paulo, parceira da entidade.

A saúde como cadeia dependente do fluxo de importações

Diferente de outros setores, a saúde opera como uma infraestrutura tecnológica integrada globalmente que depende, em grande parte, de itens importados. A Resolução GECEX nº 852 impactou 31 NCMs (Nomenclatura Comum do Mercosul) da Medicina Diagnóstica e pode afetar um volume de importações que soma cerca de US$ 1,2 bilhão anuais.

Isso inclui itens como aparelhos de ressonância magnética, PET scans, tomógrafos e equipamentos laboratoriais avançados, que saíram de uma alíquota zero para patamares de 7,2% a 20%.

Como destacado no debate, tudo que não tem similar nacional não pode ser tratado como algo passível de ser taxado, sem que sejam avaliados impactos sistêmicos.

Porém, essa definição é complexa e arriscada, visto que a interpretação adotada hoje gera distorções e amplia a insegurança regulatória ao desconsiderar diferenças técnicas, de aplicação e de desempenho entre equipamentos que, na prática, não são substituíveis.

Um exemplo emblemático é o magneto de ressonância magnética. Apesar de partes do equipamento poderem ser produzidas no Brasil, o seu principal e mais caro componente não possui fabricação local. Por isso, há consenso entre os players do mercado de que taxar itens sem substitutos nacionais não é algo que incentiva a indústria local; apenas encarece o diagnóstico.

O efeito multiplicador e os riscos

Além disso, o impacto financeiro para os laboratórios vai muito além do aumento nominal do imposto. A elevação no custo direto de importação atua como um gatilho inflacionário em toda a cadeia. A tarifa entra na base de cálculo de outros tributos e pode levar à perda de benefícios fiscais importantes, como isenções de ICMS.

O aumento da alíquota do Imposto de Importação se insere em um contexto de pressões tributárias de múltiplas frentes: a própria Reforma Tributária, que entrou em sua fase oficial de testes; a instituição da tributação sobre lucros e dividendos; e agora a Resolução GECEX. “É um cenário que demanda um olhar técnico e a busca por caminhos estratégicos”, explica Lucas Barducco, do Machado Nunes.

Outro aspecto desafiador da medida é a exigência de um projeto de investimento para que o importador acesse benefícios tarifários que diminuam seus impactos. Grande parte dos equipamentos médicos no Brasil é importada por revendedores e distribuidores que não possuem uma linha de produção industrial para apresentar como contrapartida de investimento.

Essa distorção cria um gargalo: mesmo que o produto não tenha similar nacional, se ele for trazido por um distribuidor, entra tributado, afetando instituições de saúde que dependem desses parceiros logísticos para acessar tecnologia de ponta.

O assunto resultou em uma importante troca de experiência entre os associados e convidados presentes na RMA.

Para João Paulo Souza, CEO da GE Healthcare, a discussão sobre investimento também precisa evoluir: “Investimento não é apenas ter uma planta no Brasil”, afirmou, trazendo a necessidade de explorar outras formas de enquadramento como, por exemplo, atividades de manutenção, logística e estrutura de suporte, e apontando que há resistência da equipe técnica do Governo em ampliar essa leitura.

Há ainda uma questão adicional que amplia a complexidade do cenário: a imprevisibilidade. Em um setor de capital intensivo e dependente de planejamento de longo prazo, mudanças abruptas e pouco calibradas dificultam decisões de investimento, atrasam a incorporação tecnológica e ampliam a heterogeneidade entre os prestadores.

Na visão dos participantes, o desafio não está em apoiar a indústria nacional, mas em calibrar a medida para separar o que, de fato, pode ser substituído daquilo que impacta diretamente a operação, a oferta de serviços e o acesso à tecnologia. Quando essa distinção não é feita, o efeito não se restringe aos custos, mas se estende à cadeia logística, à previsibilidade de fornecimento e à capacidade de atendimento.

Apesar das dificuldades, Rafael Arantes, que atua nas relações institucionais governamentais da Dasa, destacou a importância do apelo à essencialidade e alertou que o principal risco é o repasse desses impactos ao paciente. “É preciso demonstrar ao Governo que a elevação de despesas não necessariamente se traduz em maior arrecadação, já que os efeitos podem chegar ao consumidor final”, afirmou.

O posicionamento da Abramed: diálogo e cooperação

A Abramed tem participado de um movimento de interlocução proativa e técnica. Em reuniões realizadas com o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin e a equipe técnica do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a entidade reforçou a urgência de calibrar a medida.

“Listamos item a item os insumos que impactam diretamente o paciente e o consumidor final para embasar a revisão da norma. A entidade atua também na criação de um Grupo de Trabalho (GT) junto ao Governo para discutir tecnicamente o conceito de ‘similar nacional’ e buscar a dispensa da exigência de projeto de investimento para distribuidores da saúde”, explicou Cesar Nomura.

Claudia Cohn, membro do Conselho de Administração da Abramed, destacou a importância de manter o senso de urgência e a união do setor, especialmente em um momento em que há oportunidade de avançar em pautas que impactam toda a cadeia de saúde.

“A discussão proposta pela Abramed é um chamado à razoabilidade. Se a calibragem da medida não considerar a lógica da cadeia e a essencialidade dos insumos envolvidos, o impacto não se limita à indústria: ele chega ao diagnóstico, ao tratamento e, no limite, ao paciente”, finalizou Milva Pagano.

Nova resolução do CFM define limites e responsabilidades para uso de IA na medicina

Diretrizes atualizam o uso da Inteligência Artificial na Saúde, com foco em segurança, transparência e autonomia profissional.

O avanço acelerado da inteligência artificial na saúde começa a deslocar o debate do potencial tecnológico para os limites de uso. Com cerca de US$ 36 bilhões investidos globalmente em 2025 e crescimento projetado de quase 40% ao ano, a consolidação dessas ferramentas torna inevitável a definição de responsabilidades clínicas, éticas e regulatórias. Nesse contexto, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2.454/2026, estabelecendo diretrizes para a aplicação da IA na prática médica no Brasil.

O texto define parâmetros para uso seguro da tecnologia, delimita responsabilidades e estabelece critérios para sua incorporação no cuidado em saúde. A seguir, os principais pontos da norma.

Objetivos da norma e autonomia médica

A resolução estabelece que a inteligência artificial deve atuar exclusivamente como ferramenta de apoio à decisão clínica, sem autonomia para definir diagnósticos ou prognósticos. A responsabilidade final permanece com o médico, que mantém plena autonomia para aceitar, interpretar ou rejeitar recomendações geradas por sistemas automatizados.

Esse direcionamento também impede que sistemas de IA substituam o julgamento clínico ou realizem, de forma independente, a comunicação de diagnósticos ao paciente. A tecnologia passa a ser compreendida como suporte qualificado, e não como agente decisório.

Outro ponto relevante é a proteção ao profissional: o médico pode optar por não utilizar sistemas que não apresentem validação científica ou respaldo regulatório, desde que sua decisão esteja fundamentada em critérios técnicos e éticos.

Transparência e direitos do paciente

A norma reforça que o uso da IA não pode comprometer a relação médico-paciente nem reduzir a dimensão humana do cuidado. Sempre que houver utilização dessas ferramentas, o paciente deve ser informado de forma clara, com registro no prontuário.

Além disso, são consolidados direitos específicos, como o consentimento informado para uso de IA, a possibilidade de recusa da tecnologia no atendimento, o acesso a informações compreensíveis sobre sua condição de saúde e a garantia de proteção de dados pessoais, em conformidade com a LGPD.

Ao estruturar esses princípios, a resolução aproxima o Brasil de modelos internacionais que colocam o paciente no centro das decisões envolvendo tecnologias emergentes.

Governança e classificação de risco

No âmbito institucional, a resolução estabelece obrigações mais estruturadas para hospitais e clínicas. Instituições que utilizam sistemas próprios de IA devem implementar mecanismos de governança, incluindo a criação de comissões internas responsáveis por monitoramento, auditoria e avaliação contínua dessas ferramentas.

A norma também introduz uma classificação dos sistemas conforme o nível de risco:

  • Baixo risco: aplicações administrativas e operacionais, sem impacto clínico direto;
  • Médio risco: sistemas de apoio à decisão com supervisão humana;
  • Alto risco: tecnologias que influenciam decisões clínicas relevantes;
  • Risco inaceitável: usos proibidos.

Esse enquadramento orienta o nível de controle e supervisão exigido, de acordo com o potencial impacto sobre o cuidado.

Outro ponto central é a exigência de conformidade regulatória: softwares com função clínica devem atender às normas da Anvisa aplicáveis a dispositivos médicos. A fiscalização do uso da IA caberá aos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), que poderão realizar auditorias e aplicar medidas disciplinares quando necessário.

Deveres do médico e proteção profissional

A norma também explicita responsabilidades do médico no uso dessas ferramentas, incluindo a necessidade de avaliação crítica das recomendações geradas, atualização contínua sobre capacidades e limitações dos sistemas e registro do uso (ou não uso) da IA no prontuário.

Ao mesmo tempo, estabelece uma salvaguarda importante: o profissional não será penalizado por optar por não seguir recomendações da IA, desde que sua decisão esteja tecnicamente fundamentada.

Impactos na formação médica

A resolução reconhece que a incorporação da inteligência artificial exige mudanças estruturais na formação dos profissionais. Entre os temas que passam a ganhar relevância nos currículos estão ética aplicada à IA, segurança da informação, cibersegurança e letramento em inteligência artificial.

A diretriz aponta para a necessidade de preparar médicos capazes de interpretar criticamente essas ferramentas e utilizá-las de forma responsável na prática clínica.

Proteção de dados e LGPD

A norma determina que todo o ciclo de uso da IA — desde o desenvolvimento até a aplicação clínica — deve observar rigorosamente a Lei Geral de Proteção de Dados. Isso inclui a adoção de princípios como privacidade desde a concepção, além de garantir confidencialidade, integridade e segurança das informações de saúde.

Entre o toque humano e a tecnologia: por que é preciso redesenhar a experiência do paciente

A crescente adoção de ferramentas digitais na saúde evidencia a necessidade de repensar a experiência do paciente, equilibrando eficiência, empatia e responsabilidade clínica.

A saúde vive um momento de intensa transformação. Nunca se investiu tanto em tecnologia, dados e Inteligência Artificial e, ao mesmo tempo, nunca as pessoas estiveram tão ativas na busca por informação e na tomada de decisão sobre o próprio cuidado. Esse movimento, por si só, não é um problema. Ele revela um avanço importante em relação à autonomia de cada pessoa. O que chama atenção é o contexto em que ele ocorre.

Há uma percepção crescente sobre desafios na experiência do atendimento em saúde, especialmente relacionados à comunicação, ao acolhimento e à resolutividade. Um estudo da América do Sul, ao longo de quase duas décadas, apontou que 64% dos entrevistados relataram insatisfação em consultas médicas, especialmente pela falta de esclarecimento e pela sensação de não serem plenamente ouvidos.

Ao mesmo tempo, cresce a confiança em ferramentas digitais. Hoje, 7 em cada 10 pessoas já recorreram à IA para buscar informações sobre sintomas ou possíveis doenças. Plataformas digitais passaram a ocupar um espaço que antes era exclusivo da relação médico-paciente, muitas vezes funcionando como a primeira etapa da jornada assistencial.

Seria precipitado interpretar esse movimento como uma substituição da medicina pela tecnologia. O que ele revela, na verdade, é uma transformação na forma como o valor é percebido. Fatores como tempo de espera, dificuldade de acesso e baixa responsividade contribuem para que muitos busquem alternativas mais ágeis, ainda que nem sempre mais seguras.

A confiança nas plataformas digitais está associada à velocidade, à disponibilidade contínua, à clareza da linguagem e à experiência do usuário — atributos que o sistema de saúde, muitas vezes, ainda não consegue oferecer plenamente.

Esse cenário traz um ponto de atenção importante. A mesma agilidade que aproxima da informação pode afastar da qualidade. Pesquisa da Abramed sobre o uso da Inteligência Artificial na Medicina Diagnóstica Brasileira aponta que essa confiança só é positiva quando sustentada por conteúdo científico qualificado e transparente. Fora disso, é importante não confundir velocidade com precisão.

A qualidade de uma resposta depende da forma como a pergunta é construída e da confiabilidade da fonte — algo ainda mais sensível em um país onde cerca de 70% da população enfrenta algum grau de limitação em letramento digital.

A questão, portanto, não é tecnologia versus medicina. É como integrar essas duas dimensões sem perder o que sustenta o cuidado: a confiança.

Parte dessa percepção tem sido atribuída à falta de empatia, mas o cenário é mais complexo. O que está em curso é uma mudança nas expectativas: hoje, a empatia também se expressa na capacidade de oferecer acesso, agilidade, clareza e previsibilidade. As pessoas querem ser ouvidas, mas também esperam respostas no tempo e na forma que consideram adequados.

Esse movimento impulsiona a evolução dos modelos de atendimento. A excelência técnica segue como base do cuidado e ganha ainda mais valor quando integrada à experiência do paciente.

Nesse contexto, a tecnologia deve ser compreendida como aliada. Quando bem aplicada, amplia a capacidade de análise e apoia a prática clínica do profissional de saúde, especialmente na organização de dados e no suporte à tomada de decisão.

Ao ser utilizada como sistema de suporte à decisão clínica (Clinical Decision Support System – CDSS), a tecnologia pode assumir tarefas operacionais, como triagem, análise de padrões e organização de dados, liberando tempo para aquilo que nenhuma ferramenta é capaz de reproduzir: a escuta qualificada, o raciocínio clínico e a decisão compartilhada.

Quando não integrada ao contexto assistencial, tende a reduzir a singularidade a padrões estatísticos, com impactos potenciais na qualidade do cuidado.

Compreender essa diferença é fundamental para fortalecer a confiança do paciente. Nesse cenário, as pessoas chegam mais informadas — ou, ao menos, mais expostas à informação — o que amplia o papel das instituições e dos profissionais de saúde como curadores e tradutores do conhecimento.

Laboratórios e serviços diagnósticos têm papel central em assegurar que a informação seja acessível, compreensível e cientificamente embasada, independentemente da jornada — presencial, digital ou híbrida.

Esse movimento também amplia a responsabilidade dessas instituições na qualificação da informação, com foco em esclarecer o significado dos resultados, seus limites e os fatores que influenciam os prazos dos processos. Tornar compreensível a diferença entre o tempo digital e o tempo clínico é parte essencial da atuação em saúde.

Essa perspectiva demanda investimento contínuo em formação e cultura organizacional. Não basta incorporar tecnologia; é necessário preparar os profissionais para utilizá-la com responsabilidade, fortalecendo a comunicação científica, adotando protocolos baseados em evidências e promovendo uma cultura orientada por transparência e ética.

O protagonismo do profissional de saúde será cada vez mais associado à capacidade de fortalecer e sustentar relações de confiança. A discussão, portanto, não se resume a escolher entre o toque humano e a tecnologia. Trata-se de integrar essas dimensões de forma complementar e inteligente.

A tecnologia pode ampliar o acesso, acelerar processos e qualificar decisões. Mas é o elemento humano que dá sentido ao cuidado, sustenta o vínculo e fortalece a confiança na prática assistencial.

Redesenhar a experiência do paciente não é apenas uma necessidade operacional, mas um passo essencial na evolução de um sistema de saúde cada vez mais orientado por dados, sem perder sua dimensão humana.

Lidia Abdalla

Vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed e CEO do Grupo Sabin

ESG além do meio ambiente: qual é o papel da governança na Medicina Diagnóstica?

O avanço do ESG no setor depende da capacidade de estruturar decisões clínicas seguras, orientadas por dados e sustentadas por governança.

Apesar da consolidação do ESG no discurso da saúde, a governança — que define como decisões clínicas são tomadas, como dados são utilizados e quais limites são respeitados — ainda ocupa um lugar secundário na prática.

Projeções indicam que os investimentos em ESG podem ultrapassar US$ 79 trilhões até 2030 na economia global, consolidando o conceito como um vetor de transformação corporativa.

Esse movimento já começa a se materializar no setor. Na Medicina Diagnóstica, dados da 7ª edição do Painel Abramed – O DNA do Diagnóstico mostram que 50% das empresas associadas à entidade já divulgam relatórios de práticas ambientais, sociais e de governança, indicando avanços em transparência e na estruturação de práticas corporativas. O próprio Painel destaca que ações de conformidade e responsabilização da liderança são fundamentais para fortalecer a confiança no setor.

Ainda assim, na saúde, ESG ainda avança mais no discurso do que na estrutura. O desafio agora é consolidar mecanismos de governança que orientem decisões e garantam integridade nos processos assistenciais.

Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, a forma como os diagnósticos são produzidos, interpretados e incorporados à prática assistencial passou a impactar diretamente a qualidade do cuidado e a sustentabilidade das organizações.

Quando não há governança estruturada, o risco se torna rotina: exames solicitados sem necessidade, interpretações fora de contexto, e decisões que se afastam do melhor interesse do paciente.

Nesse sentido, Daniel Perigo, líder do Comitê de ESG da Abramed, chama a atenção para um ponto que costuma ser subestimado: não basta confiar na boa intenção dos profissionais — é preciso estruturar o ambiente.

“Não é possível depender exclusivamente do bom senso. É preciso criar um ambiente com diretrizes claras, políticas estruturadas e mecanismos de monitoramento que orientem a tomada de decisão e evitem riscos que possam afetar a saúde dos pacientes e a reputação das organizações”, afirma.

Para isso, é necessário definir responsabilidades, alinhar interesses entre as partes envolvidas, estabelecer políticas e garantir transparência e conformidade com a legislação — especialmente quando se trata de dados sensíveis.

Digitalização, dados e limites éticos

Interoperabilidade, inteligência artificial e uso intensivo de dados ampliaram a capacidade diagnóstica e a eficiência do setor — mas também elevaram a exposição a riscos.

A transformação digital ampliou a capacidade de diagnóstico e trouxe ganhos evidentes de eficiência, mas também elevou o grau de exposição a riscos.

Como resume Daniel Perigo, a digitalização é bem-vinda, desde que não opere sem diretrizes pré-estabelecidas. “Novas tecnologias precisam estar inseridas em um contexto de regras e princípios definidos a partir das boas práticas de governança e da legislação aplicável”, explica.

Isso implica estruturar mecanismos formais de governança de dados e de IA, capazes de garantir segurança técnica, coerência ética, respeito à privacidade, clareza sobre a finalidade do uso das informações e proteção dos direitos dos pacientes.

O desafio não está apenas em ampliar o acesso à informação, mas também em garantir responsabilidade no seu uso. Existe um limite — e ele não é teórico. Segundo o líder do Comitê de ESG da Abramed, a partir do momento em que o benefício para um dos atores envolvidos pode causar prejuízos aos direitos dos demais, atinge-se um limiar que não deve ser ultrapassado.

Governança clínica como estratégia institucional

O amadurecimento do debate sobre governança clínica coloca o tema em posição estratégica dentro das organizações. A governança está diretamente ligada ao cuidado assistencial e aos desfechos clínicos, mas também influencia algo menos tangível e igualmente relevante: a reputação institucional, a confiança dos médicos e a percepção de qualidade por parte dos pacientes.

Na prática, manter uma boa reputação exige garantir o procedimento correto, para o paciente correto, no momento adequado e da forma adequada.

Esse tipo de resultado não depende de uma única área. Ele é construído na operação, a partir de processos bem definidos, comunicação eficiente, treinamento contínuo, monitoramento de indicadores e gestão ativa de riscos.

Como reforça Daniel Perigo: “Trata-se de uma responsabilidade distribuída. A qualidade do sistema como um todo depende da qualidade das suas conexões internas”.

A Abramed tem atuado na estruturação desse debate na Medicina Diagnóstica, conectando aspectos técnicos, regulatórios e operacionais da governança clínica. Além do Comitê de ESG, a entidade promove discussões técnicas no Fórum Internacional de Lideranças da Saúde (FILIS) — que conta com bloco dedicado ao tema —, e no Summit ESG, ambos realizados anualmente.

A evolução do próprio Painel Abramed, que passou a incorporar capítulos específicos sobre ESG e agora avança para uma publicação dedicada exclusivamente ao tema, reflete a maturidade dessa agenda no setor e o esforço em consolidar métricas, práticas e diretrizes mais estruturadas.

Quando esses elementos estão presentes, ESG deixa de ser uma agenda paralela e passa a fazer parte do funcionamento do sistema, influenciando diretamente a qualidade do cuidado, a segurança do paciente e a sustentabilidade das organizações.